Nota: Como eu tinha esquecido que a cor dos olhos da Agatha eram azul-acinzentados, coloquei verdes no capítulo 14 ou 15 quando estava corrigindo... Irrelevante...

Disclaimer: Harry Potter não me pertence.


Capítulo 16. Detenção.

Na manhã seguinte, quando todos estavam reunidos, contaram para Agatha que haviam levado uma detenção por terem sido pegos por Snape nas masmorras. Por muita sorte Agatha havia se safado junto com Justine ao ter saído atrás dela uns três minutos antes de Snape aparecer...

Sem que percebessem, o assunto da escola acabara virando: A detenção de Lilian. Todos que passavam pela monitora davam risadinhas e vários dos grifinórios, principalmente os mais velhos, davam batidinhas em seu ombro dizendo: "Lilian, você não é mais a mesma!" ou "Que coisa feia, deixando o palhaço do James causar má influência em você!". Era visível que aquilo a incomodava, contudo para manter a educação, ela ficava quieta e dava alguns sorrisinhos de desdém.

A detenção iria ocorrer às duas horas da tarde e, naquele horário, Eliza estava no dormitório, terminando de se arrumar. Ela olhou para Agatha, que dobrava algumas de suas roupas, e lhe deu um sorriso enorme que iluminava todo o seu rosto. Aquele não era um sorriso normal de quem estava indo para uma detenção...

— Estou saindo! Vejo você mais tarde! — sorriu ela, meio abobada. Não parecia mais a mesma Eliza.

— Hm... — murmurou Agatha, olhando para ela com um sorriso quase malicioso — Você não parece estar indo para uma detenção com toda essa felicidade estampada em seu rosto.

— Você sabe... — começou ela, ainda meio encabulada — Sirius está indo junto, então... Não vai ser tão ruim assim! Vejo você mais tarde, aproveite seu dia de folga, sua folgada que acabou se safando!

— Pois é! Hahaha. E obrigada por não me denunciar — agradeceu ela. Graças a Deus mesmo que não haviam dito nada sobre ela, Agatha tinha tantas coisas para fazer ela que não sabia o que aconteceria se tivesse sido mandada para uma detenção!

— Claro que não te denunciaria — disse Eliza, não muito convincente. Agatha lhe lançou um olhar suspeito e, percebendo, Eliza adicionou — Você sabe como é... O Remus ficaria meio... Nervoso.

— Minha sorte que ele estava lá — exclamou Agatha, olhando para o céu e levantando as mãos para o alto — Cuide do meu Remus e... Er... "Boa" detenção. Tenho algumas coisas para fazer agora, então não irei com vocês até o campo de quadribol. Minhas coisas estão meio bagunçadas e mais tarde vou estudar um pouco.

— Uma detenção nunca é boa — resmungou Eliza — Te vejo mais tarde. Bom estudo.

Eliza deu as costas e desceu a escadaria de dois em dois degraus, parando rapidamente ao encontrar Sirius logo ao pé da torre, lhe cumprimentando com um leve beijo nos lábios. Remus continuou olhando para o dormitório, ainda com uma expectativa de que Agatha fosse descer junto, mas quando viu que mais ninguém descia, ficou decepcionado. Olhou para Eliza na esperança de alguma notícia de Agatha, no entanto Eliza estava tão concentrada em Sirius que nem percebia que ele olhava para ela. Pensou então em perguntar para Lilian, já que ela também era uma companheira de dormitório de Agatha, mas esta segunda estava muito concentrada em James. Sentiu como se uma solidão desigual batesse nas portas de seu coração... Por um momento teve o singelo pensamento talvez egoísta desejando que Agatha também tivesse levado uma detenção, afinal, ele não queria ficar sozinho com aqueles dois casais felizes.

"O que é que eu estou pensando!" ele sacudiu a cabeça, tentando se livrar de tal pensamento. Sua ruiva tinha muitas coisas importantes para fazer, por isso não havia descido, ele se lembrava de na noite passada ela choramingar muito dizendo que estava cheia de lição, muito atrasada com várias tarefas e cheia de dificuldades. Ele havia salvado-a de um dia de tormentos, tinha que estar feliz!

Para não se sentir mal, acabou esperando que todos os outros quatro passassem na sua frente, para que ficasse mais atrás, sozinho, e se manteve a certa distância deles, tentando passar como um ser invisível. Se ignorasse a presença dos outros quatro talvez a caminhada se tornasse interessante, ele não se lembraria de como se sentia solitário quando Agatha não estava por perto... Ninguém mais podia distraí-lo agora, já que Eliza e Sirius também estavam juntos. Aquela era uma sensação estranha sobre a qual nunca havia refletido antes. Um sentimento que o levava a pergunta mais cruel que nunca havia parado para pensar antes: O que seria dele sem Agatha? A idéia de ser rejeitado lhe pareceu terrivelmente horripilante. Eles eram felizes, não tinha que se preocupar com isso! Agatha gostava dele e ele a amava como jamais poderia amar outra pessoa. Eram felizes! Apesar de que... Pensando por outro lado... Quando Agatha se decepcionasse com ele – o que era inevitável – ele teria ainda a companhia de Peter. Não era o melhor de seus amigos, mas ainda era seu amigo, no entanto... Não poderia jamais substituir Agatha. Ninguém podia.

Quando entraram pela porta do vestiário de quadribol começaram a ouvir um barulho de conversas e gargalhadas. As vozes eram todas secas e irônicas, como uma reunião de vilões novos demais. Os cinco amigos pararam, olharam as suas voltas e ficaram paralisados ao perceber que aquele era o dia de treino da sonserina. Pelo visto eles não tiravam folga nem mesmo depois de uma derrota tão humilhante como a que havia ocorrido há dois meses.

— Oras, oras! Se não é o Potterzinho e seu bando de panacas em detenção — zombou o líder do time da sonserina. Mas é claro que eles não estavam lá para treinar, estavam ali era para infernizar mais ainda sua detenção. Não era um treino normal.

Não demorou muito para que James já tivesse se metido em uma discussão com o líder, ignorando completamente a desaprovação de Lilian, que era totalmente contra a violência desnecessária, mas Sirius e Eliza estavam ao lado dele na discussão. Remus ficou para trás, não tomando partido nem de James, nem de Lilian. Esperou que a discussão acabasse. Não estava com humor para discutir, aliás, sempre preferia ficar um pouco para trás quando eles brigavam.

— Remus, faça alguma coisa também! — disse Lilian, exasperada.

— O que? — perguntou ele distraidamente, olhando-a com uma expressão de desconforto.

— Você está bem? — perguntou ela, preocupada.

Os outros três amigos se viraram imediatamente ao ouvir a pergunta dela. Aquilo era tudo de que ele não precisava. Vendo James parar no meio de uma frase para se virar para ele, fez todos os sonserinos voltarem suas atenções para ele também e, de repente, ele havia se tornado o ilustre e infeliz centro das atenções.

— Olhem! O garoto lobisomem também está aqui — riu um sonserino — Ouvi dizer que ele se meteu em uma briga com a minha irmã mais nova.

— Parem com essas suposições ridículas — retrucou James asperamente, já abrindo defesa para o apelido do amigo.

— O que? Você acha que ele não é um lobisomem? — riu o líder — Oras, vamos. Sabemos que há um filho de lobisomem nessa escola.

— Não sejam ridículos. Não há nenhuma pessoa assim por aqui! — defendeu Sirius.

Ele sabia que os amigos estavam com as melhores das intenções, mas ele realmente preferiria que eles tivessem ficado quietos e tivessem deixado o apelido passar. Defender parecia mais a atitude de quem queria acobertar a verdade... Se aquela informação pudesse vazar...! Não queria pensar nem em metade das conseqüências.

— Não há? Não acredito que não sabem sobre os alunos de sua própria casa! E ainda por cima de seus próprios "amigos"! — a discussão parecia se tornar cada vez mais divertida para o time da Sonserina. Haviam encontrado uma maneira perfeita para colocar ódio nos olhos de James. O prazer daquelas víboras era realmente esnobar a vida dos outros.

— Cala essa boca! — rosnou Sirius — Como vocês podem ter a ousadia de falar isso de nosso amigo?

— Talvez porque vocês sejam burros demais para perceber. Temos provas de que o pai de uma das crianças da grifinória é um lobisomem. É lógico que seu filho também seria!

Um dos jovens que estava logo atrás dele pareceu ter seu sorriso desaparecendo no mesmo momento. Então sussurrou algo baixinho para seu capitão e o capitão fez uma cara de desdém, exclamando sem intenção:

— Uma filha? Oras, isso é ridículo! Sabemos quem é o lobisomem dessa escola.

Ele se virou novamente para olhar James e deu mais um sorriso sarcástico.

— Espero que tenham um ótimo dia de limpeza — acrescentou virando-se e entrando no campo.

Quando os membros do time saíram de suas posições no vestiário, que mais parecia a posição estratégica da "muralha de acobertamento" de suas badernas, ficou visível para os cinco amigos um dos motivos pelos quais o capitão estava tão feliz e satisfeito. Aquelas cobras haviam deixado para trás uma pilha de lixo sem tamanho e ali se incluíam desde várias embalagens de aperitivos a até pedaços de frutas esmagados no chão. Seria um longo e pesado dia...

Começaram limpando o vestiário por mais de uma hora, então subiram e limparam as arquibancadas, sempre atentos aos balaços que de vez em quando voavam em suas direções e quase os atingiam. Por pouco Remus não levou um no meio de sua nuca. Aquele dia parecia que não iria terminar nunca!

A tarde foi chegando e o sol começou a baixar no horizonte, dando lugar a lua quase cheia que começava a subir no céu com toda a sua resplendorosa beleza. O treino dos sonserinos parecia também que não iria acabar nunca, paravam de vez em quando e ficavam apenas flutuando em suas vassouras em um circulo, assistindo aos grifinórios fazendo a limpeza da enorme arquibancada, seus risos ecoavam por todo o estádio.

Remus olhou para eles cheio de desgosto e resolveu dar uma breve pausa para usar o banheiro, então desceu correndo para o vestiário, para que seus amigos não dissessem que estava vagabundando quando voltasse, mas quando estava para voltar para o seu trabalho, ouviu algumas vozes que pareciam sussurrar, cautelosas, como se aquele segredo fosse perigoso que alguém descobrisse, portanto se escondeu atrás da porta e ficou em silêncio, escutando com atenção.

— Não se esqueça que a próxima reunião é na próxima lua cheia! — resmungou o garoto, cuja voz Remus reconheceu como sendo de um dos rapazes daquela reunião que haviam escutado. Seu estômago se embrulhou quando lembrou se do que eles disseram naquela reunião, pensando em como já estavam planejando atacá-lo.

— Eu sei, é que não sabemos ainda como agir.

— Ataquem qualquer um! Peguem um da Lufa-Lufa, já que são mais fracos, ou tente qualquer um da grifinória, qualquer um dessas casas são traidores de sangue.

— Que tal o lobisomem?

— Eu já lhe disse que a criança é uma garota!

— Mas não há dúvidas de que é ele! — retrucou o capitão, nervoso.

— Faça como quiser. Eu já arrumei minha vítima e acho melhor que você ataque um da Lufa-Lufa, porque já tenho meus olhos em um da Grifinória — respondeu o outro, rispidamente — Com licença, tenho coisas a fazer.

Remus ouviu os passos do primeiro se retirando, mas continuou parado em seu lugar, quase prendendo a respiração para não ser descoberto. Já havia percebido que aquele capitão estava realmente almejando o seu sangue... Só não imaginara que fosse tanto!

Pouco tempo passou e ele finalmente ouviu os passos que provavelmente eram o do capitão, que se retirava. Esperou mais uns dez minutos após ele deixar de ouvir os passos, então abriu a porta, confiante de que não encontraria ninguém, e se deparou com alguém, encarando-o. Deu um salto para trás, com muito medo, mas se acalmou ao ver a cara familiar de James.

— Fugindo do trabalho... Que coisa feia!

— Você quase me matou de susto — repreendeu Remus.

— E você nos deixou trabalhando sozinhos — resmungou James — Já acabamos. Podemos voltar. Vamos.

— Eu ouvi uma conversa, por isso não havia voltado até agora, estava com medo de que eles ainda estivessem no vestiário para ter certeza de que ninguém havia ouvido. Contarei-lhes tudo quando chegarmos no salão comunal.

— Está certo... — concordou James, curioso.

Eles tomaram o caminho de volta, parando para comer alguma coisa no salão principal, e depois subiram para o salão comunal. Estavam todos exaustos, sonhando com um banho bem quente e relaxante. Mas também... Remus não podia deixar de sonhar que Agatha estivesse o esperando, podia? Ele estava com tanto medo de não encontrá-la a sua espera...

Ao chegarem ao retrato, James disse a senha e todos eles entraram. Remus se apressou tentando passar na frente de todos para chegar o mais rápido possível. Ele podia estar com medo, mas a expectativa o consumia. A ansiedade o matava. Ao ver o salão, seu coração se encheu de um agradável calor e era como se um peso enorme que estava sobre seus ombros estivesse acabado de desaparecer. Estava tão leve... Ela estava bem ali, deitada em um sofá de três lugares, abraçando um livro de poções que ele havia lhe emprestado. Os olhos azul-acinzentados dela estavam fechados e seu corpo estava imóvel; a única coisa que mexia sua barriga conforme respirava. Estava imersa em um sono profundo.

Um sorriso doce preencheu o rosto dele e por pouco que Sirius não usou aquilo para tirar o sarro de sua cara; só não o fez porque Eliza pegou em sua mão e fez sinal para que ele subisse e ignorasse. Talvez Remus merecesse ter seu tempo de felicidade sem ser perturbado.

Ele esperou um tempinho, observando-a para ver se ela não iria acordar, mas estava em um sono muito pesado. Isso deu um tempo a ele para que subisse e tomasse um banho, assim como todos os outros, então voltasse lá para baixo, como havia prometido com os outros para contar o que havia ouvido no vestiário do campo de quadribol.

Por razões óbvias, Remus foi o primeiro a acabar o banho e descer para o ponto de encontro, que, por acaso, era bem onde Agatha estava dormindo. Ele estava louco para acordá-la e poder passar algum tempo com ela depois de um dia tão estressante e deprimente. Como havia imaginado que aconteceria ao chegar lá, ela ainda se encontrava em um sono profundo, esparramada no sofá. Seu rosto era tão angelical quando estava adormecida...! Ele só havia visto aquela expressão no rosto dela uma vez na vida. Em uma noite de natal quando eram mais novos... Era uma expressão de eterna paz. Tinha até dó de acordá-la. Talvez devesse aproveitar para olhar para seu rosto sem que ela lhe dissesse que aquilo era incômodo e que a deixava envergonhada. Deixaria que ela dormisse mais um pouco enquanto os outros não chegavam, enquanto isso poderia passar seu tempo olhando para ela. Ele passou sua mão pelos cabelos dela, acariciando sua cabeça gentilmente, e ela pareceu dar um leve sorriso enquanto dormia, mas o sorriso desapareceu completamente quando ele afastou sua mão novamente. Ela pareceu de repente muito triste, e inimaginavelmente, começou a choramingar:

— Mamãe... Por favor... Não morra...

Ele se assustou e a balançou rapidamente para acordá-la. Não podia ficar quieto deixando que ela tivesse um pesadelo que a fizesse chorar! Agatha abriu seus olhos devagar e olhou para ele, muito entristecida, dizendo:

— Mamãe...

—Foi um sonho... Só um sonho... — disse ele, não sabendo mais o que dizer. Sua mente parecia uma folha de papel trouxa, muito branca.

Agatha mordeu os lábios para engolir os soluços e o abraçou, começando a chorar imediatamente. Ele arregalou os olhos, surpreso, e a abraçou de volta, mais apertado do que nunca. Não sabia o que dizer... Não sabia por que ela chorava, não sabia o que estava errado. Só sabia que era um pesadelo, mas nem disso tinha muita certeza porque existem sempre aqueles pesadelos que são uma repetição fiel e até piorada dos dias mais tenebrosos de seu passado... Os dias mais tristes do qual se tem recordação...

Em pouco tempo, todos começaram a chegar e se assustaram ao deparar-se com ela chorando. Remus ficou imediatamente sem-graça, imaginando que eles estivessem pensando que a culpa havia sido dele, mas ao ouvir a voz de Eliza, Agatha deu um salto e fingiu um sorriso.

— O que está acontecendo? — perguntou Eliza.

— Nada, só tive um pesadelo ruim — mentiu Agatha, convincentemente — Mas o Remus me deixou feliz — acrescentou ela, olhando-o com ternura.

Ele tentou sorrir, para acompanhar a mentira dela, mas não conseguiu fazer nada além de mostrar um sorriso amarelo.

— Hm... Entendo — disse Eliza, mais para ela mesma do que para Agatha. Remus podia perceber que pela cara de Eliza que não era a primeira vez que ouvia falar de algo assim...

— E aí, o que tinha para conversar? — perguntou James, soltando seu corpo em um sofá ao lado.

Todos os outros se sentaram também em alguns sofás e poltronas ali, com exceção de Eliza, que se sentou apoiada ao sofá, perto de Agatha, provavelmente por estar preocupada com ela. Apesar de Agatha já estar com um sorriso enorme em seu rosto, não demonstrando um mínimo sinal de tristeza. Ele sem perceber acabou parando para pensar em quantos sorrisos falsos como aquele ela já dera... Agora que a via sorrindo, parecia que muitos deles eram nada mais do que tentativas de demonstrar uma felicidade inexistente.

— Então? — perguntou Sirius, mais uma vez, percebendo que Remus estava distante demais para lembrar que era ele quem deveria explicar as coisas.

— Quando eu estava lá no vestiário, ouvi uma conversa suspeita entre dois sonserinos que eu reconheci na hora como a voz dos caras daquela reunião.

— O que? E quem são eles? — perguntou Agatha, chocada.

— Um deles é o capitão do time da sonserina e o outro é um magrelo baixinho com um olhar maligno. Ele é meio moreno... Era ele aquele que falava com o comensal como se fosse o líder de todos os outros.

— Eu sabia que havia algo de errado com aquele capitão — resmungou Sirius, rosnando como um cachorro.

— Sirius, você fala que há algo de errado com todos os sonserinos — corrigiu James, não contendo a piadinha.

— Sim, mas aquele capitão em especial! — retrucou Sirius, aborrecido.

Um silêncio se estendeu pela sala. A convicção de Sirius teria soado até que meio engraçada em alguma outra situação, mas não naquela. Aquela foi o selo de um silêncio que se estendeu por um tempo de reflexão até que James finalmente partiu o silêncio.

— E o que eles planejam agora?

— Atacar "traidores de sangue" — respondeu Remus, de cabeça baixa.

— Como assim? Isso é ridículo! — rosnou Sirius — Eles querem acabar com escola inteira? Primeiro eles nos vieram com o papo de nascidos trouxas, agora com traidores de sangue? Nada está bom para eles!

— Eu duvido que algo esteja bom para comensais da morte — concordou Eliza.

— A não ser vangloriar o seu querido Você-sabe-quem — complementou Agatha, meio morta.

"O que está acontecendo com ela?" perguntou-se Remus, preocupado, tentando confortá-la ao colocar seu braço ao redor dos ombros finos dela e puxá-la para perto de si. Ela caía como um boneco e não fazia nem ao menos um movimento para empurrá-lo, era uma perfeita marionete pequena e indefesa. "Eu queria poder saber... Mais sobre o passado dela".

— E mais alguma informação? — perguntou Lilian, após algum tempo de hesitação no qual eles acharam chato de dizer alguma coisa devido ao modo como Agatha estava e como ele se preocupava com ela.

— A próxima reunião... Será na próxima lua cheia — respondeu Remus, ocultando as informações que ele sabia que não eram necessárias de se dizer. Ser um lobisomem era problema dele e o perigo que corria por ser, também. Ninguém mais tinha a ver com aquilo a não ser ele, portanto se preocuparia sozinho. Sem contar que... Se contasse na frente de todos eles, Agatha e Eliza... Ficariam sabendo. Apesar de que Sirius talvez já tivesse até contado a Eliza naquela tarde por causa da discussão com o time de sonserinos. Ou Sirius ou James deixariam escapar um: "Desgraçados! Remus, como você pode aguentar que façam isso com você?". O único problema ainda era... Perder Agatha.

Estava meio atrasada e com uma reação meio retardada aos fatos, mas Agatha deu um salto e enrijeceu. Remus olhou curiosamente quando finalmente percebeu um movimento da casca vazia que segurava em seus braços. O medo era da reunião ou... Da lua cheia? Sua respiração começou a acelerar pelo medo de ouvir a resposta. Mas quem mais teria medo da lua cheia a não ser ele?

— Você disse... Lua cheia? — perguntou Agatha fracamente.

Porque tudo estava conspirando contra ele naquele dia?

— Sim... — afirmou Remus, trêmulo, e sentiu o mesmo tremor começando a aparecer no corpo de Agatha.

— Eles não têm medo... De lobisomens? — perguntou ela.

Todos os presentes enrijeceram inclusive Eliza. Sirius olhou para ela em pânico e ela retribuiu da mesma maneira. Ambos sabiam de algo que Remus desconhecia, ele percebeu rápido ao ver o olhar de Sirius, apesar de não poder ver a cara de Eliza já que ela estava com a nuca de frente para ele tornando impossível que ele visse seu rosto.

Ele abriu a boca para responder, mas a resposta se engasgou no fundo de sua garganta bloqueando qualquer som que pudesse omitir. Não podia ser verdade... Agatha realmente estava daquela maneira por causa da idéia de pensar em lobisomens? O que faria ela se soubesse que estava abraçada a um? Ele tirou rapidamente seu braço dos ombros dela e se afastou consideravelmente, sentindo um pesar atingi-lo com a intensidade de toneladas sufocantes.

— Agatha, sabe como os comensais são monstros, eles devem imaginar que lobisomens não passam de meros cachorrinhos! — disse Eliza, fingindo uma risadinha, apesar de seu rosto estar ficando tão branco quanto o de Justine, mas não tão branco quanto o que Remus havia se tornado. Era inacreditável o fato de ele ainda não ter desmaiado.

— Lobisomens não são cachorrinhos! — brigou Agatha, abaixando a cabeça e abraçando os próprios braços — Lobisomens são... São odiosos.

— Não precisa ser tão radical. Vamos Agatha. Eu sei que você só tem medo deles, mas-.

— Não brinque comigo! — interrompeu Agatha, revoltada com o "pacifismo" de Eliza. Quem ela queria enganar? Ela sabia o quanto Agatha odiava lobisomens e o quanto ela tinha medo deles. Quem era ela para lhe dizer o contrário? Quem era ela para entender a dor que ela sentia? — Você não sabe de nada... De nada!

— Agatha, por favor... Não! — implorou Eliza.

— O que há com você? Já chega! Eu odeio, definitivamente odeio lobisomens.

Com essas palavras, Agatha se levantou, correndo para seu dormitório, deixando para trás os olhares pasmos de todos os outros cinco que restaram na sala.

— Remus...! — chamou Eliza desesperadamente, tentando arrumar alguma maneira de confortá-lo, mas ele permanecia com o olhar imutável e chocado.

"Agatha... Me odeia" pensava ele, repetindo mais de mil vezes em sua mente e ouvindo novamente a voz dela como se fosse um disco quebrado que só repetisse a mesma coisa de novo e de novo. Ele estava quebrado.

— Remus, eu acredito que a Agatha pode-.

— Ela me odeia — ele interrompeu secamente, se levantando em um ato muito rápido e objetivo. Retirou-se da sala como um robô, até sumir na escadaria do dormitório masculino, deixando para trás os amigos tão pasmos e assustados quanto eles.

— Eliza... — disse Sirius, pegando na mão dela, ainda tentando pensar no que dizer ou em algo que pudesse tentar formular para acabar com aquela situação.

— Agatha... Estava chorando... — disse ela, estaticamente, mas logo em seguida franziu as sobrancelhas e deu um tapa fraco na própria cabeça, demonstrando irritação — O que há com aquela menina? Droga... Se ao menos ela entendesse a gravidade da situação...!

— Você acha que ela entenderia? — perguntou Sirius, assustado — Quando você mencionou, eu não imaginei que fosse-

— Tanto? — perguntou Eliza, suspirando — Essa menina trêmula e começa a chorar durante todas as noites de lua cheia só por ouvir os uivos! Sirius... Infelizmente, eu temo pelo pior...

— Então você que me perdoe, mas ela terá que pagar pelas conseqüências se isso acontecer, com toda a certeza — murmurou Sirius seriamente, levantando-se em seguida e seguindo para o quarto com o intuito de dar uma olhada no estado de Remus. Ele que não deixaria que qualquer idiota preconceituosa pudesse sair ilesa se terminasse com uma atitude daquelas depois de saber a verdade...


Fim do capítulo 16.

N/A: Juro! NÃO ODEIEM A AGATHA, ela não é tão ruim assim! Juro mesmo! x.x Se ela desprezasse o Remus até eu ficaria com ódio dela!

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