Capítulo 2 antes do previsto, porque percebi que se for postar com a mesma freqüência que Red John's Case, vai demorar seis meses pra postar tudo.

Agradeço os comentários, tanto na comunidade quanto aqui!

E agradeço mais ainda se puderem continuar comentando xD

Thanks!

Cap. II – Foragida.

Logo no começo do dia seguinte, o telefone tocou e Van Pelt atendeu. Tratava-se de um assassinato na cidade de Oakland.

- Adoro o cheiro de corpos pela manhã. – murmurou Jane, deitado no sofá.

- Hey, seus olhos estão inchados. – observou Rigsby.

Lisbon olhou para o consultor, lembrando-se das últimas horas do dia anterior. Demorara algum tempo até que ele se acalmasse. E havia dormido na agência. Lisbon sentiu pena dele. E apesar de saber que Rigsby era uma porta para entender sentimentos alheios, sentiu-se na obrigação de ir salvá-lo de um possível constrangimento.

- Aposto que não dormiu a noite toda. – Disse Lisbon, se esforçando para fazer uma voz de bronca.

- Desculpe, mãe. – brincou Jane, com a voz lenta.

- Por que não vai pra casa? – sugeriu Lisbon. – Nós podemos começar o caso sem você. Cena do crime, apontar suspeitos. Acho que podemos fazer isso. Descanse um pouco.

Jane teve que olhar nos olhos de sua chefe para entender o por quê daquilo. Hightower não gostava quando ele não estava presente nas investigações, apesar de, aparentemente, ter sérios problemas com quando ele efetivamente fazia seu trabalho.

Porém, entendeu que seu estado devia ser lastimável. Na verdade, Jane se sentia bem. O apoio de Lisbon realmente o havia deixado bem melhor. Porém, o tempo chorando transformou sua face jovial na de um homem terrivelmente abatido pela eternidade.

- Tudo bem, eu vou pra casa. Mas me liguem.

- Ligaremos.

Naquele instante, Hightower esticou seu pescoço pra dentro da sala.

- Conseguimos o endereço. Trata-se de um Teatro em Oakland. Lisbon e Jane, vão falar com as testemunhas. Van Pelt, quero a lista dos que trabalhavam no…

- Espere, senhora. – pediu Lisbon, interrompendo-a – Acredito que Jane não esteja em condições de trabalho hoje.

A mulher calou-se alguns segundos, sem compreender motivos, razões ou circunstancias. Então olhou para Patrick, que, do sofá, lhe acenou divertidamente.

- Não está pior que nos outros dias. – afirmou Hightower, parecendo não ver nada de mal no consultor.

- Não dormiu a noite toda. Acredite, se quer que o teatro continue em pé durante a investigação, deixe Jane ir pra casa por hoje.

Esse era o tipo de ameaça que, definitivamente, convencia Hightower.

- Ok. Lisbon e Cho vão falar com as testemunhas. Van Pelt e Rigsby ficam aqui nas pesquisas. – disse, antes de sair.

Lisbon pegou seu casaco no encosto de uma cadeira. Cho tratou de pegar as chaves do carro. Jane sequer se mexeu.

Lisbon notou, e provavelmente ficou irritada. Foi até ele e, apontando um dedo em sua direção, disse:

- È sério. Vai pra casa, Jane.

- Eu vou. Prometo. – afirmou ele.

Lisbon suspirou, coçou a testa e cruzou os braços.

- Jane, não estou brincando.

- Nem eu, Lisbon. Se não quisesse ir pra casa, não teria aceitado ficar em Sacramento enquanto vocês vão pra Oakland.

Fazia sentido. O suficiente pra que ela se desse por vencida.

- Eu me preocupo com você, Jane. Mesmo.

- Eu sei. Quer dizer, descobri isso ontem. – ele disse, aproveitando que ninguém na agência parecia estar dando a mínima para ambos. – Eu vou pra casa. Mas antes quero dar uma olhada nos papéis de Kristina.

Uma série de sentimentos e expressões passaram pela face de Lisbon. Ele estava sendo honesto, confessou que ia investigar por conta própria o caso de Kristina. Hoje. E das últimas vezes que saíram e ele ficou? E quando, sem querer, o via em sua sala, sempre saindo, sem dar explicação plausível?

Lisbon pensou que talvez todo o drama atual da vida de Jane fosse devido ao fato de, na ficha de Kristina, estar escrito, com sua letra, "foragida".

E ela sabia que Jane nunca ia entender como funciona a burocracia policial, nem muito menos tentaria fazê-lo compreender que não era ela quem decidia tal coisa, mas forças maiores, como Hightower, por exemplo.

Até porque, no fundo, Lisbon concordava com aquele termo.

Foragida.

Era isso que ela era, não? Não houve indícios de seqüestro. Sumira sem deixar rastros ou cartão de crédito.

Por que Red John a levaria e traria junto cartão de crédito e – Deus! – o passaporte?

Não fazia o menor sentido pra Lisbon, mas parecia bem razoável para Jane.

Fato é que, quando ele disse que iria dar uma olhada no caso de Kristina, ele a encarou como se a desafiasse a proibir. Estava escrito nos olhos dele que a condenava por tratar Kristina como criminosa. Era como se dissesse "hey, Lisbon, eu sei que você fez algo errado, então tem que me compensar deixando eu investigar a vontade".

A questão é que Lisbon não acreditava ter feito algo errado.

E nos parâmetros da lei, ela não tinha feito nada errado.

- Jane, não quero você investigando isso sozinho.

Nessa hora, ele inflou.

- E quem vai pesquisar por mim? Não vi você mexer um dedo pra resolver esse caso.

- Não houve mais pistas. Ela simplesmente sumiu. – ela se defendeu. – E não sou em quem está legalmente com esse caso. Esses papéis só estão aqui como forma de atualizar o caso do Red John. Kristina pertence à delegacia de seqüestros e desaparecimentos. A menos que ela apareça morta, não posso liderar uma investigação para encontrá-la. Aceite, Jane, ela simplesmente sumiu. Não tem o que procurar.

- E você acha mesmo que alguém além de Red John seria capaz de sumir dessa forma?

- Talvez ela devesse ter pensado melhor antes de ir pra televisão implorar pra ser morta.

- Quer mesmo discutir isso, Lisbon? Aqui?

- Não. Não quero discutir isso com você em lugar nenhum. – ela virou as costas e dirigiu-se até sua sala.

Pensou em trancar a porta, mas lembrou que fechaduras fazem tanta diferença pra Jane quanto paredes pra fantasmas. Então entrou e retirou o arquivo de Kristina de seu armário. Levou-o consigo, deixando bem a mostra para que Jane visse e não fosse bisbilhotar em sua sala.

Jane não era corajoso. Sabia que Lisbon podia lhe dar uma surra facilmente. E foi só por isso que conteve sua vontade de ir até lá e arrancar aquele arquivo das mãos dela.

Mas isso ainda não tinha acabado para ele.