Desafiando Deus
Capitulo 22 – 'Sonhos'
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"A morena levantou e sentou na cama. Caindo em um pranto profundo. – como eu pude ser... Tão tola... Justo eu... Como..?"
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O vento gélido da manhã estremeceu o corpo da jovem morena. Em vez de procurar o cobertor preferiu levantar da cama e tomar um banho. Parou diante do espelho e observou a marca arroxeada em seu rosto. – "pensei que tivesse sido um pesadelo..." – uma lagrima cortou a pele pálida da púbere, que a enxugou rapidamente.
Após um demorado banho, tomou seu desjejum e subiu à seu ateliê. Observou durante algum tempo a grande massa de barro, ainda disforme, e , decidida, se pôs a moldá-la. Mantendo-se concentrada até o momento em que a governanta a chamou para o almoço.
– senhora Kagome..? – a velha senhora chamou sua atenção assim que a moça terminou a refeição.
– que foi..? – respondeu sem vontade.
– o que houve com seu rosto? – um sorriso passou despercebido pelos olhos triste da jovem.
Ela tocou a marca – não quero falar disso...
– como quiser... – a governanta saiu em direção à sala. No caminho se deu ao trabalho de puxar a fita do avental da neta. A menina a olhou desconfiada e recebeu um olhar severo.
– prepare-se... – a mulher sussurrou antes de seguir seu caminho.
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Kagome lavou as mãos sujas de argila e mais uma vez sentiu o corpo estremecer. – "chega por hoje..." – encostou a porta e ia voltar ao seu quarto quando ouviu um som estridente. – a campainha ta tocando... Pera ae! Aqui tem campainha!? – decidiu descer até a sala porque a dita barulhenta não cessava. – "estranho... por que ninguém atende!?" Já vai!! – correu e abriu a grossa porta de madeira.
Encostado ali no batente estava um homem no auge de seus vinte anos. Cabelos negros pouco acima dos ombros. Pele clara e olhos azuis escuros, quase negros. De terno preto com riscas de giz e um sobretudo cinza. Ao seu lado uma mala simples levemente esbranquiçada pela neve. Ele abriu um sorriso largo e meigo.
Sem necessidade de palavras, a morena se jogou nos braços do rapaz, que a pegou no colo e entrou no casarão. E pela primeira vez no dia, Kagome sorriu.
– obrigado pela recepção... Meu anjo... – ele a soltou no sofá e sentou ao seu lado.
– não acredito que seja você mesmo! – o abraçou entusiasmada.
– é só um holograma...
Ela riu descontraída. Era tão bom estar com ele novamente.
– como andam os negócios? – soltou o abraço de urso.
– vão bem – ele a puxou para seu colo – mas não quero falar deles agora...
– você nunca quer... – ela sorriu e deitou a cabeça no ombro do rapaz.
– quem fez isso com seu rosto? – perguntou preocupado.
– ahh... – ela levantou e o puxou pela mão. – não está com fome? Deve estar cansado! Como foi a viagem? – desconversou o levando para a cozinha.
O rapaz se sentou e a moça lhe arrumou um prato de comida.
– o que aconteceu com os empregados?
– os matei e joguei os corpos no rio... – o rapaz se engasgou – brincadeira! Eu também não sei... Não vejo ninguém há uma meia hora...
– continua com um humor negro... – a olhou de canto e sorriu.
– mas então... – sentou próxima a ele – veio verificar se eu ainda não tinha me matado?
– é... Sabe como você é desastrada... – a morena torceu o cenho – tive que vir verificar se tinha conseguido chegar na casa... Conheço seu senso de direção...
– obrigada... – irônica.
– estou mentindo? – questionou.
– não...
– Kagome, eu realmente me preocupo com você! – segurou a pequena mão da jovem – você é a irmã que eu escolhi ter...
– eu sei – sorriu – obrigada por tudo...
Ele deu um leve beijo na mão da garota.
– termine logo de comer! Vou procurar alguém pra arrumar um quarto para você... Quanto tempo vai ficar?
– pouco...
– que pena...
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Mais uma noite chegou e neve havia cessado. A matilha de cães selvagens uivava em uma tétrica sinfonia. A jovem morena estava deitada em um dos sofás da sala assistindo TV quando o rapaz recém-chegado a chamou para fora do casarão. Sem questionamentos a púbere o seguiu até o jardim da frente.
– está frio aqui... – esfregou os braços desnudos devido a camisola – vamos entrar...
– preciso conversar com você... – o jovem se aproximou.
– idiota... Vamos conversar lá dentro... – deu as costas e preparou-se para retornar.
– não! – ele a segurou.
– hei! Me larga! – o empurrou – você ta muito estranho!
– é você quem está estranha! A começar por essa marca no seu rosto!
– isto aqui não é da sua conta! Você não manda em mim!
(N/A: a Kagome briga com todo mundo... ¬¬")
– assim como lhe dei tudo eu posso tirar... Irmãzinha... – lhe deu um leve empurrão.
– do que... Está falando..? Sesshou-Maru?
Ele riu – ainda lembra do meu nome? Quanta gratidão... – segurou uma mexa de seu cabelo – mas só isso não basta!
– me larga! – na tentativa de se esquivar acabou por cair sentada na fina camada de neve. – eu to cansada de todo mundo me tratando como se eu fosse uma boneca! – se levantou procurando manter distancia dele. – "por que sempre piora..?"
– é por que você é uma boneca... Princesinha... – irônico.
– não gosto que me chamem de princesa... – se afastou mais.
– interessante... – diminuiu a distancia entre eles – não reclamou disso noite passada – aumentou gradativamente o tom de voz – enquanto estava entregando a alma ao Diabo!
– como sabe disso? – uma lagrima foi rapidamente enxugada.
– eu sei de tudo Princesa... Eu posso ver através deste seu corpo imundo!
A garota caiu mais uma vez, porém não teve forças para levantar-se.
– quem é você!?
– que pergunta tola... – na face do rapaz podiam-se notar nítidas alterações. Um olhar dourado e frio. Suaves marcas roxas ganhavam tom nas bochechas pálidas, como cicatrizes. – fui em quem a tirou daquele orfanato... Quem a colocou na melhor escola do país... Quem lhe deu absolutamente tudo... – diante dos olhos aterrorizados da púbere, os curtos cabelos negros do rapaz perderam a cor, e como uma ilusão aumentaram significativamente de tamanho. – e é claro... Quem lhe fez passar por tudo isso até agora...
A corrente de lagrimas salgava a pela frágil da garota, que tremia, ou por frio, ou por medo. – quem é você..? Seu monstro...
– que forma cruel de tratar quem lhe deu tudo... Sua ingratidão fere os meus sentimentos – sorriu debochado – se eu os tivesse é claro... – se aproximou – sabe Princesa... Pergunto-me se não se sente culpada pela morte de seus pais..?
– por que deveria? – arrastou o corpo para mais longe dele.
– por que foste a culpada pela morte deles...
– mentira...
– eu nunca minto... Mentir é pecado... Tu condenaste aquelas duas almas tão boas no momento em que nasceste...
– como assim..? – perguntou cheia de temor.
– todas as pessoas que se envolvem contigo, sofrem as conseqüências da maldição que a persegue...
– o que eu fiz pra ser amaldiçoada!? – gritou desesperadamente.
– teu querido demônio não lhe contou? É uma pena pois vais morrer sem saber! – uma espada se materializou na mão direita dele. Ela brilhava ofuscante envolta por uma chama azul.
– "espadas brilhantes são perigosas... e por que eu não consigo me mexer?!"
– finalmente a Princesa está esgotada... – seus olhos dourados pareceram atravessar o corpo da jovem – enfim nos despediremos para a eternidade... – girou a espada e a apontou para o peito da morena. Mirando o coração – sentirei falta de ver teu sangue jorrar pelos olhos daquele cão ingrato! Pena que 'ele' não esteja aqui... Mas o que esperar do filho daquela devassa, que trocava almas divinas por beleza e juventude? – cortou a alça fina de cetim, com a ponta da arma, expondo o corpo da jovem. – chega de conversa... É hora de quebrar o receptáculo e entregar esta alma impura ao julgamento divino... – a menina fechou os olhos com força quando notou a movimentação da lamina – Que seja feita a vossa vontade...
E o tempo parou. Um silêncio fúnebre congelou o ar. O sangue manchou o metal e pingou tingindo a neve de vinho. A morena abriu os olhos devagar. A sua frente o rosto inexpressível, de olhos rubis, escarlates. A força desmedida dos braços fortes que a seguravam lhe tirou o ar. E mesmo que aquele sangue não fosse seu, o coração dói como se tivesse sido apunhalado.
– minha doce Kagome... – um sorriso curvou os lábios, acompanhado por um fino fio de sangue.
– o que... Você fez..? – tocou, tremula, a face do demônio, que rejeitou seu toque. O outro rapaz apoiou um dos pés nas costas do outro e puxou, com brutalidade, a espada que atravessava seu peito.
– que cena mais decadente para o senhor do Inferno... – zombou.
O demônio ficou de pé com certa dificuldade, mas logo se recompôs, sacando sua bela espada. Ele tirou seu negro sobretudo e jogou para que a menina o vestisse.
– creio que já vomitou besteiras demais nos ouvidos da minha mulher... Seu arcanjo inútil... – abriu um sorriso maroto.
– eu não sou sua mulher... – Kagome murmurou.
– eu sou um Serafim, não um arcanjo, seu idiota... – rebateu ofendido.
O demônio virou rapidamente para a jovem – fique quietinha! – ordenou voltando ao seu oponente – esqueci-me o quão preconceituosos vocês são...
– hei! – a garota levantou já vestida de negro com as mãos na cintura.
– quer morrer? – ela negou avidamente – então, silêncio...
Ela concordou a contra gosto. O demônio sem se importar voltou ao seu paciente oponente.
– que piada estava mesmo contando? – zombou o arcanjo.
– acho que era aquela de quando foste lá pra cima aos pedaços... – o outro rapaz torceu o cenho – oh! É mesmo... Perdeste todas as lutas contra mim, não é?
– posso até não ter ganho... – sorriu – mas, com certeza, o mais ferido sempre foste tu!
– ferido? Eu? – abriu os botões da camisa, mostrando o tórax apenas manchado de sangue – certeza mesmo?
– claro... Afinal... Fui eu quem arrancou seu coração...
O demônio apertou os olhos, irado e rosnou baixinho. A morena, que assistia a cena sentada nos degraus da entrada, levou a mão para cobrir a boca entreaberta.
– viu como dói? – riu debochado – conforme-se... Não importa o que faça... 'Ela' nunca mais vai voltar a ser o que era!
Continua...
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Reviewer: Desisto!! 'Ele' é muito 'Ele' para mim... Seshoumaru não é o garoto que a adotou, né?? Ele deve ter escutado a conversa, e fez isso para enganar a Kagome... xD
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Writer: Pois é... quem penso que o 'amigo' da Ka num teria um papel importante? Huhuhu... Adorei escrever essa etapa da estória... huhuhu (risada malvada)
Nem tudo é como parece ser. Há mais coisas na Terra do que a sua imaginação pode enxergar.
Próximo capítulo: 'Ultima chance' de fazer tudo ter valido a pena. Sem culpa nem ressentimentos. Apenas vivendo.
