Desafiando Deus

Capitulo 24 – 'Princesa'

"O demônio a pegou no colo e a levou até seu quarto. Não sem antes lhe dar um caloroso beijo."

A morena arrumou mais um cobertor na cama e suspirou, cansada.

– acho que vou tomar outro banho... Meu corpo ta pesado...

– está bem... – tirou seu negro sobretudo e sentou no leito.

– não ficou mesmo chateado? É que-

– vá logo menina!

– to indo, to indo...

Enquanto a banheira enchia a púbere brincava com o cabelo em frente ao espelho. O vapor de água começava a embaçar o vidro. Cantarolava uma melodia incompreensível e fazia desenhos na umidade do espelho. Finalmente com a banheira cheia fechou a torneira e entrou. Ainda de pé sentiu o liquido gelado e viscoso. O coração acelerou. Olhou temerosa para baixo e viu seu rosto refletido no carmim que preenchia a porcelana branca. – "não pode ser..." – Saiu depressa da banheira e caiu no chão molhado. O liquido transbordou e escorreu manchando o chão claro cada vez mais. E finalmente a voz saiu, e a garota gritou aterrorizada.

No mesmo momento o demônio surgiu a sua frente com a espada empunhada. Ele olhou para os lados e guardou a arma. Jogou uma toalha sobre a garota que tremia incessantemente.

– o que... Aconteceu? – ele perguntou.

– a banheira... – sussurrou.

O rapaz sentou na borda de porcelana clara e dobrou a manga da camisa. Colocou a mão dentro da água e destampou o ralo.

– seja lá o que tinha na banheira... Não tem mais... – ele a pegou no colo com cuidado.

– mas... Mas... – balbuciou – sangue... Cheia de sangue...

O demônio a colocou sentada na cama e acariciou seu rosto.

– o que ele fez com você...? – a abraçou com força – só tinha água ali, querida... Só água quente...

– não... Eu tenho certeza que eu vi-

– outra ilusão...

– não... – afundou o rosto no peito dele – por que..? Qual é a graça..?

– é ver seu sofrimento... – soltou o abraço. – portanto trate de colocar uma roupa bem quentinha e abrir aquele seu sorriso lindo... Vou ficar ali fora...

Ela concordou desanimada.

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O sorriso maldoso se destacava ainda mais no batom bordô. Os olhos castanhos, avermelhados, fixos na neve que se depositava na janela. A atenção foi quebrada pelo abraço quente de seu acompanhante.

– me responderia uma pergunta? – pediu o moreno.

– vamos ver as rosas desabrocharem... No tempo certo... – a voz saiu serena contrastando com o rosto diabólico.

– sentia falta desse teu rosto... – a virou de frente – desse corpo... Mas principalmente... desse seu sorriso macabro inabalável...

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A neve caia sem receio sobre os fios brancos. Os olhos dourados já não refletiam mais a lua, e sim o vermelho sangue do vestido da mulher a sua frente.

– o que faz aqui..? – sua voz era tênue, um tanto quanto receosa.

A mulher manteve o semblante serio. – conheces à proporção que sua decisão irá tomar? – o demônio concordou – também sabe que está é a tua ultima chance? – ele desviou o olhar e concordou mais uma vez. – não importa o que aconteça... Eu sou tudo que tu tens... E tu és tudo que eu tenho... Não queremos ficar sem nada não é mesmo?

– não gosto quando fala deste jeito...

– e por acaso eu gosto das suas atitudes... Ah se ao menos tivesses me dado ouvidos aquele dia...

– o teu modo de ver as coisas é cruel de mais...

– não querido... O teu que é ingênuo de mais... Ouça-me ao menos uma vez... O caminho que escolhestes naquela tarde de chuva... Tem apenas uma porta... Então é melhor que os dois passem por ela juntos...

O rapaz riu. – mas é preciso a chave...

– eu serei a chave querido... – o demônio a olhou assustado. Antes que pudesse perguntar algo, uma chama negra envolveu-a e a fez desaparecer na fumaça.

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As pesadas e escuras cortinas impediam a luz pálida do sol de inverno de entrar. Era manhã e a neve havia caído por toda a noite. O silêncio era quebrado pelo som dos empregados já despertos. A jovem morena relutava em abrir os olhos. Fazia frio. A tentação de permanecer na cama era enorme. Todo o stress do dia anterior lhe pesava o corpo. Mas talvez fosse o abraço apertado que recebia.

– é hora de levantar, pequena... – a voz serena e rouca do demônio a fez abrir os olhos devagar. – bom dia...

– bom... Dia... – ainda sonolenta se aconchegou nos braços do rapaz. Em alguns segundos se deu conta do estava acontecendo. Sentou assustada na cama – o que faz aqui!? Já é dia! Deveria estar 'sei lá onde' você sempre fica durante o dia! – e disparou uma serie de precauções contra a luz do sol que poderia entrar pela janela. O demônio pareceu ignorá-la e a trouxe de volta ao ninho. A calou com um beijo e a abraçou com força.

– como consegue falar tanto logo que acorda..? – ele murmurou contra seu pescoço.

– por que dormiu aqui...? – perguntou no mesmo tom.

– eu não durmo durante a noite, querida... Além do mais... Não posso deixar nada te acontecer...

A menina sorriu e retribuiu o abraço. – aqui ta tão bom... Só mais um pouquinho...

– por mim... – brincava de enrolar as melenas negras da púbere nos dedos – mas vais sentir fome logo...

– já to sentindo... Mas eu num quero te soltar...

Ele suspirou cansado – vá logo...

– você me espera aqui? – perguntou sorridente.

– preciso descansar... Não é fácil cicatrizar um buraco no estômago...

Kagome lhe deu um beijo no rosto e puxou as cobertas por sobre ele. – durma aqui então! Prometo não incomodar!

O demônio concordou e pareceu adormecer sob o olhar carinhoso da adolescente. A morena vestiu um roupão sobre a camisola e saiu silenciosamente.

– "o mais interessante é que eu não sei se antes era uma ilusão e agora é real... ou se antes era real e agora é uma ilusão..." – com esse pensamento seguiu até a cozinha para o desjejum.

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A luz pálida era refletida pelos olhos avermelhados. O mesmo semblante severo e ar de superioridade. A brisa fria de inverno que entrava sorrateira pela janela entreaberta, dava movimento ao tecido vermelho que cobria o corpo. A mulher alisou os longos fios negros e sorriu maldosa.

– talvez os humanos vivessem melhor se apenas houvesse a primavera não concorda?

O rapaz lhe abraçou pelas costas. Os cabelos negros lhe cobriram o rosto, mas seu sorriso terno parecia iluminar as trevas que aquela mulher trazia consigo.

– flores não impedem a guerra e o ódio...

– mas a guerra e o ódio impedem as flores... – ela se voltou para o rapaz.

– ora, ora... O que estes olhinhos vermelhos estão vendo?

– ah garoto... Eles vêm sangue... Muito sangue...

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Já era noite quando a jovem morena regressou à seu quarto. O som imperceptível de seus passos despertou o demônio que adormecera na grande cama. Ele sentou e a puxou para um abraço.

– olha só... Acordou de bom humor... – a menina sorriu e retribuiu o abraço.

– eu pensei bastante e... – a soltou. A púbere se assustou com o tom de seriedade. – já é hora de te contar uma coisa...

Continua...

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Reviewer: Isso não tá com cara de guerra, tá mais para.. Apocalipse... ¬¬
Eu quero saber o que ele vai contar!! Será que ele vai finalmente falar o nome dele? Será? Será? Passamos 24 capítulos chamando ele de 'Ele'! xD
Acabei de ler esse e já to ansiosa para o próximo! .

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Writer: lalala... O que será que ele vai contar... lalala... ah Kagome se você soubesse o que te aguarda... Desculpe pelo capítulo curto!! ..""

Se eu soubesse antes, o que sei agora erraria tudo exatamente igual...

Próximo capítulo:: 'O passado' mora ao lado. E ele sempre virá te visitar, por mais obscuro que seja...