Desafiando Deus

Capitulo 23 – 'Ultima chance'

"– viu como dói? – riu debochado – conforme-se... Não importa o que faça... 'Ela' nunca mais vai voltar a ser o que era!"

– CALE A BOCA! – o outro gritou, avançando contra o anjo.

Ele se esquivou com facilidade e antes que o demônio o alcançasse, já tinha o delicado pescoço da púbere sob o fio da lâmina. A menina soltou um gemido baixinho no momento em que o metal feriu a pele. Uma pequena gota vermelha traçou um caminho curto até encontrar a tecido da camisola.

– solte-a! – ordenou.

– dê-me um bom motivo...

Um silêncio mórbido congelou o ar. – a culpa foi minha... – largou a espada – eu a corrompi... Eu a amaldiçoei... – uma lagrima idêntica a que manchou a roupa da menina escorreu pelo rosto gelado do rapaz.

– ora, ora... Estás admitindo que derramou o sangue d'Ela'?

– sim...

– não ouvi... – apertou o metal contra a jovem que estava estática diante dos acontecimentos.

– sim! Por puro egoísmo... Eu a deixei morrer... – o demônio abaixou a cabeça. Não conseguia encarar o olhar assustado e incompreensível que Kagome lhe lançava.

– pisar no próprio ego... Crês que é um bom motivo Princesa? – ela não conseguiu responder – quem cala consente? Certo então...

O arcanjo guardou a espada e empurrou a morena. Ela caiu sobre a neve, praticamente desacordada.

– pra provar como sou justo... Aproveitem bem o tempo que vou lhes dar... Já que esta será a ultima vez...

O demônio moveu-se rapidamente e acolheu a menina. – como assim?

– não importa o quão forte seja, alma alguma resiste a tantos séculos de dor... Já sabias disso não?

– não queria acreditar...

– suas energias esgotaram... – o anjo se afastou do casal e foi envolto por uma forte luz – para provar como sou generoso... Vou lhes dar um tempo juntos... Mas esse tempo só valerá a pena se conseguir seu coração de volta...

O demônio abraçou a jovem em seu colo e sorriu – eu já consegui...

O anjo abriu um sorriso escárnio e desapareceu. O outro rapaz ergueu a menina e a levou até seu quarto.

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Em um quarto mal iluminado uma jovem de longos cabelos castanhos socava uma almofada. De pé, ao seu lado, o rapaz moreno a observava preocupado.

– creio que rasgar travesseiros não vá ajudar muito...

– cale a boca... Ao menos desta vez fique quieto...

– estou tão preocupado quanto você... Mas não estou tentando matar ninguém por isso...

– claro! – levantou e o segurou pelos ombros – o dia que se enraivecer com algo eu já terei virado pó!

– de nada adianta essa bagunça toda... – a bela morena saiu de um canto escuro do cômodo. Seu justo vestido vermelho parecia sangue de tão ofuscante. Os cabelos negros estavam soltos como sempre, fazendo curvas e passando dos quadris. – acalmem-se minhas crianças...

– como consegue ficar tão calma minha Rainha? – a jovem sentou na cama.

– verdade... – o rapaz sentou ao seu lado – nem eu consigo isso...

– apenas não temo o inevitável...

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Após a morena se aconchegar debaixo dos cobertores e parar de tremer o demônio sentou seu lado, com uma taça de vinho tinto na mão que a garota não conseguiu notar quando apareceu.

– me empresta uma adaga...? – pediu aparentando cansaço.

– para que?

– para mim te matar e depois me matar... Assim acabo com duas desgraças ambulantes... – estendeu a mão.

– eu não morro 'querida'... – tomou um pequeno gole de vinho, parecendo ignorá-la.

– afirme isso depois que estiver sem cabeça... – largou o corpo na cama.

– por que quer morrer..? – colocou a taça ainda cheia sobre o criado mudo, virando toda sua atenção à garota.

– por que... – enxugou rapidamente uma lagrima – eu entendi... O que é inércia... O que é não ser nada... Fique longe de mim... – deitou de costas para ele e escondeu o rosto no travesseiro.

– as coisas não são bem assim... – acariciou as costas da menina.

– por favor... Fique longe de mim... – sentou afastando o toque dele. – é a única coisa que eu consigo te pedir...

– é isso mesmo que você quer..?

O demônio levantou com a cabeça baixa.

– sim... Não volte... Por enquanto...

O rapaz abriu a porta da varanda devagar. O vento gelado invadiu o quarto. Kagome apenas observou a porta se fechar para poder cair em lágrimas.

– sua fraca! Não consegui dizer nada! Nada! Aquele idiota! Estúpido! Acha que vai me impressionar salvando minha vida toda hora!? Não vai! Não... Vai... Idiota...

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A jovem morena viu o dia passar da janela de seu ateliê. A grande massa de argila começava a tomar forma. O inverno era rigoroso de mais para a adolescente. Um vento frio entrou pela fenda da janela. Kagome levantou e lavou as mãos. Encostou melhor os vidros impedindo a passagem de ar. Desceu as escadas até a sala onde a televisão estava ligada.

– Miroku..? É você que está ai? – acendeu a luz que clareou todo o ambiente.

– sim, senhorita...

Ela respirou fundo. – "é agora ou nunca..." Sabe onde está Sango? – pergunto séria.

O rapaz sorriu e permaneceu sentado no sofá. – na cozinha... Destroçando alguns legumes para o jantar...

– SANGO!! – gritou.

O moreno levantou assustado. A outra jovem apareceu depressa.

– sim Kagome?

– muito bem... – sentou na poltrona e desligou a TV – agora que todos estão aqui... Comecem a se explicar...

– explicar o que? – a mais velha questionou.

– como o que? Não seja cínica! Eu não sou tão idiota!

– Kagome acalme-se... – pediu a garota.

– já chega... – o rapaz levantou – o que quer saber Kagome?

– tudo... Ou melhor... O que vocês são!?

– bem... – o moreno abaixou a cabeça – sabia que iria perguntar isso... Acho que não adianta mais mentir... Kagome eu... Sou seu anjo guarda...

A morena escondeu o rosto entre as mãos. – oh não... – parou por um tempo digerindo a mais nova informação – e você... Sango?

A jovem empregada olhou para o rapaz que a incentivou – eu... Como posso explicar... Eu fui escolhida como mestre do ser mais perfeito que já esteve na Terra... Eu sou o demônio que cuidou daquele pequenino até que ele se tornou o homem que você conhece...

O rosto a garota se transformou, se encheu de fúria e correu pelas escadas. Parou perto do topo e voltou o olhar para a sala. – vocês dois... Falharam! – continuou a subir até o ultimo andar da casa.

O casal se entreolhou e sorriu.

– e ai minha diabinha? O que vamos fazer? – o rapaz deitou confortavelmente no grande sofá e religou a televisão.

– que tal descansar um pouco, anjinho? – deitou junto com o rapaz. – quer saber a previsão para os próximos dias?

– melhor não estragar a surpresa...

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O barulho da cerâmica quebrando cortou o silêncio da noite cinzenta. O som dos cacos se misturou aos soluços altos da garota. As lágrimas embaçavam a visão.

– malditos!!! – gritou quando derrubou um cavalete. (N/A: é o suporte utilizado para pintar quadros. )

– não destrua um ateliê tão bonito... – a voz do demônio assustou a púbere que tropeçou e caiu sentada. – não serei tão cínico a ponto de perguntar o que houve... Mas entenda o lado deles... – estendeu a mão para ajudá-la a levantar. Ela dispensou ajuda e se ergueu sozinha.

– o lado deles..? Não veio aqui para pedir isso, não é? Eu pedi para se afastar de mim...

– não consigo ficar longe de você... – se aproximou.

– FO-DA-SE! Seu idiota!! – o empurrou – tinha que ter me dito isso aquela noite! Por que você gosta de brincar com os meus sentimentos!? – o empurrou mais uma vez – vai procurar outra idiota pra levar pra cama, porque essa aqui cansou!! Que droga! Por que eu fui tão boba..? – limpou o rosto molhado e se afastou do rapaz.

– do que... Você está falando..?

– não seja estúpido...

– Kagome... É sério eu... Não estou entendendo nada...

– claro! Foi tão insignificante que nem se lembra! Deve fazer isso toda semana!

– o que aquele anjo maldito fez com você?!

– foi você!

Ele segurou o rosto da garota com força e observou a suave marca avermelhada – não está achando que... Eu te bati, não é?

– achando!? – se soltou – pare de me chamar de idiota!! Eu cansei ta bom! Cansei! – atirou uma pequena estatua de uma bailarina no demônio que se esquivou – eu vou embora daqui! Eu to cercada por cobras!

– Kagome... Calma... – impediu que a púbere arremessasse outro objeto.

– você me pede calma por que não é com você... – voltou a chorar – a minha única amiga fala na minha cara que é um demônio, alias... Fala que foi sua 'mestra'... Podia ter me contado... O meu jardineiro na verdade é um anjo! E o pior de tudo... O meu irmão... O único que me deu valor... É um monstro...

O rapaz a segurou pelos ombros e a abraçou. A garota resistiu mas acabou por se aconchegar.

– e no fim das contas... – levantou o rosto para encarar-lo – por mais que eu tente... Eu não consigo te odiar...

Ele sorriu – olhe ali... – a posicionou de frente para um pequeno espelho e tocou a mancha no rosto da morena que desapareceu. – viu só... Foi um sonho Kagome... – ela levou a mão à face clara e sorriu – foi uma ilusão, querida... – a púbere o abraçou com força.

– perdão... – murmurou.

– tudo bem...

– mesmo?

– claro...

Kagome abriu um delicado sorriso. – eu quero a minha cama...

O demônio a pegou no colo e a levou até seu quarto. Não sem antes lhe dar um caloroso beijo.

Continua...

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Reviewer: Nossa... Acho que os termos "minha rainha" e "princesa" estão escondendo alguma coisa... Eu to começando a me enrolar(se bem que isso é bem fácil! xD)

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Writer: no fim tudo da certo... Quer dizer... A maioria das coisas... Que bom que foi uma ilusão - segurem-se firme pessoal, agora a fic vai ferver...

A neve fica tão linda quando manchada de sangue. Mas são poucos os que sabem apreciar sua beleza.

Próximo capitulo:: 'Princesa' da luxuria. Um brinde a real beleza divina. A perfeição é um pecado tão grave assim?