E ai pessoas, o que acharam do jogo? Eu achei decepcionante! Vamos ao cap
Capítulo 04
A pergunta pairou no ar, mas Edward não foi capaz de responder. "Espantoso" mal começava a caracterizar o fenômeno.
"Fantástico" era a palavra de que vinha à mente. Rosalie estava muito acima de qualquer mulher que já encontrara.
Mas agora havia outra mulher que caminhava naquelas longas pernas elegantes, uma mulher com olhos tão verdes quanto os campos de Montana, uma mulher que era a imagem de Rosalie refletida no espelho.
E havia uma imagem que ele nunca apagaria da mente, a imagem de uma mulher grávida tão bonita que tirou-lhe o fôlego.
Céus!
Beijara a cunhada de forma apaixonada.
Esteve a ponto de fazer amor com ela.
Sentiu um frio no estômago.
Edward nunca odiara ninguém na vida. Mas estava chegando perto desse sentimento, depois do que Rosalie fizera com ele. Com eles.
Um homem tinha o direito de voltar para casa e para a própria cama esperando encontrar sua mulher.
Como podia saber que aquela mulher deitada ali, usando a camisola de Rosalie, e idêntica a Rosalie, não era Rosalie?
Um ano inteiro e ela nunca contara que Bella era sua gêmea.
Por que ela mantivera isso em segredo? Por que Bella não fora visitá-los, sem mencionar não aparecer no casamento?
Edward era filho único e daria tudo por irmãos e irmãs. Não podia conceber a idéia de Rosalie negligenciando a própria irmã: a irmã gêmea.
Do pouco que se sabia sobre gêmeos, acreditava-se que eram excepcionalmente ligados. Então, o que acontecera a Rosalie e a sua gêmea?
Remexeu o maxilar. Só uma mente pervertida teria engendrado uma brincadeira tão horrível. Correção: duas mentes.
Os gêmeos não se originavam de uma única célula? Não dividiam tudo, as características boas, bem como as ruins? E Rosalie tinha um lado ruim. Assim como a irmã, o que explicava criarem uma situação que quase o levara a cometer um ato imperdoável.
Não que fosse forçar Rosalie. Nunca recorrera à força com nenhuma mulher, e desprezava os homens que agiam assim. Só esperava que, beijando-a, pudesse reacender a paixão que ela sentira por ele uma vez.
Naqueles poucos segundos em que acreditara que seria pai, emoções que não sabia que existiam o haviam assaltado – uma necessidade forte e repentina de amá-la e protege-la, de lutar pela família que estavam iniciando. A excitação de saber que ia ser pai o energizara de tal forma que ficara cego e surdo ao terror da cunhada. O som da porta se fechando o trouxera de volta ao presente. Ergueu a cabeça e se viu novamente sozinho com a duplicata de Rosalie. Ida e Jesse aparentemente resolveram se retirar.
Edward passou a mão pelo cabelo, ciente da frustração homérica acompanhada da dor. Não havia bebê a caminho, e a esposa estava em Paris. Era impossível tomar qualquer atitude quanto à farsa daquele casamento com milhares de quilômetros entre eles.
Ela fora atrás de Esme, afinal. E fora sem ele. Era a gota d'água. O casamento estava mesmo acabado.
Não queria acreditar naquilo, nem mesmo quando passara noite após noite insone naquele quarto de hotel minúsculo, agonizando pela ruína do casamento, imaginando por que ela não respondera à sua carta...
-Este é o seu quarto, sua casa – declarou a cunhada, trêmula, lembrando-o de que ainda estava lá. – Não tenho o direito de permanecer. Se me der um minuto, me visto e Jesse poderá me levar para West Yellowstone para passar a noite. Amanhã, parto para Nova York. Por favor, Edward. Vamos fingir que nada disso aconteceu.
-Mas aconteceu, que droga! – Ele sentiu satisfação quando a viu sobressaltar. – Seus dias de fingimento estão acabados, os seus e os de Rosalie. E os meus também. Larguei minha missão porque pensei que havia uma emergência aqui. Mas parece que entrei numa brincadeira grotesca. Quando finalmente entrar em contato com sua gêmea, diga a ela que voltei ao trabalho e que espero que ela já não esteja nesta fazenda quando eu voltar, em um mês mais ou menos. O advogado dela vai saber onde encontrar o meu.
Edward a viu balançar a cabeça, o belo rosto deprimido e muito pálido, mas não conseguia parar a torrente de amargor que saía. A dor se acumulara por muito tempo.
-Quanto a você, querida cunhada, pode ficar o mesmo período e fingir que é sua irmã. Não posso evitar de sentir pena pelo bebê que está aí dentro. Que bela mãe você vai dar.
Edward saiu tão silenciosa e furtivamente quanto entrara. Dali a instantes, Bella ouviu o som de motor próximo aos fundos da sede. Acompanhou-o até desaparecer.
Edward partira.
Impelida a agir, correu ao telefone e ligou de novo para o hotel em Paris. Desanimada, percebe que uma voz diferente atendera, o que significava que teria e explicar tudo novamente.
Mas, assim que mencionou Rosalie Cullen, a pessoa do outro lado disse-lhe para ficar na linha. Havia um recado, informou.
Bella segurou o fone com mais força e aguardou. Quando a irmã soubesse o que acontecera na fazenda, ficaria arrasada. Mas não pudera evitar. Concordava com Edward. As mentiras tinham de acabar.
-Mademoiselle? Está aí? –perguntou o interlocutor, em francês.
-Sim –respondeu.
O funcionário leu o recado.
-"Localizei Esme através de um amigo que conseguiu um encontro para nós aqui no hotel. Sem problemas com Paul, que não faz idéia de onde ela esteja. Tudo está bem, então, pare de se preocupar. Estou saindo do hotel para passar mais tempo com ela enquanto planejamos como ela vai romper com Paul. Entro em contato com você mais tarde e conto detalhes. Cuide-se. Lembre-se de que está comendo por dois agora. Amo você. Rômulo."
As boas novas sobre Esme mal foram registradas. Rosalie precisava voltar imediatamente para casa e acertar sua situação com o marido antes que ele chamasse o advogado.
-Ela deixou algum endereço ou telefone?
-Não, mademoiselle. Lamento.
-Eu também. –concordou Bella, com uma dor no coração. – Obrigada. – Recolocou o telefone no gancho e caiu na cama, soluçando.
-Bella? –Ao som da voz de Ida, ergueu a cabeça – Posso entrar?
-Claro. –Ela se sentou e enxugou as lágrimas, ajeitando o cabelo.
Ida caminhou até a cama e puxou uma cadeira para se sentar. Inclinou-se para a frente com as mãos nos joelhos.
-Sei que está arrasada. Nos dez anos que trabalho para Edward, nunca o vi tão nervoso. Mas porque o conheço há tanto tempo, posso garantir-lhe: com o tempo, a raiva e a decepção vão passar.
-Talvez.
-Ele não pode suportar mais dor agora.
-Edward tem todo o direito de me desprezar, Ida, mas não posso suportar vê-lo odiando Rosalie quando ela o ama tanto.
-Mas ela ama?
-Oh, sim.
-Se isso é verdade, por que ela se afastou dele nesses últimos meses? Estavam tão apaixonados no começo. Então, da noite para o dia, ela mudou. Todos nós notamos. Ela despedaçou o coração de Edward.
Sílvia pulou da cama, agitada demais para permanecer sentada. Esfregou a nuca, distraída, como quem junta pedaços de informações, os quais formam uma centelha, que se propaga tão rápido que não se consegue acompanhar o raciocínio completamente.
-Não porque ela quisesse – murmurou Bella, sentindo alguma coisa lá no fundo.
-O que quer dizer?
-Não tenho certeza. – Fez uma longa pausa. – Como posso explicar uma vida inteira sendo a irmã gêmea de Rosalie, as duas se movendo pelos pensamentos uma da outra sem necessidade de falar? Mas desta vez é diferente. Desta vez, ela está escondendo alguma coisa. Até de mim. – A voz falhou. –Por isso ela insistiu que lhe telefonasse somente uma vez por mês. Não queria que eu descobrisse o que se passava em seus pensamentos, não queria ajuda. Eu devia ter percebido. Devia... – Olhou para a caseira. –Estou assustada, Ida.
-Você está me assustando. –declarou a mulher, alarmada. Também ficara de pé.
Bella estava arrepiada.
-Tenho o estranho pressentimento de que ela está orquestrando alguma coisa há algum tempo. – Voltou-se, encarando a empregada. – Quando notou a mudança nela?
-Seis ou sete semanas depois que voltaram da lua-de-mel. Eu me lembro porque Edward queria comemorar o aniversário de dois meses. Me pediu que preparasse um jantar especial e ficou esperando Rosalie voltar da cidade. Ela fora fazer compras em West Yellowstone. Mas não voltou naquela noite. Por volta das dez horas, telefonou da casa de uma amiga informando que decidira passar a noite fora e voltaria só ao anoitecer do dia seguinte. Edward também mudou desde aquele dia.
-Quem era essa amiga?
-Alice Hale. Edward conversou com ela alguns dias depois do incidente. Ela informou que Rosalie agiu de forma perfeitamente normal com ela. Mas Rosalie saíra logo após o café da manhã, voltando só a noite. Foram cerca de catorze horas de ausência sem explicação. Rosalie nunca quis esclarecer nada.
Bella cerrou os punhos.
-Alguma coisa aconteceu entre a hora em que ela saiu para as compras e aquela em que telefonou para Edward. Talvez... – Bella se deteve antes de revelar. Ficou branca de repente.
Bella correu para o banheiro, mal alcançando o vaso sanitário ao ser acometida por outro mal estar. A ânsia era implacável.
-Pobre menina – lamentou Ida, enxugando a testa de Bella com uma toalha úmida. – Sei que tem enjôo pela manhã, mas o que a fez se sentir mal agora, meu bem? O que foi?
Bella apoiou-se fracamente contra a parede. Soltando um grande soluço, revelou:
-Não sei. Mas tive a premonição de que algo está muito errado... de que Rosalie está com problemas terríveis.
-De que tipo?
-Não tenho certeza – murmurou Bella. –Mas devia ter percebido, quando ela foi tão teimosa para que trocasse de lugar com ela. Devia estar planejando alguma coisa. Céus, por que não percebi?
-Por que já tinha muitos problemas – comentou a caseira, acertadamente, batendo no braço de Bella.
-Ainda assim... – Bella balançou a cabeça, confusa. – ela estava determinada a visitar nossa madrasta, Esme, mas não queria que Edward soubesse de seus planos. Não queria preocupa-lo, foi o que alegou.
Ida parecia mais confusa do que nunca.
-Se significava tanto assim para ela, devia ter pedido a Edward para deixar a missão e acompanha-la. Ele faria qualquer coisa por Rosalie.
-Sim. Eu vi esta noite... –sussurrou Bella, imaginando como a irmã podia desprezar um amor como o de Edward. Não fazia sentido. Por isso mesmo, sentia medo.
-Ida... não tenho tempo de entrar nas complexidades da personalidade de Rosalie agora. Tudo o que sei é que preciso encontrar Edward e convence-lo de que ele tem de partir ao encontro dela ainda esta noite. Algo está errado, ela deve estar nos escondendo alguma coisa. Posso sentir. – Segurou no braço de Ida, procurando apoio. – Para onde ele foi? Você sabe?
-Para o chalé perto do lago. É para onde vai quando está aborrecido. Vai ficar lá até o amanhecer, então vai para a cidade e viaja retomando a missão.
-Tem telefone lá?
-Não. Mas Jesse chega lá em dez minutos.
-Vou com ele. Diga-lhe para tirar o carro enquanto lavo o rosto e escovo os dentes. Eu o encontro na entrada.
-Vamos todos. Edward está mal, não devia ficar sozinho. –Dizendo isso, Ida deixou o banheiro.
Logo depois, Bella vasculhava as gavetas de Rosalie atrás de roupas. Em poucos minutos, estava pronta. Correu para fora, indiferente ao frio ar noturno e à fraqueza que tomava conta de seu corpo.
-Por favor, se apresse Jesse. – pediu ela ao capataz enquanto subia na caminhonete, deixando o suéter para fora do jeans, cujo zíper já não se fechava.
O capataz assentiu solenemente, ligando o motor. Tomaram a estrada até o portão automático. Enquanto corriam pelas trilhas tortuosas que levavam para dentro da floresta, Vella se agarrou ao apoio de braço para não ficar pulando demais. Jesse provavelmente podia encontrar o chalé de olhos vendados, familiarizado com as inúmeras trilhas laterais através dos pinheiros.
As terras daquele lado do lago possuíam densas florestas . Edward não percebeu o pequeno chalé de toras rústico ao pé de uma montanha até que Jesse parou bem atrás da caminhonete de Edward.
Antes mesmo de Jesse desligar o motor, Bella já saltava para fora do carro. Gritou pelo nome de Edward e, sem esperar pelos outros, percorreu a varanda até os fundos, dando com madeira empilhada até o teto.
Aliviada, viu a porta se abrir, e Edward surgiu nas sombras, barrando-lhe a entrada, a expressão sombria.
-Que diabo está acontecendo?
Antes, Edward fora intimidada pela hostilidade do cunhado. Agora, porém, o medo por Rosalie sobrepujava qualquer outro sentimento. Felizmente ainda não bebera até perder a consciência.
-Não me pergunte como sei, mas estou convencida de que Rosalie está com problemas –disparou ela. Não havia tempo a perder. – Volte à sede conosco e use seus conhecimentos junto à polícia para contatar as autoridades em Paris e fazer com que saiam atrás de Rosalie e Esme.
-Do que está falando? –no instante seguinte, ele fechou as mãos sobre os ombros dela com força, mas sem sentir, os olhos brilhando perigosamente. –Está interferindo numa coisa que não é da sua conta. Só para lembrar, ela não quer nada comigo, então saia da minha vida! –Ele fechou ainda mais os dedos contra a pele dela antes de afastá-la, mas ela não se deixou intimidar. Manteve a posição.
-É nisso que ela quer que você acredite. Que todos nós acreditemos. Edward, não temos tempo para isso! –Bella soluçava, sem se importar com as lágrimas que corriam por seu rosto. –Se ama Rosalie, venha comigo antes que seja tarde demais!
Ele a fitou.
-Que quer dizer com tarde demais? –Edward empalideceu.
Será que agora conseguiria chegar até ele?
-Durante todos esses meses ela esteve encenando – improvisou Sílvia, desesperada em convencê-lo. – Não percebe? Pense! Ela está deliberadamente nos mantendo longe, as duas pessoas que mais a amam. Mas só agora começo a ver uma lógica.
Ele balançou a cabeça, a expressão atormentada.
Bella bamboleou de tontura e medo.
-Precisa confiar em mim, porque estou me baseando em instintos e sentimentos. Rosalie e eu temos uma união mais forte do que pode imaginar. É difícil descrever, mas sempre estivemos ligadas num nível que... que não requer explicações. –Respirou fundo. –Quando tínhamos sete anos e eu estava em Bruxelas com minha mãe, soube no mesmo instante que Rosalie estava com apendicite porque senti a mesma dor. Quando eu e mamãe voltamos para casa, papai estava levando-a ao hospital. Naquela noite, uma operação de apendicite foi realizada em mim também.
Embora a expressão de Edward estivesse congelada, Bella tinha certeza de que ele estava ouvindo.
-Quando me acidentei com a bicicleta, Rosalie soube no mesmo instante que eu estava sendo levada ao hospital com concussão. Contou a meus pais que eu estava ferida bem antes de eles receberem um telefonema do hospital informando que eu estava lá. Nós duas tivemos sonhos terríveis sobre a morte de minha mãe, dois dias antes de ela partir. Esperava-se que ela vivesse ainda por mais um ano, mas ela não viveu. Rosalie e eu experimentamos dezenas de experiências como essa. Podemos ler os pensamentos uma da outra e saber o que a outra está pensando, mesmo quando estamos a quilômetros de distância. Gêmeos idênticos fazem isso o tempo todo, e por isso afirmo: se Rosalie lhe deu as costas é porque tinha uma forte razão para isso.
-Seja mais explícita – exigiu Edward, com voz grave.
Ela estremeceu devido a alguma emoção indescritível.
-Gostaria de poder ser. Tudo o que posso dizer é que, por motivos só dela mesma, ela nos vem manipulando. É por isso que não se opôs à sua ida nessa missão mais longa. Explica por que não me convidou para vir à fazenda para uma visita. Ela não queria se arriscar a ter-me por perto, temendo que eu lesse seus pensamentos.
-Então, o que está dizendo? Que ela está em perigo?
-Talvez. A verdade é que ela foi procurar Esme, apesar de suas advertências, apesar de eu não poder acompanhá-la e me faz pensar se tem algo a ver com Paul Beliveau.
Edward trabalhou os músculos da boca.
-Acha que é caso de polícia? Que ele possa estar chantageando-a?
Bella engoliu em seco.
-Não sei. Ida me contou da mudança nela quando foi à cidade e não voltou naquela noite. Talvez tenha telefonado, ou ele tenha feito contato com ela e a ameaçado de alguma forma.
-Faz sentido, Edward. Ouça sua cunhada. – ajudou Jesse.
Edward olhou para o capataz e para Ida.
-Acredita nela? – indagou, amargo, o som dos grilos aplacando a violência de seu espírito.
A caseira assentiu devagar.
-Edward mudou do dia para a noite. Ficou estranha. Somente alguma coisa muito grave teria causado tal transformação.
-Você é tudo para ela, Edward – sussurrou Bella, os olhos úmidos de lágrimas. – Se ela tem algum defeito, é amá-lo demais. Sei exatamente como ela raciocina. Nos manter afastados foi cruel, mas é o jeito dela de lidar com algo terrível. Algo que ela não foi capaz de nos contar...
Bella estremeceu ao ouvir um uivo distante na floresta e, de repente, se sentiu enregelar.
Podia sentir a incredulidade do cunhado, sua dor. Se ao menos pudesse remover aquela impressão... Seu rosto, seu corpo inteiro parecia tenso, fazendo-o parecer mais velho, quase enfermo.
-Edwad... –Pousou a mão em seu braço, solícita. –Por favor, use a sua influência para descobrir onde Rosalie está. Ela me deixou um recado no hotel dizendo que encontrara Esme e que tudo estava bem. Mas talvez estivesse mentindo. Talvez esteja precisando de nós e espere que a encontremos.
Essas palavras o atingiram, Bella percebeu ao vê-lo lançar a cabeça para trás.
-Você a ama, e ela o ama – garantiu, aflita. –Cada segundo que permanecemos aqui para analisar seu comportamento bizarro é tempo perdido. – Não se atrevia a contar a Edward que sentia Rosalie afastando-se cada vez mais deles.
Ele não respondeu. Temerosa de não ter conseguido chegar até ele, Bella se recusou a desperdiçar outro segundo e correu em direção ao carro, com Jesse e Ida em seus calcanhares. Assim que chegassem à sede, telefonaria para as autoridades francesas e pediria ajuda.
Ao abrir a porta do carro, Bella ouviu o motor da caminhonete. Recostou-se no banco, aliviada; então Edward decidira segui-los para casa.
Percorreram as trilhas em silêncio, Bella estava perdida nos próprios pensamentos atormentados. Dez minutos depois, estavam na sede. Ida acendeu as luzes e mostrou a Bella onde ficava o escritório de Edward, um canto confortável da sala de estar.
Uma grande escrivaninha de pinho com computador e telefone e uma estante de livros perto da lareira... Bella sentia o toque pessoal da irmã em cada detalhe da decoração.
Rosalie se forçara a deixar tudo isso. Por quê?
Bella viu Edward entrar no estúdio com o capataz, os olhos escurecidos de ansiedade. Ele foi até a escrivaninha e pôs a mão no telefone, mas não o removeu do gancho imediatamente.
-Rosalie poderia ter encontrado outro homem naquele dia em West Yellowstone –declarou ele.
Bella fechou os olhos. Não surpreendia Edward estar sofrendo tanto. Ele temia que Rosalie tivesse sido infiel.
-Ela nunca poderia estar interessada em outro homem – afirmou Bella. –Não sabe o quanto ela o ama?
Ele remexeu o maxilar.
-Quer que eu acredite que ela esteve mentindo para mim nesses dez meses? Como posso saber que você não está mentindo somente para protege-la?
A tensão aumentou entre eles.
-Não pode.
Após uma pausa interminável, ele indagou:
-E se estiver errada quanto a seus instintos? – O desdém em sua voz a abalou, mas ela o encarou sem esmorecer.
-Rezo para que esteja. Se assim for, Rosalie precisa vir para casa e se explicar. A nós dois.
Silêncio.
Então, num movimento brusco, ele buscou papel e lápis no canto da escrivaninha.
-Precisarei do telefone da casa de Esme e do hotel em Paris.
Sob outras circunstâncias, o tom frio teria intimidado Bella, mas naquele momento ela estava determinada em encontrar a irmã. Nada mais importava.
Foi à escrivaninha e escreveu a sequência que sabia de cor.
-Este é o de Esme. Vou ao quarto pegar o número do hotel.
Quando voltou, Edward estava ao telefone, dando descrições e informações sobre Rosalie. Após alguns minutos, olhou para ela. Cobrindo o fone, pediu:
-Me descreva a sua madrasta.
-Tem um metro e cinqüenta e cinco, cerca de cinqüenta quilos, cabelo preto curto, olhos castanhos. Veste-se com estilo, e é o que eu e Roaslie chamamos de Jolie laide, não bonita, mas ainda assim atraente. É pequena e feminina. Bem francesa.
Edward transmitiu a descrição física de Esme para a pessoa do outro lado da linha. Após outra rápida conversação, ele recolocou o aparelho no gancho e se levantou, o rosto cinzento de tensão.
-Acha que vamos ter notícias hoje?
Ele a encarou. Após uma pausa embaraçosa, foi taxativo.
-Não.
O tom da resposta deixou Bella desanimada. Não sabia o que fazer durante o resto da noite. A premonição de que a irmã estava correndo perigo crescia a cada instante.
Edward olhou para sua barriga como se lembrasse de repente que ela estava grávida.
-Se tem pressão alta, devia estar na cama. Sugiro que todos nós tentemos salvar o resto da noite.
Bella ficou surpresa por, apesar da angústia, ele ainda conseguir se lembrar de sua gravidez de alto risco. Começou a dizer que se mudaria para o quarto de hóspedes, mas ele a interrompeu.
-Vou dormir aqui no sofá. Sempre que estou trabalhando num caso, prefiro ficar aqui, de onde tenho acesso rápido à minha escrivaninha.
-Vou preparar o sofá – ofereceu Ida.
Jesse babbucionou boa noite e seguiu a esposa até o estúdio.
Bella hesitava em deixar o cunhado sozinho, mas percebeu que não haveria palavras que o confortassem. Nada, exceto a volta de Rosalie, a Rosalie por quem ele se apaixonara, poderia fazer isso.
Deixou-o e apressou-se ao quarto principal, onde se entregaria à própria dor sem ninguém para ouvi-la.
Ta ai o cap que eu prometi
Obrigada pelo comentários meninas, acho que eu consigo postar o próximo ainda esse fim de semana
Torçam pra que eu não fique de N4(tipo uma recuperação) em nenhuma matéria pra poder entrar de férias dia 29 kk
Comentem bastante por favor estou fazendo o possivel pra não deixar vcs sem posts por muito tempo
