Consegui pegar um táxi e em uma hora e meia eu já estava em Tyler. O que me fez chegar em cima da hora do vôo. Eu estava faminta, mas não tinha tempo pra comer.
Fiz o check-in e despachei minhas malas, que não eram poucas, já que eu peguei realmente tudo que me pertencia na casa de Michael.
O vôo durou longas 4 horas e eu aproveitei pra descansar. Estava meio enjoada por causa do balanço do avião, eu acho, nunca tinha entrado em um antes. Por conta do enjôo eu não consegui comer um lanchinho que foi servido.
Quando sai do portão de desembarque logo vi Ashley e Jackson.
Ash soltou a mão dele e veio me abraçar. Ela me abraçou tão forte que eu gemi por conta da dor nas costelas.
- O que foi? – ela perguntou me soltando.
- Nada, está doendo aqui. – apontei pras minhas costelas.
- Ele fez isso? – ela perguntou e eu assenti.
Jackson se aproximou de nós e me abraçou.
- Saudades Kiki! – ele sorriu aquele seu sorriso lindo que só Jackson tinha.
- Eu também Jack. – retribui o sorriso.
- Toma, eu trouxe um casaco pra você. – ela passou um sobretudo preto pelos meus ombros. – Está muito frio lá fora. – ela me abraçou de lado.
- Obrigada! – falei com ela.
Nós fomos até o estacionamento e entramos no carro de Jackson.
- Não vamos pra casa Jack! – ele a olhou confuso – Vamos ao Mercy.
- Mercy? Não é o hospital? – perguntei curiosa.
- Sim, é! Vou pedir pro Robert dar uma olhada em você. – ela deu de ombros.
- Ash! – revirei os olhos – Eu estou bem!
Eu sabia que pela dor que eu estava sentindo, Michael deveria ter quebrado ao menos uma das minhas costelas.
- Não custa nada Kristen! – Jackson disse sem tirar a atenção do trânsito.
- Ok! – dei de ombros.
O caminho foi curto e eu olhava pela janela vidrada, nunca tinha visto coisa igual a aquela cidade. Paramos em frente a um prédio imponente, na verdade parecia mais um complexo.
Ao entrarmos Ashley e Jackson tiraram o casaco, foi então que eu percebi que eles estavam de pijama de hospital.
- Vocês estavam de plantão? – perguntei.
- Ainda estamos, mas nos liberaram pra pegar você. – ela mordiscou os lábios – Não me odeie, mas tive que contar o que aconteceu.
- Tudo bem! – sorri pra ela.
Chegamos até a recepção.
- Sil chame o Dr. Robert pra mim, por favor! – ela pediu a uma senhora que estava atrás do balcão.
Ash me encaminhou pra um banco e eu sentei, mas precisei gemer com a dor nas minhas costelas.
- Ash, vamos? – ouvi a voz de Jackson e olhei pra cima.
Ele estava parado há uns 2 metros de mim e ao seu lado estava o homem mais bonito que eu já vi na minha vida.
Cabelos médios num tom de loiro escuro acobreado, olhos claros, mas que eu não consegui distinguir se eram verdes os azuis, mais ou menos 1,90 de altura e os lábios num tom de vermelho tão suave que chegava a ser convidativo. Me faltou até ar ao olhá-lo.
- É ela? – ele perguntou a Ashley.
- Sim, é minha prima. Acabou de chegar do Texas e eu acho que está com uma ou mais costelas quebrada. – ela disse.
Ele se aproximou de mim e estendeu a mão.
- Dr. Robert. – ele disse. Eu estiquei minha mão e apertei a sua.
Errado Kristen! Muito errado!
Um arrepio que eu nunca havia sentido antes percorreu meu corpo. Até meu couro cabeludo formigou. Eu devia estar doente.
- Kristen. – eu disse sem jeito.
- Bom, Kristen preciso saber o que houve e faremos uns Raio-x, ok? – ele disse.
- Ela também é enfermeira! – Ashley disse e eu revirei os olhos.
Jackson foi trabalhar, ele era médico obstetra.
Eu, Ash e o médico sentamos numa espécie de sala de urgência e emergência.
- O que houve? – ele perguntou.
Já disse que além de lindo ele tinha um sotaque incrivelmente gostoso? Com certeza não era americano.
- Eu briguei com meu marido... – Ash sussurrou um "namorado" – Ele se alterou e tentou me agredir, mas não fez... – mordi meus lábios – Ele só me jogou no sofá e eu bati com as costelas no braço do sofá. – olhei pra Ashley.
- Isso é verdade Kristen? – ela perguntou séria.
- Sim...ele não me bateu Ash. – forcei um sorriso.
- E isso ai? – ela apontou pro meu braço.
- Ele me segurou forte demais. – falei.
- Não acredito que você defende ele. – ela saiu irritada da sala.
- Vou pedir que uma enfermeira leve você até a sala de Rx. – o médico disse.
Fiz raios-X das costelas e do braço que tinha hematomas. Resultado? Uma costela fraturada.
Enfaixaram entre o início da minha barriga e embaixo dos meus seios e eu fui liberada.
- Não vou poder te levar em casa. – Ash disse me acompanhando até a saída.
- Tudo bem eu me viro Ash. Já dei trabalho demais. – falei.
Ela me deu a chave do apartamento, me colocou no taxi e deu o endereço a ele.
- Se cuida! – beijou minha testa – Amanhã de manhã estaremos em casa.
Quando o táxi parou o motorista me ajudou com as malas e eu o compensei por isso.
Depois de ter colocado tudo na sala, procurei a cozinha. Eu precisava muito comer ou cairia dura a qualquer momento. Eu sou hipoglicêmica, o que significa que meu organismo não pode ficar muito tempo sem açúcar ou carboidrato, senão ele entra em colapso. Nada muito sério, isso só me implica em comer no máximo de 4 em 4 hs.
Fiz um sanduiche de queijo com manteiga de amendoim e tomei um pouco de leite puro.
Dei uma volta pelo apartamento e achei dois quartos, mas eu não sabia qual podia usar, então não me acomodei em nenhum.
Deitei no sofá e me aconcheguei, logo dormi, exausta.
Acordei com cheiro de café impregnando minhas narinas. Logo que abri os olhos vi Ashley sentada a minha frente segurando duas canecas.
- Bom dia! – ela me passou uma.
- Bom dia! – peguei a caneca e me espreguicei – Que horas são? – perguntei.
- Quase 11. – ela bebeu seu café.
- Porque não me acordou? – reclamei.
- Porque você precisava descansar e agora precisamos conversar. – ela disse ficando séria.
- Ash eu não menti e não estou defendendo o Michael. – eu disse.
- Então me conte o que aconteceu! – ela pediu.
- Bom, minutos depois que você ligou ele chegou e depois do jantar eu resolvi contar. Só que ele se transformou, eu nunca tinha visto Michael daquele jeito. – mordi os lábios nervosa – Ele tentou me estuprar Ash. – ela me olhou incrédula – Mas eu me tranquei no banheiro e chamei a policia. Você sabe como a família dele é influente e acabou não dando em nada. E aí até a policia chegar ele me pegou com força pelo braço e me jogou no sofá. – bebi meu café – E também puxou meu cabelo algumas vezes.
- Você devia ter prestado queixa. – ela alisou meu joelho.
- Não ia adiantar. Você sabe que Royce ia livrar a cara dele de qualquer jeito. – eu disse.
- Você o ama? – ela me perguntou.
- Acho que não! Mas, isso não importa, não quero mais nem ver ele. – disse terminando de beber meu café.
- Venha, vou te amostrar seu quarto! – ela se levantou – Jack colocou suas malas lá.
- Cadê ele? – perguntei me levantando também.
- Dormindo! Ele diz que todos os bebês do mundo cismam de nascer de madrugada. – nós rimos.
Passamos por um corredor e ela parou numa porta.
- É aqui! – ela apontou a porta – Eu limpei hoje de manhã e troquei a roupa de cama.
- Obrigada por tudo Ash! – a abracei.
- Se importa se eu deitar? A emergência hoje também não foi fácil. – ela sorriu.
- Não, que isso! Acho que também vou deitar um pouco. – falei.
Ela beijou minha bochecha e entrou na porta mais a diante do corredor.
Entrei no quarto e fiquei admirada, era lindo.
Ashley nunca teve muito dinheiro quando morava em Round Top, mas depois que veio pra Chicago a vida dela mudou. Na verdade mudou quando ela conheceu Jackson na faculdade. Eles sempre se amaram e ele tinha uma condição financeira boa e fazia questão de proporcionar conforto a ela. Eu era muito feliz por Ash ter encontrado Jackson.
Tomei um banho e coloquei um moleton cinza. Fazia muito frio em Chicago, mas de forma alguma eu desejava o calor do Texas.
Comecei a guardar algumas coisas, mas eu ainda estava cansada. Então me deitei na cama e dormi.
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