Capítulo 16
Uma leve batida na porta do quarto de hóspedes pôs em alerta a cadelinha que Taylor Burton lhes dera: Valentine dormia sobre um tapetinho ao lado do berço.
-Bella? –sussurrou Ida, abrindo a porta. –Quieta, Val! –Acalmou a cadelinha. –Tem visita. É Alice.
-Oh, ótimo! Estava esperando que ela aparecesse.
Bella já estava em casa havia quatro semanas e não tivera notícias da amiga.
-Peça-lhe para entrar. Acabo de dar banho no bebê. Alice poderá coloca-la para dormir.
Alice, emocionada, abraçou Bella rapidamente e ficou louca por Rosalie-Louise. A mulher sentia falta de bebês. Bella imaginou se ela já considerara adoção. Seria maravilhoso criarem os filhos juntas. Um dia, discutiria esse assunto com ela.
-Desculpe pelo bebê estar dormindo. Não pode saber a personalidade terrível que ela tem a não ser com os olhinhos abertos.
Alice riu.
-Falas de mãe. Oh, Bella, ela é tão preciosa. Teria vindo antes, mas Jasper e eu fomos passar as férias com os pais dele em Boise. Chegamos ontem. Foi quando soube das novidades. É verdade que Edward salvou a vida do bebê?
-Sim. – Bella piscou para limpar as lágrimas. – Meu cavaleiro em armadura brilhante. Sou a mulher mais sortuda do mundo.
A amiga a estudou o um momento.
-Você está... radiante. Como uma mulher escondendo um segredo maravilhoso.
Bella começou a se sentir nervosa.
-É porque tenho um. Venho mantendo em segredo até que pudesse contar a você.
-Nao está brincando, está?
-Não.
-Conte-me.
-Vai me odiar.
- Bella, nao está sendo sensata.
-Que diria se lhe contasse que eu e Edward nos casamos antes de eu sair do hospital?
Alice a fitou com expressão chocada.
-Está brincando – sussurrou.
-Não – murmurou Bella, ressentida por sua reação.
-Oh, nossa. Preciso ir, mas vou voltar.
-Alice? O que foi? Aonde você vai?
Mas a amiga já estava a meio caminho da porta.
-Não vou demorar, prometo. Onde está Edward?
-Saiu para fazer umas tarefas caseiras.
-Diga-lhe para voltar. Prometa-me que estarão os dois aqui quando eu voltar. Dê-me meia hora, certo, certo?
-Prometo – obedeceu Bella, balançando a cabeça.
Ficou um pouco junto ao berço, observando a filha dormir, todo o tempo tentando entender o comportamento bizarro de Alice.
Finalmente, desistiu, beijou a testa do bebê e apagou as luzes, saindo na ponta dos pés.
-Aonde pensa que vai? –A voz grave de Edward soou na escuridão.
Bella sentia um sobressalto no coração sempre que percebia sua presença. As mãos dele a tomaram por trás, acariciando seus quadris e estômago, enviando uma mensagem íntima de desejo. Ela soltou um suspiro leve.
Na noite passada, após Edward lhe contar que desistira do trabalho de agente para se tornar fazendeiro em tempo integral, fizeram amor pela primeira vez; então, prometeram um ao outro que não aconteceria novamente até que ela visitasse o médico.
Mas ambos sabiam que estavam mentindo. Não podiam esperar para quebrar a promessa, vezes sem conta.
-Não podemos, querido – ela estava sem fôlego. – Alice vai voltar em cinco minutos.
-Preciso...
-Que Deus me ajude, eu também.
Ele a virou entre os braços, adorando seu gemido baixinho de rendição quando a beijou.
Bella ouviu uma batida na porta do quarto principal.
-Alice está na sala de estar. Jesse acendeu a lareira.
Ela parou de beijar Edwad.
-Obrigada. Estaremos lá em um minuto. Apresse-se, querido. – sussurrou, esforçando-se para fechar o zíper dos jeans. –Oh, nossa.
Edward lançou-lhe um sorriso de tirar o fôlego e vestiu um suéter colorido sobre a camisa.
-O que Alice está aprontando?
-Não sei, mas não vamos deixá-la esperando.
Bella foi para a porta, mas ele a puxou por um momento para beijá-la ardentemente na boca. Então, foram juntos para a sala de estar.
Alice os fitou como se fosse a primeira vez que os via.
-Entendo que é hora de cumprimentos, Edward. Não poderia estar mais feliz por vocês.
Ele a abraçou, então tomou uma expressão preocupada.
-Mesmo desaprovando? – indagou ele, tranqüilo.
- Edward, essa pergunta me ofende. Tinha esperança de que vocês acabassem juntos. Estava mesmo aguardando.
Ele ergueu uma sobrancelha escura.
-Você e Rosalie eram muito chegadas, Alice. Teria todo o direito de achar que nós traímos sua memória. Bella e eu sabemos que, assim que nosso casamento se tornar público, haverá comentários negativos. Mas podemos lidar com isso, exceto de amigos chegados.
Enquanto Alice permanecia ali, observando-os, uma tensão estranha, quase palpável emanava dela.
-Preciso contar uma coisa a vocês. Acho melhor se sentarem.
Preocupada com a mudança na amiga, Bella automaticamente agarrou-se ao marido, que a levou consigo para o sofá.
Alice permaneceu de pé.
-Não estaríamos tendo esta conversa se Bella não tivesse me contado que vocês estavam casados. Isso me alivia de uma grande carga.
-Carga? –repetiu Edward. – De que está falando? O que quer que tenha a dizer, diga logo.
Bella sentiu que ele apertava sua mão, enquanto Alice revelava:
-Rosalie mentiu quando disse que passou a noite comigo naquela ocasião.
Era como uma bomba explodindo.
Bella não tinha certeza se queria saber e começou a se levantar, mas Edward a manteve e disse a Alice para continuar.
-Ela nunca foi a West Yellowstone. Ao invés disso, foi dirigindo até o hospital universitário em Salt Lake para consultar um médico sobre sua visão borrada, o que, naturalmente, nunca contara a ninguém. Fizeram exames e descobriram um tumor maligno no cérebro, inoperável, que a mataria dali a seis meses ou um ano, no máximo.
-Ela foi a Salt Lake... – sussurrou Sílvia, sofredora. – Por que não pensamos nisso?
-Mais especificamente, Alice, por que não me contou? – Edward a olhava acusador.
-Por favor, me deixem acabar. Então, podem fazer as perguntas que quiserem.
Bella reconfortou Edward ao sentir que ele estremecia.
-Não sabia de nada disso até que ela me ligou de Salt Lake e me deu as notícias lamentáveis. Ela não queria que você soubesse de nada até que tivesse tempo para pensar. Fez-me com que prometesse não contar nada e me pediu que lhe fornecesse um álibi. Poucos dias depois, foi à loja e disse que continuaria a manter tudo em segredo e, se eu realmente a amava, era uma coisa que deveria fazer por ela antes que morresse.
Bella assentiu, triste.
-Sei como Rosalie era persuasiva. Ela me convenceu a trocar de lugar com ela e vir para cá.
-Foi um período péssimo para mim, vê-la afastar todos vocês, retirando-se assim da vida. – admitiu Alice, os olhos marejados fitando Edward. – Posso imaginar como foi para você. Tinha esperança, rezava para que um dia ela fraqueasse e o procurasse para reconfortá-la. Discutimos sobre esse assunto. Ameacei quebrar minha promessa, mas na última hora não consegui. Depois disso, ela partiu. Nunca mais a vi. Então, um dia, isto chegou pelo correio. – Procurou na bolsa e retirou um envelope pardo, que já estava aberto.
Edward soltou a mão de Bella e se levantou.
-Como pode ver, foi postado em Paris, três dias antes de sua morte. Dentro havia dois envelopes fechados e uma carta para mim. Leia.
Bella levantou-se também, e encarou o marido. A dor estava voltando, implacável.
Alarmada com a palidez dele, Bella abraçou-o pela cintura. Com mãos trêmulas, buscou a carta que Alice estendia. Ver a caligrafia familiar deixou-a ainda mais desolada. Juntos, leram:
Minha mais querida amiga,
Sei que ainda é minha mais querida amiga, pois Edward não sabe de nada, e é assim que quero que as coisas fiquem.
Preciso de mais um favor. O último, prometo.
Se Edward e minha irmã se casarem, por favor, entregue-lhes as cartas seladas contidas neste envelope.
Se isso não acontecer, então, não as mostre a ninguém.
Faça isso por mim, e um dia, no além, irei procurá-la e a abraçarei, minha mais querida amiga.
Com todo meu amor,
Rosalie.
Quando Bella finalmente ergueu o olhar, Alice passou-lhe um envelope. Na frente, na escrita floreada de Rosalie, estava a palavra Rômulo. Sentiu as lágrimas nos olhos ao ver Amado Marido na outra.
-Vou para casa – informou Alice. –Se precisarem falar comigo, sabem onde me encontrar.
-Bella... –A voz de Edward estava quase irreconhecível. –Eu...
-Finalmente minha irmã escolheu falar com você. Leve a carta para o quarto, querido. O que quer que Rosalie tenha escrito, é só para você.
-Não agüento magoar você... – sussurrou ele.
Sentiu compaixão ao vê-lo lutar contra as poderosas, e conflitantes emoções de amor, lealdade e culpa.
-Se fosse de qualquer outra pessoa, exceto Remo, eu não seria tão caridosa. Mas ela é minha outra metade.
Bella deu-lhe as costas, livrando-o para sair. Esperou vários minutos antes de ouvir seus passos. Quando o som diminuiu, abriu sua carta lacrada. Era bem característico de Rosalie ser tão dramática, encenando, mesmo no amargo fim. Lágrimas rolaram por seu rosto.
Rômulo
Se estiver lendo esta carta, significa que meu plano deu certo.
Ela sabia, sussurrou Bella para si mesma.
É o que rezei para que acontecesse, e continuarei rezando do outro lado. As duas pessoas que mais amo no mundo ficarão juntas para sempre agora.
Minha estratégia elaborada não foi em vão, afinal.
-Rosalie! –gritou Bella, e se afundou no sofá para acabar de ler.
Foi terrível descobrir que ia morrer. Não vou brincar quanto a isso. HORRÍVEL. Primeiro, imaginei se você tinha a mesma coisa. Mas sempre fui cuidadosa em perguntar por sua saúde e você nunca sentiu meus sintomas. Nunca. Assim, meu médico me aconselhou a parar de me preocupar.
Depois de superar o choque inicial, percebi o que as notícias fariam a você. Vamos encarar a verdade, Rômulo, ninguém nunca entendeu o que havia entre nós, não é? Só o Tico e o Teco, certo?
Bella riu, apesar das lágrimas. Não gostavam tanto das história do Tico e Teco e planejavam lançar os próprios personagens gêmeos quando crescessem. Sempre brincavam sobre morrer juntas em suas cadeiras de balanço, lado a lado, de mãos dadas.
Então, planejei tudo e elaborei um plano que, agora posso anunciar, foi infalível. Sabia que, se contasse a verdade a Edward, despedaçaria seu coração dez meses antes do necessário.
Mas Edward teve o coração despedaçado, pensou Bella, triste. Foi despedaçado quando Rosalie deu-lhe as costas, mantendo-o afastado de seus problemas.
Voltou à carta.
Então, me coloquei em seu lugar. Sabia que, se contasse a você, teria ido à fazenda para ficar comigo até o fim, e provavelmente teria morrido uma semana depois de dor solidária. Não ria. Teria acontecido.
Bella não estava rindo. Cada palavra era verdadeira.
Tive de manter vocês dois separados um do outro por várias razoes. Primeiro, precisava de tempo para colocar meu marido contra mim. Assim, quando morresse, ele não lamentaria tanto.
Segundo, sabia que, se passássemos os dez últimos meses juntos, vocês nunca seriam capazes de se livrar da culpa de se apaixonar um pelo outro depois que eu partisse. Sabia que os dois deveriam permanecer separados por lealdade a mim, sempre sofrendo em silêncio.
Vamos ser honestas, Bella, se tivesse visto primeiro...
Disse-lhe que estava assustada com você. Era verdade. Não a queria por perto pelo menos nos primeiros meses. Não até estar completamente certa de nosso amor, nosso casamento. É por isso que não permiti que fosse à fazenda. Não poderia suportar ver alguma coisa não dar certo. Portanto, precisei mantê-la longe o máximo possível. Desculpe sobre as regras de telefonema, Rômulo, mas não havia outra forma.
Lembre-me de agradecer a Mike um dia, quando ele se juntar a mim, do outro lado. Fui dura com ele quando o vi em Paris. Gostei dele e me senti mal por ele, apesar de sua covardia. O instinto me diz que ele provavelmente é um homem decente, se descontar seu defeito fatal.
O quê? Quando foi que Rosalie viu Mike?
Deixa-la grávida foi a melhor coisa que ele fez.
Contribuiu com uma estratégia ainda melhor para meu plano original de manda-la para a fazenda. Edward sempre quis ter filhos. Era perfeito!
Aliás, é melhor batizar o bebê me homenageando, ou vai ter de se explicar quando nos encontrarmos novamente.
Bella soluçava tão forte que não conseguia mais ler a carta.
Esme não sabia de nada. Não podia confiar nela.
E Jesse e Ida são tão sensíveis que não conseguiriam manter o segredo. Agradeço a Deus por poder contar com Alice, que é uma santa e merece uma casa cheia de crianças. Quando for a hora certa, convença-a a adotar.
Oh, Rosálie, Rosalie.
Rômulo, você e eu sempre dividimos tudo. Como sua irmã mais velha, dou-lhe permissão para amar Edward Cullen, o homem mais maravilhoso do mundo.
Não tivemos tempo suficiente para que ele me conhecesse tão bem quanto a você. Ajude-o, Bella.
Você é a única que pode. Ajude-o a entender por que fiz o que fiz. Ele provavelmente saiu pra algum lugar reservado com minha carta para lamber as feridas. Provavelmente para o chalé no lago.
Revelei-me completamente na carta, mas sei que ele nunca vai entender de verdade, não sem a sua ajuda. Você sempre foi a mais corajosa, a mais forte.
Ame-o Bella, minha querida outra metade. Ame-o com toda a generosidade de sua alma e será feliz!
Com amor,
Remo.
P.S. Sabia que meu plano daria certo. Não tinha dúvidas. O que é meu é seu. Sempre foi assim conosco. Precisa dar um crédito a Esme. Ela tentou valentemente, não é mesmo? Mas não sabia contra o que estava lutando quando encontrou a dupla do barulho. Quem se diverte mais do que nós, Rômulo?
P.P.S. Nunca deixe nada acontecer a você. Mas, se acontecer, lembre-se: estarei esperando, maninha.
E vou querer informações detalhadas!
Com a carta de Rosalie bem presa à mão, Bella se levantou do sofá e começou a correr, os pés mal tocando o assoalho. Havia apenas chegado ao corredor quanto viu o marido correndo em sua direção, alegria transparecendo no rosto.
Obrigada, Remo. Te abençôo com a dádiva da paz. A maior dádiva de todas.
********** Fim *************
Bom gente, chegou ao fim!
Demorei pra postar esse ultima capitulo pois estava ocupada
Eu quero agradecer a todas que comentaram, eu li cada um deles e amei mesmo.
Bom eu estou quase certa de qual a próxima historia irei adaptar. O quase é pq eu ainda não terminei de ler e eu quero ver se vale a éna ate o fim. Provavelmente amanha do mais tardar domingo eu posto o Prólogo
Não deixem de comentar so por que é o ultimo capitulo ok. Ate a próxima!
