Antes tarde do que nunca....

Disclaimer: Harry Potter não me pertence, só as OC dessa fic.


Capítulo 14. Ajuda

Era uma sexta-feira à tarde, um período de folga após toda uma cansativa semana de estudos diários e, como eles sempre faziam nos tempos livres, Remus e Agatha estavam aproveitando à tarde ensolarada juntos, sentados em um banco bem próximo ao campo de quadribol.

O tempo livre que os dois costumavam passar era sempre pacífico, nunca cheio de interrupções, como amigos zombando da cara deles (a não ser quando estavam sentados na hora do almoço ou no salão comunal), ou pessoas querendo aprontar brincadeiras ou duelar (como os sonserinos costumavam fazer ao verem grifinórios com aparência menos avantajada igual Agatha). No entanto aquela tarde foi diferente das demais. Quando menos esperavam os dois ouviram um grito alto chamando o nome de Agatha.

— Você ouviu isso? — perguntou Agatha, piscando seus grandes olhos verdes algumas vezes.

— Sim... Se não me engano, foi o Sirius que vem correndo ali — suspirou Remus, apontando para a direção onde uma figura de cabelos negros bagunçados vinha correndo, seu uniforme desabotoado e pendendo para o ombro direito, a gravata desfeita, parecia um rebelde... Como sempre.

Agatha levou a mão à boca assustada, observando Sirius chegar e parar sem fôlego em frente a ela, apoiando as mãos no joelho para manter-se em pé e controlar a respiração. Ela pensou em estender uma mão para tocar o ombro dele e perguntar se ele estava bem, mas mesmo em meio a toda a afobação em que ele se encontrava, já começou a falar rápido:

— Agatha... Eu... Preciso... De... Sua... Ajuda! — exclamou ele, entre respirações, encarando-a com o rosto mais corado do que nunca. Ao que parecia ele havia corrido por vários lugares até encontrá-la.

— Tudo bem... — concordou ela, surpresa por ele estar pedindo sua ajuda para algo, aquilo nunca havia acontecido antes.

— Espere... Só... Eu... Descansar... Um pouco... — ofegou ele, soltando-se ao chão, sentado em posição de índio com as pernas cruzadas, as mãos ainda apoiadas uma em cada joelho e o tórax se inflando até a máxima capacidade de ar que podia preenchê-lo. Agatha trocou um olhar com Remus, a procura de alguma resposta, mas ele olhou-a com o mesmo desentendimento, logo os dois voltaram a observar Sirius, cheios de curiosidade.

Quando finalmente estava apto a falar novamente, a respiração quase normalizada, Sirius engoliu em seco e olhou profundamente nos olhos de Agatha.

— Eu quero... — começou ele, já fazendo uma pausa rápida, como se não conseguisse dizer aquilo. Remus ergueu uma sobrancelha ao mesmo tempo em que o olhar de Sirius cruzou com o dele, cheio de receio. Sirius corou levemente ao notar a curiosidade do amigo e, dirigindo-se novamente a Agatha, voltou a falar — Posso, falar com você a sós?

— Sou seu amigo — exclamou Remus, inconformado.

— Mas... — disse Sirius, envergonhado.

— Eu não vejo problemas com isso, mas... — ela olhou para Remus com o canto dos olhos. Ela tinha uma pequena impressão de que não importava se fosse Sirius ou o Ministro da Magia, Remus sentiria ciúmes se alguém quisesse falar a sós com ela...

— Eu sou o namorado dela — retrucou Remus, visivelmente irritado.

— Er... — murmurou Agatha, pigarreando para chamar a atenção dos dois — Acho que... Seja lá o que for que você quer dizer não deve ser algo que eu possa saber e ele não possa, não é mesmo?

— Sim, mas... — insistiu Sirius, ainda relutante, no entanto acabou cedendo com um suspiro — Está bem. Só se você me ajudar também se ela concordar.

— Está... Bem — disse Remus, quase rindo da relutância dele. Como assim Sirius havia vindo procurar Agatha ao invés de James para pedir ajuda?

— A Eliza... Me rejeitou... — disse ele, encabulado.

Tanto Agatha quanto Remus arregalaram os olhos, ambos perplexos por descobrirem que alguma garota havia tido a "coragem" de rejeitar Sirius. Mesmo se tratando de Eliza, aquilo se tratava de um fato histórico. Aquela era a primeira vez que eles ouviam uma história daquelas! Bem que Agatha havia dito que Eliza não era daquele tipo... Mas mesmo Eliza parecia estar começando a gostar de Sirius! Entretanto o mais surpreendente foi quando ele adicionou:

— De novo...

— E-espera um momento... Você acabou de dizer... De novo? — perguntou Agatha, boquiaberta.

— Sim, você não sabia? — perguntou ele, surpreso e, de alguma forma, parecendo mais encabulado ainda, seu rosto mais corado a cada momento.

— Na verdade... Não — disse ela, sentindo-se um pouco excluída dos fatos. Eliza não falava mais tanto com ela... Passava mais tempo com Sirius que... Havia acabado de rejeitar por uma segunda vez! Como assim?

— E você gosta mesmo dela? — perguntou Remus, um pouco mais sério — Quero dizer, você já saiu com pelo menos trinta garotas desde que eu te conheci.

— Claro que sim! — exclamou Sirius, nervoso.

— Como posso ter certeza? — insistiu Remus.

— Está vendo, por isso que eu queria falar só com a Agatha! — retrucou Sirius.

— Porque você acha que ela é tão inocente que vai achar que qualquer amor é verdadeiro? — brigou Remus, e Sirius estava pronto para começar uma discussão, quando Agatha interrompeu, choramingando:

— Vocês me acham... Idiota?

Os dois olharam-na cheios de espanto enquanto aqueles cativantes olhos verdes se enchiam de lágrimas e, sem pensar duas vezes, Remus olhou mortalmente para Sirius continuando a discutir:

— Está vendo, a culpa é sua! Agora ela vai brigar comigo!

— Não fui eu que falei que ela é tão inocente que acredita em qualquer coisa!

— Foi você que começou em primeiro lugar achando que ela te ajudaria! — retrucou Remus, quase gritando.

— Hm... Rapazes... — chamou Agatha. Eles viraram novamente para ela logo ao ouvirem o chamado, mas ainda com o olhar de raiva que estavam lançando um ao outro. Ela deu uma leve afastada para trás, com medo, e continuou — Eu... Hm... Ainda estou aqui... Hehe.

Eles trocaram olhares novamente, parecendo ainda estarem nervosos, mas Sirius adicionou, rapidamente:

— Me de um tempo, Remus... Eu não estaria pedindo ajuda para Agatha se fosse para fazer a própria amiga dela sofrer depois.

Sem mais argumentos para retrucar, Remus acabou cedendo aquele argumento. Sirius podia ser um idiota de vez em quando, mas uma coisa ele sabia, seu amigo não era uma má pessoa. Apesar de ser infantil ao ponto de fazer brincadeiras bestas ou sair com várias e várias garotas e depois se gabar disso, ele não iria fazer algo que machucasse não só Eliza, mas também Agatha por depois ter o peso na consciência ao ter ajudado alguém a fazer sua amiga sofrer. Possivelmente dessa vez, seu amigo estava com a razão.

— Está bem... Mas desde quando você gosta dela? — perguntou intrigado.

— Hm... Bem... Eu estive interessado nela já faz um tempo, mais ou menos desde a época que Justine foi atacada, mas então nós saímos em Hogsmeade e ela me rejeitou uma primeira vez. Naquela época eu não gostava realmente dela, mas depois de ser rejeitado que... Primeiro eu me senti péssimo, não era possível uma garota ter me rejeitado, mas eu não podia ter raiva dela, apesar de tudo ela continuava sendo tão diferente das outras que... Eu acabei gostando dela. Ela até mesmo me apoiava nas brincadeiras que todas as outras garotas com que saí achavam sem-graça!

Remus abriu a boca para dizer algo, mas a única coisa que escapou foi um sincero "Uau", que fez Agatha começar a rir.

— Não riam de mim! — brigou Sirius, mas Agatha não lhe escutou, ela apoiou sua testa sobre o ombro de Remus e continuou rindo tanto que seus olhos se encheram de lágrimas.

— Acho que não é de você que ela está rindo – disse Remus, ligeiramente corado.

— Você pode me ajudar? — perguntou ele, ignorando as risadas.

— Sirius... — disse ela, voltando a olhar para ele, limpando as lágrimas — Não sei muito bem como dizer isso, mas... Não sei como posso te ajudar.

— Não tem como você falar com ela? Tentar fazer alguma coisa? — insistiu ele.

Ela olhou para o lado, pensando em alguma coisa, mas sem saber muito bem se deveria mesmo dizer aquilo, podia estar acendendo uma falsa lâmpada de esperança...

— Olhe, por favor, não confie totalmente no que eu digo, é apenas uma suposição, mas eu sempre jurei que a Eliza gostava de você.

— Então porque ela teria me rejeitado? — perguntou Sirius, fazendo uma cara de cachorro que caiu do caminhão de mudança em dia de chuva. Por alguma razão ele sabia fazer isso muito bem...

— Pelo mesmo motivo que o Remus e você começaram a discutir — disse ela, tentando não jogar a culpa nele, mas Sirius podia ver que ela claramente dizia: "A culpa é toda sua por sair com todas as garotas que você considera bonitas".

— Ou seja, a culpa é sua — traduziu Remus, nem um pouco delicado.

— Mas se esse é o caso — continuou Sirius, entredentes, olhando Remus com o canto dos olhos — O que eu posso fazer?

— Mostrar para a Liza que você gosta dela — disse Agatha, sorrindo inocentemente.

— Eu já fiz o impossível para mostrar isso! — exclamou Sirius, amargurado.

— Nisso eu acredito que eu possa te dar uma ajudinha — riu Agatha maldosamente — Chamem também Lilian, James e Peter, vamos precisar de ajuda.

Os dois marotos trocaram olhares, no entanto Sirius se levantou, pronto para fazer o ordenado, dizendo primeiramente:

— Apenas não contem nada para eles, ok?

— Ah, lógico! Não precisaremos disso — sorriu Agatha, ainda tão maldosa e sombria que não parecia nem a mesma garotinha meiga que sempre fora — Posso dizer que isso também fará parte da minha vingança por todas as brincadeiras sem graça em que fui metida. Encontraremo-nos no ponto de sempre, perto do lago.

Sirius assentiu ainda meio incerto, e depois saiu correndo em busca de Lilian, James e Peter. Enquanto isso, Remus olhou para ela, que ainda parecia estar tendo um bom momento com aquela cara de assombração, e perguntou:

— O que você está planejando?

— Algo que fará a Eliza morrer de medo. Hahaha — respondeu ela, seus olhos brilhando.

— Mas isso vai ajudar... No que? — perguntou ele, não querendo duvidar dela, mas estava sendo meio difícil.

— Pense, pense. Se a Liza morrer de medo e o Sirius salvar ela, vai ser algo que poderá ajudar ele. Tipo: "Eu me arrisquei para ajudá-la!", certo?

— Hm...

— A Liza deve gostar dele... Eles ficam muito juntos para ela não gostar dele. Ela não é assim nem comigo! Quase não pude acreditar quando ele disse que ela havia rejeitado ele.

— Todos têm seus motivos... — disse ele, meio distraído — Motivos que estão muito além de gostar ou não gostar...

— Hm... — murmurou Agatha, preocupada com a expressão dele. Ela se levantou e deu um leve beijo na bochecha dele, fazendo-o corar – Só espero que você nunca me apareça com um motivo desses.

Era uma questão complicada, ele sorriu, não afirmando e nem negando. A verdade, era que algum dia ele sabia que teriam que se separar, só não conseguia dizer isso agora porque a amava demais para deixá-la ir... Entretanto não importava quem fosse ele sabia que amar um lobisomem era impossível para um humano comum...


Fim do capítulo 14

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