Vou tentar com todas as minhas forças terminar essa fanfic antes das minhas aulas começarem, ou seja, se tudo correr bem, acabarei antes do dia primeiro de março. Mas como eu estou sempre me atrasando com tudo... Não esperem demais.
Disclaimer: Harry Potter não me pertecence.
Capítulo 18. Pesadelo
O dia seguinte tornou-se insuportável logo que a manhã raiou e Agatha percebeu que Remus não estava lá a esperando e também não estava em lugar algum da escola. Novamente...
O que mais a preocupava era que, como na manhã anterior, Eliza, Lilian, Sirius e James pareciam estranhos, compreensivos e de certa forma... Ofensivos. Principalmente Sirius, que parecia culpá-la por alguma coisa, querendo aniquilá-la a cada respirada que ela dava, a cada sinal de vida que demonstrava.
Ela tentou ignorar os olhares deles e logo que teve a primeira oportunidade, fugiu e correu para Justine, como jamais imaginara que poderia fazer. Ela jamais havia imaginado que a tão fria corvinal pudesse ser algum dia tão compreensível e amiga quanto ela estava sendo. Entretanto não importava o que Justine pudesse fazer, o segundo dia da ausência dele já abrira um tipo de corte em seu peito que agulha alguma parecia ter tal poder para costurar.
Se o primeiro dia havia sido difícil e o segundo quase insuportável, o terceiro se tornou muito pior. Ele não estava lá a esperando, mas quando chegou à mesa do café da manhã, viu que ele estava sentado lá e, logo que a avistou, levantou-se rápido e sumiu de sua vista. Rapidamente foi como se suas pernas se tornassem duas barras de ferro e ela não conseguia criar forças para correr atrás dele, só conseguia uma força estranha para ficar parada e não cair de joelhos, chorando como uma idiota na frente de um salão lotado de pessoas. O olhar de Sirius mais uma vez não ajudou nada na situação. Ela sentiu tanto medo ao vê-lo que acabou fugindo do café da manhã sem tomar um simples copo de leite. O resultado ainda seria melhor do que enfrentá-lo. Ser levada a ala hospitalar por estar quase desmaiando por falta de glicose no sangue seria ainda melhor do que enfrentar o olhar de repreensão de Sirius. Ela não conseguia acreditar que aqueles tão perfeitos amigos pudessem fazer aquilo apenas por conta de sua família! Ela tinha certeza, havia falado sobre seu pai, mas porque justo eles...? Sem se justificar! Não era nada do que parecia! Era tudo culpa dos lobisomens, se aquele monstro que havia feito aquilo para seu pai não existisse, nada daquilo estaria acontecendo!
O começo da semana foi insuportável e o resto também. Aos poucos a coragem de ficar perto de seus próprios amigos diminuía conforme Remus se afastava dela e nem mesmo Eliza comentava em qualquer assunto com ela. Apesar de que Agatha sempre corria para o dormitório e se escondia embaixo das cobertas fingindo estar dormindo antes que Eliza a visse. Justine não aprovava nem de perto aquela atitude, mas ficava quieta e fingia que nada acontecia para que Agatha pudesse ter pelo menos um pequeno segundo de paz.
Infelizmente, para todos os seus medos, no fim da semana ela finalmente encontrou uma explicação para os motivos, mas teve medo de levá-la a sério pelo fato de se tratar de um sonho. Entretanto para Agatha, aquele havia sido o sonho mais "realista" que algum dia ela poderia ter...
Ela merecia cada gota de sofrimento que algum dia pudesse ser derramado em forma de lágrimas...
Ela estava em frente a um sobrado de madeira muito antiga e o sol estava quase se pondo. A luz do poente dava uma cor avermelhada a feia e esbranquiçada madeira velha, onde pedaços de tinta branca começavam a se descascar, e as árvores sem vida do jardim lhe davam idéia de que aquele era o perfeito cenário para um filme de terror. Logo reconheceu que aquela era sua casa...
Sem entender o que fazia naquele lugar, começou a andar pelo jardim sem vida, em direção a casa, para ver como as coisas estavam correndo lá dentro; seu pai poderia estar precisando de ajuda e seu dever seria ajudá-lo caso alguma coisa acontecesse.
Ela abriu a porta, que rangeu alto, e olhou cuidadosamente pela casa, vasculhando meticulosamente cada pequeno canto, como se tivesse medo de que alguma coisa ruim pudesse acontecer apenas ao pisar naquele lugar. Porque tinha sempre que sentir tanto medo daquele que mais cuidará dela em toda a sua vida? Aquela era uma realidade tão cruel...
"Agatha? O que está fazendo aqui?" perguntou seu pai, chegando pela porta da cozinha. Seus cabelos acajus estavam todos bagunçados, a barba mal-feita dava-lhe um ar mais velho do que deveria ter e os olhos azul-acinzentados pareciam um pouco vermelhos e inchados, como os de quem estivera chorando... Mais uma vez... "Não deveria estar em aulas?"
"Ah, quem sabe... Voltei" respondeu ela, dando um sorriso. Aquela era uma boa pergunta, mas como sempre acontece em um pesadelo, ela não percebia que estava dentro de um.
"Sente-se" convidou ele, abrindo seu sorriso gentil e fazendo um gesto para a mesa vazia da sala "Vou te trazer algo para beber".
"Não precisa, estou só de passagem" respondeu ela, olhando para o relógio sem entender qual o compromisso que tinha tanto que cumprir.
"É uma pena" disse ele, meio triste "É tão solitário quando você não está...".
Ela abaixou a cabeça e respirou fundo. Sentia-se a pior pessoa em todo o mundo por estar feliz ao poder passar o ano inteiro em sua escola e só voltar para sua casa durante as férias de verão... Aquele homem era tão bom, gentil, até melhor que sua mãe em vários pontos, mas mesmo assim... ELA que era um monstro, o pior dos monstros. Não sabia por que dizia odiar tanto lobisomens quando aquele homem lhe era uma pessoa tão bondosa... Só poderia odiar aquele que o transformara naquela criatura e aqueles que eram selvagens e machucavam as pessoas por vontade própria... Aqueles que transformavam inocentes porque sabiam que essas pessoas começariam a ter vidas miseráveis. Aqueles que seguiam Você-sabe-quem eram assim, mas seu pai não era. Era o mais bondoso dos lobisomens que poderiam existir! Com certeza havia muitos mais como ele, aqueles que ela jamais poderia odiar. Aqueles por quem ela poderia somente sentir compaixão e vontade de ajudá-los a todo custo por conta de todo aquele sofrimento e preconceito que passavam.
Ela olhou para o relógio mais uma vez, estava ficando tarde e ela tinha de ir embora, mas ainda não podia ir, não quando havia acabado de chegar e o feito tão feliz com sua presença. Prolongaria um pouco mais seu tempo.
Abaixando os olhos para o braço dele, Agatha acabou percebendo um machucado estranho na pele dele, um tipo de corte muito fundo que estava encoberto por sua camisa velha de mangas compridas.
"O que é... Isso?" perguntou ela, puxando o braço dele e levantando a manga da camisa rapidamente "Não me diga que andaram...?"
"Não, nada aconteceu, eu estou bem" disse, ele, puxando o braço e tentando esconder o ferimento. Seus olhos demonstrando o pânico que seu sorriso tentava disfarçar.
"Eles vieram atrás do senhor novamente, não vieram? Aqueles monstros...! Por culpa daquele maldito Ministério que o senhor vive essa situação e eles ainda... Não é culpa sua! Você não fez aquilo de propósito!" rebelou-se ela, seu tom de voz aumentando a cada uma das frases. Ela não deixaria nada acontecer aquele homem que já sofrera demais.
"Agatha, não foi nada, eu juro... Só mais um... Mal entendido. Você sabe que eles não podem me levar a lugar algum sem que você dê esse veredito..." disse ele, ainda com aquele sorriso meio amarelo em seu rosto, tentando fazer parecer que tudo estava bem "Mas talvez... Você não ache melhor...?".
"Não diga isso!" brigou ela, quase gritando "Que se dane se eu tenho que morar aqui. Eu quero cuidar do senhor! Agora que eu cresci... Cada vez mais eu sei que eu posso ajudá-lo, nem que seja só um pouco! Não importa se os pais da mamãe me odeiem! Eu sei o que o senhor sente! Eu sei que o senhor sofre muito mais do que todos nós! Eu prometo... Que farei tudo ficar bem...".
"Não vale a pena..." disse ele, muito baixo, seu sorriso finalmente desaparecendo.
"Vale. Tudo vale a pena por aqueles que amamos" disse ela, decidida.
"Nem tudo..." disse ele, rindo baixo.
Ela olhou para o relógio impacientemente mais uma vez. Porque estava com tanta pressa?
"Prometa uma coisa?" chamou ele mais uma vez.
"Depende" disse ela, andando para trás, pronta para correr para fora. A noite estava caindo... Será que tinha tanta pressa por que...?
"Nunca se aproximará de outro lobisomem" disse ele seriamente.
"M-mas eu já não fiz essa promessa ao senhor?" gaguejou ela, assustada, seu corpo começando a gelar enquanto sentia uma urgência muito grande de sair por aquela porta. Os olhos dele estavam ficando assustadores. Aquela... Ela tinha certeza, a lua iria nascer! A maldita lua iria nascer!
"Você está descumprindo essa promessa" disse ele, levantando-se e andando devagar em direção a ela. Aqueles olhos assustadores... Como poderia se esquecer...! Mas ela já havia os visto em outro lugar.
"Não! Eu não vou me aproximar de nenhum. Eu não descumpriria essa promessa" disse ela, batendo de costas com a porta por onde entrara, tentando abri-la desesperadamente sem dar as costas para ele. Estava na cara que a porta havia sido trancada.
"E aquele garoto?" perguntou ele, cerrando levemente os olhos com ódio "Você sabe Agatha, só não quer entender...".
Não havia nenhum garoto! Mas aqueles olhos... Remus?! Aquilo era ridículo! Apesar de que... As cicatrizes, os olhos tristes, desaparição na noite de... Lua cheia... E Remus havia algum dia tido aquele mesmo... Olhar que seu pai tinha agora...
"Ele não é!" ela tentou defender.
"Você sabe que é" insistiu ele.
"Eu preciso ir" disse ela, puxando a varinha do bolso e explodindo a fechadura para correr para fora de casa. A primeira coisa que fez foi olhar para o céu. Não havia nenhuma lua nascendo, mas parecia haver um clarão no horizonte. Se uma lua cheia aparecesse por ali, ela...
Na distração que teve ao olhar para trás, acabou topando de frente com algum obstáculo que havia em seu caminho e, bambeando as pernas, caiu no chão, fechando os olhos com força enquanto era consumida por um medo do que poderia estar na sua frente. Durante aquelas noites, qualquer coisa poderia aparecer...
"Você está bem?" ouviu alguém lhe perguntar. Suas pernas tremiam tanto que não conseguia nem imaginar que seria capaz de levantar novamente para correr. Mas se não corresse...! "Agatha?" chamou a voz mais uma vez.
Aquela voz... Não podia ser!
"Remus?" perguntou ela assustada "Remus! Não! Fuja daqui! A lua... Se a lua nascer...!".
"Eu me transformarei?" perguntou ele, desviando os olhos dos dela "Então você sabia..."
"Não! Meu pai! Remus!" disse ela desesperadamente "Remus, fuja daqui! Se ele o vir aqui!".
"Agatha, não, você que precisa fugir!" disse ele, pegando rapidamente o pulso dela para puxá-la em pé "Fuja daqui, rápido".
"Não... Remus, sem você...!".
"Agatha... Você sabe...".
"Não... Você não... Você não... Não... Está brincando comigo. Por favor... Eu não quero... Eu não quero...".
"Desculpe-me" disse ele.
"Eu te disse para se afastar dele!" ela ouviu seu pai gritar chegando por trás deles.
"Não! Ele não é o que você pensa!" gritou ela para o pai, parando em frente a Remus e abrindo os braços protetoramente.
"Agatha... Me ouça! Você sabe o que acontece com aqueles que se aproximam demais de nós! Você quer que aconteça com você a mesma coisa que com sua mãe?"
"Não vou deixar que isso aconteça!" gritou ela.
"Você sabe que não tem como dar certo" insistiu ele, olhando-a fixamente.
Ela olhou para o céu novamente. Podia ver que a pequena ponta da lua estava começando a aparecer no horizonte. No mesmo momento percebeu uma mudança no jovem atrás dela, que começou a gemer de dor.
"Remus!" disse ela, assustada.
"Eu estou dizendo que ele é" seu pai continuou falando. Porque maldição ele não se transformava também? Tinha que continuar falando? Ela não queria ouvir! Preferia ser atacada a ouvir aquilo. Não podia se afastar de Remus!
"Que se dane!" gritou ela desesperadamente não sabendo mais se corria ou se continuava ali. Pelo modo assassino como seu pai olhava para o garoto atrás dela ele o mataria antes mesmo de se transformar. Ela não poderia deixar!
"Você quer que aconteça com ele a mesma coisa que aconteceu comigo?" insistiu ele, fechando os olhos com dor, as lágrimas a ponto de escorrerem.
"Não..." disse ela, fechando os olhos. Se ele... Se ela fosse fraca, ele sofreria, sofreria mais do que poderia sofrer em qualquer dia. Ela era o pior dos estorvos...!
"Se não se afastar, eu vou matá-lo" disse seu pai mais uma vez, como uma voz em sua consciência.
Tentando escapar, Agatha tapou os ouvidos e caiu de joelhos no chão. Tremendo de medo, de raiva, de dor, de todos os piores sentimentos que poderiam existir. Aquilo não poderia ser real, não poderia ser tão real...
Um uivo cortou o ar e, como se seu cérebro primitivo despertasse por trás de todos os seus pensamentos e medos, ela se levantou, pronta para correr, mas acabou se vendo cercada... Eram dois... Dois grandes lobisomens... Os dois a cercavam. Eles iriam matá-la. Tentou mesmo assim correr, correr por alguma abertura, mas antes que seus pés se movessem algo a agarrou pelas pernas e a grudou ao chão.
Ela quase soltou um grito de terror, mas não conseguia soltar qualquer som... Em meio a um grito silencioso ela olhou para baixo, para suas pernas. Eram duas mãos... Mãos esqueléticas que a seguravam no chão para que não se movesse. Havia algo... Morto e vivo ao mesmo tempo a olhando... A cor dos cabelos... Não podia ser!
"Agatha..." chamou a morta-viva.
"Ma-ma-mamãe?" sussurrou ela em horror.
"Você não me protegeu... Você se atrasou e me deixou morrer nas mãos dele. Agora, esse será o seu destino" disse sua mãe zumbi, em uma voz rouca e fantasmagórica "Irá morrer nas mãos daqueles que mais ama assim como eu. Irá sofrer enquanto vê seus olhos assustadores e sem alma que a matam sem consciência de quem é".
"Não..." sussurrou Agatha, tentando se mover, mas ela a segurava com muita força "Não... Não... Eu não deixei que morresse... Eu não deixaria... Era impossível, você não... Você não...".
"A culpa é toda sua!" insistiu a mãe "Agora sofra as conseqüências".
"NÃO!" ela gritou, tapando os ouvidos novamente. Se aquilo fosse um pesadelo, ela deveria acordar naquele momento, ela queria acordar naquele momento. Ela iria acordar. Ela precisava acordar.
— Não — sussurrou ela fracamente, agarrando com força os lençóis a sua frente e os puxando contra o peito em um abraço, ainda sem consciência de que tudo havia sido um sonho — Não pode...
Após alguns segundos de agonia, ela abriu os olhos devagar, olhando assustada ao seu redor, procurando aqueles que ela vira em seus sonhos, mas o quarto estava vazio, a não ser pelas camas onde suas amigas dormiam. Todos dormiam calmamente e não havia quem visse que ela estava sendo uma fraca inútil que resmungava enquanto dormia... Nem Eliza, para sua felicidade...
Fracamente, ela se levantou, tentando fazer o mínimo de barulho possível. Provavelmente ainda era madrugada e demoraria muito até que o dia amanhecesse por isso ela colocou seus chinelos e andou até a janela para olhar para o céu.
Então era aquela a resposta... Era aquela a verdade... Remus... Estava evitando-a porque ela fora uma estúpida idiota que dissera coisas sem pensar duas vezes... Porque ela dissera que odiava lobisomens... Dissera que o odiava! Como poderia ter sido tão estúpida! Ela conhecia aqueles olhos que vira naquela noite... Sabia muito bem que eram os olhos de um lobisomem, mas fora estúpida e ignorara como uma idiota. Não conseguira aceitar...
— Como pude fazer isso com ele? — sussurrou ela, encostando a cabeça na janela — Como pude causar tanto sofrimento para alguém como ele? Para... Alguém que eu amo tanto? Para alguém que já sofre tanto...? — ela cerrou os punhos e mordeu os lábios com tanta força que sentiu até um leve gosto metálico em sua boca — Eu sou um monstro... Um monstro... A pior de todas... A pior...
Como poderia ter feito aquilo? Entretanto... O que seria dela agora? Ou melhor... O que seria deles? Como ela poderia fazer existir um "nós" naquele mundo quando seu pai... Quando seu pai a fizera manter aquela promessa? Seu pai não perdoaria se ela ficasse com Remus... Se ela ficasse com um lobisomem. Ele não entenderia que poderia ser diferente quando nem mesmo ela conseguia acreditar naquela possibilidade. Ela sabia de sua fraqueza, fora tão fraca que não conseguira chegar a tempo de levar sua mãe para um lugar seguro. Ela fora tão medrosa a ponto de se esconder e não fazer nada por aquela que amava tanto. Era uma criança? Qualquer um daria aquela desculpa, mas ela sabia e não iria se esconder atrás de algo assim! Ela era a culpada, a culpada por tudo. A culpada pela morte de sua mãe. A culpada pela infelicidade de seu pai... Pelo bem daquele que já sofrera tanto por sua culpa, ela cumpriria sua promessa... Ela terminaria com Remus...
Fim do capítulo 18
Obs.: Acho que já estou conseguindo ver uma imagem da Agatha sendo morta pelas mãos dos leitores...
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