Saudações de Tomoeda!!!

Antes de qualquer coisa, como é a primeira vez que apareço aqui este ano...

FELIZ 2010 PARA TODOS!!!

Falando agora da fic, o capítulo da vez é baseado no jogo de xadrez. Eu gosto de xadrez, mas infelizmente não sei jogar. Ou, melhor dizendo, eu só sei mover as peças. Analisar o tabuleiro, calcular os movimentos e suas conseqüências lances a frente, elaborar estratégias de defesa e ataque não é comigo. Qualquer criança consegue ganhar de mim em uma partida de xadrez, mas mesmo assim tentei seguir uma lógica na hora de escrever. Os detalhes estão nas Notas ao fim do capítulo.

Aproveitando o momento, quero avisá-los que, junto com esta atualização da fic, a partir de hoje vou postar no meu fotolog imagens relacionadas aos capítulos escritos até o momento. Trechos do mangá que aparecem na história, fotos e imagens de lugares mencionados, coisas do tipo. Quem for curioso pode acessar o link pelo meu perfil, Ok?

Agradeço a Anne Asakura, que me ajudou com um impasse que tive com o meu texto e revisou o capítulo. Obrigada mais uma vez, Anne-chan!

Boa leitura!

Akane Fuu

Atualizado em 28/01/2010


O lobo e a cerejeira

Cap. 13 – Xeque-Mate

"O jogo é um corpo-a-corpo com o destino."

Anatole France

"... a vida é uma espécie de xadrez, na qual temos pontos a ganhar e competidores ou adversários a enfrentar, e na qual existe uma ampla variedade de acontecimentos bons e maus, que são, em certo grau, os efeitos da prudência ou a falta dela."

Benjamin Franklin (The Morals of Chess - 1779)

Final do mês de Março. Em algum ponto de um bonito prédio de apartamentos, o alarme de um relógio digital mal começou a tocar e Shaoran logo estava sentado na cama para desligar o aparelho sobre sua escrivaninha. Espreguiçou-se demoradamente e passou os dedos pelo cabelo bagunçado apenas para ajeitá-lo antes de se trocar. O dia já começava com uma temperatura amena, por isso ele vestiu apenas uma calça confortável e uma regata em estilo chinês antes de abrir as cortinas da janela da varanda. Apesar de ainda ser um pouco escuro, pôde ver que aquele sábado seria um belo dia de primavera.

O descendente de Clow deixou o quarto e foi para a sala espaçosa, onde meditou um pouco e se alongou. Depois treinou por cerca de uma hora, revezando golpes de artes marciais e de espada, como era seu hábito desde muito pequeno. Concluída essa etapa ele se dirigiu ao banheiro, onde pegou a lâmina de barbear. Apesar dos poucos fios em sua face, a adolescência lhe obrigou a adicionar mais esse hábito diário à sua rotina e Shaoran manejou o objeto com tanta destreza quanto manejava sua espada, bem diferente da primeira vez em que precisou fazer isso. Cerca de um ano antes, seu tutor Wei o orientava e observava com paciência em frente ao espelho, mas isso não evitou que o jovem mago chinês ganhasse vários pequenos cortes em sua face, que causaram crises de risos em suas irmãs mais velhas e obrigaram até mesmo a séria Yelan Li a conter um sorriso. Seu orgulho ferido ardia mais do que aqueles cortes, mas pelo menos ele estava em Hong Kong e não precisou passar vergonha com o rosto cheio de minúsculos curativos diante de uma certa japonesa de olhos verdes.

Shaoran tomou um bom banho para tirar o suor do corpo e vestiu seu uniforme, seguindo depois para a cozinha do apartamento, onde preparou um café da manhã reforçado e comeu com calma. Por fim, colocou tudo em ordem novamente e voltou até o quarto para pegar o material escolar. De frente para a escrivaninha, ele olhou o calendário na parede e sorriu. Um novo ano letivo estava começando naquele dia e o rapaz iria passar novamente a maior parte do seu tempo com sua querida Card Captor, principalmente porque aquele ano era especial. Era o último ano do ginásio, época de preparação para as provas de admissão do colegial, e mesmo um estudante estrangeiro como ele sabia como essas provas eram concorridas no Japão. A tática de estudar junto com Sakura e Tomoyo todos os dias depois das aulas visava prepará-los para as tão temidas provas sem ficarem sobrecarregados na virada do ano, além de se ajudarem mutuamente ensinando uns aos outros as matérias que cada um sabia melhor.

As ruas da cidade estavam agitadas pelos estudantes que circulavam rumo aos seus colégios, ansiosos pelas novidades que o novo ano escolar traria e também contando aos amigos sobre os acontecimentos das férias de primavera. O descendente de Clow era apenas mais um naquela multidão uniformizada, onde cruzou com diversos alunos de outras escolas e vários outros com o traje do Colégio Tomoeda. Sem que Shaoran percebesse, sua passagem por entre os últimos às vezes gerava alguns comentários. Os meninos reconheciam nele um dos membros do clube de futebol da escola, enquanto as meninas admiravam a beleza daquele jovem de cabelos e olhos castanhos, as alunas mais velhas torcendo para caírem na mesma classe dele e as novatas sonhando em chamar a atenção de um veterano tão charmoso.

Entre tantas pessoas na rua, uma delas viu Shaoran mais adiante e apressou o passo, parando bem ao lado do jovem chinês.

_ E aí, Li! Como vão as coisas?

_ Bom dia, Awada! – Shaoran cumprimentou amistosamente seu colega de clube, Kazuyuki Awada, um dos zagueiros do time do colégio – Tudo bem. Como foi de férias?

_ Ah, nada excepcional no meu caso. E você, voltou para sua casa em Hong Kong?

_ Voltei sim. Aproveitei agora já que não pude ficar muito tempo lá durante as férias de inverno, por causa dos últimos trabalhos e provas.

_ Espero que tenha descansado bastante em família, porque esse ano vai ser complicado pra gente...

_ Eu sei. Temos as provas para o colegial...

_ Sem falar nos desfalques no nosso time! – lamentou-se Awada - Vai ser um ano difícil sem o nosso capitão e sem o melhor goleiro que o colégio já teve...

_ Se todos do clube pensarem assim vamos perder cada jogo antes mesmo deles começarem. Lembre-se que ainda temos o Koji conosco! – Shaoran o repreendeu.

Os dois amigos seguiram seu caminho conversando especialmente sobre futebol. Quase nos portões da escola, por um momento Shaoran olhou para o lado e viu, com certa nostalgia, o prédio e demais dependências que abrigavam as classes primárias do Colégio Tomoeda, onde ele havia estudado anos antes. Além deles era possível ver parte do prédio principal do Colégio Seijyo, lugar que estava nos planos futuros do descendente de Clow.

Já dentro dos jardins do colégio, os rapazes se misturaram ao aglomerado de alunos em volta do quadro de avisos com as novas listas de classes. Antes, porém, que qualquer um deles pudesse procurar seu nome nas folhas de papel afixadas ali, alguém os chamou no meio daquele bando de adolescentes. Era Makoto Kawaguchi, lateral do time de futebol.

_ Awada! Li! Tudo beleza? Preparados para mais um ano letivo?

_ Com certeza! – o mago chinês respondeu sem pestanejar.

_ Fazer o que, né? – Awada resmungou, dando de ombros.

Makoto balançou a cabeça, desolado. Apesar de inteligente, como aluno Kazuyuki Awada era um tremendo preguiçoso. Felizmente como jogador ele compensava qualquer defeito.

_ Ânimo, Awada! Se isso serve de consolo, metade do clube de futebol que passou para o 3º ano caiu na mesma turma. Vocês já viram as listas de classes?

_ Ainda não, acabamos de chegar. – Shaoran explicou.

Uma garota se aproximou dos três rapazes, indo em direção ao descendente de Clow. Parecia inquieta com alguma coisa.

_ Li-kun, bom dia! – a voz harmoniosa de Tomoyo se fez ouvir – Bom dia, rapazes!

Shaoran saudou a amiga enquanto Awada e Makoto a cumprimentavam com seus melhores sorrisos. Muitos garotos admiravam a beleza da corista e eles eram apenas dois deles. Não era sempre que podiam desfrutar de alguns segundos da atenção dela, pois a única presença masculina que tinha sua atenção constante era justamente seu amigo chinês.

_ O que aconteceu, Tomoyo? Parece preocupada...

_ Pelo visto você ainda não viu as listas das classes, não é mesmo? – indagou a menina, mordendo de leve o lábio inferior – Esse ano você, a Sakura-chan e eu não vamos estudar mais na mesma classe!

Aquela notícia foi um choque para Shaoran. Ele sabia que o simples fato de estudar sempre na mesma classe de Sakura e Tomoyo não era garantia de que aconteceria o mesmo eternamente, mas ainda assim essa parecia ser a ordem natural das coisas e o jovem mago nunca pensou de fato que um dia tudo funcionaria de maneira diferente. Pedindo licença aos seus colegas de clube, ele finalmente se dirigiu até o quadro de avisos para procurar seu nome, sendo acompanhando pela adolescente de cabelos violetas.

Havia várias listas anexadas ao quadro, com as classes de todos os anos e outras informações, como o horário e local da cerimônia de abertura do ano letivo e da cerimônia de recepção dos alunos do 1º ano. Tomoyo lhe indicou onde estavam as listas do 3º ano do ginásio e Shaoran correu os olhos pelos papéis. Na primeira sala ele identificou alguns conhecidos, encontrou o nome da amiga ao seu lado e pouco depois o nome de sua antiga rival. Não viu o seu nome ali e isso lhe deu um frio na barriga. Olhou novamente a lista de cima a baixo, mas novamente não encontrou o seu próprio nome. Passou então para a lista seguinte, da classe 3-2, e nele identificou o nome dos colegas com os quais conversava a pouco. Algumas linhas abaixo de Makoto Kawaguchi, os kanjis que formavam o nome Shaoran Li finalmente apareceram. Agora não restavam mais dúvidas! Tomoyo e Sakura continuavam juntas, mas ele havia sido separado delas.

"No xadrez, Roque é o nome de um movimento duplo em que o Rei troca de posição no tabuleiro e é resguardado pela Torre."

Sakura chegou na escola quando Shaoran e Tomoyo trocavam um olhar triste que por si só já dizia muitas coisas. Sua alegria contagiante ao ver os dois amigos deu lugar a um ar de interrogação diante daquele clima pesado.

_ Shaoran-kun... Tomoyo-chan... O que aconteceu?

Os dois mais uma vez se olharam, como se discutissem silenciosamente quem é que daria a notícia. A tarefa ficou com o rapaz chinês.

_ Sakura... Eu não vou estudar com vocês este ano... – Shaoran comunicou com pesar.

_ Hoe? Como assim? – a Card Captor retrucou, olhando para ele sem entender. Se Shaoran estava com o uniforme do Colégio Tomoeda, então como poderia...

_ Li-kun não está mais na nossa classe, Sakura-chan... - Tomoyo explicou. Conhecer a amiga a tanto tempo lhe permitiu perceber logo como a sucessora de Clow interpretou a notícia.

A expressão no rosto de Sakura mostrou seu entendimento e depois mudou para preocupada. Incrédula, ela olhou para Shaoran como se precisasse de uma confirmação antes de ponderar se aquilo era mesmo verdade ou não e acabou vendo o que não queria no rosto triste do descendente de Clow. Então ela se dirigiu até o quadro de avisos e olhou as listas de classes por si mesma, o que só a entristeceu também. Saber que Shaoran não seria mais uma presença tão constante como a que estava acostumada a fez sentir-se repentinamente desamparada.

_ Deve haver um meio de mudar isso... Se a gente falar na secretaria, talvez... – a Card Captor começou a falar consigo mesma, com um ligeiro tom de nervosismo claramente presente em sua voz.

_ Sakura! – o descendente de Clow a chamou, segurando a menina pelos ombros e fazendo com que o olhasse nos olhos. – Está tudo bem! Eu vou estar na sala ao lado da sua, podemos nos falar nas trocas de professores e vamos continuar almoçando juntos, se você quiser. Até onde sei, nossos clubes vão permanecer nos mesmos dias, o que significa que podemos voltar juntos para casa também. Não é tão grave assim...

Shaoran tentava lhe transmitir calma falando de maneira afável, mas no fundo o rapaz sabia que eles não tinham nenhum argumento plausível para solicitar uma transferência de turma junto à administração do colégio. No entanto, ver Sakura parecendo tão perdida com a notícia quanto no dia em que ele disse que ia embora de Tomoeda foi de partir o coração. Sua vontade era passar um dos braços por sobre os ombros da garota de olhos verdes e a trazer para junto de si, onde a manteria até sentir que ela havia se tranqüilizado um pouco. No entanto, fazer isso diante de tanto alunos chamaria demais a atenção, por isso ele apenas sustentou o olhar dela silenciosamente e emitiu um fraco sorriso, que foi retribuído pela adolescente japonesa sem qualquer entusiasmo. Tomoyo só observava o casal em silêncio, tristemente.

_ Sakura-chan, Li-kun... Vamos indo? É melhor deixar nosso material nas salas antes de começar a cerimônia de abertura.

Os dois concordaram e o rapaz deixou a antiga rival andar ao lado da melhor amiga enquanto entravam no prédio. Os demais alunos também foram se dispersando do pátio, cada um indo para sua classe, e agora poucas pessoas chegavam para ver o quadro de avisos. Uma delas em especial, um rapaz ruivo de olhos azuis, olhou as listas do 3º ano do ginásio com certa surpresa.

_ Ora essa, o jogo já começou e eu nem precisei mover minhas peças! – Mitsuo Ishihara pensou ao ver seu nome na mesma classe de Sakura Kinomoto e o de Shaoran Li na classe ao lado – Resta agora saber se terei coragem de fazer o próximo movimento sobre o tabuleiro...

Pensativo, o enxadrista colocou a mão sobre a sua pasta escolar, como se precisasse se certificar de que havia dentro dela algum objeto em especial, depois seguiu pela escola adentro. Enquanto isso, Sakura, Shaoran e Tomoyo deixavam o material escolar em suas novas classes antes de seguir até o ginásio da escola para assistir à cerimônia de abertura do ano letivo. Agora em sala diferente, o mago chinês se viu obrigado a participar sentado junto de sua própria turma, o que deixou o descendente e a sucessora de Clow ainda mais desanimados.

De costas para a porta por onde os demais alunos entravam, Shaoran não viu quando Ishihara chegou até a turma 3-1. A sua preocupação em achar a si mesmo na lista da classe onde Sakura estava fez com que ele identificasse o nome do enxadrista sem, contudo, associá-lo à real pessoa a qual pertencia. Deste modo ele ainda não fazia a mínima idéia que, diferente dele, Mitsuo mais uma vez estudaria junto com a sucessora de Clow e ainda por cima sem a sua constante vigilância. Isso só foi percebido quando a cerimônia começou tão logo todos os alunos do 2º e 3º ano se reuniram.

Nada poderia ser mais tenebroso do que aquilo! Se Shaoran tivesse argumentos lógicos para pedir sua transferência para a turma de Sakura, certamente teria saído do ginásio diretamente para a secretaria da escola para fazer isso. Como não tinha nada a seu favor, sua vontade era literalmente agarrar Ishihara pelo colarinho, prensá-lo na parede e assim avisá-lo para ficar bem longe de Sakura, mas se fizesse isso deixaria claro ao inimigo que o via como uma grande e incômoda ameaça. Isso era doloroso para seu orgulho, por isso pensou melhor e optou por fazer um movimento mais simples e menos drástico. Ao fim da cerimônia, o jovem mago acompanhou as meninas de volta a sala de aula, onde se despediu tristemente de Sakura na porta da turma 3-1 e pediu a Tomoyo para permanecer com ele mais alguns segundos. Assim que sua antiga rival entrou na classe, Shaoran se virou para a amiga de cabelos violetas.

_ Por favor, cuide dela por mim, Tomoyo...

Tomoyo entendeu o motivo da recomendação imediatamente.

_ Você nem precisava me pedir isso, Li-kun! – a corista disse com um sorriso antes de entrar na classe atrás da amiga.

Como de costume, Sakura havia procurado um lugar próximo ao fundo da sala de aula, bem ao lado da janela, na posição a qual estava acostumada a sentar desde o primário. Tomoyo tratou rapidamente de sentar bem ao lado de Sakura, ficando deste modo exatamente na linha de visão que Ishihara teria da garota de olhos verdes, uma vez que o enxadrista, assim como no ano anterior, preferiu sentar-se na parede do corredor, próximo a porta da frente, mantendo-se em uma linha diagonal em relação as duas garotas. Qualquer olhar que ele direcionasse para sua prima, Tomoyo perceberia e Shaoran Li seria comunicado.

Torre da Dama Branca na casa d2.

Sendo o início do ano letivo, em cada sala houve a apresentação do professor responsável e dos demais membros do corpo docente, bem como a escolha do casal de representantes da classe. Tomoyo foi a escolhida na 3-1 e ficou muito feliz por ter como parceiro Keiichi Suzuki, um colega do clube de música que desde o primeiro ano do ginásio acompanhava constantemente o coral da escola tocando violino. Já na sala de Shaoran foi travada uma grande discussão a respeito desse assunto e ainda não haviam chegado a um consenso sobre quem seriam os escolhidos quando Kazuyuki Awada e Makoto Kawaguchi, vendo o colega chinês um tanto abatido, resolveram agitar ainda mais as coisas lançando também o nome do descendente de Clow como opção. As meninas logo se agitaram em favor do novo candidato e a maioria dos meninos também apoiou a idéia. Shaoran, surpreso, se viu como o eleito da 3-2 junto com Mitsuki Yashima, uma menina simpática e prestativa que liderava o Clube de Literatura do colégio.

O dia de aula transcorreu normalmente até a hora do almoço, quando Shaoran, mais do que depressa, foi até a sala ao lado para se juntar a Sakura e Tomoyo. Os três se acomodaram no local de costume do jardim da escola para comer e a Card Captor, mais animada, conversava sobre as novidades e estava feliz pela nova função dos amigos.

_ Acho a Tomoyo perfeita para o cargo, mas eu nunca me imaginei como representante de classe. – o rapaz disse com sinceridade.

_ Tenho certeza que vocês dois vão se sair muito bem! – a sucessora de Clow exclamou com entusiasmo.

_ Espero que sim, Sakura-chan! Mas isso já trouxe um pequeno problema para o nosso grupo de estudos...

_ É verdade! Como representantes de classe, Tomoyo e eu precisamos ajudar na organização da cerimônia de recepção dos calouros. Já que será na segunda-feira de manhã, vamos fazer isso ao final das aulas de hoje.

_ E sendo assim, infelizmente não vamos poder voltar com você para casa, Sakura-chan.

_ Não tinha pensado nisso... – Sakura murmurou um tanto chateada – Será que vocês vão demorar muito?

_ Cerca de uma hora, eu imagino. – ponderou Shaoran.

_ Como todos os representantes de classe vão ajudar, não deve passar disso. – completou a garota de olhos cor de ametista.

_ Então não há problema! – sorriu alegremente a Card Captor – Eu vou à frente e aproveito para preparar um lanche para nós enquanto os dois ajudam aqui na escola. Depois vocês vão para a minha casa e a gente estuda como havia combinado. O que acham?

_ Ótima idéia, Sakura-chan!

_ Se não for incomodo...

_ De maneira alguma! – Sakura tranqüilizou o antigo rival com tanta alegria que o fez sorrir.

A conversa entre o trio tomou outros rumos e tudo estava calmo e tranqüilo entre eles até a paz ser quebrada pela chegada de Awada e Tatsumi Ando, outro companheiro de Shaoran do clube de futebol. Os dois rapazes surgiram correndo até onde o estudante chinês estava sentado com as amigas. Com os hashis parados no ar, prestes a levar o último pedaço de comida a boca, o descendente de Clow esperou pela aproximação dos colegas, curioso para ouvir o motivo daquele afobamento.

_ Li! Que bom que o encontramos! – Awada falou apressadamente - O capitão Hideki está aqui!

_ Ele passou nas provas do Colégio Seijyo e veio nos fazer uma visita! - emendou Tatsumi - O pessoal está se reunindo lá no campo, então viemos chamar você!

Hideki Yoshida, ex-capitão do clube de futebol, era o integrante mais querido e respeitado do grupo. A saída dele foi bastante sentida por todos os jogadores e aspirantes do time do Colégio Tomoeda e por isso sua presença repentina na antiga escola era motivo de grande animação. Surpreendido e feliz com a notícia, Shaoran engoliu o que restava de seu almoço e olhou para as meninas como se pedisse a autorização delas. Tomoyo e Sakura lhe sorriram.

_ Pode ir, Shaoran-kun! Esperamos por você aqui. – a Card Captor o incentivou – Mande lembranças minhas para o Yoshida sempai!

O rapaz chinês agradeceu e se levantou da grama rapidamente, seguindo para o campo de futebol. Quase todos os integrantes do clube que ainda estudavam no Colégio Tomoeda estavam ali reunidos, tendo como centro um rapaz alto de cabelos escuros e olhos acinzentados. O descendente de Clow, junto com Awada e Ando, juntaram-se a eles em um bate-papo entusiasmado, misto de futebol e vestibular, devido a preocupação dos alunos do último ano do ginásio que, assim como fez seu antigo capitão, aspiravam entrar para o colegial. Infelizmente o tempo de todos eles era limitado e o ilustre visitante tinha que partir. Mesmo assim, antes de ir embora, Hideki chamou Shaoran para conversar em particular enquanto se encaminhava para a saída de seu antigo colégio.

_ Sabe, Li... Passada a correria do vestibular e da formatura, achei que eu lhe devia uma explicação sobre a minha escolha do Koji para novo capitão da equipe.

_ Não vejo motivo para isso, capitão. Sempre achei que o Koji era a melhor escolha.

_ E ele era, até a sua chegada. Apesar de novato no grupo, você mostrou determinação, comprometimento e talento, Li. Seria um excelente capitão para o time, e isso me deixou em dúvida. Precisei ponderar várias coisas e conversar muito com o Prof. Arai antes de tomar minha decisão.

_ Agradeço os elogios, capitão, mas mesmo que eu seja tudo o que diz, ainda assim o Koji é mais experiente e também já está na equipe há mais tempo. Para mim sempre ficou bem claro que ele seria a escolha natural.

_Confesso que estes argumentos pesaram bastante em minha decisão a favor do Koji. Entretanto, talvez o que tenha pesado mais foi uma coisa que contou especialmente contra você.

Intrigado, Shaoran arqueou as sobrancelhas. Tal gesto não passou despercebido por Hideki, que deu um ligeiro sorriso antes de se explicar.

_ Você joga bem, Li. Muito bem! – disse o rapaz mais velho com satisfação – Mas lhe falta algo. Falta-lhe paixão dentro de campo!

A princípio, o descendente de Clow olhou seu antigo capitão sem entender, mas em seguida assumiu um semblante pensativo.

_ Você gosta de jogar futebol, Li? Gosta realmente?

Shaoran hesitou.

_ Bem... Eu gosto, mas...

_ Como eu imaginei! – exclamou Yoshida, vendo suas teorias tomarem forma – Você gosta, e eu não duvido disso, mas há coisas que você gosta muito mais de fazer do que jogar bola, não é mesmo?

_ Sim, é verdade. – assumiu placidamente o mago chinês.

_ E o que você realmente gosta de fazer, Li? – perguntou curioso o colegial.

_ Gosto de artes marciais e de lutar com espadas.

_ Entendo...

Hideki ponderou a resposta por alguns instantes.

_ Diga-me, Li... Já pensou para quais escolas você vai prestar as provas do colegial?

_ Vou tentar o Colégio Seijyo, capitão.

_ O irmão da Kinomoto estudou lá, não é? Imagino que ela também vá tentar o Seijyo.

_ Isso mesmo. - o descendente de Clow assentiu.

_ E você vai prestar por causa dela?

A pergunta imprevista fez Shaoran corar e Yoshida sorriu diante daquela reação já um tanto esperada.

_ De certa maneira sim... – o adolescente de cabelos castanhos respondeu com seriedade, recompondo-se da surpresa e encarando o rapaz mais velho – Mas não farei isso apenas pela Sakura. Antes de tomar minha decisão, perguntei para várias pessoas sobre os melhores colégios da região e a maioria delas me disse que o Colégio Seijyo é muito bom. Além disso, tem a vantagem de ser perto de casa. Ainda assim vou prestar também as provas para o Colégio Okamoto e para o Colégio Koyama, que também me disseram que são escolas muito conceituadas.

_ Vejo que fez suas escolhas de maneira bem sensata e isso é muito bom, Li. Os três colégios são boas escolhas. O Okamoto é o melhor de toda Tomoeda e por isso o mais difícil e disputado deles. Eu bem que tentei, mas não consegui passar. A desvantagem maior do Koyama é a distância. Já o Seijyou, além de ser uma das melhores escolas da cidade, tem a vantagem de ser aqui no nosso bairro. Além disso, ele tem um clube de futebol muito forte. Eu sempre aspirei passar no vestibular para o colégio Seijyo porque quero virar jogador profissional.

_ Fico contente que tenha conseguido isso, capitão! – Shaoran disse com visível satisfação.

_ Obrigado, Li. Pelo que me disse, creio que o Seijyo será o melhor lugar para você também. Ele tem mais opções de clubes que o Tomoeda e até mesmo que o Koyama. Ainda não conheço quais são os clubes de artes marciais de lá, mas já ouvi dizer que o clube de kendo dele é muito bom e sei que também há um clube de esgrima. Opções não vão lhe faltar e você ainda vai ter a companhia da Kinomoto também. – disse Hideki piscando um olho de maneira marota. - Por isso vou torcer por você!

O descendente de Clow corou novamente, mas agradeceu. Agora ambos estavam parados em frente aos portões do Colégio Tomoeda.

_ Uma última coisa, Li. Você algum dia sonhou em ser o capitão do time?

_ Nenhuma vez. – o jovem chinês respondeu com sinceridade evidente.

_ Então eu fiz a escolha certa! – Hideki suspirou com alívio – Bem... Foi um prazer conhecê-lo! Espero que a gente se encontre ano que vem no Colégio Seijyo. Se isso acontecer, dedique-se a alguma atividade que você realmente gosta e a qual pode se entregar de corpo e alma. Se achar algo que lhe agrade, vou sentir sua falta no clube de futebol. Caso contrário, da minha parte você será sempre bem-vindo ao time.

Shaoran agradeceu mais uma vez e eles se despediram com um aperto de mão. Assim que Hideki partiu, Shaoran correu de volta para o lugar onde tinha deixado Sakura e Tomoyo. Tinha poucos minutos para ficar com elas antes do sinal tocar.

Enquanto Shaoran conversava com os amigos do clube de futebol, a Card Captor permaneceu junto da prima no jardim da escola até ser a vez de Tomoyo também ser chamada por alguém. Uma garota do clube de música apareceu a procura da adolescente de olhos e cabelos cor de ametista para avisar que haveria mudanças no horário do coral naquele ano. Como o intervalo estava prestes a acabar e Shaoran logo estaria de volta, Tomoyo foi rapidamente verificar as informações e encontraria Sakura já na sala de aula se o sinal batesse. A corista se despediu da sucessora de Clow e nenhuma delas percebeu que, a alguns metros de distância, uma pessoa as observava atentamente. Sakura se levantou do chão tão logo Tomoyo partiu e recostou-se no tronco da árvore que lhe dava abrigo. Os galhos sobre si farfalhavam com a brisa gentil de primavera, envolvendo a Card Captor em uma singela chuva de pétalas e deixando em seus lábios um sorriso feliz. Enquanto esperava sozinha pelo retorno do amigo chinês, a sucessora do poderoso Mago Clow admirava as cerejeiras da escola, que a cada dia que passava coloriam um pouco mais tudo ao seu redor em rosa e branco. No dia seguinte Abril começaria, trazendo consigo a festa de seus 15 anos. Sakura adorava este mês, não só porque era o mês de seu aniversário mas porque era lindo ver a árvore que lhe deu nome em pleno auge da florada. A japonesa de olhos verdes estava tão concentrada em contemplar as flores que não notou os passos que se aproximavam até ouvir seu nome ser chamado por uma conhecida voz masculina.

Dama Branca na casa g4.

Bispo do Rei Preto na casa e5.

_Kinomoto-san...

_ Hoe?

Sakura se virou e só então percebeu o rapaz ao seu lado. Simpática como sempre, ela abriu seu sorriso acolhedor.

_ Ishihara-kun! Está tudo bem? Ficamos na mesma classe novamente, né?

Habituado a não demonstrar suas emoções durante uma partida importante, Mitsuo Ishihara parecia calmo e tranqüilo como de costume. No entanto, internamente ele estava nervoso e muito inseguro, pois ainda tinha dúvidas se deveria realizar a jogada que tinha planejado no tabuleiro da vida real. O enxadrista ficou discretamente atento aos movimentos da Card Captor durante todo o dia a espera de uma chance de se aproximar dela, pois sabia que qualquer movimento impensado seria visto pela atual representante de classe. A posição de Tomoyo Daidouji na sala de aula em relação à sucessora de Clow deixou claro que a corista iria agir como uma muralha de defesa em favor de Shaoran Li. O chinês foi inteligente e moveu a sua peça mais forte no tabuleiro, colocado-a em um ponto estratégico. No entanto, a espera paciente de Mitsuo lhe rendeu frutos. Agora ele finalmente tinha sozinha diante de si a menina que nos últimos meses desconcentrava seus sentidos. No entanto, vê-la olhar para ele e pronunciar seu nome sorrindo só conseguiu deixá-lo pior. Sentiu o rosto ficar vermelho, mas agora precisava seguir em frente. Ele tinha que falar alguma coisa! Tinha que jogar o seu jogo.

_ Kinomoto-san... Sei que amanhã é sua festa de aniversário e agradeço mais uma vez pelo convite, mas eu... Me desculpe, não poderei ir.

_ Ah, que pena! – Sakura lamentou com autêntico pesar.

A reação dela incentivou Ishihara a realizar o próximo movimento.

_ Lamento, mas estarei fora da cidade. Por isso, se não se importar, gostaria de lhe dar isto... – falou o rapaz ruivo, estendendo para a garota um bonito pacote.

Shaoran retornava da conversa com o capitão Hideki nesse exato momento. Ao contornar o prédio principal para se encontrar com Sakura, viu o rapaz que estudava com ela lhe estendendo o presente. Muito surpreso, rapidamente recuou alguns passos e se escondeu atrás da parede, sem ser percebido. Ciumento como era, começou a observar e ouvir discretamente tudo o que acontecia, com cara de poucos amigos. Morria de raiva quando via Sakura conversando com Ishihara, mais ainda do que sentia na época de Eriol.

Rei Branco na casa d2.

Sakura pegou o presente, um pouco surpresa. Não esperava ganhar algo justo de Ishihara. Ao abrir o pacote, tirou um delicado bloco de notas decorado com flores de cerejeira.

_ Ah, que lindo! Muito obrigada! – exclamou Sakura alegremente.

_ É só uma pequena lembrança. Não foi possível lhe trazer o verdadeiro presente aqui na escola. Você se importa se eu levar mais tarde na sua casa, Kinomoto-san?

_ Claro que não! Mas não precisava se preocupar com isso! – a Card Captor respondeu sorrindo.

O sorriso dela deu ao enxadrista a coragem e confiança necessárias para fazer a sua jogada mais importante.

Bispo do Rei Preto na casa c3.

_ Kinomoto-san... Tem mais uma coisa...

_ Hoe? O que foi? – ela perguntou curiosa.

Mitsuo ficou de costas para Sakura, para ter certeza que não voltaria atrás na sua decisão diante do olhar indagador dela. Tirou da voz o máximo possível do seu nervosismo.

_ Apesar de achar que o Li é seu namorado, eu quero dizer que eu gosto de você! – terminou de falar, fitando novamente a garota tentando disfarçar seu olhar ansioso e a respiração alterada.

Ao ouvir isso, Shaoran colou as costas contra a parede, em estado de choque. Sakura não reagiu muito diferente dele. Paralisada diante da confissão de Ishihara, sentiu um turbilhão de pensamentos invadirem sua mente em questão de segundos. Sabia que Shaoran gostava dela e ela retribuía esse sentimento, mas...

Agora foi a vez dela virar as costas. Fechando os olhos, baixou a cabeça e respondeu tristemente:

_ Shaoran-kun não é meu namorado...

Shaoran congelou ao ouvi-la proferir essas palavras e relembrou tudo o que seu coração já havia passado até ali. Como demorou para descobrir que gostava de Sakura; da pressão da observadora e sempre direta Tomoyo, fazendo com que ele admitisse o que sentia para depois encorajá-lo; das várias chances perdidas de se declarar, que ele lamentava e agradecia ao mesmo tempo; do dia em que finalmente tomou coragem suficiente para dizer a verdade a Sakura, e viu em resposta o mesmo olhar surpreso que ela ostentou a pouco, diante da declaração de Ishihara...

O que fazer? Ele sabia que Sakura estava certa. Eles não eram namorados. Mas, se já foi tão difícil dizer o que sentia para a própria Sakura, como então admitir isso publicamente para a família e os amigos, tímido e inseguro como ele era quando se tratava de sentimentos?

Rei Branco em xeque.

Apesar de ter notado a tristeza dela, Ishihara não pôde deixar de sorrir diante da resposta da sua colega de classe.

_ Então, eu posso ter esperanças?

Sakura não sabia o que dizer. Gostava de Shaoran, mas seu coração bondoso não queria machucar Mitsuo. Então, baixando ainda mais a cabeça e franzindo os lábios, deu a resposta que achou mais lógica...

_ Eu... Eu não sei... – murmurou ela, enquanto pequenas lágrimas se formavam por baixo das pálpebras.

O rapaz sorriu aliviado. Isso era indiretamente um "sim".

_ Tudo bem. Eu posso esperar. – ele disse satisfeito, se afastando lentamente.

Sakura sentia-se perdida, triste, insegura. Sabia que os sentimentos de Shaoran eram sinceros, mas até que ponto eles eram fortes? Afinal, quando descobriram que se gostavam, eles eram apenas crianças, e isso já iria fazer uns cinco anos. O sentimento amadureceu lentamente nesse tempo, mas mesmo assim, na prática, continuavam a ser apenas amigos. Será que sempre seria assim? Será que ela não poderia perdê-lo quando aparecesse alguém de quem Shaoran gostasse mais?

Ainda preso a parede, Shaoran tentou se recuperar. Quando finalmente conseguiu, se aproximou de Sakura.

_ Sakura... – murmurou ele, sem conseguir disfarçar a tristeza e o nervosismo.

_ Shaoran-kun...

Surpresa, seu olhar demonstrava a mesma confusão de sentimentos que o dele, deixando o jovem chinês em dúvida sobre que atitude tomar. Vê-la assim e ignorar seria indelicado, mas perguntar o que havia de errado ou demonstrar que presenciara tudo só dificultaria as coisas, com Sakura naquele estado.

Preferiu a primeira opção. Tentando agir naturalmente, como se não soubesse de nada, acariciou suavemente seu rosto, ainda um pouco úmido das lágrimas que ela tinha limpado um pouco antes dele aparecer.

_ O que faz sozinha aqui? Onde está a Tomoyo?

_ Ela aproveitou o intervalo para ver os novos horários de ensaio do coral... – murmurou ela, desviando do olhar preocupado dele.

Shaoran não sabia bem como prosseguir. Viu Sakura segurando o presente de Ishihara, em dúvida se seria melhor perguntar o que era ou não. Nesse momento, o sinal tocou. Sakura fez menção de sair sozinha rumo as salas de aula, mas o descendente de Clow a segurou pela mão e silenciosamente os dois voltaram para dentro do prédio.

_ Vamos estudar essa tarde, não é? – ele perguntou hesitante, antes que a garota entrasse na classe 3-1.

Sakura ficou em silêncio por uns instantes, depois suspirou.

_ Claro, por que não? – ela deu de ombros. Dizendo isso entrou na sala, ainda sem encará-lo.

O descendente de Clow ficou olhando a sua amada Card Captor entrar, sentindo-se totalmente perdido. Não havia magia no mundo que pudesse ajudá-lo agora. Seguiu para sua sala com muita raiva de si mesmo. O problema não era, e nunca foi, Mitsuo Ishihara, era ele próprio. Não bastava gostar de Sakura, precisava tomar logo uma posição! Nenhum dos dois era mais criança, por isso Sakura tinha todos os motivos para ficar chateada com a falta de atitude dele.

Tomoyo se assustou ao ver a sempre alegre Sakura entrar naquele estado. Tentou perguntar o que houve, mas tudo o que conseguiu em resposta foi ver Sakura escondendo o rosto nos braços cruzados sobre a carteira até o professor entrar. Ishihara olhou a colega pelo canto do olho, também preocupado, mas sabia que agora deveria dar tempo ao tempo.

Nem Sakura e nem Shaoran conseguiram prestar atenção nas aulas que se seguiram. Tomoyo também não, preocupada com a amiga. Ao som do último sinal, a japonesa de olhos verdes se despediu com poucas palavras e saiu sozinha. Sua prima, no entanto, correu para a sala de Shaoran, tentando saber o que poderia ter acontecido. Encontrou o rapaz já saindo para o corredor, no mesmo estado de espírito depressivo em que a sucessora de Clow estava, e tudo o que obteve foi um pedido de desculpas seguido de um inquebrável silêncio, mas dessa vez ela não se deu por vencida.

_ Shaoran Li! – a garota exclamou furiosamente antes de baixar o tom de voz para não chamar a atenção de outros estudantes - Não sei o que aconteceu depois que deixei a Sakura-chan sozinha esperando por você, mas seja o que for vocês são meus melhores amigos e não vou sossegar até saber qual o problema e ajudar, se puder!

Atônico por ver a amiga brava, talvez pela primeira vez na sua vida, o mago chinês percebeu que fugir dela não daria em nada, mas ali não era local e nem momento para conversarem.

_ Como representantes de classe, temos que ajudar nos preparativos para a recepção dos calouros. – ele disse em tom sério e impessoal, sem olhar para ela, antes de baixar a voz também – Eu te explico tudo no ginásio, Tomoyo.

A corista deu um suspiro de alívio e os dois seguiram na direção contrária da maioria dos alunos até se juntarem ao outros representantes no ginásio da escola. Em meio a testes de som, faixas penduradas, chão sendo varrido e cadeiras postas em ordem eles poderiam conversar sem atrair a curiosidade de ninguém. Foi então que o descendente de Clow narrou toda a conversa que presenciou entre a Card Captor e Mitsuo Ishihara, sem omitir nada.

_ Eu não acredito que o Ishihara-kun fez isso! – Tomoyo praguejou baixinho enquanto abria e posicionava mais uma cadeira dobrável a uma fileira – Mas como ele podia saber que a Sakura-chan ficaria sozinha?

_ Ele deve ter esperado por um momento propício e agiu assim que este momento surgiu. – Shaoran respondeu com desânimo, abrindo também uma cadeira - Um de nós podia chegar a qualquer momento, mas tudo o favoreceu. Foi inevitável.

_ Não existem coincidências... – a adolescente murmurou, pensativa.

_ Exatamente! Aconteceu porque deveria acontecer, mas agora... Agora, o que eu faço, Tomoyo? – perguntou o descendente de Clow de maneira desesperada, passando mão nervosamente pelos cabelos - Se você visse os olhos da Sakura quando ele se declarou para ela... A expressão dela quando disse que nós não... que eu não...

Tomoyo olhava para o colega com um misto de tristeza e compaixão.

_ Você se lembra do sorteio para o trabalho de História, Li-kun? Lembra que eu lhe disse que a aproximação da Sakura-chan com o Ishihara-kun talvez resultasse em uma coisa boa até mesmo para você?

_ Eu me lembro, mas não aconteceu nada de bom até agora, Tomoyo! Muito pelo contrário! – desabafou o rapaz chinês, visivelmente irritado.

A corista sorriu de forma serena. Terminado de colocar a última cadeira naquele ponto do ginásio, ela discretamente pegou nas mãos do amigo e as apertou de leve, para confortá-lo.

_ Essa história ainda não acabou, Li-kun. Você precisa conversar com a Sakura-chan. Ser sincero com ela e principalmente consigo mesmo. Por isso eu não irei mais a casa dela essa tarde ou vou atrapalhar tudo. Vocês dois precisam fazer isso sozinhos.

Shaoran empalideceu.

_ Mas, Tomoyo... O que eu vou dizer a ela?

_ Você conhece a Sakura-chan quase tão bem quanto eu, Li-kun! Sabe que ela é uma menina meiga e encantadora. Portanto acalme-se e siga seu coração e tudo vai dar tudo certo. Eu tenho certeza!

O rapaz encarou a amiga com o cenho franzido e olhar desconfiado, mas o otimismo e a confiança da garota eram tão visíveis em seu sorriso que o adolescente chinês não pode evitar ser contagiado por esses sentimentos. Apertando as mãos dela entre as suas, ele retribuiu o apoio.

_ Obrigado, Tomoyo! Você é a melhor amiga que eu já tive em toda a minha vida!

_ E você é um amigo tão importante para mim quanto a Sakura-chan, Li-kun!

E terminando com suas obrigações, os dois deixaram o colégio. Tomoyo seguiu para sua casa, deixando Shaoran ir sozinho para a casa da sucessora de Clow. Ele ainda não sabia o que fazer quando ficasse novamente frente-a-frente com Sakura, mas sabia que tudo dependia somente dele.

Quando o último sinal da escola tocou naquela tarde, Sakura deixou a classe e voltou para casa o mais rápido que podia. Queria evitar os questionamentos de Tomoyo e o encontro com Shaoran. Uma espessa nuvem de tristeza pairava sobre ela e continuou assim por todo o caminho. Chegando na casa da família Kinomoto, subiu diretamente para o quarto e se jogou na cama, onde se pôs a chorar baixinho. Kerberus, que era o único na casa naquela hora, assustou-se com a tristeza de sua dona e depois de tentar conversar com ela, sem sucesso, para saber o que houve, começou a criar as suas próprias teorias.

_ Foi o moleque, não foi, Sakura? O que ele te fez? Eu vou acabar com ele! – esbravejou o pequeno Guardião do Sol.

_ Kero-chan, por favor... Me deixe sozinha...

_ Mas, Sakura...

Um novo pedido em voz sussurada de choro fez Kero obedecer sem questionar mais, mas jurando intimamente que, se o garoto chinês fosse realmente a causa das lágrimas de Sakura, não haveria perdão! Ele tostaria Shaoran Li até não sobrar um único fio de cabelo dele!

Ouvindo a porta do quarto ser fechada, a Card Captor levantou o rosto úmido do travesseiro, virou-se na cama e pôs-se a olhar o teto, pensativa. Primeiro lembrou-se da declaração do pequeno Shaoran, depois lembrou-se da declaração de Mitsuo Ishihara. Apesar do susto que tomou em ambas as ocasiões, foram sensações bem diferentes. O chinês a fez corar, mas o enxadrista lhe deu calafrios. Não havia dúvidas sobre qual dos dois ela gostava, mas...

"Shaoran-kun não é meu namorado..."

Ela nunca tinha pensado nisso até ouvir a declaração de Ishihara. Gostava de Shaoran, a simples presença dele a alegrava e confortava. Tê-lo como um amigo querido e muito especial nunca a incomodou e tudo estava bem daquele jeito, até agora. No entanto, ao revelar seus sentimentos para a garota de olhos verdes, o enxadrista fez Sakura finalmente compreender o que havia mudado nos seus próprios sentimentos em relação ao descendente de Clow. Aquele constrangimento e aquela estranha expectativa que passou a tomar conta dela quando ficava próxima demais de Shaoran agora fazia sentido. Ter o colega chinês simplesmente como amigo não lhe bastava mais.

Enxugando com as costas da mão o rastro das lágrimas em seu rosto, a sucessora de Clow olhou para seu despertador. Havia passado mais tempo do que ela imaginava. Logo Shaoran e Tomoyo chegariam para estudar com ela e não havia nada preparado para recebê-los, e isso incluía especialmente seu coração ansioso e inseguro. Por isso, não tendo mais como evitar aquele encontro, ela desceu até a cozinha para preparar um suco e alguns sanduíches para os dois amigos. Tentaria esquecer o assunto que sua mente insistia em remoer pelo menos nas próximas horas e depois veria o que fazer.

A campainha do sobrado amarelo não demorou muito a tocar. Sakura tentou sustentar seu sorriso padrão ao atender a porta, mas ele deu lugar a uma expressão surpresa ao ver ali apenas o rapaz de Hong Kong.

_ Shaoran-kun! A... A Tomoyo-chan...

_ A mãe dela ligou quando a gente vinha pra cá. Parece que elas vão receber visitas importantes e por isso a Tomoyo precisou ir para casa. – Shaoran respondeu tentando parecer o mais natural possível. Para ele o reencontro também não estava sendo fácil.

Sakura baixou os olhos, sem saber o que fazer. Não queria ficar a sós com seu antigo rival, mas ao mesmo tempo o queria ao seu lado. Ele percebeu a confusão dela e hesitou também.

_ Acha melhor a gente só estudar na segunda-feira? Se quiser, eu vou embora. Não tem problema...

Sakura o fitou, percebendo nos olhos dele que Shaoran estava se sentindo tão desconfortável quanto ela. A Card Captor percebeu que ele também sentia que tinha algo errado entre eles, apenas não tinha noção do quanto o mago chinês sabia a esse respeito. Sendo assim, de que adiantaria fugir ou adiar aquele momento? Ela preferiu deixar as coisas acontecerem naturalmente, pelo menos naquela tarde.

_ Claro que não, Shaoran-kun! Entre, por favor, ou o Kero-chan vai ter que comer todos os sanduiches que fiz! – Sakura disse com um sorriso fraco, muito diferente do que ela costumava exibir.

Shaoran assentiu com a cabeça e entrou na casa. Acomodou sua pasta em uma poltrona e Sakura serviu o lanche. Kerberus desceu nessa hora e estava mais implicante e mal-humorado com o descendente de Clow do que de costume e Sakura, que o tinha proibido de falar qualquer coisa sobre o que aconteceu depois que ela chegou da escola, logo pediu pra ele voltar para o quarto, dizendo que ela e Shaoran tinham que estudar. Percebendo o tom amargurado na voz dela, Kero obedeceu sem questionar, mas muito preocupado com sua mestra. Ah, se o moleque tivesse mesmo ferido o coração de Sakura, ainda mais na véspera do aniversário dela, acabaria com ele!

O casal passou o resto da tarde sobre os livros, fingindo que estava estudando, pois no fundo nenhum dos dois conseguia se concentrar. Só conseguiam pensar nos próprios sentimentos, mas nenhum deles se atreveu a conversar sobre isso. Shaoran bem que queria, mas ainda não sabia o que dizer, e nem como. Precisava pensar melhor. Por isso, quando chegou o fim da tarde, ele achou melhor ir embora, pois logo Touya e o prof. Fujitaka chegariam. Com aquele clima pesado e estranho entre ele e Sakura, seria difícil convencer qualquer um dos dois que não havia nada de errado ali. E ele também não queria estragar os preparativos para a festa de aniversário de Sakura, que seria na tarde do dia seguinte. Talvez longe da sua presença ela se animasse.

Sakura se entristeceu profundamente quando o amigo disse que ia embora, mas acompanhou Shaoran até o portão, parando no fim da pequena escada, cabisbaixa. E não conseguindo mais se segurar, começou a chorar. O rapaz, vendo a menina daquele jeito, sentiu o ar lhe faltar. Então, delicadamente, abraçou Sakura pelos ombros, sentindo as lágrimas dela aumentarem e ouvindo os suaves soluços.

Tudo era exatamente igual ao dia em que ela chorou por causa de Yukito frente aos balanços do Parque Pingüim. A diferença era que o culpado pelas lágrimas de Sakura, dessa vez, era o próprio Shaoran, o que tornava o momento ainda mais amargo para ele. Mesmo assim, com a voz aparentemente calma, ele começou a falar em seu ouvido.

_ Sakura... Não importa o que aconteça, eu sempre estarei aqui ao seu lado, porque... eu gosto muito de você!

Ouvindo isso, ela se tranqüilizou um pouco e parou de chorar. Apertou os braços com mais força em volta da cintura dele.

_ Eu também, Shaoran-kun! – respondeu ela, dando um leve sorriso ao pronunciar o nome daquele de quem tanto gostava.

Shaoran foi tomado de alívio ao ouvir essa resposta. Afrouxou levemente o abraço para poder ver melhor Sakura que, parada sobre o degrau, ficava quase da mesma altura que ele. Olhou para ela docemente e aproximou seu rosto, tocando a testa da menina com a sua, enquanto contemplava de perto seus brilhantes olhos verdes, ao mesmo tempo em que Sakura podia perceber todo o carinho contido naqueles lindos olhos castanhos. E sem que os dois percebessem, seus rostos se aproximaram ainda mais. Sentindo os narizes se tocarem, ambos sorriram.

Sakura sentiu então seu espírito tomado de grande expectativa, enquanto Shaoran percebia seu coração disparar, totalmente perdido no olhar tímido da garota que amava. Ambos fecharam lentamente os olhos, sentindo os lábios se tocarem. Apenas um beijo breve e suave, seguido de outros iguais a ele enquanto o abraço que os unia se tornava mais forte. Nenhum deles via, ouvia ou sentia mais nada, apenas um ao outro.

Quando finalmente se separaram e voltaram a si, sentiram o próprio corpo tremer levemente, num misto de medo, insegurança e confusão, olhando um para o outro, simplesmente sem saber o que pensar. Shaoran ia até pedir desculpas, mas algo dentro dele gritava fortemente que não devia fazer isso. E foi justamente nesse momento que ele conseguiu juntar toda a sua coragem. Segurando firmemente as mãos de Sakura, sem tirar os olhos dela, sentiu o coração acelerar ainda mais. Sakura assustou-se, mas não recuou. Podia sentir nitidamente o coração de Shaoran batendo, mesmo a distância, como se fosse o seu próprio, enquanto ele a olhava com determinação. Então finalmente Shaoran falou o que devia ter dito há muito tempo...

_ Sakura! Você me aceita como seu namorado?

A garota abriu bem os olhos, muito espantada. Simplesmente não acreditava no que ouvia. Não conseguiu evitar que as lágrimas voltassem, o que preocupou em princípio Shaoran, mas dessa vez eram lágrimas de felicidade, uma felicidade intensa e muito, muito esperada. Tornou a abraçá-lo, com todas as suas forças, vibrando de alegria.

_ Shaoran-kun... Isso é tudo o que eu mais quero!!!

E ficaram abraçados assim pelo que pareceu ser uma eternidade, até que Sakura tornou a ficar triste, se afastando um pouco de Shaoran, que a olhou sem entender o que se passava.

_ Mas... Shaoran-kun, tem algo que eu preciso lhe dizer...

Ele arqueou uma das sobrancelhas e rapidamente compreendeu.

_ É sobre o Ishihara, não é? – falou ele serenamente, observando a surpresa dela.

_ Como você sabe?

_ É que... Eu cheguei bem na hora que ele se declarou para você...

_ Então você... Você viu tudo?! E não... Não está bravo comigo?

_ Claro que não! – falou Shaoran, num tom bem sério - Você deu as respostas certas. Eu é que fui um tolo e não consegui antes assumir de fato que gosto de você diante de todos. Desculpe por tê-la magoado por tanto tempo... – completou, com voz triste.

_ Não... Valeu à pena esperar! – disse ela com um lindo sorriso, levando a mão ao rosto dele, o que o fez sorrir também, aquele grande e lindo sorriso que era quase exclusivo para ela.

Os dois ouviram o grande relógio da escola bater ao longe. Era mesmo hora de ir, o que fez os dois darem um suspiro tristonho.

_ Preciso ir.

_ Eu sei, mas... Você volta amanhã para a minha festa, não é? – perguntou a Card Captor, cheia de expectativa.

Shaoran pensou um pouco.

_ Não sei... Além da implicância normal do seu irmão, eu não sei se... se nós vamos saber como agir juntos agora, diante de todos.

Sakura entendeu. Com certeza, assim que ele chegasse para a festa, nenhum dos dois se sentiria mais a vontade perante os demais, o que seria muito estranho. Todos perceberiam. E a novidade era algo que teriam que contar para cada um com calma. Especialmente para Touya e Kerberus.

_ Eu sei, mas... Eu gostaria muito que você viesse! – falou ela, olhando para o chão, encabulada.

Shaoran correu a mão pelos cabelos macios de Sakura.

_ Tudo bem, eu virei então, como já havia prometido.

_ Verdade? – perguntou ela, muito ansiosa.

_ É uma promessa! – ele confirmou, mostrando o dedo mínimo para selarem o yubikiri, como faziam nos tempos de criança.

Sakura selou a promessa e deu um pulo de alegria que fez Shaoran rir, o que só a deixou mais alegre ainda. Mas ele logo voltou a assumir seu ar sério, olhando desconfiado para todos os lados. Verificando que não havia ninguém por perto, segurou carinhosamente o rosto da menina e, ainda inseguro, a beijou novamente, deixando-a tão vermelha quanto ele.

_ Wo ai ni, Sakura...

Sakura fitou o descendente de Clow sem entender a princípio, mas logo percebeu o que aquelas palavras em chinês deveriam significar, e corou mais ainda. Baixando os olhos, sorriu timidamente e respondeu em japonês.

_ Shaoran-kun, watashi mo yo... Aishiteru!

Shaoran a abraçou, satisfeito. Depois se despediu e seguiu correndo seu caminho, olhando diversas vezes para trás, retribuindo os acenos da sua querida amiga e ex-rival, que agora havia se tornado sua namorada. Do outro lado da rua, porém, escondido em uma esquina, alguém havia presenciado aquela cena. Com uma expressão triste no rosto, o observador esperou o rapaz se distanciar e a garota entrar na casa. Depois se dirigiu ao simpático sobrado amarelo, abriu o portão silenciosamente e depositou ao lado da porta de entrada um lindo bonsai de cerejeira, cujas flores cor-de-rosa foram se despetalando lentamente com brisa assim que ele virou as costas. Para ele, aquela partida estava perdida.

Xeque-Mate


Notas da autora:

1- O jogo de xadrez: como já mencionei lá em cima, o capitulo todo foi baseado em um jogo de xadrez, já que o Ishihara é um enxadrista. Tentei visualizar os personagens como as peças em um tabuleiro e pensar em seus movimentos como as posições nas casas da seguinte maneira:

No xadrez, quem começa a partida é o jogador com as peças brancas. Como o Shaoran é um personagem da história original, ele entrou primeiro no "Campo de Batalha" pelo coração da protagonista e por isso fiz dele o Rei Branco. Conseqüentemente a Sakura se tornou a Dama Branca.

A Torre, enquanto construção, é um lugar alto, para observação e defesa. No xadrez ela também é uma peça importante. Achei perfeito para representar observadora Tomoyo, por isso fiz dela a Torre da Dama Branca.

Até onde conheço dos movimentos de cada peça de xadrez, um Rei não pode dar Xeque a outro Rei ou ele mesmo levará um Xeque-Mate e perde o jogo. Um Rei também não tem forças para tomar uma Dama sem colocar a si mesmo em Xeque. Por isso não fiz do Ishihara o Rei Preto, e sim o Bispo do Rei Preto, já que o Bispo é uma peça que anda na diagonal do tabuleiro e dentro da sala de aula o Mitsuo sempre está na diagonal em relação ao lugar onde a Sakura senta.

Infelizmente o Touya, o Yukito e o Kero não têm importância nesse capítulo, senão eu teria feito deles peças de xadrez também. O Touya seria o Cavalo da Dama Branca, o Yukito o Bispo da Dama Branca e o Kero-chan um Peão Branco.

O Rei é a peça mais importante do jogo e sua captura simboliza o fim da partida. Xeque é o aviso que o jogador dá ao seu adversário quando move uma peça de modo a colocá-la prestes a tomar o rei Inimigo. Xeque-Mate é quando o Rei inimigo não tem mais escapatória e é capturado pelo adversário.

Quanto ao Roque, existem dois tipos de Roque, o grande e o pequeno. O movimento que usei para simbolizar a troca de classe do Shaoran foi o Roque grande, onde o Rei faz Roque com a Torre da Dama. A idéia de usar esse movimento veio depois de escolher a Tomoyo como a Torre da Dama Branca, o que acabou caindo como uma luva para fazer esse tipo de Roque!

2- O começo do ano letivo: o ano letivo japonês começa em Abril, após as férias de Primavera, mas como no ano em que se passa esse capítulo (2001) o 1º de Abril, aniversário das Sakura, caiu em um domingo, decidi colocar a aula inicial em um sábado, no último dia de Março, como um dia onde os alunos do 2º e 3º ano simplesmente tivessem que ir a escola só para conhecer suas novas classes, professores, horários dos clubes e coisas do tipo, enquanto o ano letivo pra valer começaria na segunda-feira, com a recepção dos novatos do 1º ano também. Não sei se isso é possível acontecer dentro de uma escola japonesa de verdade, mas para fazer os acontecimentos na seqüência que eu queria, tomei essa liberdade.

3- Yubikiri: é um tipo de promessa, geralmente feita por crianças, onde os envolvidos cruzam os dedos mindinhos para selar o que estão prometendo. A Sakura e o Shaoran já fizeram isso em alguns momentos do mangá e acho que do anime também.

4- Wo ai ni / Aishiteru: significa Eu te amo, em chinês e em japonês, respectivamente.

5- Watashi mo yo: significa Eu também em japonês.

Reviews:

- Kessy Cullen: que bom que gostou do capítulo! Quanto ao Shaoran tocando guitarra, eu estava muito insegura para usar música na fic. Que bom que deu certo. Espero poder fazer isso de novo!

- Angel Cullen McFellou: Ser lerdinho faz parte do charme da Sakura e do Shaoran, né? E fico contente que tenha curtido a parte das lembranças. Foi uma das partes que mais gostei de escrever também! Se a história continuar no rumo que planejei inicialmente, outros capítulos assim ainda virão.

- Vanessa S.: o Shaoran demorou para colocar o Mitsuo pra correr, mas precisou de um empurrãozinho do próprio inimigo para fazer isso. Depois do capítulo de agora, o rapaz já é peça fora do tabuleiro, fique tranqüila!

- Anne Asakura: Bom, temos 2 reviews suas aqui, então vamos por parte.

Sobre o capítulo 11, sempre achei o Shaoran enciumado kawaii, não tinha como deixar de mostrá-lo assim pelo menos de vez em quando, né? A parte da febre já não foi muito mérito meu, já que peguei a idéia da Honey Milk e apenas adaptei para a minha história. As canecas sim, são um detalhe 100% meu porque são canecas que eu tenho aqui em casa e pelas quais sinto um carinho muito grande (vai ter foto delas no meu fotolog!). O quase beijo foi uma idéia que surgiu meio de última hora, não existia originalmente no capítulo 11, mas foi bom foi que serviu de prévia do capítulo de agora. Por outro lado me deu trabalho, porque foi o principal motivo que me fez escrever o capítulo 12. Quanto ao Touya e a Tomoyo, às vezes parecem que eles caminham sozinhos pela fic. As participações deles surgem naturalmente. Isso facilita muito!

Sobre o capítulo 12, o Yue não estava nos planos, mas tentei encaixá-lo só para agradar as fãs dele. Pela sua reação, deu certo! E eu também vejo o Guardião da Lua como uma figura masculina de apoio ao Shaoran, desde o mangá. Na falta do Wei, que ficou em Hong Kong, o Shaoran tem o Yue. Quanto a cena de luta, ela saiu daquele jeito graças ao livro que estou lendo. As batalhas lá conseguem te colocar dentro da história, isso foi de grande ajuda para mim! Sempre que penso em escrever uma cena de batalha, corro para lá em busca de inspiração e idéias. E, sim, os sentimentos amadureceram junto com os protagonistas. Deixaram os dois bastante confusos, mas agora tudo finalmente se resolveu. Viva! Azar do Ishihara! E mais lembranças virão pela frente. Espero saber conduzi-las bem.

- An-chan n.n: sobre milagres, sim, eles acontecem! Até mesmo a Sakura tem que ter seus momentos de percepção, né? O Shao enciumado agrada todo mundo e o torna ainda mais charmoso. Sobre o Touya, na historinha original do Clamp ele deixa a Sakura visitar o Shaoran. Eu fiquei boba quando vi isso e nunca simpatizei tanto com o Touya quanto nessa cena! Pena que o site onde baixei a Honey Milk está fora do ar. É uma história curta, mas que vale a pena ser lida, pois ela é toda fofa! Sobre a memória do Touya, não acho que ele seja ruim de decorar nomes. Acho que o ciúmes faz ele pensar que os garotos em volta da irmãzinha dele não merecem nem serem chamados pelo nome!

- Kaiton: bem-vindo a fic! Fico contente que esteja gostando. Não posso garantir atualizações rápidas, mas farei o possível para não demorar demais, Ok?

- Shimi Loop Earnshaw: agradeço muito por seus comentários!!! Infelizmente não consigo me dedicar tanto a fic quanto gostaria, tem horas que realmente a inspiração não ajuda ou o cansaço do trabalho não deixa, mas tento fazer o melhor possível para atualizá-la. Já deixei a fic parada por longos períodos e espero não repetir isso.