Santa Claus is coming to town

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Por: Faniicat

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"Hold on!
Hold on!
Don't be scared
You'll never change what's been and gone

May your smile (may your smile)
Shine on (shine on)
Don't be scared (don't be scared)
Your destiny may keep you warm

'Cause all of the stars
Are fading away
Just try not to worry
You'll see them some day
Take what you need
And be on your way
And stop crying your heart out"

/ Oasis.

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23 de dezembro de 2009, Manhattan.

Eu esperei.

Esperei, esperei, esperei, até que por volta das três e meia eu finalmente ouvi o elevador abrir e a porta ser aberta. Meu coração automaticamente começou a se aquecer, dando altos pulos, para o que parecia ser a corrida dos cem metros e eu quase perdi a coragem, mas não dava, eu tinha que fazer isso. E sabia, essa é a pior parte.

Geralmente eu não faço o que tenho que fazer porque estou perdida demais para saber.

Saí do quarto, pé ante pé, o que na verdade foi completamente inútil, já que eu dei de cara com ele pouco depois de abrir a porta. O rosto de Inuyasha se tornou inflexível assim que ele identificou minha figura e eu tive que me controlar para não encolher os ombros como uma criancinha se sentindo culpada. Agora eu já estou aqui de qualquer forma, nada de dar para trás, Kagome.

"O que você quer?"

"Conversar?" Isso não devia soar como uma pergunta, droga. Respirei fundo e tentei colocar mais força na voz. "A gente precisa conversar Inuyasha, do jeito que está não dá mais."

Ele pareceu ponderar por um momento se eu era digna ou não de seu tempo (vale lembrar que há algumas horas ele estava me seduzindo contra uma parede!) e então suspirou, passando a mão sobre os olhos e, olhando para ele, eu finalmente vi um homem cansado e não o garoto pedante e displicente (e irritante) que ele sempre se mostra, vi alguém quase tão destroçado quanto eu mesma.

Sinto meu estomago rodopiar dentro de mim e dou olá ao sentimento de culpa que começa a se acomodar dentro dele.

"Tudo bem, pode começar." Foi isso, sem rodeios, sem nenhum prólogo, sem um tempinho para me preparar (Kagome, querida, o que foi todo aquele tempo pensando antes de Inuyasha chegar em casa?), fiquei parada, frente a frente com ele sem saber o que dizer. "Conversa quer dizer que nós temos que dizer alguma coisa, Kagome."

"Eu sei disso." Mandei-o um olhar cortante e tentei achar um modo de começar "Isso não está certo, Inuyasha a gente não pode ficar assim. Quero dizer, estamos aqui para o natal, devia ser uma época feliz e pacífica, não esse pé de guerra infernal!"

Esperei por uma resposta, mas foi em vão já que tudo que Inuyasha não me respondeu, só continuou a me encarar, sem demonstrar nenhuma inclinação para me dizer alguma coisa. Soltei um suspiro.

"Olha, sei que a gente discute o tempo inteiro, parece que a gente simplesmente não consegue conviver como dois seres humanos normais, mas isso está passando dos limites, Inuyasha, eu realmente não sou forte o suficiente para agüentar tudo isso. Ainda dói em mim, não é mais como nos tempos da escola que quando você me agarrava no corredor e cinco minutos depois estávamos brigando e ainda estava tudo bem, porque não é mais uma brincadeira."

"Nunca foi uma brincadeira pra mim." Me perdi olhando nos olhos dele, sentindo uma dor estranha se espalhar pelo meu corpo inteiro.

"Então qual é o ponto de tudo isso? Me deixar maluca é o objetivo da sua vida ou coisa parecida?"

"Não. Você realmente não entendeu, não é?" Inuyasha riu alto, tentei me concentrar em outras coisas – tipo em um lugar para parar com as mãos, já que eu estava mexendo-as inquietamente o tempo todo e esmagando meus dedos uns contra os outros. Inuyasha puxou minhas mãos, parando minha coreografia manual e me fez encara-lo de novo. "O que você acha que teria acontecido se você tivesse chegado aqui e eu tivesse me comportado como 'um ser humano normal', sendo educado e impessoal? Eu sei o que teria acontecido; você estaria fugindo de olhar para mim até agora!"

Tentei pensar em algo para revidar, mas era impossível, a força que vinha de sua voz, como se Inuyasha finalmente estivesse libertando algo que estava preso dentro dele, me impedia de falar. Também havia o fato de que ele estava certo.

Foi impossível não encolher os ombros.

"Você estaria se escondendo de mim por todos os cômodos da casa, dizendo a si mesma o quanto me odeia, o quanto eu sou insuportável a ponto de você não poder sequer respirar o mesmo ar que eu respiro, eu precisava achar um jeito de fazer você entender que isso nunca vai dar certo!" Inuyasha parou, parecendo mais irritado do que eu me lembrava de tê-lo visto. "Você e eu separados não dá certo. Eu sinto a sua falta, porque não consegue entender que eu não estou tentando te deixar louca, apenas fazer você ver que eu ainda quero você, eu ainda preciso de você, agora e sempre. Mas você não pode sequer admitir para si mesma que ainda me ama. Talvez eu estivesse errado, talvez você tenha esquecido o que eu não consegui esquecer."

Ok, nesse momento existem apenas três opções:

Desde aquele momento em minha cama eu realmente enlouqueci e isso não passa de um devaneio de minha mente deturpada.

Inuyasha foi abduzido por uma nave espacial onde fizeram uma remodelagem da mente deturpada dele.

Somos uma série de televisão criada por roteiristas sádicos e lunáticos que não sabem escrever uma história que faça sentido.

Porque, vou te contar, isso não faz sentido nenhum! Inuyasha permaneceu calado, me espreitando, talvez esperando que eu concordasse ou discordasse dele, provavelmente esperando que eu me jogasse em seus braços dizendo que ele é o amor da minha vida e nós pertencemos um ao outro (isso reforçaria a hipótese numero 3).

Se ele acha que eu estou em condições de dizer qualquer coisa então devíamos voltar àquela discussão se ele tem ou não todas as respostas, porque isto é claramente um engano.

"A gente só vê aquilo quer ver, Kagome, entende?" E, sem mais nem menos, Inuyasha passa por mim e vai embora.

Grande saída de efeito, admito.

Não sei dizer exatamente quando eu recuperei a capacidade de movimentar, que até então parecia perdida, quando eu reparei, já tinha dado meia volta e estava marchando - sim, batendo os pés como uma criança irritada e tudo o mais - seguindo-o até a porta do quarto.

"Porque ao invés de tudo isso você só não... Sei lá, veio conversar comigo?"

"Eu tenho dois motivos, mesmo que só um me sirva de desculpa. O primeiro é, você conversaria comigo?" Não respondi, continuei encarando-o, estreitando os olhos em duas fendas em sua direção, Inuyasha deu um meio-sorriso zombeteiro. "Segundo, não é difícil só pra você. Kagome, não é só você que tem sentimentos e pode se sentir insegura às vezes, afinal, eu tentei e não deu em nada, não é? Pelo menos assim eu sei que eu tentei o máximo que eu pude!"

"E porque só você escolhe isso? Eu nunca posso dizer nada!"

"Você faz suas malas e vai embora e ainda quer opinar no que eu faço ou deixo de fazer porque sou idiota o suficiente pra te querer de volta ainda assim?" Abri a boca, parte ultrajada, parte machucada e... Bom, parte de mim ficou feliz. Quero dizer, roteiro água-com-açúcar ou não, Inuyasha disse com todas as palavras que me queria de volta. Ele me quer de volta! "Agora, me faça um favor, me dê licença porque você está me atrapalhando."

Oi?!

Inuyasha me afastou, e com isso eu quero dizer quase me jogou na outra parede do corredor, e bateu a porta na minha cara. Não acredito nisso. Não acredito nisso. QUEM ele pensa que é?

"AH É? QUE BOM ENTÃO!" Falei levemente exaltada à sua porta. Tudo bem, ok, eu gritei quase grudando meu nariz na madeira. "Faz o que você quiser, Inuyasha, não é da minha conta. E depois você vem me dizer que EU fujo!"

Virei de costas e saí marchando outra vez - se eu danificar o piso da Sango será que ela me faria pagar?

Então eu reparei, na porta do quarto de casal, no final do corredor, duas cabecinhas espreitando para fora, ouvindo a conversa.

"Vem cá, vocês não deviam ter uma vida sexual para por em dia, não?"

Quer saber? Eu não pagaria por piso nenhum, estamos dando quase um reality show de graça para esses dois, um dano ou dois no assoalho nem é paga o suficiente.

Nem a porta que eu quase destruí contra o batente agora (eu acho).

oOo

Cheguei em casa pouco depois das nove, me sentindo cansada, mas ao mesmo tempo satisfeita. Quero dizer, foi mais um daqueles dias infernais num shopping center lotadésimo na véspera da véspera de natal, mas valeu o suficiente porque eu fiquei o dia inteiro descansando a minha mente. E Deus sabe que eu precisava disso.

Quando eu entrei na sala, os três olhares se abateram sobre mim e Miroku e Sango abriram sorrisos enormes ao me ver, Inuyasha me olhou de cima a baixo, me analisando (talvez porque eu tenha decidido que, se ele pode me provocar até quase me levar à loucura, eu posso brincar com ele de volta. Isso significa que por baixo do casacão enorme e quente que eu abri ao chegar no apartamento eletricamente aquecido, se encontrava um vestido mais curto e ajustado do que eu tenho usado ultimamente, mas ainda casual dia e nem um pouco vulgar. Obrigada, Armani, por existir) e eu assisti com toda a satisfação que brotou em mim seus lábios se retorcerem e sua respiração ser suspensa por um momento.

Há, otário!

"Chegou quem estava faltando!" Miroku me saudou e fez um gesto com as mãos para que eu me aproximasse. "Vem, Kagome, só estávamos esperando você pra jogar Quiz."

Ta falando sério? Jogar Quiz com o Inuyasha me olhando com cara de psicopata? Delícia.

"Ta falando sério?" Perguntei meio pasma. A gente costumava jogar Quiz há muito tempo, quando, tipo assim, ainda éramos dois casais. O jogo é simples, você joga em dupla, tem uns cards com várias palavras, a primeira é a que você tem que fazer seu parceiro descobrir, as outras três são palavras relacionadas que você não pode citar. Fora isso tem um timer e um dos integrantes da outra dupla supervisiona o card pra ter certeza de que não há trapaça, e só se pode pegar outro card quando o parceiro acerta a palavra, quem acertar mais palavras durante o tempo, ganha.

"Estamos. Porque, com medo de perder de lavada?" Ergui uma sobrancelha ante ao sarcasmo de Sango.

"Inuyasha?" Ele sorriu para mim, aquele sorriso travesso que me fazia ter certeza sempre de que nada podia vencer nós dois juntos. Tudo bem que os olhos dele continuavam duros feito aço, mas já era alguma coisa. Vai ver nem era má idéia jogar Quiz. "Fechado então, cadê o jogo?"

"Eu vou pegar!" Miroku se disponibilizou e, sem esperar qualquer confirmação, foi pegar. Troquei um olhar cúmplice com Inuyasha enquanto nós arrumávamos o jogo sobre a mesa. "Quem começa?"

"A gente." Respondi eu e Inuyasha ao mesmo tempo, Miroku só sorriu.

"Tudo bem então."

" Você dá as dicas, eu adivinho." Inuyasha falou. A verdade é que ele estava meio seco comigo, nada de 'amor', nem de 'querida', nem nada irritante. Parece que um dia não foi o suficiente para ele deixar nossa discussão para lá.

Mas agora é a hora do jogo.

"Se você prefere, madame." Estirei a língua e Sango revirou os olhos.

"Eu supervisiono." Ela se ofereceu e se sentou do meu lado. Miroku ajustou o timer e eu peguei o primeiro card. "Tudo pronto?" Miroku assentiu com um movimento de cabeça. "Então, um, dois, três e... JÁ!"

Quiz?

Palavra: Itália.
- Coliseu

- Roma

- Europa

"Meu país favorito no mundo."

"Itália." Inuyasha respondeu sem pestanejar e eu não contive um sorriso enquanto me apressei a pegar outra carta.

Quiz?

Palavra: Areia.
- Praia

- Dunas

- Movediça

"Eu prefiro piscina porque...?"

"Na praia tem areia." Eu quase tinha me esquecido quão bom nisso Inuyasha podia ser. "Areia."

"Boa!" Passei a mão pela pequena pilha, pegando outro card entre os dedos.

Quiz?

Palavra: Afrodisíaco.
- Estimulante sexual

- Morango

- Sexo

Hum? Senti minhas bochechas ficando coradas.

"Chantilly é...?"

"Doce? Não, claro que não. Creme?" Encarei Inuyasha sentindo vontade de rir. O que eu vou fazer, cara? Tive uma idéia e passei a língua o mais sedutoramente que consegui sobre os lábios.

"Chantilly é o que pra mim, Inuyasha?"

"Afrodisíaco."

Quiz?

Palavra: Rebelde.
- Adolescência

- Revolucionário

- Comportamento

"Ui, difícil." Sango deu um sorrisinho sagaz por cima do meu ombro que só me estimulou a conseguir. Coloquei a cabeça pra trabalhar pensando em como ajeitar essa. "Hum, quem quebra as regras." Inuyasha ergueu uma sobrancelha.

"Infrator?"

"Inuyasha pensa, eu e você às três da manhã, na sua moto com a sua jaqueta de couro, nos sentindo super..." Antes que eu pudesse controlar estava gesticulando com as mãos, tentando ver se Inuyasha 'pegava no tranco'.

"Rebeldes."

"Eu teria citado a novela mexicana." Miroku comentou e eu comecei a rir enquanto procurava outro card.

"Novela mexicana eu só conheço La Usurpadora!"

Quiz?

Palavra: Peste bubônica.
- Doença

- Praga

- Peste negra

"Quando queria me irritar, meu pai me chamava de que?" Senti uma nostalgia falando isso, mas hoje em dia, por mais que sempre doesse, não me deixava mais tão mal me lembrar do meu pai, foi muito duro quando ele morreu, há quatro anos e eu não estava lá.

"Peste bubônica."

"Entre outros!" Sango ressaltou, colocando uma mão sobre meu ombro confortantemente.

Quiz?

Palavra: Torcida.
- Jogos

- Hinos

- Animadoras de torcida

"Qual era minha atividade extracurricular favorita quando estávamos na escola?"

"Líder de torcida." Fiz um sinal com a mão como quem diz só metade. "Líder. Torcida."

"Torcida." Peguei outro card com pressa, o nosso tempo estava acabando.

Quiz?

Palavra: Aniversário.
- Idade

- Festa

- Presente

"Essa é ridícula." Eu sorri "Meu dia favorito do ano."

"Seu aniversário."

E o timer apitou.

Nós ganhamos a primeira rodada de 7 x 4, a segunda de 8 x 7 e perdemos a última de 7 x 5 (basicamente porque tudo que a gente fazia era rir das besteiras que o Miroku dizia e isso, para mim, é trapaça!), no final das contas jantamos ali mesmo terminando de ver os DVD's que tínhamos alugado e conversando. Não vou dizer que Inuyasha tivesse voltado ao normal, mas estava... Menos complicado, digamos assim.

"Bom, eu vou dormir, o dia hoje foi longo. Boa noite." Inuyasha avisou, levantando-se do sofá e se espreguiçando – aquele típico momento em que todos os músculos torneados dos braços dele se contraem e delineiam perfeitamente à vista pela camiseta de mangas curtas e eu quase morro do coração. Quase esqueci que tinha que ir atrás dele, abobada. Então quando ele começou a ir em direção a porta eu acordei e sorri para Miroku e Sango.

"Então eu vou lá também. Boa noite, meus amores." Soprei um beijo e saí em disparada atrás dele, tentando chegar antes que Inuyasha fechasse a porta. Quando parei em frente à seu quarto, Inuyasha me olhou inexpressivamente e eu recostei no batente enquanto ele andava até a cama espaçosa e sentava nela, começando a tirar os sapatos.

"Então, o que você quer? Conversar de novo?" Ótimo, ironia, melhor recepção impossível.

"Não exatamente." Entrei no quarto e encostei a porta atrás de mim. "Vim te dizer que você venceu, tem toda razão. Você ainda me conhece e tem todas as respostas do mundo."

"Isso não é novidade." Ele sorriu um pouco e eu ri ante à expressão convencida no rosto dele. Quis suspirar, me perguntando como toda essa confusão estava resultando nisso. "Tem mais alguma coisa?"

Reuni toda a pouca coragem que eu tinha e o encarei bem dentro dos olhos.

"Eu também sinto sua falta." Soltei de uma vez só "Absurdamente."

Não posso assumir a responsabilidade pela vontade das minhas pernas, que começaram a se mover em direção à ele sem que eu desse qualquer ordem a respeito disso e se jogaram em seu colo. Literalmente. Quero dizer, pulei sobre ele na cama, envolvendo sua cintura com as pernas – benditas pernas – e contornando seu pescoço com os braços.

Inuyasha agarrou minha cintura e me puxou mais para perto e eu afundei meu rosto em seu peito, agarrando a camisa entre os dedos e agradecendo o quão confortáveis as camisas de Inuyasha sempre eram.

"Até que enfim, não?" Inuyasha riu e rapidamente puxou a camisa pelo pescoço, atirando-a longe e desceu à boca até a minha. E, mais uma vez, meu coração estava batendo num ritmo louco dentro do meu peito, inchado e quase explodindo e borboletas seriam pouco para causar tanta agitação na boca do meu estomago. Desci uma das mãos até o braço dele, apertando tanto quanto eu tinha vontade de fazer toda vez que olhava (E sim, isto sempre foi assim).

Ele tinha razão, até que enfim.

oOo

N/A: Ok, eu tenho que estar no cinema dentro de meia hora e eu estou aqui escrevendo uma nota pro quarto capítulo! EU TENHO PROBLEMAS, tudo por vocês, leitoras! Haam.

Então, em suma, espero que tenham gostado, sim a fic está acabando D: As coisas vão se resolver em breve. Não sei se ficou bom esse capítulo, não tenho certeza se saiu como o planejado e eu não tive tempo de revisar, então espero que não tenha nenhum erro extremamente bizarro. Se tiver, por favor, avisem a autora!

Obrigada pingüins, beeijos!

DESCULPE NÃO RESPONDER AS REVIEWS, VOCÊS SÃO TODAS LINDAS E AS COISAS MAIS IMPORTANTES! Eu só continuo aqui por causa de vocês.

Divirtam-se, Faniicat.