Quando acordei no dia seguinte eu havia tomado uma decisão.

Esquecer Robert Pattinson.

Eu não tinha mais o direito de pensar nele, de desejar ele. Decidi que minha relação com ele seria estritamente profissional e nenhuma palavra, que não fosse sobre medicina, seria trocada.

Me levantei, tomei um banho e me arrumei pra faculdade.

Era difícil me concentrar na aula, mas eu não me deixaria abalar. Era o meu sonho que eu estava vivendo e nada nem ninguém estragaria isso.

A faculdade estava sendo o máximo. Eu estava amando. Tinha conhecido Liv, Sarah e Tom durante minhas aulas. Eles eram bons amigos.

Era bom ter com quem conversar, tirando o pessoal do hospital.

Eu gostava muito das duas companhias. Do pessoal do plantão e da faculdade. Eram pessoas diferentes, cabeças diferentes. A maioria das pessoas na faculdade era adolescente ainda. Como Liv que só tinha 19 anos e nos arrancavam boas gargalhadas com seu jeito de menina.

Quando cheguei em casa Ashley estava sentada na sala vendo TV e Jackson no chão mexendo no seu computador.

- Olá. – disse entrando. O desânimo era nítido na minha voz.

- Oi. – Jackson me respondeu.

- Podemos conversar Kiki? – Ashley pediu.

Eu não tinha mais como escapar dela.

- Claro! – sorri e apontei o corredor pra ela.

Ela se levantou e fomos pro meu quarto.

- Se é sobre ontem, não vai acontecer de novo. – falei colocando minha mochila na cama.

- Kristen, eu avisei que você ia se machucar. – ela disse. – Eu já vi outra garotas serem desprezadas por ele...Nikki é uma delas.

- Ash, fica tranqüila. – me sentei ao seu lado na minha cama. – Não vai acontecer de novo, ok? – peguei sua mão. – Se tivesse que acontecer alguma coisa entre a gente, essa coisa morreu ontem. – eu comecei a tirar minha roupa pra tomar um banho.

- Vocês brigaram? – ela perguntou.

- Não...apenas cansei do joguinho dele. – forcei um sorriso.

Ficamos alguns minutos em silêncio.

- Mudando de assunto...- ela se levantou animada – O que vamos fazer no seu aniversário?

- Que dia é hoje? – eu quis saber.

- Dia 6 de abril Kristen. – ela revirou os olhos.

Ótimo! Pra completar minha felicidade, daqui a três dias eu faria 24 anos.

- Nada? – eu disse.

- Como nada? – ela quase gritou.

- Você sabe que eu não ligo Ash. – agora eu revirei os olhos.

- Você prefere uma festa aqui ou sairmos de casa? – ela quis saber.

- Bom, eu realmente não importo, mas se você insiste... – dei de ombros. – Faça o que quiser e eu estarei lá.

Ela deu um grito e um pulou da cama.

- Te amo priminha! – beijou minha bochecha.

- Posso tomar um banho agora? – brinquei.

Ela bufou e saiu do quarto.

Nota mental de falar com ela pra não chamar o Robert. Seja o que for que estiver na mente dela.

Nos três dias que antecederam meu aniversário eu fiquei feliz comigo mesma. Eu estava conseguindo ignorar Robert e eu podia jurar que ele estava incomodado com meu gelo.

Mas, quem se importa?

Eu falava com ele o que a minha boa educação mandava. Como "bom dia" e "boa noite" e coisas relacionadas aos nossos pacientes. E sempre obedecia a suas ordens sem bater de frente com ele, como eu fazia antes.

Ele parecia me respeitar já que não forçava a barra.

Só Deus sabe como eu ficava destruída ao lado dele, tendo que fingir que ele não estava ali. O ignorando friamente. Mas infelizmente era preciso.

Na véspera do meu aniversário a dor de tê-lo tão longe era insuportável e eu pedi Steve pra mudar meu plantão. Teria que continuar a noite já que de dia ficava impossível por causa da faculdade.

Eu amava minha equipe, minhas enfermeiras eram ótimas, mas não estava mais dando pra mim. Eu o amava e isso estava acabando comigo.

Steve ficou de ver se alguma das enfermeiras do outro plantão da noite estava disposta a trocar comigo.

O meu aniversário chegou e o plantão naquele dia foi tranqüilo. Então eu usava esse tempo "à toa" pra estudar. Eu estava me preparando pra uma prova de patologia clínica.

Eu estava sentada sozinha na sala de descanso tentando me concentrar no meu livro.

A porta foi aberta chamando minha atenção, eu me virei pra ver quem era e era Robert.

Meu corpo congelou. Eu não sabia se saía da sala ou se ficava ali esperando que ele fosse embora.

Ele foi até a cafeteira e pegou uma caneca de café. Eu me esforçava ao máximo pra fingir estar lendo e não prestar atenção nele ou olhá-lo. Há 3 dias não ficávamos sozinhos. Desde aquele dia que ele viu mais do que deveria de mim, naquela bendita reunião no meu apartamento.

Pensar nisso me fez corar.

- Patologia Clínica? – ele perguntou encostado no balcão da pia e bebendo seu café calmamente.

Eu o olhei incrédula.

Ele estava mesmo falando comigo? E com aquele sorriso torto presunçoso nos lábios?

- É! – me limitei a dizer e voltei à atenção pro livro.

- Interessante! – ele se afastou do balcão e se sentou ao meu lado.

- O que você quer Robert? – perguntei seca fechando meu livro.

- Te ajudar! – ele sorriu – Posso estudar com você.

Sorri sem humor.

- Pensei que não quisesse se aproximar de mim. – falei grosseiramente.

- Eu não posso! – ele sorriu. – Isso não quer dizer que eu não queira.

Eu o olhei calmamente tentando buscar falsidade ou ironia nos seus olhos, mas não vi.

- Você vai me deixar louca! – passei a mão pelos cabelos. – Seu transtorno de personalidade acaba comigo. – ia me levantar, mas ele me segurou.

- Kristen, eu já disse que não consigo mais me manter longe de você. – ele disse sério – Eu quero ser seu amigo, mas eu não devo, entende?

Amigo? Pff! Eu também não queria ser "amiga" dele. Eu queria bem mais.

- Não! Você pode me explicar? – pedi usando um tom irônico.

Ele hesitou, limpou a garganta e então falou.

- Er...eu tenho medo... que você se machuque. – ele me olhou nos olhos.

- Porque eu me machucaria? – sussurrei. – Você é um psicopata? Ou talvez um bandido procurado? Ou algo do tipo? – brinquei.

Ele sorriu. Era bom vê-lo sorrindo. Aquilo me iluminava.

- Não... mas digamos que você não passou muito longe. – ele sorriu sem humor.

Por um minuto eu pensei em falar sobre o acidente, mas eu não sabia o que falar. Eu não tinha lido a matéria completa do jornal, então não sabia realmente o que aconteceu.

- Me conta. – pedi num fio de voz.

- Não posso! Não consigo! – sua voz saiu parecida com a minha.

E então ele levantou a mão e afagou meu rosto.

- Por favor... – pedi – Não faça isso! – fechei os olhos e curti a sensação da sua pele na minha.

- Eu prometo que vou tentar! – ele sussurrou no meu ouvido e todos os pêlos do meu corpo se arrepiaram. – Por você!

Ele se afastou, olhou nos meus olhos e depositou um beijo suave e molhado na minha bochecha.

A porta foi aberta e quando olhei todos da nossa equipe passavam por ela. Ashley tinha uma torta nas mãos e em cima dela tinha uma vela da Hello Kitty.

Todos começaram a cantar parabéns juntos e eu com certeza estava corada num tom intenso de vermelho.

- Eu não acredito! – eu disse quando o parabéns acabou. – Vou te matar! – sussurrei pra Ashley.

Ela sorriu e olhou no relógio.

- Bom, são meia noite e três minutos... isso significa que já é seu aniversário. – ela colocou a torta na mesa e foi até uma gaveta no balcão.

Todos vieram me cumprimentar e até ganhei alguns presentes. A maioria deles livros de medicina ou bijuterias.

Quando todos estavam dispersos após os cumprimentos, Robert se aproximou de mim.

- Feliz aniversário! – ele disse e me puxou pra um abraço.

Era tão bom sentir seu corpo quente e grande segurando o meu. Era engraçado porque ele fazia eu me sentir menor do que eu era.

Pude sentir suas mãos alisando minhas costas e podia jurar que ele estava cheirando meu pescoço, enquanto eu sentia sua respiração quente contra a pele do meu pescoço.

Levantei minhas mãos, as passando desde o seu peito definido até chegar aos seus cabelos. Enroscando meus dedos nos seus cabelos acobreados.

- Obrigada! – sussurrei.

Ele se afastou e colocou a mão no bolso, me passando um saquinho preto de veludo.

- Não... não faça isso! – pedi o olhando incrédula.

Havíamos acabado de decidir sermos amigos e ele já estava me dando presente?

- Você ainda nem abriu. – ele sorriu. Lindo!

Peguei o saquinho e desfiz o delicado laço de cetim preto que havia na ponta dele. O virei de cabeça pra baixo e deixei que o conteúdo caísse na palma das minhas mãos.

Era um bracelete de ouro amarelo, com um coração prata cheio de pedrinhas pendurado. Eu esperava que aquilo não fosse diamante. Linda! Percebi que dentro tinha uma mensagem, mas eu não consegui ler, por não saber a língua que ela estava escrita.

- É linda! Obrigada! – agradeci.

- Prometa só descobri o que está escrito quando chegar à hora certa? – ele disse.

- E quando eu saberei à hora certa? – tirei os olhos da pulseira e o fitei.

- Eu te direi! – ele sorriu.

Ele pegou a pulseira da minha mão e colocou no meu pulso e em seguida se afastou sorrindo.

Eu sorri e sacudi a cabeça lentamente. Um gesto nítido de quem não acreditava no que estava acontecendo.

Ashley insistiu que eu partisse o bolo. Depois que o comemos, voltamos à rotina do hospital. Houve um incêndio na cidade e chegaram alguns feridos ao Mercy.

Logo eu me despedi da calmaria e do meu livro de Patologia.

Quando cheguei em casa as 7:15 da manhã, só tive tempo de tomar um café-da-manhã rápido, um banho mais rápido ainda e ir pra faculdade.

A pior coisa da minha rotina era ir pra faculdade depois do plantão. Ficar quase 24hs acordada não era uma boa idéia. Pra mim, nem pra ninguém.

Comentei com meus amigos da faculdade sobre a ideia de Ashley pra hoje a noite, mas combinei de ligar pra eles assim que eu soubesse quais eram os planos dela.

Uma aula de Morfologia III nunca foi tão difícil.

Assim que o professor liberou a turma as 6 da tarde e peguei o metrô e fui pra casa.

Caindo exausta na minha cama.

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