Capítulo 12

-Bella. – Ele repetiu seu nome, desta vez num tom sério. – Há uma coisa que preciso contar. Talvez seja melhor se sentar.

Ela se afastou, fazendo com que suas mãos deslizassem para os lados.

-Você fala como daquela vez em que pensou que eu tinha um tumor. –A voz dela estremeceu ao dizer essas palavras.

Toda a ternura, o encantamento, tinha sumido de seu rosto. Ele estava rígido agora, os olhos mais escuros, com apenas dois pontos de brilho.

-Mike Newton foi a seu apartamento enquanto eu cuidava da mudança. –Como Bella não se manifestasse, ele acrescentou: - Aparentemente, ele tentou vê-la em várias ocasiões.

Bella não pensava em Mike havia séculos. Não sentia nada por ele. Absolutamente nada. Se precisava de provas de que não passaram de um casal de amantes, era essa. A completa falta de sentimento.

Foram amantes só nos dois últimos meses do relacionamento. Embora ele houvesse usado proteção, ela devia ter engravidado na primeira vez em que fizeram amor, que fora uma experiência instrutiva, ao menos.

Mike fora gentil e carinhoso durante os atos, mas sempre tivera de incentiva-la. O amor deles nunca fora um caso apaixonado, como aquele que ela sabia que Rosalie partilhara com Edward.

Ou como aquele que ela fantasiava com relação a Edward.

Nunca entendera o significado de desejo até essa noite. Sentira-se entorpecida quando Edward a tomara nos braços e carregara para casa.

Em contrapartida, nunca estivera a ponto de desmaiar quando Mike a acariciava. Entretanto, tudo o que tinha a fazer era pensar em Edward tocando-a, e seus ossos se liquefaziam.

Franziu o cenho gravemente.

-Por que não está dizendo nada?

-Estou pensando.

O tórax másculo se ergueu num suspiro.

-Ele está preparado para se divorciar de Lauren e se casar com você. O homem está caído... por você.

Pobre Mike. Estava se iludindo se considerava o que tiveram como sendo amor. Era um pouco tarde para tentar compensar as mentiras. Pobre Lauren.

-Ele deve ter dito isso porque soube do bebê. Você contou?

Edward manteve-se inexpressivo.

-Não. Ele não faz a mínima idéia de que esteja grávida. Ele acha que desistiu do emprego por causa de doença. É tudo o que sabe. –Após uma pausa, concluiu, com voz controlada: - Minhas desculpas por duvidar das intenções dele. Ele a pediu em casamento.

As chamas da lareira estremeceram, e sombras dançaram sobre sua expressão tensa.

-Ele está muito apaixonado por você, Bella, e não quer passar o resto dos idas sem você. Mas não vai tentar entrar em contato. Você terá de ir até ele.

Bella se virou e caminhou até o fogo, fitando as chamas.

As notícias de Edward mudavam tudo.

O desejo de Mike de se casar com ela não se referia à gravidez, mas ao que ele achava que era amor por ela. Incrível.

Ele estava querendo deixar Lauren, enfrentar a condenação da família e dos amigos, a fim de se casar com ela.

Que idiota da parte dele, quando já tinha tudo o que um homem podia querer, e não percebia.

Mesmo que estivesse apaixonada por ele, nunca lhe pediria isso, nem a nenhum homem. Nunca seria capaz de viver com o rompimento de outro casamento na consciência.

Mas estava carregando um filho dele.

Agora que sabia que ele queria se casar com ela, tinha a obrigação moral de lhe contar a verdade.

Uma nova agonia se iniciava, porque ele teria de lidar com a novidade chocante de que ele, já com filhos adultos, seria pai novamente. Ele teria de contar a Lauren. Seus filhos descobririam.

Como todos eles a odiariam!

Bella se sentiu enjoada.

-Edward... –Voltou-se para ele. – Poderia se colocar no lugar de Mike por um momento? E, então, responder a uma pergunta? Tenha em mente que ele tem mulher, dois filhos crescidos e vários netos.

Após um longo silêncio, ele assentiu quase imperceptivelmente.

-Como eu poderia entrar em contato com você causando o mínimo de transtornos e constrangimento para você e sua família?

Se ela o tivesse golpeado no rosto, a pergunta não teria doído mais.

-Não importa o que tenha feito – começou ele, com voz grave -, o resultado seria o mesmo. Mas provavelmente preferiria um telefonema simples no escritório, desde que estivesse sozinho na ocasião.

Ele procurou o blusão de couro e o vestiu.

-Tenho de retirar um pouco de neve do caminho antes que Jesse e Ida cheguem. Quando for à cozinha, vai encontrar um pacote sobre a mesa. É para o bebê. Alguma coisa que combina com o suéter que fez. Aliás, quero ver esse suéter depois.

Depois que ele saiu, Bella foi apressada à cozinha. Viu uma caixa da Pink and Blue Boutique. Estremeceu ao abrir o selo e afastar o papel de seda. Dois macaquinhos, um rosa e outro branco. Retirou-os da caixa e sentiu o perfume, soluçando.

-Olhe só para isso! –alardeou Jesse, quando entravam na garagem. – Edward voltou enquanto estávamos fora e já tirou toda a neve do caminho. Confesso que não estava com muita vontade de fazer isso esta noite.

Ida deu-lhe um beijo no rosto e saiu da caminhonete.

-Enquanto guarda o carro, vou entrar e preparar um chocolate quente para todos nós.

-Que tal umas tortas de frigideira para acompanhar?

-Depois de toda aquela pipoca?

-Aquilo foi só o aperitivo, doçura.

Ela riu, e então correu pelo caminho até a porta da frente, ansiosa em passar o resto da tarde com Edward e Bella.

-Oi! Chegamos!

Fechou a porta e tirou o casaco. Como não recebesse resposta, descalçou as botas e correu para o estúdio. Ainda nenhum sinal deles. Talvez Bella ainda não tivesse voltado da cidade.

Podiam estar na cozinha, mas duvidava. A casa estava quieta demais. Foi preparar o chocolate, mas se surpreendeu ao ver dois macaquinhos ao lado de uma caixa sobre a mesa.

Sorrindo, Ida os recolheu. Era muito típico de Edward se preocupar com isso. Afinal, onde ele estava?

Recolocou as roupinhas na caixa e começou a esquentar o leite. Feito isso, saiu da cozinha e tomou o corredor, quando Jesse já ia despontar na porta dos fundos.

No caminho, ouviu choro e estacou. Era como déjà vu, com Bella no quarto, soluçando descontrolada.

Ida pensou que aqueles dias já tinham passado. Sentiu o coração se entristecer.

O que acontecera ali naquela noite?

Onde estava Edward?

Foi até o quarto principal e deu uma olhada. Nem sinal dele.

Com ansiedade crescente, correu pelo corredor e abriu a porta dos fundos.

-Jesse? –Correu pelo caminho que Edward já limpara da neve. –Querido?

-Estou indo.

-Não. Volte para a caminhonete. Vá procurar Edward e converse com ele.

-Do que está falando?

-Bella está lá chorando, e ele saiu. Alguma coisa está errada.

-Isso significa que ele foi para o chalé. Quando isso tudo vai terminar, Ida?

Ela encolheu os ombros.

-Não sei.

Ele soltou um suspiro.

-Não se preocupe com as tortas. Sinto que esta vai ser uma longa noite.

Onde estava o Jack Daniels?

Edward procurara em cada prateleira do chalé. Aquela noite, precisava de alguma coisa bem forte para nocauteá-lo. No dia seguinte, iria ao chefe e pediria outra missão. Uma bem longa.

Agarrando o casaco, saiu pela porta do chalé e chafurdou na neve até a caminhonete. Bud mantinha o bar em West Yellowstone aberto até as duas; não se importaria se ele dormisse no sofá do salão.

Começou a dar ré e quase bateu na caminhonete que vinha chegando.

Freando seco, pôs a cabeça para fora e viu Jesse saltando na neve e correndo em sua direção. Ele se movia com rapidez para um homem daquela idade.

-Jesse! Volte para a caminhonete. Estou indo para a cidade.

-Bud já vai estar fechado antes que chegue lá.

-O que fez com o Bourbon?

Jesse coçou a cabeça.

-Se bem me lembro, você o esvaziou já uns dois meses.

Edward fingiu não notar a censura nas palavras do homem mais velho.

-Alguém precisa colocar arreios na sua sela. Para começar, quer me dizer por que Bella voltou a chorar desoladamente? Até esta noite, ela estava indo bem. Até esta noite, você estava há vários quilômetros de distância. Não é preciso ser Sherlock Holmes para descobrir que temos uma ligação aqui.

-Não sabe nem a metade.

-Pois gostaria de saber – declarou Jesse, sereno. –É claro que sempre pode me mandar para o inferno. Vou obriga-lo a fazer isso um dia desses.

-Não diga isso – trovejou Edward. – Nem mesmo em brincadeira.

-Você é como um filho para mim. Eu amo você. Quando você sofre, eu sofro.

Edward sentiu os olhos se umedecerem.

-Eu amo você também. –Suspirou. –Pois bem, aí vai: o homem que engravidou Bella foi ao apartamento dela enquanto eu estava em Nova York. Ele quer se divorciar da esposa e se casar com ela.

Jesse franziu o cenho.

-Depois da forma como ele mentiu para ela, Bella disse que nem iria lhe contar sobre o bebê. Como ele descobriu?

-Não descobriu. Não está entendendo? Ele quer se casar com ela porque não pode viver sem ela. Devia tê-lo ouvido – grunhiu Edward, desolado.

-Contou isso a Bella?

Ele assentiu.

-E?

-Ela quis meu conselho sobre a melhor forma de entrar em contato com ele, sem magoar a família. Não surpreende ela estar tão mal agora.

-O que quer dizer?

-Tente ver sob o ponto de vista dela. Ela não sabia que ele ainda era casado quando começou a sair com ele. Ela provavelmente se sente mal por causa da esposa e dos filhos dele. E, quando eles descobrirem sobre o caso, vão pensar o pior dela. Mas ele é o pai da criança e a ama. Se ele está preparado para se divorciar da mulher para se casar com ela, e ela quer se casar porque o ama, então isso vai dar origem a novos problemas. Ela terá de dividi-lo com o resto da família. Naturalmente, eles vão se ressentir dela... Então, haverá a questão de onde morariam, todos esses detalhes que precisam ser resolvidos. Bella já tem muitos problemas...

quanto mais Jesse falava, Edward sentia a dor no peito crescer. Tentou não ouvir.

-Edward, o que foi? Por que isso importa tanto? É a vida dela. Você mais que cumpriu a obrigação que Rosalie lhe impôs quando mandou Bella para cá. Ninguém poderia ter feito mais do que você. Talvez seja hora de deixa-la partir e começar a pensar nas suas necessidades.

-De que diabo está falando?

-Pensei que já estivesse crescido para a lição dos pássaros e abelhas, mas... –Jesse encolheu os ombros -... estou falando sobre encontrar outra mulher para você, se casar, ter uma família.

Edward passou as duas mãos pelo cabelo.

-Tentei, lembra-se?

-E, enquanto durou, você foi mais feliz do que tinha sido a vida toda. Vai sentir aquilo novamente.

É exatamente isso, Jesse. Já estou sentindo. Esta noite, com minha própria cunhada! A irmã de Rosalie. A gêmea de Rosalie. Era grotesco. Errado. Uma traição a Rosalie e, ao mesmo tempo, uma traição à própria Bella.

-Vou partir pela manhã, Jesse. Vou procurar outra missão. Depois disso, terei algum tempo.

-Rob Miller, lá no Colorado, anda perguntando se você não quer ir esquiar cross-country com ele. Por que não aceita?

-Talvez aceite.

Jesse o fitou por um longo instante.

-Vai ficar bem aqui esta noite? Quer companhia?

-Não. Volte para Ida antes que vire um cubo de gelo.

Jesse sorriu e bateu em seu ombro.

-Jesse? –Chamou Edward, e o capataz se voltou.

-Guarde isso, Edward. Já sei o que vai dizer. Boa noite.

-Boa noite.

-Newton Textiles. Bonjour.

-Bonjour, madame. Poderia falar com monsieur Newton, por favor? –Perguntou Bella, em francês. –Estou ligando do escritório de monsieur Gide, em Nova York.

Bella não estava ligando de lá, naturalmente, mas presumiu que Mike saberia o motivo do telefonema e a perdoaria pela mentira.

A dor de ver Edward pegar a caminhonete para fugir da casa fora tão insuportável que ela não conseguiria dormir nem se sua vida dependesse disso. O relógio marcava três e dez da madrugada. Era meio da manhã para Mike, que não saía para almoçar antes da uma. Uma hora tão boa quanto qualquer outra para encerrar esse assunto.

Ela nunca devia ter mantido em segredo a notícia da gravidez. Se o tivesse intimado assim que soube, não teria de estar enfrentando isso agora. Cada passo que dera desde o dia em que Rosalie aparecera em seu apartamento fora errado, e a pessoa que mais sofrera fora Edward.

Mike nunca devia ter encontrado Edward, nunca devia tê-lo envolvido naquele caso vergonho...

-Mike Newton falando.

-Bonjou, Mike.

Ela o ouviu engasgar.

-Não diga mais nada. – antecipou-se Sílvia.- Está sozinho? Pode conversar?

-Sim. Só por um momento. É aniversário de Lauren. Já ia sair. Mon Dieu, Bella. Encontrar seu cunhado foi uma experiência inesquecível. Nunca imaginei que ele lhe daria meu recado. Minha impressão é que ele me queria do outro lado do mundo.

Ela agarrou o aparelho com mais força.

-A sua impressão foi correta – murmurou ela, seca. – Entretanto, Edward é um homem honrado. Ele sempre diz a verdade, nem que magoe.

-Mereci isso, chérie.

-Mike, já que não temos muito tempo, irei direto ao ponto. Não estou apaixonada por você. Senti atração, mas nunca foi além disso. Eu... eu encontrei outro homem – confessou, os olhos lacrimejantes. – Estou apaixonada por ele. O tipo de amor que dura para sempre. É o tipo de amor que sente por Lauren e que sempre sentirá.

O silêncio do outro lado da linha era total.

-Esse homem é o único com quem desejo me casar, com quem desejo passar o resto da minha vida. – Externou esses sentimentos pela primeira vez em voz alta. – O que me leva ao segundo motivo deste telefonema. Você mentiu para mim. Você me fez cometer adultério. Mas devo me responsabilizar por igual. Dormi com você sem nenhum tipo de compromisso. Era um risco, e sofri as conseqüências.

-Que conseqüências? –sussurrou ele.

-Vou ter um filho seu.

-Está grávida? –A voz dele tremeu.

-Sim. Devo dar à luz em fevereiro. Tive uma gravidez difícil, e esse foi o motivo de desistir de meu emprego com monsieur Gide. Mike, antes que diga alguma coisa, por favor, ouça. Você deu vida a meu bebê, mas o homem que amo salvou minha vida, e, por conseguinte, salvou a vida do meu bebê também. Esse homem já é mais pai do meu filho do que você jamais será, Mike. E... ele ama o meu bebê. – A voz de Bella estremeceu. – Ele pretende tomar parte na educação desta criança. E eu pretendo permitir-lhe isso. Contei-lhe a verdade. Era minha obrigação moral fazer isso. O que decidir fazer de agora em diante é problema seu. Meu conselho é que não diga nada agora. Quando o bebê nascer, vou informa-lo. Há muito tempo para você pensar seriamente no assunto.

-Mas se o bebê perguntar por mim algum dia? E se eu quiser ver a criança?

-Então, resolveremos isso. Naturalmente, contaremos a verdade à criança assim que for capaz de entender. Nunca manteria nossa criança longe de você. Só lembre-se de que esse bebê nunca vai querer nada de você. Há muitas pessoas aqui que o amam. Avós cuidadosos, e um homem que já assumiu o papel de pai. O bebê merece ter o amor e atenção completa deste homem todos os dias, da mesma forma que seus filhos tiveram a sua. Entende o que estou tentando explicar?

-Sim, Bella, eu... eu entendo. – A voz dele saiu entrecortada, dolorosa.

-Você e eu acabamos nos relacionando porque estávamos passando por um momento difícil de nossas vidas. Ambos sofremos perdas de algum tipo e encontramos conforto um no outro. Vamos reconhecer o que realmente aconteceu. Seja honesto consigo mesmo. Você amou Lauren no começo. Ainda ama, ou não teria mentido. Percebe? Se ela não importasse mais, você não teria tido o cuidado. Mas você realmente teve o cuidado. Você e ela ainda têm tempo juntos. Leve isso em consideração, Mike. Telefono em fevereiro. Adeus.

Resoluta, Bella desligou o telefone.

-Sei que farei o máximo durante o tempo que me resta – prometeu a si mesma, no quarto vazio. –Pelo tempo que Edward quiser me conceder. Pelo tempo que ele permitir que eu permaneça em sua vida.

Nessa noite, em pura revelação, Bella teve a certeza de que era isso o que Rosalie queria no fundo.

Mas era uma revelação concedida a ela somente, algo para alegra-la e que manteria perto de seu coração.

-Boa tarde, Mike. Que bom comparecer à festa de aniversário de sua mulher, ainda que atrasado.

Pelo vidro coberto de gotas de chuva, Mike vira George no pátio pavimentado de cascalho bem antes de abrir a porta e sair do carro.

Ergueu a gola do sobretudo e encarou o ex-secretário e amigo.

-Que bom de sua parte me substituir.

-Não se preocupe. Ela está acostumada com seus hábitos e não ficaria realmente transtornada, a menos que você decidisse não aparecer. Quando a deixei, estava no salão, mostrando a neta mais nova para os convidados. Então, como vai a americana?

Olhando para a fachada na mansão graciosa por cima do ombro de George, a casa da família, na qual ele e a esposa viveram todos aqueles anos, ele disparou:

-Na verdade, não é da sua conta. Mas, já que perguntou, vou lhe contar. Ela via em mim a figura paterna. Mais nada. Ela está apaixonada por outra pessoa. Planeja se casar com eles. Eles vão criar o meu filho.

Pela primeira vez, George perdeu o sangue-frio. Após um minuto, baixou o olhar.

-Nunca direi nada disso a Lauren .

Mike fechou a porta do carro e passou por ele. Pousou a mão sobre seu ombro umedecido pela chuva.

-O que você fizer ou deixar de fazer me é indiferente. Vou contar tudo a Lauren.

George parecia completamente chocado.

-Se ela puder me perdoar, então vou aceitar o conselho de uma bela jovem que me preveniu de cometer o maior erro de minha vida. Ela me lembrou de que ainda amo minha mulher. E eu a amo, sabe? –murmurou, fervorosamente. –E, se Deus quiser, farei o máximo nesses anos que restam a mim e Lauren.

Pela primeira vez desde que Mike o conhecia, George chorou.

Intrigado, Mike ergueu a cabeça.

-George, por que as lágrimas? Afinal de contas, é a você que devo agradecer por me chamar à razão. Pensei, naturalmente, que você iria tripudiar sobre meu estado miserável de alma pecadora.

-Tripudiar? –gritou o amigo. –Esperava que eu tripudiasse? –Balançou a cabeça. –Não entende nada? O que me contou me fez ter fé na humanidade novamente.

Mike suspirou com dificuldade.

-Só dei o primeiro passo. Não sei aonde isso me levará.

-O ponto é que você realmente deu o primeiro passo. –George agarrou seu braço e incentivou: -Belo feito, meu amigo. Belo feito.

Descer da maca de exames do dr. Harvey era um projeto que precisava ser detalhado com antecedência. Sem ajuda da enfermeira, Bella poderia ter caído de cabeça. Ela deu um largo sorriso à outra mulher e começou a se vestir.

-Venha, Bella – chamou o médico, poucos minutos depois, quando a viu sair da sala de exames. –Vamos conversar.

-Parece sério. – Ela se sentou à frente junto à escrivaninha.

-De certa forma, é. Tudo parece bem e a sua pressão ainda está normal. Mas, com o natal praticamente aí, você estará a menos de oito semanas da data esperada. Quanto mais perto do dia, mais freqüentemente preciso vê-la. West Yellowstone fica bem longe de Rexburg, ainda mais no inverno. Se entrar em trabalho de parto durante uma nevasca, nem quero pensar no que pode acontecer.

-Acha que o parto pode ser prematuro?

-Não. Mas não custa nada prevenir.

-Nunca havia me ocorrido.

Bella estivera tão desanimada com a ausência de Edward e a notícia dolorosa de que ele não poderia estar em casa para o Natal, que não pensara em mais nada. Todos os preparativos que fizeram, a decoração, a bela árvore de natal... E agora, ele nem estaria ali para ver tudo aquilo.

Ele se tornara seu mundo todo; entretanto, retirara-se para seu próprio mundo, deixara sua casa, sua vida, sua comunidade. E ela sabia por quê.

No último Natal, Rosalie estava viva. Ele provavelmente não podia encarar a fazenda nessa época do ano; havia muitas lembranças dolorosas.

Jesse e Ida tentavam tornar a ocasião festiva. Várias reuniões foram planejadas com vizinhos e amigos, entre eles Alice e Jasper. Com a ajuda de Bella, Ida fizera muita comida. Todos acabaram as compras e enviaram a Esme seus presentes, recebendo os dela em troca.

Bella finalmente decidira fazer uma meia de Natal decorada com um agente federal usando botas de caubói, a qual encheu com pequenos objetos pessoais que ela sabia que ele usava e gostava. Mas, sem ele ali, nada seria a mesma coisa. Nada estaria no lugar certo.

Freqüentemente, ele telefonava de Billings, dizendo que estava tudo bem. A espera entre as ligações era pura agonia.

-Por que não conversa com seu cunhado e vê se ele não pode esquematizar alguma coisa que nos deixe a todos menos nervosos? Talvez se você ficar na cidade algumas semanas...

Perdida em seus próprios pensamentos dolorosos, Bella não percebera que o médico ainda falava. Ante a sugestão, quis se inclinar sobre a mesa e abraçar o dr. Harvey. Finalmente, ela tinha um motivo legítimo para entrar em contato com Edward.

Desde que ele partira, escrevera-lhe dúzias de cartas, só para joga-las no cesto de lixo na manhã seguinte. Não tinha coragem de envia-las, não sem ele antes enviar a ela uma mensagem pessoal.

-Farei isso, doutor. –Esta noite.

-Ótimo. Vejo você na semana que vem.

Bella despediu-se e foi à recepção marcar outra consulta. Quando a viram, Jesse e Ida largaram as revistas e correram em sua direção, cheios de perguntas.

Os três subiram na caminhonete, mas, em princípio, Bella nem podia ver o carro. A neve se acumulava, e o estacionamento estava coberto por uma camada recente de neve. As preocupações do dr. Harvey começaram a parecer mais sérias.

Quando estavam na estrada, Bella lhes contou o que o médico dissera.

-Vou precisar entrar em contato com Edward imediatamente – finalizou.

-Isso é fácil, querida – comentou Jesse. – Escreva-lhe uma carta esta noite, e eu a levarei à cidade pela manhã. O escritório do xerife pode enviar via fax a Billings, e eles tomam as providências de lá. Edward deverá estar lendo a carta amanhã a noite.

Bella estava no banco de trás. Ao ouvir o plano de Jesse, afrouxou o cinto de segurança e se inclinou para a frente, com o bebê e tudo, para beija-lo na cabeça.

-Você é brilhante. E gentil. E maravilhoso.

-Está ouvindo, Ida?

-Já sabia disso bem antes de Bella aparecer na fazenda.

Bella voltou a seu lugar e recolocou o cinto, lembrando-se daquele primeiro dia como se tivesse acontecido em outra existência. Como se já não tivesse influência no presente.

-Digam-me uma coisa os dois – começou ela. – Quando perceberam que eu não era Rosalie?

Ida se virou para trás e sorriu.

-Não sei quanto a Jesse, mas quando a ajudei até o quarto e você disse: "Você e Jesse são uns anjos", pensei: essa não é a Rosalie que conheço. Não que sua irmã não fosse gentil e preocupada. Ela simplesmente não se expressava desse jeito.

Jesse assentiu.

-Ida tem razão. Sabia que alguma coisa estava errada quando lhe passei o controle remoto e você disse que detestava ter dado esse trabalho. A Rosalie que conheci teria dito: "Te devo uma, Jesse".

-Nós realmente somos diferentes... éramos diferentes – corrigiu-se Bella. Embora espantoso, o equívoco não lhe deu vontade de chorar. Podia dizer que já superara a morte da irmã. –Muitas pessoas que nos conheciam nunca puderam nos diferenciar.

-Provavelmente porque vocês eram muito chegadas no tempo da escola. Jesse e eu tivemos a vantagem de conhece-las separadamente. Se temos alguma lamentação, é de não tê-las visto juntas. Isso sim teria sido extraordinário!

Bella riu com gosto.

-Deixávamos todos malucos, sempre nos vestindo igual, brincando para fazer os outros de bobos. Rosalie planejava todas essas brincadeiras e me fazia participar. Ela ficava zangada comigo se eu não concordasse.

Jesse deu uma olhada nela pelo espelho retrovisor.

-Se se sentia mal, por que não se recusava?

Bella encolheu os ombros.

-Ela era minha irmã mais velha. Não se dizia não a Rosalie. Além disso, nos divertíamos tanto que eu me esquecia por que estava zangada com ela. Nada era mais excitante do que estar com Rosalie. Mas, de acordo com Esme, nós intimidávamos os meninos porque eles sentiam que não podiam competir conosco. Papai concordava com ela. Eles se preocupavam porque achavam que nós nunca encontraríamos homens a quem amássemos, ou cuja companhia nos divertisse mais do que a que uma fazia à outra.

-Eles não conheciam Edward – resmungou Jesse, a voz cheia de afeto.

Bella respirou irregular.

-Não.

A menção de seu nome pareceu colocar Ida e Jesse de um jeito reflexivo, e só conversaram trivialidades durante o resto da viagem.

Bella estava grata pelo silêncio. Queria tempo para compor a carta. Tinha tantas coisas para contar...

Hello guys

Vocês conseguiram hein

Então estou postando o capitulo 12 pq vcs merecem

No próximo capitulo, muitas emoções e coisas fofas

Obrigada a todas que comentários vocês são demais meninas