Gente, obrigada pelos comentários! Algumas pessoas estão me perguntando por que não conseguem postar novos comentários. Sinceramente, não sei a resposta. Sou usuária nova e não domino as funcionalidades do site. Mas saber que vocês estão gostando já me deixa muito feliz.
Ao saírem do elevador, Castle já estava suficientemente satisfeito com o efeito que suas palavras surtiram sobre Kate. Seus ombros tensos e a pele de seu rosto levemente rosada denunciavam o seu constrangimento. Sorriu levemente e, oferecendo seu braço, mudou de assunto. Caminharam por vários minutos de braços dados, rindo, brincando um com o outro e experimentando cada sensação gerada pelo potencial aumento da intimidade entre ambos. Cruzaram os caminhos do Central Park conversando sobre tudo: música, política, programas de TV, animais de estimação, ovni, os problemas da sociedade atual, planos para o futuro. Todos os assuntos eram prazerosos e os dois se sentiam relaxados e à vontade pelo simples fato de estarem gastando tempo juntos sem que a situação envolvesse corpos, perseguições e interrogatórios.
Beckett prestava atenção à forma como Castle falava com entusiasmo sobre tudo e admirava a visão positiva que ele dava a todas as questões. Ela sorria enquanto admirava a pele clara de seu pescoço refletindo suaves raios de Sol e a forma como gesticulava, sempre empolgado pelo seu ponto de vista e pelas histórias que inventava na hora.
Pararam lado a lado para descansar no meio de uma pequena ponte decorativa e apreciaram alguns momentos de silêncio assistindo a dinâmica das famílias que passeavam pelo parque. Crianças correndo atrás de bolas, cachorros correndo atrás de crianças, jovens casais correndo atrás de seus cachorros.
"É uma bagunça tão harmoniosa." Falou Beckett olhando para o infinito.
"Família?" – completou Castle. – "Sim, é a melhor bagunça do mundo."
Um traço de angústia passou pelo rosto de Beckett, que permaneceu em silêncio.
Percebendo a situação, Castle levou sua mão ao ombro de Kate querendo encorajá-la:
"Ei, que cara é essa? Você também vai ter a sua família, com filhos, bolas, cachorro e o que mais quiser. E tenho certeza que será uma mãe maravilhosa e vai matar de inveja todas as outras mães nas reuniões da escola."
Ela riu encostando sua cabeça lateralmente no ombro dele.
"Obrigada. Isso foi muito fofo. Mas como vou construir essa família, se nem um namorado eu consigo manter por um tempo decente? Se pelo menos não existisse esse muro dentro de mim..."
Castle aproximou um pouco mais aquilo que já era um abraço e acariciou delicadamente os cabelos de Kate.
"Existem muros que só a paciência derruba e pontes que só o carinho constrói."
Imediatamente, ela levantou o queixo olhando-o nos olhos e perguntou admirada:
"Que lindo! É outra frase do seu livro?"
"Na verdade, eu li em uma caixa de cereais." – Respondeu ele sorrindo e ganhando em troca um tapinha no ombro.
O tempo passou sem que eles percebessem e o Sol já começava a se pôr quando lembraram que haviam passado a tarde toda comendo besteiras na rua e precisavam de uma boa refeição.
Beckett se apressou em convocar Castle para jantar:
"Muito bem, esse dia está sendo maravilhoso e preparar o seu jantar é o mínimo que posso fazer depois de tudo isso. Chega de pipoca e cachorro-quente por enquanto! Eu sei que já disse isso antes, mas obrigada novamente por ter tomado conta de mim na noite passada."
Castle apenas sorriu e balançou a cabeça positivamente, mas, na verdade, não tinha ouvido mais nada que ela disse depois de 'maravilhoso'. Apenas ficou parado em sua frente, piscando os olhos, feliz pela forma como as coisas estavam se encaminhando e desejando que cada minuto se arrastasse ao máximo para que aquele dia não acabasse nunca.
Voltaram por um caminho diferente, pois Castle dizia conhecer um lugar ótimo onde eles poderiam comprar os ingredientes do jantar. Quando entraram na loja, o aroma de especiarias os envolveu e eles passearam pelos corredores tocando e cheirando as ervas, temperos e acompanhamentos.
"Ei, veja só quem é a criança correndo pela loja de doces agora!" – provocou Castle enquanto escolhia um ingrediente para o molho.
Kate não respondeu, apenas olhou para trás com um sorriso que fez Rick suspirar. Girou seu corpo na direção do escritor e largou alguns itens no cesto de compras que ele carregava.
"Suponho que você queira escolher um bom vinho. Não pegue nada muito forte." – disse ela baixando o olhar, lembrando-se da bebedeira da noite anterior.
Castle se apressou em dar um passo a frente, tocando delicadamente o queixo dela com as costas de seus dedos, fazendo-a erguer a cabeça e olhá-lo nos olhos.
"Esqueça isso, ok? Eu estou aqui agora." – ele disse, sabendo exatamente o motivo pelo qual a tristeza apagou temporariamente o brilho daquele sorriso.
Beckett forçou uma expressão alegre, segurando a mão com a qual Castle tocava seu rosto, baixando-a vagarosamente.
"Eu sei." Respondeu enquanto seu sorriso ia se tornando mais verdadeiro. Apenas o dono da loja, um senhor na faixa de seus sessenta anos, percebeu que aqueles dois ficaram ali parados no corredor dos queijos de mãos dadas, conversando baixinho, com uma placa escrito 'apaixonados' colada bem no meio de suas testas.
Quando eles chegaram ao caixa, o homem tentou ser simpático:
"Linda noite para um jantar romântico! Encontraram tudo o que precisavam?"
"Não é um jantar romântico!" – Beckett se apressou em esclarecer. "Mas, sim, temos tudo o que vamos precisar. A sua loja é um encanto."
"Obrigado." – respondeu o senhor lançando um olhar discreto sobre Castle e, percebendo sua inquietação, aconselhou Kate: "Lembre-se que há o tempo exato. Nem antes, nem depois. Encontre o tempo exato e você terá uma experiência inesquecível. Deixe passar o tempo e será tarde demais para consertar."
Como os olhos de Beckett pareciam prontos a pular de suas órbitas, o homem lançou seu olhar para o pacote sobre o balcão, no que ela prontamente respondeu:
"A massa. Sim, acho que sei qual o tempo certo para a massa. Mas obrigada."
Castle apanhou os pacotes, pagou a conta e saiu conduzindo Kate pela cintura. Ao sentir seu toque ela arqueou a espinha e saltou para frente, olhando para trás para ter certeza se o proprietário da loja havia notado aquela reação. Ela não tinha exatamente certeza de porque reagiu dessa forma, mas instintivamente, se pegou refletindo sobre o que ele havia dito.
'Acho que já estamos no tempo certo. Eu poderia parar aqui nessa calçada e beijá-lo. Não, Kate, você não pode agir como uma adolescente. Por que não? Além do mais, isso seria agir como adulta: eu quero beijar Richard Castle. Simples, basta fazer isso e pronto.' Lá estavam as várias Kates discutindo em sua mente, quando esse último pensamento a fez ter um sobressalto. 'Eu quero beijar Richard Castle' – ela nunca havia sido tão sincera quanto a suas vontades, nem em pensamento. Seguindo seu raciocínio lógico, ficou ruborizada ao trazer à luz tudo o que ela tinha vontade de fazer com Castle e que nunca se permitiu admitir.
Eles seguiam caminhando lado a lado em silêncio, pois Richard também estava absorto em seus próprios diálogos internos.
'Ok, vamos juntar as pontas, a mocinha lhe chama para cuidar dela no meio da noite, lhe deixa preparar seu café, quase lhe beija no meio da cozinha, depois os dois passam a tarde juntos e, não sendo o suficiente, ela ainda quer preparar um jantar pra você. Meu Deus, Rick! Ela também quer! É isso!'
"-É isso o quê?" – perguntou Beckett.
Castle a olhou desconfiado sem lembrar qual parte ele tinha apenas pensado e qual havia falado. Vendo sua cara de menino que quebrou a vidraça, Beckett repetiu a pergunta com um pouco mais de paciência:
"Estávamos caminhando em silêncio quando você me disse que 'é isso' e eu não entendi o que você quis dizer."
"Ah, pensando alto, apenas. Foi tudo o que eu disse, não foi?"
Mesmo achando aquilo estranho, Kate mudou o assunto da conversa e tentou falar de amenidades, truques culinários ou sobre o clima. A lua estava especialmente bonita e, avistá-la no céu, os fez perceber que o dia havia ido embora e a noite que começava parecia ter um brilho diferente das outras.
Chegaram ao apartamento de Beckett e Castle já estava escolhendo panelas e acessórios quando Kate o expulsou da cozinha dizendo que ele só tinha permissão para voltar quando o aroma estivesse irresistível. O escritor sentiu vontade de dizer que seu perfume era quase um atentado ao pudor, mas baixou os olhos tentando evitar que ela percebesse o sentido que ele havia atribuído àquela declaração.
Beckett, que manteve a pose até que ele fosse para a sala de estar, soltou a respiração com força e, passando a mão na testa, pegou seu telefone e clicou em um dos números de discagem rápida. Enquanto tratava de desembrulhar os ingredientes e organizar seus utensílios, aproveitou para falar um pouco com Lanie.
"Ei, garota! Como vai?"
"Bem, Lanie. Quer dizer, acho que estou um pouco confusa..."
"Quer conversar? Vamos sair pra jantar! Tem um lugar novo..." Lanie foi interrompida pela amiga:
"Não, eu já estou cozinhando. É que esse é o problema, eu convidei Castle para jantar."
A amiga nem esperou a outra terminar:
"Já era tempo. Então o que você quer falando comigo? Vá para o seu escritor!"
"Não é nada disso, Lanie! Ele cuidou de mim a noite toda, fez meu café da manhã e eu quis retribuir, só isso."
Houve um silêncio por dois segundos até que a médica voltasse a falar.
"Sei. Vocês estão juntos há quase vinte e quatro horas se devorando com os olhos, que eu sei, nenhum dos dois tomou nenhuma atitude e você não quer ficar confusa?"
"É que tudo o que a gente fala parece ter significados ocultos. Nós passamos uma tarde ótima, mas, de repente o clima ficou tão tenso." Beckett falou já quase se arrependendo de ter ligado pra amiga.
"Ok, garota, pare de sofrer. Vocês dois são adultos, são loucos um pelo outro e essa tensão que existe entre vocês não pode ser cortada nem pelo mais afiado dos meus bisturis."
"Lanie!"
"Não, querida, nada de 'Lanie'. Castle! Castle! É esse nome que você tem que chamar a noite inteira. Agora largue esse telefone e termine com essa confusão que só existe na sua cabeça."
Só deu tempo de ouvir uma risada distante da amiga desligando o telefone, deixando Beckett com o aparelho suspenso no ar e seu olhar envidraçado sob suas sobrancelhas levantadas denunciando que seu pensamento estava em qualquer lugar, menos no spaghetti ao pesto que ela estava preparando.
