Sonho e Amor
Blás aguardava com Pansy a chegada de Virginia. Ele havia contado a Pansy toda sua historia com a ruiva, como a conhecera, a historia dela com Draco e com Harry, a duvida da ruiva quanto a paternidade do filho que ela esperava, os planos de casamento e tudo mais. Pansy sentiu um pouco de inveja e de ciúmes de Virginia, mas ignorou esses sentimentos porque agora estava mais feliz por estar com Blás. Blás esperava preocupado, ele saíra do hospital sem saber do paradeiro de Virgínia, não a tinha visto com os familiares e ela não estava em casa quando ele chegou, esperava que ela estivesse bem e que chegasse logo para ele conversar com ela e explicar-lhe o que se passava, sua nova situação com Pansy, a mulher que ele descobrira que ainda amava. Acreditava que ela entenderia, aceitaria e tudo ficaria bem, ele a tinha como uma irmã e a ajudaria no que ela precisasse, e ele sabia que ela sentia o mesmo. As horas passaram e Virginia não vinha, ele decidiu sair a procura dela e Pansy foi para a casa dos Malfoy fazer as malas e anunciar sua partida.
Draco ia processando as informações que obtivera recentemente. Vira Virginia com seu pai, o que o levava a crer que fossem amantes, mas há quanto tempo? Harry havia contado-lhe uma versão da historia que ele desconhecia, de aparências, de traição, da paixão dela por outro. A confusão tomava conta dele, pensava se ela era amante de seu pai há tanto tempo. Não conseguia encontrar uma conexão. Sabia que ela havia partido meses atrás e seu pai sempre ficara em Londres. Confuso ele decidiu que não queria mais pensar. Fora ao bar procurando esquecer a ruiva e acabara pensando mais ainda nela. Caminhou até a casa dos Malfoy decidido a apenas tomar um banho e dormir.
Virginia havia decidido voltar à França, ela conhecia um pouco de Paris, mas não o suficiente para que alguém a reconhecesse, poderia se esconder novamente, só não queria ficar em Londres. Comprou passagem e embarcou, mais uma vez o medo de seu destino a acompanhava, mas ela tinha coragem para enfrentar o que quer que estivesse reservado a ela.
De longe Malfoy estranhou a movimentação em sua casa. Uma carruagem estava pronta e algumas malas estavam no bagageiro. Quando ele chegou ao salão, viu sua mãe chorando descontroladamente enquanto discutia com Pansy e seu pai, todos alterados.
- O que está havendo? – Draco perguntou.
- Pansy quer partir, quer abandonar você, quer fugir com outro homem, quer desonrar nossa família. – Narcisa repetia descontroladamente.
- Eu só quero ser feliz, vou em busca da minha felicidade, da felicidade que mereço.
- Você não vai sair desta casa – Lucius disse ameaçador.
- Eu vou – Pansy retrucou.
- Pansy vamos até a biblioteca, temos que conversar. – Draco ordenou.
Mais essa agora. Ele buscava paz em casa e acabou por encontrar uma guerra.
- Você não irá embora – Draco disse imperativo.
- Eu vou Draco, eu vou ser feliz, e você devia fazer o mesmo.
- Para onde você irá?
- Vou viver com Blás, o homem que eu amo verdadeiramente e que ama também. Se você me conceder o divorcio, melhor, assim poderei casar novamente e você também. Se não, parto da mesma forma, não continuarei mais vivendo aqui com você.
- Quem é Blás? – Draco perguntou meio atônito.
- Blás é o homem com quem eu ia me casar antes de você Draco, mas meu pai não deixou porque ele já tinha em vista meu casamento com você e pensava que seria melhor para as famílias, ambos nobres, conhecidos e toda essa historia de classe social. Agora eu o reencontrei e descobri que ainda o amo.
- Eu não acredito nisso, seu pai nunca disse nada e você vem com essa historia agora, assim sem mais nem menos, não permitirei que você parta com seu amante!
- Ele não é meu amante Draco, eu nunca traí você, eu soube que ele estava em Londres hoje pela manha e fui visitá-lo, faz meses que não sei nada dele, quando o vi senti meu coração bater mais forte, foi uma grande emoção, e eu percebi que ainda o amo e ele admitiu o mesmo.
- Vocês já eram amantes!
- Não Draco, eu juro pra você que não éramos, não somos. Ele chegou hoje de Paris com a Virginia, a sua Virginia, ele ia casar com ela e ...
- Virginia? – Draco estremeceu.
- Sim Draco, eu sei que você nunca me traiu com a Virginia, sei que o caso de vocês foi antes de nós nos casarmos, quando ela era casada com o Sr. Potter, peço que me desculpe pelo que eu disse mais cedo.
- De onde você tirou essa historia? Enlouqueceu Pansy?
- Não precisa negar Draco, Blás me contou a historia dela, de vocês, que ela amava você, que se apaixonou por você. Quando ela descobriu que o marido a traia ela não lutou mais e se entregou a você. Ela quis o divorcio, mas não pode ter pela família, ate que ela fugiu quando disse a ele a verdade e ele a maltratou. Blás me contou que ela fugiu para Paris e ele a conheceu a caminho de lá, ele a ajudou como pode, tornaram-se amigos, irmãos, ele estava disposto a casar-se com ela para dar um nome ao bebê, mas ela não quis, apesar dele insistir. Ela não tem mais ninguém no mundo a não ser Blás e o filho que ela espera, que pode ser seu ou do ex-marido. Mas se você a ama de verdade isso não tem importância.
- Eu sabia! Eu vi o estado dela quando perguntei sobre você e se o filho que ela espera é seu. – Disse Lucius entrando na biblioteca seguido por Narcisa, eles estavam ouvindo a conversa por detrás da porta.
- Vocês não são amantes? – Draco perguntou perdido.
- Não, de onde você tirou isso? – Lucius perguntou incrédulo.
- Eu vi vocês se beijando mais cedo.
- Eu a beijei porque ela é realmente muito bonita e eu não resisti, mas nunca tinha tido nenhum contato com ela antes. Eu apenas associei o que Pansy disse mais cedo sobre você ter uma amante de nome Virginia com o nome que o Potter chamou a uma moça no hospital. Eu a reconheci como a Wesley e lembrei que ela havia abandonado o marido. Perguntei sobre você, mas ela não disse nada apesar de seu estado aparentar desespero.
– Se você a ama, fique com ela Draco, você quer tanto um filho, ele pode ser seu. – Disse Pansy sorridente.
Ignorando os lamentos de Narcisa Pansy partiu. Draco seguiu-a, queria conversar com Blás, esclarecer tudo sobre Virginia.
Narcisa e Lucius permaneceram em silêncio, apenas tentando assimilar o que havia acontecido.
Draco chegou a casa de Blás com Pansy. Blás havia acabado de voltar da busca que empreendera a Virginia, sem sucesso. Não conseguiu encontrá-la, apenas uma senhora que trabalhava na estação disse ter visto uma ruiva embarcando, mas ela não sabia para onde.
Interrogado por Draco, Blás repetiu a historia que Virginia havia lhe contado. Como eles haviam se conhecido e sua vida juntos em Paris.
Draco agora sabia a verdade.
Conversou um pouco mais com Blás depois saiu, abençoando a união dele com Pansy e desejando felicidades. Ele cuidaria do divorcio, daria liberdade a Pansy e desejava ser convidado para o seu casamento.
Virginia passou a viagem toda pensando em sua vida, no que faria. Tudo se repetia. Mais uma vez ela fugia de Londres, mais uma vez ela ia para Paris, mais uma vez ela não fazia idéia do que fazer. Estava perdida e sem esperanças.
Draco chegou em casa e caminhou direto para o quarto. Trancou-se, não queria ser incomodado. Refletia sobre sua vida, sobre seu passado, seu presente e seu futuro. Precisava encontrar Virginia, devia-lhe desculpas. Desculpas pela forma como a tratara, por tê-la magoado, por ter dito coisas ruins para ela, por tê-la julgado mal, por não estar ao lado dela, por ter pensando tantas coisas ruins dela, por ter feito tanto mal a ela. Sentia-se um completo idiota pela carta que escrevera a ela contando que ela não passara de uma diversão. Nervoso ele passava as mãos nos cabelos louros e sedosos. Onde ela andaria agora? Desejava estar com ela, abraçar seu corpo quente, acariciar sua pele macia, cheirar seus cabelos, cuidar dela e do filho que esperava. Não importava se fosse de Harry, consideraria dele. Precisava fazer algo para encontrá-la e logo. Decidiu ir até a estação ver se descobria mais coisas que Blás. Pegou algum dinheiro no cofre e partiu.
- Uma moça de cabelos cor de fogo, eu a vi sim mais cedo, ela embarcou no trem quase a meia-noite – uma vendedora de balas informou a Draco.
Ele caminhou ate a bilheteria e perguntou o destino do trem que havia partido próximo da meia-noite. O jovem rapaz que vendia os bilhetes disse que o trem ia para a França. Draco perguntou quando teria trem para a França novamente, ao que o rapaz disse que só dali a dois dias. Draco então comprou o bilhete e voltou para casa.
Quando Virginia desembarcou em Paris estava extremamente enjoada. Não havia comido nada e atribuía o enjôo a isso. Sentiu-se tonta e fraca, quase não se agüentava em pé. Um homem aproximou-se dela e perguntou se ela estava bem. Antes que Virginia pudesse responder tudo ficou escuro e ela desmaiou. O estranho segurou-a nos braços.
Maurice Bendrix, um escritor inglês que estava indo para Paris para divulgar seu livro, viu uma jovem moça que havia descido do mesmo trem que ele tendo um passamento, ela estava pálida e aparentemente fraca. Aproximou-se dela para ver se estava tudo bem e ela desmaiou. Por sorte ele a segurou nos braços e levou-a até o hospital. Esperou que ela fosse atendida e que ela acordasse.
Virginia acordou em um quarto todo branco. Logo percebeu que estava em um hospital. Um homem aproximou-se dela.
- Sou Maurice, vim no mesmo trem que você de Londres. Notei que você não estava bem quando desembarcamos na estação e me aproximei para oferecer ajuda, então você desmaiou e eu a trouxe para o hospital. Você tomou soro, o medico disse que estava fraca. Mas agora está tudo bem, você e o bebe estão bem. Ah, a conta já está paga.
- Sou Virginia, muito obrigada, nem sei como agradecer! – Ela respondeu emocionada.
- Não precisa agradecer. Você já pode sair, já teve alta.
Virginia sorriu para o desconhecido e levantou-se.
- Onde você ficará hospedada? Posso levá-la.
- Obrigada! Mas eu ainda não sei para onde irei.
- Não tem conhecidos aqui?
- Não.
- E porque você veio para cá? Por acaso está fugindo? - ele tornou desconfiado.
Virginia ficou corada de constrangimento.
- Desculpe-me a intromissão. – Maurice pediu.
- Não tenho ninguém na vida e desejo recomeçar em um novo lugar.
- Paris não é um bom lugar para recomeçar, as pessoas aqui não são tão hospitaleiras e receptivas quanto os ingleses. – Ele advertiu.
- Você é.
- Sou inglês, meu pai é Francês e minha mãe inglesa, eram, porque já são falecidos.
- Lamento!
- Obrigada!
Um silêncio estabeleceu-se entre eles. Foi Maurice quem tornou a falar.
- Virginia, desculpe-me a intromissão, mas você pode ficar em minha casa se quiser. É uma casa bem grande. Tenho empregados e você será bem assistida. Pode ficar o quanto quiser, ate encontrar algo ou alguém. Alem do mais, quase não ficarei em casa, estou lançando um livro e passarei a semana ocupado.
- Eu não sei, já abusei muito de sua hospitalidade, alem do mais acabamos de nos conhecer...E as pessoas vão falar.
- Paris é uma cidade livre. Está com medo de mim?
- Não... Mas...
- Vamos! Você ficara mais tempo só em casa do que comigo, será como se a casa fosse sua.
Virginia ponderou alguns minutos. Não tinha ninguém a quem recorrer, e sentia fome e frio. Tinha que pensar em seu bebê e já tinha aceitado ajuda de um estranho antes, Blás, e nada de mal lhe acontecera. Iria com o escritor.
- Muito obrigada, eu aceito.
Draco chegou a Paris e procurou informações sobre Virginia. Um mendigo disse-lhe que dias atrás vira uma moça ruiva desmaiar e um homem dizer que a levaria ao hospital. Draco deu uma boa quantia ao mendigo e dirigiu-se aos hospitais da cidade procurando a ruiva.
Conseguiu localizar o hospital onde a ruiva havia estado e também o nome de quem havia pagado a conta. Procurou o endereço de uma homem chamado Maurice Bendrix e localizou-o. Movido pela vontade de encontrar a ruiva e com certo ciúme desse homem que a ajudara, Draco foi ate o endereço indicado.
Uma jovem atendeu Draco que perguntou sobre Maurice.
- O Sr Maurice não está, foi para o teatro.
- E a Sra Virginia? Uma jovem ruiva grávida está?
A empregada olhou-o desconfiada.
- Virginia me conhece, avise-a que Draco Malfoy está aqui.
A empregada reconheceu o sobrenome Malfoy e imediatamente pediu que ele entrasse e aguardasse.
Virginia estava se vestindo quando ouviu batidas na porta e a empregada de Maurice entrar anunciando que Draco Malfoy a procurava. Ela não acreditou. Era impossível que ele estivesse ali a procura dela. Draco a odiava e desprezava. Movida pela curiosidade ela desceu as escadas rumo à sala.
Draco viu Virgínia descer as escadas e olhou-a emocionado. Virginia sentiu que o coração ia sair pela boca. Draco andou em direção a ela abraçado-a carinhosamente. Virginia não segurou as lagrimas, e chorou emocionada, sem compreender a atitude de Draco.
- Não chore mais meu amor. Eu prometo que ao meu lado você não chorará nunca mais. Perdoe-me por tudo que eu lhe fiz.
- Draco... – Virginia não conseguiu responder, nem sequer entendia o que acontecia ali.
Draco puxou-a e fê-la sentar em uma cadeira na sala, sentando-se diante dela em seguida. Quando Virginia se encontrou mais calma, Draco contou-lhe tudo o que aconteceu com ele desde que conhecera Virginia. Contou como se apaixonou, como supôs que ela tivesse amantes, como descobriu a verdade, da conversa com Blás e com Harry, sempre pedindo perdão a ela por todo o mal que a causou. Ela não acreidtou que Draco estivesse ali diante dela, afirmando que realmente gostava dela, que tudo tinha sido um grande engano. Contou a Draco em detalhes como fora sua vida ate ali, afirmando que o perdoava, que não tinha como culpá-lo, que ambos foram vitimas do destino. Contou-lhe sobre a possibilidade de o bebe que ela esperava não ser dele.
- Eu a amo Virginia. Amo como jamais imaginei amar. O que é seu é meu também. Esse bebê é nosso filho.
- Oh eu também o amo Draco, todos esses dias, desde que lhe conheci, jamais deixei de pensar em você, jamais o odiei.
- Quero que venha comigo para Londres. Quero que case comigo assim que meu divorcio sair com a Pansy.
- Só poderei casar-me quando o bebê nascer, mas tudo o que mais quero é ser sua esposa.
Voltaram para Londres imediatamente agradecendo a Maurice pela hospitalidade.
Virginia ia apreensiva sobre seu retorno a Londres ao que Draco tentava acalmá-la, afirmando que estariam juntos acontecesse o que acontecesse e que ela poderia contar com ele para tudo.
Lucius e Narcisa não se agradaram ao receber Virginia em casa, mas não poderiam falar nada ou Draco iria embora com a mulher e eles não queriam isso. Admitiram-na na casa, sem grandes regalias. Dispensavam a ela somente as atenções que a etiqueta social pedia, e tentavam ocultar da sociedade o máximo que podiam sobre a jovem ruiva e seu romance com o jovem Malfoy.
Virginia estabeleceu-se no quarto de hospedes com Draco, ela não queria ficar no mesmo quarto que Draco havia estado com Pansy. A principio incomodou-se por dividir o mesmo lar com os pais de Draco, mas Draco afirmou que seria provisório, ele estava providenciando um lar para eles.
Os meses passaram rápido. A casa de Draco e Virginia ficou pronta. Bem no centro de Londres, era uma linda Casa, mais parecida com uma mansão, com jardins e arvores, toda branca.
A sociedade toda soube do retorno de Virginia e de sua união imprópria com Draco. Vários boatos surgiram, muitos condenaram a união deles, mas Malfoy tinha muito dinheiro e por fim a historia de que eles se amavam e enfrentaram tudo para ficar juntos em nome do verdadeiro amor prevaleceu.
Harry tentou falar com Virginia, mas ela se recusou a recebê-lo, pedindo que ele a esquecesse e jamais voltasse a procurá-la. Fora ele, ninguém mais a procurou. Sua família, que ela sentia falta, não a procurou, mas ela não se incomodou com isso, sentia-se bem e feliz sem os julgamentos deles, sem o desprezo de seus entes queridos. Enfim, ela estava com o homem que amava ao seu lado. A única coisa que a preocupava era o seu bebe, como ele seria ao nascer, e ela estava para descobrir isso.
Draco também estava feliz, finalmente sentia-se bem com uma mulher, a mulher que ele amava, admitiu a si mesmo. Seus pais tinham aceitado Virginia, mesmo não falando com ela mais do que o necessário para manter a etiqueta, e a sociedade também, tudo estava bem. Estavam em sua casa, ambos apaixonados, bem e felizes.
A barriga de Virginia cresceu bastante. Numa tarde ela estava penteados os ruivos cabelos para descer e atender a visita dos pais de Draco, quando sentiu uma pequena pontada na barriga e água escorrer por suas pernas. Apavorada ela chamou por Draco, mas este não veio, Narcisa foi quem entrou no quarto para ver o que ela queria, irritada pelos gritos desesperados da ruiva, quando viu o vestido molhado de Virginia e ela com as mãos na barriga.
Narcisa saiu correndo, gritando pela casa que era hora de o bebe nascer. Ela informou-os que Virginia estava em trabalho de parto e que logo o bebe nasceria. Draco ficou aflito. Chamaram o médico e algumas enfermeiras e logo Virginia estava dando a luz. Todos decidiram subir e ficar em frente a porta do quarto de Virginia.
Os minutos passavam feito horas e o suspense só aumentava. Todos imaginavam como seria o filho da ruiva ao nascer. Draco rezava para que se parecesse com ela, seria mais fácil suportar do que um garoto de cabelos negros e olhos verdes como o Potter. Narcisa e Lucius pediam o mesmo, aflitos pelos comentários desagradáveis que ouviriam da sociedade. Por fim o choro de um bebe ecoou pela casa e todos voltaram sua atenção a porta, aguardando que ela se abrisse para que eles pudessem entrar, mas ela não abriu. Draco, Narcisa e Lucius ficaram ainda mais aflitos quando ouviram o bebe chorando de novo e então a porta se abriu e uma enfermeira anunciou.
- São gêmeos. Um casal sadio e perfeito.
Draco sentiu o mundo girar, gêmeos? Dois? Não bastasse uma pequena copia de Harry, seriam duas. Que fossem gêmeos senhor!
Narcisa e Lucius estavam nervosos, já não bastava um neto falso, seriam dois.
- Vocês podem entrar – A enfermeira anunciou um pouco irritada com a demora.
Draco, Narcisa e Lucius entraram tensos. A espera para ver o bebe, bebes agora, era tamanha, seriam ou não filhos de Draco?
A resposta veio quando Draco olhou para duas pequenas mantas nos braços de Virginia.
- São seus Draco – Virginia disse chorando emocionada.
Draco viu os bebês, exatas cópias dele, loiros, olhos cinzas, brancos como leite e os traços afilados como os que ele tinha.
Narcisa olhou para os bebes e sentiu um misto de felicidade invadi-la. Avançou para Virginia olhando emocionada para os bebes. Enfim ela era avó. Precisava perguntar do filho detalhes da união dele com aquela moça e da historia deles. Mas não tinha como negar que eram filhos de Draco, eram exatamente como ele quando bebes, ela lembrava disso.
- São exatamente como meu pequeno Draco era quando nasceu. – Narcisa afirmou.
Aquilo soou como uma aprovação e uma afirmação.
Seis meses depois Narcisa estava cuidando de Aimeé, sua neta, alimentando-a enquanto Lucius fazia o mesmo com Alexander, seu neto. Os bebes estavam um pouco maiores e davam trabalho em dobro. Narcisa e Lucius andavam felizes e ocupados com as crianças. Faziam questão de estar sempre por perto dos netos. Agradeceram efusivamente a Virginia por deixá-los aos cuidados deles naquele dia tão especial.
Draco estava no escritório pensando em sua felicidade, no amor que sentia pela ruiva e pelos filhos, em como tudo poderia ter acontecido antes, não fosse ele ter agido daquela forma rude com ela. Não via a hora de casar de uma vez com Virginia e assumi-la de uma vez como esposa, juntamente com os filhos, era uma forma de reparar os danos que causara a eles e admitir que a felicidade existia e ele poderia desfrutá-la.
Virginia estava se arrumando no quarto, as criadas a ajudavam, era o dia de seu casamento com Draco, e ela estava extremamente feliz. Olhando pela janela de seu quarto ela via os jardins arrumados para a cerimônia. O presente era tudo o que ela tinha agora, seu passado já não existia mais, eram apenas lembranças de uma vida distante e infeliz. Sim, ela vira que jamais fora feliz antes, nem mesmo quando fora casada com Harry, a quem ela acreditava amar. Nem mesmo a ausência de sua família a deixava triste. Agora ela tinha sua própria família, e era o que realmente importava, o que ela realmente amava.
Era isso, a vida dela agora era com a família Malfoy, sua família, a família de seu marido e de seus filhos. Era só o que importava a ela.
Ela havia sentido o desprezo de sua família de sangue e da sociedade. Ela se machucou no passado, sofreu decepções, traições e enganos, mas agora ela via que tudo aquilo tinha sido necessário. Não fosse por toda essa fase de dor ela não estaria aqui agora, feliz com sua vida, com aquele casamento, com seu marido amado e seus filhos queridos, e com seus novos pais, os Malfoy.
Afinal, o destino dela era ser feliz. Esse era o preço que ela tinha que pagar por sua fascinação.
