Disclaimer: Nada de pertence, nem Scorpius T_T'
Capítulo Quatro – Schloss Greengrass
Lily terminou de colocar a última peça de roupa na mala de viagem e olhou em volta. O quarto estava impecavelmente arrumado, os armários um tanto vazios pelos objetos que ela empacotara. Sentou-se na cama, fechando a mala com um aceno de varinha e colocando-a ao lado de outras duas e mais uma caixa. Dali a pouco ele chegaria.
- Terminou tudo, filha? – Ginny entrou no quarto com um sorriso no rosto.
- Sim, mãe. Acabei de terminar. – Lily respondeu, forçando sua melhor expressão de ansiedade e animação. – Você vai ficar bem?
- Óbvio que vou. – Ginny sorriu, passando a mão pelos cabelos da filha. – Ah, que bom! Pelo menos uma coisa boa!
- Mãe, eu não sei se isso é certo. Albus está... E eu aqui... – Ela tentou completar a frase. Fazia parte do fingimento se mostrar preocupada com o bem estar dos pais, para que eles não desconfiassem da efemeridade dos acontecimentos. Mas naquela sentença em particular, ela não estava atuando.
- Filha, não diga isso. – Ginny a repreendeu. – Albus ficaria muito irritado se soubesse que você parou sua vida por causa deste incidente, você vai ver que logo ele vai estar de volta e muito feliz com o rumo das coisas.
- Não sei, mãe. – Lily soltou um suspiro, sentindo o coração se contorcer ao ver a mãe tão alegre. – Você realmente não se importa?
- Claro que não! – Ela sorriu. – Desde quando vocês eram adolescentes eu sempre imaginei que acabariam juntos! Vocês são tão perfeitos um para o outro, filha.
Lily não conseguiu evitar a careta de desgosto, porém tratou de se redimir.
- É estranho pra mim. – Disse dramaticamente. – Quando era escondido parecia irreal, mas agora que estamos oficializando... Quer dizer, acho que você entende.
- Talvez entenda. – Ginny sorriu, pegando as mãos de Lily entre as suas. – Sabe filha, eu sei que Scorpius e você têm personalidades fortes e vivem em batalha, mas ainda assim tenho certeza de que vocês serão muito felizes juntos. E acho que esse noivado veio na melhor hora, para afastar toda essa tristeza.
Lily limitou-se a sorrir, profundamente incomodada sobre o modo como a mãe falava da relação inexistente entre ela e o outro. Suspirou pensando em como pudera se enfiar naquele plano idiota dele. Havia sido os piores dois meses da sua vida.
Desde aquele fatídico dia em que Scorpius trouxera à tona a idéia de se casarem, sua vida definitivamente virara de pernas para o ar. A ruiva suspirou, olhando para a fotografia onde os dois estavam abraçados, encenando um amor tão falso quanto qualquer outra coisa.
O loiro queria que eles se casassem imediatamente e partissem de uma vez. Mas, se aquilo tivesse que dar certo, eles não poderiam apressar. Afinal, quem acreditaria que os dois que tanto se detestavam, haviam, de repente, decidido se casar e viverem felizes para sempre?
Então decidiram passar dois meses num teatro para enganar os mais importantes. Os pais. Felizmente, o suporte de Gina havia sido indispensável para que convencessem Harry e seu irmão, James. Este o mais relutante em engolir a história do ódio que virou amor. Já os pais de Scorpius, Lily suspeitou que nem que fosse a melhor atriz do mundo, ou até mesmo gostasse do loiro de verdade, eles aceitariam o 'relacionamento' deles.
- Eu sei que isto entre vocês não é real. – Daphne declarara durante um dos inúmeros jantares na casa dos Malfoy. – Não sei por que, mas sei que é tudo fingimento.
Lily olhou para as suas mãos, unidas com as da mãe e levantou o olhar, tentando parecer realmente empolgada.
- Ele está demorando. – Tentou parecer nervosa. Intimamente desejando que Scorpius tivesse morrido no meio do caminho. Como pudera ter se colocado naquela situação?
- Ah, claro que não. – Gina sorriu e se levantou. – Já, já estará chegando. Agora vou ver o almoço como está saindo.
- Almoço? – Lily perguntou nervosa.
- Ora, mas é claro. Ou você realmente acha que eu vou deixar os dois partirem sem uma despedida sequer? – Gina perguntou revirando os olhos e saindo do quarto. – Todos vão vir.
As coisas não poderiam ficar piores. Lily sabia muito bem o que a mãe queria dizer com Todos. Só de pensar em todos os Weasley ali, ela gemeu. Levantou-se, andando de um lado para o outro. Realmente esperava que Scorpius apenas a pegasse e os dois saíssem dali. Agora teria que fingir, pelo menos por algumas horas o quanto estava feliz em viajar com o amado noivo.
Havia uma coisa boa em tudo isso. Ele ficaria furioso, e seria realmente divertido ver Scorpius encenar felicidade quando queria fugir do local como quem está fugindo de uma Mortalha. Ela estampava um sorriso quase sádico quando a porta foi aberta e ele surgiu, vestido impecavelmente, com um buquê de hortênsias nas mãos.
- Já era tempo. – Lily desfez o sorriso.
- Você já está pronta? – Scorpius perguntou entrando e fechando a porta. Em seguida depositou as flores sobre uma mesa e cruzou os braços, lançando um olhar as malas de Lily. – Vamos viajar, não nos mudar.
- É mesmo? Que pena. – Lily revirou os olhos e sorriu, pegando um conjunto de roupa que estava sobre a cama e indo para o banheiro.
- Não demore. – Escutou a voz de Scorpius e o barulho de gavetas e portas sendo abertas. Ele tinha uma mania frustrante de ficar mexendo nas suas coisas. Ela pôs o vestido, incomodava-a que ele revirasse o seu quarto, como se tivesse direito de fazer isso. Ora, bolas.
Penteou os cabelos, resolvendo prendê-los num coque frouxo e maquiou-se levemente. Ficou exercitando expressões faciais de alegria e felicidade em frente ao espelho até dar-se por satisfeita e sair, encontrando-o brincando com uma bola de cristal da época que ainda estudava em Hogwarts.
- Não acredito que você realmente fazia adivinhação. – Ele disse, jogando a bola de vidro de uma mão para a outra.
- O que tem de mal nisso? – Ela perguntou tentando tomar a bola da mão dele. – Me dá isso! Se você quebrar...
- Opa, então tem ligação afetiva com uma bola de cristal, Potter? – Ele perguntou com sarcasmo, jogando o objeto cada vez mais alto apenas para provocá-la.
- Óbvio que sim! – Lily retrucou, pegando a varinha e tomando a bola, com cuidado de esconder longe das vistas dele. – Ganhei de presente.
Scorpius estava deitado sobre a cama dela, os braços estirados de forma que apoiasse a nuca nas mãos. Ela tentou não olhar muito para os músculos distendidos de seus membros, e principalmente para a camisa negra que lhe caia bem demais para o gosto da ruiva.
- Já está pronta? – Ele perguntou analisando-a de cima a baixo.
- Sim. – Lily revirou os olhos colocando os brincos e enfiando os pés nas sapatilhas de salto da cor do vestido. – Mas você está ciente de que temos um almoço de despedida para ir, não?
- Um... O quê? – Scorpius sentou-se, olhando-a com incredulidade.
- Sempre suspeitei que você fosse surdo. – A ruiva gracejou com ironia. – Não fique assim tão pálido, Malfoy. Vão pensar que você não gostou nenhum pouco da surpresa!
- Você é tão engraçada, Potter. – Scorpius se levantou. – Pegue suas malas e vamos logo! Eu sei que não existe almoço nenhum!
- Sorria. – Lily ordenou enquanto entregava ao loiro uma taça.
Ele a encarou, pegando a taça e fazendo questão de apertar a mão dela, enquanto forçava um sorriso quase sádico, que apenas fez com que Lily abrisse ainda mais o sorriso.
- Isso mesmo. – Ela deu tapinhas nos ombros dele, fingindo alisar a roupa. – Seja um bom menino.
Scorpius respondeu com um resmungo grosseiro, porém baixo. A ruiva apenas deu ombros, aproximando-se o suficiente para dar um beijo no rosto dele, como mandava a encenação. E principalmente por que Rose os analisava enquanto cochichava com Hugo.
- Você me paga, Potter. – Scorpius falou entre dentes, enlaçando-a pela cintura e sussurrando ao pé do ouvido dela. Lily sentiu um arrepio pelo corpo, odiava quando ele fazia aquilo, mas forçou-se a dar um risinho.
- Eu não te devo nada. – Disse acariciando o queixo dele, fazendo questão de arranhá-lo com as unhas. – Isto é uma devolução pelo jantar com seus pais.
- Ora, nem compare! – Scorpius bufou. – Meus pais são duas pessoas, não todos os seus parentes!
- Não seja exagerado. Dominique, Teddy, Victorie e tio Percy não puderam vir! – Lily disse docemente, cada vez mais satisfeita pela irritação que causava nele.
- Ah sim. Que pena, não! – Ele resmungou, apertando-a deliberadamente. – Podemos ir agora? Meus músculos faciais estão doendo.
- Os meus estão dormentes. – Lily suspirou, se sentindo cansada e se soltando dele. – Para onde vamos, afinal?
- Alemanha. – Ele respondeu. – Se eu sobreviver ao seu irmão. Ele realmente não acredita em nós dois.
- Não acho que os outros acreditem. – Lily disse. – Quer dizer, talvez eles até pensem que pode ser real, mas é difícil crer.
- O que interessa é que seus pais acreditam. – Scorpius retrucou, olhando para o casal que conversava com os melhores amigos. Harry havia ficado meio desconfiado, porém não conseguiu esconder a satisfação de ver que Lily se casaria com ele. Idem Gina, esta quisera dar um jantar em comemoração com as famílias que... Causava arrepio nos dois ao lembrarem-se.
- Odeio mentir para eles.
- Não comece o drama, Potter. – Scorpius fitou-a com descaso. – Se você quer ser uma boa espiã, comece não demonstrando seus sentimentos.
Ela revirou os olhos, engolindo algumas ofensas. De certa forma ele tinha razão. Se ela estava enfiada naquela situação bizarra era também por culpa dela. Afinal, Scorpius podia ter vindo com a proposta, mas ela quem aceitara sem pestanejar. Novamente incitada pela possibilidade de fazer algo mais do que escrever. De mostrar capacidade.
- Vamos passar quanto tempo fora? – Perguntou, mas teve que mudar de assunto quando Rose e Hugo se aproximaram.
O primo vinha acompanhado de uma mulher deslumbrante. Lily sentia-se hipnotizada pelos misteriosos olhos violeta que a outra possuía. Tinha uma postura graciosa, de estatura mediana e com longos cabelos negros. Trocara algumas palavras com ela no início do almoço, se chamava Meridiana, e chamara a atenção não só de seu irmão James, como de Scorpius.
- Lily! – Hugo se aproximara. – Você já vai?
- Acho que sim. – Lily respondeu sorrindo, segurando a mão de Scorpius. – Já vamos, amor?
- Sim. – Scorpius respondeu, sorrindo simpaticamente. – Vou falar com seus pais um instante.
E beijou Lily no rosto, se afastando rapidamente. Ela sorriu divertida, observando-o fugir da conversa com seus primos o mais rápido que a etiqueta permitia.
- Ainda não consigo acreditar. – Rose suspirou. – Vocês dois juntos... Quer dizer, em Hogwarts...
- Ah, Ros, não comece! Hogwarts faz tanto tempo! – Hugo revirou os olhos, sorrindo para a prima. – Você parece bem feliz, Lily.
- E eu estou! – Lily exclamou, mas pode jurar ver um olhar de descrença em Meridiana. – Eu sei que é meio difícil acreditar. No início parecia impossível para mim.
- Mas... Para onde vocês vão? – Rose perguntou.
- Alemanha. – Respondeu a ruiva e sentiu um desconforto vindo de Meridiana. – Mas ele está mantendo surpresa o local exato.
- Ah sim. – Hugo também pareceu meio ressabiado, lançando olhares furtivos a sua acompanhante. A ruiva franziu o cenho, mas resolveu ignorar as atitudes estranhas. Ficara visivelmente surpresa quando o primo trouxera a mulher, afinal, desde que Hugo perdera a namorada há quatro anos, havia se isolado afetivamente. E Lily duvidava muito de que a beleza estonteante de Meridiana não o afetasse nenhum pouco.
- Lily. – Scorpius a chamou.
- Acho que vou indo. – Ela suspirou, tentando conter a tristeza típica de quando tinha que ir embora das reuniões dos Weasley que tanto adorava. Abraçou cada um, inclusive Meridiana que pareceu chocada com sua atitude.
Em seguida foi até o 'noivo' e despediu-se do resto dos parentes. Tentando não ligar para os olhos marejados de Gina. Houve um ou outro momento tenso, quando se despediram de James e de seu tio Ronald, mas correu tudo bem até aparatarem.
Lily olhou em volta ao sentir o chão firme sob seus pés. Estavam no topo de uma colina. A descida era íngreme e repleta de pedras, mas a vista lhe tirou o fôlego. Ao seu redor um manto verde-musgo estendia-se, com pinheiros altos por todos os lados, também podia se ver um rio de águas prateadas serpenteando entre outros montes menores e logo ao pé de onde eles estava havia um castelo fortificado, todo em pedra.
- Aonde estamos? – Ela perguntou soltando um suspiro contemplativo.
- Baviera. – Respondeu Scorpius, os olhos cerrados pelo vento frio que açoitava as copas das árvores. – Bem vinda à Schloss Greengrass.
- É da sua família? – Lily perguntou, tentando não fingir surpresa, mas a curiosidade era evidente em seu tom de voz.
- Sim. – Scorpius assentiu enquanto eles começavam a traçar uma descida do topo. - E vamos ficar aqui durante esse mês.
- O que faremos aqui?
- Treinar. – O loiro o respondeu, segurando-a pelo pulso quando Lily escorregou num amontoado de pedras pequenas. – Cuidado, são escorregadias.
Eles continuaram a descida em silêncio. Após o terceiro tropeço da ruiva, Scorpius decidiu segurá-la pelo cotovelo e tomar a dianteira. Levaram quinze minutos para chegar até a beira do fosso que separava o castelo e sua murada do resto do terreno. Lily lançou um olhar para a água negra e calma da vala.
- O que tem aí? – Perguntou.
- Nada que te dê vontade de mergulhar. – Scorpius respondeu, guiando-a pela beirada até pararem em frente a uma porta de madeira. – Vamos entrar pelos fundos.
Ela observou enquanto o loiro brandia a varinha para um salgueiro que se erguia bem no limite da terra com a vala. Segundos depois, Lily escutou barulho de galhos e raízes sendo retorcidas e qual não foi sua surpresa quando as raízes se transformaram em uma ponte que se estendia até o outro lado, e os galhos virarem corrimões.
- Legal. – Disse para Scorpius enquanto andava por ele pela ponte.
- Eu sei. – Ele respondeu, abrindo a porta e fazendo sinal para que ela seguisse primeiro.
Desembocaram num pátio de pedra vazio. À exceção de um monte de feno que era cortado por uma foice enfeitiçada e colocado em carrinhos de madeira que quando enchiam, andavam sozinhos até um casebre de pedra de onde se escutavam relinchos.
- Cavalos? – Perguntou Lily apontando para a casa.
- Não. Testrálios. – Respondeu Scorpius caminhando em direção a um arco de pedra que passava por baixo de um passaredo do castelo. Lily o seguiu, já estranhando que ninguém tivesse vindo chamá-los. Depois de caminharem mais alguns minutos, pararam em frente a uma majestosa porta de carvalho que Scorpius abriu ao tocar no brasão entalhado.
- Bem vindo, Lorde Malfoy. – Uma estátua de bruxa que estava parada no hall de pedra disse. – Bem vinda, Lady Malfoy.
Lily franziu o cenho, confusa, porém seguiu Scorpius.
- Por quê...?
- O anel de noivado. – Respondeu Scorpius, tirando o casaco de viagem. – Essas estátuas antigas foram enfeitiçadas para considerar noivado quase como um casamento. Você sabe, na época antiga um noivado era uma coisa séria.
- Ah, claro. – Lily deu ombros, ainda com 'Lady Malfoy' ressonando na sua cabeça. – Por que te chamou de Lorde?
- Por que minha família é dona desse castelo desde a época Feudal. Para as estátuas continuamos sendo Senhores Feudais. – Respondeu Scorpius, fazendo sinal para que ela o seguisse.
- Hum, faz sentido. – Lily deu ombros, também tirando a capa de viagem e ajeitando os cabelos alvoroçados pelo vento.
O interior do castelo estava quente, e por mais inabitado que parecesse, não havia qualquer sinal de cheiro de mofo e as tapeçarias brilhavam de tão bem polidas. Lily tentava não pensar na idéia de ter Scorpius como único outro ocupante daquele lugar. Era impensável dividir o mesmo teto que ele e esperar que saísse sã no final.
- Vou mostrar o seu quarto. – Scorpius disse, esperando ela para que eles subissem a escadaria.
Lily o seguiu por intermináveis corredores até que ele parou em frente a uma porta branca de detalhes dourados.
- Aqui. – Scorpius girou a maçaneta revelando uma ante-sala luxuosa e bem decorada. – O banheiro é naquela porta, e o quarto naquela outra. Acha que consegue voltar até o saguão, sozinha?
O tom dele era debochado e Lily sentiu as orelhas esquentarem.
- Claro que sim. – Mentiu irritada, tentando não demonstrar o deslumbramento com o aposento que seria seu naquele mês.
- Ótimo. – Ele sorriu mostrando que não acreditava em nada nela. – Meu quarto fica na outra ala. Encontraremo-nos lá embaixo para jantar, enquanto isso, eu sugiro que você descanse bem, Potter.
- Certo. – Lily respondeu, fechando a porta na cara dele e virando-se para olhar ao redor. Esperou alguns segundos e soltou um gritinho animado, correndo de um lado para ao outro do local enquanto observava os detalhes de perto. Quando criança, sempre sonhara em ter um quarto daquele jeito. Como o de contos de fadas trouxa.
N/A: Rááa, nem demorei, viram? Entretanto não se acostumem, pode tudo ser ilusão. IUAHDIUADA
Quero deixar beijos especiais para as pessoas que comentaram: 28Lily, Lizaaa, Lyz, bia_13, putz, os comentários são um incentivo enorme pra continuar escrevendo, vocês não tem ideia!
