Nota: Meu deus, to sentindo que eu vou pra tumba daqui a pouco... Hehe... Por favor, não me aniquile LadyBarbiePontasPotterCullenS (que nome comprido...), eu não me lembrava desses detalhes mencionados por você! Eu tenho uma péssima memória (péssima mesmo, tem filme que minha mãe fala que eu já assisti e não faço a menor idéia que já ouvi falar do nome) e não lembrava que a Lily e o Snape já teriam perdido a amizade no período dessa fanfic, desculpe por ter cometido esse erro! Se conseguir uma deixa eu concerto. E só justificando, eu coloquei que o Snape não participa dessa dos comensais que estão atacando todo mundo porque todos que participaram disso, vão se ferrar. Nessa fic só os mais velhos e alguns mais novos meio tolos que entraram na reunião para acabar com todo mundo. Se o Lúcio não é dos mais velhos, não me lembro da idade dele, acho que até escrevi aqui, mas esqueci, é porque achei muito clássico colocar ele (e acho que vou colocar ele como um dos únicos que saem ilesos por falta de provas... Verdade, devia ter feito isso com o Snape, mas acabei esquecendo)... O resto que tenha a ver com as outras personagens, as minhas, eu vou explicar. Aliás, a Justine defender o Snape eu explico nesse capítulo.

Ah, aliás, concordo plenamente que o Remus é o lobisomem mais fofo que existe... Ou melhor, um dos mais, se não meus personagens vão me atacar dizendo que a mamãe deles não os ama...

Obrigada pela review. ^^

Licença...

Disclaimer: Harry Potter não me pertence.


Capítulo 15. Incidente com morcegos

Quando Remus e Agatha se aproximaram do local combinado com Sirius, encontraram-no chegando naquele exato momento junto de Lilian e James. A ruiva, notando a falta de alguém, olhou para os lados, como se Peter fosse saltar debaixo de uma pedra como o rato que era, mas ele não estava em lugar algum. Acabou sendo a primeira coisa a perguntar:

— E o outro?

— Pelo visto ele tinha uma detenção... — disse Sirius coçando atrás da cabeça — Tinha me esquecido que ele acabou caindo enquanto fugíamos do Filch ao explorar o castelo durante noite.

— Hm... — murmurou ela compreensivamente.

— Então, porque estamos todos aqui? — perguntou James, já curioso.

— Como vocês são os números um em pregar peças nos outros, quero uma ajuda para uma pequena vingança na Liza — disse Agatha, sorrindo como uma criança inocente, mas uma aura maligna flutuava por cima de sua cabeça assustadoramente — Eu sei que existe uma coisa que ela morre de medo nesse mundo e essa coisa é... — continuou sombriamente, fazendo suspense — Morcegos!

— Morcegos? A Eliza? — perguntou Sirius, perplexo.

— Sim. A tão "corajosa" Eliza tem medo de pequenos morcegos — riu Agatha — Descobri isso há alguns anos quando estávamos andando a noite pela escola e vimos uns pares deles voando por aí. A Eliza deu um gritinho e se escondeu atrás de mim.

A perplexidade invadiu todos os que estavam ouvindo. A idéia de Eliza temer alguma coisa parecia estranha aos ouvidos deles. Não que ela fosse a "Oh meu Deus corajosa garota", mas não demonstrava medos na frente de ninguém!

Agatha olhou para a cara deles e adicionou, rindo:

— Gente, ela é humana!

— Ah, não, morcegos são tão indefesos que isso soa estranho aos nossos ouvidos — disse Remus gentilmente.

— Oras, oras! Então que plano você tem? — indagou Sirius.

— Hm... Que tal se algum de nós, que por acaso é melhor que sejamos ou eu ou a Lilian, falemos para ela que um sonserino roubou nossas coisas, então quando estivermos indo para as masmorras, façamos vários morcegos criados por magia ataquem-na?

— Atacar mesmo? — perguntou Lilian, horrorizada — E eu não acredito que vocês me colocaram no meio de uma brincadeira! E Agatha, você? O que está havendo? Remus! Isso é culpa sua!

— Não! — exclamaram Remus e Agatha ao mesmo tempo.

— Jamais seria culpa dele! — choramingou Agatha, abraçando o braço de Remus.

— Então de quem seria? — perguntou Lilian, virando para olhar Sirius, o outro provável culpado.

— Está bem! A culpa é mesmo minha! — disse Sirius nervoso, ao perceber que Remus também estava fitando-o com uma cara de dó que dizia: "Por favor, diga a verdade ou eu estarei em perigo".

— Desculpe Remus — disse Lilian, pesarosamente, mas então se virou para Sirius, seriamente e começou o sermão — Você tem idéia de que está arrastando outra pobre vítima para o mau caminho?

— Ah, por favor, Lilian! Não seja tão certinha! — defendeu-se Sirius, ainda tentando esconder o verdadeiro motivo — Só deixe que façamos uma boa brincadeira!

— Isso não me é motivo ainda. Você está escondendo alguma coisa? — perguntou ela, desconfiada.

"Nota mental: A Lilian possui o terceiro olho da verdade" pensou Agatha, assustada. Primeiro havia percebido que ela gostava de Remus e ele dela, agora que Sirius estava escondendo alguma coisa.

— A Agatha só quer me ajudar, caramba! — disse ele, nervoso.

— Ah, você foi rejeitado de novo — compreendeu James — Então você quer que ele salve a Eliza dos morcegos depois, certo, Agatha?

— Sim — assentiu ela.

— Ah, agora entendo, então o Sirius foi rejeitado pela Eliza! — exclamou Lilian, esclarecida.

— Sim, o Sirius foi rejeitado de novo — assentiu Remus, com dó.

— Pobre Sirius... — disse Lilian, balançando a cabeça em sinal de "não".

— É... Coitadinho... — concordou Agatha.

— Querem parar? — gritou Sirius, vermelho — Sei que a intenção é boa, mas não estão ajudando em nada!

— Ah, desculpe, eu esqueci que você não gosta que falemos que você foi rejeitado — exclamou Agatha, colocando a mão em frente à boca ao perceber que havia feito aquilo mais uma vez.

— Hmpf! — resmungou ele, nervoso — Fale logo esse plano!

— Ah! Então... Vai ser assim...

Ela lhes explicou todo o plano que havia bolado mencionando o lugar onde cada um teria que ficar e agiria, aonde iriam se encontrar e outras coisas assim. O horário marcado para que Agatha começasse a agir era oito horas da noite, a partir daí, eles tinham todo o seu roteiro marcado sobre o que fazer. O plano não tinha falhas, com certeza daria certo.

As horas passaram rapidamente e, quando à hora marcada finalmente chegou, Agatha sabia que Eliza estaria arrumando as suas coisas para o dia seguinte e pegando as roupas para ir tomar banho, como sempre fazia. Vendo a amiga fazendo tudo exatamente como havia imaginado, Agatha se apressou e correu até a ela.

— Eliza! Eliza! Um sonserino... — disse Agatha, fingindo um choro muito bem ensaiado.

Eliza já se virou alarmada e pegou em seus ombros perguntando preocupadamente o que havia acontecido então Agatha continuou com seu teatro bem elaborado dizendo:

— Ele... Roubou a pena que eu ganhei de aniversário. Lembra que eu lhe disse que era uma pena rara de fênix? Ele a viu e veio atrás...

— Como assim? E aconteceu faz pouco tempo? Será que dá para ir atrás? Como ele é? — perguntou Eliza, quase não parando para tomar ar entre cada uma das perguntas, pensando que cada minuto era precioso demais para perder.

— Faz pouco tempo, acredito que ele ainda esteja voltando para o salão comunal... Na hora tentei me defender, mas ele me desarmou e jogou um feitiço em mim. Depois saiu correndo por outro corredor. Ajude-me, por favor! Ele é um garoto metido do terceiro ano, não sei o seu nome — disse ela, lembrando-se do garoto que haviam encontrado na carruagem para Hogsmeade. Não era nada demais, ele faria isso se tivesse a oportunidade e ela sabia disso.

— Vamos! Não vamos perder tempo! — gritou Eliza, pegando-a pelo pulso e a puxando. Enquanto a amiga olhava para frente e não para ela, Agatha não pôde esconder o sorrisinho de vitória que surgia em sua face.

Quando chegaram ao corredor que Agatha havia planejado, já se aproximando das masmorras, Sirius criou alguns morcegos que voaram por cima das cabeças delas, quase dando rasantes. Eliza soltou um grito tão assustado que Sirius levou um susto e teve que conter com muita dificuldade os risos para que não fosse descoberto se escondendo por trás de uma porta. Pela fresta ele via que Agatha estava interpretando tão bem o seu papel que não demonstrava nem um pouco que havia sido sua culpa e que estava se divertido em vê-la pagar por tê-la assustado tantas vezes. No dia que tivessem de fazer uma peça de teatro, ele com certeza a chamaria para o papel principal.

— Eliza, você está bem? — perguntou Agatha, fingindo preocupação.

— S-sim, o i-importa-tante agora é achar o... Sonseri-rino... — gaguejou Eliza, tentando demonstrar confiança.

— Certo, então vamos! — exclamou Agatha, encorajando Eliza.

Ao ver que Eliza havia se virado novamente e voltado a correr, puxando seu pulso junto, Agatha quase não conteve as risadas, mas fez o possível para manter sempre a sua cara de triste por ter perdido imaginariamente sua pena de fênix. Tudo aquilo era pelo bem de Sirius e principalmente: Pelo bem de sua vingança! Aquela era sua grande motivação! Apesar de querer muito ajudar seus amigos, era claro. Mas a brincadeira dos ratos ainda havia sido imperdoável!

Elas correram pelas escadarias que levavam para as masmorras como o planejado. Aquela seria à hora exata do combinado aonde viriam verdadeiramente os montes de morcegos. Como Agatha sabia que era aquele o momento, ela fingiu levar uma tropeçada e se soltou da mão de Eliza, fingindo ver ao longe alguém passar em frente à escadaria, que por acaso ela sabia que era Remus, assim ela empurrou Eliza para trás e gritou:

— Olhe lá ele! Vou pegá-lo!

E assim saiu correndo na frente, fazendo Eliza se desequilibrar e cair sentada na escada. Naquela hora, por baixo da capa da invisibilidade, James e Lilian jogaram os feitiços para que os morcegos aparecessem e, de repente, uma névoa deles estava voando para cima de Eliza, que começou a gritar tão alto que todos que estivessem por lá poderiam ouvir. Como sabiam que seria essa a atitude dela, James havia estado de olho no mapa do maroto até aquele momento para se certificar de que ninguém iria aparecer. Estava tudo correndo conforme o planejado até que ele percebeu outros nomes andando bem no fim da escadaria. Logo ao chegar ao andar debaixo, Remus e Agatha acabaram se deparando com aqueles dois pontos infelizes.

— Que barulheira é essa?

"Droga! Sonserinos de verdade!" pensou Agatha, alarmada, mas ficou ainda mais assustada quando percebeu quem eram. Eram os dois sonserinos da carruagem, aqueles que com certeza começariam um duelo sem hesitar ao ver o casal de grifinórios que haviam feito ambos de tolos.

— Oras, oras! Não são aqueles nossos amiguinhos, Rick? — perguntou a garota, com muito sarcasmo.

— Sim, acho que eles vieram até aqui para terem o que realmente merecem. Como são bondosos — riu o namorado, tão sarcasticamente quando a menina.

Agatha sacou sua varinha quando viu que eles estavam ambos puxando algo de dentro de seus bolsos e Remus fez a mesma coisa. Não deveriam gastar suas palavras com eles, se era um duelo que queriam, era um duelo que teriam!

Enquanto lançavam seus feitiços e se defendiam contra os sonserinos, que, por sinal se mostravam realmente habilidosos para alunos do terceiro ano, Eliza ainda gritava no corredor. Sirius já estava descendo a escada para tirar o feitiço da cabeça dela, mas antes que ele chegasse, Eliza saiu correndo escadaria abaixo, levando consigo os morcegos, que haviam sido ordenados para voar sobre a cabeça dela. Foi então que ouviram que Agatha havia literalmente gritado o seu último feitiço, portanto, preocupados, James e Lilian correram para ver o que estava acontecendo, mas quando fizeram isso, em primeiro lugar: "se desconcentraram", algo que não podia ser feito naquele feitiço. Em segundo, James acabou pisando no pé de Lilian que se virou nervosa com ele dizendo: "Olhe onde pisa!", mas o segundo problema era que os animais seguiriam o estado de espírito do bruxo desconcentrado. Ou seja: Eliza estava sendo realmente atacada por morcegos agora.

Logo que sentiu uma primeira mordiscada em seu braço, Eliza deu um berro tão alto, que fez os morcegos se dispersarem um pouco, tudo bem no momento que ela chegou lá embaixo, então vendo outras vítimas, os morcegos voaram contra Agatha, Remus, os dois sonserinos e também Sirius, que estava chegando logo atrás. Daquela maneira acabara-se formando uma névoa de morcegos ao redor deles e, os primeiros que os atacaram, arrancaram as varinhas de suas mãos. Todos os presentes estavam com problemas sérios, para não dizer vulgarmente que estavam "ferrados".

— Tirem de cima de mim! — berrava Eliza, descontroladamente.

— Droga! Essas coisas roubaram minha varinha! — gritou a sonserina.

— Minha variiiiinha! — choramingou Agatha, como uma criança.

Para a sorte deles, outra pessoa aparecia perante toda aquela cena para gritar um contra-feitiço e voltar a ordem novamente:

Dispersus!

Com o feitiço dessa pessoa todos os morcegos se transformaram em cinzas e caíram no chão, levando junto com eles as varinhas roubadas que caía cada uma bem em frente aos seus respectivos donos. Agatha se ajoelhou e pegou sua varinha a abraçando e dizendo:

— Ah! Nunca mais vamos nos separar novamente!

— Está bem, Eliza? — perguntou a pessoa, que havia lançado o feitiço, dando realce ao nome dela, querendo mostrar o seu descaso.

Agatha gelou ao perceber de quem era a voz.

— Muito obrigada, Justine! Você é minha grande salvadora! — gritou Eliza, como um cãozinho assustado, tornando visível agora para todos os outros que seus olhos haviam estado cheios de lágrimas.

— Vejo que seus tão amados amigos fizeram alguma coisa contra você — continuou Justine, sua voz emanando desgosto para todos os lados. Ela lançou um olhar feio para Sirius, mas mesmo sabendo que Agatha ainda estava lá, não se atrevia nem a olhar feio para ela, ignorava completamente a sua presença — E vocês dois, voltem já para os seus quartos ou verão o que vai acontecer com vocês! — berrou ela, olhando ameaçadoramente para os sonserinos, apontando sua varinha para eles.

Os dois trocaram olhares, assustados, e bateram em debandada. O poder de intimidação de Justine era impressionante...!

Eliza olhou ao seu redor, perplexa com as palavras de Justine, e viu que ao seu lado não se encontrava apenas Agatha, mas também Remus. E atrás dela, estava Sirius, junto com Lilian e James que vinham descendo as escadas. Mas a pessoa que encontrou o seu maior ódio foi Sirius, que sentiu sentia como se seu coração fosse arrancado para fora do peito.

— Você...! — começou ela tão enraivecida quanto James ao descobrir que seu patrono era um veado.

— E-.

— Não! — berrou Agatha, interrompendo Sirius, que tremia dos pés a cabeça — A culpa é minha!

— Agatha, todos sabem que a culpa não é sua — respondeu Eliza, extremamente sarcástica — Ele está com raiva de mim por que eu o rejeitei! — gritou ela, olhando para ele ainda com mais ódio — Isso tudo porque você acha que qualquer garota sairia com você e quando você se cansar, vai descartá-la, como fez com muitas outras. Vai me dizer que não faria isso?

Sirius não sabia o que dizer, no entanto ao olhar fundo nos olhos dela via algo por trás de toda aquela raiva, parecia uma espécie de tristeza, amargura... Aos poucos, as lágrimas voltaram as escorrer dos olhos dela, mas dessa vez não por medo, por algum sentimento que ele não sabia se era ódio ou tristeza.

— Eu... Não faria isso... — disse ele, sinceramente, olhando nos olhos dela.

— Então porque fez isso hoje? — perguntou ela, deixando transparecer sua tristeza.

— Porque eu... Queria te conquistar.

— Sério? Fazendo morcegos me atacar? — perguntou ela, rindo ironicamente.

— Não! O nosso plano era outro. Pedi ajuda para a Agatha e armamos isso, eu iria te ajudar quando os morcegos te atacassem... Mas então você correu para baixo e pelo visto mais imprevistos aconteceram e tudo saiu do controle. Por favor, me desculpe! Eu não faria nada para te magoar!

Eliza continuou a fitá-lo por um tempo, então levou a mão ao rosto e enxugou as próprias lágrimas, respirando fundo, como se tentasse se acalmar.

— Você não parece você, dizendo isso... — disse, evitando olhar para os olhos dele — Querer me assustar por vingança é mais a sua cara.

— Quem queria vingança não era eu... — respondeu ele, dando algumas risadinhas, fazendo Agatha corar, a maior culpada de tudo havia sido dela no final das contas — Mas por mais que não pareça comigo, é a verdade. Você as vezes faz com que eu acabe perdendo a noção das coisas, diferente de com todas as outras garotas que algum dia eu já conheci. Você é diferente delas. Por favor-.

— Acho que isso comprova que você gosta de mim então — disse Eliza, dando um sorriso meigo tão estranho aos seus lábios — Quem sabe eu te aceite...!

— Sério? — perguntou Sirius, seu sorriso de orelha a orelha.

— Sim, sério! — riu ela.

Como não se tratava de Remus, e sim de Sirius, ele logo a puxou em um beijo no mesmo momento. Agatha corou e olhou para o chão, envergonhada demais com a cena, mas então ouviu a voz de quem ela havia esquecido estar ali por conto de todos aqueles acontecimentos.

— Oh meu amor perfeito! — resmungou Justine, como se fizesse pouco caso da cena, então seu olhar cruzou com o de Agatha por um momento e ela fechou mais ainda a cara, tomando um caminho mais adentro das masmorras, provavelmente em busca da outra escada que saía de lá.

Agatha ficou desesperada, tinha que pedir desculpas, mas não sabia se aquele era o momento, não sabia o que dizer! Sabia que Justine estava realmente MUITO nervosa com ela.

— É melhor você falar com alguém — sussurrou Remus, em seu ouvido, percebendo a situação.

— Mas o que eu-?

— Você saberá como se desculpar, apenas corra atrás dela antes que a perca de vista.

Como era ele que havia ordenado, ela se sentiu encorajada, sentindo como se pudesse fazer qualquer coisa e, assim, correu atrás de Justine, que ao perceber que ela estava correndo atrás dela, começou a correr também e assim começaram um jogo de pega-pega, onde Agatha estava quase a perder quando Justine tropeçou em um degrau da escadaria que já subia para a torre da corvinal.

— Droga, pare de correr! — gritou Agatha, finalmente conseguindo alcançá-la por conta do tombo.

— Não tenho nada a conversar com você! — resmungou Justine, nervosa.

— Pois é, mas eu tenho. Desculpa! — disse Agatha, nervosa com o modo como Justine estava falando com ela.

— E é você que está pedindo desculpas? — riu Justine ironicamente — A culpa não é minha de ter te dado um soco?

Aquela altura do campeonato Agatha não sabia dizer se Justine estava zombando dela ou estava dizendo a verdade, então como viu a dúvida estampada no rosto de Agatha, ela continuou:

— Eu tive metade da culpa. Não deveria ter protegido o Severus...

— E eu não deveria ter dito como se a culpa fosse sua. É claro que eu sei você jamais faria mal a Liza.

— Sim, eu só a odeio porque eu não tenho amigos e você é minha única amiga.

— Ah? — disse Agatha, arregalando os olhos — Ahhhh, então é por isso?

— Claro! — afirmou Justine como se aquilo fosse a coisa mais óbvia do mundo.

— Mas... Em todo caso, me desculpe.

— Ok, eu já ouvi. Já desculpei — disse Justine, sorrindo.

— Então, posso lhe perguntar mais uma coisa?

— Acho que sim — respondeu Justine, franzindo a sobrancelha.

— Porque você defendeu o Snape tão fervorosamente? — perguntou Agatha, curiosa.

— Bem, é algo meio estranho e... Complexo e... Você sabe... Eu fui atacada antes também, não fui? — perguntou ela, incrivelmente encabulada, apesar de que seu tom pálido de pele não tomava nem um leve tom avermelhado. Agatha assentiu por isso ela continuou — Isso iria querer dizer que ele me atacou também...

— E? — perguntou Agatha, notando uma longa pausa, como se Justine se relutasse a continuar.

— Não iria suportar ser atacada por ele.

— O que? — perguntou Agatha, sentindo que aquela conversa terminaria em uma descoberta estranha que ela não conseguia nem pensar ser verdade. Se fosse o que ela estava pensando...

— Ele é meu primo — confessou ela.

Agatha quase começou a rir. Toda aquela tensão só por aquilo? Quase perguntou por reflexo: "E era só isso?", pois já imaginava o pior. Já estava esperando que Justine dissesse: "Eu gosto dele" ou algo assim, mas para a sua surpresa, Justine continuou:

— E eu gosto dele.

— Gosta...? — perguntou ela, querendo saber naquela ocasião o verdadeiro significado daquela palavra de muito significados.

— Eu gosto dele, você entendeu. Eu sou apaixonada pelo meu próprio primo! Isso é estranho? É. Ele é um idiota? É. Talvez tenha sido ele? Tenha! Mas a idéia de que ELE me atacou faz eu me sentir... Faz eu me sentir... — disse Justine, segurando algumas lágrimas que pareciam brilhar mais em seu rosto do que no de outras pessoas devido a sua palidez — Eu não suporto o fato de poder ter sido ferida por ele. Eu já havia pensado nessa possibilidade, mas quando você disse aquilo, me senti tão mal que... Não pude me conter.

— Deve ter sido difícil — disse Agatha, com compaixão. Não imaginava jamais aquilo sobre Justine... E, aliás, ela achava que a amiga tinha um gosto um pouco... Peculiar. Para não dizer que ela tinha um mau gosto. Como assim alguma pessoa na face daquele planeta poderia ter se apaixonado por Snape? Por aquele cara... Bem, era melhor não xingá-lo tanto em pensamentos, seria uma afronta a Justine...

— Quando eu era criança, eu sempre fui sozinha. Assim como ele, eu sempre morei em um vilarejo trouxa e todos jogavam até mesmo pedras em mim e me chamavam de esquisita, todas essas coisas. O único amigo que algum dia eu tive, foi ele. Apesar de que conforme ele foi crescendo, ele se afastou... Ele começou a me odiar depois... A única coisa que fez foi me proteger algumas vezes quando alguns sonserinos faziam brincadeiras comigo no primeiro ano. Isso antes de eu aprender a me defender... — disse Justine, abatida — Mas agora, eu sei me defender, então nunca mais falei com ele... — ela respirou fundo e cobriu o rosto com as mãos — Essa noite... Nas masmorras eu... Eu estava lá porque sempre... Sempre eu o vejo fazer a última patrulha do dia, como um monitor. Ele sempre sai para ver se não há alunos fora da cama antes das nove horas. Eu aprendi um feitiço desilusório então consigo ficar invisível para todos... É engraçado ele nunca ter me notado, mas não deveria notar isso...

Agatha segurou para si as palavras indelicadas que quase soltou: "Você realmente gosta dele...". Nunca imaginara que a veria chorar tanto como uma criança, alguém tão séria e complicada como ela muitas vezes lhe fizera pensar que não tinha sentimentos, não tinha emoções, mas mesmo assim... Acabara se apaixonando por uma das únicas pessoas que algum dia haviam sido boas com ela... Ela estava apenas se sentindo solitária, lhe parecia isso... Entretanto não estava sendo uma insensível ao pensar aquilo? Estava desvalorizando os sentimentos dela...! Porque as coisas tinham que ser assim? Porque nem sempre as pessoas podiam ser felizes? Agatha tinha sorte de ter encontrado Remus, tinha sorte de ele gostar dela, mas e quanto a Justine? E Sirius que estivera triste até aquele momento por ter sido rejeitado? Mesmo que Eliza gostasse dele, nem sempre seria assim. E o pior de tudo era pensar no fato de que Remus poderia nem sempre estar ao lado dela...!

Agatha se agachou na escada, onde a amiga ainda se encontrava sentada após o tombo, e deu um abraço apertado nela. Justine recuou um pouco, mas como Agatha insistia em não soltá-la, acabou cedendo ao abraço, dizendo baixo:

— Tudo tem que ser tão injusto assim?

— Não posso te dizer. O mundo... É um lugar muito triste — respondeu Agatha com sinceridade — Mas sabe... Não se preocupe... Um dia o sofrimento passa. Um dia você aprende que toda dor tem fim, apesar de parecer que durará eternamente. Eu farei o possível para te ajudar... Se algum dia houver algo que esteja ao meu alcance, eu o farei de qualquer forma. Um dia nós poderemos sorrir juntas com verdadeira felicidade! Um dia você encontrará alguém que a amará do modo como você o ama e assim você será feliz. Até que esse dia chegue, pode chorar em meu ombro quantas vezes você necessitar.

— Espero... Ser capaz de acreditar no que você diz... — disse Justine, dando um breve sorriso enquanto enxugava suas lágrimas.

— Pode ter certeza, sei muito bem o que é não ver a luz no fim do túnel — riu Agatha dando de ombros.

— Já passou por isso? — perguntou Justine, curiosa.

— Por isso? Não... Passei por outros problemas... Eram muito diferentes, mas também muito complicados e tristes... Problemas familiares... — disse ela dando uma risadinha, tentando esconder seus verdadeiros sentimentos e, assim, também amenizar os dela — Mas olhe para mim, hoje eu consigo sorrir! Não sou a pessoa mais feliz do mundo, no entanto tudo parece ter outra cor, o mundo tem um colorido muito bonito por estar perto de pessoas como você, Remus, Eliza...

— Pois é... — riu Justine — Só espero não acabar sendo alvo de uma de suas brincadeiras como a Eliza acabou sendo...

— Ah, pode deixar que não — espantou-se Agatha, empalidecendo — Não queria fazer Eliza chorar tanto! Só um pequeno susto!

— Ela... Mereceu — disse Justine, com um olhar distante — Bem, mas acho que está ficando tarde e se continuarmos aqui por muito tempo nós acabaremos sendo pegas pelo Filch e isso não será nada legal! Vou subindo agora, trate de voltar para o seu quarto também.

— Pode deixar capitã! — disse Agatha, se levantando e fazendo continência. Justine apenas respirou fundo e deu as costas, continuando seu caminho para a torre da corvinal.

— Agatha — chamou ela novamente, no meio do caminho, fazendo a amiga voltar a olhar para trás.

— Obrigada — agradeceu ela, muito baixo — Por ouvir tudo o que eu tinha a dizer... Sinto como se meu coração pudesse respirar novamente por causa disso.

— Disponha — sorriu Agatha, dando um aceno — Te vejo amanhã.

— Até.

"Nunca imaginei que Justine poderia ser tão simpática" riu Agatha.

Logo ao chegar ao salão comunal, Agatha percebeu que tudo estava silencioso e que todos com certeza já haviam ido dormir. Entrou devagar, tomando cuidado para não tropeçar em nada em meio a pouca claridade que havia, mas levou uma surpresa ao ver que alguém ainda estava ali, sentando em frente à lareira, olhando para ela. Ela se aproximou devagar e, quando viu seu sorriso gentil, se jogou contra ele em um abraço sem pensar duas vezes. Quase gritou seu nome no processo.

— Remus!

— Fale mais baixo ou vai acordar todos! — exclamou ele, assustado. Sendo atirado para trás com ela caindo sobre seu peito.

— Desculpe — riu ela — Fiquei feliz de te ver aqui.

— Dizendo algo assim tão de repente? — perguntou ele, rindo também.

— Só me senti feliz de te ver...

"Será que essa felicidade durará para sempre?" perguntou-se ela, abraçando-se bem forte a ele "Será que eu algum dia serei tão infeliz como Justine?"

— Ela te desculpou? — perguntou ele, interrompendo seus pensamentos.

— Sim — respondeu Agatha, alegre — Tenho minha amiga de volta.

— Fico feliz. Eu sabia que ela iria te perdoar...

— Só porque você me perdoaria? — riu ela.

— Hm... Talvez — disse ele, sorrindo — Você sabe o quanto eu te amo.

— Também te amo — respondeu ela, beijando-o — Te amo não importa o que aconteça.

"Não importa o que...? Por mais que eu a ame e saiba como você se sente, também sei que não há como você amar um monstro eternamente" ele pensou pesarosamente.

A felicidade realmente poderia algum dia acabar...


Fim do capítulo 15

Pronto, terminado mais um. Não se preocupem porque o final será feliz, eu prometo! A Agatha não vai ser tão insensível quanto parece... Só isso por enquanto.

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