Desafiando Deus

Desafiando Deus

Capitulo 27 – 'Onde está seu coração?'

"Os sentimentos estavam todos misturados. Pegou um casaco claro no guarda-roupa e vestiu.

Kagome... Aonde vai? – perguntou preocupado. Era tarde de mais para se arrepender."

– eu vou embora! Ainda não entendeu!? – ela continuava a gritar como se estivessem distantes.

– Kagome espere! – segurou firme o pulso da garota.

– esperar o que? Tem mais alguma coisa pra me disser?

– por que todo esse veneno?

– ah não sabe por quê? – se desfez do toque dele – talvez eu esteja me sentindo usada! Mas não se preocupe! Eu sou apenas um pedaço de carne, não é? O que te importa mesmo é ela! Afinal é ela quem você ama! – os olhos transbordaram – ela quem você beija, não é? – mesmo em prantos a garota permanecia séria – é com ela que você dorme? É isso não é!? Responda! – o empurrou.

– acalme-se...

– ah, mas é claro! É muito fácil esquecer tudo isso! Pra que lembrar de todas as vezes que eu chorei por sua causa? Por que não esquecer todas as vezes que você me bateu? E já que é pra esquecer, também esqueço das vezes que me chamou de louca, de vagabunda, de princesa! De querida! – o demônio abaixou a cabeça. Cada palavra dela entrava como uma facada na alma. – mas eu sou mesmo deplorável aos seus olhos... Porque eu nunca me esqueci! E pelo resto da minha vida eu não vou esquecer! Porque não é tão fácil esquecer de quem nunca demonstrou um pingo de compaixão! Me diga quando foi que me perguntou o que eu queria? Nunca quis saber como eu me sentia! Eu engoli meu orgulho! Eu agüentei o seu egoísmo! O seu egocentrismo! A sua vaidade! O seu disparato! Mas já chega! Eu estou farta de ser a garota boazinha! Porque eu não sou! Eu nunca fui! Eu nunca abaixei a cabeça pra ninguém! – o segurou pela gola da camisa – nem para o meu pai! Nem para Sesshou-Maru! Nem para aquele guarda maldito que tentava abusar de mim no orfanato! Nem para aquelas garotinhas mimadas no internato! Eu jamais me deixei levar! E olha só o que aconteceu! – o empurrou mais uma vez – eu me dobrei por você... Ignorei minha dor... Para que? Pra ver você pisar no carinho que te dei? Pra passar pela humilhação de saber que ama outra? Não foi pra isso! Estou cheia tudo isso! Não vou mais ficar me iludindo!

O demônio se encolheu com o estrondo da porta batendo. Podia ouvir os passos rápidos descendo os degraus e se afastando. A sensação de derrota o derrubou de joelhos. Doía de mais não sentir mais a energia dela. Mas sua consciência estava tranqüila. As mentiras haviam acabado. Será que ela não podia perceber isso? É tão difícil entender?

– vá logo! – a voz feminina o fez levantar do chão. Era ela. Só ela conseguia fazer a dor passar. Curvou os lábios rubros num sorriso triste. O rapaz deslizou a mão pelo vestido vermelho e a puxou para um abraço. – rápido meu amor! Não a deixe partir de novo!

– por quê? Por que age deste jeito? Sei que o que mais quer é que ela desapareça...

A mulher riu. – de que adianta tê-lo só pra mim, se aquela humana o assombrará pela eternidade? Sei que meu amor nunca será o suficiente para ti... – lhe deu um leve beijo na testa e o apressou – vá rápido antes que eu mude de idéia! – o rapaz sorriu e desapareceu.

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– é isso mesmo que vai fazer? – a morena tinha os olhos raiados de vermelho.

– é... – o rapaz pegou um casaco preto e ajeitou o cabelo escuro. – é pra isso que estou aqui...

A garota suspirou e sentou na cama. – então... Acabamos aqui? – sorriu, mas o rapaz pode perceber a leve tristeza rara em seus olhos.

– quem vê além não sou eu...

– estou cansada de ver as mesmas portas...

– abra uma delas... – a jovem arregalou os olhos surpresa – nos vemos lá em baixo...

– espe- – já havia desaparecido. Ela sorriu saudosa – o inferno não é teu lugar...

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A neve caia intensa pela noite calamitosa. Pouco se podia ver da luz pálida da lua minguada de tristeza. Nenhum som se propagava na escuridão. Apenas o vento mantinha-se forte a sacudir os galhos restantes das pobres arvores. Somente neve, somente vento, um frio intenso e uma dor absoluta preenchiam a noite amarga. Mas nada derrubava o corpo da morena, que se mantinha de pé por pura teimosia. Estava tão gelada que nem sentia o gelo que se acumulara em seus cabelos. De tanta agonia o coração nem batia. Porém a desordem sentimental parecia lhe dar total segurança, e numa marcha forte e tétrica a púbere ia deixando as pegadas cambaleantes para que a noite fria as engolisse. Pouco sabia sobre o que fazer dali pra frente. Nem tinha para onde ir. Só que nada mais a abalava. Olhar para trás era algo que não passara, nem de longe, por sua cabeça. Ficou para trás muitas coisas que a machucaram. Coisas que definitivamente deveriam ser esquecidas. Mas uma alma cheia de cicatrizes, enclausurada em sua própria angustia, afogada em suas próprias lagrimas, jamais abandonaria algo tão sublime quanto a chave daquele cárcere. Um sentimento avassalador e positivo, o olhar de sangue, o cheiro doce do vinho que ficaria vivo em sua memória pelo resto de sua curta vida. Pelo resto de sua pouca eternidade.

Os olhos marejados pouco permitiam a visão do caminho. Incrível como chegar à estrada foi fácil. Talvez porque sempre fora um caminho reto, ou porque seus membros estavam tão dormentes que não conseguiam fazer curvas. E para poder mudar de direção, virando para a direita agora, numa tentativa de chegar à cidade, o corpo desabou na neve fofa. Engatinhar nunca pareceu tão complicado e o corpo nunca fora tão pesado. Os passos seguiram tortos e desordenados. Andava como uma pequena criança ao dar os primeiros passos, estava aprendendo a caminhar lá fora. Fora do pequeno mundo que criou para não enlouquecer. Caiu quando o caminhão passou rápido ao seu lado. Os faróis que rasgaram a noite escura trouxeram uma macabra luz em sua mente conturbada. Pobre do próximo caminhoneiro, que teria de se explicar sobre a morte de uma louca que se jogara em sua frente. Mas matar alguém seria um fardo de toneladas pro resto da vida. Podia muito bem apagar sua existência sozinha sem envolver os outros. Talvez isso fosse o que a destruiu mais. Poupar as pessoas a sua volta, preservá-las de preocupações e culpas, agüentar cada brutalidade da vida só. Em seu fim que ao menos fosse diferente. Pobre do próximo caminhoneiro...

Continua...

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Reviewer:Nossa, capítulo curtinho, mas foi muuuuuito bom!! . Eu preciso de mais, mais, mais!! xD

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Writer: Capítulo curto em proporção a demora... Infelizmente algo chamado "inspiração" tem passado longe de mim... Como prefiro não escrever a escrever porcaria acaba assim o capitulo 27... E nada sei ainda sobre o próximo... O meu problema é que uma nuvem negra instalou-se sobre mim e meus pensamentos (já desordenados) tornaram-se ainda mais "fúnebres". Preciso de férias dos seres humanos...

Eu nunca quis te decepcionar ou te fazer partir... Mas eu nunca pensei em tentar fazê-la ficar...

Próximo capítulo: 'Rosas azuis' com perfume de laranjas existem apenas no seu mundo gelado. O que te fará acreditar que não é a vida que parece?

MUITO OBRIGADA PELAS REVIEWS!!