Capítulo 26 em primeira mão aqui no FF daqui a pouco vai estar lá no fotolog, mas deixem reviews!! xP
Desafiando Deus
Capitulo 26 – 'Um precipício'
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"A brisa dobrou-se em vento, arrancando furioso o chapéu negro, que se arrastou até ser amparado por um par de delicadas mãos".
Era uma mulher. Uma humana que não deveria estar ali. Aqueles tempos eram cruéis de mais para tão frágeis criaturas. Havia aprendido cedo com sua mestra que humanos serviam apenas de alimento. E aquela mulher parecia saborosa...
– senhor? – caminhou em sua direção sem receio – é um belo chapéu... – estendeu a peça na direção do rapaz. A lua pareceu ainda mais teimosa, mais clara, mas não conseguiu mudar o tom de ouro dos longos cachos da jovem. Os olhos verdes brilhavam e ressaltavam o sorriso travesso. A olhou de cima a baixo. Subiu devagar até encontrar os belos orbes esmeralda. Era a humana mais bela que já tinha visto, e agora mais do que nunca, a queria. Porém não se deixou levar pela luxuria.
– o que faz por aqui humana? – perguntou seco.
Ela lhe deu as costas. Virou-se a lua. – tomando um ar... Aquele castelo é frio e úmido...
Guardou as mãos nos bolsos e umedeceu os lábios – ora... Ora... Então é tu a princesa das redondezas? É verdade o que dizem sobre a maldição? – perguntou sem nenhuma curiosidade. Aproximou-se mais dela.
– e se for? – parou nos olhos nos dele. – e se eu for realmente um anjo caído colhendo almas pecadoras? – mordeu o lábio – isso te assusta?...
O rapaz passou a mão por seus longos cabelos negros e sorriu. – é claro que não... – já tinha notado a verdadeira intenção da mulher. Ela o estava seduzindo propositalmente. E como fazia bem aquilo. Mas seria necessário muito mais que jogadas de cabelo e olhos cintilantes para dobrá-lo. – é isso que veio fazer aqui, levar a minha alma? – prendeu uma mexa de cabelo dourado entre os dedos – heim? Minha princesinha amaldiçoada... – E ali o jogo de sedução se inverteu. A loira prendeu os olhos nos dourados dele, mais dourados que seus fios de ouro. Deslizou a mão por seu rosto fazendo-a tremer. – e então, o que aconteceu com a tua segurança? – passou o dedo pelos lábios rosados dela. Desceu a mão até a cintura fina da garota. Estavam tão próximos que ela podia sentir o perfume alcoólico dele. E sem que percebesse já estava em seus braços. Passou a língua pelo pescoço da mulher. Os olhos já rubis. O perfume dela o inundou. Um perfume doce de frutas. Um perfume que lhe trazia paz. Um perfume que lhe trazia lembranças. Lembranças dolorosas. A empurrou com violência.
– quem é você!? – gritou.
Ela ajeitou o longo e vultoso vestido. – não ia me morder? – umedeceu os lábios devagar – perdeste a fome, meu belo vampiro? – acariciou seu rosto.
O rapaz agarrou com força o pulso fino da loira. – sabia que conhecia esse cheiro enjoativo... – a derrubou no chão – anjo maldito...
Ela levantou transtornada. – tu sujaste o meu vestido! Sem educação! – lhe deu empurrão no peito – aquela monstra não te ensinou a tratar uma dama?
Olhou-lhe com desprezo. – não precisei que ninguém me ensinasse a odiar qualquer coisa que seja divina!
– teu pai ficaria demasiadamente triste se ouvisse isso...
O rapaz cravou as garras no braço frágil dela. – eu não tenho mais pai...
– solte-me! – ordenou – está me machucando! Solte-me!
– por que esse corpo humano? – obedeceu.
Ela riu. – eu cai... – ele se afastou.
– Se... Selene...?
Os orbes esmeralda brilharam e tremeram. – ainda lembra de mim..? – uma lagrima cristalina molhou o sorriso eufórico – quatrocentos anos e ainda lembra de mim!?
Limpou o rosto da loira – pensei que nunca mais fosse te ver...
– esqueceu do que eu disse aquele dia?
– por que isso? Por que veio até mim? – decidiu sentar-se sobre as folhas secas. Ela o acompanhou.
– cresceste tanto... Já é um homem... – lhe tocou o rosto, saudosa.
– mesmo que não pareça... Eu não tenho todo o tempo... Logo Hrist virá atrás de mim...
– foi aquela diaba que te tirou a inocência, não foi? – perguntou irritada.
– e se tiver sido? – pendeu o corpo por sobre o dela – isso te aborrece? – sorriu escárnio.
O afastou. – se tornou um idiota...
O rapaz riu alto. Debochando do comentário. – pelo menos não estou preso em um corpo humano...
– ao menos é um belo corpo... – subiu no colo dele – não acha? – voltaram ao jogo de sedução...
Caminhar por entre os corredores frios do castelo que ela vivia virou um habito. Podia chegar até seu quarto de olhos fechados. Apenas seguindo o doce aroma frutal do corpo dela. Quantas frutas, quantos vinhos, quantas palavras enigmáticas eram necessárias para lhe saciar? Duvidas que lhe assombravam por todo o caminho de pedra e desapareciam diante da grande porta de mogno. E as duvidas o abatiam todos os dias. Simplesmente porque nada o saciava. Precisava fazer todo aquele trajeto com seus próprios pés. Precisava sentir o peso da duvida. Precisava sentir o remorso noite após noite. Precisava daquilo pra se sentir vivo. Quanto mais tinha dela, mais queria. Como se fosse um vício. Um vício delicioso de mais para ser abandonado. Até o dia em que ela quis algo em troca. – Você me ama?... – e não teve medo de dizer que sim. Que a amava, que precisava dela, que nada mais importava. Mas havia sim coisas mais importantes do que o doce conto de fadas. Coisas que necessitavam ser levadas em conta. Que não deveriam ser esquecidas. Coisas como a sua natureza e a quem serviam. E acima de tudo que humanos não eram imortais. E que a espada que atravessou o ventre da jovem apenas adiantou sua morte inevitável...
– me perdoe... Por ser tão fraca... – lhe tocou o rosto com esforço. – não pude proteger nosso bebê...
– não se preocupe... – lhe deu um beijo na testa. – podemos ter outros... – abraçou o corpo ensangüentado da bela loira.
– não se engane... – a lagrima escorreu lavando o rosto alvo do rapaz e caiu despercebida sobre os fios dourados. – eu o amo tanto... – sussurrou – me espere... Eu volto logo...
– Selene... – ele soltou o corpo sem vida e levantou da lama que se formou com a chuva. Uma chuva grossa que machucava a pele exposta. – essa é a hora de lutarmos até a morte? – os olhos já não eram mais dourados, brilhavam tão vermelhos quanto a poça de sangue se formara ao seu redor.
– foi preciso que ela morresse para aprender a se transformar? – o homem guardou a espada, ainda manchada, na bainha. – estava pensando em te largar ai para sofrer mais um pouco...
– sinto muito... Só vou ter tempo para sentir qualquer coisa depois arrancar a sua cabeça...
– está apenas adiantando a sua morte...
As garras atravessaram sem piedade a pele e os ossos. O rapaz olhou impassível para o braço que lhe atravessara o peito. – é assim que quer me matar? – cuspiu o sangue que lhe veio a boca no rosto do outro. – vai precisar fazer melhor...
– cale essa boca imunda pela eternidade... – retirou a mão com violência. – o que aconteceu com a sua língua afiada? – perguntou cheio de si. Apertou o órgão que ainda pulsava em sua mão. O fez explodir. O rapaz caiu de joelhos inerte. – foi seu coração que eu arranquei? Sinto muito... – riu debochado. – chega de ficar falando com cadáveres... – abriu as longas asas brancas e se preparou para partir. Foi impedido pela espada incandescente que lhe atravessou o abdômen. O anjo virou-se atônito.
– não me de as costas maldito... – os olhos estavam quase negros de tão vinhos. As longas melenas negras haviam perdido a cor, estavam acinzentadas. E a chuva incessante lavava-lhe o corpo formando um mar de sangue.
– não pode ser... – tocou o ferimento incrédulo – como ainda está vivo? – se afastou com pressa – aquela maldita! – o outro riu. – fizeram um pacto não foi!? Ela arrastou a sua vida junto com dela!
– só percebeu agora? – zombou.
– maldito... O que pretende fazer agora que é um morto-vivo?
– te matar... – a voz dele saiu baixa e sombria. A energia negativa que emanava o deixava com uma aparência ainda mais macabra. A chuva tétrica caia como um castigo, gelava a espinha e fazia tremer. O anjo não resistiu, bateu as asas e desapareceu. – não vai poder fugir pela eternidade...
A morena abriu os olhos devagar. Estava enjoada. A cabeça doía. As lagrimas caíram teimosas. – era isso que queria me contar!? – o empurrou com toda sua força. O rapaz caiu sentado. – responda! Por que me mostrou tudo isso!? Eu disse que não queria saber! Você nunca se importa com o que eu sinto! – ela gritava com dor. Os olhos ardiam de raiva. Os sentimentos estavam todos misturados. Pegou um casaco claro no guarda-roupa e vestiu.
– Kagome... Aonde vai? – perguntou preocupado. Era tarde de mais para se arrepender.
Continua...
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Reviewer: Nossa.. capítulo curtinho esse.. xD Meu deus..! Agora que eu tava achando que eles iam ficar bem, acontece isso? Mas eu apoio Ele por mostrar a verdade.. To muuuuito ansiosa para o próx. Cap! Mal posso esperar! (olhinhos brilhando)
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Writer: Gente cheguei a conclusão de que escrever em itálico é difícil! (eu nunca sei quando dei espaço ou não o.O). Esse capítulo foi difícil de escrever... Por mim eu ficava falando da Selene uns dois capítulos... n.n" Mas a história tem que seguir... Só por curiosidade 'Hrist' significa 'a agitadora'. Sim eu fico parando de escrever pra procurar nomes com um significado legal! u.u" Obrigada pelos comentários! xD Amo vocês!!
Agora eu sei que não posso fazer você ficar. E eu sei, não há nada que eu poderia dizer para mudar essa parte.
Próximo capitulo:: 'Onde está seu coração?'. Querida se você ficar eu serei perdoado... Mas nada que você diga pode me impedir de ir para casa...
