Capítulo 14

Ao saírem do consultório do dr. Harvey, Bella estava se sentindo quente, tanto que apenas jogou a parca sobre os ombros.

Edward lhe lançou um olhar.

-Se está quente, desligo o aquecedor.

-E você vai congelar. Não se preocupe comigo. Ultimamente fico quente sem nenhuma razão.

-Perguntou ao doutor sobre isso?

-Por Deus, não. –Ela sorriu secretamente, adorando a preocupação dele. –É normal.

-Como sabe?

-Porque li no livro que você me deu na semana passada.

Edward andara muito atarefado desde que voltara. A cada dia desde o ano novo, o quarto do bebê ficava cada vez mais apertado. Primeiro, veio o berço, depois os lençóis e cobertores. E, então, roupas, babadores, camisolas, tudo o que um bebê bem vestido estaria usando naquele ano.

-Enquanto estava fazendo o exame, verifiquei os apartamentos mobiliados e encontrei um que é bem apropriado para você. O marido foi transferido para a Costa Leste e eles tiveram de sair antes de o contrato acabar. Eu paguei a diferença. Podemos fazer a mudança no próximo fim de semana, quando você vier para sua consulta.

Bella tentou acalmar o pulo que sentiu no coração. Teria as últimas quatro semanas da gravidez para si mesma. Sabendo que Edward apareceria lá para visitá-la. Ficariam a sós. Era o que ela precisava, o que desejava.

-Posso ver?

-Vamos passar por lá. O casal que mora lá está meio atrapalhado, a esposa está de cama, gripada. Acho que eles não gostariam que os perturbássemos hoje mais uma vez.

-Então, não vamos. Posso esperar.

Tinham percorrido três quarteirões quando ele estacionou em frente a um prédio de tijolos.

-O apartamento fica atrás. Tudo parece muito seguro. Há uma garagem com tranca e um alarme contra roubo, e os proprietários, um casal de aposentados, estão sempre por perto.

Bella continuamente se maravilhava com a generosidade e preocupação de Edward, com a maneira com que cuidava dela.

-É uma casa adorável. Tenho certeza de que é perfeita. Então, acha que consegue ficar aqui por um mês?

-Claro.

-Ida está ansiosa para lhe fazer companhia.

-Ida precisa fazer companhia a Jesse. Ficarei bem, lendo, tricotando e assistindo a novelas.

-Aposto que, se pedir, Alice poderá vir e ficar nos finais de semana.

-Edward... Morei sozinha em Nova York por um ano.

-Não estava grávida, nem passando por um dos piores invernos do século.

Então, por que não se oferece para vir morar comigo?

Mordeu o lábio e olhou pela janela, desejando ter a coragem de dizer o que pensava.

Edward saiu de casa ao amanhecer, levantando a gola para proteger o nariz e a boca do frio. Durante a noite, a temperatura baixara para vinte graus negativos. Seus passos emitiam sons cortantes na neve congelada.

-Vai ter sorte se conseguir dar a partida na caminhonete – resmungou Jesse, através do cachecol de lã. – Quanto tempo vai ficar fora?

-Se não houver complicações, devo estar de volta depois de amanhã. Se alguma coisa me retiver, só no dia seguinte. Cuide para que Bella leve tudo o que precisa para as próximas quatro semanas.

-Vamos apronta-la.

-Avisei a Esme que a passagem dela já foi paga. Quando for a hora de dar à luz, tudo que precisaremos fazer é telefonar, e ela virá para cá em seguida.

-Bella sabe disso?

Edward abriu a porta do carro e subiu.

-Contei-lhe a noite passada.

-Ida a ouviu andando às três da manhã.

-Estava com dor nas costas e não conseguia dormir. – Edward girou a chave na ignição, até o motor pegar. – Fiquei com ela até a dor passar. – E conversamos sobre tudo, exceto sobre Mike Newton. – Ela finalmente adormeceu no sofá.

-É onde acaba dormindo todas as noites ultimamente.

-Não consegue respirar se ficar deitada.

-Não sei se eu conseguiria, tampouco, se estivesse carregando aquele peso.

Ao engatar a marcha, Edward lançou um sorriso maroto.

-Na carta, ela se referiu a si mesma como uma baleia encalhada.

Jesse riu.

-Suponho que se sinta assim mesmo. Mas não vai demorar agora.

Era isso o que preocupava Edward. Nas quatro semanas seguintes, mais ou menos, ele a teria sob suas vistas. Mas, assim que o bebê nascesse e nada mais a impedisse de fazer o que queria, tudo mudaria. Lá no fundo, sabia, e não havia nada que pudesse fazer a respeito.

-Outra grande nevasca deve cair esta noite.

-Não poderia ter planejado a coisa melhor, Jesse. Quando estiver de volta, você já terá tirado toda a neve.

-Por que você é que te de levar esse prisioneiro? Acaba de chegar da outra missão.

-Devo uma a A.J. pelas vezes que ele me substituiu enquanto estávamos esperando notícias de Rosalie.

Jesse estreitou o olhar.

-Edward, você está tão cansado quanto Bella. Espero que não seja contagioso.

-Nunca fui pai antes.

-Não é o pai, Edward.

Ele sentiu o coração falsear uma batida.

-Diga-me uma coisa que eu não saiba – disparou, e acelerou o suficiente para acordar um morto.

-Então, quando vai contar a ela que quer ser?

-Cuide de seus negócios idiotas, Jesse.

-Acontece que meu único negócio idiota é você. –rebateu o capataz. –Sei que está apaixonado por ela há meses.

-Não repita isso –sussurrou Edward.

-Rosalie se foi, filho. E parece que ela lhe deu permissão quando pediu a Bella que trocasse de lugar com ela.

-Por Deus, Jesse. –A voz dele tremeu de emoção. – Está ouvindo? Minha mulher mal foi enterrada... – Quase engasgou ao dizer essas palavras.

-Desde quando se importa com as fofocas? Seu casamento acabou há mais de um ano e, exceto pela aparência, Bella é tão diferente de Rosalie quanto o sol da lua.

Edward cerrou os dentes. Tinha de sair dali. Rápido.

-Não sei por que estamos tendo essa discussão. Newton está aguardando, só dando um tempo.

-Acho que não.

-Preciso ir.

-Está preocupado demais. Chame outra pessoa para essa missão.

-Saia do caminho, Jesse. Não me force a socar um homem velho.

-Bella? São quatro horas. Decidimos que seria melhor partir agora para a cidade ou pegaremos a tempestade. Tem certeza de que não quer que traga nada para você?

Bella saiu do quarto, ciente da pontada de dor nas costas. Esperava que a dor não voltasse com força total. O dr. Harvey a prevenira de que, nesse período tão próximo da data esperada, ela experimentaria várias dores e incômodos. Isso tudo significava que seu corpo estava se preparando para o grande evento. Não se atrevera a contar a Edward como as dores andavam fortes, ou ele teria entrado em pânico e a levado ao hospital.

-Não. Estou bem. Espero que haja uma carta de Esme.

-Eu também. –Ida acariciou seu rosto. –Parece meio quente.

-Estou sempre quente ultimamente.

O olhar de Ida não perdia nada.

-Jesse disse que as estradas estão limpas. Devemos estar de volta em uma hora e meia.

Bella caminhou com Ida até a porta dos fundos e os observou saírem com a caminhonete. Então, fechou a porta e trancou-a.

Era a hora perfeita para cuidar de umas contas menos complicadas que Edward lhe passara. Agradecida por ter com que ocupar a mente, foi até o estúdio. Agora, com os pés inchados todo o tempo, chinelos eram a única coisa que podia calçar.

Não havia trabalhado meia hora quando a dor nas costas aumentou dramaticamente, forçando-a a sair da cadeira. Surpresa com a intensidade, caminhou um pouco, esperando que a dor diminuísse. Mas só piorou.

Enquanto decidia se chamava o médico, o telefone tocou. Podia ser qualquer pessoa, naturalmente, mas sempre havia a possibilidade de ser Edward.

Toda vez que pensava nele, o coração disparava, deixando-a sem fôlego.

Não querendo perder a chamada, caso fosse Edward, apressou-se para atender. Mas não podia se movimentar com rapidez, e o aparelho tocou quatro vezes antes que o alcançasse, e a secretária eletrônica foi acionada. Esperava que a pessoa que estivesse chamando deixasse uma mensagem.

Apertou o botão para ouvir a mensagem gravada. A primeira coisa que ouviu foi a estática. Então: "Aqui é do escritório de Great Falls informando que o agente Cullen foi ferido em serviço. Ele está no hospital em Rexburg. Não temos informação sobre seu estado. Manteremos contato. Aguardem."

-Não! Edward! –gritou Bella na sala vazia. – Não posso perde-lo. Preciso de você. Eu amo você... Não posso viver sem você! Não pode morrer. Não vou permitir!

Procurando uma caneta, escreveu um bilhete, mas as mãos tremiam tanto que sua letra era difícil de decifrar: "Ida e Jesse, Edward está ferido. Ele foi levado ao hospital em Rexburg. Vou para lá com o outro carro. Venham rápido!"

Procurou pelas chaves que Edward mantinha na gaveta da escrivaninha, agarrou a parca, um par de botas e saiu apressada, sem se importar com nada a não ser sua necessidade de estar com ele.

O ar gelado invadiu-lhe os pulmões, fazendo-a engasgar. Mas conseguiu chegar à garagem onde o carro de Edward estava estacionado. No começo, o motor não queria pegar, o que a deixou ainda mais nervosa.

Mas sabia que, se entrasse em pânico, afogaria o motor. Por minutos, permaneceu agoniada, esperando, então, tentou novamente. Por fim deu a partida.

Estremecendo de alívio, pisou no acelerador e saiu de ré pelo caminho coberto de neve. Usou o controle remoto de Edwad para abrir o portão.

O céu escurecera, o que significava que a tempestade não tardaria. Mas as estadas não estavam tão ruins e praticamente não havia trânsito. Poderia ir a oitenta quilômetros por hora – não mais, ou perderia o controle do carro.

Assim que o aquecedor começou a despejar ar quente no carro, Bella tomou ciência de que a dor nas costas migrara para frente. Era como um anel de pressão que crescia rápido.

Toda vez que diminuía a velocidade para fazer uma curva, descobria que a dor era cada vez mais intensa ao tirar o pé do acelerador pisar no freio.

Certo momento, a dor foi tão intensa que teve de parar. Seu estômago estava duro como pedra e, literalmente, não conseguia se mexer.

Estava tendo a primeira contração.

Tinha de ser rebate falso. Não era época de o bebê nascer ainda. Quando a dor cedeu, estava ensopada de suor. Começou a dirigir novamente, mais devagar agora, porque a estada entrava na floresta, e a neve começara a cair.

Um carro passou por ela, o único carro que vira – piscando as luzes. Rapidamente ligou as luzes também. Em poucos minutos, tudo o que podia ver era a neve, caindo cada vez com mais força, por toda a volta.

Outra contração, que a paralisou. Não teve tempo de se encostar. Sentiu uma pontada aguda e a bolsa d'água se rompeu.

Um líquido morno se espalhou por todo o assento, molhando-lhe as costas, escorrendo pelas pernas. Estava em trabalho de parto. Nunca se sentira tão desamparada na vida. O bebê estava chegando e Edward podia estar morrendo.

Por favor, Senhor. Não o deixe morrer. Ajude-me. Ajude meu bebê. Por favor.

Precisava pensar. A pequena cidade de Island Park ficava a uns quinze quilômetros dali. Podia chegar lá. Tinha de conseguir. Tinha que conseguir ajuda.

Esforçando-se para se controlar, engatou a marcha e saiu mais uma vez, rezando para que as contrações se retardassem.

O pára-brisa era açoitado pelo vento que trazia neve fresca. Se alguma coisa acontecesse aos limpadores, não conseguiria mais dirigir. Por favor, não permita que nada aconteça aos limpadores.

Outra contração. Freou o carro e gemeu bem alto, atormentada pela intensidade e duração da dor. Quando a crise amainou, estava novamente ensopada de suor.

O tempo entre as contrações estava diminuindo.

Dirigiu mais rápido, sabendo que tinha de compensar o tempo perdido. Oh, Edward, por que deixei que partisse sem saber o quanto o amo?

Com os olhos grudados na estrada, não percebeu um alce até que ele apareceu na frente do carro. Tirou o pé do acelerador e freou, mas era tarde demais. Houve um baque e o carro escorregou para fora da estrada, encalhando no acostamento.

Tudo ficou quieto.

Outra contração começou. Ela estava ali sentada, fraca demais para se mexer, gemendo devido à força incrível que os músculos trabalhavam para expulsar o bebê de se corpo.

Não conseguia se mexer, nem para sair do carro e ver se o pobre alce jazia na estrada ou não.

Novo terror se apoderou de seu coração. Se alguém passasse e batesse no corpo do animal, haveria outro acidente. Ligou as luzes de alerta, rezando para que, se o alce estivesse na estrada, que estivesse morto. Não podia imaginá-lo sofrendo.

Não podia suportar perder Edward.

-Rosalie-Louise –gemeu ela -, o que fez você querer nascer neste momento? Por favor, Senhor, ajude-me.

Outra contração enrijeceu seu útero e ela perdeu todo o senso de tempo e espaço. Quando terminou, estava zonza de cansaço.

Seu corpo inteiro tremia. Ligou o motor e tentou colocar o carro de volta na estrada, mas os pneus giravam em falso. Estava atolada.

Uma tartaruga de costas, pensou histérica. Tenho de sair do carro e chamar a atenção de algum motorista.

Mas só vira um carro. Quem em perfeita saúde mental sairia com aquele tempo? E se ninguém aparecesse?

Tinha de ajudar a si mesma. Ela e o bebê teriam de fazer tudo sozinha. Precisava passar para o banco de trás, onde havia mais espaço.

As contrações estavam mais próximas umas das outras. Se esperasse mais, não conseguiria sair de trás do volante.

Precisava se mexer agora!

Por favor, Senhor, me dê força para fazer isso. Mantenha Edward vivo para nós.

Quando Edward passou por Island Park, a droga já não fazia mais efeito. O supercílio esquerdo palpitou sob o curativo. Recusara-se a tomar anestésicos, pois queria estar alerta para voltar para casa.

Cuidadosamente, tateou as bordas do ferimento. Um segundo antes de a faca o atingir, fora capaz de se desviar antes que um estrago real fosse feito.

Quando pensou nos dois bandidos que tentaram libertar o prisioneiro, sem sucesso, um sorriso feroz surgiu em seu rosto. Não tinham chegado nem perto.

Era bom saber que mais três estavam fora de ação. Era muito bom.

Mas quando aquela faca passou raspando por seu olho, percebeu que um dia uma bala com seu nome fatalmente o atingiria. Não estava preparado para isso. Alguma coisa muito mais importante o aguardava em casa. Alguém de importância vital para ele. Estava cansado de lutar pela segurança de outras pessoas. Era hora de começar a lutar pelo que ele queria.

Pegando o telefone do carro oficial, ligou para a fazenda provavelmente pela vigésima vez, mas a secretária eletrônica continuou atendendo. Ida devia ter ligado o aparelho porque Bella estava dormindo.

Não conseguira pegar ninguém no telefone da caminhonete tampouco. Com aquele tempo, Jesse devia estar em casa. Imaginou se valia a pena tentar mais uma vez na esperança de pegá-lo trabalhando na garagem.

Após a primeira chamada, a ligação se completou e ele ouviu:

-Edward? É você? –o tom assustado de Jesse o deixou preocupado.

-Sou eu. O que...

-Graças a Deus!

-Você está bem? –gritou Ida no aparelho.

-Alguém pode me dizer o que está acontecendo?

-Pare de se fazer de herói e nos conte a gravidade do ferimento. –Jesse tomou a palavra novamente. – Sabemos que está no hospital.

Edward agarrou o volante.

-Estive lá para fazer um curativo, mas já estou indo para casa. Passei por Island Park há cinco minutos. Como souberam?

-Ouça, nós fomos à cidade há poucas hoeras e, quando voltamos, Bella não estava mais aqui.

Não estava?

Edward sentiu um golpe. Não. Isso não pode estar acontecendo.

-Ela deixou um bilhete dizendo que você estava ferido e que estava no hospital em Rexburg. Ela pegou o seu carro, pedindo para nos apressarmos também.

Bella foi atrás de mim porque eu estava ferido? Edward balançou a cabeça, tentando entender.

-Isso significa que ela está na estrada agora!

A tempestade requeria toda a sua atenção. Quando pensou nela, grávida, sozinha no carro, sentiu o coração falhar.

-Graças a Deus você ligou, Edward. Estamos indo atrás dela. Você está indo em sua direção pelo outro lado. Quem a encontrar primeiro avisa o outro.

-Só passei por um carro. – Esforçou-se para se lembrar. – Não, não era o meu. – Que idiota telefonou para casa e a avisou? Deve ser um novato, estúpido demais para saber que isso não se faz. Era esse tipo de coisa que estava tentando evitar. Quando colocar as mãos no responsável...

-Calma, filho.

-Se alguma coisa acontecer com ela... – Parou no meio da frase. Podia ver luzes à frente à esquerda, mas não estavam se aproximando. Mais alguns metros e viu um carro preso na neve no acostamento. Era o seu carro! – Eu a encontrei, Jesse!

-Graças a Deus – ouviu a voz de Ida.

-Ela saiu da estrada. Bateu em alguma coisa. O carro está atolado. Estou a dez quilômetros ao norte de Island Park e vou parar do outro lado da estrada. Vou falar com ela e ver se está bem. Ligo depois.

-Certo.

Edward freou o carro e saiu. A neve já se acumulava sobre o carro, cobrindo as janelas.

-Bella? –Bateu no vidro; então, abriu a porta, esperando vê-la no banco da frente. Bella?

Ouviu um lamento de dor.

-Ajude meu bebê. Alguém, por favor, ajude meu bebê. Ela não está respirando.

Edward não se lembrou de acender a luz do carro, nem de abrir a porta de passageiros. Mas, pelo resto da vida, nunca esqueceria sua corajosa Bella, deitada, nua da cintura para baixo, o material pós-parto já expelido, e o recém-nascido ainda envolto em líquido amniótico e sangue, enquanto ela tentava desesperadamente insuflar-lhe vida.

-Estou aqui, querida. Deixe comigo. – Ele foi para seu lado, pousando um pé no chão do carro. Com a outra perna, apoiou-se no banco, de modo que pudesse pegar o bebê com firmeza.

-Edward – gemeu Edward, fraca. – Você veio... Mas como você pôde... estava com medo de perder você... estava no hospital... Meu bebê...

-Não fale, Bella. Guarde suas forças.

Ele ergueu o bebê com cuidado, ciente de que o cordão umbilical ainda precisava ser cortado. Introduzindo o dedo na boquinha da criança, sentiu o local, limpando a passagem da garganta, que estava cheia de fluido.

Quando acabou a limpeza, aninhou o bebê na mão, seus pezinhos contra o próprio tórax, e insuflou-lhe ar pela boca e pelo nariz. Os pequenos pulmões se encheram, mas ela ainda não respirava sozinha. Com dois dedos, ele a tateou até encontrar seus rins, e então os pressionou.

-Um, dois, três, quatro, cinco.

Repetiu o processo três vezes, então a pegou pelos calcanhares, segurando-a de cabeça para baixo.

-Vamos, Rosalie-Louise. –Deu-lhe um tapa. – Chore por mim, doçura. Vamos. Pode fazer isso por mim.

Bateu mais uma vez. Houve um balbuciar. Então, ela soltou um choro rico. Foi o som mais lindo que ele já ouvira. Ante seus olhos, viu o pequeno corpo perfeito se encher de vida.

O bebê parecia zangado com a dor que ele lhe infligia e gritou, protestando veementemente.

Edward deu vivas de pura alegria. O choro de satisfação de Bella se misturou ao seu, e ela começou a soluçar.

-Deixe vê-la. Deixe-me ver minha menininha.

-Aqui está ela – sussurrou Edward, as lágrimas escorrendo pelo rosto. -, tão ansiosa quanto a mamãe.

Aninhou a cabeça e o pescoço da criança em uma mão, enquanto lhe baixava os calcanhares com a outra, passando-a para os braços de Bella. Quase imediatamente o bebê reagiu, mais tranqüilo.

-Você é linda – murmurou Bella, espantada. – Tão perfeita. - Enquanto falava, o bebê emitia pequenos ruídos que a atingiam no coração. – Não acredito que ela esteja aqui, que ela esteja viva. – Edward ergueu o olhar. Estavam mais brilhantes do que nunca. –Agradeço a Deus por ter você.

Edward não conseguia encontrar palavras. Sem perceber, inclinou-se e a beijou ternamente.

-Este é o momento mais importante da minha vida – sussurrou, contra seus lábios.

Relutante, ele ergueu a cabeça.

-Agora, vou cortar o cordão e aquecer as duas.

Enquanto ela embalava o bebê, ele cuidou do cordão umbilical; então, retirou o casaco forrado de peles, desabotoou a camisa de flanela e tirou-a.

-Vamos embrulhar o bebê, assim ela vai continuar quente e confortável. Isso. Agora, vamos cuidar de você.

Viu a parca no chão do carro, agarrou-a e cobriu as duas. A seguir, com o outro casaco, cobriu os pés e pernas de Bella.

-Vou ligar o carro, assim o aquecedor vai funcionar. Em seguida, vou chamar uma ambulância.

-Nós já chamamos, já que você não telefonou dizendo que estava tudo bem – informou Jesse, por trás dele. – Deve chegar em poucos minutos. Conversamos com o dr. Harvey também. Ele vai nos encontrar no hospital. Bem como o pediatra. Você toma conta de Bella e do bebê. Eu cuido do resto.

-O alce morreu? – perguntou Bella.

-Foi isso que causou o acidente – resmungou Edward. – Não vi nenhum sinal dele.

-Espero que não esteja sofrendo por aí.

Edward não sabia que podia amar tanto uma mulher. Depois do que passara, ela estava se preocupando com um alce...

-Tenho certeza de que não – garantiu, emocionado. – Não amassou muito o carro.

Foi uma noite de milagres.

Em segundos, Jesse e Ida ligavam o carro para que o aquecedor começasse a funcionar. Ida se ajoelhou no banco da frente para olhar para trás.

-Veja só!

-Ela é linda, não é, Jesse?

Edward estava pensando a mesma coisa de Bella, cuja pele pálida irradiava alegria. Não conseguia tirar os olhos dela.

-É mesmo, querida. E você também.

-Amém. – completou Jesse.

Pessoas, desculpem a demora pra postar esse capitulo.

Sábado eu passei o dia e a noite fora cheguei em casa as 2h da manha nem sentindo meus pés, tava morta e fui direto pra cama minha amiga dormiu aqui e passei o dia com ela ontem. Hoje meu irmão tomou conta do PC e so saiu na hora em que domos (eu e minha)leva-lo na rodoviária e depois eu fui na casa de minha madrinha.

Adorei os comentários, obrigada meninas e eu pensando que eu não ia conseguir chegar aos 100 antes do fim da Historia.

Agora tem mais dois capítulos apenas mais eu to pensando em adaptar outra historia. O que vcs acham

Comentem e me digam se vcs leriam e o vçs acharam do capitúlo!