O fim e o começo

Harry e Virginia voltavam para casa depois de terem ido deixar os pais e o irmão com a cunhada na estação de trem. Harry vinha pensando que faltava pouco para Virginia retomar a conversa sobre separação, e ele não estava enganado.

- Harry, acho que está na hora de tomarmos as devidas providencias sobre nossa separação. – Virginia iniciou a conversa assim que chegaram no quarto do casal.

- Não quero me separar! – Harry disse categórico.

- Como não quer? – Virginia não acreditava no que tinha ouvido.

- Não quero Virginia, quero continuar casado com você! – ele disse de maneira tímida.

- Eu não acredito no que estou ouvindo – Virginia balançava a cabeça incrédula – Você não pode estar falando serio, você queria a separação, eu quero a separação, nos temos que nos separar!

- Eu queria, não quero mais, acabou essa historia, estou cansado e vou dormir. – Harry saiu andando para fora do quarto.

- Você não pode fazer isso Harry, você não pode me deixar presa a você, eu não vou ficar aqui, eu quero a separação! – ela foi em direção ao armário de roupas.

- O que você quer com isso Virginia? – Harry tinha parado na porta.

- Eu quero me separar de você.

- Por que você quer isso?

- Por que nosso casamento acabou Harry, você tem uma amante que esta esperando um filho seu e essa criança precisa de você. – Virginia disse com raiva.

- Eu te amo Virginia! – Harry disse enquanto caminhava para perto dela.

Virginia riu como louca, aquilo era demais pra ela, depois de tudo ele vinha dizer que a amava, era engraçado demais, ela não acreditava.

- Não vejo graça nisso! – Harry disse.

- Depois de tudo o que você fez, você não pode me amar Harry. – ela disse com um tom de mágoa.

- Pois eu amo, amo e não quero perde-la. – ele disse firme.

- Você ama Cho Harry, está escrito naquelas cartas! – ela disse irritada.

- Eu não amo a Cho, nunca a amei, foi uma ilusão Virginia, eu estava enganado, era só paixão. Eu me arrependo tanto! – Harry disse entristecido.

- Tarde pra descobrir isso Harry, não importa o que você diga, nada vai mudar o que você fez!

- Virginia, nós casamos apaixonados, nós nos amamos, eu tive um deslize, mas você precisa me perdoar e nós vamos voltar a sermos felizes como antes.

- Harry você vai ter um filho com a Cho, nada vai ser como antes.

- Pode não ser meu!

- Mas pode ser!

- Nada vai faltar a ele!

- Vai faltar a presença do pai!

- Droga Virginia, você não facilita nada – Harry disse caminhando ate a janela.

- Foi você que fez as coisas ficarem assim Harry, não me culpe agora que tudo acabou.

- Não acabou Virginia!

- Acabou, entenda isso!

- Você só precisa me perdoar! – ele disse passando as mãos pelos cabelos.

- Eu já perdoei Harry, sei que essas coisas acontecem sem que a gente planeje. – Virgínia disse tristemente, lembrava de sua paixão por Draco.

- Do que você esta falando? – Harry perguntou olhando-a.

- Você se apaixonou e isso é tudo, você vai ter um filho que precisa de você e você ama a mãe da criança, ela é viúva e, portanto, livre, eu vou embora e tudo vai ser perfeito. – ela disse encarando-o.

- Já disse que não amo a Cho, não quero ficar com ela e nada vai faltar a criança, mas não vou me separar de você, por isso é melhor que me perdoe e esqueçamos isso.

- Eu já perdoei você, mas não posso mais viver contigo, não quero!

- O que você quer dizer com isso Virginia? – Harry a olhava fixamente.

- Que eu não posso viver mais ao seu lado – Virginia não o encarou.

- Não é só porque lhe trai Virginia, como você mesmo disse, você já me perdoou. Você não me ama mais! – Harry tinha os olhos fixados nela.

- Não Harry, não amo mais você! – ela disse baixo.

- Você está apaixonada por outra pessoa Virginia?

- Harry eu não sei aonde você quer chegar com isso – ela virou-se para o armário encarando as roupas.

- Virginia olhe pra mim! – Harry disse com autoridade.

Virgínia não o encarou, sabia o que Harry estava pensando agora e ele não estava errado. Estava com a respiração acelerada, o medo tomando conta de si, quando sentiu a mão de Harry puxar-lhe pelo braço e segurando-os firmemente em seguida, forçando-a a olhá-lo.

- Olhe para mim Virginia!

- Estou olhando Harry – ela tentava manter a calma e sustentar o olhar!

- Você tem um amante?

- Não – ela disse apresada.

- Você disse que não me ama mais, você ama outra pessoa Virginia?

- Harry eu já disse que não sei onde você... – ela não queria responder, não sabia o que responder.

- Ama ou não Virginia?- ele segurava-se para não gritar com ela.

- Harry...

- AMA OU NÃO? – dessa vez ele não se conteve, gritou e apertou os braços dela.

- Harry, por favor, me solte você está me machucando! – ela pediu suplicante, os braços doendo pela força que ele fazia.

- RESPONDE Virginia! – ele a sacudiu.

- Amo – ela disse timidamente.

- O que? – ele disse meio atônito, não esperava aquela resposta dela, soltou-a e ela saiu andando em direção a cama sentando-se e passando as mãos pelos braços onde ele havia apertado.

- Harry eu não queria falar isso, mas você... – Virginia atentava explicar.

- Quem é ele Virginia, quem é o seu amante? – Ele perguntava enraivecido.

- Não tenho amante Harry, eu apenas o amo, mas não temos nada!

- É por isso que você quer a separação não é? – ele caminhou em direção a ela.

- Quero a separação porque não amo mais você, você não me ama, nosso casamento acabou.

- Mentirosa! É isso que você é Virginia, uma mentirosa! Quer a separação pra ficar com seu amante!

- Harry, eu não tenho um amante, nunca tive, já você... – ela tentou falar.

- Eu o que Virginia? Quem é você pra falar algo? Não passa de uma leviana! – ele disse enraivecido.

- Eu não sou isso Harry, me respeite! Você sabe que eu não sou isso! – ela tinha um tom magoado na voz.

- Quando e onde vocês se encontram?

- Harry eu não quer mais discutir!

- Quando vocês se encontram? RESPONDE MERETRIZ! – ele gritou

- Eu já disse que não tenho ninguém, eu o amo e pronto Harry, não somos amantes, eu jamais seria igual a você! – Virginia devolveu alterada ficando de pé.

- Cortesã! – foi tudo o que Harry disse antes de dar uma bofetada em Virginia que a fez cair na cama. Ela levou as mãos ao rosto e olhou para Harry com raiva.

- Você é um covarde Harry, você é um covarde! – dessa vez as lagrimas caiam.

- Você dormiu com ele Virginia? – Harry parecia não estar em si e como Virginia não respondeu, ele inclinou-se sobre a cama e a pegou pelo braço, puxando-a em seguida para perto dele.

- Harry me solta!

- Eu não acredito nessa sua historia de se apaixonar e pronto, não, você está querendo mentir pra mim, mas você não vai, fale a verdade Virginia! Vamos fale! – ele a sacudia.

- Eu não tenho o que falar, você esta fora de si, me solte e quando você se acalmar decidimos a separação.

- Não vou me separar, você não vai ficar com ele Virginia, não vai! – Harry apertava mais os braços dela e a sacudia com força.

- Harry, você esta me machucando! – ela disse tentando conter as lágrimas que queriam cair.

- Machucando? Eu não estou te machucando Virginia, isso não é machucar. – ele a abraçou forte e tentou beijá-la.

- Me solta Harry – ela tentava em vão soltar-se, mas ele era mais forte que ela.

- Você é minha Virginia, é minha e vai ser sempre! – ele disse enquanto puxava o vestido dela com força para que rasgasse, o que ele conseguiu facilmente.

- Me solta Harry, por favor me solta! – ela tinha medo no olhar e na voz.

Virginia sentiu o desespero tomar conta de si e as lagrimas a cegaram quando ele rasgou as roupas dela e a arrastou ate a cama, deitando-se sobre ela, beijando-lhe o corpo. Ela ainda debateu-se, mas não tinha forças contra ele. Fechou os olhos apertados e não enxergou mais nada, quando Harry tirou a própria roupa e rasgou-lhe o resto do vestido, ela já não tinha forças para revidar. Sentiu as mãos dele em suas coxas, forçando-a a abrir as pernas, ele chupando e mordendo algumas partes de seu corpo. Sentiu os lábios dele nos seus, forçando um beijo e como ela resistiu, ele forçou-se contra ela e a penetrou violentamente. Ela sentiu dor, e sentiu o gosto do sangue em sua boca, ele havia mordido seus lábios por ela não tê-lo beijado. Ela desejou morrer naquele momento, desejou que sua alma saísse de seu corpo e não mais voltasse.

Quando harry se satisfez ele saiu de cima dela e foi ate o lavabo, onde tomou banho. Virginia ficou deitada sobre a cama, o corpo nu e machucado. Seus lábios sangravam, ela tinha hematomas em muitas partes do corpo, arranhões e mordidas também, sentindo-se suja. Ela viu Harry sair do lavabo e foi tomar banho, tentando tirar as marcas da violência dele.

Harry havia mudado a roupa quando olhou pra cama e viu as manchas de sangue no lençol. Deu-se conta da violência que tinha feito contra a esposa e pensou no quanto a havia machucado. Caminhou ate o banheiro e pensou em abrir a porta e ver como ela estava, pedir perdão, mas então pensou em quanta raiva ela devia estar sentindo dele agora e decidiu não vê-la por enquanto. Harry estava confuso com o que tinha feito, sentia culpa e raiva ao mesmo tempo, achou que não teria coragem de encara-la agora, e decidiu saiu de casa, iria a um bar beber alguma coisa e esfriar a cabeça, depois conversaria com Virginia.

Virginia saiu do banheiro e vestiu um vestido grande e frouxo para não apertar as feridas de seu corpo e esconder todas as marcas. Olhou-se no espelho e viu seus lábios inchados, ainda pela mordida dele, sentiu-se suja novamente, ele havia machucado-a e forçado-a a fazer o que ela não queria. Saiu do quarto e foi à cozinha em busca de gelo, precisava desfazer aqueles hematomas, viu que a casa estava silenciosa, alheia a tudo o que se passou no quarto de casal. Caminhou ate a janela que dava pra garagem e viu que o carro não estava lá, Harry não estava em casa, tinha saído, e foi então que desejou fugir dali. Rapidamente ela subiu as escadas e pegou suas jóias, o dinheiro que ela guardava para doar ao orfanato e algumas roupas poucas para ele não perceber que ela havia fugido. Calçou sapatos finos e confortáveis e vestiu uma capa para esconder-lhe mais, desceu novamente e saiu pelos portões, caminhando sorrateiramente, para que ninguém a visse. Caminhou por alguns quarteirões ate decidir que era melhor sair da cidade, mesmo que não soubesse para onde iria, decidiu ir rumo à estação ferroviária. Estava em frente a estação quando sentiu-se mal. Viu que ali havia poucas pessoas para acudi-la e sentiu-se perdida. Sentiu as pernas enfraquecerem e sabia que ia cair a qualquer momento, quando sentiu duas mãos envolverem-na pela cintura. Agarrou-se ao dono das mãos e respirou profundamente, tentando voltar ao normal, olhos fechados sentindo o cheiro da colônia que o seu salvador usava. Aos poucos foi melhorando e quando se sentiu completamente bem, abriu os olhos e deparou-se com um rapaz muito bonito, loiro, alto, de olhos verdes e forte, elegantemente vestido.

- Venha comigo senhora, precisa sentar-se!

- Obrigada! – Virginia agradeceu já sentada!

- Tive impressão de que ias desmaiar, o que esta sentindo? – o rapaz a interrogava como um médico.

- Tive uma tontura apenas, já estou bem! Obrigada, mas se der licença, eu preciso ir.

- A senhora vai pegar um trem? Não é bom viajar doente!

- Não se preocupe, estou bem, eu apenas não me alimentei corretamente, mas já estou bem!

- Nesse caso posso acompanha-la ate uma confeitaria que tem logo ali.

- Não é necessário!

- Faço questão, só vou ficar tranqüilo quando vê-la realmente bem, ainda estas pálida.

- Nesse caso, vamos rápido, preciso tomar o trem logo1 – ele disse apreensiva.

Virginia caminhava ao lado do homem com mil pensamentos em sua cabeça. Não o conhecia, ele também parecia não conhecê-la, mas ela temia ser descoberta e não conseguir fugir de Harry. Lembrou dos lábios inchados, mas ele não devia ter percebido. Chegaram à confeitaria e ela pediu apenas uma fatia de bolo e um copo de suco de laranja, que o homem fez questão de pagar para ela. Ele a observou comer em silencio e ela sentiu-se imensamente incomodada. Os cabelos loiros dele em muito a lembrava de Draco e os olhos verdes, faziam-na lembrar de Harry.

- A senhora deve estar indo a Paris, estou certo?

- Desculpe? – Virginia não entendeu.

- A senhora deve estar indo para Paris, pois é o único trem que parte a essa hora e é o mesmo que tomarei.

- sim, isso mesmo! – Virginia disse empolgada. Paris, ela iria para Paris. Sempre sonhara em conhecer tão linda cidade.

- Qual a numeração de seu bilhete? Quem sabe não vai dividir a cabine comigo!

- Eu não tenho ainda, vou comprar! – ela disse timidamente, incomodada com o modo como ele a tratava, parecia disposto a conquistá-la.

- nesse caso vamos logo!

Eles seguiram ate o guichê e antes que Virginia pudesse comprar o bilhete, o moço já havia dado dinheiro ao caixa e comprado um bilhete para ela, na mesma cabine que a dele. Em seguida o trem apitou e eles se encaminharam em silencio ate o local indicado no bilhete de ambos, logo estavam só os dois acomodando suas bagagens. Quando terminaram, sentaram-se frente a frente. Virginia olhava para fora do trem, certificando-se que nenhum conhecido estivesse ali para vê-la. quando o trem começou a mover-se nos trilhos ela suspirou aliviada por estar indo para longe de Harry e toda sua via complicada, talvez em outro pais ela pudesse esquecer Draco e Harry. Pensou em seus pais e seu irmão, estavam felizes e jamais imaginariam o que aconteceu com ela, lamentava ter de ir para longe deles, mas aquilo era necessário, esperava que eles compreendessem e a um dia quando ela retornasse, eles a recebessem de braços abertos. Estava indo para um lugar estranho iniciar uma nova vida que ela não sabia bem qual seria, mas estava disposta a tudo e não tinha medo. Uma lagrima de saudade escorreu em sua face quando ela deixou de avistar Londres. fechou os olhos e abriu-os segundos depois encarando o homem a sua frente.

- Meu nome é Blás Zabini! – ele disse.

- Virginia Po...Weasley, Virginia Weasley. – ela disse embaraçada.

- É um prazer conhece-la senhora! – ele disse galante – Onde esta seu marido?

- Eu não sou casada! – Virginia disse rápida, porem viu que ele olhava para sua mão, para a aliança que ela tinha no dedo. - Separei-me recentemente, ainda não havia tirado a aliança – ela disse enquanto removia o anel de seu dedo.

- Não precisa me dar explicações! Perdoe-me a intromissão.

Ambos ficaram em silencio por alguns minutos, mas a curiosidade tomava conta deles.

- O que o senhor está indo fazer em Paris? – ela perguntou com curiosidade.

- Moro lá desde menino quando meus pais faleceram e fui morar com meus avos. Formei-me como médico e trabalho no maior Hospital da cidade. Vim a Londres para um festejo de um amigo.

- Paris é tão linda quanto dizem?

- Muito mais! – ele disse sorrindo.

Seguiram conversando animadamente durante os quatro dias de viagem ate Paris. Blás contava a ela coisas a cidade, sobre a faculdade, sobre medicina, política, sobre artes, literatura, sobre musica, teatro, sobre o mundo, e ela ouvia tudo fascinada. Virginia sentiu-se tão a vontade que falou com ele sobre sua infância e juventude, sobre sua família, sobre seus gostos e interesses, seus sonhos, ao que ele ouvia atento e também falava de si. Ela fazia a ele perguntas sobre diversas coisas e ele se dispunha a responder. Criaram uma intimidade que jamais pensaram que poderiam ter. Era como se ambos fossem velhos conhecidos, velhos amigos, e os dois nunca haviam tido amigos antes. Blás sempre fora sozinho, e Virginia era para ele uma companhia que ele nunca tinha tido. Ela sempre fora rodeada de pessoas, mas não tinha tanta desenvoltura para conversar, tudo era formal demais, com ele ela se sentia livre para ser quem ela era. Quando chegaram a Paris, ela foi para a casa dele, iria ser sua hospede o tempo que ficasse em Paris. A principio ela havia se recusado, mas como não conhecia a cidade e nem ninguém alem dele, reconheceu que seria perigoso demais para uma jovem ficar sozinha e por isso aceitou. Ambos chegaram à mansão de Blás e acomodaram-se, ela a apresentou como sua prima e ela foi muito bem tratada por todos. Três semanas depois Virginia sentia-se imensamente feliz. Havia conhecido a cidade, comprado roupas novas, estava aprendendo a falar francês, ia ao campo nos finais de semana, auxiliava Blás em seu consultório, aprendia muitas coisas com ele e com os livros que ele tinha na biblioteca em casa. Ambos eram para o outro um amigo, um companheiro, um irmão.

Harry voltou para casa no dia seguinte, já passava das 11 horas. Ele havia acordado em um quarto de bordel, ao lado de uma mulher desconhecida, uma cortesã, havia bebido demais. Foi apressadamente para casa e quando chegou lá e não encontrou Virginia. Perguntou aos empregados, mas ninguém tinha noticias dela. Ficou feito louco procurando-a pela casa e depois saiu pela cidade, ela parecia ter sido tragada pela terra. Logo a noticia se espalhou e todos comentavam o desaparecimento dela, especulando que ela devia ter fugido com um amante. Harry a princípio ficou possesso, não queria que o vissem como marido traído e rissem dele, mas a historia tomou outras proporções, ele acabou se tornando a vitima. Seu casamento com Virginia foi anulado porque ela abandonou o lar e como ele sabia que ela não voltaria mais para ele, aproveitou para escrever para Cho e pedir que ela voltasse para Londres e eles assumissem uma relação. Duas semanas depois ela chegou e eles começaram a encenar uma aproximação. Aos poucos toda a sociedade incentivava o romance deles já que ela era a viúva e ele o homem bom e abandonado. Harry estava realmente feliz. A presença de Cho e a gravidez dela o fizeram esquecer um pouco de Virginia e se dedicar mais a si próprio e a mulher e o filho que teria em breve. Estava encantado com a possibilidade de ser pai e viver com a mulher com quem teve um tórrido romance quando era casado. Marcou o casamento com Cho para dali a três meses, depois que o bebe nascesse.

Virginia acordou sentindo-se mal mais um dia. Sentia enjôos e tonturas frequentemente, mas tinha ficado mais forte no ultimo mês. Saiu do lavabo e caminhou ate a cômoda para pegar seus remédios de anemia quando Blás a chamou batendo a porta.

- Entre! – ela disse com certa dificuldade, a garganta doendo.

- Por céus Virginia, o que você tem? Esta muito pálida! – ele disse caminhando em direção a ela.

- Estou bem! É o mal estar de novo. Você sabe, eu não tenho me cuidado como deveria dessa anemia. – ela disse forçando um sorriso.

- vou examiná-la!

- Não precisa! Só preciso tomar esses remédios e pronto, vai passar!

- Não, você está dizendo isso desde que chegou aqui e ate agora não passou nada, só piorou. Arrume-se, vou levá-la ao hospital e lá faremos alguns exames em você!

Virginia ainda protestou, mas Blás não desistiu de levá-la para fazer exames. Chegaram ao hospital e ela foi para a enfermaria onde logo uma jovem que ela já conhecia, Anna, veio retirar amostras de seu sangue e urina. Em seguida ela foi tomar café com Blás e depois ficou na saleta dele no hospital, aguardando o resultado de seus exames e conversando com ele. Estava rindo feliz falando da preocupação de seus pais quando Anna trouxe os exames. Blás quis abrir, mas Virginia pediu que ele só abrisse quando eles voltassem pra casa depois de comprar algumas roupas que ela queria, pois estava ficando um pouco mais gorda. Blás concordou e eles saíram. Estavam quase chegando às lojas quando ela sentiu-se novamente mal e Blás achou melhor ir para casa. Ele acomodou Virginia no quarto dela e pegou os exames. Virginia observava ele atentamente.

- Então? Convencido de que é só minha anemia? – ela perguntou sorridente!

- Não é sua anemia Virginia! – Ele disse sorridente.

- O que é então? – ela perguntou num misto de ansiedade e preocupação.

- Você está grávida!

- Não...

- Sim, está! Por isso dos enjôos, tonturas e o seu peso aumentando! Eu devia ter desconfiado! – Blás sorria, enquanto Virginia chorava, ele pensava que era de emoção.

- Não posso estar grávida Blás! – Virginia soluçava.

- Virginia, do que você esta falando?

- Não posso estar grávida, não quero estar!

- Não entendo Virginia!

Ela o olhou chorando. Pensava se era a hora de contar a ele o que havia realmente acontecido com ela, porque ela estava ali. Havia estado todo esse tempo com Blás e nunca tinha falado de sua fuga de Londres e de como havia acabado seu casamento. Sentiu que era a hora de falar, não poderia mais ficar com aquilo para si, ainda mais com essa possibilidade agora.

- Blás, eu preciso contar o que realmente aconteceu pra eu vir pra cá, como eu terminei meu casamento!

- Não precisa falar nada!

- Preciso! você sempre foi muito bom comigo, é justo que saiba!

Virginia contou a ele tudo como realmente aconteceu. Falou de seu casamento feliz e apaixonado, de sua vida com Harry, da festa de noivado de Draco, do beijo que ele lhe deu, de Harry com Cho, da perseguição de Draco, da mudança de Harry, da descoberta das cartas, da fuga de casa, da noite com Draco, do abandono dele, da volta de Harry, da doença do pai, dos abusos de Harry e de sua fuga definitiva de casa. Blás emocionou-se com o que ela contou e a abraçou confortando.

- O que farei agora Blás? Que Deus me perdoe, mas eu não quero esse bebe!

- Não diga isso Virginia, ter um filho é sempre uma benção!

- Pra mim não vai ser!

- Se diz isso pelo possível pai, saiba que a criança não tem culpa!

- Possível pai?

- Você se entregou a Draco e depois Harry forçou-a – Blás disse com um tom de raiva.

- Eu...eu não tinha pensado nisso! – ela disse com visível tristeza, ela não sabia pensar o que seria pior para si e para seu filho.

- Não fique triste! Não gosto de vê-la assim! – Blás disse enxugando uma lágrima do rosto dela.

- Blás, o que farei agora? Acha que meus pais vão me receber em casa?

- O que você esta pensando em fazer?

- Em ir para a casa de meus pais, ter o bebe e morar lá com eles.

- Você vai me deixar Virginia?

- É preciso, e depois, você pode ir nos visitar sempre que quiser!

- Não quero que você vá embora! Você é como uma irmã pra mim, é a companhia que eu nunca tive! É minha amiga, companheira, mãe, irmã, tudo!

- Eu também vou sentir muito a sua falta - Virginia abraçou-o, as lagrimas silenciosas caindo em seu rosto. Blás era o mesmo pra ela, companheiro, amigo, irmão, porto seguro.

- Virginia, espere aqui! – Blás disse e saiu do quarto, voltando um pouco depois com algo escondido na mão.

- O que é isso? O que você tem ai? – Virginia perguntou um pouco risonha, era muito curiosa e Blás sabia disso, ele gostava do jeito de menina que ela tinha.

- Tenho uma coisa muito importante pra você! – ele disse ajoelhando-se ao lado da cama, ele estava visivelmente nervoso.

- O que é isso – Virginia perguntou enquanto sentava-se de frente a ele.

Blás respirou fundo e segurou uma das mãos dela.

- Virginia Molly Weasley, você aceita se casar comigo? – Blás disse olhando-a nos olhos, sorrindo timidamente e oferecendo a ela um anel de noivado com um lindo brilhante, que Virginia sabia pertencera a sua mãe, era jóia de família.

Virginia ficou sem reação, não esperava aquilo. Casar? Ela já era casada, na verdade, não era mais porque sabia que seu casamento devia ter sido anulado quando ela fugiu, mas casar com Blás? Ele era tudo o que ela tinha, mas não o amava como homem. Pensou que podia ser só para ela não ir embora, mas não podia permitir que ele fizesse aquilo, ele perderia a chance de casar-se com uma mulher que amava se casasse com ela agora, não podia deixar que ele fizesse tamanho sacrifício, o que ele ja havia feito por ela fora demais.

- Blás eu ano posso! – ela disse tristemente.

- Por que não?

- Não somos um casal apaixonado!

- Não quero que se apaixone por mim Virginia, sabes que é como uma irmã, e por isso quero casar-me, para protegê-la sempre!

- E quando encontrar uma jovem que você ame? Não vai poder ficar com ela por que quer fazer essa besteira agora!

- Não é besteira! e ano se preocupe, porque eu não vou me apaixonar e querer casar!

- Não diga isso!

- Eu já amei Virginia, amei muito uma moça e ate hoje eu a amo, mas ela não me amava, e hoje é casada! Portanto, vamos logo cuidar dos preparativos do nosso casamento! De a mão para eu por anel! – ele disse brincalhão.

- Blás, isso é loucura, essa historia não pode ser verdade, você nunca me contou, esta tentando me convencer! – Virgínia disse sorrindo.

- É verdade!

- Não é!

- Vou mostrar-lhe!

Blás saiu e voltou em seguida com uma carta. Estendeu a Virginia e ela leu. Era de uma jovem que dizia lamentar não poder corresponder o sentimento que ele nutria por ela por ter se apaixonado por um outro rapaz e ir casar-se com ele. ao final da carta, Virginia leu o nome da moça e não acreditou, era Pansy Parkinson, a atual esposa de Draco.

- O homem que você ama casado com a mulher que eu amo! Que coincidência não? Mais um motivo para nos casarmos!

- Blás! Só você para me fazer rir em um momento como esses!

- Então – ele disse abaixando novamente em frente a ela – aceita? – ele perguntou oferecendo o anel.

- Sim – Virginia respondeu sorrindo e estendendo a mão para ele por o anel.

Blás pôs o anel na mão dela e beijou-lhe a testa, abraçando-a em seguida. Virginia sentiu-se protegida e ampara e ele feliz por ter a certeza de que sua companheira estaria sempre ao seu lado. Blás não amava mais Pansy, há muito havia esquecido-a e se apaixonado por Virginia, mas tinha-a observado o bastante para saber que não podia aproximar-se, que ela estava ferida, mesmo antes dela contar-lhe o que havia realmente se passado com ela. Não queria afastar-se dela, mesmo sabendo que ela jamais fosse corresponder aos sentimentos dele, amava-a e isso era tudo.

Alguns dias depois Blás e Virginia iniciaram os preparativos para o casamento que seria uma cerimônia simples e íntima dali a um mês, na casa de campo da família Zabini.