5) Escolhida
O restante da luta foi bem breve. De cabeça baixa, Bree se concentrou em não ouvir o som metálico de seus companheiros sendo despedaçados e queimados. Arranhou as unhas no chão, amassando a terra entre sues dedos numa tentativa de não enjoar com o cheiro adocicado da fumaça roxa que saía da fogueira.
Quando acabou, os dois loiros – o que ela mordera e o que falara com ela – se aproximaram. Bree não gostou do outro. Achou-o mal humorado, ele parecia querer matá-la também.
-Carlisle, não acho que seja certo... – Ta vendo? Ela sabia.
Olhou-os com os olhos perdidos, buscando algo. O que se chamava Carlisle se abaixou na altura de Bree e olhou-a nos olhos.
-Bree? – Ele falou com sua voz de sinos, fazendo os olhos de Bree ficarem completamente presos nos dele, se perguntando por que eles eram âmbar. – Meu nome é Carlisle, eu sou médico. Nós somos os Cullen. – Ele fez um gesto para os outros, mas Bree não se moveu.
-Seus... olhos... – Ela balbuciou.
-Você reparou? – Carlisle continuou. – Consegue imaginar por que são diferentes? – Bree balançou a cabeça negativamente. – Nós não machucamos humanos.
Bree franziu a testa sem entender. Se eles não se alimentavam de humanos, então como sobreviviam?
-Como vocês...?
Os olhos de Carlisle cintilaram.
-Oh, a pergunta chave. Sim... – Bree ainda o olhava confusa. – Nós não queremos machucar os humanos, não gostamos disso. Então nos alimentamos de animais...
-Humanos são animais. – Foi a primeira coisa que veio à cabeça dela e imediatamente saiu pela sua boca. Carlisle riu.
-Não esses animais. Os bichinhos. Humanos são amigos, Bree. Eles podem ser amigos.
-Como é isso? Quer dizer...
-A sede ainda existe. – Ele respondeu a pergunta entalada de Bree. – Mas é mais fácil de controlar, porque, afinal, já estamos alimentados. No inicio é difícil, mas nada como o tempo. E tempo é o que temos de sobra. Como vê, somos igualmente fortes, o tipo diferente de sangue não muda isso. Também nos proporciona pensar com mais clareza, não nos limitar tanto ao instinto. E, com isso, podemos conviver com os humanos.
Bree desviou os olhos para suas mãos, cheias de terra, pensando. Conviver com os humanos sem querer matá-los era o que ela estava desejando há poucos minutos. Parecia que havia encontrado sua chance.
-Quando eu disse que você tinha opções, eu falei sério. – Carlisle falou novamente e Bree olhou-o nos olhos outra vez. Ele estava bem sério, era impossível não acreditar nele.
-Carlisle. – A vampira baixinha de cabelos espetados falou. – Ed vai chegar com a Bella em três minutos.
-Eu fico de olho nela. – O outro loiro falou, esfregando o braço que ela havia mordido. Carlisle continuou olhando-a nos olhos.
-Pense no assunto, oks? – Ele perguntou. Bree não conseguiu fazer nada além de balançar a cabeça. O cheiro da humana se evidenciava. – Pegue leve com ela, Jasper.
A resposta do loiro foi um rosnado de alerta para Bree, que se encolheu. Um outro deles chegou com a humana desmaiada em seus braços. Bree rosnou alucinada com a sede e Jasper rosnou novamente, intimidando-a.
Ficaram tentando reanimar a humana por cinco minutos. A vampira baixinha estava bem tranqüila, prevendo que a humana ficaria bem em um determinado espaço de tempo. Então, no tempo previsto, a humana abriu os lhos e começou a falar com eles sobre um tal de Jacob. Será que era esse o poder da baixinha? Prever o futuro tipo uma vidente?
Bree envolveu os braços nas pernas quando percebeu o olhar da humana nela. Uma garota da sua idade que provavelmente acharia que ela era mais nova – todos achavam. Focou seus olhos nela, concentrada. O cheiro era inebriante.
-Ela se rendeu. – O vampiro que viera com ela falou. – É uma coisa que nunca vi na vida. Só Carlisle pensaria nessa oferta. Jasper não aprovou.
Bree não prestou atenção no que eles falavam depois disso. Estava concentrada demais em querer o sangue da humana. Ela precisava do sangue. Lançou a cabeça pra trás e gemeu enfurecida. Jasper grunhiu, fazendo-a se encolher novamente e ela cravou as unhas no chão, amassando a terra angustiada. O loiro deu um passo até ela em posição de ataque. Em um segundo, Carlisle estava do lado dele.
-Você mudou de ideia, jovem? – A calma voz dele fez Bree se tranqüilizar, mesmo ainda focando na humana. – Não queremos destruí-la, mas o faremos se não conseguir se controlar.
Controle? Como eles conseguiam pensar em controle?
-Como pode suportar isso? – grunhiu. – Eu a quero.
Bree olhou através do vampiro ruivo, que agora estava na frente da humana.
-Deve suportar. – Carlisle falou com gravidade. – Deve exercitar o controle. É possível e é a única coisa que a salvará agora.
Salvar... Ela queria ser salva. Colocou as mãos na cabeça e uivou baixo. Queria ser salva, queria viver. A humana falou algo, sua voz era torturante.
Tentou se concentrar nos outros sons. Os passos de Carlisle até os outros, o farfalhar das folhas com o vento, o crepitar do fogo queimando. Ajudava. Mas ainda precisava de sangue.
Nem percebeu quando a vampira baixinha agachou ao seu lado. Só se deu conta quando sentiu o toque em seu braço e levantou a cabeça rosnando.
-Calma, Bree. – A baixinha pediu tranqüila. – Meu nome é Alice, pode se levantar. Edward e Bella foram embora, você passou no primeiro teste.
Devagar, Bree se levantou, olhando quem estava ao redor. O loiro psicótico, a baixinha e um grandalhão. Os outros não.
-Passei?
-Sim. Você ainda não pode ir pra nossa casa, porque a Bella está lá. Emmett e Jasper vão com você caçar. Eu iria, mas tenho um teatro a cumprir. Você poderá fazer as perguntas que quiser a eles.
Ela balançou a cabeça concordando, sentiu seus músculos relaxarem. Jasper ela sabia quem era, então o nome do grandão era Emmett... Respirou fundo, inalando o perfume adocicado da fogueira.
-Eu não gosto dele. – Apontou Jasper com a cabeça. Alice e Emmett riram.
-Sem problemas, isso muda. – Ela disse. – Se divirta, Bree. Até depois.
Alice disparou pela floresta, deixando só o cheiro. Então ia ser assim. Bree havia escolhido e essa nova batalha ia começar. Passara no primeiro teste e era a primeira vitória.
A partir de então estava disposta. Ela só tinha a ganhar.
Encarou o grandão e ele lhe sorriu com duas covinhas nas bochechas que fizeram Bree sorrir automaticamente. Olhou pro loiro e fez uma careta. Ele revirou os olhos e ela repetiu o ato. O grandão riu.
-Eu ia adorar de verdade ficar assistindo essa ceninha. Mas acho que a novata precisa experimentar o delicioso sabor de sangue de urso pardo.
Bree voltou a se concentrar no grandão e ele piscou pra ela. Se eles eram assim, bem... Não ia ser difícil.
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*Algumas falas foram tiradas da cena original em Eclipse, paginas 404 e 405.
N/A: Desculpem a demora, nem vou falar nada ._.
E nem vou pegar nome por nome pra agradecer, pra poupar tempo. Vou tentar att o máximo de fics possivel hoje.
Obrigada a todos, by the way *-*
Comentem, oks? E o proximo vem antes, prometo.
Sem mais,
BL
