Oi pessoas bonitas, tudo bem? (:

Primeiro eu gostaria de pedir um milhão de desculpas à todos, por ter ficado quase quatro meses sem postar nada ):

Mas sinceramente, eu não estava conseguindo escrever algo legal. E o motivo é que o nosso querido (amado, lindo, tesudo, perfeito, maravilhoso, sexy, mil-e-uma-maravilhas) do Sasuke está me decepcionando cada vez mais e mais :/

Quem acompanha o mangá de Naruto semanalmente deve saber sobre o quê estou falando. Então fica bem mais difícil escrever uma história cômica e romântica com um personagem tão frustrante quando o Sasuke-kun.

Mas eu não desisti dele ;)

O capítulo é pequenininho, mas importante para a continuidade de "Eu existo".


Capítulo IX - Solitário


Sakura POV

Isso não pode estar acontecendo comigo.

Quer dizer... comigo?

- Muito bem. Se alguém aqui for hematófobo, isto é, tiver repulsa e medo de sangue, aconselho que dêem uma volta pelo colégio. - Asuma dizia enquanto preparava alguns slides para assistirmos. - Porque assim que terminarem de analisar as células dos tubérculos, vamos passar para o capítulo do corpo humano, e pensei que seria melhor começarmos com sangue.

Mas eu mal ouvia o que o Asuma falava tanto. Porque eu tinha coisas mais importantes a fazer, como, por exemplo, ficar atenta à qualquer tipo de agressão vinda do meu novo colega de laboratório. Parece que ele não está de brincadeira hoje.

Aliás, ele não está de brincadeira dia nenhum.

- Darei a cada dupla uma amostra de sangue "saudável" e outra de sangue "contaminado". Vocês poderão ver como algumas doenças podem afetar drasticamente toda a estrutura sanguínea. - impressão minha ou Asuma acabou de cuspir enquanto falava? - Mas lembrem-se de usarem as luvas descartáveis até o fim. - ah, ele cuspiu sim. Que nojo. - Verão tudo isso com seus próprios olhos, não é maravilhoso?

Mas na verdade, não é maravilhoso. É um lixo, se querem saber.

Por que tantas pessoas insistem em falar "Ver com seus próprios olhos"? O que elas querem dizer, afinal de contas? Como se fosse totalmente normal e possível alguém ver com os olhos de outra pessoa.

Dei uma espiadinha no meu novo colega de laboratório, mas congelei totalmente ao ver o modo como seus dedos atropelavam furiosamente as teclas do seu Blackberry. Sinto até uma leve pontada de pena de quem for receber o torpedo que ele tanto escreve. Pela cara dele, não é nada amistoso.

O mais sensato seria se eu saísse daqui imediatamente e procurasse por algum policial, segurança ou os meus pais (é, os meus pais). Porque não é todo dia que você senta ao lado de um cara que te chamou de ridícula, de puta, e que recebeu um belo tapa na cara que você mesma deu.

Não é todo dia que você senta ao lado de um cara que até três dias atrás tinha uma arma na mão.

E, definitivamente, não é todo dia que você senta ao lado de Inuzuka Kiba.

- Haruno. - Asuma pronuncia meu nome. Ele é o professor que eu mais odeio. E olha que não tem professores muito legais por aqui. - Por que será que você é a única que não fez nada até agora?

Ouço alguns risinhos maliciosos pela sala.

- Bom, tecnicamente eu não sou a única, porque Kiba também nã-...

- Então por que você não fala menos e faz mais?

Engoli em seco.

- Sim, senhor.

Pensei que todo nerdizinho fosse o queridinho dos professores. Isso até eu conhecer o Asuma, o professor que mais agride ao meio ambiente que eu já conheci. Como ele ainda tem coragem de dar aula de Biologia?

Fala sério, é meio estranho um cara que parece mais uma chaminé ambulante ensinando adolescentes moribundos à preservar a natureza.

Reza a lenda que quando o Asuma era estudante, ele era super a fim da minha mãe. Tipo assim, ele e todos os outros garotos do colégio. Só que o Asuma não teve muita sorte. Acho que é por isso que ele me rejeita tanto assim, talvez ele queria descontar todas as suas frustrações de adolescente em mim. Ou talvez ele seja só chato mesmo.

Imagino que sou a maior decepção da vida dos meus pais. Quer dizer, os dois caras mais lindos e populares do colégio Konoha, acabam tendo uma filha COMO EU. E quando eu digo como eu, é a mesma coisa de dizer cruz credo! É, eu também não sabia que o meu colégio era tão velho assim, porque ele é tão moderno! Mas pensando bem, só de olhar pra cara do Jiraya, pode-se dizer que o Konoha tem uns quinhentos anos, no mínimo. Algum parente próximo do Capitão Caverna deve ter feito o colegial aqui.

Mas eu tenho outra coisas com que me preocupar agora.

Com o Asuma-sensei, por exemplo.

- HARUNO! Comece a fazer a porra do trabalho ou eu chamo o Orochimaru pra você!

Não, o inspetor Orochimaru nãããão! Aquela cobra pedófila sempre fica se exibindo com os seus cabelos compridos e reluzentes como ouro, e fica todo "Ai, não é alisamento, acredita?". Sem falar naquela voz insuportável de presidente Lula japonês, os olhos amarelos e como fica chamando o Sasuke de Sasuke-kun.

Ah, esquece o Sasuke. Sasuke não tem nada a ver com isso. Não sei de Sasuke nenhum, lalalalá.

Quando eu sinto a áurea negra do Asuma-sensei atrás de mim, começo a encarar o microscópio fascinada, e murmuro de modo que ele possa escutar:

- Células de batata, magnífico. Estou vendo com os meus próprios olhos!

E por incrível que pareça, ASUMA SORRIU PRA MIM e foi embora da minha mesa. Estou começando a descobrir que se eu agir como uma retardada que fala "ver com os meus próprios olhos" e "ataque cardíaco do coração", Asuma fica mais legal.

Decidida a tomar alguma iniciativa, pego o microscópio e posiciono bem na minha frente. Limpo a garganta e falo:

- Que tal... Hm, você ir anotando o que eu falar? - como Kiba não me respondeu, resolvi mudar. - Ou então você analisa as células e eu anoto.

- Eu anoto. - ele diz sem tirar os olhos do celular.

Inclino um pouco a cabeça, até meus olhos atingirem as lentes. Não preciso fazer muita coisa até a imagem ficar focada e nítida. Pronto. Células de batata são...

- ...uma bosta. - murmuro.

- Bosta. - repete Kiba com uma caneta esferográfica azul nas mãos. Aposto que só essa caneta custou mais que todo o meu material escolar. - Anotado.

- Ei, você não pode anotar isso daí! - digo indignada e pego o bloco de anotações que o Asuma nos deu. Rasgo a folha em que ele escreveu de todo tamanho "CÉLULAS DE BATATA SÃO UMA BOSTA, EXATAMENTE COMO EU JÁ SABIA" e jogo no lixo. - Tem que ser algo cientificamente biologicamente falando.

- Eu odeio palavras compridas. - é tudo que ele diz.

Suspiro pesadamente.

Fazer dupla com Kiba é ainda pior que fazer com o Sasuke, como daquela vez em que tínhamos que fazer um resumo de alguma obra literária, e eu escolhi O Morro dos Ventos Uivantes e Sasuke quis porque quis Kama Sutra.

Ah, meu Deus. Eu fiz de novo. Pensei no corno desgraçado que me trocou.

SASUKE, SAI DA MINHA CABEÇA OU EU CORTO AS SUAS BOLAS!

E de repente eu escuto uma vozinha dentro de mim: mas eu gosto das minhas bolas...

ENTÃO SAI LOGO, CANHÃO!

Quando eu finalmente paro de escutar a vozinha dentro da minha cabeça, percebo que Asuma já está distribuindo as amostras de sangue e tudo o que eu escrevi no papel foi "Sasuke é um canalha".

- Haruno e Inuzuka, as suas anotações por favor. - pede Asuma, todo autoritário.

Kiba covardemente aponta pra mim.

Cara. Eu to ferrada. Não anotei nada de relevante. Nem dá pra saber que isso é um pedaço de batata, parece mais uma esponja! Céus, e agora?

- Asuma-sensei, eu estava pensando se talvez Kiba e eu poderíamos entregar nossas anotações junto com o relatório das células de sangue, na próxima aula. - dei o maior sorriso do tipo você-não-tem-pena-de-mim-?

- E por que eu concordaria com isso?

Er, certo. Agora eu não sei mesmo o que responder.

- Porque... - gaguejo um pouco. O que é isso? Eu estou suando? - Hm, porque na sua próxima aula eu posso trazer um especialista para fazer uma palestra e ele pode falar tudo sobre sangue. Tudinho.

Asuma me encara por alguns segundos. Droga, ele sabe que eu estou mentindo. Professores e mamães sempre sabem quando estamos mentindo.

- A próxima aula é amanhã, não se esqueça. - e dizendo isso, ele nos entregou as amostras de sangue e se afastou.

Eu não acredito. Funcionou! Funcionou, Jesus!

- Muito bem. - Kiba elogia e eu estremeço de felicidade.

- Talvez ele tenha um coração, só isso. - digo me referindo ao professor.

- Um coração que foi rejeitado pela sua mãe. - concluí ele.

- Você também sabe da minha mãe? - pergunto realmente surpresa enquanto visto as luvas e coloco o sangue na mira do microscópio.

- Puderas. - ele dá de ombros e checa mais uma vez o celular. - Ela foi a única garota que rejeitou o convite para dançar no baile com o meu pai.

Meu queixo vai lá em baixo.

- O seu pai convidou a minha mãe pra dançar?

- Foi no baile de formatura deles. Ela só disse que já tinha um par e que estava muito satisfeita com ele.

Que espécie de adolescente foi a minha mãe, afinal de contas? Marilyn Monroe?

Kiba dá uma risadinha diante da minha expressão e por um momento, só por um momento mesmo, eu me pergunto se ele é o mesmo cara que tinha uma arma em mãos outro dia. Ele não pode ser tão ruim assim, pode?

- Por que está aqui comigo, em vez de estar com os seus amigos? - perguntei tentando parecer meio desinteressada. Porque, tipo assim, Kiba é simplesmente o cara mais disputado do colégio. Até mesmo para fazer trabalhos. Só de sentar ao lado dele, as pessoas te admiram.

Pena que aparentemente não tem ninguém me admirando. As pessoas não estão nem sequer olhando para nós.

Kiba para de digitar por um instante, e eu penso se é porque a bateria do Blackberry acabou ou algo assim. Mas para minha surpresa total, ele vira-se para mim e responde, quase num sussurro:

- Que amigos?

Ah meu Deus. Talvez ele seja ruim mesmo. Não acredito que ele não considera o Shino, Toya, Karin e todos as outras centenas de pessoas do Konoha seus amigos. Bom, talvez a Karin não seja mesmo. Nem o espelho é amigo dela.

- Como assim "que amigos?" - dou uma risadinha forçada, caso ele esteja apenas zoando com a minha cara. Mas ele não está. - Os seus... Os seus amigos, oras!

"Aqueles que quase mataram à mim e ao Sasuke, outro dia"; tenho vontade de acrescentar.

Kiba finge-se surpreso e depois volta para o seu celular.

- Ah. Bom, eles não são mais os meus amigos. Nunca foram. Pensando bem, acho que nunca tive um único amigo.

Ok. Agora sim isso foi uma piada, certo? Ele quis ser irônico. Ele está brincando com a minha cara e provavelmente pensando "Nossa, que garota irritante. Vou tirar uma com a cara pavorosa dela!" Só que ele não parece estar brincando. Talvez eu devesse dar uma pequena fungada, como se estivesse segurando o riso e querendo dizer "Ah, eu entendi!".

- Você está gripada? - ele pergunta assim, do nada.

- Bem... Eu estava. Mas estou bem agora.

- Então vê se para com essas fungadinhas, é nojento!

Quer dizer que não era pra rir.

E ele não estava brincando.

Kiba está... Sentindo-se sozinho?

- Como nunca teve amigos? - quase tive vontade de gritar. - Até a semana passada você vivia rodeado de amigos! Não é muita ingratidão de sua parte falar que o Shino não é o seu amigo? Vocês são assim, inseparáveis!

- Nós não somos inseparáveis.

- São sim. - respondo, insistente. - Toda vez que eu olhava pra você, Shino estava junto! E vocês conversavam e riam o tempo todo. Ah, e ele estava com você quando... - começo a encarar o chão e sinto as bochechas queimando um pouco. Ah céus, eu vou falar. - Vocês estavam juntos quando me chamou de Doçura.

Espero que ele diga algo meigo como "Você é mesmo um doce", mas pelo modo como ele levantou as sobrancelhas, eu acho que ele não vai dizer.

- DOÇURA? - ele gargalha. - Está falando sério? Cara, eu nunca falaria algo assim! Doçura é totalmente ridículo!

Na verdade sou eu que estou me sentindo totalmente ridícula agora. Elvis Presley, me aguarde. Quero morrer também.

- Foi mal, Sakura, eu não queria ofender. - ele limpa algumas lágrimas que escaparam de tanto rir e põe uma mão no meu ombro. - Mas você deve ter confundido. Eu jamais chamaria uma garota assim. Doçura? Fala sério.

Eu quase canto Aleluia por ele ter lembrado o meu nome, mas então o celular dele apita e prontamente sou deixada de lado novamente.

.

.

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Ele está ali.

Ali, embaixo daquela árvore gigante que fica logo na entrada do colégio. Está usando o típico uniforme: camisa branca ¾, calça azul marinha escura - quase preta - velhos Converse nos pés e a famosa gravata também azul marinha, presa ao pescoço como se estivesse lá só por obrigação, frouxa e desarrumada.

Ele está ali, com uma das mãos no bolso e o mesmo ar de desinteresse de sempre. Deve ter umas cinco garotas o rodeando, falando alto e rindo como se fossem as pessoas mais felizes do mundo. Das cinco, a único que reconheço é Yue, com suas exuberantes mechas azuis e invejáveis botas de couro.

Ele está ali.

Ele, o Sasuke. E acho que é por isso que minha respiração está assim, irregular.

Quando finalmente percebo que fiquei olhando fixamente para ele por mais de três minutos, recomponho a minha postura e começo a me virar, antes que alguém perceba que a nada da Haruno tenha uma quedinha (QUEDÃO) pelo tudo do Uchiha.

O problema é que ele me viu. O problema é que nossos olhares se encontraram milésimos de segundos antes que eu pudesse virar as costas. E um problema ainda maior, é que nenhum de nós dois fomos atrás do outro, mesmo que fosse pra trocar duas palavras.

O fato é que estamos nos evitando o tempo todo.

Talvez seja porque o Sasuke me beijou e se declarou, e eu - em um momento muito insano - disse "não". É óbvio que ele está sem-graça em me ver.

Talvez seja meu orgulho idiota, em ter reconhecido que gosto do Sasuke e não ter coragem de dizer as mesmas palavras que ele me disse.

Ou talvez seja porque ele não gosta mais de mim e esteja morrendo de amores pela vaca da sua prima.

Pelo menos é o que parece, já que estão indo embora de mãos dadas.

Instintivamente, faço um pequeno bico e forço as lágrimas a voltarem atrás. Eu NÃO vou chorar de novo. Sasuke é (ou pelo menos eu ainda acho que é) o meu melhor amigo, e melhores amigos nem sempre servem para namorar. E na verdade é até meio justo ele ficar com a Yue, e não comigo. Os dois são lindos de morrer e pertencem à elite de Tóquio.

Só um idiota mesmo gostaria da minha companhia num momento como esse.

- Carona? Eu te levo pra casa.

É impressão minha ou alguém acabou de me perguntar se quero uma carona? Alguém cuja voz se parece MUITO com a do Kiba?

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- Não sabia que você ouve The Carpenters.

É o meu primeiro comentário inútil que faço, assim que coloco o cinto de segurança. O cinto de segurança do carro do KIBA.

Eu sou mesmo uma garota ferrada. Primeiro, a aula de Biologia, e agora, carona. Quando que morria pelo Kiba, nada disso acontecia. Mas agora que estou andando e cagando por ele, ele me lava de carro até a minha casa.

A vida é mesmo uma ironia.

- The Carpenters é legal. - Kiba diz enquanto olha pelo retrovisor e dá a ré, saindo da vaga do estacionamento do colégio.

- Eu sei. Mas confesso que eu nunca esperava Close to You de você.

Enquanto saímos do estacionamento, percebo que Kiba olha meio aborrecido para um grupo de pessoas conversando animadamente, e quando olho também, logo reconheço Shino com seus inseparáveis óculos escuros e Toya paquerando uma garota ao lado.

- Você ainda pode levá-los no meu lugar. - digo olhando vagamente pela janela. - Posso voltar à pé sem problema algum.

- Não precisa. Eles já arranjaram um outro otário para bancar as cervejas de sexta à noite.

Demoro um pouco para entender o que ele quis dizer com isso, mas então vejo um cara alto com estranhas pinturas roxas no rosto, um cara que eu nunca tinha visto com Kiba antes.

- Sabe o nome dele? - pergunto.

- Kankurou. - ele reponde rangendo os dentes e aumenta o volume do som. - Um idiota que coleciona marionetes e vive às custas da irmã e do irmão mais novo. Temari e Gaara, já ouviu falar?

COMO é que eu não teria ouvido falar de Temari e Gaara? A menina chatinha e brigona e o cara ruivo ridiculamente bonito. Às vezes eu acho que o colégio é o centro de jovens lindos e maravilhosos reunidos em um só lugar. Em exceção do Lee, claro. E de mim também, não posso esquecer.

No silêncio agradável do carro, minhas mãos percorrem pelos CDs de algumas bandas desconhecidas e percebo que o gosto musical do Kiba não parece nem um pouco com sua postura de bad boy. Na verdade, estou começando a achar que Kiba é um cara realmente legal. Talvez ele fizesse aquelas poses toda só para ficar bem na frente dos seus amigos e...

Ah meu Deus. Tem dois pacotes de camisinha aqui. Estavam junto com as capas de CDs. O que exatamente ele anda fazendo dentro desse carro? Sasuke tinha razão. Essa Ferrari é mesmo fodida, em todos os sentidos.

Não fiquei mais constrangida porque Kiba não notou que vi as camisinhas. Guardei os CDs onde tinha achado e decidi que era melhor ficar quieta, sem fazer nada.

Mas então para minha total surpresa, escuto Kiba limpar a garganta.

- Meu pai cortou minha mesada, bloqueou todos os meus cartões e não posso mais fazer extratos bancários. Quase me levou à um colégio interno e tirou o meu carro. Mas minha mãe tem bom senso, ela jamais permitiria.

Assinto com a cabeça, pensando se esse vai ser só mais uma história de gente rica, o qual não entendo absolutamente nada.

Mas não é só mais uma história de gente rica.

- Quando as pessoas que você diz serem meus amigos souberam que fiquei sem grana, eles pularam fora na hora. Acho que sempre soube que estavam comigo apenas por interesse, mas nunca tive coragem de admitir pra mim mesmo. A minha relação com eles era mais como um chefe e funcionários. Eles faziam tudo que eu quisesse e, em troca, ganhavam um pouco de popularidade.

- Mas agora que está sem mesada... - comecei, mas fui interrompida.

- Agora que estou sem mesada, também estou sem amigos, sem garotas dando mole e sem um pai que confie em mim. Na verdade eu sou uma decepção total pro meu pai. Não tiro boas notas, não vou às aulas de golfe que ele me inscreveu e não me interesso nem um pouco pela empresa dele. Finalmente entendo porque minha mãe pediu o divórcio, quando eu tinha quatro anos...

Kiba continua a falar tantas coisas tristes da sua vida que por um momento, sinto uma necessidade avassaladora de abraçá-lo. E talvez eu tivesse feito, se não estivesse dirigindo.

Honestamente não sei os motivos que o levaram a se desabafar comigo, porque somos praticamente desconhecidos um com o outro. Mas tudo o que sei é que isso está fazendo bem pra ele. Sei pela forma como às vezes sua mão dá um soco fraco no volante, ou como seus olhos brilharam e a voz saiu estrangulada quando contou que seu pai não o deixou namorar uma garota que ele gostava muito. E que ainda pensa muito nela.

- Meu pai queria que eu namorasse a filha de um investidor de ações pelo bem da própria empresa! E eu não pude ficar com quem eu realmente queria... E acho que perdi a garota da minha vida pra sempre, ela me odeia.

Não; é bem mais que só uma história de gente rica. Mais que a história do garoto popular, do herdeiro de uma empresa de milhões... Mais que a história de Inuzuka Kiba.

É a história de Kiba, assim, sem o sobrenome.

Kiba, o garoto solitário.

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Sasuke POV

Acho que não vale mais a pena entrar pela porta da frente da minha própria casa. A não ser que eu queria receber um chinelo tamanho 42 na cara assim que passo pela porta.

- Desgraçado, o que você tinha na cabeça? - pergunta um Itachi irado vindo pra cima de mim.

- Como assim o que EU tinha na cabeça? O que VOCÊ tem pra jogar esse chinelo na minha cara, assim, do nada?

Porra.

Um chiclete azul que estava na sola do chiclete grudou na minha boca.

Onde foi que eu deixei o balde, mesmo? Preciso vomitar.

- Foi você que deu a maldita ideia pra que eu fizesse uma palestra na sua escola amanhã, não foi? - ele jogou um livro na minha direção, mas eu escapei. - O que você quer? Quer que eu me sinta humilhado?

- Itachi, eu estou na sua frente e não tenho nenhum problema de audição, portanto não precisa gritar quando for falar comigo.

- Você não tem problema de audição, tem problema é no c-...!

Opa, opa, opa.

A coisa está mais feia do que posso imaginar. Deixa só a dona Mikoto saber que o filhinho dela anda falando o sexto item da Lista de Palavras Expressamente Proibidas Dentro de Casa.

Itachi jogou o outro chinelo e ia me acertar, mas incrivelmente escapei.

- Quer parar de jogar coisas em mim? - pedi, totalmente confuso. Yue nos assistia da porta boquiaberta, sem entender nada também. - Que palestra é essa que você tá falando?

Puto.

Ele quase me acerta um cinzeiro.

- Sasuke, quer parar de dar uma de ninja e levar uma na cara?

- Ninjas não existem, meu caro Itachi. Sinto muito.

Meu irmão sempre conta de um sonho estranho que ele costuma ter, em que nós dois temos olhos vermelhos e soltamos fogo pela boca. E que no sonho dele, Naruto tem um demônio dentro do corpo, Sakura uma força inumana e nós dois somos inimigos mortais, um louco pra matar o outro.

Pensando bem, Naruto às vezes incorpora uma alma ruim, Sakura me bate com uma força sobrenatural e eu quero mesmo matar meu irmão.

Itachi finalmente se acalma um pouco e desaba no sofá, o que eu não demoro muito a fazer.

- Você me arranja cada uma... - suspira.

- Eu não sei que droga de palestra é essa que você tanto fala. - confesso, e ele me encara por alguns segundos, provavelmente procurando resquícios de mentira nos meus olhos.

- Tem certeza de que não sabe? Ou de que não tem nada a ver com isso?

- Absoluta. - respondo.

Ele suspira forte e encara o teto, num tédio indescritível.

- Sua namoradinha me ligou há uns dez minutos e disse que eu precisava ir até o Konoha amanhã e fazer a melhor palestra sobre células sanguíneas que o mundo já viu.

Meu irmão me irrita, é sério.

- Itachi, quantas vezes eu tenho que repetir que a Karin não é a minha namorada? Ela me dá nojo, cara!

E meu irmão me irrita mais ainda em momentos como esse, quando ele explode numa gargalhada.

- Estou falando da Sakura! Ela que me ligou!

Demoro algum tempo considerável para digerir a informação.

- A Sakura te ligou?

- Sim. - ele se levanta do sofá e começa a se afastar, em direção à cozinha. - Por isso achei tão estranho, você são muito ligados um no outro. Estranho ela não ter te contado.

- Na verdade ela não tem me contado nada. - murmuro, sozinho na sala.

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Eu sei, eu sei. O capítulo ficou pequeninho e o tamanho não compensou o meu atraso :B

Mas achei melhor para por aqui, porque o próximo vai ser um pouquinho maior (:

Line Mulango

Seenhorita Uchiha

Hana

JaqueHina

Wasabi-Chan 8D

Feeh-chan

Caarolzinha

Nessa

Tauanne

Manu Moony

Dany Lok-s

Nina-osp

Keiko Haruno Uchiha

taliane

mix luh-chan

Yakumo-san

Maasumi

Nina Point du Lac

Hatake Pam

Harumi-san

Vallete G.

kikih

Jennyp Zero

zisis

Natty Hatake

Miuky Haruno

Katy

Final Fairy

bruh

TeyAnime-chan

Haruno Malonie

babi CS

Eu fiquei realmente emocionada com a review de cada uma de vocês. Muitissimo obrigada! :D