Saudações de Tomoeda!!
Puxa, este capítulo saiu tão rápido que nem acreditei! Estava tão empolgada para escrevê-lo que as idéias vieram fácil e três dias depois de postar o capítulo 07 ele já estava pronto. Me segurei muito para não atualizar a fic logo na sequência, mas eu estava com sérios problemas para organizar as idéias do capítulo 09 e fiquei com medo de postar o capítulo 08 muito rápido e depois deixar vocês esperando pelo seguinte por tempo demais.
Mesmo assim, é melhor já avisá-los que o capítulo 09 deve demorar um pouco. Realmente está me dando trabalho. Sei o que quero escrever nele, mas não estou conseguindo colocar em forma de texto. Pelo menos consegui começá-lo! Do males o menor, né?
Espero que gostem desse capítulo! Pessoalmente, eu gostei muito de escrevê-lo! Talvez porque eu goste bastante do Tanabata. Acho que vou nesse festival há pelos menos uns 10 anos!
No mais, agradeço por todos os reviews recebidos. É muito gratificante saber que a história está agradando, mas ao mesmo tempo dá um friozinho na barriga, porque sinto a responsabilidade de manter o nível para não decepcioná-los.
Espero fazer esta fic melhor a cada capítulo!
Boa leitura!
Jump27
Atualizado em 02/06/2008
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O lobo e a cerejeira
Cap. 08 – Tanabata Matsuri
Sakura estava sentada diante da escrivaninha de seu quarto, fazendo o trabalho de Literatura Japonesa que seria apresentado antes das férias de verão. Cansada, ela deixou o lápis ao lado do caderno, apoiou o rosto sobre uma das mãos e olhou para o calendário a sua frente. O objeto mostrava o mês de Julho e tinha um círculo marcado em volta da quinta-feira, dia 13, com uma pequena anotação ao lado:
"Aniversário do Shaoran-kun"
Kerberos folheava um mangá sobre a cama de sua dona quando a ouviu soltar um suspiro melancólico. Preocupado, ele levantou vôo até ela e pousou na mesa.
- O que aconteceu, Sakura? Não está conseguindo terminar o seu trabalho de escola?
- Não, não, Kero-chan. – ela negou com a cabeça – Na verdade eu só estava pensando... Ainda não sei o que dar de presente para o Shaoran-kun!
O pequeno guardião acompanhou o olhar da menina e viu a data marcada no calendário. Fez uma cara mal-humorada e cruzou os braços pequeninos.
- Não sei porque você precisa se preocupar tanto com aquele moleque! Seria muito mais útil gastar seu tempo e dinheiro comprando para mim aquele jogo novo que saiu para o seu videogame! – Kero disse em tom de mágoa, antes de voar de volta para a cama da menina e se preparar para tirar uma soneca.
A Card Captor não pode deixar de rir com o comentário dele por um breve momento, antes de voltar novamente o seu olhar para o calendário. Dessa vez foi uma data na linha acima do aniversário de Shaoran que lhe chamou a atenção. Então ela fechou os olhos e deixou que suas lembranças lhe ocuparem o pensamento...
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- Ah... Sakura? – Shaoran chamou, enquanto voltavam para casa depois de encontrarem com os recém-chegados Eriol Hiiragizawa e Kaho Mizuki – O que é esse tal de Tanabata do qual vocês falavam com aquela professora?
- Hoe? Você não sabe?
O colega chinês fez um sinal de negativa e Tomoyo inesperadamente bateu palmas, como alguém que acabava de se lembrar de algo.
- Mas é claro, Sakura-chan! Por causa da disputa pelas Cartas Clow, você e o Li-kun demoraram para se tornar amigos, por isso nós não fomos boas anfitriãs da primeira vez em que ele morou em Tomoeda. Com certeza há muitas festas e tradições japonesas que ele ainda não conhece, incluindo o Tanabata!
Sakura concordou, e vendo que a prima tinha razão virou-se para Shaoran e começou a lhe explicar enquanto caminhavam:
- O Tanabata Matsuri, ou "Festival das Estrelas", é uma das maiores festas populares do Japão e costuma acontecer no dia 07 de Julho. Ele surgiu por causa de uma antiga lenda que falava sobre uma linda princesa chamada Orihime, que morava no céu e era filha de Tenkou, o "Senhor Celestial".
- Certo dia – emendou Tomoyo – Tenkou apresentou à sua filha um jovem e belo pastor chamado Kengyu. Os dois se apaixonaram perdidamente, mas por causa desse amor ambos se esqueceram de suas obrigações e tarefas diárias.
- Irritado com a falta de responsabilidade deles, Tenkou decidiu separar o casal. – continuou Sakura – Ele os obrigou a morarem separados em lados opostos do céu, o que trouxe muita tristeza e sofrimento para ambos, especialmente para Orihime. Então Tenkou se compadeceu de sua filha e permitiu que os dois se encontrassem somente uma vez ao ano, desde que eles cumprissem a ordem de atender aos pedidos vindos da Terra neste dia.
- O dia do reencontro é o sétimo dia do sétimo mês e Kengyu e Orihime são representados por duas estrelas que realmente só aparecem juntas no céu uma vez ao ano. É nessa ocasião que comemoramos o Tanabata Matsuri. Os templos são decorados com bonitos enfeites de papel que simbolizam as estrelas e também com ramos de bambus, onde as pessoas colocam seus desejos escritos em pedaços de papel chamados tanzakus, que depois são queimados para que os desejos cheguem até o céu.
- Além disso, como é um festival, há várias barracas com jogos e brincadeiras, além de músicas, danças e comidas típicas, como nos outros festivais que você já viu no Templo Tsukimine. – a Card Captor finalizou, empolgada.
- E já que você nunca foi a um Tanabata, Li-kun, dessa vez a Sakura-chan e eu fazemos questão de levar você! – Tomoyo exclamou, com um grande sorriso no rosto.
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Sakura voltou a realidade e seus belos olhos verdes se iluminaram. O Tanabata! Como não tinha pensando nisso antes? Imediatamente ela pegou o telefone e discou o número da prima. Tomoyo estava em seu quarto, observando atentamente um grande pedaço de tecido verde-escuro sobre sua cama, quando o telefone tocou. Assim que viu no identificador de chamada quem estava ligando, a menina de cabelos violetas sorriu.
- Boa tarde, Sakura-chan!
A sucessora do Mago Clow respondeu do outro lado da linha e contou os seus planos para a amiga, que adorou a idéia. Depois disso Sakura ainda fez mais algumas ligações e correu para seu guarda-roupa. Pegou uma peça de roupa em específico, se vestiu e viu no espelho que a mesma estava mais curta do que deveria. Colocou novamente a roupa que estava vestindo e desceu apressada pelas escadas em direção ao sótão. Touya estava na sala, e vendo a irmã passar com tanta pressa não resistiu à tentação...
- Papai, cuidado! Tem uma monstrenga indo te atacar!
Sentado em sua pequena biblioteca, Fujitaka ouviu os passos nos degraus e olhou curiosamente para a filha assim que ela surgiu.
- Olá, querida! O que aconteceu?
- Papai, será que eu posso comprar um yukata novo? O Tanabata Matsuri será no próximo final de semana e o meu não está me servindo mais.
- Isso é natural, Sakura, você ainda está em fase de crescimento. – sorriu o Sr. Kinomoto, antes de olhar a filha dos pés a cabeça com muita atenção - Mas acho que comprar um yukata não será necessário.
- Hoe? Por quê? O senhor vai fazer um novo para mim, papai?
- Eu faria com muito gosto, filha, mas infelizmente eu não terei tempo para isso esta semana. Mesmo assim creio que posso ajudá-la. Vamos subir até o meu quarto.
A Card Captor acompanhou o pai escada acima e o viu tirar de dentro do guarda-roupa um embrulho de papel muito bem feito. Fujitaka o colocou sobre sua cama e começou a abri-lo cuidadosamente, revelando um yukata branco decorado com cravos silvestres em tons muito claros de verde e rosa, com o obi em um tom de verde escuro. Sobre a roupa, uma foto mostrava a mãe de Sakura ainda adolescente e vestida com o mesmo yukata, ao lado de um jovem Fujitaka com um yukata também branco, estampado com libélulas em preto e cinza escuro. O arqueólogo pegou a foto e a olhou com carinho antes de entregá-la a filha.
- Este yukata pertenceu a sua mãe. Nadeshiko o usou no primeiro Tanabata que passamos juntos depois de casados. Pode usá-lo agora, se quiser. Apesar de você ser um pouco mais nova do que sua mãe naquela época, creio que ele irá lhe servir.
Sakura pegou a peça e a desdobrou com cuidado para vê-la melhor.
- É lindo, papai! – ela exclamou, visivelmente empolgada - Mas o senhor tem certeza que posso mesmo usá-lo?
- É claro que sim, Sakura! Por que não experimenta? Vou deixá-la se trocar enquanto desço para ligar a panela de arroz, está bem?
A menina concordou com a cabeça e minutos depois seu pai voltava ao quarto para vê-la. Fujitaka olhou de maneira crítica para a filha caçula.
- Ficou muito bem em você, Sakura! Mas ainda está um pouco comprido demais... Deixe-o comigo que eu farei os ajustes necessários. Posso dar um jeito nisso rapidamente. Para quando você precisará dele?
- O festival começa na sexta-feira, mas por causa das aulas combinei com a Tomoyo-chan e o Shaoran-kun de ir apenas no domingo.
- Então dará tempo. Não precisa se preocupar.
Sakura agradeceu ao pai com um abraço e sentou-se na cama dele, onde pegou novamente a foto que estava junto com a roupa.
- Papai... Sabe o que a mamãe pediu no Tanabata da foto?
- Na verdade a Nadeshiko e eu fizemos o pedido juntos nessa ocasião...
- E o que foi que vocês pediram? – Sakura perguntou, muito curiosa.
- Isso é segredo, mocinha! – sorriu o Sr. Kinomoto, apertando suavemente a ponta do nariz da filha com o dedo, fazendo Sakura rir – O que posso lhe dizer é que o desejo se realizou no ano seguinte.
Sakura se levantou sorrindo.
- Posso mostrar a roupa para o Touya?
- Pode sim, mas cuidado na hora de descer as escadas, está bem?
A Card Captor concordou e já estava prestes a deixar o quarto do pai quando o professor a questionou.
- E você, Sakura? Já pensou no que vai pedir este ano?
A adolescente corou de repente, o que não escapou aos olhos dele.
- Tem algo a ver com seu amigo Shaoran Li, não é mesmo?
Por mais gentil que tenha sido o tom da voz de Fujitaka, a face de Sakura passou imediatamente de rosa para vermelho intenso, fazendo o professor sorrir.
- Se o seu desejo for o que eu imagino, espero que ele se realize. Shaoran me parece um bom rapaz!
A sucessora de Clow murmurou um encabulado "Obrigada" e se retirou. O arqueólogo, por sua vez, abriu uma gaveta na cômoda ao lado da cama e pegou um pequeno álbum de fotos, que folheou até encontrar uma imagem de Nadeshiko sorridente em uma cama de hospital, segurando nos braços um menino recém-nascido. No verso da foto havia uma curta mensagem, meio desbotada, escrita em uma delicada letra feminina:
"Nosso desejo do Tabanata Matsuri"
No dia seguinte Sakura deu seguimento aos seus planos para o festival com ajuda da prima, e a semana passou em uma velocidade impressionante. Na tarde do tão esperado domingo, em um ponto de Tomoeda não muito longe da casa da família Kinomoto, Shaoran andava de um lado para outro em seu apartamento como se fosse um lobo aprisionado. Estava tão ansioso que se sobressaltou quando ouviu tocar o interfone. O visor do aparelho lhe mostrou o rosto de sua amiga Tomoyo.
Ele abriu a porta do apartamento e deixou a menina entrar. Tomoyo estava muito bonita, vestindo um yukata azul-marinho estampado com hortênsias em tons suaves de rosa e lilás. Seus cabelos compridos, totalmente presos em uma longa trança, foram enrolados de maneira a formar uma espécie de coque. Ela trazia uma grande sacola e seu rosto estava iluminado por um sorriso contagiante.
- Desculpe o atraso, Li-kun. – disse a menina, entrando na residência do colega chinês – Aqui está o que lhe prometi, e devo dizer que ficou maravilhoso!
O rapaz arqueou as sobrancelhas, olhando desconfiado para a garota na sua frente. Tomoyo estava empolgada demais e às vezes isso era sinal de perigo. Mesmo assim ele aceitou o pacote que lhe era entregue e pediu licença por alguns minutos. A amiga se ajeitou no sofá da sala e ficou aguardando ansiosa até que Shaoran voltou, trajando um yukata muito bonito, verde-escuro com dragões em dois tons diferentes de verde mais claro e o obi preto.
- Ficou mesmo muito bom, Tomoyo! – o descendente de Clow falou, admirado.
- Obrigada! Eu sei que não tem o mesmo valor daquele que a Sakura-chan fez para você, mas...
Shaoran deu um sorriso nostálgico.
- Eu deixei aquele guardado no meu quarto em Hong Kong. Não me serve mais há muito tempo...
- Eu imaginei. Você cresceu bastante desde aquela época, por isso, quando a Sakura-chan e eu decidimos levá-lo ao Tanabata, eu TINHA que lhe fazer um yukata novo! É uma ocasião especial, e jamais me perdoaria se deixasse você comprar outro em uma loja qualquer ou que fosse com uma roupa comum...
- Obrigado, Tomoyo. Você é mesmo uma grande amiga! Como posso te agradecer?
- Não precisa, Li-kun! Para mim, basta poder filmar a expressão encantadora que a Sakura-chan vai fazer quando te ver assim! – ela exclamou, radiante de felicidade.
Shaoran corou de leve com o comentário ao mesmo que segurava o riso, depois olhou para o relógio na parede. Já estava quase na hora. Tomoyo apenas o ajudou a ajustar o obi e os dois saíram em direção da casa de Sakura. No caminho, a menina de olhos violetas teve que fazer muito esforço para não demonstrar toda a sua satisfação. Quando decidiu fazer a roupa nova do amigo, prometeu a si mesma que capricharia o máximo possível só para que o rapaz impressionasse bem a sua prima. O plano por si só já a deixara contente, e quando Sakura ligou pedindo ajuda com o aniversário do mago chinês, sua felicidade ficou completa. Estava ajudando em segredo cada metade de seu querido casal de amigos e ainda assistiria de camarote ao desfecho de tudo isso com sua fiel câmera na mão.
Enquanto Tomoyo tentava se conter para não deixar Shaoran desconfiado, no sobrado amarelo da família Kinomoto Sakura tinha uma séria conversa com Kero.
- Mas Sakura... Por que eu não posso ir também? Vai ter tanta coisa gostosa para se comer!
- Lamento, Kero-chan, mas eu sei que se você ver algum doce pela frente, vai esquecer de ficar escondido e ainda pode me causar problemas!
- Você é uma dona muito injusta, Sakura! – choramingou o pequeno guardião - Se o Yue pode ir, por que eu não posso?
- Porque o Yue sabe se portar em público, Kero-chan! – suspirou a Card Captor - Afinal, ele vai como Yukito-san. Mas eu prometo que te trago uma bandeja de dorayaki e...
- Sakura! Eu já estou pronto, você não vem comigo? – Touya gritou no andar de baixo.
A menina deixou um Kero muito contrariado para trás, desceu as escadas e espiou o irmão por trás da parede do corredor.
- Eu vou depois. Tomoyo-chan e Shaoran-kun vão passar aqui para me buscar.
- O QUÊ? Você vai com aquele moleque? Então eu posso esperar! – disse o rapaz, já sentando emburrado e de braços cruzados no sofá - Não vou deixar você ir ao festival sozinha com aquele chinês!
- Eu não vou sozinha! Tomoyo-chan vai estar com a gente!
- Grande consolo... – Touya murmurou, com desdém.
- Touya, você não combinou de se encontrar com o Yukito antes? – Fujitaka falou calmamente, saindo da cozinha - Vai deixá-lo esperando?
- O Yuki pode esperar, pai!
- Touya... – murmurou o Sr. Kinomoto, olhando seriamente para o filho mais velho.
- Tá bom, eu já entendi... – disse o rapaz com visível mal-humor - Eu vou indo, mas só porque já marquei com o Yuki e a Sakura vai estar com a Tomoyo. E quanto a você, monstrenga, juízo, hein?
- Eu NÃO SOU monstrenga! – Sakura bufou, furiosa.
A campainha tocou alguns minutos depois da saída de Touya. Sakura foi atender cheia de entusiasmo. Abriu a porta toda animada, mas congelou diante do que viu. Na sua frente, sua prima Tomoyo sorria e ao seu lado estava um Shaoran tão... tão bonito! A reação foi a mesma da parte dele. Sakura estava simplesmente linda! Os dois se olharam intensamente, corados e sem fala por alguns instantes. Óbvio que Tomoyo aproveitou que tinha sido totalmente ignorada e filmou tudo.
- Filha, você já está de saída? – Fujitaka perguntou, se aproximando por trás da menina.
O casal de adolescentes olhou assustado para ele, que imediatamente percebeu o que se passava e sorriu, tendo Tomoyo como cúmplice, rindo em silêncio do outro lado.
- Boa... Boa noite, Sr. Kinomoto! – gaguejou o descendente de Clow, curvando-se para cumprimentá-lo junto com Tomoyo.
- Boa noite para ambos! Não querem entrar?
- Melhor não, Sr. Kinomoto, ou voltaremos muito tarde! – respondeu Tomoyo.
Os três se despediram e seguiram para o Templo Tsukimine. Passado o embaraço inicial, Sakura começou a cantarolar alegremente, logo sendo acompanhada pela prima.
"Sasa no ha sara-sara (As folhas do bambu murmuram, murmuram)
Nokiba ni yureru (balançam as pontas)
Ohoshi-sama kira-kira (As estrelas brilham, brilham,)
Kin Gin sunago" (grãos de areia de ouro e prata)
Shaoran, a princípio, olhou curioso para as amigas e depois começou a rir. Justamente ele, o caçula de uma família de cinco filhos, estava se sentindo como o irmão mais velho levando as irmãs mais novas para um passeio. Inesperadamente uma outra voz feminina se juntou ao coro e os três olharam para ver quem era.
- Rika-chan!! – exclamaram as duas meninas, correndo para junto da antiga colega de escola.
- Sakura-chan! Tomoyo-chan! Boa noite! – Rika cumprimentou com seu sorriso meigo, antes de olhar curiosa para o rapaz que acompanhava as amigas.
- Boa noite, Sasaki! – Shaoran cumprimentou, vendo a incerteza no olhar da garota.
- Li-kun? É você mesmo? Não sabia que estava em Tomoeda!
- Shaoran-kun está morando novamente aqui! Não é legal? – Sakura perguntou, toda animada.
- E está estudando na nossa classe, como antigamente! – completou Tomoyo.
Rika também estava indo ao festival, e no que restava do caminho os amigos lhe contaram tudo sobre o retorno do rapaz chinês ao Japão. Quando chegam ao seu destino, Shaoran se surpreendeu. Nunca tinha visto o Templo Tsukimine enfeitado com tanto esmero e nem tão cheio de gente. Lanternas japonesas iluminavam todo o local e havia muitos enfeites de papel típicos do Tanabata pendurados entre as lanternas e próximos às barracas, além de inúmeros ramos de bambu cheios de papéis coloridos amarrados em seus ramos menores.
- Bem-vindos ao Templo Tsukimine! – cumprimentou Eriol, fazendo as honras da casa assim que viu os amigos.
Ele se juntou ao grupo e não demorou muito para que o mesmo aumentasse. Chiharu e Yamazaki também foram ao festival e logo eles se encontraram também com os colegas. Depois que as presenças de Eriol e Shaoran foram devidamente explicadas, as meninas foram andando na frente conversando animadamente, enquanto os três rapazes conversavam a parte.
- Eu não acredito em como você cresceu, Li! No primário você era pouca coisa maior do que a Kinomoto! Agora está mais alto do que o Hiiragizawa e eu!
- É, eu demorei para crescer. Mas vocês não têm muito do que reclamar. A diferença entre nós é muito pequena!
Yamazaki de repente fez uma cara pensativa e chamou a atenção de todos os amigos para si.
- Vocês sabiam? – começou o rapaz - Os chineses são mais altos que os japoneses porque durante o governo do imperador Yu Zhang, que era um homem muito baixinho, foi criada uma lei que dura até hoje e obriga todo habitante da China a acrescentar na água um fermento sagrado? Assim, além de altos, no futuro os chineses teriam também um exército ainda mais forte!
- Embora alguns historiadores digam que na verdade a altura dos chineses se deve a um antepassado comum que eles tinham com os russos... - Eriol emendou, com uma expressão séria.
Chiharu olhou aflita para os dois rapazes. Podia brigar com Yamazaki o quanto quisesse, mas quando ele se juntava a Eriol, nunca sabia o que fazer. Rika e Tomoyo riam diante da cena, enquanto Sakura olhava confusa para Shaoran.
- Isso é verdade, Shaoran-kun?
- Se a minha memória não falha, durante a Dinastia Liang existiu mesmo um imperador chamado Yu Zhang. – o rapaz chinês explicou – Minha família não é tão antiga assim, mas garanto que nenhum de nós bebe água com fermento. Na verdade, alguns membros da Família Li são bem pequenos...
- Realmente não tem graça contar mentiras sobre a China na presença do Li... – lamentou-se profundamente Yamazaki.
Todos riram e foram comprar os tanzakus para fazerem seus pedidos às estrelas. Eriol informou que eles estavam sendo vendidos próximos a entrada do prédio principal. Lá eles foram recebidos pela profª. Mizuki, que estava muito bonita vestida com seus trajes de sacerdotisa. Shaoran olhou curioso para os vários pedaços de papel colorido e Sakura foi lhe explicando a diferença entre cada um deles: branco (paz), amarelo (dinheiro), azul (proteção dos céus), verde (esperança), rosa (amor) e vermelho (paixão).
Com exceção de Tomoyo, que comprou um tanzaku azul, as meninas não tiveram dúvida quanto a cor que mais queriam, embora Sakura tenha ficado sem graça de escolher o rosa tendo Shaoran bem ao seu lado. Ele percebeu e comprou um desta cor para ela, que agradeceu ficando mais encabulada ainda, fazendo o amigo sorrir. Para si mesmo ele comprou um verde e um azul, as mesmas cores escolhidas por Eriol. Yamazaki, por sua vez, comprou o amarelo e todos foram até uma mesa próxima escrever seus pedidos, mas a profª. Mizuki chamou Shaoran a parte e lhe entregou um tanzaku rosa.
- Esse aqui é um presente especial meu, Li. Sei que você quis comprar, mas preferiu não fazê-lo na frente da Sakura, não é mesmo?
Surpreso, o mago chinês agradeceu, mas antes de se juntar aos demais ele se curvou educadamente diante dela.
- Peço desculpas por tê-la julgado mal anteriormente. Eu não fui muito educado com a senhora desde que nos conhecemos.
Os olhos de Mizuki demonstraram espanto. Com certeza não esperava por isso. Sabia que Shaoran não simpatizava com ela por uma mera questão de afinidade de poderes, e não porque ele era um mau menino, por isso nunca tinha se importado de fato com a antipatia e desconfiança dele.
- Eu agradeço, mas você não precisava me pedir desculpas. – Kaho disse com um pequeno sorriso.
- Eu precisava... – ele murmurou, num tom triste - Desde a captura da última Carta Clow e do Juízo Final da Sakura, eu sabia que precisava fazer isso, mas ainda era muito imaturo e orgulhoso demais para ter coragem...
- Se você se sente melhor assim, eu fico feliz. Mas vou ficar mais feliz ainda quando você se juntar aos seus amigos e escrever neste tanzaku que te dei. Tenho absoluta certeza de que o desejo que você colocar nele vai se realizar.
Shaoran agradeceu mais uma vez e fez o que ela pediu. Com todos os pedidos escritos, o grupo de adolescentes se espalhou pelo festival a procura dos ramos de bambus que achavam melhores para amarrarem os seus desejos. O descendente de Clow permaneceu com Sakura e Tomoyo e os três escolheram um bambu próximo à cerejeira sagrada do templo. Sakura só viu o papel rosa que ele tinha nas mãos quando o chinês se preparou para amarrá-lo no ponto mais alto que ele alcançava. A curiosidade dela foi inevitável.
- Shaoran-kun, o que você escreveu?
- É segredo, Sakura!
- Mas...
- Posso mostrar para ela, Tomoyo? Ou o desejo corre o risco de não se realizar?
- Eu acho melhor você não mostrar, Li-kun...
Diante do olhar decepcionado da Card Captor, ele não resistiu e mostrou o tanzaku. Sakura olhou e ficou visivelmente confusa.
- Eu tinha certeza que você iria querer saber, Sakura! – Shaoran falou, demonstrando seu antigo ar prepotente – Por isso, além de colocá-lo no alto para que você não pudesse alcançá-lo, eu escrevi em chinês, por precaução.
Sakura fez uma cara zangada, enquanto Tomoyo ria com vontade.
- Você já conhece a Sakura-chan melhor do que eu esperava, Li-kun!
- Acho que me acostumei. – Shaoran respondeu, enquanto finalmente amarrava o seu último pedido - A curiosidade automática dela já me deixou em apuros algumas vezes.
- Já demoramos demais por aqui! – a garota de olhos verdes falou, tentando mudar de assunto - Acho melhor nós irmos logo nos encontrar com o Eriol e os outros lá no lago.
Os amigos concordaram e os três seguiram até o lago usado pelos sacerdotes para leitura da sorte, o mesmo lago onde Sakura e Shaoran enfrentaram juntos mais um dos desafios de Eriol durante a conversão das Cartas Clow em Cartas Sakura.
- Nossos amigos não chegaram ainda... - comentou Tomoyo, desapontada, vendo o local totalmente vazio.
- Será que eles se perderam? Essa parte do templo não era muito conhecida quando estivemos aqui da última vez...
- Vamos procurar por eles! – Sakura falou imediatamente, segurando a prima pela mão e já se afastando – Você fica aqui esperando para ver se alguém aparece. Tudo bem, Shaoran-kun?
- Mas, Sakura, eu...
O chinês nem terminou de falar, porque as duas amigas já estavam longe. Não tinha escolha senão ficar e esperar. Então ele se aproximou mais do lago e olhou demoradamente para a lua refletida na água. Viu também na outra margem que tinham arrumado a estátua de cavalo que os atacou anos antes.
Alguns minutos se pararam sem que absolutamente ninguém aparecesse por ali, conhecido ou não. Shaoran estava começando a sentir que havia algo estranho por perto e quando se preparou para invocar sua espada, ouviu pequenas explosões a sua volta.
- FELIZ ANIVERSÁRIO, LI!!
Para sua surpresa, uma chuva de confetes e serpentinas coloridos caia a sua volta, enquanto Sakura, Tomoyo, Eriol e todos os outros saíram de trás dos arbustos e árvores próximos e o cercavam.
- Não estou entendendo! – Shaoran murmurou, nitidamente confuso – O meu aniversário...
- É só na próxima quinta-feira. Nós sabemos! – disse Chiharu.
- Mas como eu volto para a Inglaterra amanhã, hoje era o único dia em todos nós estaríamos juntos para comemorar. – Eriol falou.
- Por isso a Sakura-chan teve a brilhante idéia de transformar o Tanabata em uma festa de aniversário surpresa! – completou Tomoyo.
Shaoran olhou carinhosamente para Sakura, mas ela corou e desviu o olhar.
- Obrigado, Sakura! Obrigado a todos! Acho que este é o melhor e mais inesperado presente de aniversário que eu poderia ter esse ano!
Depois de receber os cumprimentos e os presentes, que tinham sido escondidos no templo com antecedência pela profª. Mizuki, Shaoran e os demais foram se divertir no festival. No meio da multidão Eriol abria caminho enquanto conversava com Tomoyo e Rika, tendo Yamazaki e Chiharu logo atrás e Shaoran e Sakura fechando o grupo. Cruzaram com Touya e Yukito algumas vezes, e o irmão de Sakura só não inplicou com o garoto chinês no meio da multidão porque a irmã estava "em segurança", cercada de outros amigos além da sua prima.
Entre uma parada e outra nas barracas de jogos e pratos típicos, não demorou muito para o rapaz de cabelos castanhos notar que o casal de amigos a sua frente andava de mão dadas enquanto conversava tranqüilamente com os demais. Ele olhou de relance para Sakura, que observava os prêmios da barraca mais próxima, e juntando uma boa dose de coragem para ignorar todas as pessoas a sua volta, desviou o olhar para o lado contrário e também segurou a mão da sua antiga rival.
Surpresa, Sakura parou de andar imediatamente e corou muito, mas não soltou a mão. Igualmente vermelho, Shaoran hesitou, mas virou o rosto devagar para olhá-la, sem saber se devia soltá-la ou não. A Card Captor demorou alguns instantes, mas apertou levemente os dedos do rapaz antes de olhar para ele e dar um tímido sorriso. Shaoran segurou um suspiro de alívio e sorriu para ela da mesma maneira, antes de voltarem a caminhar.
Os amigos compravam doces em uma das barracas logo a frente quando os dois chegaram em completo silêncio e com os rostos ainda rosados. Tomoyo foi a primeira a perceber a novidade e por pouco não ligou a sua câmera para filmar aquela cena tão encantadora. Só não o fez porque tinha certeza que, tímidos do jeito que os dois eram, se fosse percebida acabaria estragando tudo e não veria aquilo acontecer novamente tão cedo. Por isso tudo o que ela fez foi puxar discretamente a manga de Eriol para que ele também visse, e o inglês não pode deixar de sorrir. Aos poucos os demais foram percebendo também, mas em uma espécie de acordo silencioso ninguém comentou nada, pra não deixá-los constrangidos.
Percebendo que essa atitude tranqüilizou um pouco o casal, Tomoyo usou o reencontro com Eriol e os amigos de primário como desculpa para ligar sua filmadora novamente e gravar tudo dali em diante. Yamazaki também tinha consigo sua câmera fotográfica e tirou várias fotos do grupo, que depois foram guardadas com carinho por cada um deles. E assim terminou o primeiro Tanabata Matsuri de Sakura e Shaoran.
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Notas da autora:
1- Tanabata Matsuri: como a Sakura e a Tomoyo explicaram, é um festival muito popular no Japão. Apesar de conhecê-lo há vários anos, dei uma busca na Internet para poder escrever as cores certas dos tanzakus e a história de amor entre Orihime & Kengyu com mais detalhes. Em alguns lugares, vi mencionado que a origem da lenda é chinesa. Se isso é realmente verdade eu não sei, mas como já tinha o capítulo estruturado, deixei como sendo uma lenda japonesa, e por isso o Shaoran não a conhecia. E a música que as meninas cantam, pelo que eu vi também, é uma canção tradicional de Tanabata que é ensinada a praticamente a todas as crianças japonesas.
2- Yukata & obi: o yukata é um tipo mais simples de kimono, feito de algodão e que pode ser usado tanto por homens, mulheres ou crianças. É comum ver as pessoas usando yukatas nos festivais japoneses e outros eventos tradicionais de verão. O obi é a faixa usada sobre o yukata e o kimono, que os prende como uma espécie de cinto largo. Em Card Captor Sakura podemos ver a maioria dos personagens usando yukata no episódio 18 do anime, e no mangá em português nos volumes 2 (captura da Carta Ilusão) e 20 (transformação da Carta Brilho em Carta Sakura). Nos três casos, os personagens usam yukatas justamente porque vão a algum festival.
3- Dorayaki: é um doce composto por duas fatias pequenas e redondas de pão-de-ló recheadas com feijão azuki ou creme de baunilha (parecido com recheio de sonho). Eu sou suspeita para falar desse doce, porque AMO dorayaki!! Depois dos tanzakus, os dorayakis são a minha parte predileta do Tanabata! Felizmente aqui em São Paulo não dependemos do Tanabata Matsuri para saboreá-los, porque sempre dá para comprar o dorayaki na tradicional feirinha que acontece todo domingo no bairro da Liberdade. E o melhor: lá eles são feitos na hora, você pode comê-los ainda quentinhos!
4- Yu Zhang Wang: imperador chinês da Dinastia Liang, que governou a China no ano 551. Se ele era de fato baixinho, não tenho a mínima noção. Só peguei o nome dele emprestado para compor a mentira do Yamazaki!
5- Mangá x anime: para quem só viu o anime de CCS, como a Lady D-chan, vale a pena uma observação neste capítulo. No anime (episódio 67), quando a Sakura quer agradecer ao Shaoran por ter ouvido o seu desabafo após o fora do Yukito, ela faz para ele um cachecol, porque o Shaoran não gosta de frio e o festival em que eles vão acontece no inverno. No mangá essa passagem da história acontece no verão, e a Sakura faz um yukata para ele, que é exatamente o que a Tomoyo mencionou aqui quando está no apartamento do Shaoran.
Agradecimentos:
- Lady D-chan: fico contente que mesmo não lendo o mangá você esteja entendendo a fic e gostando dela. Exatamente por não saber quem viu o anime, quem viu o mangá e quem viu os dois é que gosto de mencionar as diferenças entre um e outro quando julgo necessário. Sobre aos futuros inimigos da Sakura, vontade de colocar um pouco mais de ação na história eu até tenho, mas se vou conseguir fazer isso já é outra história. De qualquer maneira eu tenho mesmo essa intenção, mas em capítulos bem mais à frente!
- Vick.y: lamento não ter colocado a Nakuru e o Spinel no capítulo anterior. Nem pensei nisso, para ser sincera, exatamente porque a estadia do Eriol em Tomoeda seria bem curta. A dupla deve aparecer futuramente, só espero saber introduzi-los bem na história! Quanto aos beijos, eles vão ainda levar um tempo para acontecer, mas pode ter certeza que não vou ser como as meninas do Clamp! Também sinto falta deles nas histórias originais, e aquele de Tsubasa... Foi tão frustrante! Quanto ao triângulo Eriol-Mizuki-Tomoyo... Segredo!!
- Andromedachan: que bom que está gostando da fic! E valeu as informações sobre o ano letivo japonês. Eu só tinha certeza das férias de verão, que duram todo o mês de agosto. No inverno, ainda mais que eles não comemoram o Natal de fato, eu não sabia se havia férias mesmo ou não. As férias de primavera devem ser a mudança de ano letivo, eu suponho...
- Katrina: adoro os seus reviews! Sempre me divirto com eles. Então você é das minhas!! Mizuki sensei ou Tomoyo-chan, tanto faz quem fica com o Eriol? Para mim a escolha também é difícil. No anime o casal Eriol x Kaho é quase inimaginável, porque não teve nenhum destaque na história, mas no mangá os dois ficaram tão fofos juntos! E sobre os beijos, como já escrevi acima... Você vai ter que esperar mais um pouquinho! Já o meu computador, sei lá... Acho que é algum problema de atualização do Windows XP que está causando as falhas no Internet Explorer. Infelizmente meu noivo não é entendido do assunto, por isso vou carregar os capítulos aqui em casa e continuar dependendo de outro computador para editar e postar aqui no site.
- Maria Lua & Cah-chan Hime: bem-vindas! Espero que tenham gostado desse novo capítulo também, e dos que ainda virão! E será que realmente é o Eriol quem está escondendo alguma coisa? E se for a Mizuki? Já pensaram nisso? Ou os dois... Quem sabe? Afinal, o Shaoran sentiu algo estranho ENTRE eles, e não em UM deles!
- Acdy-chan: obrigada pelo elogio! Espero que continue gostando da fic. Eu queria ser ainda mais rápida nas atualizações, mas nem sempre a inspiração e os outros compromissos ajudam.
- Chibi Anne: Anne-chan, acho que a maioria do seu review eu já respondi em reply, né? Mas vou aproveitá-lo para avisar a todos aqui que, assim como você vez, se acharem erros na fic podem me avisar, ok? Não vou ficar magoada por isso de maneira alguma. Tudo que ajude a melhorar a fic será muito bem-vindo!
- Isabella-Chan: que bom que consegui fazer você e os demais ficarem curiosos com essa história do Eriol e da Kaho! O efeito foi melhor do que eu esperava. Muita coisa ainda vai acontecer antes de vocês descobrirem a verdade, caso os meus planos para os próximos capítulos dêem certo. Ainda não sei exatamente onde vou encaixar o fato em questão, mas deve demorar bastante.
