Uma esperança e uma lágrima

Draco levantou-se da cama onde tinha dormido com Virginia. Olhou para a ruiva por uns momentos imaginando se ela já havia dormido na casa de outros amantes antes, quantos amantes ela já tinha tido, se ela amou algum deles, se ela amava seu amigo Harry, se ele desconfiava dela, se ele a amava e se ele a traia. Lamentou o amigo ter uma mulher daquele tipo, bonita, mas ordinária. Decidiu tomar banho e arrumar-se, depois desceu para tomar café. Sentou-se na mesa e logo foi servido por uma empregada, uma senhora de uns 55 anos que era a cozinheira, a Sra. Madson. Lembrou que ela e o marido, que era seu motorista e o levaria ate a estação, eram os únicos empregadas que estavam ali na mansão, os outros tinham ido pra missa já que era domingo. Ele agradeceu mentalmente, assim Virginia poderia sair sem que todos a vissem. Após o café mandou que a Sra. Madson chamasse seu esposo, o Sr. Madson e o encontrassem na sala de estar. Os empregados obedeceram.

- Sra. Madson, tem uma moça dormindo no meu quarto. Quando seu marido retornar da estação onde me deixará daqui a pouco, quero que suba e a acorde, lhe sirva o café e entregue uma carta que vou escrever. Depois quero que o Sr. Madson vá deixá-la em casa, na Mansão dos Potter. E não quero comentários sobre isso, sei que só estão vocês aqui na casa e, portanto, ninguém mais deverá saber, ou serão punidos. Fui claro? – Draco perguntou após as instruções.

- Sim senhor! Tudo será como deseja. – respondeu a velha senhora.

Draco deu-se por satisfeito, assim ele foi ate a biblioteca e escreveu a carta para Virginia, depois preparou suas malas no carro com a ajuda do motorista que foi deixá-lo na estação. Logo Draco estava no trem, rumo à França.

Virginia despertou e logo se deu conta de que não estava em sua casa. As recordações da noite anterior lhe vieram a mente e ela sentiu um misto de angustia e alegria ao lembrar do fim de seu casamento e do inicio de seu romance. Olhou em volta e viu que Draco não estava ali. Levantou-se e vestiu-se apressada, já era manha e ela deveria estar em casa ou os empregados dariam pela falta dela. Embora sentisse como se tivesse terminado com Harry, ainda não era algo oficial, então ela não tinha falado com ele e também não podia dar brecha pra que ele desconfiasse dela. Pensava onde Draco estaria, ela não podia descer ou seria vista pelos empregados e isso traria problemas. Arrumava seus cabelos no espelho quando a velha cozinheira entrou.

- Bom dia senhora, vim acordá-la conforme o jovem Malfoy pediu, mas vejo que já acordaste. – disse a velha cozinheira sorridente.

- Bom dia, onde esta o jovem Malfoy? – Virginia perguntou um pouco constrangida pela situação, e ela também não queria ser vista, era arriscado.

- Já partiu senhora, ele pediu para entregar-lhe isso e depois lhe servir o café. Quando terminar o motorista vai deixá-la em casa.

- Partiu? Para onde? – Virginia perguntou com visível curiosidade enquanto tomava das mãos da mulher a carta que ele tinha deixado.

- Pra França senhora, acredito que foi ao encontro dos pais. Vais descer ou quer que eu sirva o café aqui?

- Aqui. Obrigada! – Virginia disse.

Quando a mulher saiu, Virginia pôs-se a ler a carta deixada por Draco. A cada palavra lida ela sentia seu coração partindo-se, o que ele lhe escrevera ela doloroso demais.

"Virginia,

Obrigada pela prazerosa noite que me destes, foi uma das melhores de minha vida! Lamento que tenha acontecido somente agora, gostaria de ter sido seu amante desde que lhe conheci, mas você me rejeitou, ficou fazendo joguinhos, fingindo ser uma mulher de respeito quando estava tendo um caso o Cedrico e sabe-se á quantos mais. Senti raiva quando surpreendi vocês dois juntos e jurei pra mim mesmo que dormiria com você. Consegui! Agora estou indo a Paris, encontrar minha noiva, uma mulher honesta, digna e fiel, muito diferente de você. Desejo-lhe felicidades e que Harry um dia possa encontrar uma mulher honesta e ser feliz com ela!

Adeus, Draco Malfoy."

As lágrimas brotavam dos olhos dela incessantemente. Virginia sentia-se perdida de novo, como quando descobriu da traição do marido. Saiu do quarto a procura da empregada, encontrou-a na escada subindo com uma bandeja cheia de coisas que seria o seu café da manhã.

- Onde esta o motorista? Preciso ir embora agora mesmo! – Virginia disse um pouco transtornada.

- O que aconteceu senhora? – a empregada perguntou aflita.

- Por favor, eu preciso ir pra casa! – ela disse suplicante.

- Venha, vou levá-la ate a garagem.

A empregada guiou-a ate o local onde o marido estava. Virgínia abraçou-a e murmurou um obrigada, em seguida entrou no carro e disse ao motorista onde era sua casa. No caminho ela ia pensando em pegar suas coisas e partir imediatamente, iria para a casa dos pais, eles teriam que entender sua situação e apóia-la, ela não podia continuar em um casamento como aquele.

Ronald terminou de tomar o café e foi até o quarto dos filhos em busca de Hermione. Encontrou-a ninando o pequeno menino nos braços, não pode deixar de sorrir a cena. Em sua visão ela era tão mãe doso filhos quanto sua antiga esposa Luna. Hermione vendo-o ali parado corou envergonhada.

- Bom dia senhor! – ela disse sem jeito.

- Bom dia Hermione, quero que me chame de Ronald. – ele pediu.

- Melhor não senhor, sou uma empregada e devo-lhe respeito.

- Hermione, você é tão rica ou mais que eu, não a vejo como minha empregada, eu a vejo como a mãe dos meus filhos. – ela arregalou os olhos encarando-o.

- Senhor eu...

- Quer casar comigo Hermione? – Ronald perguntou-lhe nervoso. O rosto da mesmo cor que os cabelos.

- Eu... – Hermione não conseguia acreditar que aquilo fosse verdade.

- Eu amo você Hermione, desde a primeira vez que a vi. Sei que isso soa estranho porque fui faz pouco tempo que fiquei viúvo, mas e a verdade. Eu amei Luna, mas não como eu amo você, Luna foi uma companheira, uma amiga, com você é diferente, eu a vejo como mais que isso, eu a vejo como uma mulher forte e decidida, admiro você e tudo o que mais quero é que fique ao meu lado.

- Eu o amo também senhor e serei a mulher mais feliz do mundo o dia que nos casarmos, mas não podemos ficar juntos, não agora. Como você mesmo disse, sua esposa faleceu a pouco, por isso e necessário algum tempo antes de casar novamente. Precisamos esperar.

- Eu compreendo minha queria, esperarei o tempo necessário para estarmos juntos, mas quero saber se você quer que eu espere, se você aceita ou não o meu pedido.

- É claro que aceito! – ela disse emocionada.

- Nesse caso, quando você se sentir pronta, achar que esta na hora, me avise, assim nos casaremos o mais breve possível. Eu a amo tanto. – ele disse aproximando-se dela e beijando-lhe delicadamente os lábios.

- Eu também o amo muito, em breve poderemos anunciar nosso amor a todos e seremos muito felizes.

- Eu já estou feliz só de tê-la perto de mim, de poder vê-la, sentí-la. Vou registrar meus filhos agora, até logo meu amor. – ele disse e saiu em seguida.

Harry chegou de Londres ainda de manha junto com a viúva Diggory. Acompanhou-a ate sua casa e lá Cho disse que precisava conversar com ele.

- Harry eu estive pensando sobre nós.

- O que meu amor? – ele perguntou aproximando-se dela e pondo as mãos nos ombros delas como que para incentivá-la a falar.

- Sobre nós, eu decidi que vou viajar por uns tempos, uns dois ou três meses talvez.

- Mas meu amor, porque isso agora?

- Preciso de um tempo, a morte do Cedrico, a loucura do pai dele, tudo isso me deixou cansada e desgastada. Eu estou grávida, preciso ficar bem pelo nosso filho.

- Eu entendo meu amor, mas não sei se suportaria ficar longe de você e do nosso bebe.

- É preciso – ela disse virando-se e olhando-o nos olhos.

- Se você acha melhor! – Harry deu-se por vencido, sempre fazia o que Cho queria.

- Vou visitar meus pais na China, passarei algum tempo lá e depois eu volto, terei nosso bebe aqui, perto de você. Assim você também terá tempo de resolver sua questão com Virginia e então poderemos ficar juntos sem que os outros desconfiem.

- Sim, é melhor, não tinha pensado nisso ainda.

- Pois eu pensei, não quero meu bebe sem pai, você o é, tem que assumir.

- Farei isso com o maior prazer, você sabe o quanto eu a amo.

- Eu também.

- Escreverei sempre, não se preocupe!

- Estarei ansioso, morrerei de saudades.

- Calma, tudo para nosso bem!

Harry ficou mais algum tempo com Cho decidindo coisas sobre a viagem dela e o tempo que ela ficaria fora, sobre como ele terminaria com Virginia e como eles ficariam juntos posteriormente. Saiu de lá direto para casa, onde os empregados o receberam e deram-lhe boas vindas. Ele perguntou por Virginia e uma senhora respondeu que ela ainda não havia descido para tomar café. Harry estranhou e foi até o quarto vê-la. Abriu a porta e não a viu, foi ate o lavabo e ela não estava lá, foi então que viu sobre a cama algumas roupas dele e as cartas que Cho tinha escrito para ele, Virginia tinha lido. Nesse momento ela entrou pela porta, rosto molhado e os cabelos soltos, tinha um ar de louca. Harry assustou-se por vê-la naquele estado e Virginia assustou-se por encontrar o marido ali.

- Virginia, precisamos conversar. – Harry disse nervoso.

Ela não disse nada, apenas o olhava, a dor que sentia pela injustiça que Draco cometera com ela a fizera esquecer por alguns instantes da dor que sentia pela traição do marido. Vendo que ele olhava fixamente para a cama, ela olhou também e lembrou das cartas, da traição, dele e a esposa do amigo.

- Virginia... – ele tentou falar.

- Não precisamos conversar Harry. – ela disse fria.

- Claro que precisamos, eu não queria que fosse assim Virginia, eu não queria, eu a amava, mas então eu conheci a Cho e...

- Poupe-me Harry, eu sei como tudo aconteceu, eu li as cartas, não há nada que eu não saiba – ela disse encarando-o.

- Virginia...

- Ouça, quero a separação, eu vou embora agora mesmo e quando for preciso venho assinar os papeis, você pode casar novamente e ser feliz com a mulher que você ama e o filho que vocês terão juntos.

- Virginia me perdoe, eu nunca quis magoá-la, nunca quis fazê-la sofrer. – Harry pediu com sinceridade

- Tarde não Harry? Você não se arrepende, não tem porque me pedir perdão. Agora saia por favor, quero arrumar minhas malas em paz.

- Você não pode ir embora. – Harry falou com um certo terror, tinha pensado em se separar de Virginia, mas não dessa forma.

- Posso, não só posso como vou. – ela disse desafiadora.

- Sou seu marido Virginia, você tem que me obedecer, eu não quero que vá. – a voz dele tornando-se firme.

- Você não é meu marido Harry, deixou de ser o dia que se envolveu com a mulher do seu amigo, você não tem direito algum sobre o mim. Agora saia. – ela disse enraivecida.

- Virginia...- Harry tentou argumentar.

- SAIA – ela gritou.

Harry saiu e lentamente foi descendo as escadas. Sentia-se mal por vê-la sofrendo tanto, estava abalado. Ia chegando a sala quando um dos empregados entrou angustiado com um bilhete na mão dizendo ser para a senhora Virginia. Harry pegou da mão do empregado e leu, imediatamente sentiu-se mais mal ainda. O bilhete era de Molly Weasley, mãe de Virginia e sua mãe também desde que seus pais haviam morrido, dizia que Arthur Weasley, seu pai e de sua esposa, estava internado no hospital da cidade por problemas do coração. O remorso tomou conta de Harry, Virginia sofria pela sua traição e ainda tinha a possibilidade de vir a perder o pai. Sem saber o que fazer, ele subiu as escadas e entrou no quarto, Virginia jogava roupas em uma mala.

- Virginia você não pode ir embora agora, deixe isso ai e arrume-se rapidamente, vamos ao hospital.

- Eu não vou a lugar nenhum com você. – ela disse brava.

- Vai sim, é sobre nosso pai. – Virginia o encarou.

- O que aconteceu? – ela perguntou preocupada.

- Leia – ele disse estendendo o bilhete para ela.

Dessa vez Virginia perdeu o chão, já não bastassem duas decepções, agora tinha mais o pai em estado grave no hospital. Ela tentou se manter em pé e foi ate o lavabo, prendeu os cabelos em um coque e ajeitou o vestido, viu seu rosto marcado de lagrimas e os olhos inchados, pediu para Harry trazer-lhe gelo, ele obedeceu. Ela passou gelo nos olhos a fim de desinchar e depois se maquiou levemente para que ninguém percebesse o quanto ela havia chorado e se sentia mal. Minutos depois ela saiu do quarto e Harry seguiu-a, entraram no carro e foram ate o hospital, ambos em silencio. Chegaram lá e Virginia viu logo sua mãe. Elas se abraçaram e depois Harry as abraçou-as também, ambos emocionados. Harry disse que iria falar com os médicos e as deixou a sos, ambas tristes se dirigiram a pequena capela que havia ali naquele hospital para rezar pela saúde de Arthur Weasley, pai e esposo.

Algumas horas depois Harry apareceu na recepção, Ronald já se encontrava lá junto da mãe e da irmã. Todos estavam tensos ansiosos por noticias.

- O Sr. Weasley passou por uma cirurgia delicada, o estado dele ainda e grave embora ele já esteja fora de perigo. Ele não pode sofrer emoções fortes, pois pode não resistir e vir a falecer. Seu coração esta fraco. Daqui a umas duas semanas poderá ir para casa e daqui a mais ou menos três meses, se ele seguir a risca o tratamento e reagir bem, poderá ficar curado definitivamente. Ate lá, todo esforço é prejudicial, ele deve ser poupado.

Virginia e o irmão ficaram mais algumas horas no hospital ate deixarem apenas a mãe lá. Ronald tinha ido ver os filhos e explicar a Hermione que precisaria ficar ausente devido a doença do pai. Virginia e Harry tinham ido pra casa tomar banho e retornariam em seguida.

Ronald encontrou uma Hermione preocupada sentada no sofá da sala esperando por ele, ele contou a ela tudo o que havia se passado com seu pai. Hermione abraçou-o consoladora e ele sentiu-se extremamente aconchegado nos braços dela, sentiu calma e tranqüilidade, desejando nunca mais sair daquela posição.

Harry e Virginia iam calados ate chegarem em casa, onde mais uma discursão aconteceu.

- Virginia eu preciso falar com você. – Harry começou.

- Fale Harry! – ela disse dando de ombros.

- Pelo estado do seu pai, ele não deve ter nenhuma emoção forte, como você sabe, nesse caso, aconselho você a ficar aqui em casa, a fazer as coisas ficarem bem, seu pai pode não suportar saber que vamos nos separar. – ele disse firme.

- Eu sei disso, pensei sobre isso quando voltávamos pra casa. – ela suspirou.

- Perdoe-me Virginia, não quero fazê-la sofrer mais.

- Não se preocupe Harry, você não fará.

- Então você ficara aqui?

- Não tenho outra alternativa. A saúde de meu pai esta acima de tudo. Quando ele ficar bom, nos separaremos, eu sei que ele vai entender, mamãe também.

- Eles vão me odiar – Harry disse com tristeza.

- Não pense nisso Harry, você não tem culpa por ter se apaixonado por outra. – Virginia disse com um olhar perdido.

- Mas eu fui canalha por ter te enganado, você não merecia.

- Eu não quero mais falar sobre isso!

- Como você queira, então ficamos como antes, juntos e felizes.

- Pelo menos aparentemente sim Harry.

- Tudo bem Virginia, mas não fique tão triste.

- Como posso não ficar triste?

- Virginia...

- Vamos tomar banho e jantar, quero voltar pro hospital logo – ela disse cortante.

- Como queira.

Virginia e Harry voltaram ao hospital e lá ficaram por vários dias, semanas, até que o Sr. Weasley se recuperasse completamente e pudesse ter alta.

Draco chegou quatro dias depois em Paris, onde foi recebido com alegria pelos pais. Acomodou-se na mansão Malfoy francesa e logo estava a passar ao pai todas as informações sobre os negócios da família e a comunicar a mãe o desejo de casar o quanto antes. Lucius e Narcisa ficaram muito felizes e marcaram o jantar de noivado para os mais íntimos das famílias para dali a uma semana, onde Draco faria o pedido oficial aos pais da moça e a conheceria. Narcisa estava radiante porque enfim o filho casaria com uma moça que ela aprovava e Lucius, porque seria a união de duas fortunas imensas.

Na noite do jantar, Draco sentiu-se ansioso por conhecer a noiva e depois ficou encantado quando a conheceu. Chama-se Pansy Parkinson e era de longe uma das mulheres mais bonitas que ele conhecera. Tinha o rosto angelical, o ar de menina e o corpo de mulher, era fina e educada, linda e inteligente. Draco e ela sentiram-se atraídos um pelo outro assim que se conheceram e ambos ficaram felizes com o noivado e o futuro casamento. Logo as famílias Malfoy e Parkinson iniciaram os preparativos do casamento, decidindo que seria realizado em Londres dali a 2 meses. Os pais dos noivos arrumariam tudo para que o casamento saísse perfeito e fosse o mais bonito já realizado. Draco e Pansy ficariam em Paris e só iriam a Londres 1 semana antes do casamento.

Quando Arthur Weasley recebeu alta, o medico disse que ainda era preciso manter o tratamento ate que ele ficasse completamente curado, decidiram que ele e a Sra. Weasley ficariam hospedados na mansão Potter por mais alguns dias. Assim o tormento de Virginia, em ter que fingir uma relação de marido e mulher com Harry começou. Ela esforçava-se para parecer natural quando declarava seu amor a Harry, quando lhe dava pequenos beijos e fazia-lhe carinho, tudo isso para que os pais não desconfiassem. Era-lhe penoso dormir ao lado dele, beijar-lhe os lábios, abraça-lo quando ela lembrava do que havia lido nas cartas de Cho, quando imaginava ele beijando a outra mulher, abraçando e dizendo o quanto amava a amante. Às vezes ela sentia-se cansada de tudo aquilo, queria fugir, esquecer, recomeçar, ter uma nova chance de viver bem, de viver feliz, mas não podia porque temia pela saúde do pai.

Os meses passaram depressa e logo chegou o dia do casamento do herdeiro Malfoy. A igreja local, grande e bem enfeitada, com pinturas no teto que reproduziam um céu azul com anjos voando, estava completamente decorada de rosas brancas e laços dourados em arranjos delicados. A maior praça local que ficava em frente a igreja havia sido decorada finamente com delicados arranjos e belas mesas brancas, também havia uma grande mesa com as mais finas comidas e garçons prontos para servir as pessoas convidadas para a recepção após o casamento. As pessoas estavam elegantemente vestidas para uma comemoração matutina e muito curiosas para conhecer a noiva misteriosa de Draco Malfoy. Sentados nos bancos da igreja estavam todas as mais importantes pessoas, as mais ricas famílias da sociedade, e em uma das fileiras estavam Virginia e Harry Potter.

Quando a musica de entrada da noiva começou a tocar, Draco saiu da sacristia e se dirigiu ao altar, Pansy entrava como uma fada vestida de branco. Os olhares de admiração foram gerais, a noiva era linda, e Draco sorriu ao ver a expressão das pessoas. Estava orgulhoso de si mesmo, sua vida era perfeita, tinha tudo o que um homem poderia desejar, dinheiro, prestigio, poder e uma noiva maravilhosa.

Harry via o casamento do amigo e sem querer lembrava-se do seu com a esposa, enquanto que Virginia sentia-se mal durante cerimônia de casamento. Ela pensava em como sua vida estava toda errada. Ela estava no casamento do homem que amava, estava presa a um marido que ela não mais suportava e que parecia ter esquecido da tração que cometera, o pai estava se recuperando de uma grave doença e ela estava cada vez mais doente da anemia que ela não havia cuidado corretamente. Sentia enorme vontade de ir embora, de fugir dali e daquela vida. Queria levantar, mas não podia, o casamento estava acontecendo, então ela sustentou o olhar no altar e viu quando os noivos fizeram os votos, trocaram alianças e se beijaram. Aquilo a entorpeceu. Quando todos levantaram para jogar arroz e se dirigirem a recepção, Virginia tentou fugir, voltar pra casa, mas muita gente estava alvoroçada, não tinha como ela sair sem ser vista, e Harry não lhe largava o braço, parecia saber as intenções dela. Quando se sentou numa das mesas na festa, seu olhar prendeu-se a um banco, o mesmo onde havia sentado quando descobriu a traição de Harry, o mesmo onde havia encontrado Draco na noite em que se entregou a ele, sentiu enjôos.

- Virginia, minha irmã, você esta muito distraída hoje! – Ronald disse preocupado.

- Ela anda assim ultimamente, ainda preocupada com nosso pai – foi Harry quem falou.

Virginia ainda tinha os olhos presos ao banco quando ouviu a voz de Draco próxima. Tentou identificar de onde vinha e então ela retornou a realidade, ele estava ali na mesa ao lado com a noiva, cumprimentando os convidados, com certeza viriam a mesa em que ela estava também, e ela não queria falar com ele, já não bastava ter que ir ao casamento. Sem pensar duas vezes ela disse a Harry que iria tomar ar e logo voltaria e levantou-se, caminhando no meio das pessoas que ali estavam felizes comemorando aquela união. Ainda ouviu Harry perguntar se ela queria companhia, mas nem sequer olhou pra trás, era sua chance de fugir. Seguiu apressadamente e viu um dos bancos, ao final da praça, desocupado e escondido atrás de uma arvore. Sentou-se lá, as pernas já fraquejando, xingando-se mentalmente por ter vomitado pela manha e não mais ter comido nada, devia se cuidar, estava cada vez mais doente! Agarrou-se ao banco quando se sentiu tonta, respirou profundamente e tentou voltar ao estado normal, só precisava ficar quieta que aquele mal estar passaria, sempre passava, ela já estava acostumada. Ficou ali por vários minutos, ate sentir que poderia novamente caminhar e levantou-se. Levou um susto quando viu Draco ali na sua frente. Ele tinha a visto sair e a seguiu com os olhos, esperando uma oportunidade de ir atrás dela sozinho, que veio quando os pais de Pansy a chamaram para tirar fotografias com eles.

- Como vai Virgínia? Há quanto tempo não nos vemos! Deixe-me lembrar, desde aquela maravilhosa noite, não e mesmo? – ele tinha sarcasmo na voz.

- Sr. Malfoy, creio que é melhor o senhor ir ter com sua noiva e deixar-me em paz, não me sinto bem. – ela disse tentando manter a voz normal, olhos fechados enquanto suspirava pesadamente.

- Draco? – uma voz feminina chamou-o, Virginia abriu os olhos e viu a esposa dele.

- Oi meu amor! – Draco respondeu carinhoso – Esta é Virginia Potter, esposa de meu amigo Harry, não esta se sentindo bem.

- Posso ajudá-la? – Pansy perguntou a mulher ruiva a sua frente.

- Poderiam chamar meu marido? Preciso ir para casa! – ela disse voltando a fechar os olhos.

- Draco, chame o Sr. Potter, eu fico aqui com ela – Pansy disse docemente ao marido e então fez com que Virginia sentasse e sentou-se ao seu lado.

Draco voltou em seguida com Harry, este levou a esposa para casa e Draco voltou à comemoração do casamento com a esposa. Depois da festa, ele e Pansy foram ate a estação, onde viajaram para o campo, para passar a lua de mel de umas duas semanas em uma bela casa e depois iriam viajar por outros paises europeus. Durante a viagem para o campo, Draco não parava de pensar na esposa de seu amigo, ela não estava bem, estava mais magra, pálida, respirava com certa dificuldade quando falava e embora tentasse manter o tom de voz normal, ele percebeu que ela esforçava-se para isso e ficava cansada depois. Lembrou que ela estava doente da ultima vez que falara com ela, a anemia forte, talvez fosse isso, talvez ela não tivesse se cuidado como deveria, mas nesse caso, a culpa era dela, ela tinha marido e ele era quem deveria cuidar dela, não ele. Sentiu raiva de si mesmo por preocupar-se com Virginia, olhou para o lado e viu a esposa adormecida, era com ela que ele devia preocupar-se, era só nela que ele devia pensar. Quando chegaram a bela casa de campo, já a noitinha, Draco carregou Pansy e a levou ate o quarto, fez amor com a esposa e adormeceu em seguida.

Virginia chegou em casa com Harry, seguida de Ronald e Hermione, todos preocupados com ela. Logo se juntaram os pais dela e então todos queriam chamar um medico. Virginia disse que estava bem, que era devido a anemia que ela não havia cuidado direito, mas que de agora em diante iria seguir a risca o tratamento e se não melhorasse procuraria logo um medico. Todos concordaram e Molly pediu um chá para eles. A conversa era em torno do casamento de Malfoy e foi então que Ronald aproveitou o momento e pediu a mão de Hermione em casamento. A principio, todos os presentes ficaram surpresos, embora suspeitassem que Ronald amasse a jovem preceptora dos filhos. Hermione disse um sim emocionada e todos comemoraram, fazendo planos para o casamento, que seria dali a um mês, visto que a mãe de Hermione não estava bem, conforme dizia uma carta que o pai havia lhe escrito e eles estavam vindo a Londres ver a filha.

Um mês depois, Hermione e Ronald casavam completando suas felicidades! Hermione sentia-se a mulher mais feliz do mundo olhando o marido e os filhos gêmeos, sim, porque ela cuidou deles desde que nasceram e era assim que ela os considerava, seus filhos. Ronald sentia-se realizado, quando Luna morreu ele pensou que jamais seria feliz novamente com outra mulher, mas ali estava ele, com o primeiro amor de sua vida e os seus filhos, extremamente feliz! Ele e Hermione viajariam com os bebes para a cidade de Godric Hallow, no dia seguinte para passar um mês de férias. Arthur e Molly Weasley também deixariam Londres, iriam voltar para a cidade onde viviam antes, longe de todo o agito de Londres. Virginia ficaria só com Harry na mansão e para ela, essa era a hora de acabar com todo o seu sofrimento, de separar-se de Harry Potter e seguir sua vida.