Pronto, todos os capítulos já escritos estão postados. Com a próxima oportunidade irei escrever mais deles. Quero ver um bom fim também, podem acreditar.
Disclaimer: Harry Potter não me pertence.
Capítulo 23. Um amor impossível
A sol estava se pondo e a luz do luar começava a emergir no horizonte. Faltava apenas uma semana e meia para a lua cheia. Uma semana e meia para a reunião...
Sirius desceu pelos jardins rapidamente. Curioso demais para conter o movimento rápido de suas pernas. Tivera que sair escondido da última aula e correr antes que James ou Peter o encontrasse e perguntassem para onde ele estava indo àquela hora da noite — pelo menos não tivera que se preocupar com o zumbi Remus que não fazia nada se não parar em um canto e suspirar de tristeza. Nada que tivesse acontecido na vida de Agatha podia lhe parecer tão ruim para que ele não arranjasse um jeito de convencê-la a voltar com o amigo. Ele faria todo o possível.
Conforme foi chegando para perto do lago, percebeu que Agatha estava em pé perto da beirada, olhando fixamente para a lua que nascia no céu. Nem ao menos um músculo dela se mexia, nem mesmo para olhar quem estava se aproximando dela. Deveria estar certa demais de que era ele.
— Oi? — ele cumprimentou, vendo como ela estava distraída.
— Falta uma semana e meia para a lua cheia — ela alegou.
— Sim... — Sirius respondeu, franzindo a sobrancelha. Agatha parecia estar ficando meio maluca...
— A reunião dos comensais é daqui a uma semana e meia.
Com toda aquela confusão ele havia quase se esquecido daquele detalhe super importante. O que eles fariam àquela noite? Remus não podia ficar sozinho, mas eles também tinham que dar um jeito de pegar os alunos que estavam loucos para acabar com Remus por perceberem que ele era um lobisomem.
— Caramba! — exclamou ele, batendo a mão na cabeça — O que agente vai fazer?
— Não sei... — suspirou ela, pensativa — Mas... Acho que não estamos aqui para falar sobre isso, não?
Ainda bem que ela lembrava o que ele estava tão curioso para saber, isso lhe pouparia tempo e palavras certas (algo que ele não era muito bom) para convencê-la a contar.
Ele esperou que ela começasse a falar, mas o silêncio se prosseguiu incomodamente. Ele continuava a fitá-la, sem desviar os olhos, mas isso também não estava a estimulando a prosseguir, já estava começando a ficar impaciente com aquela demora toda.
— Então? — perguntou nervoso.
— Desculpe... — ela riu, olhando para o chão — Não sei... Como contar isso para alguém. Nunca contei sobre isso para ninguém! Haha.
— Fala sério?
— Sim. Meu passado é um mistério até para a Eliza — ela deu uma risadinha triste — Não tenho coragem de falar com ninguém sobre isso. As memórias... Me trazem lembranças tristes demais... Não acho também que seja conveniente.
— Você não precisa falar se não quiser — disse ele, colocando uma mão sobre seu ombro, desejando que ela realmente não o escutasse. Ele realmente queria saber o porquê de ela não estar com Remus, mas de alguma forma, agora ele conseguia acreditar que aquilo não era uma "escolha dela". Era algo que ela realmente temia demais por um motivo aparente.
— Está bem — ela riu, dando uma longa respirada — Quando eu era criança, tinha quatro anos de idade, meu pai passava muito tempo fora. Eu sempre ficava em casa com minha mãe, ela era gentil, alegre e estava sempre fazendo brincadeiras felizes, me pegando em seus braços e girando. Parecia que eu voava quando ela fazia isso, era o que eu mais gostava que ela fizesse em todo o mundo. Eu me pareço demais com o modo como ela era naquela época, tão feliz, sempre sorrindo. Nada parecia afetá-la, seu sorriso era tão perfeito e radiante...!
"Já meu pai, ele era um pouco menos animado e exaltado como ela, mas... Eu sei que não é uma boa comparação nesse momento, mas ele era parecido com Remus. O modo como Remus sorri, era o modo como ele sorria. Ele estava sempre cuidando de mim com um cuidado que minha mãe às vezes parecia não ter, devido ao seu jeito extremamente desastrado como o meu. O tempo corria devagar quando meu pai saia em trabalhos como um auror e passava semanas fora, mas sempre que ele voltava, a comida era sempre ainda mais gostosa do que normalmente. Eu vivia em um paraíso.
"Entretanto, um dia uma coruja entrou na sala voando. Lembro-me até hoje que era uma enorme coruja negra que refletia exatamente o tipo de notícias que ela estava trazendo. Minha mãe pareceu perceber isso na mesma hora, já que seus olhos se arregalaram de horror quando avistou a coruja. Ela estendeu suas mãos trêmulas e pegou a carta nas mãos, quase não conseguindo abrir o selo por tremer demais.
"Como qualquer criança, eu assistia infantilmente aquela mudança de comportamento e inclinava a cabeça de lado, tentando entender o que é que estava acontecendo na minha frente, mas a única coisa que podia ver eram as lágrimas escorrerem como cachoeiras dos olhos dela enquanto seu rosto se tornava cada vez mais pálido e seus lábios ficavam roxos, começando até a bater os dentes.
"Eu perguntei: 'Mamãe, o que aconteceu? ', mas ela não respondia, continuava a encarar a carta como se fosse seu presságio de morte e de repente ela estava debruçada sobre a mesa soluçando tão alto que a vizinhança inteira poderia ouvir o seu choro. Como qualquer criança, eu não sabia o que fazer e não entendia o que acontecia bem a minha frente. Olhava-a triste, mas não conseguia pensar no que fazer.
"Passaram-se algumas horas enquanto ela chorava, e eu me recusaria a deixar seu lado mesmo que Voldemort entrasse com um 'Avada Kedrava' naquele momento. Foi então que ela se levantou de repente, enxugou rápido suas lágrimas e pegou meu braço, puxando-me com hostilidade para que eu a seguisse. A força com que ela apertava meu pulso era muito grande, mas eu não abria minha boca para reclamar ou questionar. Sabia que tudo estava ruim demais sem minhas reclamações.
"Fomos para um hospital, onde eu vi pela primeira vez uma imagem que me aterrorizou. Meu pai estava deitado em uma cama com seu rosto todo arranhado e bem eu seu pescoço, eu via a marca de uma mandíbula enorme que havia sido fechada com toda a força em sua pele clara como a minha. Mesmo eu, tão pequena como era, sabia que aquilo significava algo ruim, não sabia exatamente o que significava realmente, mas achava que iria perder meu pai... Por sorte, ou talvez por azar, não o perdi.
"Naquela noite, minha mãe chorou demais sobre seu corpo e não disse uma única palavra para mim. Era como se de repente, eu não existisse mais...
— Essa marca-?
— Já deve ter adivinhado, não é mesmo? — Agatha o interrompeu com uma pergunta, percebendo o grande choque que havia em seus olhos — Mas não é apenas isso...
"O tempo se passou e todos os dias minha mãe ia ao hospital e me deixava na casa de minha avó para que eu não tivesse que acompanhá-la. Seu sorriso radiante desapareceu. Ela não era mais desastrada, se tornara metódica. Tudo tinha que estar no lugar e tudo tinha que ser perfeito. Não era mais a mesma pessoa...
"Quando meu pai finalmente saiu do hospital, mais ou menos duas semanas depois, nós nos mudamos de casa. Tive que dizer adeus para todas as pessoas que eu gostava e que moravam naquela vila, e quando vi qual era a minha nova casa, senti meu estômago desmoronar. Parecia que eu estava olhando para uma casa mal-assombrada das piores histórias de terror. Era de madeira meio antiga, tinha uma pintura cinza que começava a descascar e o quintal era cheio árvores quase mortas e sem folhas. Não havia nada verde e bonito em nenhum lugar do jardim. Era um mundo triste de qualquer aspecto que você olhasse, mas eu ainda tinha minha mãe e meu pai, alegres e sorridentes ao meu lado. Pelo menos era isso que eu achava...
"Depois que a casa inteira estava arrumada, eu finalmente tive um tempo para conversar com meu pai, e eu resmunguei com toda a sinceridade: 'Não gosto desse lugar'. Seus olhos se cerraram levemente com tristeza e pude ver que ele estava quase a beira das lágrimas enquanto olhava docemente para mim: 'Desculpe, papai não tem mais... Condições de morar entre as pessoas e esse era o único local para o qual podíamos vir'.
"Eu não conseguia entender o que ele queria dizer, então continuava a fitá-lo em busca de alguma explicação. Vendo meu desentendimento ele continuou: 'Mamãe não te contou? '. Eu balancei a cabeça negativamente. 'Ela... Deveria ter te contado a verdade' ele reprovou, não fazendo esforços para esconder sua tristeza 'Quando papai... Estava na última missão dele, acabou tendo um pequeno "probleminha"'.
Os olhos de Agatha se enchiam de lágrimas agora e Sirius, percebendo de alguma forma a burrada que havia cometido durante a manhã, passou seu braço sobre seu ombro a fim de consolá-la.
— Eu nunca poderia me esquecer como ele se esforçava para se manter inteiro perto de mim. Estava tão triste! Tão acabado! Ele continuou a falar, tentando escolher bem as palavras para que uma criança de cinco anos pudesse entender e não ficasse repentinamente desesperada: 'Papai esteve lutando com um grande lobo gigante, um lobo muito assustador, quando esse lobo mordeu o papai. Sabe... Esses... Esses... Esses lobos são... São aquelas criaturas que você vê em livros. Aqueles monstros que se chamam lobisomens'. Infantilmente, quando o ouvi falando aquilo, me afastei um pouco dele no sofá, olhando-o com muito medo, então ele continuou a dizer desesperadamente: 'Mas não se preocupe porque eu jamais irei te machucar! Essas transformações só ocorrem na lua cheia e eu farei de tudo para que você e sua mãe não se machuquem'. Ele havia perdido todo o seu tom paternal, agora falava realmente como um adulto, não usando mais a terceira pessoa e as palavras 'papai' e 'mamãe' para se referir a eles mesmos. Estava tão desesperado que não pensava mais em falar tudo com cuidado para a pequena filha de cinco anos...
"A primeira lua cheia se passou como um pesadelo. Minha mãe se recusou a deixar que meu pai saísse sozinho porque ele poderia machucar outras pessoas ou até mesmo se machucar, então ela acabou criando uma idéia de colocá-lo em um tipo de celeiro dotado de magia para que ele não escapasse. Ela ficava de guarda a noite inteira... Eu não olhava, não sabia se o celeiro tremia, não sabia se ela ficava na porta ou em qualquer outro lugar. Ouvia os barulhos de batidas contras as paredes de madeira e os uivos altos em pequenos intervalos de tempo. E em meio a isso tudo, eu ficava sozinha, encolhida em minha cama gelada e dura, tremendo de medo e de frio. Eu sonhava em poder abraçar alguém, abraçar minha mãe ou meu pai para que eles me protegessem de todo aquele perigo, mas aqueles que eu queria que me protegessem eram aquele que eu deveria temer e aquela que cuidava para que eu não tivesse realmente que temer aquilo.
"Até os meus oito anos, vivi assim e em todo o tempo, tive que aprender a viver com a falta de minha mãe. Ela estava praticamente morta... A depressão a tornara um tipo de um zumbi. De alguma forma que eu não sabia qual, ela continuava com ele mesmo em meio a tudo aquilo, mas sempre que ele tentava conversar com ela, ela o ignorava e o cortava, e sempre que eu tentava, a mesma coisa acontecia. Eu só tinha ao lobo assustador para me consolar, mas não era difícil. Apesar de eu saber que os uivos e tudo aquilo eram culpa dele, eu nunca havia visto como ele era transformado, portanto não havia realmente o que temer.
"Entretanto, naquela mesma idade, algo ruim havia começado a acontecer. Minha mãe estava ficando com a saúde muito fraca devido a uma má alimentação, a falta de sono e a infelicidade, o que causara um grave problema. Ela desmaiava direto, mal conseguia sair da cama muitas vezes, mas insistia em sempre proteger o celeiro para que meu pai não escapasse.
"Uma noite, enquanto eu estava acordada, encolhida contra minha cama, percebi que algo diferente havia acontecido. Com um baque surdo, a porta do celeiro havia arrebentado. Eu não olhei pela janela, com o alto grito que minha mãe soltara, corri imediatamente escada abaixo para ver o que havia acontecido, sendo irresponsável ao ponto de não pensar que aquilo poderia causar minha própria morte... Mas... Infelizmente... Isso não... Aconteceu...
Agatha abaixou sua cabeça e abraçou Sirius com tanta força que ele poderia jurar que já estava ouvindo suas costelas começarem a se partir. Não sabia que aquela figura magra, baixinha e frágil podia ter tanta força física assim!
Ela estava soluçando alto e suas lágrimas eram tantas que Sirius podia sentir o tecido de sua roupa começando a ficar completamente encharcado. Não podia deixar que uma menina chorasse tanto assim em sua frente! Mas também não sabia o que dizer para confortá-la. Remus saberia confortá-la, ele era o único que podia entender toda aquela coisa de lobisomem. Sirius sabia o que era um lobisomem, mas não sabia o que era um pai lobisomem e qualquer coisa assim... Não sabia como fazer para confortar Agatha...
— Você não... Precisa continuar se não quiser — disse ele, não conseguindo encontrar outras palavras — Eu não sei o que é sua dor, mas sei que... Isso é forte demais. Posso entender porque tanto medo!
— Não... — disse Agatha, tentando engolir os soluços — Isso não é nem de perto o pior...
— Como assim? — de novo foi pego de surpresa e não conseguiu conter a exclamação de curiosidade que soltou imediatamente. Não, ele não podia deixar que ela contasse porque ela choraria mais! — Agatha, eu entendo... Não brigarei com você, você não precisa continuar.
— Eu preciso... Dizer... — disse ela, engolindo as lágrimas e soltando-o do abraço finalmente para secar as lágrimas e olhar para o chão por algum tempo — Sei que posso confiar em você.
Ou seja, nada de verdade para Remus... Sirius logo pressupôs.
— Só não se force.
— Não estou — riu ela bem baixinho — Não sabia que era tão bom desabafar... Sabe que a Justine tinha razão? Eu tenho que começar a fazer isso mais vezes!
Pelo menos agora ela estava começando a fazer piadinhas da própria condição. Talvez o pior já tivesse passado para ela... Quer dizer, não da história pelo visto, mas da condição psicológica...
— Então... Como eu ia dizendo... Eu desci e sem pensar duas vezes, escancarei a porta e me dei de cara com o grande jardim escuro e sem vida. De repente, o lugar era o mais perfeito filme de terror... Bem embaixo da árvore sem vida, havia um monstro estranho que lembrava um lobo e embaixo dele... A pior lembrança que eu algum dia poderia ter. Lá estava deitada a minha mãe toda coberta de sangue de uma cor tão intensa quanto seus cabelos cor de cereja como os meus.
Sirius parou de respirar quando ouviu aquela frase. Não podia ser aquela a maneira que a mãe de Agatha havia morrido! Era... Triste demais... Nas "mãos" do próprio... Marido.
— Eu fiquei paralisada olhando para o monstro e para minha mãe. Não demorou muito para que ele percebesse que havia outro humano vivo a "sua espera". Ele olhou para mim com seus olhos assustadores e a boca aberta, mostrando seus gigantescos dentes brancos e pontiagudos e disparou em minha direção. Não fiquei paralisada de medo como sempre acontece em todos os filmes, naquele momento, eu disparei rápido para dentro e, ao invés de subir a escada, lembrei-me de um calabouço que havia naquele mesmo recinto. Procurei rápido com os olhos pelo chão e por fim encontrei a alça que abria o alçapão e a puxei muito rápido, vendo que o monstro estava quase em cima de mim. Na hora que eu fechei, prendi a ponta de seu focinho e ele choramingou alto antes de dar outro uivo assustador. Eu tranquei todo o tipo de chaves que havia na porta do alçapão e depois desci correndo as escadas, encontrando um lugar perfeito para me abrigar. Bem ali havia um armário preto de madeira bem grossa. Enfiei-me lá dentro, tremendo de medo, e lá fiquei a noite inteira.
"Enquanto a noite passava, eu ouvia o lobo do lado de fora uivar e tentar desesperadamente encontrar uma forma para abrir o alçapão, mas não conseguia. Não pareceram durar apenas horas, pareceram durar dias ou até meses até que o sol raiasse. Para ajudar, não tinha relógio e não tinha luz do dia naquele alçapão, portanto nenhum sinal da chegada do dia poderia me ascender uma lâmpada de esperança. Era como se o mundo fosse acabar comigo dentro daquele armário escuro e assustador, ouvindo os uivos medonhos e ensurdecedores do lado de fora do alçapão.
"Só pude ver que a manhã havia chegado quando ouvi um grito alto do jardim. Um grito de um homem. O grito que eu sabia que pertencia ao meu pai. Abri a porta, ainda trêmula e cheia de medo e corri escada acima, finalmente destrancando o alçapão e olhando a minha volta com toda a atenção que eu podia. Era como se o lobo fosse pular em cima de mim a qualquer momento. Eu sentia como se ele fosse aparecer do nada e me destruir, do mesmo modo como havia destruído... Minha mãe. Aquele foi... O pior dia de minha vida...
"No jardim, meu pai chorava sobre o corpo sem vida de minha mãe. Quando me aproximei, ele percebeu o ruído baixo das folhas secas do jardim e me olhou de um modo que me faz sentir meu coração doer até hoje. Ele estava tão aliviado por me ver ali, porém ao mesmo tempo tão triste que não havia santo no mundo que pudesse consolá-lo. Ele me abraçou com força e chorou no meu ombro, esquecendo-se completamente que eu era uma criança de oito anos. Lembro-me como ele sussurrou em seu desespero, fazendo-me prometer que jamais me aproximaria de outro lobisomem, pois ele não suportaria me perder. Ele não suportaria toda essa dor para mim... Naquele momento foi como se ele esquece completamente que era eu quem deveria chorar em seu ombro quando algo ruim acontecia. Naquele momento eu vi que, apesar de minha idade, eu que deveria proteger a sua fraqueza... Eu tinha que sorrir. Eu tinha que fazer o máximo de mim para que a vida parecesse boa. Aquela poderia ser a única maneira de fazê-lo feliz... Como pode ver, aprendi muito bem o que é ser feliz. Agora já não sei mais quando meu sorriso é realmente verdadeiro. Às vezes, parece que sorriu para os outros, não sorriu para mim. Não sorriu porque sou feliz...
"Depois daquele dia, todas as luas cheias passava sempre a mesma desesperança e revivia a mesma noite enquanto estava trancada dentro daquele mesmo armário naquele mesmo alçapão. Sentia sempre o mesmo medo de que ele me encontrasse. Sentia sempre o mesmo medo de que o dia nunca mais fosse chegar. Quando a carta de Hogwarts chegou, nunca poderia imaginar como meu coração se explodiu de alegria. Eu iria para longe! Eu não estaria mais perto dele em todas as luas cheias! Eu poderia ser feliz de verdade! De alguma forma, eu sei que nunca, mesmo aqui, pude dormir em uma lua cheia por causa dos uivos... Mas nenhum daqueles uivos me trazia metade do sentimento de quando eu sabia que era meu pai sobre o alçapão desejando me matar sem ter a consciência de que eu era a sua filha e de que não deveria me matar. Porque eu sei que lobisomens não são mais quem são quando a lua sobe. E eu sei que sua dor é muito maior do que a minha.
A história finalmente havia acabado. Sirius a olhava, sem palavras. Agatha não podia ter passado por tudo aquilo! Não ela!
— Isso parece muito irreal, não? — ela riu, sem humor — É minha vida. Todas as partes mais tristes da minha vida. Quando eu disse a Remus que não podemos ficar juntos, eu falei isso porque sei o que aconteceu com um casal que quis ser feliz mesmo com esse problema, passando por cima desse problema como se fosse qualquer outro problema, e sei o que isso acarretou a eles. Minha mãe está morta e meu pai numa constante tristeza. Eu sei que ele finge que sorri quando olha para mim. Desde que minha mãe morreu, seu sorriso se tornou algo tão fosco... Quando olha para mim, ele vê minha mãe, porque eu pareço com ela. Meus olhos e meus cabelos são exatamente da mesma cor dos dela. Eu sempre o faço se lembrar da pessoa que ele matou e que jamais poderá se perdoar por não ter mais perto de si. Ele sente que no fundo eu o culpo pela morte dela. Não importa o que eu faça, ele não acredita que eu não o odeie. Ele é infeliz, extremamente infeliz. Você iria querer isso para Remus se estivesse em meu lugar? Com o que sou, você acha que seria possível? Não seria. Nem para uma pessoa saudável seria possível.
— Não tem como dizer para você esquecer isso e ser feliz... Com Remus — disse Sirius, mordendo os lábios — Queria tanto te dizer para dar-lhe uma chance, mas... Sei que pode ser impossível.
— Sim... — ela confirmou tristemente — Mas não é impossível que eu seja sua amiga. Eu sei que estou errando também. Como você disse: "Amizade não alteraria em nada sua vida!", entretanto no momento é impossível para eu ficar perto dele sem que eu possa começar a chorar. É impossível ser apenas sua amiga quando meu coração bate tão forte apenas ao pensar seu nome e minha mente se embaralha toda ao ver a intensidade do brilho de seus olhos. E dói ainda mais saber que tudo que eu sinto por ele, é devolvido da mesma forma para mim e eu não posso viver apenas com isso. Porque a algo mais que o destino pôs no caminho para nos separar...
Ela olhou para ele, como se esperasse que ele dissesse alguma coisa, mas como não respondia, continuou:
— Eu sou mesmo uma covarde, sei disso muito bem. Mas meu medo é apenas algo impossível para mim de solucionar. Não posso quebrar minha promessa, não posso fazê-lo mais triste. Eu prometi a mim mesma fazê-lo feliz quando tudo de ruim está acontecendo. Ele precisa sorrir... Precisa que sua vida seja pelo menos um pouco menos insuportável.
— Não é uma covarde... — repreendeu Sirius, finalmente encontrando um lugar onde ele poderia dizer alguma coisa — Agatha, sorrir quando não pode apenas para fazer com que os outros sejam felizes é um ato de nobreza. Ficar ao lado de seu pai mesmo quando sua vida se torna tão infeliz é muita coragem. Você teria alternativas se não quisesse conviver com ele. Mesmo que fosse parar em qualquer outro lugar, o Ministério daria um jeito. A responsabilidade era de certa forma deles por ele ser assim! Pelo menos ajudar a filha desamparada não seria um problema realmente muito grande para eles.
— Mas mesmo assim...
— Não, você não pode se culpar por tudo! — exclamou Sirius — Agatha, você foi forte até hoje... Deve ter sido muito difícil.
— Não vou mentir dizendo que tudo estava bem, realmente foi muito difícil, entretanto... Isso já passou. Só tenho que lidar com isso durante as férias de verão e realmente não me incomoda por ser tão pouco tempo, portanto... Minha vida já melhorou — disse ela, respirando fundo — Mas esquecer tudo e ficar com Remus... Eu queria tanto ser capaz! Queria tanto ser capaz de ser feliz com ele, entretanto... Estar junto dele... Não seria a mesma coisa que voltar a ter de passar todas aquelas noites escuras das quais eu consegui fugir até hoje? Talvez... A promessa seja apenas a minha desculpa... Você não me odeia por saber disso? E se for uma desculpa?
— Que seja uma desculpa, eu estarei do seu lado. Do mesmo modo como eu amparei o Remus, agora eu amparo você.
— Sirius... — ela sorriu, seus olhos brilhando de felicidade — Você é o melhor amigo que eu poderia ter.
— Não, tem melhores, aqueles que não tentam te sufocar no fim da aula de adivinhação.
Agatha riu e, mordendo os lábios, olhou para o céu, onde a lua pairava sobre suas cabeças, as lágrimas brilhando como pedras preciosas conforme desciam por seu rosto.
— Queria tanto ser corajosa o bastante... Para ter coragem de amá-lo.
— Talvez esse dia ainda chegue — disse Sirius, passando seu braço pelos ombros dela, para consolá-la.
— Eu duvido que esteja certo, mas seria muito feliz, não? — ela riu, fazendo piada de si mesma, então se lembrou do porque aquela conversa havia acontecido — Então sua raiva passou mesmo?
— Se eu ainda estivesse com raiva, acho que você é quem estaria com o motivo para brigar comigo dessa vez.
— Isso é muito bom... — disse ela, bem baixinho, mais para si mesma do que para Sirius — E sabe — continuou ela — eu sei que é muito estranho eu dizer isso, mas... Dê-me um tempo antes de brigar comigo de novo. Eu só preciso processar a informação. Eu farei de tudo para ser uma ótima amiga.
"Isso não deveria ter que ser assim..." pensou ele tristemente, mas o que ele podia fazer afinal?
— Porque não conta a ele a verdade?
— Eu não conseguiria... — disse ela, fechando os olhos — E também... Não acha que seria triste demais para ele ouvir algo assim? Um lobisomem... Já costuma se considerar um monstro...
— Eu não tinha pensado nisso.
— Antes de fazer algo, tento pensar em todos os lados e conseqüências para que nada fique pior... Ah!
— O que foi? — perguntou ele, fitando a expressão de choque dela.
— Esqueci de contar algo... — disse ela, trincando os dentes — Acredita que a pessoa que transformou Remus foi... A mesma que transformou meu pai?
— Está falando sério? — perguntou Sirius, arrasado — Qual era o nome dele mesmo?
— Fenrir Greyback. Eu juro por tudo que é mais sagrado que se algum dia encontrá-lo, eu irei acabar com ele usando esse par de mãos.
— Você é vingativa.
— Ele acabou com minha vida — disse ela, com os olhos brilhando com uma raiva incontrolável — Em todos os sentidos.
Uma brisa fria começou a soprar e Sirius sentiu que se continuassem ali, poderiam acabar congelando e aquela conversa poderia começar a tomar um rumo que ele não estava com muita vontade de ouvir. Conversar sobre vinganças nunca parecia algo muito convidativo... A não ser que fossem apenas para brincadeiras bobas de crianças, não para problemas graves que aconteceram de alguém. Agatha tinha todos os motivos pensáveis e até impensáveis para querer acabar com a vida daquele lobisomem.
— Que tal... Se subirmos? — sugeriu, olhando com cautela para ela, tendo medo que ela pudesse acabar explodindo.
— Ótima idéia — ela deu de ombros, fazendo de tudo para esconder o ódio que ela visivelmente tentava esconder por trás de uma expressão serena, mas não obtinha muito êxito dessa vez.
Ele colocou a mão atrás das costas dela e a conduziu pelo caminho de volta para o castelo. Foi só na metade do caminho que ela voltou a abrir a boca, dessa vez soltando uma exclamação assustada:
— Esqueci minhas coisas!
— Droga, lá no gramado? — reclamou ele, batendo a mão na testa — Droga Agatha, não dá para ser menos descuidada?
Ela ficou visivelmente vermelha e deu um passinho para trás, evitando olhar para a cara dele.
— Vou buscar.
— Não tem problema se deixar para amanhã-
— Tem problema sim! Pode acontecer sabe lá deus o que com minhas coisas! — ela retrucou emburrada — Não precisa vir comigo — complementou — É até melhor, porque se eles o virem entrando comigo, acabará sendo uma situação desagradável. Você... Acabará tendo que contar porque não está mais bravo comigo e eles vão fazer de tudo para que conte o que contei para você...
— Tem razão... — pensou ele — Então, te vejo logo.
Agatha desceu rápido pela escadaria e logo que pegou suas coisas, correu o mais rápido que pôde para o dormitório, com medo que alguém pudesse pegá-la fora do salão comunal fora de hora. Ela não era uma aluna exemplar, mas fazia sempre de tudo para cumprir as regras.
— Aonde vai correndo com tanta pressa a essa hora? — ela ouviu a voz de um homem irrompendo um pouco atrás dela e se virou rapidamente, com medo de que fosse o Sr. Filch ou algum professor.
Tivera ela essa sorte...
— Finalmente encontrei o momento para acabar com você, garotinha lobo — riu o sonserino, o líder do grupo que Remus havia visto ameaçando o capitão de quadribol no outro dia.
Vários feitiços a atingiam, ela se contorcia de dor no chão. Seu sangue formava uma grande poça e ela já não sabia de qual das inúmeras partes do corpo machucado que ele estava escorrendo. Por mais que tentasse se levantar para lutar, não havia nada que conseguisse fazer. Estava fraca... Uma fraca e indefesa a mercê das risadas maníacas e do desejo obsessivo por sangue daquele psicopata. Não importava... Não importava a dor... Ela queria gritar, mas suas cordas vocais foram silenciadas. Tentava com desespero, mas não conseguia... Só não queria morrer...
O medo a consumiu quando aos poucos sua consciência foi sendo roubada por uma confortável sonolência e por mais que quisesse manter seus olhos abertos, era impossível. De alguma maneira, ela já sabia que iria morrer... Só não podia aceitar. Enfim, foi inevitável lutar contra a profunda escuridão que a consumia.
"Papai, me desculpe, sou fraca... Sou fraca e não fui capaz de lutar contra aquele que tirou minha vida. Sou fraca a ponto de não ter conseguido tempo para sacar minha varinha... Quero encontrar mamãe... Mas não queria ter que morrer para isso. Tenho coisas importantes para tratar nesse mundo... Por uma última vez, queria ser capaz de poder ter visto o sorriso de Remus, minha mais brilhante e perfeita lembrança... Por uma última vez sentir seu calor tão importante para mim. E viver com a perfeita esperança de que algum dia seria capaz de vencer meu medo e viver ao lado dele para sempre... Talvez eu só precisasse de seu incentivo, dizendo que tudo poderia ser diferente... Agora nada mais importa.".
Fim do capítulo 23
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