Capítulo 15
Quando o pediatra entrou na área de espera do hospital, Edward se levantou, junto com Ida e Jesse, todos ansiosos ao máximo. A qualquer minuto, esperavam que o dr. Harvey lhes dissesse como for a cirurgia de Bella. Ela sofrera no parto e precisava de cuidados.
-Sr. Cullen? Sou o dr. Rich. –Estendeu a mão. – Soube que foi o senhor que chegou na hora certa e fez o bebê começar a respirar. Um trabalho delicado sob aquelas circunstâncias e que teria assustado qualquer um, mesmo um profissional treinado. Meus parabéns.
Edward apreciou o elogio, mas precisava saber se o bebê ficaria bem.
-Qual é o veredicto?
-Está tudo no lugar. –Sorriu. –Até onde posso dizer, ela está reagindo como um bebê normal. Os pulmões estão bons, a cor também, tem bom tamanho e está com fome. Se continuar assim, não vejo por que não possa ir para casa com a mãe em poucos dias.
-Edward! –gritou Ida, de alegria e o abraçou.
Edward soltou um suspiro de alívio como o brilho do sol após um dia chuvoso.
Jesse perguntou, emocionado:
-Quanto ela pesa?
-Três quilos e duzentos e cinqüenta gramas. E tem cinqüenta centímetros.
Jesse socou o braço de Edward, o rosto aliviado.
-Quando poderemos vê-la?
-Podem ir lá agora mesmo e olhar pela vitrina do berçário. Boa noite. Chamem-me se tiverem dúvidas.
Edward agradeceu, enquanto Ida e Jesse cumprimentavam o médico com afeto.
-Vão vocês, estarei lá num minuto. Vou esperar o dr. Harvey aqui.
A caseira pousou a mão gentilmente em seu braço.
-Sei que está ansioso por Bella. Mas, mesmo que tenham acabado, ela vai ficar um pouco na sala de recuperação. Pode ser uma espera longa.
Jesse puxou a esposa.
-Vamos, bem. Já vi esse olhar em Edward. Ele não vai arredar pé.
Edward lançou um sinal particular de gratidão a Jesse e se sentou, cruzando as mãos entre os joelhos. Havia um ar de irrealidade pairando naquela noite, como um sonho muito nítido. Lembrou-se do olhar de Bella, tão assustada porque o bebê não estava respirando. Então, depois, tão corajosa e bonita, pálida de cansaço, e ainda brilhando de alegria. Precisava vê-la. Precisava tocá-la, abraçá-la.
-Edward?
A voz do dr. Harvey o arrancou das divagações.
-Como ela está?
-Ela vai ficar bem. Vão levá-la para o quarto dentro de instantes. Verdade que você esteve na unidade de emergência há pouco?
-Foi só um corte.
-Faria um favor para mim, agente?
-O que é?
-Acompanhe-me ao reservado dos médicos e descanse um pouco. Prometo que mando uma atendente chamá-lo assim que Bella estiver no quarto, acordada. Ela passou por uma grande experiência esta noite. Precisa descansar. E você também. Que tal?
Se não se sentisse como se fosse apagar a qualquer momento, Edward teria resistido.
Bella sabia que era dia, embora as persianas do quarto estivessem fechadas. Sabia que enfermeiras haviam entrado durante a noite, verificando sua temperatura e pressão arterial, além de ajeitar seu travesseiro. O d. Harvey fizera suas visitas também. Mas a exaustão era total, e o anestésico que lhe tinham dado já não fazia mais efeito.
Abriu um pouco mais os olhos quando uma enfermeira que não conhecia entrou no quarto.
-Oi, Bella. Meu nome é Geórgia e vou cuidar de você hoje. Ainda sente dores?
-Não. Diminuíram, graças a Deus.
-Ótimo. Mas aposto que os pontos estão começando a doer novamente. Vou dar alguma coisa para isso daqui a pouco.
-Não sei o que dói mais. E preciso ir ao banheiro.
-Não me surpreende. Vou mostrar como se faz para sair da cama. Um banho iria fazê-la se sentir melhor também.
Bella não achava que estava pronta para um banho, mas não queria que Edward a visse parecendo uma bruxa.
Desviou o olhar.
-Meu cunhado já veio?
-Não. Mas sei onde ele está. Disseram-me que ele está no reservado dos médicos, descansando. Quando quiser, vou chamá-lo. Podem almoçar juntos, se quiser. Então, traremos seu bebê da enfermaria.
-Não posso esperar!
-O dr. Harvey disse que você pretende amamentar. Depois de receber sua visita, ajudarei você a dar início à amamentação.
A experiência passada na meia hora seguinte era algo que Bella não gostaria de repetir. Ao voltar para a cama, porém, com o cabelo lavado, usando uma leve maquiagem e uma camisola hospitalar limpa, admitiu que se sentia muito melhor. Mas fora um grande esforço, e se recostou contra o travesseiro, exausta.
-Olhando-a agora, ninguém imaginaria onde estava e o que fez na noite passada. –incentivou a enfermeira.
-Eu mesma mal posso acreditar – murmurou Bella, com um sorriso, cansada demais para abrir os olhos.
-Aqui tem um suco de frutas. E tome este comprimido junto. Agora, vou providenciar seu almoço e então tentar localizar seu cunhado. Ele é o grande herói por aqui.
Sempre seria o herói de Bella.
Antes de vê-lo, no entanto, precisava telefonar para Mike. Ele tinha o direito de saber que a filha acabara de nascer, e aquela era a hora perfeita, sem ninguém por perto.
Pegou o telefone e fez uma chamada a debitar no cartão de crédito. Não demorou para o telefonista internacional conseguir o número do escritório de Mike em Nice e completar a ligação.
Sílvia temia que ele pudesse estar fora, ainda almoçando, ou em uma reunião. Aliviada, descobriu que ele estava lá.
-Bella? Não esperava seu telefonema senão em fevereiro. Algum problema?
-Não. O bebê nasceu prematuro. Ela é linda – informou, num rápido francês, e percebeu que ele se emocionava enquanto ela contava o máximo possível para satisfazer sua curiosidade. – Prometi que lhe telefonaria quando ela nascesse. Preciso saber o que decidiu. E gostaria de lhe contar o que eu estou preparada para fazer.
Edward seguiu para o quarto tão excitado que pensou que fosse sair da própria pele. Graças a Jesse e Ida, que deixaram o hospital na noite anterior para fazer algumas compras e reservar-lhe um quarto num hotel, pôde ir lá pela manhã, tomar banho, barbear-se e trocar de roupa. A noite bem dormida o rejuvenescera.
A porta estava apenas encostada. Ergueu a mão para bater; assim, não a assustaria, mas não completou o movimento.
Parecia perseguição. Ela estava na cama, falando em francês com sua voz rouca e suave. Tinha o rosto voltado para a janela, de modo que não podia vê-lo.
Ele, entretanto, podia vê-la e ouvi-la. Não entendia as palavras; mas certamente captava o sentido delas. A conversa era em voz baixa e íntima. Sem querer, arranhou-se nos espinhos das rosas vermelhas de haste longa que carregava, sangrando um pouco.
Bella tinha todo o direito de falar com quem quisesse. Todo o direito do mundo. Só não esperava que ela telefonasse tão rápido para Mike.
A noite anterior tivera aquele toque de milagre. Hoje, porém, a realidade se impunha. Parecia agora que o milagre acontecera somente para ele.
Tinha de sair dali.
-Edward! Espere!
Ela o vira.
Continue andando e não olhe para trás.
De repente, ouviu um grito desesperado.
Bella?
Voltando-se, retomou o rumo do quarto, inconsciente do fato de ter largado as rosas. Do extremo do corredor já vinham correndo mais funcionários.
Bella sorriu quando ele entrou, satisfeita em ver que ele empalidecera, informando-lhe tudo o que ela queria saber.
-Bella? – O peito dele inflava de medo e esforço. – O que foi?
-Tudo. – respondeu ela, tranquila em sua posição meio sentada na cama de hospital. – Já que não veio quando chamei, tinha de fazer alguma coisa. Feche a porta e não deixe ninguém entrar.
A expressão chocada dele seria cômica se a situação não fosse tão comovente.
-Não preciso de ajuda. Preciso de você – declarou ela. –Diga-lhes que podem ir.
Forçado a pensar rápido, Edward ficou junto à porta para encarar duas enfermeiras apreensivas.
-Está tudo bem. Ela pensou ter visto uma aranha.
-Uma aranha? Ali? – duvidou uma delas, rindo e voltando ao trabalho.
Edward fechou a porta, e então se voltou para Bella, a expressão sombria.
-Quer me dizer o que foi isso tudo?
-Quer me dizer por que me ignorou quando o chamei? – disparou ela, notando o pequeno curativo em seu supercílio. Perguntaria depois sobre aquilo.
Ele estreitou o olhar sobre sua boca.
-Você estava ocupada.
Ela estudou seu semblante por um segundo.
-Eu estava falando com Mike.
-Calculei que sim – declarou ele, amuado.
-Como soube que não era Esme?
-Porque telefonei a ela pouco antes de vir para o seu quarto. Disse-lhe que você ligaria depois, quando estivesse acordada.
-Obrigada. Eu queria ter feito isso, mas o telefonema para Mike era prioritário. Prometi informá-lo assim que ela nascesse. Ele é o pai natural da criança.
Ele desviou o olhar. Não sabia que ela podia ser tão cruel.
-Acha que precisa me lembrar disso?
-Sim. – A voz dela ficou trêmula, então tomou força. – Veja, ele concordou em desistir de todos os direitos porque... porque eu lhe disse que você queria ser o pai de Rosalie-Louise.
O sangue batia tão forte em seus ouvidos que ele não tinha certeza do que acabara de ouvir.
-Você quer, não quer? –os olhos, a voz, o corpo inteiro dela implorava uma resposta. –Contei a ele que você ganhou esse direito quando pus os pés em sua fazenda. O problema é que Rosalie-Louise é um pacote. Se a quiser, vai ter de ficar comigo também.
-Sabe o que está dizendo? –replicou ele.
Ela estreitou os maravilhosos olhos verdes sobre ele.
-Certamente, você sabe como me sinto. Mas você amava Rosalie desesperadamente. Sei disso, e eu... eu tinha medo de que seu amor por ela não permitisse que você enxergasse tudo o que poderíamos ter juntos. – As lágrimas começaram a rolar por seu rosto, mas não se incomodou em enxugá-las.
-Quer saber a quanto tempo a tenho desejado? – Num movimento repentino, ele se aproximou da cama e tomou-lhe o rosto emocionado nas mãos. – Quer saber a quanto tempo venho me atormentando por ter me apaixonado por minha própria cunhada? A irmã gêmea de minha mulher?
Ela sentiu que ele estremecia.
-Quer saber como cheguei perto de realmente prejudicar Mike? Quer...
Ela balançou a cabeça, então ergueu os braços e envolveu seu pescoço, trazendo-o para si.
-Beije-me, Edward... querido. Beije-me de verdade. Não posso mais esperar.
Edward a viu oferecer os lábios, e se perdeu completamente. Aquela reação respondia a todas as perguntas. Perdeu-se em seus carinhos. De repente, a boca de Bella só não bastava. Precisava sentir sua pele, seus olhos, a curva doce de seu pescoço onde cachos ruivos se colavam à pele.
-Case-se comigo assim que voltarmos para a fazenda – sussurrou contra seu ouvido. –Não posso levá-la para casa a menos que saiba que estará na minha cama todas as noites.
Bella o beijou novamente, longa e apaixonadamente, não querendo que o êxtase tivesse fim.
-Talvez possamos nos casar na capela do hospital – sussurrou ela, finalmente. – Mas acho que devo preveni-lo de que não poderei... dormir com você nas próximas seis semanas.
Edward gemeu e ergueu a cabeça, fitando os olhos verdes brilhantes.
-Fala isso para me torturar?
Bella sorriu-lhe.
-Não. O dr. Harvey fez o comentário esta manhã. Ele já percebeu, sobre nós, há muito tempo.
-Seis semanas. Vou precisar negociar isso com ele.
Bella suspirou e fechou as pálpebras pesadas.
-Faça isso, querido. – Recostou-se contra os travesseiros, sem forças. – Adoro a forma como cuida dos problemas. Adoro o jeito que me adora e ao bebê. E amo você. Nunca me deixe. Te amo, te amo, te... –A voz foi se apagando.
Que lindoooo 121 comentários, vcs são realmente demais .Então, penúltimo capitúlo! Me digam o que vcs estão sentindo com esse fim. Eu to pensando em qual história eu vou adaptar depois dessa, acreditem eu tenho muita hostoria. Leio milhares desses livros por semana. Vou procurar a melhor ok?
Ahh, ia esquecendo, estou escrevendo um short fic, é uma historia meio clichê mais eu to gostando de do que to escrevendo e isso é raro. Vcs leiam?
