N.t.: É... twilight não nos pertence!

Pefil da Saya, amores: /u/2013170/MayraDih

Meu perfil no twitter: /LouCalmon

Perfil da Saya no twitter: /Mayra_Dih

Próximo capítulo eu coloco o perfil da Kathy. Prometo!

A Saya traduziu este capítulo!

Sem mais,


Fazer Isso Sozinha

Descobrir que eu estava grávida não ajudou em nada. Ainda me sentia péssima e saber a razão disso simplesmente não fazia nada para melhorar minha situação. Antes de mais nada, o estresse agravava minha exaustão e náuseas. Eu sabia que tinha decisões a tomar. Kate constantemente me assegurava que tudo se acertaria tão logo eu decidisse o que fazer e então, eu começaria a me sentir um pouco melhor; especialmente desde que ela soube que eu estava me aproximando rapidamente do final do primeiro trimestre e que deveria me sentir fisicamente melhor de qualquer forma.

A essa altura, no entanto, eu não tinha certeza se queria prosseguir com a gravidez até depois do meu primeiro trimestre. Eu era o tipo de pessoa que agonizava entre cada e toda decisão difícil. Eu precisava de tempo para fazer minha escolha, e quanto mais o feto crescia, mais humano ele se tornava. Mas eu estava realmente pronta pra ser mãe? Especialmente considerando as mudanças que estavam ocorrendo no meu trabalho. Eu acabei de ser promovida, estava trabalhando mais do que sessenta horas por semana - o que não incluía todas as noites e fins de semana que eu devotava ao meu trabalho. Isso sem mencionar que eu era uma egoísta e individualista que adorava minha liberdade, que adorava dormir nos fins de semana e que passava todos os momentos livres que eu tinha curtindo o silêncio enquanto lia um livro.

Por outro lado, eu praticamente criei minha mãe, e como resultado eu tinha uma pequena idéia do que significava criar um filho. Não esperava que fosse fácil. Não tinha sonhos que seria como uma boneca fofa que eu pudesse vestir com vestidos de babado, levar para a creche algumas horas diariamente e que me faria sentir amada no fim do dia.

Mesmo que eu soubesse que solidão não era motivo para ter um filho, eu não podia evitar admitir que a idéia de não estar mais completamente sozinha era... agradável.

Contemplar as possibilidades me levou para a próxima questão que o Dr. Cullen mencionou superficialmente. São necessárias duas pessoas para criar um filho e uma dessas pessoas estava fora da equação. Particularmente, eu não dava à mínima pra isso. Meu próprio pai foi ausente da minha infância, e eu sabia, por experiência própria, que um pai não era necessário para ser criado como um indivíduo saudável e bem resolvido. Diabos, se eu pensasse bem, uma mãe cuidadosa não era tampouco importante. Renee teve seus momentos. (Embora eu tivesse que freqüentemente me lembrar que ficar obcecada com a minha família disfuncional não iria ajudar a tomar minha decisão)

Mesmo se eu quisesse incluir o pai, tudo que eu sabia era seu primeiro nome e o fato de que ele era um médico que trabalhava em algum lugar em Seattle. Não que essa pequena informação fosse realmente me ajudar. Mas eu não podia negar isso, se eu ficasse com a criança Edward tinha o direito de saber.

Toda essa confusão era muito para pensar a respeito durante o dia, quando eu devia estar preocupada com outras companhias de sistemas de computação. Ainda assim, isso não impediu o assunto de tomar meus pensamentos durante cada minuto, cada hora, cada dia. Se não fosse a minha secretária, eu não acho que teria sido capaz de focar em nada do meu trabalho.

Angela era uma santa, eu não tinha nenhuma dúvida. Essa mulher – que eu mal conhecia – fazia todo o possível para tornar minha vida mais fácil. Ela organizava meus compromissos pra mim; então, quando minha mente continuava vagando, ela ajudava a me manter no meu objetivo. Para não dizer que ela sabia do ser indesejado mantendo residência no meu útero, ainda que não soubesse nada sobre sua concepção, e ela não exteriorizou suas próprias opiniões sobre o assunto, simplesmente deixou que eu ponderasse sobre isso sozinha. Não havia dúvida a esse respeito, Ângela se tornou rapidamente uma tábua de salvação para que eu me agarrasse e isso era algo que eu desesperadamente precisava.

Kate era a mesma coisa. Não importava o que eu precisasse, ela estava lá. Ambas tornaram meus sábados seguintes muito mais agradáveis. Apenas saber que eu tinha alguém para quem ligar quando o silêncio opressivo do meu apartamento começasse a me sufocar já era reconfortante. Sim, o exato mesmo silêncio que eu tipicamente apreciava de repente parecia quase me asfixiar. Na maioria das vezes era apenas uma saída a noite para comer uma sobremesa ou caminharmos juntas enquanto Kate levava sua filha para o parque numa tarde ensolarada, era o bastante para evitar que eu fosse completamente tragada pelo buraco negro.

Obviamente eu estava deprimida. Mas era difícil dizer se eu estava deprimida por causa das circunstâncias esmagadoras - e assim minha depressão me impedia de ser capaz de tomar uma decisão -, ou se isso era apenas eu não encarando minha nova realidade e me recusando a tomar uma decisão que causava a depressão.

De ambas as formas, eu precisava resolver algumas coisas… e logo.

~*~

Depois de brigar com meu guarda-roupa por aproximadamente quarenta minutos numa segunda-feira de manhã, eu fui para o escritório. Isso levou mais de três semanas, mas quando eu tentei abotoar minha calça preta favorita e depois minha saia azul-marinho, eu finalmente concluí que enquanto tentei evitar tomar qualquer decisão vital, na verdade acabei tomando uma.

Eu cheguei no escritório com uma nova determinação enquanto me permitia chegar a um acordo com o que estava acontecendo. Viver numa bolha e ignorar o assunto não estava resolvendo nada. Quando eu passei pela mesa da Ângela, sorri calorosamente enquanto ela avaliava minha aparência. Fui obrigada a desistir das minhas atuais apertadas saias retas e calças justas. Eu nem mesmo podia usar minhas blusas para dentro a menos que desejasse chamar atenção para recente proeminência que residia no meu estômago. Eu demorei a entender que eu chamaria atenção, não importava o que vestisse.

Depois de entrar na minha sala, sentei a minha mesa e comecei a olhar os documentos em cima dela. Ângela estava bem nos meus calcanhares e prontamente fechou a porta atrás de si. Depositando um enorme copo de papel na minha mesa, sentou à minha frente.

Levantou o copo o entregando a mim, tomei um gole do líquido quente e fechei meus olhos, relaxando minha cabeça nas costas da cadeira. Ângela tinha passado a comprar chá de limão com mel para mim toda manhã, ela disse alguma coisa sobre limão ajudar com os enjôos matinais. E, o chá era gostoso, me lembrava de quando eu ficava com a minha vó quando era pequena.

"Obrigada, eu precisava disso," Falei levantando o copo.

"De nada." Essa era a pausa antes que ela começasse com nossa rotina diária normal, eu abri meus olhos para fazê-la saber que tinha minha atenção. Ângela começou dizendo as paradas que Mike e sua equipe iam fazer durante o dia, minhas reuniões e qualquer telefonema em que tivesse sido necessária minha atenção.
Enquanto ela falava, eu abri meu computador começando a passar pelas páginas que Ângela estava me entregando. Era um dia tranqüilo, sem reuniões, uma tele-conferência e alguns telefonemas para retornar.

Quando ela terminou de detalhar minha agenda, Angela se levantou e olhou para mim por alguns segundos.

"O quê foi?"

"Você parece…" ela fez uma pausa. "Diferente."

Eu sorri. "Acho que finalmente percebi que não importa o quando eu goste disso, a vida segue em frente."

"Você quer conversar sobre isso?"

"Obrigada Angela. Porque você não pede para nós alguma comida chinesa do restaurante do final da rua na hora do almoço, e então nós conversamos?"

Ela assentiu enquanto saia pela porta.

Uma vez ela tendo saído, eu passei pelos meus e-mails e comecei a retornar as ligações. E assim começou minha manhã.

Meio dia minha amiga e eu nos encontrávamos sentando em volta da minha mesa com uma caixinha de lo mien e rolinhos de ovo.

"Você vai ter o bebê então?" Ângela perguntou depois que admiti que meu bom humor em parte se devia a minha aceitação da gravidez.

"Sim." Senti um sorriso surgir no meu rosto enquanto um tremendo peso pareceu ser removido dos meus ombros quando eu disse essa simples palavra em voz alta. É claro, esse único alívio trouxe um montante de outros medos e preocupações, mas de repente eles pareceram solúveis. Tudo isso começava por mim marcando uma consulta no médico e vendo se conseguia encontrar o pai do bebê.

Em uma cidade com mais de 500.000 pessoas, encontrar uma única não pode ser assim tão difícil pode?

"Você sabe que a Jessica já começou a especular sobre o que está acontecendo com você," Ângela disse, me tirando dos meus pensamentos.

"Ah é? O que a srta. Stanley tem dito sobre mim?"

Angela tomou um gole da sua água antes de responder. "Ela tem suspeitado de que você está....bem...você sabe...grávida nas últimas duas semanas. Hoje, ela apenas confirmou isso pelas suas roupas, pelo menos, na cabeça dela." Ela engoliu começando a se agitar na cadeira e olhando para tudo na sala menos para mim.

"Vamos. Apenas diga."

Ela lentamente virou sua cabeça de volta em minha direção com um pedido de desculpa claro nos olhos. "Ela tem....ela tem feito insinuações a respeito de você e Mike. Você sabe...Sobre no que o relacionamento de vocês realmente consiste."

Eu suspirei e baixei a vista para as minhas mãos que repousavam em meu colo. Isso era de se esperar. Todo mundo sabia que eu e Mike viemos juntos de Phoenix. Ninguém sabia nada sobre a nossa história antes disso. A maioria das pessoas que trabalhavam no escritório não sabia nada sobre minha vida pessoal e presumiam o pior sobre ele.

Quando olhei novamente para Angela, seus olhos eram questionadores e eu suspirei novamente. "E você quer saber se há alguma verdade no que Jéssica está dizendo." Afirmei.

Angela começou a se agitar nervosamente de novo e se levantou de sua cadeira. "Me desculpe. Não é minha posição questionar isso. Você não tem que responder nada." Ela afirmou enquanto começava a recolher as embalagens vazias da nossa comida.

Eu segurei a mão dela a parando. "Você tem sido uma boa amiga pra mim Ângela. Obrigado por isso."

Ela sorriu discretamente, sua tensão e movimentos nervosos se acalmaram.

Tirando minha mão da dela eu comecei a ajudá-la a limpar a mesa. "Eu odeio admitir isso," comecei.

Angela assentiu para que eu continuasse quando parei.

"Eutiveumatransadeumanoitecomumumcaraeventualqueeuconheciemumbar."

"Oh."

"Pois é."

"Então, o que você vai fazer nessa circunstância?"

Dei de ombros. "Isso não importa. Eu fiz minha escolha. Vou tentar encontrá-lo, apenas porque eu me sentiria culpada se não fizesse isso, mas..."

Eu sorri. "Obrigada. Por enquanto, eu quero cuidar disso sozinha. Era diferente até hoje de manhã, quando eu percebi que procurar por ele talvez seja uma boa idéia."

"Se você precisar de qualquer ajudar, por favor peça."

"Você tem por onde começar?"

Eu tinha? Pensei sobre isso por um momento até que me recorresse que pelo eu tinha alguma coisa para começar. "Sim."

"Que bom. Posso fazer mais alguma coisa por você?" Ela segurou a sacola de papel com as embalagens vazias de comida, nossos pratos, talheres e guardanapos, prontos para serem jogados na lixeira da copa assim o cheiro não me incomodaria de tarde quando a segunda onda de náusea geralmente acontecia.

"Não. Eu só vou ligar para a Kate e pegar aquela indicação para um obstetra com ela."

Angela assentiu e deixou minha sala.

Graças a Kate, eu logo me encontrei com uma consulta marcada para sexta-feira de manhã. Meu próximo passo seria ver se eu podia achar o cara. Eu mentalmente comecei a listar o que eu sabia sobre ele: Ela tinha uma irmã, a pequena com o cabelo curto e preto e um irmão que era grande e musculoso. O irmão estava se casando com a loira que parecia ser uma modelo. O nome da irmã era Alice, mas não creio que ele tenha mencionado nunca quais eram os nomes do irmão e da futura cunhada. E tudo que eu sabia era que Edward era médico.

E era isso, haviam literalmente mais de mil médicos na cidade de Seattle. Eu conhecia Kate que trabalhava para o Dr. Cullen. Ele era certamente um médico de prestigio na cidade, e de acordo com Kate, era muito conhecido e bem relacionado na comunidade. Talvez se eu ficasse desesperada eu poderia pedir ajuda aos dois, mas isso significaria admitir minha historinha vergonhosa para mais duas pessoas.

Esse seria meu último local de busca, decidi.

Eu estava divida, entre olhar a lista telefônica abaixo do cabeçalho "Médicos" e tentar ver quantos deles se chamavam Edward. Não podia haver muitos deles podia? Esse não era um nome muito comum atualmente. Justo quando eu estava tirando a lista telefônica da gaveta da minha mesa eu lembrei de outro pedaço de informação que eu sabia: O irmão de Edward ia se casar naquele hotel.

Ou, ele já havia se casado naquele hotel.

Então, talvez o hotel fosse o melhor lugar para começar.

Decidi ignorar a vozinha na minha cabeça que me dizia que talvez seu irmão tivesse escolhido se casar em outro lugar. Tais pensamentos somente serviam para estressar ainda mais meus nervos já em frangalhos.

~*~

Depois de ter tomado minha decisão na segunda-feira, eu decidi esperar até sexta a noite antes de ligar para minha mãe e lhe contar minha novidade. Ela soube imediatamente que algo estava acontecendo – eu nunca poderia esconder nada dela – e eu podia afirmar que ela iria tentar me dar apoio quando eu finalmente desabei e lhe contei que ia ser avó. Renee foi praticamente mãe solteira, e embora eu tenha sido mais mãe no nosso relacionamento ela teve que lidar com as dificuldades comuns de se criar um filho sozinha. Mas nossas situações eram completamente diferentes. Minha mãe teve que cuidar de minha enquanto fazia faculdade, antes de poder encontrar um emprego fixo e uma ter uma renda estável. Eu já era formada, estava bem estabilizada na minha carreira com um emprego de boa remuneração. Eu não teria que sofrer as mesmas dificuldades.

Eu tinha, como sempre, me negado a mencionar para minha mãe que eu não sabia quem era o pai. Eu simplesmente me esquivei de suas perguntas, afirmando que isso não era importante. Renee não era idiota portanto ela sabia que eu estava escondendo alguma coisa, mas eu acho também que ela percebeu que isso era um assunto encerrado... pelo menos por enquanto.

Um pouco antes que eu desligasse o telefone ela perguntou "Então, você já ligou pro Charlie?"

Eu gemi. Claro que eu não falei com Charlie ainda, não sobre a gravidez e certamente não sobre minha mudança, eu tinha absoluta certeza de que minha mãe já sabia disso. "Não."

"Você tem até semana que vem Bella, e então eu vou ligar para o seu pai e contar tudo a ele. Você sabe o quão feliz ele vai ficar ao saber que a filha está morando em Seattle todo esse tempo e ainda não se deu ao trabalho de ligar pra ele. Ah, e eu não vou assumir a responsabilidade por quando ele aparecer na sua porta de farda completa com a arma carregada exigindo o nome desse rapaz."

E então ela desligou na minha cara.

Renee nunca desliga na minha cara. Com um suspiro, sacudi a cabeça na intenção de deixar essa conversa pra trás.

Na minha consulta com a Dra. Swanson na sexta-feira, ela confirmou o que eu já sabia, eu estava grávida de quinze semanas e tudo parecia estar correndo normalmente. Eu me encolhi, como sempre, quando a médica me perguntou sobre o histórico familiar e eu só pude dar ela um relatório parcial. Eu realmente não sei se o olhar reprovativo que eu vi em seu rosto era de verdade ou fruto da minha imaginação, mas ela me disse que existiam riscos em qualquer gravidez e que ter um histórico familiar completo ajudaria melhor a prevenir qualquer problema genético em potencial.

Sendo assim, no sábado, eu estava novamente motivada a tentar encontrar Edward.

Infelizmente, Chris, o coordenador de eventos do hotel, se recusou a me dizer qualquer coisa. Ele não me diria se ou quando qualquer casamento estava marcado, nem quando eu mencionei especificamente Alice. Pelo comentário do Edward ela estava envolvida diretamente no planejamento da cerimônia, eu concluí que Chris lembraria dela prontamente. Como sempre, eu joguei essa informação cedo demais e não pude julgar muito bem a reação dele pelo telefone. Com um suspiro, desisti de ir por esse caminho.

O que me deixou com procurar pelos anúncios de casamento e noivado nos arquivos de jornal e alguns sites de casamento na internet. Embora, logo parecesse pra mim que anúncios de casamento nos jornais não fossem mais tão comuns como haviam sido a vinte anos atrás. Além disso, eu precisa de uma foto do casal feliz desde que eu não sabia seus nomes, e ainda estava contando com o fato de eu os reconheceria.

Sem muita sorte.

Depois de passar a maior parte do sábado e domingo nesse esforço, eu joguei minhas mãos pra cima frustrada e desisti. A única coisa que eu consegui encontrar foi uma enxaqueca furiosa. Então, eu arrematei meu fim de semana passando a tarde de domingo comprando algumas roupas novas para trabalhar que caberiam em mim.

Segunda-feira de manhã, eu fui até a mesa da Ângela e pedi a ela que encontrasse o número da delegacia de Forks, então eu poderia ligar para o meu pai. Meu plano era que se eu ligasse enquanto ele estivesse no trabalho, haveria uma chance muito menor de que ele ficasse irracional. Ângela me trouxe o número logo assim que eu cheguei, e eu me fixei na tela do meu computador como um lembrete do que eu precisava fazer, ainda que eu pensasse em uma forma de não ligar para ele naquele dia. Enquanto eu tivesse a desculpa de que estava ocupada no trabalho, eu usaria isso. O problema era que se eu usasse isso como desculpa para fazer uma coisa, invariavelmente significaria que eu estava ocupada para fazer qualquer outra a mais. A enxaqueca que começou no domingo se recusava a passar e reduzia drasticamente minha habilidade pra trabalhar, eu mal conseguia focar em qualquer coisa. Mais do que desesperada, eu finalmente liguei para minha médica na terça-feira de manhã e ela me prescreveu um remédio que não faria mal se usado ocasionalmente para ajudar a combater as enxaquecas. Mas, é claro, a medicação me deixava sonolenta.

Isso foi até quinta-feira de manhã quando eu percebi que meu prazo para ligar para Charlie estava quase terminado, se eu não engolisse isso e ligasse para ele agora, então minha mãe faria o trabalho por mim. O lembrete com o número da delegacia ainda estava colado na tela no meu computador, então depois da minha primeira tele-conferência do dia – e no horário que eu tinha certeza de que ele estaria no trabalho, sentado na mesa de Chefe de Policia – eu disquei o número. Esperei impacientemente enquanto o telefonista da delegacia encontrava meu pai e transferia a ligação.

"Isabella?"

Eu cerrei meus dentes. "É Bella. Oi, Char..Pai."

"Bella! Como você está? Eu não tenho notícia de você há meses. Espera. Está tudo bem? Você geralmente não liga durante o dia. O que está acontecendo? Você precisa que eu fa…"

"Pai! Para. Eu estou bem." Interrompi. Esse tipo de reação era uma das muitas razões pelas quais eu estava evitando esse telefonema. "Eu liguei durante o dia porque eu tenho estado terrivelmente ocupada com o trabalho. Eu mal tenho tempo para respirar, que dirá telefonar."

"Oh. Bem…tudo bem. O que você conta?"

"Eu pensei que devia te dizer que me mudei." Inspirei rapidamente, me preparando para a próxima frase. "Eu estou morando em Seattle."

"Seattle? Sério?"

"Meu, Deus, ele parece animado. Eu gemi."

"Sim, essa uma das razões pelas quais tenho estado tão ocupada. Você sabe, não só a minha mudança, mas abrir um novo escritório. Muita coisa pra fazer."

"Quando você chegou? Posso te ajudar a trazer as coisas? Eu acho que posso ir aí no sábado. Eu só preciso cancelar minha pescaria e..."

"Não, pai, não faça isso. Eu já me mudei. Estou aqui há algum tempo na verdade. Além disso, eu já tenho planos pra esse fim de semana." Me encolhi.

"Há algum tempo? Quando você chegou Bells?"

Mordi minha língua pra evitar estalar os dentes para o apelido favorito do meu pai pra mim. " É Bella. E, na verdade eu me mudei pra cá por volta de oito semanas atrás."

"Oh. Entendo."

A linha ficou muda por um minuto inteiro antes que ele falasse novamente. "Bem. Eu acho que devia ir voltando ao trabalho."

"Charlie, espera. Tem mais outra coisa." Inspirei fundo novamente, essa notícia era quase pior do que dizer que eu me mudei para um endereço a menos de três horas de distância do dele há mais de dois meses. "Eu pensei que você devia saber...que vai ser avô."

"O quê?" ele perguntou confuso. "Você está dizendo que está grávida?"

"Sim."

"Umm. Eu quero dizer…wow, isso é...algo. Umm, quando vai nas...Eu digo, você está de quantos meses?"

"Estou de quinze semanas. O bebê deve nascer em fevereiro."

"Oh. Então, vou chegar a conhecer esse cara com quem você...você sabe...está envolvida?"

"Não tem cara algum Charlie. Estou levando isso sozinha."

"O quê? Bells, você é muito nova pra algo assim. Você não pode nem pensar em ter um bebê sozinha!" ele quase gritou no telefone.

A raiva a ponto de ferver de repente estava fora de controle. E eu iria ofendê-lo com um ataque de fogo . "É Bella!" Gritei. " E eu vou ficar bem, tenho certeza. Eu sou dez anos mais velha do que a minha mãe quando ela me teve, e de alguma forma ela conseguiu me criar totalmente sozinha."

A respiração subitamente presa que eu ouvi no telefone me disse que meu comentário tinha rebatido o dele.

E então eu me senti culpada. Cacete!

"Me desculpe. Não foi isso que eu quis dizer."

"Está tudo bem. Eu…Eu tenho certeza de que você vai ser uma ótima mãe." Ele aplacou.

"Obrigada."

"Umm, eu ainda quero saber quem é o pai. Sabe, eu não vou estar cumprindo meu papel de pai se eu não gritar e sacudir minha arma pra ter certeza de que ele não é só um idiota que se aproveitou minha garotinha."

Eu tive que segurar a vontade amarga de rir das palavras de Charlie como "papel de pai" e "garotinha". Mas aqui era aonde uma mentira teria que entrar, porque ele não era nem de perto tão fácil de aplacar quanto a minha mãe. Eu podia dizer pelo tom de voz do meu pai que ele não iria esquecer esse assunto tão cedo. E ele certamente não ficaria feliz com a verdade. "Não é assim. Ele é só um cara que eu conheci em Phoenix. E antes que você pergunte, sim ele sabe e apóia minha decisão."

Okay, isso era uma mentira enorme, e minha voz esganiçou no final dela.

Mas pra minha grande surpresa, meu pai ficou calado. Ele meramente terminou nosso telefonema afirmando que estava feliz que eu estivesse seguramente decidida e que ele viria me ver em algumas semanas. Eu disse a ele que o ligaria quando tivesse um sábado livre, e ele espertamente escolheu não me fazer mais perguntas.

Coloquei o telefone no gancho e imediatamente deitei minha cabeça na mesa reafirmando pra mim mesma que tudo ia ficar bem.

~*~

O Sr. Jack Newton veio para a cidade na sexta-feira de manhã, e eu passei boa parte do dia mostrando o escritório a ele, o apresentando para o nosso pessoal e à noite ele, Mike e eu levamos os donos das nossas duas maiores contas em Seattle pra jantar.

Uma vez tendo me visto, o Sr. Newton imediatamente pediu uma reunião particular comigo no sábado de manhã antes de voar de volta para Phoenix naquela tarde.

Então, era sábado de manhã e eu o encontrei em um dos restaurantes no Hilton onde ele me perguntou em uma forma não tão delicada se eu tinha certeza de que estava disposta a cumprir minha tarefa de continuar a comandar o escritório na minha comentada condição, e eu se eu ainda estava disposta a ser babá do Mike. Oh, e a propósito, se ele precisava contratar um advogado para discutir um acordo de pensão para a criança com o Mike e eu.

Me custou todo o controle que meu corpo tomado por hormônios possuía para refrear o impulso de gritas com o meu chefe. Eu precisava do meu emprego, mas odiei a insinuação de que apenas porque eu estava grávida meu cérebro de repente mofaria e eu não estaria apta a focar no meu trabalho. Ou, que eu subitamente não daria atenção ao meu trabalho porque eu estaria muito ocupada com caronas, recebendo crianças pra brincar e correndo para a associação de pais e mestres. E pior ainda, que o Sr. Newton estivesse implicitamente dizendo que depois de todos esses anos eu finalmente tivesse permitido que Mike se aproximasse o bastante para me engravidar.

Eu não tinha certeza se Jack acreditaria em qualquer coisa que eu tivesse pra dizer. Pela primeira vez desde que comecei a trabalhar para a Newton Corporation, eu tive a sensação de que meu emprego não era tão seguro como eu sempre pensei que ele fosse.

Depois que o Sr. Newton saiu para fazer o check-out e então ir para o aeroporto, eu voltei para o lobby. Foi quando eu a vi.

Bem, não ela exatamente, mas eu vi uma mulher vestida até os punhos de véu e grinalda. A maquiagem da noiva estava feita como que por um artista, seu cabelo encaracolado e preso a sua cabeça por um profissional, e ela andava com um pequeno grupo de pessoas em vestidos e ternos em direção aos salões. Não era familiar. Ninguém que eu conhecesse, mas de repente eu percebi que se o coordenador de eventos não me diria quando o casamento da família do Edward ocorreria, eu podia simplesmente sentar aqui e esperar pelo evento.

Depois de tudo, quantos casamentos aconteciam em um hotel como esse?

A resposta para minha pergunta eram, aparentemente, muitos.

O lobby e o bar do Hilton de Seattle haviam se tornado meu novo point. Eu continuava procurando nos anúncios de casamento dos jornais, e tentava perguntar a vários funcionários sobre os casamentos que ocorreriam no hotel, tentando conseguir qualquer informação que possivelmente conseguiria arrancar deles. Mas havia uma linha tênue entre ir ao hotel numa rotina freqüente e ser expulsa pela segurança. Eu passei marcar todas as minhas reuniões naquele hotel. Esse parecia ser um movimento inteligente e me dava uma desculpa válida para estar lá.

Eu podia afirmar que Kate e Angela começavam a ficar preocupadas, como sempre. Não que nenhuma de nós fossemos muito próximas, mas eu podia dizer que elas achavam que eu estava exigindo muito de mim mesma. Depois de algumas semanas em que eu passei algum tempo com elas, elas estavam preocupadas por que eu de repente estava ocupada durante cada minuto. É claro que elas não sabiam o que eu fazia no meu tempo livre.

Mais do que qualquer coisa eu estava começando a ficar desanimada. Sexta a noite eu estava tão frustrada e irritada com toda essa confusão que eu comecei a ligar para os hospitais locais e perguntar para a telefonista por qualquer médico com o nome Edward. Isso era terrivelmente patético. A um certo ponto, eu estava tão distraída que acabei explicando toda a história confusa para a mulher no outro lado da linha. Ela prontamente me transferiu minha ligação para...a ala psiquiátrica.

A propósito, não haviam psiquiatras em Seattle com Edward de primeiro nome.

Agora, sentada novamente no mesmo hotel maldito, eu percebi que talvez ela estivesse certa. Esse era meu terceiro sábado consecutivo almoçando no restaurante do hotel Hilton, e a essa altura eu nem sabia mais o que eu estava fazendo. Tudo que eu podia concluir era que essa tinha sido uma idéia idiota. Talvez, simplesmente fosse melhor ir pra casa e ver se a Ângela estava livre essa tarde. Eu sabia que Kate tinha dito que estaria ocupada. Sem mais delongas, eu iria até Kate segunda-feira para ver em que ela poderia me ajudar e possivelmente o Dr. Cullen também. E se eu não conseguisse nada com isso, então o caso estaria encerrado. Isso era o máximo que eu podia fazer. Não era como se eu estivesse tentando me esconder de alguém ou manter segredo.

Não, eu estava tentando encarar de frente e ser honesta…bem, com todo mundo exceto meu pai.

Eu paguei pelo meu almoço e me dirigi para descer as escadas onde eu iria tentar ligar para Angela. Saindo do elevador, eu notei um uma equipe grande de casamento se aproximando para o final oposto do lobby. Mesmo se eu quisesse, eu não poderia evitar dar uma olhada mais de perto, a noiva era alta e esbelta, com cabelo loiro.

"Bella?" Ouvi alguém chamar enquanto eu cruzava o lobby.

Eu parei e me virei encontrando Angela caminhando até mim.

"O que você tá fazendo aqui?" Ela perguntou.

Dei de ombros. "Estava almoçando. Eles tem um excelente frango com salada de nozes aqui."

"Oh." Ela sorriu.

"Eu ia justamente ligar pra você, mas achei que você estivesse ocupada."

"É só um casamento. Meu par me deu um bolo, por que você não fica?"

"Ah, não. Eu não quero me intrometer."

"Não, não vai ser uma intromissão. Kate está aqui também."

"É mesmo?" Agora eu fiquei intrigada. "Quem está se casando?"

"O filho do Dr. Cullen."

"Oh." Então provavelmente não era quem eu estava procurando. "Sério Ângela, eu tenho que ir. Talvez a gente se encontre amanhã."

Ela segurou meu braço. "Vamos, por favor. Está quase começando. Eu estou um pouco atrasada. Eu realmente odeio ir nessas coisas sozinha. Não é como se eu conhecesse muita gente, e eu certamente não quero ter que ficar presa conversando com meus pais a tarde toda."

"Tudo bem." Eu cedi enquanto me permitia ser levada para o salão. Um cavalheiro loiro muito bonito nos arranjou lugares no lado do noivo. Eu me senti extremamente deslocada vestindo minha calça preta e túnica azul que eventualmente exibia meu estômago crescente, mas que nesse momento mais escondia minha barriga do que a acentuava. Meu cabelo estava solto e minha maquiagem nada mais do que básica. Eu não me parecia em nada com as outras mulheres no recinto, que estavam todas em vestidos e pareciam estar num evento da alta sociedade. O que, depois de pensar a respeito, eu percebi que era realmente o caso.

Eu teria que sair imediatamente depois da cerimônia.

O pai de Angela, que estava celebrando a cerimônia, entrou no salão, junto com o noivo e seu padrinho. O noivo me parecia um pouco familiar. Mesmo que eu tivesse certeza de que jamais teria notado ele em uma multidão, mas o padrinho eu reconheceria em qualquer lugar.

Era Edward.


N.t.: Não esqueçam da review! ;)

Elas nos deixam viadas, mesmo que a fic não seja nossa! hehehehehehe