Angústias e segredos
Virginia acordou na manhã seguinte sentindo-se mais mal do que de costume. Os enjôos eram quase que ininterruptos e a tontura quase não a deixava andar direito. Chamou por Blás com certa dificuldade, pois sua voz parecia não querer sair da garganta.
- Virginia? O que aconteceu? – Blás encontrou-se com ela preocupado.
- Não sei, acordei ruim esta manhã, os enjôos estão intensos e não consigo ficar em pé, as tonturas não permitem.
- Vou levá-la agora mesmo ao hospital para examiná-la melhor.
- Não é necessário, não se incomode!
- Deixe disso, vou ajudá-la a se arrumar e iremos em seguida.
Menos de uma hora depois Virginia estava sendo examinada por um médico do hospital, amigo de Blás. Virginia fez alguns exames e depois ficou aguardando os resultados. Ela estava sentada em um banco, na pequena sala de espera e Blás estava ao seu lado.
- Olá meu amigo! Srta. Weasley. – o médico cumprimentou-os.
- Olá Ed, e então? Há algo de errado com a gravidez da Srta. Weasley? – Blás perguntou ansioso, levantando-se.
- Pode ficar tranqüilo, isso é normal. Você está com 4 meses e duas semanas aproximadamente de gravidez Srta. Weasley, por isso os sintomas estão mais fortes, mas logo que chegar ao quinto mês passa. Em todo caso receitarei um remédio para diminuir os enjôos e uma dieta que vai fazê-la ter mais disposição.
- Obrigada Doutor – Foi tudo que Virginia disse.
Assim que chegaram a casa, Blás perguntou a Virginia se ela se sentia melhor, ao que ela respondeu que não e por isso iria descansar. Blás notou algo diferente nela, além do mal estar da gravidez, mas achou melhor falar com ela depois, podia ver que ela estava indisposta. Ofereceu-se para ficar com ela e auxiliar caso ela precisasse de algo, mas ela negou sua ajuda, disse que ele devia ir pro consultório, que ela ficaria bem. Mesmo que contrariado, ele o fez.
Virginia estava só no quarto, deitada na cama em posição fetal. Tinha as mãos em torno da barriga e chorava silenciosamente. Quatro meses e duas semanas! Céus esse era o tempo exato de sua gravidez, era esse o tempo exato que havia estado com Draco. Sabia agora quem era o pai de seu filho e também sabia por que isso a abalava tanto. Desde que havia saído de Londres que ela dizia a si mesma que fora um erro se envolver com Draco e que iria esquecê-lo. O tempo passou e ela não esqueceu. E agora... Seria mais difícil isso acontecer, afinal, ele era o pai de seu bebê. Virginia sentiu-se novamente tonta, não sabia se pela gravidez ou pelas descobertas recentes. Ela estava confusa com o que sentia em relação à Draco. Ora sentia-se aliviada porque o amava e seu filho fora concebido com amor, mesmo que por parte apenas dela. Oras sentia-se angustiada pensando no que seria dela e seu bebê se ele soubesse um dia, como ele reagiria. Seus pensamentos vagaram até ele, no quanto ele fora injusto com ela, no quanto o que havia acontecido havia sido errado, no quanto ela havia se apaixonado por ele. Mas agora ela estava feliz, feliz com aquele erro. Teria um bebê, um bebê do homem que amava, e mesmo que não estivesse com ele, mesmo que não tivesse mais família, mesmo que não fosse bem vista na sociedade, tinha um motivo muito forte para viver, para enfrentar todos, enfrentar tudo. Tinha um filho crescendo dentro de si, inocente e indiferente ao que acontecia, uma vida que dependia dela e que ela amava muito. Pensou sobre seu casamento com Blás e teve medo. Blás era jovem e bonito, um homem digno e honesto, merecedor de uma felicidade sincera, de uma mulher que ele amasse e que o amasse, de filhos que fossem verdadeiramente seus. Pensou sobre se era certo o que ela estava fazendo, aceitando-o como esposo. Pensou se esse não seria mais um erro do qual ela ou Blás viessem a se arrepender posteriormente. Ela poderia ser mãe solteira, não se importava com isso, apenas não queria mais cometer erros, magoar-se ou magoar quem lhe era caro. Pensou em Draco, em como ele se sentiria se soubesse que seria pai, mas logo tirou aquele pensamento da cabeça. Draco a rejeitara, ele só quisera se divertir com ela, portanto, ela não diria a ele, ele não poderia saber jamais que teriam um filho, além do que ele tinha uma outra mulher e provavelmente teria filhos com ela. Virginia não queria que seu bebê fosse rejeitado pelo pai, como ela fora. Draco devia estar feliz. E ela também seria junto com seu filho.
O que Virginia não sabia, era que Draco ainda pensava nela, mesmo que não entendesse o que aquilo significava. Ela também não sabia que tudo o que ele mais queria era ter um filho.
Draco passava as mãos pelos cabelos, preocupado mais uma vez. Sua mulher estava sendo examinada por um médico de confiança da família novamente. Pansy estava com as regras atrasadas e aquilo podia significar que ela estava grávida. A ansiedade tomava conta da família Malfoy. Tudo o que mais queriam era um herdeiro, e essa era a possibilidade do sonho concretizar-se. Após alguns minutos, que pareceram horas de espera, o médico saiu do quarto da paciente.
- E então doutor? Terei mesmo um filho?
- Lamento dizer Sr. Malfoy, mas sua esposa não esta grávida, o que ela tem é na verdade uma gravidez psicológica. Sua esposa está muito abalada devido a pressão que ela sofre com a necessidade de engravidar. Isso acabou gerando essa ilusão.
Draco deixou-se cair em uma poltrona.
- Tem certeza disso doutor? – questionou Lucius Malfoy. A decepção estampada em sua face.
- Absoluta. Receitei alguns remédios para a depressão que ela sente e que irão deixá-la melhor. Recomendo que não tentem fazê-la engravidar por um longo tempo e que se for possível, nem toquem no assunto de filhos por enquanto.
O médico despediu-se da família e o clima instalado foi de lamento. Decidiram entrar no quarto de Pansy para ver como ela estava. Narcisa sentou-se em uma poltrona ao lado dela, segurando em sua mão. Lucius sentou-se um pouco distante e Draco aproximou-se da cama com um olhar inexpressivo, escondendo o que realmente sentia, encarando a mulher. Deitada na cama, pálida e com os olhos inchados de tanto chorar Pansy olhou-o raivosa.
- A culpa é sua Draco! Como eu o odeio! – Ela disse entredentes.
- Pansy meu amor, do que você esta falando? Não é culpa de ninguém! – Narcisa interveio.
- Não o defenda, você não sabe de nada, ninguém sabe de nada, mas eu sei, eu sei Draco! - Ele o olhava raivosa.
- Pansy, você não está bem – Draco disse displicente.
- Não estou bem Draco, eu sei que não estou bem e eu sei que a culpa é sua, só sua.
- Minha querida, do que esta falando? – Narcisa perguntou com um ar de lamento, estava compadecida com o estado de sua nora.
- Ele não me ama, nunca me amou, casou-se comigo não sei por que, pela possibilidade de ter um filho talvez, ou pra unir as fortunas. Eu sempre soube que ele não me amava, mas eu pensava que com o tempo ele me amaria... Draco se mostrava tão encantando no tempo de noivado.
- Você sempre soube que eu não a amava Pansy, eu nunca lhe prometi amor, mas eu gosto de você, é uma ótima esposa! – Draco disse ainda displicente
- Eu sei disso, sou a esposa perfeita pra sustentar as aparências não? Pensei que com o tempo você me amaria de verdade e eu deixaria de ser apenas um enfeite. – Pansy chorava.
- Você não é um enfeite! – Draco afirmou.
- Quem é ela? – Pansy perguntou encarando-o.
- Ela quem? – Draco desafiou.
- Quem é ela Draco? Tenho direito de saber que é a mulher que você ama!
- Não sei do que você está falando!
- Não negue, eu sei que você ama outra mulher, sei que vocês são amantes, sei o nome dela. – Pansy o encarava desafiadora.
- Você está delirando Pansy, acho melhor descansar, nada disso que você esta falando é real - Draco a olhava friamente.
- Virginia não é?
Draco empalideceu com o que Pansy disse, mas foi tão rápido que logo ele voltou ao normal, sua expressão inteligível, que apenas Lucius percebeu.
- É Virginia o nome dela, eu sei, é o nome que você me chama todas as vezes que fazemos amor Draco. – Pansy insistiu chorando.
Narcisa sentiu-se envergonhada por ouvir aquilo da intimidade do filho e ao mesmo tempo se sentiu triste e solidária com a nora, pois já havia passado por aquilo antes e suspeitava estar sendo traída por Lucius novamente.
- Você não sabe o que diz! – Draco disse retirando-se do quarto batendo a porta.
Pansy havia passado dos limites, dizendo algo daquele tipo na frente dos seus pais. Onde já se viu? Esse era um assunto só deles. E ainda mais afirmar que ele amava Virgínia! Ele amar Virginia? Nunca! Ela fora apenas um divertimento, um bom divertimento por uma noite e nada mais. Não a amava. Odiava-a isso sim.
Draco não queria pensar nela. Há muito vinha tentando conter seus pensamentos que teimavam em se encaminhar para ela constantemente, perguntando-se onde ela estava e com quem. Não podia negar que ela o encantara e que sentia vontade de vê-la e tê-la em seus braços novamente, mas atribuía isso apenas a um desejo de seu corpo. Pensar na ruiva o fez lembrar do sorriso doce que ela tinha, do ar meigo e recatado com que se portou com ele quando estiveram juntos. Se não a conhecesse, se não soubesse que ela era infiel e dissimulada, com certeza teria se apaixonado. Desejou por um instante tê-la conhecido antes de Harry e ter-se casado com ela, mas rapidamente afastou esse pensamento, devia estar ficando louco por pensar essas coisas. Isso que era culpa de Pansy. Decidiu sair de casa para espairecer um pouco.
Blás chegou em casa antes do final da tarde e Virginia olhou-o interrogativa. Ele não tinha costume de chegar mais cedo.
- Blás, aconteceu alguma coisa?
- Tenho uma coisa muito importante pra falar com você!
- Nossa, assim você me assusta, diga!
- Sobre seu pai!
- O quê? – Virginia assustou-se.
- Encontrei um amigo meu de Londres, do hospital, que estava passando as férias aqui em Paris e ele me contou que estava voltando a Londres antes do tempo previsto porque um paciente dele estava, não muito bem, no hospital. Ele disse o nome do paciente, Arthur Weasley.
- Papai? – Virginia empalideceu.
- Sim, seu pai. Está internado, não sei como está, mas vai ficar bem, meu amigo é um ótimo médico. Faremos as malas imediatamente e partiremos essa noite mesmo para Londres.
- Partiremos? – Virginia perguntou ainda perdida.
- Sim, já comprei as passagens! Imagino que você queira estar perto do seu pai e de sua família neste momento.
Virginia abraçou-o tomada de forte emoção. Voltar a Londres não estava nos seus planos ainda, mas parecia que o destino não concordava com ela. ainda que assustada com essa possibilidade ela e Blás fizeram as malas e partiram rumo a Londres. Durante a viajem, Virginia ia perdida em seus pensamentos sofre sua família e sobre Draco. Tentou dormir, mas não conseguiu. Algumas horas depois, quando o dia já havia amanhecido, o trem chegou a Londres. Blás e Virginia tomaram um carro e partiram para a pequena mansão que Blás tinha na cidade. Virginia ia olhando o caminho, as ruas e as pessoas. Sentia certo medo ao pensar em como sua família reagiria a sua volta, em como iriam tratá-la, buscava coragem dentro de si. Chegaram a casa de Blás onde ambos apenas depositaram as malas nos quartos que ocupariam e partiram para o hospital.
Virginia pediu a Blás que a deixasse ir só ao encontro da família e fosse buscar maiores informações sobre o estado de seu pai. Blás aceitou e Virginia encaminhou-se para a sala de espera do hospital onde, assim que ela chegou, avistou seu irmão Ronald conversando com um médico. A esposa dele, Hermione, estava sentada com sua mãe em um banco, e ela não pôde deixar de perceber que sua mãe estava desolada. Ela aproximou-se lentamente dos seus. Seu irmão foi o primeiro que a reconheceu.
- O que você esta fazendo aqui?
- Eu vim ver papai – a voz dela saiu trêmula, ao que sua mãe e sua cunhada ouviram e ergueram-se.
- Virgínia – Molly disse com certa emoção.
- Mamãe! – Virginia abraçou a mãe chorando copiosamente.
- Onde está seu amante? – Ronald perguntou ignorando a cena emocional que presenciava entre sua irmã e sua mãe.
- Não tenho amante nenhum Ron.
- Ótimo! Você abandonou seu marido e fugiu com um homem que a desonrou e abandonou, envergonhando mais ainda a nossa família diante da sociedade e deixando papai nesse estado. – Ele falou olhando do rosto para a barriga dela.
- Ronald! – A mãe o censurou.
- Você não pode me culpar Ron, você não sabe o que aconteceu, não sabe o que eu passei!
- Ah eu sei, sei que você tinha um marido que a amava, sei que você não deu valor a isso, sei que preferiu fugir numa noite qualquer para um lugar qualquer na companhia de um homem qualquer que não podia ser nada mais que um amante seu e que ainda a desonrou! Vá embora Virginia. Como você já foi uma vez. Vá embora, nós não precisamos de você aqui.
- Quero ver papai, quero ver como ele está!
- Se ele a vir é capaz de morrer. Ele deserdou você, não a reconhece mais como filha.
- Isso não pode ser verdade.
- Creia-me, é verdade! – Ronald disse com raiva.
Aquilo a fez perder o chão, o ar. Seu pai não a reconhecia mais, não era mais sua filha, não era mais uma Weasley, não tinha mais família. Sem saber o que fazer ou dizer ela deixou-se guiar pela emoção, abalada, o desejo enorme de sair dali urgentemente, de voltar para a casa de Blás onde a segurança a esperava. Sem muito pensar, Virginia saiu mais rapidamente do que entrara, caminhando a passos curtos e ligeiros até fora do Hospital. Com a respiração acelerada ela tentava conter as lágrimas que teimavam em cair e controla seu corpo que tremia. Estava descendo as escadas quando uma voz familiar chamou por seu nome.
- Virginia? – perguntou Harry num misto de surpresa e confusão.
As lágrimas embaçavam a visão da ruiva, mas seus ouvidos lhe asseguravam claramente que quem a chamava era seu ex-marido, Harry.
- É você mesma? – Harry caminhava na direção dela.
- Não se aproxime! – ela encarou-o desesperada, limpando as lágrimas dos olhos.
- Não vou... Machucá-la. – Harry disse tristemente, lembrando-se instantaneamente do seu último encontro com a mulher a sua frente.
Virginia pôs-se a andar novamente, mais depressa do que antes, para longe. Queria fugir de Harry agora. Tomou uma direção sem saber exatamente qual era, andava guiada pelo instinto. Queria fugir dali, queria se esconder, queria partir novamente.
- Virginia espere! – Harry gritou seguindo-a. - Não vou te fazer mal – Ele garantiu quando a alcançou, segurando-a pelo braço.
- Largue-me Harry. Por favor, me deixe em paz! – Ela tinha um olhar súplice e amedrontado.
Harry soltou-a e não a seguiu mais. Estava paralisado com o olhar dela. Aquele olhar que ela lhe dera fora um olhar de dor, de medo, de súplica, de mágoa. Um olhar que o fizera sentir-se repugnante. A Virginia que ele vira a pouco não era nem de longe a Virginia que ele havia conhecido anos atrás, com quem havia se casado. Essa Virginia não tinha a alegria de antes, não tinha o mesmo brilho no olhar de outrora, não era mais alegre, não sorria. Seu semblante transpassava dor, mágoa, medo, algo que ele sabia que havia causado.
Virginia fugia, caminhando apressada, sem rumo, guiada pela necessidade de afastar-se dali. Não percebeu que um carro havia parado perto dela e que um homem havia saltado dele. Não percebeu que esse homem a seguia, e muito menos percebeu que esse homem era Lucius Malfoy.
Lucius estava indo ao hospital fazer uma visita à família Weasley. Embora não fosse próximo da mesma, fazia parte da etiqueta social. Além do mais o clima em seu lar não estava bom, sua nora estava doente porque não engravidava e sua esposa estava distante, fria, desconfiada de que ele teria outro alguém. Não conseguia suportar aquilo, nem queria. Queria mesmo era ir encontrar sua jovem amante em um hotel barato da cidade e divertir-se um pouco. Faria isso assim que passasse pelo hospital, claro. Estava quase parando em frente quando avistara o Potter subindo as escadas e no mesmo instante uma ruiva descendo-as. Ele viu quando Potter parou-a, a viu retroceder diante dele, o viu persegui-la, e a viu fugir. Reconhecera aqueles cabelos ruivos. Era uma Weasley, a Weasley que fora casada com o Potter e que fugira com um amante, abandonando-o. Como se chamava mesmo aquela mulher? Vanessa, Verônica... Ouviu Potter chamá-la... Virginia. Sua mente trabalhou rápida e a pronúncia daquele nome o remeteu a um acontecimento em seu lar mais cedo, quando sua nora acusara o filho de ter uma amante que, coincidentemente, ou não, tinha o mesmo nome que ele ouvia agora. Embutido de curiosidade ele seguiu a jovem, queria saber de algum modo se ela realmente tinha alguma relação com seu filho, se ela era a mulher da qual sua nora falara. Parou o carro próximo a ela e desceu, caminhando em direção a jovem ruiva.
- Virginia! – Lucius chamou-a.
Como não reconhecera a voz ela parou e olhou para trás. A imagem daquele homem a atordoou. Os cabelos loiros... Olhos acinzentados... A pele branca, pálida...
- Sou Lucius Malfoy, caso não se recorde. – ele apresentou-se amigável, observando cada detalhe da expressão da ruiva, percebendo suas mudanças.
- Eu recordo do senhor – ela disse trêmula.
- Soube que seu pai está doente, o que ele tem e como ele está?
- Não pude ter maiores informações, não pude – ela hesitou - me aproximar dele, não sei como está realmente.
- Vejo que você está muito abalada, nervosa. Para onde estava indo? Posso lhe dar carona. – Lucius ofereceu.
Ele precisava ganhar tempo, conquistar a simpatia dela para depois obter as informações que queria.
- Não precisa se incomodar! – Virginia hesitou por um minuto.
- Não será nenhum incomodo, vamos?
- Vou para a praça do centro, nesse caso. Obrigada! – ela estava cansada demais para continuar andando.
Virginia aceitou, seguiu-o e entrou no carro. Não disse que ia para a casa de Blás porque não queria que soubessem onde ela estava. Preferiu dizer a Lucius que ia para a praça central, de la ela caminharia pouco até chegar à casa de seu amigo. Sentou-se no banco ao lado de Lucius e suspirou. Estava cansada de tudo o que havia acontecido, de sua breve estada em Londres. Olhou de soslaio para o homem ao seu lado. Não o conhecia, mas não precisava conhecer, ela pensou. Ele estava sendo muito gentil, dando-lhe carona, devia ser amigo de seu pai. Pôs-se a pensar no que faria assim que chegasse a casa de Blás.
O carro parou em frente a praça central, era um lugar muito arborizado, possuía vários bancos e neste dia estava incrivelmente vazia. Virginia gelou um pouco. Aquele lugar lhe trazia lembranças.
Lucius desceu do carro juntamente com Virginia. Ele segurou-a pelo braço afastando-a um pouco do carro.
- Sabe Virginia, tem algo que eu quero falar com você. – Lucius interrompeu os pensamentos da ruiva.
- O quê? – perguntou ela surpresa.
- Quero falar sobre meu filho, Draco. – ele foi direto.
- Não sei o que se passa, não entendo o podemos falar a respeito de seu filho.
- Sei que foram amantes, quero saber se ainda o são.
Virginia empalideceu. Ele sabia! Pelos céus, ele sabia do seu envolvimento com Draco. Como ele soubera? Draco havia contado? Draco havia contado para mais alguém? Quem mais saberia? A ruiva estava tão abismada que não conseguia formular uma resposta. Tremia só de pensar em como todos poderiam saber de seu envolvimento com o Malfoy, em como reagiriam. Lembrou-se que seu irmão ignorava este fato, ou teria falado abertamente.
Lucius observou friamente a reação da mulher ruiva a sua frente. Não tinha como negar, o comportamento dela afirmava tudo. Virginia e seu filho foram mesmo amantes, talvez continuassem sendo. Como saber? Ele notou que ela ficara pálida, que sua respiração era ofegante, que ela não conseguia falar.
- Estou esperando uma resposta! Não seja mal educada e me diga algo. Agora!
- Não sei do que o Senhor está falando. – ela largou o braço dele e começou a caminhar, afastando-se.
- Volte aqui! – Lucius ordenou.
Virginia sentou-se enjoada de repente. Apoiou-se em um banco, levou as mãos a boa e suspirou. Levou as mãos à barriga instintivamente. Uma atitude impensada.
Lucius prestou atenção na ruiva. Viu-a parar de repente de caminhar e apoiar-se no banco. Ela estava pálida e levemente suada. Parecia que ia desmaiar. Então ela pos as mãos em volta da barriga. Só então ele notou que ela possuía uma discreta, mas notável barriga. A amante ou ex-amante de seu filho estava grávida.
- Draco sabe que você espera um filho dele? – ele arriscou.
- O senhor está errado, esse filho não é de Draco! Não sei o que o senhor pensa a meu respeito... – Virginia falava descontroladamente.
- O que sei a seu respeito é que você já se deitou com meu filho e o que quero saber é se esse filho é dele.
- Não me deitei com seu filho, não estou esperando nenhum filho dele.
Mentiras. Ela tinha que mentir.
Embora Virginia falasse firmemente, Lucius suspeitou que ela estava mentindo, mas não tinha como ter certeza.
- Não minta para mim, eu vou descobrir, e se eu souber que está mentindo as coisas não ficarão boas para você. Apenas seja sincera e me responda. Esse bastardo que você espera é do meu filho Draco?
Virginia estava transtornada e desprevenida quando Lucius atacou-a, segurando os braços. Ela não respondeu. Estava sentindo medo. Os olhos daquele homem ardiam em chamas, chamas de ódio, chamas de poder, chamas de ameaça.
Lucius sentia um misto de alegria e fúria ao pensar que aquela mulher estava esperando um Malfoy. Fúria porque seu filho havia sido irresponsável e tinha engravidado uma amante, gerando assim um herdeiro bastardo. Alegria porque era, enfim, um Malfoy e poderiam solucionar aquele impasse rapidamente, bastando apenas assumir a criação da criança, tirando-a da ruiva degenerada e dando-o para Pansy criar. Precisava apenas que a ruiva dissesse a verdade.
Olhando-a mais de perto Lucius achou-a bonita. O rosto dela tinha traços harmoniosos e delicados, e embora estivesse molhado por lágrimas e expressando tristeza e medo, possuía uma luz própria que completava o ar angelical que ela tinha. Os braços que ele apertava com força, o colo que ele visualizava de cima, o cheiro de flor que ela exalava e o rosto meigo. Tudo nela de repente pareceu tão inebriante, tão encantador, tão atraente.
- Posso ver porque meu filho sucumbiu a você. – Lucius disse olhando-a nos olhos. Em seguida ele beijou-a, agressivo.
Virginia sentiu os lábios gelados daquele homem sobre os seus. Ficou imóvel como uma estatua fria. Diante daquilo ela não tinha reação. O que pensar, o que fazer, o que sentir? Tentou empurrá-lo para livrar-se dos braços dele, mas ele era bem mais forte que ela, segurou-a com mais força ainda. Envolveu-a com um braço pela cintura, trazendo-a para mais perto, sufocando-a com seu beijo violento.
Draco estava caminhando por uma rua, perdido em seus pensamentos, quando avistou o carro de seu pai parado em frente à praça central. Decidiu caminhar até o carro e viu seu pai descendo juntamente com uma mulher. Uma mulher ruiva. Seu coração acelerou. Embora não quisesse acreditar, ela estava ali a sua frente. Virginia estava a alguns passos dele, acompanhada de seu pai. Confuso, Draco caminhou mais um pouco e de repente viu o pai beijar a mulher que estava com ele, beijar Virginia. Não acreditou no que seus olhos viam. A mulher em que ele tanto pensara nos últimos meses, a mulher por quem ele se perguntava estar apaixonado estava aos beijos com seu pai, bem ali na sua frente. Eram amantes, com certeza. Como ele fora tolo! Como sua mãe era tola! Movido pela raiva, Draco não hesitou em caminhar mais depressa, aproximando-se do casal, enojado com o que via.
- É bom saber que velhos hábitos nunca mudam. – sua voz saiu alta e firme.
Prendeu a respiração. Aquela voz ela conhecia. Jamais poderia esquecer-la. Era a voz do homem que ela amava. Era a voz de Draco.
Lucius largou a ruiva rapidamente, readquirindo a postura altiva de sempre. Encarou o filho por cima e falou a ele desafiador e arrogante.
- Olá meu filho, chegou em boa hora. Estava cumprimentando uma velha amiga que temos em comum. Recorda-se dela? Recorda-se de Virginia!
- Não a conheço. – Draco disse friamente.
Virginia encarou-o, mas ele não a olhava.
- Como não? Pelo que eu soube vocês foram amantes, se ainda não são!
- Nunca fomos amantes. Creio que está enganado meu pai.
Draco tinha o dom da frieza.
Lucius estudava atentamente as expressões do filho.
- Tem certeza? – Lucius estava desapontado. Não teria então um neto.
- Absoluta.
Lucius encarava o filho e a ruiva.
Virginia agora olhava para outro lado da praça, pensando em como fugir dali o mais rápido possível.
- Nesse caso, creio que devamos ir para casa.
Lucius entrou no carro e Draco entrou em seguida. Ele não dera um único olhar na direção da ruiva. Lucius ainda olhou-a mais uma vez. Partiram. No caminho para casa Draco tentou esquecer o que havia acontecido. Decidiu tirar para sempre a ruiva de seus pensamentos, de hoje em diante iria pensar apenas em Pansy, em fazê-la feliz, em dar-lhe o que ela merecia. Ela era mulher para ele, não Virginia. Tanto tempo havia passado pensando em Virginia, aquela qualquer. Iria dar valor a sua esposa, assim seria.
Virginia estava completamente confusa. O que fora aquilo com os Malfoys? Já não bastava sua família e Harry atormentando-a, tinha que ter passado por mais isso? Chegou em frente a casa de Blás e viu o carro dele parado. Uma centelha de alegria acendeu-se dentro dela. Teria o apoio de seu fiel amigo, seu noivo. Casaria com ele, seria feliz com ele, amaria ele assim como ele a amava. Faria tudo que fosse possível para que ficassem juntos e fossem felizes assim. Subiu os pequenos degraus da varanda apressada, ansiosa por vê-lo e sentir aquela paz que ele só ele conseguia transmitir a ela desde que ela partira de Londres. Encontrou a porta aberta e entrou silenciosamente. Não queria que os criados a vissem porque poderiam indicar o paradeiro dela a quem procurasse, principalmente Harry, e ela não queria vê-lo nunca mais em sua vida. Estava adentrando a saleta de estar quando viu algo que a paralisou. Diante dela estavam Blás e uma jovem desconhecida aos beijos. Virginia recuou antes que eles se largassem. Mas antes que pudesse refazer o caminho por onde viera, ela ouviu o que eles disseram.
- Pansy! Isso não podia ter acontecido! Não está certo, não podemos!
- Eu amo você Blás, amo como sempre amei. – A mulher choramingou - Peço que me perdoe por ter me casado com outro homem, mas entenda que meu pai havia decidido, eu não poderia dizer não.
- Não entendo o que você está fazendo aqui. De verdade.
- Eu soube que você estava em Londres. Carlota, minha criada, você deve recordar-se dela, o viu saindo do Hospital. Eu precisava vir, precisava vê-lo.
- Já viu. Acredito que já pode partir.
- Não seja duro comigo. Não abandonei você porque eu quis, mas porque fui obrigada. Confesso que no principio me encantei com Draco, ele parecia tão... Perfeito. Mas todo esse tempo eu pensei em você, meu casamento não é nada feliz, não como eu imaginei que seria. Eu sinto que só poderei ser feliz ao seu lado.
- Você não sabe o que está dizendo!
- Agora não dependo mais de meu pai e tampouco dependo de meu marido. Estou aqui porque quero ficar com você. Eu vou sair de casa. Está decidido. Eu tenho minhas jóias, tenho algum dinheiro, tenho minhas economias. Não agüento mais aquela casa, não agüento mais ser infeliz. Se você me aceitar eu ficarei muito feliz por estar com o homem que eu amo, se não, lamentarei, seguirei em frente, partirei para outro lugar.
- Eu amava tanto você.
- Não ama mais? – ela perguntou hesitante.
- Amo, mas...
Virginia não ouviu mais nada. Caminhou em direção a rua sem rumo. Estava profundamente triste. Não sabia o que fazer. Sua vida de repente havia desmoronado completamente. Não estava mais em paz, não tinha mais um lar, não tinha mais ninguém. Estava cansada de ser infeliz, cansada de fazer as pessoas que amavam infelizes. Já havia destruído seu casamento e sua relação com sua família, não destruiria sua amizade com Blás, não o tornaria infeliz como ela. Aquela moça que estava com ele era Pansy, a jovem que ele tanto amara e que casara com Draco, agora ela estava de volta, queria estar com ele, la o amava e ele ainda a amava. Ela não iria atrapalhar o amor deles. Pensou que Draco ficaria disponível de novo, mas não importava, ele não a amava, não a queria. Ela não tinha mais nada a não ser o filho que esperava. Pensou em dar um fim a sua vida, mas não faria, por seu filho. Lutaria por ele e apenas por ele.
Draco chegou em casa e não encontrou a mulher no quarto onde ela devia estar repousando. Pensou em perguntar para os criados, mas decidiu que tivera um dia cheio, precisava era relaxar. Caminhou até o bar e serviu-se de vinho. Sentou-se no sofá e pôs-se a pensar em sua vida, na tolice de ter-se envolvido com a mulher de seu amigo. Embora tentasse, não conseguia esquecê-la. Relembrou sua relação com a ruiva desde quando a conhecera até a ultima vez em que a vira, ainda a pouco. Não sabia explicar bem o que sentia, mas sentia-se incrivelmente incomodado, confuso em relação aos seus sentimentos. Mais uma vez ele repreendeu-se por pensar nela. Tentando fugir dos pensamentos a respeito de Virginia ele decidiu espairecer. Seus pés o guiaram até um bar freqüentado pela alta sociedade. Entrou pensando em encontrar algum amigo para conversar e esquecer suas aflições. Olhou e o único conhecido que vira fora Harry Potter, o ex-marido da ruiva, sentando sozinho em uma mesa, bebendo. Ele aproximou-se.
- Potter. – Draco disse tirando o chapéu.
- Malfoy – Harry respondeu sem emoção.
- Posso? – Draco perguntou indicando o banco ao lado de Harry no balcão do bar.
- Claro. Fique a vontade! Bebe alguma coisa?
- O mesmo que você – Draco respondeu olhando para o copo de uísque de Harry.
Harry virou o que tinha em seu copo e pediu ao garçom que trouxesse mais dois.
- Pelo que vejo, o dia foi difícil pra você hoje. – Draco comentou casualmente para o homem ao seu lado. Ele havia bebido bastante.
- O seu também parece não ter sido fácil.
- Talvez. Tive alguns... Aborrecimentos. – Ele lembrou de Pansy e Virginia.
- Está melhor do que eu. Tive arrependimentos.
Draco olhou-o desconfiado. O tom de voz de Harry era dolorido e aquilo o incomodou.
- Você se lembra de minha esposa Virginia?
Draco estremeceu. O nome Virginia em uma conversa não era um bom sinal.
- Sim. Eu a vi algumas vezes.
- Eu a vi hoje. Pela ultima vez.
- Por que diz isso? – Draco estava curioso.
- Ela nunca vai me perdoar, eu não quero mais faze-la sofrer, não quero mais ver aquele olhar.
Draco apenas fitou-o calado.
- Eu a magoei muito sabe?
Não. Draco não sabia. Remexeu-se incomodado no banco. Fora ao bar para esquecer Virginia e estavam conversando justamente sobre ela.
- Nós crescemos juntos, nos apaixonamos e casamos. Tudo perfeito. Fomos felizes, muito felizes, até eu... – Harry hesitou. – Até eu me apaixonar por Cho e nos tornarmos amantes. – Harry bebeu mais um gole. – Eu estava realmente apaixonado por Cho.
- Isso foi quando Diggory morreu?
- Não.
- Vocês estavam juntos antes mesmo do Diggory morrer? – Draco perguntou surpreso.
- Sim, estávamos. O filho que ela espera é meu. – Harry admitiu.
- Hum. – Draco pensava em como era irônico que Harry fosse amante de Cho enquanto Virginia era de Cedrico.
- Eu me apaixonei perdidamente pela Cho e abandonei Virginia completamente. Deixei-a inúmeras vezes sozinha em casa, e ela percebeu que eu estava distante. Eu apenas a ignorava. Assim, continuávamos juntos.
Draco permaneceu calado.
- No dia em que voltei para casa, após o enterro de Cedrico, não encontrei Virginia. Os criados disseram que ela havia saído a noite e ainda não tinha voltado. Preocupado eu fui até o quarto para pegar algum dinheiro e sair para procurá-la. Foi então que vi as cartas de Cho sobre a cama. Virginia havia descoberto minha traição. – Ele bebeu mais uísque. – Ela entrou pela porta neste exato momento. Tinha uma aparência que eu nunca vira antes. Os cabelos estava soltos, despenteados, caindo pelas costas e pelo rosto que estava marcado por lágrimas recém derramadas, os laços do vestido desamarrados, parecia ter acabado de acordar.
Draco sentiu o coração acelerar. Seria possível que essa noite em que ela estivera fora fosse a mesma que ela passou com ele?
- Nós discutimos. Ela pediu a separação, eu disse que não daria. Embora eu quisesse Cho, não queria realmente me separar de Virginia. Era tudo tão confuso. – Mais um gole - Magoada ela expulsou-me de casa, mas o destino não queria que nos separássemos. O nosso pai caiu de cama, estava mal. Seu coração era frágil, um aborrecimento poderia matá-lo. Não poderíamos dar a ele o desgosto de nos separar e sermos os responsáveis pela sua morte. Ela estava presa a mim.
Harry havia esvaziado mais um copo e pedira outro do garçom. Quando a bebida chegou, ele continuou.
- Fingimos por um bom tempo que estava tudo bem, nossos parentes estavam em casa, não podiam saber. Diante de todos nos comportava-mos como um casal apaixonado. Aparências. Lembra de seu casamento? Fingimos muito bem não acha?
Draco lembrava sim de seu casamento. Lembrava de tê-los visto juntos como sempre, um casalzinho feliz. E também lembrou que Virginia não estava bem, que ela estava pálida e cansada. Agora sabia o motivo, ela sofria.
- Bom, algum tempo depois restamos só eu e Virginia na mansão, quando Hermione e Ron casaram-se. Não tínhamos mais porque fingir, e então Virginia veio com a conversa de separação de novo, mas eu não queria mais me separar. Cho tinha viajado pra China e eu tinha passado tanto tempo com Virginia, que não queria mais separar-me dela, eu descobrira que ainda a amava. Mas ela não acreditava em mim. Eu insisti em continuarmos juntos por vários motivos, nosso pai, a sociedade, eu não amar Cho. Foi então que ela me disse que não me amava mais. Aquilo me aparvalhou. Eu não agüentei, não sei se por ciúmes ou por amor, eu a pressionei, queria explicações sobre essa confissão, e então ela me deu, estava apaixonada por outro.
- Outro? Quem?– Draco perguntou interessado.
- Não sei. Eu perguntei por quem, mas ela nunca me disse. Ela não queria falar nada. Eu acabei ficando cego de raiva. Gritei com ela, a ofendia, e ela sempre dizendo que o amava, amava o outro. Eu estava tão enfurecido. Acusei-a de ter um amante, ela negou, disse que ela apenas o amava, ele não a amava, portanto, não eram amantes. Eu me senti tão insignificante. Eu a amava, mas ela amava outro, então eu... – Harry calou-se.
- Você? – Draco encorajou-o a continuar.
- Eu bati nela. – Harry disse rapidamente.
- Você o quê? – Draco não podia acreditar.
- Eu bati nela, dei-lhe uma bofetada, a segurei com força, a machuquei, a forcei...
- Como assim forçou? – Draco não queria dar um sentido ao que Harry falou, não esse sentido que estava imaginando.
- Forcei a ser minha. – Harry confessou. Seu tom de repugnância como se tivesse nojo de si mesmo.
- Não acredito que você fez isso! – Draco tentava conter a raiva que tomava conta dele. Queria socar Harry, matá-lo, feri-lo por ter ele ferido tanto sua ruiva, por tê-la humilhado desse jeito. Cerrou os punhos sobre o balcão do bar, controlando-se.
- Eu me dei conta do que tinha feito a ela quando sai do banho. Os lençóis tinham manchas de sangue, eu a machuquei tanto – Harry parecia desesperado com a lembrança. Meteu a cabeça entre as mãos, respirando descompassadamente. – Sai de casa porque não conseguiria encará-la. Quando voltei, ela tinha partido.
- Ela fugiu de você.
- Eu acho que sim. Hoje quando a vi, ela me olhou de maneira magoada, dolorida e medrosa. Muito diferente de quando ela me olhava na época em que éramos casados, até mesmo quando ela já sabia da Cho. Senti-me um monstro. Tudo que quero agora é que ela seja feliz com seu novo companheiro e o filho que eles esperam.
- Filho?
- Ela está grávida. Mesmo usando um vestido que disfarçava a barriga, eu vi.
- E onde ela está agora? – Draco perguntou ainda tentando controlar a raiva que sentia de Harry.
- Não sei. Já tentei descobrir, mas ninguém na cidade parece tê-la visto.
- Preciso ir. – Disse Draco de repente. Ele levantou-s, depositou algum dinheiro no balcão e partiu.
Virginia vagou pelas ruas de Londres esgueirando-se para não ser reconhecida. Já estava anoitecendo. Quando deu por si, estava diante da casa de seu irmão. A luz estava acesa. Ela viu sua Nora, Hermione, saindo indo até os jardins. Olhou bem e viu que o carro de Ronald não estava lá, ele devia estar no hospital com seu pai. Isso fez com que ela sentisse uma pontada de dor e remorso. Continuou caminhando, pensando em como ir embora, fugir mais uma vez de Londres, desta vez, para sempre. Não tinha recursos, não sabia como obter. Precisava de algo para a passagem. Seu estomago reclamou um pouco de comida, ainda não tinha comido nada desde que partira de Paris. Pos as mãos sobre o estomago e então notou seu anel, o anel de noivado que Blás lhe dera. Pensou se haveria alguma joalheria por perto onde ela pudesse vender o anel e então conseguir dinheiro para viajar. Caminhou guiada por suas lembranças ate encontrar um rua onde haviam varias lojas. Entrou na joalheria e timidamente mostrou o anel ao rapaz que estava no balcão. Ele fez sua oferta e Virginia aceitou, ele havia oferecido uma boa quantia pelo anel, daria para ela comprar uma passagem para algum lugar e ainda sobraria para a pensão e seu sustento por algum tempo. Feliz ela partiu para a estação de trem.
