Desafiando Deus
Capitulo 20 – 'Corações dilacerados'
•
•
•
Atenção! Conteúdo inteiramente fictício e sem base religiosa.
•
•
•
"– você ainda não me explicou a 'nossa relação'! Ou achou que eu tinha esquecido?
– tão curiosa..."
Ela soltou um riso escárnio. – você sabe muito bem disso!
O demônio trouxe a mão da jovem até seus lábios e lhe deu um delicado beijo. – que tal deixarmos esse assunto para amanhã?
– na na ni na não!
– está ficando tarde... – tentou argumentar.
– ainda não são nem dez horas... – rebateu.
– necessitas jantar...
– você também...
– eu não como, princesa...
– não!? – exclamou surpresa – como isso!?
– Tu sabes... Apenas não quer admitir... – o demônio se levantou e preparou-se para ir embora.
– hei! hei! Volte aqui e explique-se! – o chamou.
O demônio virou sua atenção para ela calmamente. Quando Kagome se deu conta já estava nos braços firmes dele.
– assim como minha mãe... – afastou os fios negros do cabelo da jovem que lhe cobriam o pescoço – pertenço à ordem dos vampiros... – a garota engoliu a seco e congelou no momento em que sentiu a língua fria dele em seu pescoço. – e diferente de antes... – sussurrou – tua alma não é mais tão pura...
– não...
– sshhh... – ele a segurou melhor – a culpa é sua... Quem mandou oferecer?
– mentiroso...
– quietinha... Se não se mexer, não vai doer...
– por favor... Não... Ah!
Fechou os olhos com força no momento em que sentiu os dentes pontiagudos dele rasgarem sua pele delicada. Ele bebia serenamente o liquido que fluía em quantidade. Sem sugar, apenas apreciando o que vinha naturalmente até seus lábios. A púbere o abraçou timidamente. Por mais estranho que parecesse, de tão nostálgico aquilo chegava a ser prazeroso. Sentiu como se um choque percorresse todo seu corpo. Era como entrar em êxtase. Até que menina viu tudo a sua volta desaparecer na escuridão e perdeu completamente os sentidos.
Acordou sentindo uma leve dor de cabeça. Tentou levantar mas se viu ainda no colo do demônio. Havia passado poucos minutos. Ela o olhou, inexpressiva.
– o que... Você fez..?
– nada...
– cara de pau... – tentou o empurrar, mas estava ainda sem forças – você me mordeu...
– te machuquei? – perguntou ferino.
A jovem desviou o olhar e tocou o pescoço. Estava um pouco dolorido ainda. Quando o encarou deparou-se com um sorriso enigmático.
– negue que foi bom... – a provocou – o que dá mais prazer princesa? Ser mordida por um vampiro ou-
– ouse terminar esta frase e vai se arrepender amargamente... – ameaçou.
– o que uma garotinha neste estado deplorável poderia fazer comigo?
– você quer tanto a sua imortalidade... Pois fique com ela! – o empurrou com toda a força que tinha. Foi o suficiente para se livrar dos braços dele e cair na cama.
– cuidado com o que falas...
– pare de me tratar como um brinquedo! Agora eu virei comida também! – ficou de pé se escorando na cama – agora é 'pão e circo'!
– volte pra cama! Precisas descansar! – tentou puxa-la, entretanto Kagome se afastou de seu toque e acabou por cair sentada sobre o tapete. – só me escutas quando quer não é? – o demônio a pegou no colo e a pôs deitada de volta na cama. – me perdoa? – acariciou delicadamente a face fria da jovem – pensei que fosse gostar...
– dessa vez passa...
– vou buscar algo para comeres...
Kagome o observou abrir a porta do quarto, cabisbaixo e não resistindo admitiu – eu gostei sim... – ele nada respondeu, apenas lhe lançou um olhar meio de canto e sorriu, antes de sair completamente do aposento.
– "pois é... agora eu endoidei de vez... aff..." – abraçou uma almofada e fechou os olhos.
o0o0o0o0o
Equilibrava na mão direita uma bandeja cheia de quitutes e uma taça de vinho tinto. Preparou-se para subir a larga escadaria e avistou no topo dela uma silhueta feminina. Reconheceu rapidamente o vermelho marcante do vestido e os longos cabelos negros. Subiu calmamente os degraus e sorriu parando ao lado dela. A mulher retribuiu o sorriso e sem aviso lhe acertou um tapa no rosto com as costas de sua delicada mão. O demônio tocou a face assustado.
– idiota... – ela murmurou.
– não sei o que aconteceu, mas me desculpe... – segurou sua mão e a trouxe até seu peito.
– não sabe o que aconteceu? – puxou a mão. – com quem aprendeu a ser tão cínico? Não foi comigo!
– está se referindo a princesa?
– a sua princesinha tem nome! Aprenda a chamá-la por ele!
O rapaz desviou o olhar para o chão. – não me sinto bem... Chamando a de Kagome... É como se estivesse-
– a traindo? – perguntou incrédula – traindo-a com ela mesma?
– não é bem assim...
– é como então? – provocou.
– preciso levar isso para ela... – apontou para a bandeja.
– ela está dormindo... Exageraste...
– droga...
Ela riu – não devia ter feito aquilo... Controle melhor sua libido...
– eu sei...
– vá logo então! – lhe deu as costas.
– está brava comigo? – perguntou receoso.
– sim!
– não... – lamentou. – vai me castigar?
– já está bem grandinho para tal, não acha?
– é...
Ela sorriu e lhe acarinhou a cabeça, fazendo aquele ser todo de preto com dois metros de altura parecesse um garotinho de cinco anos de idade. – eu te amo, os dois lados...
Ele trocou a bandeja de mão, para poder segurar o queixo da mulher e lhe dar um suave beijo no rosto. – até logo...
– até, meu anjo... – ela desceu as escadas e desapareceu. O demônio caminhou no corredor escuro até poder abrir a porta do quarto e encontrar a jovem morena adormecida no leito.
Colocou a bandeja sobre o criado mudo e sentou na beira da cama. A púbere abriu os olhos devagar e sorriu.
– com fome?
– muita... – sentou encostando-se na cabeceira da cama. O rapaz colocou a bandeja no colo da jovem e puxou os pesinhos de madeira, formando uma mesinha. Kagome umedeceu os lábios e começou a atacar as várias guloseimas que ele havia preparado. Pães de queijo, bolo, geléia, bolachas... E uma peculiar taça de vinho tinto. A jovem a observou por algum tempo. Desviava o olhar para o demônio em seguida para o cálice. E repetiu o movimento algumas vezes, como se esperasse a autorização para tocá-la. Segurou-a elegantemente e sorriu para o rapaz que sorriu em troca. Umedeceu os lábios no líquido, em seguida um gole. Olhou apreensiva para o rapaz a sua frente. Este parecia alheio a incerteza da púbere. Kagome provou mais uma vez o vinho e em poucos instantes a taça estava vazia. Havia ficado apenas o aroma suave e doce.
– esse vinho é tão bom... – comentou a púbere retirando a bandeja de cima de si e colocando-a de volta no criado mudo.
O demônio sorriu estranhamente. – quem disse que isso era vinho? – a garota engasgou. Seu rosto tornou-se um arco-íris e decaiu ao pálido. O corpo foi escorregando pelos tecidos que cobriam a cama até deitar-se completamente.
– como assim? – sibilou.
Abriu um sorriso debochado quando deitou ao lado da jovem para encará-la.
– brincadeira... – lhe cutucou a ponta do nariz.
Kagome tomou uma face revoltada e o empurrou. – idiota! Você me assustou! – e ele apenas ria exultante – Besta! Sem graça!
– tão medrosa...
– como esperava que eu reagisse!?
– assim mesmo...
– bobo... – cruzou os braços na frente do corpo e torceu o cenho como uma criança.
– por mais que pareça adulta... Não passa de uma garotinha...
– quer parar? – perguntou ordenando.
– por que ser tão dura princesa? Por que tanto ressentimento?
– pra que você quer saber? Minha vida não foi interessante... – desconversou.
– apenas quem a conhece pode julgar...
– acontece, que você não terminou de contar a sua, mocinho! – lhe cutucou o tórax. – eu não esqueci não!
– mas a minha é muito longa... Se me contar a sua hoje, conto-te a minha amanhã...
– eu não preciso contar, você pode ler minha mente! É capaz de saber coisas que eu nem lembro!
– assim não tem graça! – sentou na cama – não tem emoção!
– fala sério!?
– estou esperando...
Ela suspirou desanimada – por onde quer que eu comece?
– do começo?
– besta... – murmurou – bem... Meu pai era Britânico e minha mãe Japonesa... Eles trabalhavam em um banco multinacional e acabaram se encontrando... Ela engravidou, eles se casaram... Eu nasci... Cinco anos depois veio o meu irmãozinho... Éramos uma família feliz, vivíamos com pouco dinheiro, mas nunca faltou nada... Até que um dia... – deu uma pequena pausa – um dia o banco foi assaltado... Meu pai levou dois tiros e morreu...
O demônio a olhou sério – desculpe... Por fazê-la lembrar disso...
Continua...
o0o0o0o0o
Reviewer: Owu!! O passado da Kagome??!!! Tadinha dela, perdeu o pai... T.T 'Ele' tá diferente... Ah! Falando D'ele', eu ainda quero saber o nome dele... apesar de "começar" a ficar meio óbvio que é, né?? xD Bjin!
o0o0o0o0o
Writer: huhuhu... Eu tenho uma queda por vampirismo... Não que eu pratique o.O"" Mas eu acho extremamente interessante xD Essa coisa de prazer em ser mordido vai do que o vampiro quer... Se o meu querido demoniozinho quisesse que a Ka-chan sofresse (mais!?) era isso que iria acontecer... Mas é claro que existem várias teorias sobre isso... O dia que eu finalmente encontrar com um vampiro de verdade eu pergunto pra ele e conto pra vocês!
O amor é uma coisa que queima. Arde. Dói. Fere. E ao mesmo tempo em que é doce, é selvagem e avassalador.
Próximo capítulo:: 'Príncipe' das sombras. Venha a mim, minha bela noiva. Bem vinda... À um Conto de Fadas Negro.
