Capítulo Dois - Planejamento

Estavam no escritório do pai. Poucas vezes Lily lembrava-se de ter entrado ali. Não que o pai não permitisse, ela simplesmente não tinha interesse de zanzar pelo local, ao contrário dos dois irmãos. Sempre preferira ficar perambulando pelas ruas, observando o comportamento das outras pessoas, em como todos eram mergulhados numa rotina sem fim. Respirou fundo e ajeitou os cabelos bagunçados num rabo-de-cavalo, sentindo incomodada com o olhar de gavião que o loiro ali próximo lhe lançava, observando todos os meus movimentos.

- Eu não vou fugir. - Resmungou para ele sem encará-lo. Não tinha coragem de olhar de novo na cara do homem, não depois do comportamento deplorável que tivera naquelas últimas horas. Não tinha nem coragem de olhar a si própria num espelho. Aquela não era a Lily Potter que sempre conhecera. Nada do que fizera condizia com seu comportamento em perfeito juízo. Ela sentia nojo de si mesma e de suas atitudes. Era mais do que fraca, era uma covarde sem deixar nem pôr.

As palavras do homem ressonavam em sua cabeça. "Você não passa de uma bisbilhoteira de péssimas habilidades mágicas. A única coisa que você sabe é escrever, falar o que não deve, e se meter em encrencas, claro" Ela fechou os olhos, tentando controlar os ânimos e expulsar aquilo de sua mente.

- Eu sei. - Scorpius respondeu, estava encostado na parede, de braços cruzados, com o olhar fixo na ruiva encolhida na poltrona defronte a intimidadora mesa onde em breve Harry Potter se sentaria, assim que chegasse de onde estivesse. - Mas prefiro não contar com a sorte.

- Como se você acreditasse nisso. - Lily revirou os olhos e o barulho de passos a vez levantar o rosto apenas para encontrar com os do pai que parecia cansado, velho e muito preocupado. Aquela imagem só a fez ter náuseas e ela baixou a visão rapidamente, encolhendo-se mais ainda. Sentiu ele passar por ela e sentar-se na mesa.

- O que aconteceu? - Perguntou preocupado.

- Eles foram atrás dela. - Scorpius indicou Lily que apenas sentia os olhares em si. Pelo menos Scorpius havia convencido James e Ginny a deixarem eles a sós por enquanto. O problema era que Lily teria que explicar tudo depois, sozinha. Tinha esperanças que o pai fizesse isso por ela, não conseguiria falar tudo. Não conseguiria encarar aqueles que tanto amava depois do que acontecera. Sentia-se a pior das criaturas.

- COMO? - Harry exaltou-se, levantando-se da cadeira e se ajoelhando ao lado da filha. - Lily, querida, como você está? Fizeram-lhe algo? O que aconteceu?

- Eu... Pai... Eu estou bem. - Lily desviou os olhos dele, mas deixou-se ser abraçada e reconfortada. - Eles não fizeram nada, só me ameaçaram e mandaram um recado para o Ministério.

- Bastardos! - Harry praguejou. - O que eles disseram? Scorpius, entre em contato com Grissom, isto passou dos limites.

- Sim, senhor. - Lily viu o loiro precipitar-se para a lareira que havia ali e voltou a fitar o chão.

- Disseram que o Ministério não se intrometesse no caminho deles ou muitas pessoas pagariam por isso. E que eles não eram uma legião qualquer de assassinos.

Harry praguejou mais alguma coisa e levantou-se ante ao pigarreio de uma voz desconhecida.

Lily levantou os olhos e viu uma cabeça flutuante entre as chamas. Era um homem já velho, tinha os cabelos ralos e uma espessa barba negra. Na testa havia uma cicatriz, assim como no lado de uma das bochechas. Aquele deveria ser o homem que estivera falando com o pai no dia anterior.

- O que aconteceu dessa vez, Harry? - O homem perguntou analisando Lily por alguns instantes antes de fixar-se no pai dela.

- Foram atrás da minha filha. - Seu pai falou friamente. - Muita coincidência estarem atrás dos meus filhos, não Grissom?

- O que você acha? Estão perseguindo você? - O homem perguntou sério.

- Não é uma coisa impossível. - Scorpius pronunciou-se, lançando um breve olhar para Lily.

- Sim, mas por que matariam outras 13 pessoas desconhecidas e em diferentes locais da Europa? - Grissom perguntou sério e Lily soltou um gemido baixo, era pior do que pensara. Novamente a sensação de que poderia estar morta àquela hora a assolou e ela sentiu o corpo tremer.

- Como se eles fizessem sentido. - Harry resmungou esfregando a testa. - O que sabemos até agora?

- O mesmo. Apenas que mais uma pessoa desapareceu. - Grissom falou sombriamente e olhou para Lily. - Você conhece Richard Zabini, Srta. Potter?

Lily arregalou os olhos, chocada e levantou-se num salto.

- Richard? O que... Ele foi capturado? - Perguntou com a voz trêmula.

- Sim. A mãe disse que ele iria se arrumar para visitar a senhorita quando escutou um grito e não havia ninguém no quarto dele, só uma janela escancarada. - Grissom relatou e os três homens fitaram-na em silêncio, esperando a reação dela.

- Impossível. - Lily disse por fim, tentando controlar a voz e a tremedeira nas pernas. - Ele não iria me visitar hoje. Ele não avisou nada.

- Então você o conhece? - Grissom perguntou.

- Sim. Somos colegas de trabalho. - Lily disse esfregando o rosto e sentando-se novamente. - Deus, eu falei com ele antes de sair do trabalho...

- E ele disse alguma coisa, Potter? - Scorpius perguntou sério. Os dois se encararam e Lily pode ver os olhos ainda raivosos dele em direção a ela, mas também havia preocupação.

- Não. Nada que pudesse ser relevante para o caso. - Lily resmungou. - Conversamos sobre o trabalho e a premiação Rita Skeeter.

Ela não viu sentido mencionar as insinuações dele para ela, ou o convite de irem juntos à premiação. Aquilo era íntimo seu.

- Qual o seu grau de proximidade com o homem? - Grissom perguntou. O pai de Lily mantia-se em silêncio, pensativo.

- Já disse, somos colegas de trabalho. - Lily respondeu nervosamente. Tinha a sensação de estar sendo interrogada como se fosse uma suspeita.

- Então por que ele iria visitá-la? - Grissom insistiu e Lily lançou-lhe um olhar frio.

- Se quer perguntar se eu tinha alguma espécie de envolvimento com Zabini seja mais direto, senhor. Melhor, me esclareça se eu estou na posição de suspeita aqui.

- Lílian! - O pai a reprimiu, finalmente pronunciando-se. - Não diga uma idiotice dessas, claro que você não está sendo tratada como suspeita.

- Não é o que parece. - Lily olhou para Scorpius que continuava encarando-a com animosidade. - Tudo o que eu tenho para falar é isso.

- Você não pode nos dar uma descrição dos homens? - Grissom perguntou à ela, mudando de assunto.

- Não. Eles estavam bem disfarçados. - Lily respondeu levantando-se. - Posso me retirar?

Os três homens trocaram olhares.

- Sim, querida. - Harry respondeu por fim, cansado.

E sem dizer mais nada a ruiva retirou-se, seguindo direto para o quarto.


No dia seguinte, Lily levantara-se como se fosse um zumbi e se arrumou para o trabalho. Seguiria sua rotina normalmente, como se nada tivesse acontecido. Passara a noite toda em claro, com todos os acontecimentos revirando em sua mente. Pelo menos numa coisa o homem estava verdadeiramente certo, ela era uma bisbilhoteira e não iria desistir de descobrir sobre eles tão fácil assim. Estava decidida a seguir até o fim com aquilo, decidida a salvar Albus e Richard, sozinha, nem que sua vida fosse o preço a ser pago.

Ninguém diria que Lily Potter era uma covarde. E ela nunca mais passaria pelos momentos vergonhosos que passara no dia anterior. Nunca mais. Jurou para si mesma saindo o quarto. Ainda era cedo demais e então teve sorte de não encontrar com ninguém pelo caminho. Assim, ela tomou rumou para o Beco Diagonal e aparatou em frente ao edifício do Jornal. A porta giratória estava travada. Ela lançou um olhar pela longa rua vazia e pôs-se a andar e direção ao beco onde fora abordada. Não sabia direito por que estava voltando ao local, mas tinha a necessidade de ir ali.

-Bastardos. -Praguejou lembrando-se do modo como os dois divertiram-se as suas costas, o ódio crescia dentro de si, ela recolheu os pedaços da varinha que ficaram jazidos ali. Olhou para o fim do beco onde eles haviam desaparecido e aproximou-se, analisando o local. Não havia nada demais ali, só uma parede de pedra. Pisou um pedaço de pergaminho e um selo chamou sua atenção. O papel tratava-se de uma carta e estava intacto com um selo vermelho, o símbolo de um quadrado. Ela abaixou para pegar a carta e olhou em volta, não havia ninguém ali além dela. Cuidadosamente abriu o papel e leu.

Se quiser saber sobre seu irmão apareça hoje à meia-noite em Stonebridge Park.

Se trouxer alguém, ou não comparecer, diga adeus à vida de Albus Potter.

L.P.

Um frio percorreu-lhe a espinha e um barulho a fez virar-se de supetão apenas a tempo de ver o baixinho do dia anterior lhe acenando perigosamente antes de sumir. Sem esperar mais nenhum segundo, Lily saiu correndo do local, a respiração descompassada. Decidiu que seria melhor providenciar uma nova varinha e seguiu para Olivaras. Estava confusa, o que eles queriam com ela? Primeiro pediam para ficar fora do caminho, depois a chamavam para um encontro. Aquilo não fazia sentido e era um mau sinal. Ela entrou no local e encontrou um rapaz um pouco mais velho do que ela, limpando o balcão. Ele sorriu.

- Pois não?

- Uma varinha. - Lily pediu depositando os restos de sua varinha no tampo, ao que ele arqueou a sobrancelha.

- Céus, que crime. - Murmurou catando os pedaços e levando para o fundo. - Volto já, Srta. Potter.

Ela aguardou, olhando para a rua lá fora. O movimento começava a crescer e qual não foi sua surpresa ao notar um par de olhos cinza fitando-a do outro lado da calçada. Estreitou os olhos para Scorpius Malfoy e ao saber que havia sido notado, o homem cruzou a rua e entrou na loja.

- Você não disse que eles tinham destruído sua varinha. - Ele comentou cruzando os braços, fitando-a.

- O que você quer Malfoy? - Ela perguntou cansada e ele ia responder quando o outro rapaz voltou.

- Bem, Senhorita, não há nada que se possa fazer pela sua varinha, mas preciso dizer que... Ela não parecia ser boa. - Ele disse notando Scorpius. - Posso ajudá-lo?

- Não. Estou apenas acompanhando a moça. - Scorpius sorriu, mas seus olhos demonstravam suspeita.

- Ah sim, claro. - O home deu ombros e voltou-se para Lily abrindo um sorriso simpático ao que ela tentou retribuir. - Vou pegar algumas varinhas novas.

Enquanto o homem desaparecia novamente, Lily deixou que a fita métrica tirasse suas medidas enquanto encarava Scorpius.

- Diga logo. - Murmurou impaciente.

- Não aqui. - Ele murmurou sem desviar dos olhos dela. - Você está um lixo, Potter.

- Olha quem fala. - Ela retrucou mau-humorada, tentando não se deixar intimidar pelo que acontecera no dia anterior. Simplesmente apagaria aquelas atitudes idiotas que tivera e recomeçaria seu plano, dessa vez sem falhas. Malfoy estava com escuras olheiras ao redor dos olhos, a barba começava a crescer e sua aparência era cansada. Pelo menos ela podia recorrer a maquiagem, ao contrário dele.

- Teste estas. - O homem voltara com algumas caixas finas e compridas.

Depois de alguns minutos, finalmente Lily encontrara sua varinha.

- Muito bem, é uma varinha poderosa para duelos, senhorita. - O homem informou entregando a mesma a Lily e recebendo o pagamento.

Scorpius deu uma risada debochada e Lily fechou os olhos, sentindo o sangue subir à cabeça.

- Obrigada. - Esboçou um sorriso para o homem e saiu da loja passando reto por Malfoy. Mal dera cinco passos na rua quando ela agarrou seu pulso e ela gemeu, pois ele tocara justamente onde estava dolorido.

- Hum... - Ele fixou seu olhar nas marcas roxas ao redor dos pulsos da mulher. - Eu que fiz isso?

- O que você acha? - Lily perguntou sarcástica, tentando andar mais depressa.

- Não foi minha intenção. - Ele falou num tom de desculpas, mas seu rosto era puro sarcasmo.

- É. Que culpa você tem se é um cavaleiro e não cavalheiro? - Lily alfinetou empinando o queixo e andando em direção ao prédio do jornal.

- A mesma que você tem se é uma covarde e não uma garota sensata. - Ele respondeu na mesma moeda e ela virou-se, lhe dando um soco no estômago que o fez cambalear para trás e ficar sem ar por pelo menos 2 segundos antes que ele avançasse nela e prendesse seus braços na costa.

- Nunca mais pense em fazer isso. - Sibilou irritado.

- Me solte, Malfoy. Eu vou gritar no meio dessa rua, estou falando sério. - Ela ameaçou notando algumas pessoas lançando olhares estranhos para eles.

- Como quiser. - Ele a empurrou e Lily quase caiu de cara no chão, mas antes que pudesse terminar sua queda ele puxou-a novamente, arrastando para uma alcova entre duas lojas, num lugar não tão movimentado. - Agora você vai me escutar, Potter.

- Não vou escutá-lo droga nenhuma. - Lily controlou-se para não berrar e soltou-se dele imediatamente. - Odeio você, não me toque, não me procure, me esqueça Malfoy.

- Só nos seus sonhos. - Ele a prendeu de novo e empurrou-a contra a parede, as costas de Lily doeram e ela mordeu o lábio para minimizar a dor ao tempo em que Scorpius a encurralava. - Ou você me escuta, ou você me escuta.

- Você está me agredindo, Malfoy. - Ela acusou-o tentando sair dali. - Eu vou te denunciar, vou acabar com sua carreira, sua vida... Seu... Seu...

- Quietus. - Ele silenciou-a e tomou sua varinha. - Quando você vai aprender que a varinha é o que você tem de mais importante, Potter?

Ela tentou falar, mas estava muda.

- Primeiro, eu sou um cavalheiro com quem merece. E você definitivamente não merece nada. - Seus olhos estreitavam-se perigosamente. - Eu também não gosto nenhum pouco de você. Não me importaria de nunca mais lhe ver na vida, na verdade, seria um alívio, visto que você não faz nada que preste e só se mete em problemas que não pode resolver sozinha. Agora, eu não vou brincar de odiar você por que não há tempo pra isso, seu irmão está seqüestrado, seu namoradinho também e tantas outras pessoas, sem falar nas 13 que foram encontradas mortas. Você foi à única que entrou em contato direto com eles e voltou para contar histórias. Metade dos aurores está suspeitando de você, a outra metade só não diz nada por medo de Harry Potter. Eu não acredito que você tenha qualquer ligação com eles, você simplesmente não tem nada para oferecê-los. Mas caso eles entrem em contato com você de novo, me comunique imediatamente, está entendendo?

Ele parou para tomar ar e ela estava com o rosto vermelho de raiva. Parecia querer avançar nele a qualquer segundo.

- Agora é tarde demais pra fugir de tudo isso Potter, espero que esteja feliz, conseguiu mais uma grande e estúpida aventura pra você. - Ele falou com desprezo, retirando o feitiço dela e lhe devolvendo a varinha. - E fique de olho nas pessoas do seu trabalho.

Então antes que ela pudesse argumentar qualquer coisa o loiro desapareceu num rodopio.

- Filho da puta! - Urrou dando um tapa no ar e seguindo furiosa para o jornal.


- Lily, o que aconteceu? - Matilda apareceu na porta da sala da ruiva após mais um barulho de vidro sendo quebrado.

- Dê o fora, Matilda. - Lily disse grossa, jogando mais um peso de papel de cristal contra a parede oposta. - Estou falando sério, posso jogar isso em você se me irritar hoje.

A garota guinchou e saiu correndo ao que Lily suspirou enterrando o rosto entre as mãos, tentando recobrar o juízo.

- Aquele desgraçado... - Sua voz tremia de raiva ao relembrar-se da conversa com Scorpius. - Ele me paga.

Ela levantou-se, chutando a cadeira e sentindo uma dor no pé que tratou de ignorar enquanto caminhava para olhar pela janela a rua movimentada. Não viu nada de suspeito e como não tinha muito que fazer ali durante o dia pegou a bolsa e saiu do trabalho, precisava espairecer e pensar em algo. De noite tinha um encontro, isso era inegável.

Decidiu andar pelo Beco, mas vendo que aquilo só a irritara mais ainda, procurou sair do mundo bruxo, indo refugiar-se num parque trouxa, Green Park. Sentou-se num dos inúmeros bancos que havia ali e ficou fitando o laguinho a sua frente, pensando no que faria durante a noite. Tinha descartado a possibilidade de ser assassinada, pelo que estava vendo, a Legião poderia matá-la a hora que bem entendesse, parecia que sabiam exatamente onde ela estava a todo o momento. Então não escolheriam matá-la à noite, mas ao mesmo tempo, eles não tinham métodos convencionais. Soltou o ar e mordeu o lábio inferior.

Numa coisa Malfoy tinha razão, por algum motivo desconhecido eles vieram até ela e deixaram que ela escapasse com vida. E ela nem podia imaginar o por quê, como o próprio loiro dissera, ela não tinha nada de especial para oferecê-los, era péssima em duelos e nem gostava de duelar, e também não exercia nenhum cargo importante no Ministério ou em qualquer lugar, era só uma jornalista. Renomada, claro. Mas apenas uma jornalista. Nenhuma habilidade mágica fabulosa, ou destreza impecável.

Fechou os olhos, realmente, era uma pessoa comum e deprimente. Uma bruxa das piores, tinha a varinha e quase não a usava, provavelmente a única coisa mágica que fazia diariamente era aparatar, e na maioria das vezes ainda recorria à lareira por não se lembrar com clareza do lugar que pretendia ir. Perto de seus irmãos Lily ficava ofuscada, Albus era um auror tão brilhante quanto o pai enquanto James era um especialista em feitiços, sem contar que havia sido nomeado Diretor de Hogwarts apenas há alguns meses. O mais novo diretor de todos os tempos com apenas 25 anos. E ela, ah, ela era a Lily Potter, autodenominada jornalista investigativa, mas que não passava de uma bisbilhoteira sem artimanhas e métodos, que provavelmente conseguia grandes furos, devido uma sorte descomunal. Isso sem falar no seu recém descoberto lado covarde e medroso que nenhum Potter possuía. Talvez fosse adotada.

- Merlin... - Por fim levantou-se e procurou um lugar discreto para aparatar. Já estava começando a inventar teorias.


- Lily? - Escutou a mãe chamá-la antes que pudesse chegar ao topo da escada. Virou-se lentamente, encarando o par de olhos castanhos-amêndoa da mulher.

- Sim? - Tentou sorrir enquanto descia novamente.

- Precisamos conversar, filha. - A mulher tinha um semblante pesado, e segurando a mão de Lily levou-a até o sofá.

- Mamãe...

- Não aceitarei desculpas. Estou tentando me manter calma e fora disso. Mas não dá, já estou sem Albus e não vou agüentar ficar sem você também. - A mulher falou. - Lily, não seja tão tempestuosa. Scorpius esteve aqui e me disse que você não está sendo nada fácil de lidar.

A ruiva cerrou os olhos, irritada. Aquele loiro tivera a audácia de ir conversar com sua mãe sobre ela, como uma professora conversa com os pais quando o aluno faz algo errado.

- Eu sei que vocês nunca se deram bem, mas dessa vez tente não o ver como o Scorpius e sim como um Auror que foi designado para cuidar de você. - Ginny aconselhou-a.

- Cuidar de mim? Ele? - Lily deu uma risada lacônica. - Não pode estar falando sério, mãe.

- Mas estou. Seu pai pediu a ele. Não parece, mas Harry confia mais em Scorpius do que qualquer outro Auror ali com exceção de seu irmão, claro. - Ginny falou soltando um longo suspiro. - Seja mais compreensiva, Lílian. Você não está numa brincadeirinha de policial e detetive, isto é sério. Seu pai está empenhado em achar seu irmão e desmascarar estes homens, mas ele não pode fazer isso sabendo que a filha dele está correndo perigo.

- Por que vocês me tratam como se eu não soubesse cuidar de mim mesma?! - Lily explodiu levantando-se. - Que droga, eu já sou adulta mãe! Não preciso de uma babá, ainda mais aquele brutamonte do Malfoy.

- Lílian! - Ginny a repreendeu impaciente, também se levantando.

- Não venha com 'Lílian' parece que eu não faço nada certo, todos só sabem me criticar, dizer que eu faço tudo errado, que eu não sei nada além de bisbilhotar, que eu nem sou digna de ter atenção de uma legião de assassinos, ah faça-me o favor. Não tem quem agüente. - A ruiva virou-se fazendo menção de subir as escadas.

- Se você não quer ser tratada como uma criança, pare de agir feito uma, Lílian Potter. - Ginny repreendeu-a.

Lily lançou um olhar ferido à mãe subiu correndo, trancando-se em seu quarto.

Que o resto do mundo se danasse. Primeiro iria mostrar que era muito mais do que eles esperavam, iria acabar com aqueles assassinos, sozinha, desmascarando-os, depois tocaria sua vida, tomaria um novo rumo que seria sair de casa e se mudar para bem longe de todos eles. Pelo menos, com dois Rita Skeeter na sua bagagem, ela poderia arranjar emprego no jornal bruxo que quisesse. Quem sabe o Japão? Parecia ser um lugar bastante afastado.

Tomou banho e vestiu-se, pegando sua velha vassoura e saindo da casa pela janela do quarto. Não poderia deixar qualquer rastro de onde estaria indo. Levava consigo uma poção de atormento e sua varinha, assim como um celular trouxa e a carta da legião. Trajava uma calça de couro preta, um suéter cinza e uma comprida e capa também preta. Encobriu o rosto com um capuz e jogou a velha capa de invisibilidade do seu pai sobre si, apenas a ponta do cabo da vassoura ficava visível e durante à noite, se voasse alto o suficiente, seria imperceptível para os trouxas.

O relógio de pulso marcava oito horas da noite.


N/A: Olá gente! Hoje é o dia de atualizar fics, que milagre! Ai, eu sei lá, eu adoro essa fic em particular, e olha que ela nem é do rol de shippers famosos, S&L, a maioria prefere S&R, e eu detesto. Ugh, sei lá. Pra mim é reviver Draco e Hermione, só que ela ruiva, e eu odeio esse shipper. Anyway, aqui está mais um capítulo e eu quero pedir desculpas pela Lily ser tão... Estúpida e fraca nessa fic (completamente o oposto da It Girl), mas se eu disser que é só por enquanto, vocês aguentam? AJISOIJAO, enfim, beijos.

Reviews:

Lysss: Eu te entendo. Eu sofro quando eu escrevo a Lily nessa atitudes minhocas dela, por que eu gosto das minhas personagens fortes e ousadas, mas... É um mal necessário.

Lys: Você é a mesma Lysss, não é? Ou é outra? Enfim, não se preocupa, ela vai parar de chorar. Eu acho. OJAIOJSIOAJ.

Alexa: Que bom que você gostou! Espero que continue acompanhando!