Bom gente, capítulo novo espero que vocês gostem!

Capitulo muito tenso esse!

Capítulo 05

-Bom dia, Mike.

Descendo as escadas, Mike encontrou a criada idosa que arrumava as flores num vaso.

-Bom dia, Vivige. Está acordada mais cedo do que de costume nessa belíssima manhã de agosto.

-Sim. Porque Lauren espera o grupo de costura para as onze horas e quer que tudo esteja brilhando.

Mike sorriu.

-Você e sua equipe sempre mantiveram a mansão em perfeitas condições, e sei que isso não é tarefa fácil.

-Obrigada. Lauren pediu-me que o informasse de que está no jardim supervisionando o corte das flores. Rose já preparou seu café da manhã no petit salon.

-Agradeça a ela, mas não estou com fome esta manhã.

Vivige parou o que estava fazendo e pousou as mãos nos amplos quadris.

-Não tomou o café da manhã nem uma vez depois que voltou de Paris, e já faz duas semanas. Quando era pequeno e não comia, era porque estava doente ou triste, ou ambos. –Apontou um dedo acusador.

-Não sou mais menino, Vivige. Se quer saber, estou tratando de uma úlcera. –Era verdade, mas não toda a verdade. Longe disso.

O último encontro com Bella o deixara arrasado. Não apenas ela declarara que o romance estava acabado, como insinuara que ele era velho demais para ela. Que ele atuara como uma figura paterna. Céus...

-Ah... –Vivige levou as mãos ao rosto –Preocupações demais com Lauren. Trabalho demais. Com afinco exagerado e por longas horas. Sem férias, pois tem medo de deixar Lauren sozinha por tanto tempo. O que precisa é tirar um verão longe de todos os seus problemas. Ela poderia apreciar o ar marinho... Que tal um cruzeiro pelas ilhas gregas? Não faz isso desde que sua querida mãe, que Deus a tenha, foi com você há cinco anos. Fez o sinal da cruz.

A devoção de Vivige à família de Mike nunca deixava de espantá-lo. Mas a menção da mãe o lembrara da mentira colossal que contara a Bella. Uma mentira que o corroia a cada instante. Tinha certeza de que aquilo contribuíra para sua úlcera.

-Vou pensar em sua sugestão. – murmurou. – Mas enquanto isso, não diga nada a Lauren. Ela não deve saber de minha úlcera ou vai ficar preocupada, e isso pode trazer complicações.

Vivige pareceu ofendida.

-Nunca diria nada para aborrecê-la.

-Sei disso, Vivige. E aprecio o cuidado que tem com ela. Se já não lhe disse antes, digo agora. Se e quando precisar de ajuda, vou dar a mesma atenção e cuidado que sempre teve com minha família.

A criada se emocionou.

-Sempre foi um menino tão bom, Mike. E é um homem muito bom, tão devotado à família, aos filhos. Poucos homens se manteriam dedicados a uma esposa em cadeira de rodas. Não admira Lauren adora-lo.

Mike balbucionou um obrigado e desviou o olhar, atacado por uma dor no estômago que não conseguia mais distinguir da culpa.

Após o nascimento do segundo filho, a espinha de Lauren começara a se desintegrar. No começo, Mike ficara arrasado em pensar que uma pessoa tão adorável quanto ela ficaria inutilizada.

À medida que ela precisava de mais e mais drogas para aplacar a dor, a intimidade entre eles se tornara cada vez menos freqüente. Havia sete anos, tornara-se impossível para ela fazer amor. Desde então, apenas se beijavam e se abraçavam durante a noite, e ele mergulhara no trabalho.

Nos dois últimos anos, porém, a saúde dela se deteriorara tanto que ela parecia se contentar apenas com um beijo terno antes de dormir. E agora que ela precisava dormir sozinha, ele se transferira para o quarto contíguo.

Somente quando Bella surgira em sua vida é que ele se sentira tentado a dormir com outra mulher. Quando reconheceu o que lhe estava acontecendo, lutou contra o sentimento, mas não o suficiente. Já que contara a mentira sobre a mãe ainda estar viva, não podia se retratar sem perde-la. Sua carinhosa, meiga e bela Bella...

Ela acreditara que ele era divorciado, um homem honrado que amava a mãe e os filhos. Ela o desprezaria por tê-la enganado, por levá-la a cultivar uma relação de adultério, inadvertidamente. Ele se aproveitara de sua inocência. Mas só fizera isso porque estava apaixonado e, até aquele último encontro, estivera a ponto de pedir a Lauren o divórcio a fim de se casar com ela.

Entretanto, porque amava Lauren e sempre a amaria, parte dele se sentiu aliviado por Bella ter rompido o relacionamento antes de descobrir a verdade, antes que ele magoasse Lauren. Já que fora Bella que o dispensara, ele poderia continuar ao lado da esposa sem sofrer constantemente a culpa que destruía sua saúde e sua paz de espírito.

Mas Bella abrira uma ferida cruel, que ainda estava inflamada. Ela o fizera se sentir um velho idiota e senil, vergado por cada um de seus cinqüenta anos. Ele não percebera que ela estava procurando alguém para substituir o pai que perdera. Não se vira naquele papel. Tudo, menos aquilo.

Agora, tinha uma úlcera, o que completava a imagem de um homem de meia-idade já grisalho nas têmporas, decadente como um esquiador olímpico.

Ainda assim, sentia falta de Bella, da intimidade que partilharam. Por quanto tempo seria atormentado por suas lembranças?

-Vivige? Diga a Lauren que já fui para o escritório, mas vou voltar mais cedo e jantaremos juntos no terraço.

-Está bem.

-George telefonou?

-Não. Pensei que ele estivesse nas bem merecidas férias.

-Está, mas não é de seu feitio não dar um alô de vez em quando.

A empregada fez um muxoxo de desgosto.

-Exige tanto dele quanto de si mesmo. Fazia tempo que ele não saída com os amigos e se divertia. Você devia fazer o mesmo.

Ignorando as repreensões, Mike perguntou:

-Houve algum outro telefonema de meu interesse?

-Não. Oh!... Alguém ligou para você há umas duas semanas. Uma jovem com sotaque parisiense.

Parisiense? Mike se arrepiou. Poderia ter sido Bella? Mas não. Só George sabia o telefone de sua casa e nunca o revelaria a ninguém sem sua permissão.

Vivige continuou as explicações, sem notar o sofrimento de Mike.

-Disse a ela que você não estava e sugeri que falasse com Lauren, que estava lá fora no jardim com a netinha. Ela pensava que Lauren fosse sua mãe. Quando lhe disse que Lauren era sua esposa, e que sua mãe já falecera há cinco anos, ela desligou. Evidentemente era um engano.

Deus do céu! Bella tinha telefonado!

De repente, a cena de pesadelo no Beau Rivage, quando ela despedaçara seu coração, quando o rejeitara e dissera-lhe para voltar para casa, para a mãe, fazia sentido. Tudo o que ela dissera era mentira. E só fizera aquilo por seu próprio sofrimento, por raiva.

A emoção tomou conta de seu corpo, liberando adrenalina, o que intensificou a acidez do estômago. Cuidadoso em se manter inalterado, não deixou transparecer nada e voltou-se para a criada.

-Provavelmente tem razão, Vivige. Há vários Moreau na lista.

Finalmente, tinha uma explicação para o pedido de férias de um mês de George. O secretário nunca se afastara por tanto tempo antes. Todas as peças se encaixavam, exceto o silêncio de George.

Mike foi tomado por uma raiva que nunca sentira antes.

-Vivige, se George telefonar nas próximas três semanas, diga-lhe para me ligar no escritório. Há uma coisa importante que tenho de discutir com ele.

-Tente relaxar, sra. Cullen. Voltarei em poucos minutos para tirar a sua pressão.

Relaxar! Como se pudesse.

-Eu... eu não sou a sra. Cullen. Sou a gêmea, Bella Swan. – corrigiu.

A enfermeira assentiu e Bella acompanhou sua saída do cubículo com os olhos inchados de tanto chorar. Assim que ela desapareceu, Edward afastou a cortina e entrou.

Seu rosto estava marcado com mais algumas rugas por não obter notícias nem de Rosalie, nem de Esme. A cada dia, sua expressão ficava mais atormentada. Bella se virou, olhando para a parede, desejando que ele não houvesse testemunhado sua tontura. Por causa disso, ele pedira dispensa dos deveres como agente e insistira em levá-la à clínica em West Yellowstone pessoalmente.

Sua própria dor pelo silêncio da irmã aumentava cem vezes toda vez que olhava para o cunhado. Saber que ela lhe lembrava a esposa piorava tudo. Estava convencida de que, de várias formas, ela e Edward não se faziam bem mutuamente. Ele não devia estar preocupado com sua saúde no auge do desaparecimento de Rosalie. Tinha todo o direito de se ressentir de sua invasão de privacidade, todo o direito de odiá-la por trocar de lugar com Rosalie.

A pressão de suas responsabilidades profissionais mais a constante preocupação para manter a fazenda já eram bastante difíceis. Ele não precisava de uma farsa como a de Bella surgindo em sua casa, saída do nada, grávida e desempregada. Já estavam no final de agosto. Desde meados de julho comia de sua comida, dormia em sua cama, recebia o cuidado carinhoso de Ida e Jesse, cujos salários ele pagava.

Apesar disso, ele recusava suas ofertas de reembolso. Sentia-se uma parasita, a culpa ainda mais insuportável. Queria se mudar para um hotel na cidade, mas Eedward nem quis ouvir falar disso. De qualquer forma, não se atrevia a pisar fora de casa na esperança, a cada dia, de receber notícias de Rosalie.

Sabia que Edward também estava sofrendo. Eram dois adversários em batalha mortal, sem alternativas, sendo-lhes negada qualquer opção de alívio enquanto a luta continuava.

Edward chegou perto dela.

-A enfermeira disse que sua pressão está cento e quarenta por noventa. Está mais alta do que quando deixou Nova York?

-Um pouco... –Mas ela estava muito concentrada em Rosalie para sentir qualquer sinal.

-Então isso determina tudo. A cidade não tem médico. Vou levá-la a Rexburg onde pode ser assistida por um obstetra.

-Não preciso de médico. –As lágrimas correram do canto dos olhos. Preciso saber notícias de Rosalie.

-A enfermeira acha que precisa – replicou ele, sem alterar muito a voz.

-Ainda não! –choramingou ela, e se sentou na maca, lançando as pernas para o lado. Nenhuma das roupas de botões e zíperes de Rosalie lhe servia mais. Escolhera uma calça bem usada, de tecido elástico. Assim que fosse possível, teria de ir a uma loja comprar alguns vestidos para grávidas.

-Vou mais tarde, depois...

-Depois de saber notícias de minha esposa? –completou ele, rude. – Será provável? Devo lembrar-lhe do que as autoridades francesas disseram?

-Não, Edward – A voz era trêmula.

A espera estava fazendo estragos nos dois. Não havia pista nenhuma de Esme nem de Rosalie. Quando os investigadores franceses encontraram Paul Beliveau, obtiveram uma declaração oficial de que havia quase seis semanas a esposa fora à padaria na esquina e não voltara mais.

-É possível que tenham se escondido para que Paul não as encontrasse. Talvez estejam num local sem telefone – teorizou ela, numa tentativa de remover a indiferença do olhar de Edward.

Sabia em que ele estava pensando: que Rosalie fugira com outro homem. Se não conhecesse a irmã tão bem, teria chegado à mesma conclusão. Mas sua premonição inicial era de que Rosalie estava em perigo e esse sentimento só se intensificava.

Na verdade, Bella não queria contar a Edward o que vinha captando, temerosa de que, se contasse, a impressão se tornasse mesmo realidade.

-Com licença – interrompeu a enfermeira, entrando no cubículo novamente. –Vamos fazer outra leitura.

Enquanto apertava a borracha ao redor do braço de Bella e bombeava o bulbo, Bella notou que Edward se posicionara a fim de ler os números por sobre o ombro da profissional.

Havia uma tranqüilidade nele que enervava Bella. Qualquer um que olhasse para eles pensaria que ele era o pai e marido ansioso. Pela primeira vez em semanas, a imagem de Mike se formou em seus pensamentos. Não podia deixar de imaginar se ele teria demonstrado o mesmo tipo de preocupação, quase um sentimento de posse. Bella achava tocante e, sob outras circunstâncias, seria até bem vindo.

-Ainda cento e quarenta por noventa – anunciou Edward, a voz moderada como sempre.

A enfermeira desfez o nó da borracha.

-Pode se sentar agora, srta. Swan. Estava comentando com seu cunhado que uma mulher de vinte e sete anos, sem problemas de peso, não devia ter uma pressão arterial tão alta. Não quero alarmá-la, mas devia consultar um especialista imediatamente para saber se está tudo bem com você e o bebê.

-Ela vai consultar – a voz grave de Edward ressoou pelo cubículo.

-Há um excelente obstetra no hospital em Rexburg, o dr. Lyle Harvey. Se quiser, telefono ao consultório agora mesmo e aviso que estão chegando.

-Hoje não! – disparou Bella, quando viu Edward assentir. –Eu... eu vou amanhã de manhã. Prometo. –sussurrou ante sua expressão intimidadora.

Edward pôs as mãos nos quadris. Ela diria que ele estava avaliando a sinceridade da promessa. Sabia que Bella não queria sair da fazenda, para o caso de haver notícias de Rosalie.

Ela percebia que ele também não queria ficar longe de casa, tampouco. Novamente, sentiu-se culpada por ser um fardo indesejável num momento crítico. Finalmente, ouviu-o murmurar:

-Vou cobrar isso, Bella. – Voltou-se para a enfermeira. –Diga que estaremos lá às dez da manhã.

-Acha que é bom tomar mais café?

Edward levou a xícara aos lábios, ignorando o comentário de Ida. Ela tinha boas intenções, mas no momento não precisava de sermão e desejava que ela fosse dormir.

-Não dormiu direito nesses últimos meses e já está mostrando os sinais – insistiu ela.

-É café ou a garrafa, Ida.

-Nunca foi de beber!

-Tempo demais sem notícias e... –Ele encolheu os ombros e tomou outro gole do café quente. –Jack Daniels está começando a parecer um bom amigo.

-Sabe que não quer dizer nada disso. É só a sua dor se manifestando.

-Conhece um jeito melhor para aliviá-la?

-Vá para a cama, Edward. Jesse e eu nos revezaremos junto ao telefone.

-A única razão por não estar bebendo até cair no momento é que vou levar Bella ao hospital pela manhã. Vamos sair às sete e meia. Se houver notícias, pode entrar em contato comigo no telefone do carro.

-Estou feliz que vá sair um pouco. Você é o único que pode convencê-la a ir ao médico. Ela chora até dormir todas as noites desde que você chegou. Isso não pode fazer bem ao bebê.

Edward bateu a xícara vazia na pia e ouviu que se quebrara.

Percebera aquelas lágrimas abafadas até sentir a própria alma igualmente atormentada. Cada vez que olhava aquele rosto bonito, que amava sem limites, tão pálido e atormentado, sentia-se ainda mais dividido.

Nas primeiras horas da manhã, quando nada parecia real e ele finalmente conseguiu dormir ainda que em agitação, sua mente foi invadida por imagens do corpo dela, conforme o contemplara na primeira noite, quando chegara sem avisar. Lembrava-se das mudanças que a gravidez causara. Lembrava-se do toque aveludado de seus lábios, o êxtase de tê-la em seus braços, sabendo que ela carregava um filho seu.

Então, ouviu os gritos: "Sou Bella, não Rosalie! ", e acordou completamente, o corpo coberto de suor, o coração palpitando implacável. E, como sempre, se sentia culpado, pois estivera sonhando com Bella, quando era Rosalie que possuía seu coração.

Rosalie. Rosalie. Me perdoe. Onde você está, querida? O que está acontecendo? Por que me mantém nesse tormento?

Sentiu a mão de Ida no ombro.

-Eu e Jesse rezamos todas as noites para que a sua dor tenha fim. Vamos continuar rezando, Edward.

Ele bateu em sua mão, mas não conseguia dizer nada.

Muito tempo depois que ela se foi com Jesse para a outra ala da casa, ele trancou tudo, apagou as luzes e dirigiu-se ao escritório. Num impulso, tomou o corredor e foi ao quarto principal. A porta estava apenas encostada, as luzes apagadas. Tudo estava calmo. Apurou o ouvido, esfregando o queixo, distraidamente. Pelo menos uma vez, não a ouviu chorar e presumiu que já estivesse dormindo, abatida pela exaustão.

Aliviado, pois sabia que ela precisava descansar para que a pressão baixasse, decidiu verificar as contas da fazenda.

Normalmente, tal atividade funcionava como um sonífero, e só ele mesmo sabia o quanto precisava dormir. Ida tinha razão nesse ponto. Estava funcionando a nervos e cafeína por tempo demais; já não conseguia pensar claramente.

Acendeu a luminária, e a fotografia de Rosalie se iluminou, a mesma imagem que ele sempre tinha na mente. Por vários minutos, permaneceu ali, estudando seu semblante, imaginando quantos dias mais, ou semanas, ou mesmo meses teriam de esperar por notícias.

Foi tomado por um desespero intenso. Sentou-se na cadeira de madeira, recostou-se e esfregou os olhos.

Foi quando ouviu o grito de Bella. Um grito desesperado que encheu seu coração de medo e o impulsionou a se levantar da cadeira e correr para o quarto principal.

Acendeu as luzes do corredor e descobriu que ela já estava no meio do trajeto, uma figura fantasmagórica numa das camisolas de seda de Rosalie.

-Edward! –gritou ela, e se agarrou a ele como uma criança assustada precisando de conforto.

Sem refletir, ele a recebeu e a abraçou bem forte, tentando convencê-la de que ela estava a salvo.

-Shh – sussurrou ele, passando a mão pelo seu cabelo. – Você teve um sonho ruim, mas já acordou. Está tudo bem. Eu estou aqui.

-Não. –Ela se recusou a se acalmar e se agitou tão selvagemente que ele precisou usar toda a força para mantê-la subjugada. –Não foi um sonho. Rosalie está morta!

A voz mais parecia um gemido, e ele estremeceu.

-Não, Bella. Você apenas imaginou isso.

-Mas você não entende – insistiu ela, com a voz rouca e entrecortada. –Não estava dormindo. Enquanto estava ali deitada, senti que ela morrera. Ela se foi...

O choro lamentoso tomou o ambiente, e então vieram os soluços e as convulsões do corpo, convulsões que foram transmitidas a ele.

-Não posso suportar. – Ela começou a tremer. –Não posso suportar perde-la.

Agarrou-se a ele, enterrando as unhas em suas costas através da camiseta. Então desmaiou, e ele a ergueu antes que ela escorregasse para o assoalho.

-O que está acontecendo, Edward? –chamou Jesse, alarmado. –Ouvimos Bella gritando.

Max viu o casal entrar pelo corredor.

-Ela desmaiou.

Com ações automáticas, ele a pousou sobre o tapete e sentiu a pulsação. Estava rápida e forte. Encorajado pelo movimento de respiração de seu peito, ele baixou a cabeça e colocou o rosto perto da boca. Quando sentiu que ela respirava em intervalos regulares, soltou um suspiro de alívio.

-Me traga água, Jesse.

-Volto já.

Ida se aproximou.

-Ela está com os nervos à flor da pele, assim como você. O que aconteceu? Jesse e eu pensamos que houvesse um ladrão no quarto.

Edward não podia repetir as palavras de Bella. A reação traumática desafiava a lógica. Ela parecia tão convincente, e ele meio acreditava, meio se assustava.

-Ela teve um sonho ruim. Tanto que desmaiou.

-Pobrezinha...

Edwadrd testemunhava ameaças à vida toda vez que se apresentava para uma missão. O treinamento minucioso o ensinara a lidar com as situações mais delicadas. Mas o que acontecera ali ia além de toda sua gama de experiência.

-Aqui está.

Edward tomou o copo de Jesse e umedeceu o rosto de Bella. Quase imediatamente ela engasgou e abriu os olhos, meio desnorteada.

-Edward... – Ela focalizou toda a atenção sobre ele, os olhos ainda assustados e cheios de angústia. – O que aconteceu?

-Você desmaiou. Descanse por um minuto – pediu ele, suave, pegando em uma das suas mãos.

Ida e Jesse permaneciam bem perto. Bella os fitou e seus olhos se encheram de lágrimas. Apoiou-se num cotovelo.

-Edward contou a vocês? –perguntou, a expressão cheia de dor.

Ida se inclinou sobre ela.

-Nos contou o que, querida?

O queixo estremeceu.

-Rosalie se foi.

As palavras frias reverberaram no coração de Edward. Ele se inclinou para perto dela e removeu as lágrimas do rosto muito branco com as mãos.

-Não sabe com certeza, Bella.

-Sei – insistiu ela, antes de estremecer mais uma vez, convulsiva, e começar a chorar incontrolavelmente.

Movido pela dor, ele a aninhou nos braços e a embalou, tentando consola-la, tentando obter algum conforto para si mesmo.

-Shh... – Sussurrava, e ergueu-a nos braços com ela agarrada a seu pescoço. – Desta vez seus instintos estão errados. Tenho certeza. Não fale mais nada, Bella. Vou colocá-la na cama, e ficarei com você pelo resto da noite.

-Isso mesmo, querida. Vá com ele e faça o que ele diz – incentivou Jesse. –Uma boa noite de sono e tudo vai parecer diferente pela manhã.

Ida sussurrou.

-Vamos ficar por perto se precisar de alguma coisa.

Edward assentiu e carregou Bella de volta para o quarto. Sem se soltar ela, sentou-se na cama. Recostado contra a cabeceira, estendeu as pernas e jogou uma manta sobre elas, a fim de cobrir-lhe os ombros. A temperatura da casa era agradável, mas ela precisava de mais calor. Ela precisava de um médico.

Ele consultou o relógio. Três e dez se ela não dormisse até as três e meia, não esperaria até o amanhecer para levá-la ao hospital em Rexburg. Simplesmente a acomodaria no carro e partiria.

A onda de lágrimas finalmente diminuiu. Quando ele pensava que ela estava dormindo, ouviu:

-Vo... você acha que estou histérica, não é? –A pergunta pairou no ar.

Consternado, percebeu que ela estava bem acordada. Respirou fundo.

-Não – respondeu, sincero, sussurrando em voz trêmula.

Ela se soltou de seus braços, rolando para o outro lado da cama.

Ele não tentou impedi-la. Parecia natural abraçá-la, sentir a fragrância familiar de sua pele e cabelo. Natural demais. Conhecia cada linha e curva do corpo da esposa. Na escuridão, bem podia acreditar que Rosalie estava em seus braços novamente.

Perturbado pela idéia, ele saiu da cama.

-Não há por que se desculpar, Bella. –A voz era áspera, fracamente controlada. –Acho que nós dois concordamos que já superamos a fase de acusações e recriminações. O que quer que Rosalie esteja fazendo, logo saberemos. No momento, seu bebê é nossa prioridade número um. Precisa dormir, e bastante. Boa noite.

Pessoas mais um capitulo pra vcs

Tenho prova ate terça e se eu passar(nada de n4 se deus quiser) já estarei de férias e com tempo livre pra adaptar e se vc comentarem eu poderei postar todos os dias

Quem Ta ansiosa pra eclipse? Eu to comcerteza

Por favor, comentem bastante