2) Recompensa
A primeira coisa que tomou consciência foi um vazio, um silêncio. Seu coração parara. Se parara, então ela estava morta.
Abriu os olhos incerta, esperando encontrar nuvens e anjos. Ou fogo e demônios. Não sabia ao certo pra onde iria se morresse. Mas não foi com nenhuma das duas opções que deparou.
Piscou os olhos, absolutamente confusa, olhando para o céu estrelado acima de si. Milhares e milhares de estrelas. Desde quando havia tantas estrelas no céu? Tantas estrelas no céu de Seattle? Seattle...
Olhou para os lados buscando algum vestígio de suas lembranças. Estava tudo opaco e confuso em sua memória. Ela não conseguia se lembrar exatamente de como parara ali. Recordava mais ou menos da festa, mais ou menos de sua casa, mais ou menos de um rapaz muito bonito de íris absurdamente vermelhas. Sentou-se assustada, tentando visualizar melhor onde estava. Tudo ali tinha muito cheiro, cor e som.
- Pareceu uma eternidade. – ela olhou na direção da voz e rapidamente focalizou o rapaz da festa. – Com trocadilho. Bem vinda de volta, Bree.
Ainda desconfiada, Bree agachou, farejando o ar. Eles estavam à beira de um rio, Riley sentando um pouco distante dela, apenas a observando. Devia ser madrugada, o céu já não estava tão escuro, mesmo assim, tinha muitas estrelas. Ela reparou estar sem blusa e não sentir frio. Alguma coisa arranhava em sua garganta.
- O que você fez comigo? – a voz de uma estranha ecoou na beira do rio. Ela não reconhecia aquela voz.
- Te dei uma dádiva. – ele respondeu, simplesmente.
- Dádiva?
- Você é imortal agora, Bree. – Riley tentou se aproximar, mas Bree recuou numa velocidade sobrehumana, sustentando uma posição de defesa.
- O que você é?
- A pergunta certa, receio, seja "o que nós somos". – Sem saber se era necessário, Bree concordou com um aceno de cabeça. – Somos vampiros, Bree. – ela franziu a testa.
- Vampiros? Tipo beber sangue, virar morcego e torrar no sol? – Riley riu gostosamente.
- Tipo beber sangue, brilhar no sol e NÃO virar morcego. Boa parte das coisas que dizem sobre nós não é verdade.
- Você está de brincadeira, né? Quer dizer, vampiros! – ela riu - Isso não existe!
- Você acha que não está existindo agora?
A garota silenciou, olhando pros lados e pensando. Endireitou o corpo saindo da posição de defesa e Riley levantou do chão, tentando novamente se aproximar. Dessa vez ela não se mexeu, deixando que ele chegasse até ela. Conseguia enxergar milhares de perguntas nos olhos da garota. E queria responder todas elas.
- Por que você me transformou nisso? – foi a primeira pergunta que escapou dos lábios de Bree. Ela não conseguiu impedir certa tristeza nos olhos.
- Bree, isso é uma dádiva, você vai perceber. Você tem talento! Você vai conseguir tanta coisa! E nós precisamos de você.
- Nós, quem? – disparou.
-Temos um bando. Você faz parte dele.
- Eu mal sei do que você está falando. – ela disse com mais rispidez do que esperava. Não se culpava, ela realmente não entendia nada.
- Não se preocupe com isso agora. Por enquanto, você só vai ficar comigo. Nós temos que dar uma resolução ao seu passado. – Bree sorriu maliciosa.
- Só vou ficar com você? – Riley também sorriu, puxando-a pela cintura para si e afastando o cabelo de Bree.
- Não sabe como esperei sua transformação terminar. – sussurrou, deixando Bree derretida. – Seu cheiro é tão bom... – ele roçou os lábios no pescoço dela e ela tombou um pouco o corpo pra trás, se apoiando nos braços do rapaz. Ele guiou os lábios até a orelha da garota, para sussurrar-lhe provocante. – Se você for uma boa garota, pode ser bem recompensada.
Bree bufou frustrada. Não gostava de ser testada. Gostava de ter as coisas quando queria. Então encostou seus lábios nos dele, provocando-o e passeando com suas mãos no corpo de Riley.
- Gosto das coisas na hora. – sussurrou e Riley a soltou, afastando-se.
- É disso que eu falo. – disparou, perturbado. – Como você faz essas coisas? – Bree olhou-o, confusa.
- Que coisas?
- Isso! Convencer as pessoas!
- Oras... Eu não sei! Eu só falo o que eu quero.
- E consegue. Tenho medo de você, ok? – um brilho diferente faiscou nos olhos de Bree. Ela tinha alguma coisa que intimidava os outros. Isso era bom.
- Legal. – sorriu, dando conta que ainda tinha algo muito estranho arranhando sua garganta.
Riley tirou a camisa e jogou para Bree, que a pegou com facilidade, e começou a caminhar no sentido contra a corrente do rio.
- Vem comigo.
- Pra onde? – Bree perguntou confusa.
- Você está com sede, vamos caçar. E dar um destino pro seu passado. Me acompanhe.
Riley disparou pela floresta deixando uma Bree confusa na beira do rio. Decidindo por pensar depois, Bree correu também, tentando imaginar pra onde Riley havia ido. Aos poucos foi reparando que conseguia correr muito rápido e, mesmo assim, não trombava nas arvores, não tropeçava nas raízes. Entendeu que poderia usar o bom olfato pra encontrar Riley, seguindo seu rastro, e dessa forma o alcançou poucos segundos depois. Reparou que estava pensando muito rápido. Adorou tudo isso. Era uma dádiva. Sorriu para Riley e ele retribuiu o sorriso.
Após correrem por aproximadamente cinco minutos, chegaram na beira da estrada, onde estava o carro de Bree. Riley lhe entregou as chaves e ela entendeu que era pra irem pra sua casa, então dirigiu de volta para o centro de Seattle. A madrugada oferecia lojas de conveniência abertas e caixas eletrônicos. Bree parou sem avisou prévio em um caixa eletrônico e desceu pra sacar dinheiro.
-Bree! Não! – mas ela não deu importância aos protestos de Riley, fazendo com que ele também descesse do carro, pegando-a pelo braço. – Ficou louca? E se aparecer algum humano? Você está com sede...
- Vou pegar dinheiro, a gente precisa de dinheiro.
- Quem disse isso pra você?
- A lógica! Dá pra me soltar?
- Você é insana. Deixe o dinheiro pra depois, vamos logo pra sua casa.
-N ão vai demorar, só...
Mas Bree foi interrompida pelo próprio rosnado. Um vento bateu nas costas dos dois trazendo consigo o cheiro doce de sangue humano. O cheiro insanamente doce de sangue humano. Ambos olharam pra trás, Riley ainda segurando o braço de Bree com força, a sede tomando posse de seus corpos. Era um casal. Pareciam estar voltando de uma festa.
- Ta tudo bem aí, moça? – o rapaz perguntou. Bree não conseguiu pensar, ela só queria o sangue, apenas o sangue – Ele ta machucando você? – ela olhou para Riley praticamente implorando que ele a soltasse.
- Não se preocupe, ta tudo bem. – Riley respondeu.
- Não parece bem. Parece que você a está machucando.
Riley segurou Bree atrás de si, saindo da luz para que os humanos não vissem os olhos vermelhos. Ele sorriu convidativo para os humanos e eles paralisaram, aquele efeito que os vampiros tinham sobre pessoas normais.
- Não é nada de mais. Só estou tentando convence-la de que não é necessário pagar pela comida.
A mocinha ofegou, percebendo o perigo. Riley olhou em volta, conferindo se estavam sozinhos e depois olhou para Bree.
- Quer que eu mate os dois ou prefere matar sozinha? – sussurrou rápido, de forma que só ela pode ouvir e entender.
- Me diga como fazer.
- Quebre o pescoço. Morte sem escândalo é a melhor saída. – ela sorriu ameaçadoramente para a mocinha.
- Eu fico com a garota.
- Ok, vou te soltar. – ele sussurrou, voltando a olhar para o casal e falou com a voz normal. – A gente vai ser rápido, ok? Não se preocupem.
Eles, os humanos, mal tiveram tempo de dar um passo para trás. Numa velocidade sobrehumana, Riley e Bree quebraram-lhe o pescoço e os arrastaram para o beco mais próximo, tomando todo o sangue enquanto ainda estava quente.
Bree não conseguiu entender o que estava acontecendo consigo. Só sabia que o sangue era MUITO bom, que precisava de mais, muito mais. Sabia que nunca mais conseguiria viver de outra coisa que não fosse o sangue. Quando percebeu que não havia mais nenhuma gota no corpo da garota, frustrou-se. Levantou do chão no intuito de arranjar mais sangue, mas Riley a impediu.
- É bom, não?
- Eu quero mais. – o instinto assassino transbordava na voz de Bree.
- Nós podemos ter mais. É por isso que você tem que entrar no bando. – Bree parou de tentar lutar contra os braços de Riley e se concentrou nele. – Vamos pra sua casa, nós temos que sair do centro antes do sol nascer. Hoje o dia vai ser aberto. Temos que dar um fim nesses corpos também.
Ela assentiu e voltou pro carro, embicando-o no beco para que Riley colocasse os corpos lá dentro. Saíram em seguida, indo pro apartamento de Bree e subindo sem causar suspeitas. Ela viu no relógio de rua que era 4h45, tinham um certo tempo até o sol raiar. Quando já estavam seguros em seu flat, ela resolveu voltar a fazer perguntas.
- Quanto tempo eu fiquei transformando?
- Dois dias inteiros. Tive que te morder mais uma vez pra acelerar o processo.
- Hmm... – murmurou, olhando pra baixo. – Eu valho tanto a espera? Você podia ter bebido o meu sangue... Você mesmo disse que meu cheiro era bom.
- Eu podia, mesmo. Mas quando ouvi você falar comigo... Pareceu que tinha muito mais por trás do seu corpo pequeno e frágil. Parecia que você tinha poder. E eu acertei. Cada minuto de espera valeu a pena.
Ela sorriu satisfeita com a resposta. Foi até seu closet e começou a separar algumas roupas.
- E aquela história de ter todo o sangue? Me explica?
- Claro que explico. – Riley respondeu, sentando na cama de Bree. – Nós precisamos batalhar em Olympic por território, sabe? Pra gente ter mais lugares pra poder caçar. Seattle tem ficado pequena...
- Pera aí! – Bree interrompeu. – Quer dizer que todas aquelas mortes e desaparecimentos dos jornais...
- Sim, fomos nós.
- E em quantos são?
- Dezoito. Dezenove com você.
- E por que tem que ter batalha? A gente não pode simplesmente ir pra lá e caçar as pessoas?
- Não, porque já tem vampiros naquela área. Nós temos que elimina-los. Mas não se preocupe com isso. Vocês, recém-criados, são treinados e estão em numero muito maior que eles.
- Tem certeza que isso pode dar certo? Sei lá, não gosto da idéia de lutas e tudo mais...
- Claro que vai! Estamos pensando em tudo.
- Você vai estar junto?
- Sempre, Bree. – ela se aproximou de Riley, também sentando na cama. – Sempre junto.
- Promete?
- Prometo.
Bree se aproximou de Riley, passando a mão nos cabelos dele. Sem titubear, ele a puxou pra si, tirando-lhe a camisa. Ela colocou as duas mãos no pescoço de Riley e o beijou. Ele retribuiu o beijo, subindo as mãos nas costas de Bree e abrindo o feixe do soutien. Sem medir a força, Riley a empurrou na cama, engatinhando pra cima dela. Bree riu.
- Boas garotas sempre são bem recompensadas.
N/A: Oin coleguinhes :D
Fiquei feliz que o povo descobriu a Bree e to postando um novo cap pra vocês e õ/
Nem vou falar muito, porque eu to meio em alfa, hoje (?)
Só quero agradecer à Loveblack Cullen, keeki-s, Motoko Li e Mari que comentaram no cap 1. Obrigada, galëre!
Comentem e vejo vocês no próximo õ/
BL
