A reação do Sirius em muitos pontos parece a reação dos leitores que deixam reviews (menos no ponto que ele se torna compreensível)... Acho que eu os entendo. Ou melhor, eu realmente os entendo.
Disclaimer: Harry Potter não me pertence.
Capítulo 22. Covarde
Era um péssimo dia. A aula irritante de adivinhação estava demorando muito mais do que o de costume devido a motivos muito especiais. Sirius olhava para Agatha em intervalos regulares, estava tão nervoso que poderia explodir a cabeça dela em pedaços, e Agatha sentia as pontadas de raiva em suas costas atingindo-a como agulhas a cada olhada que ele lhe dava.
Sirius não podia entender. Simplesmente era impossível para ele. Como podia algum dia ter sido amigo de alguém como ela? Uma pessoa preconceituosa assim...! Que se danasse se Remus era um lobisomem ou um duende verde saltitante, ela era a namorada dele e deveria ter entendido! Era uma hipócrita filha da mãe! Isso para não dizer palavrões piores que os menores de idade dessa fanfic não podem ler e que muitos devem dizer!
Cada vez que a professora parava de falar, ele olhava para ela e várias vezes a pegou olhando aflita para ele também. Aquilo era bom, ela já sabia o que estava por vir.
Longos momentos depois que pareciam durar uma eternidade para ele, a professora encerrou a aula, trazendo um sorriso instantâneo ao rosto rebelde dele. Sirius recolheu bem rápido suas coisas e desceu correndo na frente de todos para poder parar na frente da torre e ficar esperando para abordá-la quando ela chegasse. Era muito conveniente que Remus não assistisse mais àquelas aulas inúteis, enquanto ele havia optado por adivinhação para ter mais tempo para jogar fora e não prestar atenção nas aulas. Não havia quem impedi-lo, o único que poderia ter tentado era James, mas o amigo passou por ele apenas lhe deixando as palavras: "Remus vai ficar louco com você".
Não importava. Ele ainda iria agradecê-lo.
Algum dia...
Vários alunos passavam pela porta, mas nada de ela passar. Já estava começando a achar que a covarde havia se jogado do alto da torre para não ter de enfrentá-lo, mas de repente ela saiu com seu olhar frio e indecifrável que havia mantido durante toda aquela semana. Logo que passou diante dele, ela o olhou perigosamente, o que fez com que ele sorrisse de satisfação e começasse a falar com a voz mais perigosa que podia:
— Acho que você já sabe por que eu estou aqui.
— Sirius, porque essa cara? — perguntou Alice, arregalando os olhos ao ver o modo como Agatha e Sirius estavam se olhando.
— Não tenho nada a conversar com você — respondeu Agatha friamente, de uma maneira que ele não julgava possível pelo modo desesperado como ela o olhava durante a aula de adivinhação.
— Ah, tem sim — riu ele sem humor nenhum — Podemos começar com o fato de você ser uma grande covarde irritante que jamais deveria ter entrado para a grifinória, a casa dos corajosos. O chapéu seletor deveria ter passado uma noite tomando uísque de fogo quando te mandou para a mesma casa que eu!
— Como se atreve! — rosnou Justine, erguendo sua varinha, mas Agatha se precipitou:
— Não interfira, por favor. Isso é entre mim e ele.
Alice olhou assustada para Justine, assim fez também Alan, que parecia incrivelmente frágil ao lado da corvinal mais alta do que ele. Apesar de ser um rebatedor, o garoto não tinha físico nem altura muito avantajados.
— Está certo... — disse Justine, meio relutante, mas colocou a mão nos ombros de Alice e Alan e os empurrou pelo caminho, parando para olhar para trás apenas uma vez, preocupada com o que poderia estar acontecendo com Agatha. A ruiva sabia se cuidar, mas mesmo assim...
Agatha ouviu Alice dizer desesperada que não podia deixar que eles brigassem e Alan concordar com ela, mas Justine era sempre tão convincente e ameaçadora quando queria ser que eles não se atreveram a voltar. De repente o corredor estava vazio e os únicos ali em frente à torre de astronomia eram Sirius e ela.
— Sirius, eu já vou começar me antecipando: não há nada que eu possa fazer.
— Não há nada? — ele riu de desgosto — Meu Deus! Esqueci que no mínimo entender a dor dele e continuar a ser sua amiga são coisas impossíveis de se fazer! Não sabia que estava falando com a rainha da hipocrisia.
— Não sou hipócrita — ela rebateu.
Ele a olhou com ódio e em um movimento rápido, agarrou a gola de sua camisa e a bateu contra a parede com uma força que a fez cerrar os pulsos para não soltar um grito de dor. Foi por conta de muita força de vontade que não deslizou seus punhos "acidentalmente" para sufocar aquele pescoço branco e frágil. Ele não queria ser visto como um covarde que batia em mulheres.
— Me diga por que fez isso a ele.
— Me deixe... Em paz! — ofegou ela, meio sem ar pela batida forte que parecia ter expulsado seus pulmões pela boca.
— Não. Não até que me diga por que não pode nem ao menos continuar uma amiga ou qualquer merda assim! Você não supostamente o amava?
— Me dê um tempo! — disse ela, sem expressão. Sua expressão podia ser lida como uma ameaça apesar do significado de suas palavras fosse completamente o contrário.
— Não! Não vou te dar um tempo! Não depois de vê-lo chorando! Você acha que verei meu amigo sofrendo por causa de uma covarde? Uma covarde que ele insiste em defender?
— Ele me... Defende? — ela perguntou de repente cheia de dor.
— Sim! Ele insiste que você não fez nada de errado — resmungou Sirius, de repente impressionado pela reação dela. Ele afrouxou um pouco os punhos e endireitou sua coluna em uma postura reta.
— Faça-o e esquecer-se de algum modo — sussurrou ela, abaixando a cabeça, de modo que sua franja cobria completamente seus olhos do ponto de visão dele.
— Como assim? Você não é uma grifinória corajosa para aceitar algo que teme? — perguntou ele, rindo de desgosto — Como pode ser tão covarde?
— Não sou covarde! — choramingou ela.
— Ah, não? — ele estava mais do que satisfeito por estar atingindo-a — Terminando só porque ele te disse a verdade, não é? O que tem de errado com isso? Passaram dois meses juntos e você nunca chegou a ver ele se transformar!
— Não agora... — ela havia começado a tremer.
— Que se dane! Se for amiga dele também não terá que ver ele se transformar. Lilian nunca viu também!
— Eu... N-não posso ser amiga dele... — ela disse, começando a perder a voz.
— Porque não?
Agatha cerrou os olhos com o máximo de força que possível para tentar inutilmente segurar as lágrimas que começavam a se formar. Por mais que aquelas palavras a machucassem mais e mais, Agatha estava feliz porque merecia cada facada que elas lhe causavam. Merecia tudo. Merecia tudo por todo o sofrimento que via em Remus... Por todo o medo que não era capaz de superar. Se não fosse o medo, talvez fosse capaz até mesmo de argumentar contra seu pai. Mas era o medo... O medo de fazê-lo sofrer. O medo de lobisomens, o medo de tudo... O medo do futuro, talvez maior do que de lobisomens. O medo do possível e do impossível... Do mesmo passado que poderia se repetir em outra geração. Da sua fraqueza... Remus poderia sofrer muito mais com ela do que sem ela. Com ela tudo se repetiria. Remus seria como seu pai, seria infeliz, seria muito infeliz. Seria pior... De repente, não importava com que força tentasse segurá-las, as lágrimas simplesmente não paravam mais de escorrer e era impossível que ela respondesse. Não queria... Ela realmente... Era uma covarde. Mas não era natural depois de tudo que passara? Talvez não...
— Não percebe o quanto significa para ele? — Sirius insistiu não se usando mais da agressividade, mas de um tom de voz sensível como se tentasse fazê-la entender.
O que ele não percebera era que ela já havia entendido... Entendia tudo...
— Eu sei! Eu entendo! — ela soltou, mais alto do que o suficiente — Só não posso... Não posso ser sua amiga! Eu o amo! Eu o amo mais do que tudo! Amo mais do que julgaria algum dia possível! Sirius, eu simplesmente... Não é possível para mim...! Eu não posso ficar perto de alguém que eu sei que me ama e que eu não posso estar junto. Eu iria chorar, eu iria fazê-lo sofrer. Eu preciso ao menos tentar esquecer... Esquecer de como... Ele me faz... Feliz... — ela abaixou a cabeça, mordendo os lábios.
— Então... Porque, Agatha? Se é um medo, você pode superá-lo. Eu sei que é difícil, mas... Sempre existem forças maiores do que um medo — disse Sirius, examinando dolorosamente a cascata que desciam por aqueles olhos. Ela não mentia, não era hipócrita. Ele podia ver como sua dor era verdadeira.
— Não é só medo. Eu... Eu tenho coisas em meu passado que não podem ser negadas nem apagadas de mim. É algo muito forte. Tem a ver com pessoas que eu amo e não posso causar muito mais sofrimento, com coisas que podem acontecer tanto comigo como com Remus se eu estiver com ele. Tantas coisas que podem fazer não só a mim como a ele infeliz. Você não entende, você não sabe o que é isso. Não sabe de nada disso. Nem ao menos Remus sabe o que é isso... Comigo, mais cedo ou mais tarde ele saberia. Se ele soubesse... Eu não sei o que isso causaria nele.
— Como assim? Agatha, eu não conheço seu passado, não sei nada sobre você, mas eu posso lhe afirmar: "Remus é diferente".
— Não, ele não é — ela riu baixinho, abaixando a cabeça de novo — Conheci um lobisomem igual ao Remus. Ele... É importante demais para mim também. E a ele eu fiz uma promessa... A de que jamais me aproximaria de outro lobisomem.
— Isso é um absurdo! Agatha! Como um lobisomem poderia te proibir de se aproximar de outro? É ridículo! Quem é essa pessoa por acaso? Só poderia ser alguém que você tem medo para cumprir algo tão ridículo.
Ela abriu a boca, soltou um som curto que logo foi recoberto por um grito muito mais alto que sua fala baixa e hesitante:
— O que vocês dois estão fazendo aqui?
Sirius olhou para a professora McGonagall como se ela fosse o pior demônio que havia descido a terra. Porque ela sempre aparecia nos momentos mais inoportunos que podia? Aquela definitivamente não era a hora certa para interromper sua conversa mais do que importante com a ex-namorada de um de seus melhores amigos.
— Já estávamos indo para a aula — se antecipou Agatha, entrando na frente de Sirius antes que ele soltasse qualquer palavrão como ela sabia que ele faria — Sirius estava com alguns problemas e eu estava lhe dando conselhos. Acho que pode me entender, professora.
O sorriso angelical de Agatha deixou Sirius quase sem ar. Não por ser bonito, mas sim por que estava pasmo por ver que depois de toda aquela cena ela podia dar um sorriso como aquele. Ela era capaz de fingir a felicidade de uma maneira exageradamente inumana.
— Vão logo para a aula — ordenou a professora, incapaz de se opor a sorriso tão encantador. Depois ela deu as costas e voltou andando rápido pelo corredor pelo qual havia aparecido.
— Nos encontraremos em frente ao lago hoje às oito horas. Eu... Te contarei tudo. Talvez você me entenda e... Isso me faça bem também.
— Droga, não pode contar agora? — ele perguntou, e Agatha deu várias risadinhas tímidas com a imprevisível mudança de humor que Sirius havia sofrido.
— Acho que da próxima vez que a professora nos pegar fora da aula não poderei persuadi-la com um sorriso — ela riu docemente.
Sirius sabia que ela tinha razão, mas era incrivelmente irresistível matar uma aula para ouvir sobre fatos provavelmente absurdos que haviam ocorrido na vida da amiga. Não podia acreditar estava começando a ficar animado por que estava para descobrir uma verdade triste e provavelmente absurda sobre alguém que gostava. Ele sinceramente estava começando a ficar preocupado com a sua sanidade mental... Principalmente: Estava assustada por ter voltado a chamá-la de amiga.
— Tudo bem — concordou por fim — Hoje à noite em frente ao lago. Eu estarei lá.
Fim do Capítulo 22
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