Capítulo Cinco: A Manhã de Domingo.

Gina acordou no domingo pensando no que Draco dissera... "Mas você ainda tem esperanças...". Bem, era verdade que ela ainda sentia uma sensação esquisita no estômago quando estava perto de Harry, mas será que ainda tinha esperanças sobre eles dois?

Não seja idiota, Gina. O Malfoy mal te conhece, porque vai acreditar no julgamento dele?

Ela levantou-se e puxou os cortinados da janela ao lado de sua cama. O sol iluminou boa parte do dormitório circular. E a maioria das garotas já havia descido. Bocejando pôs o roupão e prendeu os cabelos embaraçados num coque amontoado com uma xuxinha velha.

-bom-dia, Gina.

-como vai, Gina?

Algumas garotas a cumprimentavam à medida que descia para o banheiro. Não que ela fosse popular, mas também não era nenhuma deslocada.

-e aí, Gina. Acordou tarde hoje, o que foi que aconteceu? –sua colega Lisa estava maquiando-se habilmente. Era ela quem maquiava Gina e as outras quando havia festas ou eventos da escola.

-estava exausta. –ela respondeu jogando uma água no rosto amassado.

-chegou tarde ontem. –Lisa soltou um risinho marota.

-não foi pelo motivo que você está pensando, Lisa. Na verdade, não tem nada haver com isso. –Gina negou com veemência. Sabia que a colega pensava que ela havia ido a um encontro.

Imagine! Um Encontro com Ele... Hahahaha... Isso sim é uma boa de uma pegadinha... Mas sabe que faz tempo que eu não tenho um encontro? Também né, ando tão avoada estudando e só no meu mundinho que nem sei direito o que anda ocorrendo ao meu redor...

-sei Gina. É claro que não! –Lisa fechou o estojo de maquiagem, apesar da fala séria, seu olhar brilhava cheio malícia. –e passa um pouco de pó, você está com olheiras.

Gina bocejou para seu reflexo no espelho e entrou num dos boxes vazios pendurando o roupão na porta. A água era morna naquele horário. Infelizmente durante a semana, Gina tomava banho com puro gelo, porque a água era terrivelmente gelada de manhã cedo.

Resolveu vestir um short social preto e uma blusa preta de bolinha branca. Olhou-se mais uma vez no espelho e sentou-se para escolher suas bijuterias. Algumas pulseiras, uma argola prata e um cordão prateado com um V adornado por strass.

Gina passou-se um brilho labial, um pouco de pó e um leve sombra acinzentada que deixava seus olhos parecendo cor de mel. Sorrindo e mais animada ela desceu as escadas rumo ao salão principal, estava com fome já que não jantara na noite anterior.

-o-oi... Gina! –Harry gaguejou. –ele havia acabado de descer do dormitório masculino.

-oi Harry. Bom-dia! –Gina sorriu prestando atenção no que lhe ocorria quando o avistava.

Bem, meu estômago está com essa sensação engraçada e eu fiquei alegre em vê-lo. Hum... Será que o Malfoy tem razão? Será que eu não consegui me desligar do Harry? Por quê? Porque eu ainda tenho sentimentos por ele?

-você está... Está indo para o salão principal? –ele perguntou ainda meio abobalhado.

-to sim. Acordei há pouco. –Gina respondeu. –onde estão Rony e Mione?

-já desceram faz algum tempo. –ele falou. –acho que estão tomando café ainda.

-legal, eu quero falar com ela. –Gina falou puxando-o para fora do salão comunal. –vamos logo porque meu estômago está reclamando.

-também, você nem apareceu pra jantar ontem. –Harry falou. –você chegou que horas Gina?

-ah, eu não demorei muito. –Gina mentiu. –não jantei porque cai no sono.

-foi mesmo? –tinha um ar de desconfiança na voz dele.

-por quê? Você acha que eu estou mentindo, menino-que-sobreviveu? –Gina perguntou irônica, mas com certa secura.

Afinal, não é da conta dele a hora que eu vou ou que eu chego. Não temos mais nada... Não é? Então porque ele fica perguntando desse jeito? Não entendo, não entendo mesmo!

-lógico que não Gina. Não foi essa a intenção, me desculpe. –ele falou com certo choque.

-ah deixa pra lá, Harry. –Gina sorriu. –hei, contra quem vai ser o próximo jogo?

-sonserina. –ele respondeu preocupado. –falando nisso, eu não sei se vamos ter artilheiro, Gina.

-como assim? –Gina perguntou séria. –o que aconteceu?

-a Simon sofreu um acidente com ervas e de acordo com madame Pomfrey é difícil que ela esteja cem por cento recuperada até quarta-feira. –Harry falou. –isso me lembra de eu queria que você a substituísse.

-eu? Mas Harry eu sai do quadribol, lembra? –Gina falou com veemência.

-eu sei. Mas Gina, você é a melhor artilheira. –Harry falou. –porque você não volta?

Bem, eu saí por sua causa... Mas já que você está me pedindo pra voltar... Ah eu não sei não... Ficar perto dele de novo... Não acho uma boa idéia...

-ok, Harry. Eu topo substituir, agora quanto voltar ao time... Eu não sei... –Gina falou.

-mesmo? –Harry mostrou um sorriso de orelha-a-orelha. –que ótimo Gina!

Os dois adentraram no salão principal conversando sobre como andava o desempenho do time. Rony e Hermione estavam sentados pelo meio da mesa.

-bom-dia, pessoal! –Gina sorriu sentando-se ao lado de Hermione.

-Gininha! Eu não disse que esse short ia ficar lindo em você! –Mione sorriu. –perfeito!

-pode crer que depois do One Royal Week eu não vou ter só esse short... –as duas riram animadas.

-como foi ontem com o Snape? –perguntou Rony.

Gina congelou até os cabelos.

-hum... Foi... Hum... Nada mal. Na verdade... Ele, hum, não decidiu nada.

-como assim? Ele te fez ir lá pra nada? –Harry perguntou olhando para o professor na mesa do corpo técnico.

-mais ou menos. –Gina enrolou. –ele também falou sobre... Hum... O meu relatório.

-o que tem ele? –Hermione perguntou. –ele mandou você refazer, não foi?

Gina olhou rapidamente para a mesa da sonserina, Draco flertava com Nicoletti Neveu e ela parecia corresponder timidamente.

Cara de pau... Agora sei por que ele disse que seria mais sensato colocar ele com ela...

-na verdade ele disse que estava muito bom. –Gina inventou.

Os três olharam-na incrédulos.

-Snape elogiar um trabalho ainda por cima de alguém da Grifinória? –Hermione foi à única a manifestar-se. –sinceramente Gina, isso daí parece um completo absurdo.

-acredite ou não. –Gina falou lembrando-se da conversa sobre aptidão que tivera na noite anterior. –é a mais pura verdade. Agora me dêem licença que eu vou mandar uma carta para casa.

Ela havia terminado o café num segundo. Levantou-se tirando a carta do bolso e saiu do salão esbarrando com Blás Zabini no caminho.

-opa, cuidado, Weasley. –ele avisou maroto.

-desculpe. –Gina murmurou sorrindo pela cara galanteadora do rapaz.

-obrigado. –ele continuou. –esbarrar com você é sempre um prazer. –e com uma mesura cômica encaminhou-se para a mesa da sonserina.

Rindo Gina continuou seu caminho rumo ao corujal.

Esses garotos da sonserina são complicados, há um ou dois anos atrás eles mal olhavam na nossa cara de nojo e agora ficam dando em cima da gente... Incompreensível...

-psiu! Pimentinha espera aí! –Gina reconhecia a voz esganiçada de Luna a quilômetros de distância.

-Di-Lua! Como você ta? Nem consegui falar contigo ontem...

-eu sei, menina, estive costurando o figurino do pessoal do terceiro ano que vai fazer a peça do dia dos namorados. Mal saí da sala da professora Sinistra. –ela comentou. –e você o que andou fazendo?

-você nem vai acreditar, mas eu e o Malfoy fomos fazer o trabalho de poções ontem. –Gina falou. –ficamos quase quatro horas trancados no laboratório.

Luna olhou-a estarrecida por breves segundos.

-mentira sua! Eu não acredito, sabe, se fosse qualquer outro sonserino ainda dava, mas o Malfoy? Fala sério, é brincadeira não é?

-não é não. Fui pra lá umas seis horas e só saí dez horas da noite, isso porque eu olhei de relance no relógio. –Gina falou. –e ainda nem terminamos tudo.

-um Malfoy e um Weasley... Só o Snape pra fazer uma coisa dessas... Como foi? O que aconteceu? –Luna olhou-a curiosa. –me diz tudo e com todos os detalhes... Até os sórdidos.

-não houve nenhum detalhe sórdido Luna. Mas enfim, discutimos um pouco, ou melhor, bastante. E conversamos muito, acredita? Mas agente conseguiu ficar sem duelar o que foi uma grande coisa de ambas as partes. –Gina relatou

-vocês conversaram muito? –Luna falou com surpresa. –nossa... Me amassa porque eu estou passada.

As duas riram.

-Luna essa frase além de ser puro clichê e brega e muito ridícula! Fala sério! Quero saber aonde você aprende essas coisas. Com seu pai que não é.

A garota olhou no relógio soltando uma exclamação.

-é melhor eu ir, Gina. A Sinistra está arrancando os cabelos por causa desses figurinos. Tchau amiga! –e ela saiu correndo para o castelo.

Como elas foram conversando animadas, as duas acabaram indo parar no lago.

Ótimo, isso é porque eu ia para o corujal... Do outro lado do terreno do castelo. Você é tão esperta de vez em quando, Virgínia.

Gina respirou fundo e começou a refazer o caminho para o castelo, de lá para o corujal.

Havia acabado de subir o lance de escadas quando notou que Draco estava lá dentro lendo alguma coisa com a face tensa e dura.

-Malfoy? –ela chamou-o num sussurro.

Levantando os olhos surpreso, ele tratou de esconder a carta em um dos bolsos.

-o que você quer, Weasel? –ele perguntou mordaz.

-eu não quero nada. –Gina respondeu ofendida. –não precisa esconder sua carta, Malfoy. Eu não tenho a mínima vontade de saber o que há escrito nela.

-eu sei que você tem, Weasley. –ele falou agora seco. –seus olhos brilham de curiosidade.

Gina afastou-se até Pichí que soltara pios alegres ao vê-la.

-bem, pode até ser. Mas não vou ler ou perguntar, ok? Não sou bisbilhoteira. –Gina falou. –olá querido, como você está? Pronto pra fazer uma viagem pra casa?

A coruja saiu do poleiro voando em volta dos dois, alegre e piando alto.

-ela me lembra alguém. –Draco comentou. –irritante.

-ele não é irritante. –Gina censurou o rapaz enquanto segurava Pichí no braço. –é lindo, fofinho e pequenininho, não é querido? Você é o meu lindinho!

Draco olhou para Gina ânsia de vomito.

-Weasley isso é uma coruja. Pra que toda essa baboseira? Não passa de um animal que utilizamos como correio...

-credo Malfoy. Seu sem sentimentos! –Gina falou depois de soltar Pichí para levantar vôo. –que coisa mais feia pra se dizer. As corujas são muito inteligentes, ta? E elas como qualquer Ser Vivo precisam de atenção, amor e carinho.

Draco soltou uma gargalhada.

-você é louca. Me diz Weasley quantas facetas você tem?

-o que você quer dizer? –Gina inquiriu pondo uma mecha do cabelo para trás da orelha.

-uma hora você é tempestuosa, outra doce, outra uma criança, outra sábia, outra descontrolada... Enfim, quem você é de verdade? –ele perguntou olhando fundo nos olhos de Gina. Aquilo lhe causou uma sensação estranha.

-acho que nem eu sei... –Gina falou. –mas sabe Malfoy... Você não é muito diferente de mim.

-o quê? Você está dizendo que eu também sou inconstante? Fala sério...

-mas eu estou falando. –Gina mirou-o simples. –às vezes você é muito rude, às vezes ignorante, às vezes na sua, às vezes não sabe como agir e o principal, às vezes não sabe como falar para as pessoas as coisas que você pensa e...

-é claro que eu falo para as pessoas o que eu penso! –ele exclamou veemente.

-e que você sente. –Gina completou ignorando sua interrupção.

Os dois olharam-se por alguns minutos. Pensando com seus botões sobre cada análise.

Como ele consegue me decifrar assim? Ele nem me conhece! Como é possível? Como ele consegue fazer com eu veja as coisas assim... Dessa forma diferente? É tão estranho... Tão incompreensível. Quero dizer, ele me compreende antes mesmo que eu diga alguma coisa... Ninguém tinha essa... Hum... Conexão. Mas o que EU ESTOU FALANDO??? ELE É UM MALFOY! Como um Malfoy pode entender um Weasley? É LOUCURA!

-e a poção? –Gina perguntou tentando mudar de assunto.

-ahn... O quê? Ah a poção? Está no meu quarto.–ele falou com sua habitual voz arrastada. - por quê? O que você quer?

-temos que terminar, lembra? –Gina olhou-o veemente. –o que faremos?

-o que você acha? –ele devolveu.

-que horas? –perguntou Gina impaciente.

-o mesmo horário. –Draco pos as mãos nos bolsos. –e vê se não se atrasa dessa vez.

-eu não me atrasei nem dez minutos aquele dia, Malfoy! –Gina exclamou.

-não interessa. Você se atrasou.

-auch! Mais que implicante! –Gina resmungou andando até o parapeito da escada. –não é tão fácil se esquivar dos meus amigos, Malfoy.

-o que você diz pra eles Weasley? –perguntou ele. Os dois desciam as escadas. Gina ia três degraus à frente.

-nada demais. Falo que estou cumprindo detenção.

-e eles acreditam? –Draco perguntou com deboche.

-claro que sim. Eu minto bem. –Gina sorriu. Na verdade minto quase toda hora...

-mente bem? Weasley você é uma péssima mentirosa. Então eles é que devem ser tapados, bem eu não duvido de nada.

-entenda como quiser. –Gina suspirou. –eu vou indo.

E os dois se separaram. Indo para lados opostos.

Fim do Capítulo Cinco!!!