Quem disser que a vida é fácil está mentindo, porque não é!
Meu pai sempre me ensinou a me defender da vida e até hoje algumas pessoas reclamam que eu sou meio "moleque". Meu pai diz que a culpa é dele, por ter me criado sozinha, sem uma figura materna pra eu me espelhar, mas eu não acho que isso seja verdade. Michael acredita que é meu mecanismo de defesa, talvez essa hipótese seja verdade ou talvez eu tenha que ser assim.
Eu tive uma mãe, eu conheci minha mãe, mas não me lembro dela. Ela morreu de câncer quando eu tinha mais ou menos um 5 anos de idade. A única coisa que eu tenho dela, são alguns objetos pessoais e umas fotos. Ela era linda!
Meu pai diz que ela era a mais bonita do mundo – agora ele diz isso pra mim – e que ela era uma ótima mãe e esposa, mas perdemos a luta dela.
Moramos no interior do estado do Texas, numa cidade chamada Round Top, se tiver 3 mil pessoas na minha cidade, acho que é muito. Nasci e cresci aqui, mas espero que em breve eu vá embora. Detesto viver aqui.
Me formei em enfermagem na Faculdade de Tyler. Meu pai morre de orgulho, ele não admite, mas sei que morre de orgulho de mim.
Passamos por alguns apertos pra que eu conseguisse fazer faculdade e agora eu estava finalmente me formando. Apenas Michael foi à minha formatura, já que meu pai estava trabalhando. Eu tinha que acordar às 4 da manhã pra ir a Tyler estudar, ficava cerca de 1hora e 20 minutos na estrada até chegar à faculdade. Me pai insistiu pra que eu dividisse um apartamento com alguém em Tyler, mas eu sabia que ele não tinha condições pra isso.
Já disse que ele é caminhoneiro? Pois é, ele é. Quase não para em casa por conta das suas viagens. Quando minha mãe era viva sempre fazíamos essas viagens juntos e depois que ela morreu eu ainda fiz umas com ele, mas meu foco era o colégio. No meu pensamento eu tinha que me formar e sair logo daquela cidade.
Mas aquilo não aconteceu.
Fiquei presa a Round Top por bons anos.
Primeiro foi o colégio, a faculdade e depois Michael.
Michael esteve na minha vida desde que eu me entendo por gente.
Foi meu amigo a vida toda, meu namorado e agora morávamos juntos há cerca de 4 anos, mas estávamos juntos há uns 7 anos. Começamos a namorar ainda no High School com 16 anos. Ele foi meu primeiro tudo, primeiro amor, namorado, transa, separação, traição e etc. Meu pai sempre adorou Mich, mas depois que fomos morar juntos ele passou a odiá-lo, mas ele entendia que morando com Michael eu teria uma companhia e talvez suprisse a falta que ele me faz.
Michael era uma pessoa fácil de lidar. Ele é doce quando quer ser, mas um grosso quando também quer ser. Eu já aprendi a lidar com ele. Fomos morar juntos desde que entramos na faculdade e já morávamos há 4 anos na mesma casa e cada vez mais eu via minha necessidade de sair de Tyler, mas Michael não queria porque estava administrando a fábrica de sapatos do seu pai.
Ele fez faculdade de administração e eu fiz faculdade de Enfermagem, mas meu sonho era medicina. Como não tinha condições, fiz enfermagem pra trabalhar na área e poder fazer medicina. Michael era totalmente contra esse meu desejo.
Na verdade se dependesse dele eu jogaria meus quatro anos na faculdade e todo o investimento do meu pai no ralo, pra poder servir a ele como uma boa esposa tem que fazer, palavra dele.
Eu odiava fazer o serviço de casa! Detestava! Fazia por pura obrigação e porque ainda estava desempregada. Michael não falava, mas eu sabia que ele estava super satisfeito com isso.
Nos últimos anos minha relação com Michael tinha se tornado mecânica, fria demais. Mal nos tacávamos, a não ser durante o sexo, que por sinal só fazíamos quando ele que procurava. Não que eu não quisesse, mas sempre que eu queria ele tinha uma desculpa pra se esquivar.
Eu estava cansada de viver a vida que eu levava em Tyler. Cansada de Michael e suas traições, que ele jurava não fazer. Cansada de ficar em casa sem trabalhar. Cansada de ouvir meu pai reclamar que eu era infeliz e mesmo vivendo com Michael eu era sozinha. E um dia eu cheguei a uma conclusão...ele estava certo.
Eu sentia como se o mundo me chamasse e eu tinha a necessidade de sair dali. Como se tivesse uma coisa grande e melhor esperando por mim, talvez fosse a esperança de um dia ser feliz e me sentir completa.
Meu relacionamento com Michael passou a ser pura conveniência. Pra ele era bom me manter em casa e cuidar de tudo pra ele.
Me sentei na varanda da nossa pequena casa e bebi meu café lentamente.
Lágrimas vieram aos meus olhos ao me lembrar do meu pai. 3 meses sem ver meu velho. Estava morrendo de saudade, acho que nunca tinha passado tanto tempo longe dele. Dessa vez ele foi rodar o país, a carga era grande e ele tinha que parar de estado em estado pra recarregar o caminhão.
Suspirei pensando em como eu estava cansada dessa vida e de quando eu poderia fazer alguma coisa pra mudá-la.
Foi quando o telefone tocou. Sair correndo por achar que era meu pai, mas não era.
Era o telefonema que poderia mudar minha vida pra sempre.
E mudou!
