N/A: Hey gente, desculpem-me pela demora, mas é que eu achei esse capítulo ruim, dei uma mudada nele e depois comecei o epílogo. Este, está quase pronto, então, vou terminá-lo e só dependerá de vocês para que ele venha o mais rápido possível. Ok?

E muito obrigada para minhas lindas May Busnello, A. Magnail, bgsmeinterfona,Tati Cullen H. e Nina Rickman, Cinthia B, Steh Cullen, Caroline Marques, e nokas potter cullen. O carinho de vocês é muito importante pra mim, tenham certeza! :D

Então, vamos para o último capítulo de nossa fic e... Rumo ao epílogo ;)

Capítulo 4. A imaginação nunca é como a realidade

A observei nervoso. Eu teria que lhe explicar algo que nem eu mesmo sabia a verdade. Era surreal demais para mim, tão surreal que, quando eu realmente pensava no assunto, me custava acreditar.

- E então? – Ela perguntou nervosa e eu mordi o lábio abaixando a cabeça.

- Não sei. – Falei sincero e voltei a olhar em seus olhos. – Eu... Simplesmente criei essa personagem, eu... Foi do nada. – Dei de ombros. – Eu estava cansado, queria escrever algo novo e assim foi. Comecei a pensar em tudo e a personagem foi surgindo. Foi se moldando, foi criando a forma que... Quando eu percebi, já não sabia como ela tinha ficado daquele jeito, como havia chegado até ali.

Alice me observou. Curiosa. Confusa. Perturbada.

- Eu... Nunca te vi em minha vida, eu te juro. Mas... Foi assim. – Respirei fundo procurando as palavras. – Eu quase enlouqueci quando eu te vi em minha frente. – Falei. – Eu pensei que estivesse sonhando, que estivesse louco, que... Até cheguei a pensar que eu estava em um filme. – Confessei rindo e ela riu junto. – Mas... Não. Era a realidade. Uma mulher idêntica a outra que criei ali, bem na minha frente. Você... Tem noção do quanto isso é estranho? Do quanto... Droga, do quão confuso eu fiquei? Tem noção? – Respirei fundo e abaixei a cabeça. – Nem eu tenho... Não tenho mais noção, não tenho mais certeza de nada... Estou me sentindo como um... Um homem em um barco, sozinho... No meio do mar... Sem saber o que fazer pra sair daquela situação.

- E foi por isso que você ficou tão perturbado ontem? – Ela me perguntou. – Por eu ser tão parecida com uma personagem sua?

Assenti e levantei os olhos.

- Eu sempre... Fui solitário. – Falei. – Apesar de sempre ter as mulheres quando saía, sempre que eu me sentisse... Sozinho, apesar disso, eu não tinha alguém aqui comigo, todos os dias da minha vida. Dividindo a sua vida comigo. Eu... Não ligava para isso, ou pelo menos, eu acreditava que não ligava. Mas eu... Eu sentia falta, mesmo sem perceber. E foi... Sentindo toda essa falta, que eu criei Alice. Eu passei essa noite pensando nisso, enquanto a insônia tomava conta de mim. Eu te vi dormindo ao meu lado e então, me peguei pensando nisso. Criei Alice em um momento de carência, de solidão. Criei Alice pretendendo ter uma mulher ao meu lado sempre. Apenas uma única mulher... E...

- E? – Ela me perguntou.

- E eu acabei me apaixonando por ela. – Dei de ombros e sorri tristemente. – Eu fiz Alice de uma forma que eu gostaria que fosse, acabei me apegando a ela. Alice se tornou minha companhia nos dias que eu simplesmente não queria sair com a primeira mulher que eu visse na frente. Eu me vi preso a ela. Parece surreal, mas é verdade, eu estava apaixonado pela personagem que eu mesmo criei.

Assim que terminei de dizer tudo, Alice me olhou assustada. Seus olhos então ficaram tristes e marejados. Ela mordeu o lábio e eu notei que foi para segurar um possível choro.

- Você...

- Quando eu te vi... Eu fiquei sem ação...

- Você fez isso comigo... – Ela sussurrou. – Eu não acredito que você fez isso comigo! – Se levantou exasperada e passou as mãos pelos cabelos. – Eu não acredito nisso!

- Alice? – Me levantei assustado

- Agora que eu me toquei! – Ela olhou para mim. Seu olhar estava perdido, chateado... Uma lágrima rolou por seu rosto e eu reprimi a vontade de secá-la. Não era o momento, eu queria entender o motivo de tal atitude. – Você não dormiu comigo por mim! – Ela quase gritou e eu mordi o lábio. – Você dormiu comigo por ela! Foi por ela, você sentiu atração por ela, você se deixou levar por ela, eu fui apenas um brinquedo em suas mãos, apenas... Apenas...

Maneei a cabeça compulsivamente e segui até perto dela. Toquei seu rosto delicado e macio com as minhas duas mãos e o segurei fazendo com que ela olhasse para mim. Seus olhos ainda estavam lacrimejando e eu já sabia que logo veria mais lágrimas rolando por seu rosto de fada. Ela tremia e ao encarar meu olhar, desviou os olhos.

- Eu... Realmente não esperava isso... – Ela disse baixo, com a voz tremida. Levou seu olhar até o meu e engoliu em seco. – Você não imagina o quão magoada eu estou com isso tudo Jasper... Eu sabia que não passaria de uma noite, porém eu senti algo tão forte por você, que eu realmente não me importei com isso, mas... Eu não esperava isso de você. Nunca. – Ela começou a manear a cabeça e fechou os olhos deixando com que as lagrimas tivessem sua liberdade. Seu nariz delicado e pequeno estava avermelhado e ela ainda tremia. Ela abriu as pálpebras e seu olhar era de magoa, tristeza e poderia até arriscar que havia ódio. Ódio naqueles lindos olhos azuis.

- Alice me ouve.

Ela fechou os olhos mais uma vez e abaixou a cabeça. Ainda sem soltar seu rosto com uma mão, coloquei o indicador da outra em seu queixo e levantei aquela rostinho de boneca. Ela precisava olhar para mim.

- Não. Eu não fiz isso. – Falei olhando em seus olhos. – No começo, eu relutei para que tudo isso acontecesse porque eu mesmo cheguei a desconfiar disso, mas não. Não é a verdade. Tudo o que aconteceu foi com você. – Passei um dedo em sua bochecha. – Eu confesso que quando a gente se beijou, eu tinha essa dúvida, confesso até que eu fiz tudo com essa dúvida. Mas era uma dúvida, eu já não sabia mais quem estava me deixando louco... E... Era você.

Ela nada disse. Seu olhar não largou o meu em nenhum instante desde que eu comecei a falar.

- Eu sei que nada vai passar disso, você sabe também, mas saiba que tudo... Foi por você e eu faria novamente.

Ela sorriu finalmente e encostou a cabeça em meu peito nu. Acarinhei seus cabelos e dei um beijo no topo de sua cabeça. Ela respirou fundo.

- Eu... Acho melhor eu ir embora. – Ela disse e sorriu. Mas não foi um sorriso. Seus lábios apenas se esticaram, pois não vi o sorriso em seu olhar. Ela tava triste mais uma vez. Se afastou de mim indo em direção ao quarto, mas eu segurei seu braço.

- O que houve Alice?

Ela abaixou os olhos.

- Nada... Eu... Obrigada por tudo. – Agradeceu e soltou meu braço indo até meu quarto. Assim que senti minha pele longe da dela, percebi exatamente o porquê da tristeza em seu olhar.

Eu agora estava sentindo ela também.

Run far away

Corra para longe

So I can breath

Para que eu consiga respirar

Even though you're

Embora você esteja

Far from suffocating me

Longe de estar me sufocando

I can't set my hopes too high

Eu não posso criar muitas esperanças

'Cause every hello ends with a goodbye

Porque todo olá termina com um adeus

Alice e eu caminhamos até o local onde os policiais estavam. Era uma cabana que tinha ali perto, já que eles apenas estavam fazendo plantão por ali graças à chuva. E o carro dela estava lá. Segundo ela, havia dito sobre o veículo e pedido para que cuidassem dele. Porém, não era nisso que eu estava pensando.

Enquanto Alice caminhava ao meu lado, fiz minha mente se lembrar do que havia acontecido nas últimas 12 horas. E meu coração se apertou mais uma vez. Porque eu nunca mais a teria. Nunca. Nunca mais teria Alice em meus braços. Nunca mais olharia em seus olhos azuis ou poderia ver seu sorriso. Não por Alice... A Alice que me acompanha há tanto tempo, mas sim por Alice que esteve comigo durante as últimas horas. Alice Brandon mexeu comigo de uma maneira a qual nem Mary Alice poderia fazer.

Talvez... O nunca mais seja algo... Forte de ser dito. É verdade. Ainda tinha chances de nos vermos. Ou talvez não. O tempo poderia me dar essa resposta, mas meu coração estava preparado para uma despedida. Ou... Ainda estava tentando se preparar.

Afinal, foi tudo um sonho. Um doce sonho que acabou. Eu acordei e agora preciso voltar a ser o homem que eu sempre fui. Eu não dependia de ninguém para isso. Era simples.

Eu estava pensando nisso quando chegamos ao local e Alice olhou em meus olhos. As nossas tristezas se cruzaram e eu mordi o lábio. Eu estava me sentindo sozinho.

- Obrigada. – Ela disse sorrindo enquanto abria a porta do carro. Assenti sorrindo também, mas assim como ela, eu não sorria de verdade. Alice andou até mim e me abraçou forte, colocando seu rosto no vão de meu pescoço. – Obrigada Jasper. Obrigada por tudo.

A segurei forte e sorri tentando domar aquele aperto no coração e aquela umidade em meus olhos. Depois respirei fundo com a boca e coloquei meu rosto em seu ombro, para poder sentir seu perfume. Aquele perfume natural que só ela tem. Aquele único, que vem de sua pele.

- De nada. – Sussurrei e ficamos abraçados assim por um tempo que eu não sei dizer o quanto. Meu coração batia forte em meu peito, eu podia senti-lo forte... Poderia dizer que eu poderia ouvi-lo também. A tristeza estava me dominando mais ainda e eu não queria assumir aquilo. Sempre fui forte, oras. Por que tanta tristeza ao me despedir de uma garota?

- Eu... Sentirei sua falta – Alice falou e aquilo quebrou qualquer ar de frieza que eu estava procurando ter. Fechei os olhos.

- Eu também.

Ela me soltou e olhou em meus olhos. Tocou nossos lábios de leve e saiu de perto de mim.

- Obrigada por tudo. – Ela sorriu e entrou no carro. Acenou e eu a retribuí com dor no coração. Ligou o motor e deu partida, indo de volta para seu lar. E eu observei. Observei seu carro indo para longe. Observei ela indo embora para longe... Observei Alice indo para longe de mim e isso me fez abaixar a cabeça.

E ali eu tive uma certeza:

Eu não iria mais conseguir escrever Alice. Não poderia mais viver todos os momentos maravilhosos que vivi com minhas palavras e minha Alice.

Porque minha imaginação não faria jus à realidade que eu vivi por doze horas.

Assim como ela não fez jus a realidade que existiu o tempo todo e que viveu longe de mim.

Ela não faria jus a Alice. Na verdade, ela nunca fez.