Ahá, acho que nem demorei tanto assim para postar esse capítulo! E devo dizer que foi o que eu mais gostei de escrever dessa série! Foi muito bom do início ao fim e diferente de alguns outros capítulos, esse eu escrevi até rápido e não faltou criatividade (:

Eu teria postado antes, mas revisei um bocado de vezes à procura de errinhos gramaticais. Bom, acho que consertei os mais graves, mas me perdoem de verdade se tiver algum (que provavelmente tem).

Man, mal posso acreditar que esse já é o último capítulo! D:

Eu queria ter atualizado no dia dos namorados, pra dar um pouquinho mais de romance... Mas tive uns probleminhas com a minha internet e como já disse outras vezes... SOU MUITO ENROLADA, fato.

Como um penúltimo pedido nessa fic (o último está no final, rs), gostaria de pedir que cada uma lesse com bastante atenção e, se possível, carinho. Escrever "Eu existo" foi DE-LI-CI-O-SO e eu quero muito escrever outras fics e continuar com "Konoha News". Então se você gostou dessa estória em que a Sakura não é uma boba apaixonada e o Sasuke não é uma... Hm, uma pedra, por favor, leia com bastante consideração.

Pensei em um título bastante especial também. E acho que combinou bastante com o conteúdo, porque HERZ em alemão significa "coração".

É claro que não se pode agradar todo mundo, e tudo bem que tenha pessoas que não fiquem satisfeitas com o final. Mas querem saber? Esse é o final que dois melhores amigos de infância que descobrem o amor juntos deveriam ter. Leia e confira.


Capítulo XI - Herz

Sakura POV

Eu devo estar louca.

Louca, muito louca mesmo. A propósito, alguém aí já ligou para o manicômio?

Estou sentada em um Starbucks afastado do centro da cidade, portanto é bem calmo por aqui. Pedi um café expresso que foi deixado na minha mesa há tanto tempo que já deve estar congelando. Cara, eu odeio café. Por que eu pedi então? Bem, talvez seja porque o gerente disse que eu só podia ocupar uma mesa se eu fosse uma cliente. Só agora estou pensando que eu deveria ter comprado um chiclete no lugar.

Graças a Deus estou sentada, caso contrário já estaria estendida no chão há muito tempo, meus joelhos não param de tremer. E eles tremem ainda mais quando eu olho para a mensagem que recebi no celular...

"Já estou a caminho. Chego em um minuto."

ARGH! Não falei? Eles acabaram de tremer de novo!

Eu não sei o que deu em mim, mas depois de discutir - de novo - com o Sasuke, peguei meu celular e num impulso totalmente involuntário, liguei pro Kiba e pedi que ele me encontrasse aqui, nesse café.

E quanto tempo exatamente ele quis dizer com um minuto? Será realmente sessenta segundos? Ou uns quarenta, ou talvez três minutos...

Paro abruptamente de partir palitos de dente ao meio assim que ouço a campainha da porta, indicando que alguém acabara de entrar (ou sair). Um homem alto, cabelos castanhos claros molhados e usando um moletom cinza e jeans acaba de chegar e está olhando para os lados, como se estivesse procurando alguém.

Bom, e talvez realmente esteja, já que finalmente percebo que é Kiba.

Quando ele me encontra, dou um sorriso sem-graça, enquanto ele sorri graciosamente com seu charme irresistível, seus dentes perfeitos e seus planos odontológicos que custam os olhos da cara.

Ok, ele realmente quis dizer um minuto mesmo.

Ele mal senta-se na cadeira de frente pra minha e uma garçonete com a cara no formato de uma pêra (cara no formato de uma pêra?) prontamente vem atendê-lo. Seus olhos percorrem o menu por apenas alguns segundos, quando ele pede um bom frappuccino.

Ele junta suas mãos e apóia seu queixo (impecavelmente quadrado, como percebo) e olha para mim, como se esperasse que eu dissesse alguma coisa. Tá, é óbvio que ele espera que eu diga algo, afinal, fui eu quem o chamei até aqui, certo?

- E então? - Kiba pergunta suavemente e dá um belo gole de sua bebida assim que chega. - Você disse que precisava conversar com alguém. Estou aqui.

Ah, eu disse isso, é?

Hum... Começo a perceber que não sei bem sobre o quê quero conversar. Uau, sou tão idiota. Que bom.

Dou uma mexidinha no meu expresso e noto que não sai mais vaporzinho dele. Deve estar ruim pra cacete.

- Como foi... - minha voz está horrível, tento desesperadamente encontrar algum assunto. - O treino de futebol?

Sua cara adquire uma expressão muito estranha, e engraçada também, vamos lá. Acho que vou começar a rir agora mesmo.

Hmpff... Não. Já tenho quinze anos, não posso mais rir da cara estranha que as pessoas fazem.

- Legal. - ele dá de ombros. - O Gai-sensei pegou meio pesado com a gente hoje, tivemos que correr quatro quilômetros como aquecimento.

Não sabia que professores de educação física davam quatro quilômetros pra adolescentes de quinze anos correrem como aquecimento.

- Daí tive que passar em casa pra tomar um banho antes de vir pra cá. - Kiba aponta para os seus cabelos molhados. Ficamos em silêncio por algum tempo, até que ele diz numa voz de alguém que não quer nada: - Tem certeza de que me chamou até aqui só pra me perguntar do treino?

Oh, que ultraje!

- Na verdade sim! - consigo dizer sem gaguejar.

- Ok, então. - ele dá de ombros. - Deixe-me ver o que aconteceu no treino de futebol... Depois de correr, tivemos que fazer duzentas abdominais e cem flexões...

É impressão minha ou Gai-sensei está treinando esses garotos pra uma guerra?

- ... e então treinamos alguns passes e ataques aéreos...

Ahá! Eu ouvi isso muito bem! Ele disse "ataques aéreos", que só pode significar uma coisa: aviões de caça.

- ... que logicamente quer dizer gols de cabeça...

Hm, eu preferia a idéia dos aviões de guerra.

- ... e depois de praticarmos algumas cobranças de pênalti, Gai-sensei perguntou se algum de nós sabia como Uchiha Sasuke podia ter faltado o treino de hoje, tão perto do nosso jogo contra Suna.

Fico completamente estática por alguns segundos, só em ouvir o nome DELE. Será que Kiba percebeu que eu gosto do Sas-...

- E você me ligou e eu pensei que essa seria uma boa oportunidade em perguntar pra você. Então... Por que o Sasuke faltou hoje?

Droga. Ele sabe que eu gosto do Sasuke. Eu sinto que ele sabe só pela maneira como está me olhando com esse sorrisinho torto.

- Talvez ele tenha esquecido. - digo um pouco indignada. Por que eu tenho que saber sobre o Sasuke? Por que ninguém pergunta pra melhor amiga dele, a Yue? - Ou esteja passando mal. Ou esteja dormindo, ou assistindo Friends, ou estudando Física, ou fazendo caminhada, ou dançando rumba no telhado, compondo uma música, pintando as unhas de roxo, depilando o peito com cera quente, ou morrendo, sei lá!

Não. Morrendo, não. Eu não disse isso.

Concluo que estive gritando um pouco, já que estou de pé e minha respiração está meio ofegante. Ah, sem falar que o Starbucks inteiro está olhando para mim. Demais.

- O Sasuke pinta as unhas e sabe dançar rumba? - Kiba está me olhando com uma cara totalmente esquisita. - Não, pior! Ele se DEPILA?

- Sei lá! - sento-me novamente. - Só quis dizer que eu não sei por que ele faltou ao treino. Por que eu deveria saber?

- Bom, vocês são carne e unha, então eu achei que talvez você soubesse. Assim como eu também achei que era sobre o Sasuke que você queria conversar.

Sinto meu coração fazer um forte tum-tum e me pergunto se Kiba foi capaz de escutar. Realmente não posso ficar ouvindo o nome dele o tempo todo. Ou falar.

- Nós estamos... - penso por alguns segundos. - Estamos de mal.

- Vocês estão de mal? - acho que ele vai rir da minha cara. - Tipo... Igual as criancinhas que ficam de mal uma das outras?

- Acho que sim.

Ah! Que puto!

Ele tá rindo da minha cara! E eu que fui toda educada não rindo da cara dele quando fez aquela expressão estranha.

- O que tem de tão engraçado nisso? - porque é meio frustrante quando tem alguém totalmente gostoso rindo de você. E mais frustrante ainda quando você não sabe o motivo.

- Ah, Sakura, qual é! - ele limpa as lágrimas que vieram com as risadas. - Não consigo imaginar você e o Sasuke brigados! Acho que ninguém consegue. Ele deve estar com a maior cara de bunda!

Será que é tão difícil assim de imaginar eu e o... Bem, eu e o você-sabe-quem brigados?

Legal. Falando desse jeito estou me sentindo um Harry Potter.

- Você não vai muito com a cara dele, não é? - pergunto ansiosa pela resposta.

Kiba encara o teto por algum tempo e então dá um último gole do frapuccino e pede uma tortinha de limão para a garçonete com cara de pêra.

- Ele parece um cara legal. - e dá de ombros.

Ah, mas eu também não posso dar de ombros assim tão facilmente.

- Ah, certo. - digo num tom de ironia. - Tão legal que você quase o matou outro dia.

Oh.

Alguma coisa me diz que eu não deveria ter dito isso. Sakura, sua linguaruda!

- Todo mundo acha que eu realmente iria atirar nele? Acha que eu teria coragem de... - ele abaixa a voz. - De matar alguém?

Bom, considerando que ele você estrangulou o meu pescoço, reuniu uma gangue da pesada, deu uma coronhada na cabeça do Sasuke e ainda apontou uma arma para ele... Sim, eu acho.

Mas é claro que eu não falei isso. Eu posso ser linguaruda, mas valorizo a minha vida.

- Ah. É só porque você parecia estar tão... Sério. - que foi a forma mais gentil que encontrei de dizer: a sua cara de maníaco estava me assustando.

- Eu estava meio puto com ele naquele dia. - ele diz enfim. - Quer dizer... Acho que o Japão todo sabe que a minha família com a Uchiha não são muito amigáveis uma com a outra.

Repentinamente tenho vontade de tirar os meus sapatos discretamente debaixo da mesa. Parece ser uma longa história.

- E tem o colégio também. Somos os mais populares e eu não gosto de... Dividir atenção com ninguém. Sempre competíamos quem era o mais bonito, o melhor no futebol, nas gincanas, quem tinha os carros mais legais... - Kiba dá uma pequena risadinha, num momento de nostalgia puramente seu. - Claro que Sasuke nunca ligou pra popularidade como eu. Enfim, acho que eu era o vilão da história.

E eu a princesa que está comprometida com o vilão gostoso mas sofre de amor pelo príncipe perfeito Sasuke, mas o dragão Yue atrapalha tudo. Hm, daria uma história e tanto.

- Mas os serviços comunitários que tenho prestado ultimamente, está mudando completamente meu modo de ver o mundo. Você sabia que aqui no Japão é normal as pessoas largarem os próprios pais em asilos e fazerem um falso atestado de morte, dizendo que estão mortos para ficaram com o dinheiro? Não quero me tornar uma pessoa tão gananciosa a ponto de fazer isso. Estou mudando de verdade.

- Sei que sim. - digo num tom de consolo e Kiba sorri sem jeito.

- Voltando ao assunto... - ele leva um bom pedaço de torta à boca e me pergunto quando é que ele vai me oferecer. - Nós sempre tivemos algum tipo de rivalidade. Mas acho que eu sempre tive ciúmes dele.

Eu devo ter arregalado MUITO os olhos e aberto tanto a boca de uma forma um tanto inconveniente, já que Kiba acrescentou depressa:

- Mas não conte isso pra ninguém. - e fez um biquinho infantil, que achei particularmente fofo. - Por que está tão impressionada? Não me diga que nunca sentiu ciúmes de alguma coisa ou pessoa em toda a sua vida.

- Bom, claro que já senti. - e involuntariamente um par de botas de couro surgem na minha cabeça. - Mas você tem tudo o que uma pessoa da nossa idade pode querer. Tudo! - faço um gesto amplo com os braços. - É um excelente atleta, tem as melhores roupas, é convidado para todas as festas, é bonito e simplesmente todas as garotas do colégio rastejam por você.

Inclusive eu.

Quer dizer, rastejava. Não mais.

- Sasuke sempre esteve rodeado de amigos. - quando abro a boca para protestar, dizer que ele também, Kiba rapidamente acrescenta: - Eu quero dizer amigos de verdade. Daqueles que matam e morrem por você, e não do tipo que finge gostar das mesmas coisas só pra andar no seu carro.

De repente me lembro do dia anterior, quando Kiba me disse que nunca teve amigos verdadeiros. Quando ele me disse que seu pai não lhe dá confiança, seus amigos sempre foram uns aproveitadores e que a menina que ele mais gostou o odeia. Foi a primeira vez que tive pena de um rico.

Sem saber o que dizer, a única coisa que fiz foi dar um sorriso triste e olhar para as minhas unhas, não querendo encontrar seus olhos.

- Acho que ele tem sorte por ter uma amiga como você. - ele diz de repente e preciso de algum tempo considerável para entender o que ele quer dizer. - O Sasuke. - ele completa. - Deve ser muito feliz por ter a sua amizade.

Suspiro pesadamente, tentando afastar as péssimas lembranças recentes do meu... Amigo. Mas querem saber? Nós já tivemos muitos bons momentos.

- Acho que sim. - concordo.

- E o legal é que além de amigos, vocês ainda se amam, não é? - por um momento fico bestificada e abro tanto a boca que sinto que algum osso do meu queixo se deslocou. - Fico surpreso em saber que vocês não namoram.

Acho que vermelha é a única palavra que possa me descrever no momento.

- Sasuke e eu somos... - engulo em seco. - Hm, grandes amigos.

- Mas ambos queriam ser muito mais que só grandes amigos, certo?

Devo dizer que estou realmente impressionada com algumas coisas:

1. Será que está tão na cara assim a minha super, hm, admiração pelo Sasuke que até Kiba notou?

2. Os pais dele nunca ensinaram o quanto é feio deixar as pessoas sem-graças?

3. Desde quando Kiba fala todo certinho?

4. E é impressão minha ou ele está de MEGA bom-humor com alguma coisa que ainda não falou?

Estou frustrada demais para perceber que Kiba esperava uma resposta minha. O que foi que ele perguntou mesmo? Vou parecer idiota se eu pedir para repetir?

Ah, sim. Sasuke. Sempre ele.

- Digamos que sim. - pigarreio e fico ainda mais vermelha ao notar o sorriso de satisfação dele. - Mas agora estou confusa. Não sei mais o que o Sasuke quer de mim.

O que é uma grande verdade.

É totalmente estranho uma pessoa com extremas dificuldades em revelar seus sentimentos quanto qualquer Uchiha (menos a Mikoto, que é um amor de pessoa) e alguns dias depois, parecer que ele nunca te viu na vida. Quer dizer, por que estamos discutindo tanto nos últimos dias? Éramos as pessoas mais zen do mundo, então o que pode ter acontecido ultimamente...?

Puta merda, é claro. Como eu não pensei nisso antes?

- Ele tem a Yue. - digo antes que posso controlar minha boca. - Acho que não precisa mais de mim.

Meus olhos estão pinicando, tenho certeza de que vou começar a chorar. Ah, meu Deus, não. Não chore aqui e agora. Não no Starbucks, não na frente do Kiba, não pelo Sasuke, não de novo.

Um pequeno silêncio se instala sobre nós e arrisco a olhar para ele. Que para a minha surpresa, está com uma confortável gentileza nos olhos.

- Até onde eu saiba eles são primos. - é tudo o que diz. - Então, onde ela entra na conversa?

Envergonhada, abaixo meus olhos para a mesa e enfim noto que sua torta de limão (de aparência MUITO agradável, devo acrescentar) já sumiu totalmente do prato. Obrigada por não oferecer, Kiba. Estou muito satisfeita com meu expresso gelado.

- Ela é a nova melhor amiga dele. Ou sempre foi. Ou... - penso um pouco. - Bom, aonde quero chegar é que ela é a melhor amiga dele, no presente. - respiro com toda a calma do universo, afugentando o meu devastador ciúmes. Tudo bem que eu disse pro Sasuke que a gente tinha que ser só amigos, mas... Ei, ser substituída não estava nos meus planos!

- Como você mesma disse, eles são amigos. Ah, e primos também. Acho que seria meio incesto se rolasse algo mais. Ponto final.

- Mas você não está entendo, Kiba. - estou meio revoltada, porque é humilhante ter que explicar pra uma alguém que a pessoa que a gente ama, não gosta mais da gente. - Agora que ela voltou pro Japão, os dois não se desgrudam por um só minuto! É impossível falar a sós com o Sasuke. E ela é tão bonita, veste umas roupas tão legais, usa botas de couro legítimo e já viajou pela Europa e pra todos esses outros lugares legais e compra presentes pra ele e... E...

Não acredito. Estou chorando.

Caramba, estou chorando horrores!

Deus, não permita que meu nariz comece a escorrer e minha voz ficar indecifrável, por favor.

Minha cabeça desaba na mesa e começo a chorar um pouco mais alto. Kiba estende o braço totalmente sem jeito e o coloca no meu ombro, dando alguns tapinhas.

Por que as pessoas acham que tapinhas no ombro servem de consolo?

- E eu não posso com ela! Não sou legal como a Yue! - só não sei se ele entendeu tudo o que eu disse, porque estou chorando tanto que começo a soluçar.

Céus, a garçonete me trouxe uma caixa de lenços!

- Obrigada. - digo para ela, realmente emocionada. Não sabia que o Starbucks oferecia lenços descartáveis para clientes chorões.

Ah, meu Deus. A garçonete toda gentil comigo e tudo o que eu fiz por ela foi zombar da sua cara de pêra! E nem sequer bebi o café que a amiga dela que fica detrás do balcão fez pra mim. Sou um monstro insensível mesmo. Pior: sou um monstro que chora e que faz um barulho horrível ao assoar o nariz.

- Como eu estava dizendo, eles são primos e...

- Quem liga se eles são primos ou não? - interrompo Kiba e seco desesperadamente meus olhos com as costas das mãos. - É claro que aquela menina morre de amores pelo Sasuke e ele não seria idiota o bastante para rejeitá-la, então...

Antes que eu possa dizer mais alguma coisa, Kiba estende alguma coisa retangular e brilhante muito perto dos meus olhos, fazendo-os arder ainda mais.

- O que é isso? - ele finalmente deixa o objeto nas minhas mão e noto que é seu Blackberry, o mesmo que ele usava na aula de Biologia. - Pra que você está me entregando o seu...

- Apenas leia a mensagem. - é a vez dele me interromper.

"Tudo bem, então. Vc venceu. Me pegue às nove. E por favor, não encoste no Akamaru antes de me encontrar. Vc sabe do cheiro peculiar que cachorros têm."

Ok, agora realmente estou confusa. Não sei o que isto tem a ver com o que estávamos conversando.

- E aí? - percebo que ele solta um enorme sorriso. - O que achou?

- Bom, você tem um encontro.

Ele revira os olhos.

- Está bem óbvio que eu tenho um encontro. Mas você não notou nada de errado com a mensagem?

- Ahn... - olho mais uma vez para a mensagem. - Que a pessoa com quem você vai se encontrar não gosta muito de cachorros?

E revira os olhos novamente. Isso não faz mal à visão não?

- Olha o remetente! Olha o nome da pessoa quem me enviou.

Pego mais uma vez o celular e resolvo examiná-lo mais de perto. Caramba, eu prefiro mil vezes o meu aparelho que nem tira foto, mas ao menos as letras são maiores e mais fáceis de enxergar. Eu por acaso não sou o Super-homem e nem tenho uma super visão, portanto se ninguém me emprestar uns bons óculos agora mesmo, eu jamais conseguirei ler essa porr...

- Impossível! - exclamo, realmente chocada com o que leio. - Quero dizer, estamos falando da mesma pessoa?

Ele confirma com a cabeça e sorri, como se tivesse ganhado um jogo importante.

- Kiba... - começo cautelosa, tentando juntar as peças. A data da mensagem é de ontem, e o horário bate com a aula de biologia que tivemos. Então ele estava tão interessado assim no seu Blackberry porque... - O que essa mensagem significa?

- Significa... - seus olhos mal podem conter tanta euforia. - Que eu preciso me apressar, se quiser ser pontual no encontro.

Ele entende a mão a chama a garçonete com cara de pêra e pede a conta. É muito legal isso que ele está fazendo, pagando a minha parte e tudo o mais. Mesmo que eu tenha consumido só um cafezinho.

- Mas eu pensei que ela...

- Deixa eu te explicar melhor. - à essa altura, já nos levantamos da mesa e Kiba me segura pelos ombros, olhando seriamente nos meus olhos. Puxa, ele é realmente bonito. Mas não tanto quanto o Sasuke, hm. - Essa mensagem significa que eu tenho um importante encontro com uma garota que eu gosto muito em... Vejamos, quarenta minutos. Significa também que eu não posso falhar em nada hoje, caso contrário não sei quando terei uma outra oportunidade dessas. E o mais importante... - ele respira fundo, e depois sorri. - Significa que a Yue não gosta do Sasuke da maneira que você acha.

E solta os meus ombros.

- Bom, porque se fosse assim... - ele começa a se afastar. - Ela não teria aceitado sair comigo hoje, certo? Ainda mais porque já fomos namorados no passado.

PQP, agora tudo se encaixa!

- Então ela é a garota que você sempre amou? A garota da sua vida? - pergunto ardendo de desejo de que ele me responda um "sim". - É por causa dela que você não gosta do Sasuke?

- Foi bom conversar com você. Ligue sempre que precisar, Sakura.

E a campainha da porta toca, assim que Kiba a abriu para poder sair e encarar a noite fria.

Mas estou muito extasiada, não sei mesmo o que fazer. Quero gritar, sair correndo pela rua, cumprimentar todas as pessoas que passarem por mim, e rir e gargalhar bem alto... Por vários motivos:

1º Fiz um novo (e bom) amigo. Quem diria que Inuzuka Kiba seria tão legal assim?

2º Café expresso não é tão ruim assim. Gelado é melhor.

3º Parece que interpretei mal, a Yue não ama o Sasuke como pensei. Quer dizer, ela não sairia com o Kiba sem nem estar ao menos um pouquinho interessada nele, certo? A Yue também não é de ferro.

4º Então estou com o caminho livre e direto para o meu Sasuke-kun.

E 5º, mas não menos importante... Kiba me chamou pelo meu nome, por Sakura. Enfim aposentou os Kura e Doçura.

Nem tudo está perdido afinal.

.

.

.

Quando no dia seguinte eu coloco os meus pés na sala de aula, tudo parece se iluminar e todas as pessoas que já chegaram parecem tão bonitas e felizes que tenho vontade de sair abraçando cada uma, uma por uma.

Bom, talvez se a Karin parar de cutucar aquela espinha nojenta no nariz eu também possa criar coragem e abraçá-la.

Dormi incrivelmente bem após Kiba ter me revelado sobre o seu encontro e tive que me segurar muito para não ligar pro Sasuke e pedir desculpas, porque eu quero dizer isso pessoalmente. Ele merece um pedido de desculpas digno, e não uma conversinha de dois minutos pelo celular (que é o máximo que o meu bônus permite). E é claro que se fosse pelo telefone, ele não teria como me beijar para selar as nossas pazes.

Não que ele vá me perdoar e me beijar no final, claro. Mas sonhar nunca é demais.

Kurenai entra na sala e começo a achar que não é impossível odiá-la com seus olhos assustadoramente vermelhos e seus papos entediantes de regência verbal. E então escuto alguém pedir licença e desculpas pelo atraso e vejo um Kiba entrando pela porta, com uma cara super mal passada e de quem não dormiu nada. Mas eu vejo também maquiagem camuflando marcas de chupões por todo o pescoço.

Hm, que danadinhos. Sabia que aquele cabelo azul da Yue não me enganava.

Kiba passa sorrindo por mim e murmura de modo que só eu possa ouvir:

- Deu tudo certo!

Só não deu para escutar bem se foi uma afirmação ou pergunta. Enfim, se foi afirmação, quer dizer que seu encontro foi um sucesso e que não tenho mais com o que me preocupar com a Yue (mas se bem que as marcas no seu pescoço já foram bem convincentes). E se foi uma pergunta, suponho que ele esteja se referindo ao Sasuke, se nós já nos falamos.

E a minha resposta seria "Ainda não, mas vou cuidar disso agora mesmo".

Discretamente, começo a examinar atenciosamente cada carteira da sala, à procura de um garoto alto, de pele sedosa e alva, cabelos rebeldes e escuros, olhos penetrantes e ônix, um sorriso de canto sensual, ombros largos, gravata do uniforme desarrumada, dedos compridos batucando na mesa, um olhar de tédio e com uma sobrancelha levantada, provavelmente. Mais especificamente: a perfeição da natureza, o deus grego, alemão, japonês, americano e qualquer outra raça que existe, mais conhecido como Uchiha Sasuke.

Eu ainda continuava com a minha busca, quando de repente escuto algo pequeno e leve cair sobre o meu caderno. É um pedacinho de papel embrulhado.

Por favor, não me diga que é o Naruto com as suas criancices de novo. Ou então o Rock Lee, me desejando um "Bom dia, flor mais bela de Konoha! Seus cabelos estão tão rosa hoje que tenho vontade de mascar um chiclete de tutti-frutti!" porque infelizmente ele já me enviou um bilhetinho assim. Foi broxante.

Abri o pequeno pedacinho de papel e imediatamente reconheci a caligrafia. Era a letra absurdamente bonita para ser escrita por uma pessoa, e não um computador.

Sasuke.

De repente, tive medo de ler. E se nesse pequeno espaço ele estivesse se revoltando, dizendo que nunca mais queria me ver, que eu não devia procurá-lo mais? E se o Kiba tiver se agarrado com uma outra garota qualquer e o Sasuke me mandou isso pra se despedir, dizendo que vai fugir com a prima para Las Vegas, nos Estados Unidos, porque lá finalmente vai poder casar com a prima sem ser julgado? Ou e se...

Espera. Só tem uma palavra escrita. Sasuke teria que ser meio gênio pra resumir todos os seus sentimentos e angústias em uma só palavra, certo? Hesitante, dou uma última olhada para Kurenai, que está muito ocupada mandando o Naruto calar a boca e leio:

"Amigos?"

O que? O Sasuke sabe que eu é que estou errada e mesmo assim ele é que vem pedir desculpas? Mesmo que indiretamente?

Com o canto dos olhos, finalmente o encontrado sentada há duas carteiras atrás e parece tão concentrado na apostila que por um momento fico confusa se o bilhete veio mesmo dele. Mas de alguma forma, eu sinto que sim.

"Claro, como nos velhos tempos."

Escrevo e em seguida desenho uma carinha feliz.

Quando estava prestes a arremessar de volta, algo dentro de mim me fez parar. Algo que veio do fundo do meu coração.

É agora.

Eu não quero só a amizade dele. E daí que eu não seja mais a sua melhor amiga? Mas ainda assim podemos nos amar, certo? Bom, EU o amo. E não vou esconder por muito mais tempo.

Jogo fora o pedaço de papel e vou até as últimas folhas do meu caderno, e arranco uma qualquer. Rasgo mais até que fique do tamanho de um pos-it e escrevo, com as mãos tremendo:

"Eu não quero só amizade. Eu quero você, Sasuke."

Hm, acho que ficou estranho demais. A parte do "eu te quero" ficou muito sexual. Não consigo deixar de escapar um pequeno riso com esse pensamente e risco a última frase que escrevi, deixando só a parte da "amizade". E jogo para ele.

Infelizmente não pude ver sua reação, ele estava sentado há duas carteiras atrás de mim, mas eu pude escutar um quase inaudível "Oh!" e já queria enfiar o compasso nos meus olhos, desejando a morte.

E se eu levar um fora? Alguém aí já levou um fora por bilhetinhos durante uma aula de Português?

Não, Sasuke, por favor, eu não mereço isso.

Dessa vez o papelzinho bate com um pouco de força na minha cabeça e quando olho para trás, vejo que ele está com a cabeça baixa, como se estivesse lendo algo realmente interessante no livro. Só que diferente da primeira vez, há um sorriso torto no canto dos seus lábios.

Hm, algo me diz que ele deu um jeito de ler o que eu risquei.

Desdobro o papel e me deparo com um:

"E o Kiba?"

Rá, essa é fácil.

Na verdade, eu esperava que ele perguntasse algo assim. Porque é algo que há muito tempo que eu queria respondê-lo. E foi o que eu fiz.

"Que Kiba?"

Dessa vez, quando o Sasuke jogou na minha cabeça de novo, eu não me importei de verificar se o sorriso que eu tanto amava ainda estava lá, porque de alguma forma eu simplesmente sabia que sim.

E acho que eu morri depois de ter lido.

Mas morri de um jeito bom, muito bom.

Porque é totalmente aceitável uma garota morrer depois de ver um lindo e enorme coração vermelho desenhado no centro de um papel, com duas iniciais no meio: S e S. Ainda mais se for enviado pelo Uchiha Sasuke. E melhor ainda se ele for a pessoa que você realmente ama, como é no meu caso.

É isso aí, um coração.

E é claro que eu deixei isso guardado na minha mochila, não é todo dia que recebo um declaração tão simples e linda assim.

Mas foi só três meses depois de tal ocorrido que eu percebi algo escrito, bem pequenininho, ao lado do coração: "Você é a única para sempre."

Que se pensarmos bem, isso foi um quase "Eu te amo". Sasuke realmente não é um homem que fala muito. Enfim... Não me culpem por ter percebido só depois de três meses, afinal, eu levei dez anos para entender meus verdadeiros sentimentos por ele. E também... Bem, digamos que eu estive muito ocupada com o Sasuke-kun nos últimos três meses.

E querem saber? Ter um namorado é uma das dez melhores coisas do mundo. Agora ter um namorado que por acaso é seu melhor amigo está entre as três melhores coisas.


Ah, o final!

E então? Gostaram? Odiaram? Querem me matar? :D

Quero só dizer que aí no finalzinho, na parte em que eles trocaram os bilhetinhos, eu me baseei no livro A garota americana, de Meg Cabot.

Breve eu postarei aqui um pequeno epílogo, contando sobre o que aconteceu depois de seis meses. O destino do Kiba, Yue, Itachi, Naruto, Karin, e como as vidas do nosso querido casal Sasusaku ficaram. Enfim... Vocês preferem um Pov do Sasuke ou da Sakura? Ou talvez algo diferente, como uma narração do Naurto, Yue, Kiba... Respondam quando forem deixar uma review (:

E, claro, eu não poderia esquecer de me despedir das GATAS MAIS GATAS do mundo! Eu jamais chegaria no último capítulo assim, tão empolgada como estou agora.

Eu gostaria de justificar o porquê do título dessa fic. Tudo bem que ninguém nunca me perguntou o significa, mas... Er, enfim. Eu quero explicar mesmo assim, porque eu por exemplo, sempre avalio o título das fics que leio, pra ver a coerência e tals. Talvez aqui tenha ficado meio implícito, mas eu escolhi "Eu existo" porque no fundo, é o que o Sasuke queria esfregar na cara da Sakura. Eles se conheciam há mais de dez anos e, durante boa parte desse tempo, ele sempre foi muito apaixonado por ela, mas ela só queria saber do Kiba, o popular. Eu existo vai muito além do seu significado denotativo, deve ser interpretado de várias maneiras. Sasuke não estava lá só para ser tachado como "melhor amigo". Não, era pra muito mais.

Essa foi a minha primeira fic, e coincidência ou não, é a que eu mais gosto, entre todas que escrevi. E escrever não é uma tarefa tão difícil quando a gente gosta e, principalmente, quando tem tantas pessoas assim te apoiando e pedindo que vá em frente! (:

E muito, muito, muito obrigada por TODAS que me mandaram reviews ao longo do desenrolar da história. Desde as que me acompanham até hoje até aquelas que... Hm, nunca mais apareceram '-'

Minhas queridas

Bru Loup

Uchiha Lara

Regina Mayumi

taliane

Kune chan

Lucy Candlenight

Chii-chan S2

SakuraUchiha09

Doka

Annyllorak

Katy100

Conimy

Inuzuka Nightray Maasumi

Bruuh s2

Bru Hawk

Nick Granger Potter

Keiko Haruno Uchiha

Uchiha Minari

Akaane-chaan

Carol Wells

Sak Amendoboba

Miuky Haruno

Kiyuii-chan

Sayuki-sama

Mileni-chan

Caarolzinha

Mix luh-chan

Nimsay

Nina Point du Lac

Laah Rye

Harumi san

Oo D-pocky oO

Hatake Pam

dayahellmanns

larimannia

Sweet 29

Nessa

Jaquehina

M. Clara 08

Seenhorita Uchiha

haruno boo-chan ;)

Mi-cham 18

Final fairy

Samy C.

Line Mulango

Hana

Cien Fleur

FerSweet

Tauanne

Manu moony

Dany. Lok-s

Nina-osp

Vallete G.

Kikih

Jennyp Zerp

Zisis

Natty Hatake

Katy

Bruh

TeyAnime-chan

Haruno Melonie

Babi CS.

Mai Kobayashi

Aneishon-chan

Lidiia

gek-san

Dana

Ines Potter Black

Samy Winkot

Amy chan

Lulu Uchiha

Anye-chan

Uchiha-kaoru

Neigh

Anna Black Cullen

Renata

Paah Uchiha

moorg.

Emi

Flavia b.

Jaque

Kammy Engels Black

Vocês não têm ideia do quanto cada palavrinha que me escreveram foi importante e especial! *-*

Todas vocês, de cada uma de vocês.

Mas eu queria agradecer mais um pouquinho à minha querida Masumi-chan, pois sem a sua ajuda, seu apoio e, principalmente, sem suas ideias, essa fic NUNCA teria sido a mesma, não teria tido tanto êxito assim! Obrigada Masumi, de coração mesmo (:

E pelo amor de Deus, me perdoem se eu esqueci, repeti ou escrevi errado o nome de alguém (mas o Word "corrige" automaticamente alguns nomes, então alguns de letra minúscula estão maiúscula etc...). Foram mais de oitenta leitoras diferentes ao longo da fic e infelizmente um bocado deixou de acompanhar, ou de enviar reviews ):

E como este é praticamente o último capítulo (sem contar com o epílogo), meu último pedido é... Deixa review? *-*

Vale qualquer coisa. De elogios às críticas. Não importa o tamanho também, pode ser bem pequenininha ou grande, sei lá. Da forma que preferirem. Eu sei que deixar reviews dá preguiça às vezes, mas podem fazer um esforcinho? Poxa, é o último capítlo meninas!

Então... Sem querer fazer pressão ou algo do tipo, mas... Ou vocês deixam uma review ou eu furo seus olhos! ò_ó

Beijos e se cuidem, minhas queridas. Até o (mini) epílogo.