Nossa, quanto medo do Jane mentir pra Lisbon! Hahaha, ele estava sendo honesto, mas ainda assim é uma questão a se pensar: Vale a pena realmente correr esse risco pelos motivos que ele deu? Bom, o futuro da fic dirá =)

Cap V - Coadjuvantes

No dia seguinte, Lisbon foi direto para Oakland, como Hightower lhe pedira, após contar o que Jane havia feito. "Não deixe esse homem sozinho um minuto", foi o que ela dissera. Assim, teve que ir com seu próprio carro. E não surpresa, quando chegou, o Citroën de Jane já estava estacionado no estacionamento do teatro. Havia duas emissoras de TV gravando na frente do local. Não tinha muita movimentação. Ainda ia demorar algumas horas até o início da peça.

Lisbon entrou no teatro pela porta dos fundos, direto na parte dos camarins. Não encontrou Jane em parte alguma. Então decidiu começar seu trabalho sozinha.

Perguntou a um faxineiro onde podia achar os atores da companhia que se apresentaria naquele dia. Ele indicou várias portas, e disse que a maioria, de menor importância, estaria num outro camarim, mais ao fundo.

Lisbon passou em frente uma porta, onde se lia "Inventor". Era, segundo Jane, o camarim de quem havia cometido o assassinato. Mas ela preferiu deixar esse para o próprio consultor, segundo seus planos. Passou reto e foi até o camarim dos figurantes.

Estava vazio.

Foi quando fechou a porta novamente que o mesmo faxineiro lhe disse:

- Ah, desculpe. Um outro moço, alto e loiro, passou aqui e levou todo mundo pro palco.

Lisbon ficou meio perdida, mas então se lembrou que era com Patrick Jane que trabalhava. Devia estar acostumada com essas coisas.

Foi até o palco, onde Jane havia feito uma fileira de atores, e pretendia conversar com eles. Porém, um homem vestido com roupas federais parecia não gostar do que estava acontecendo. Não era Jane se não tinha confusão.

Lisbon subiu no palco e mostrou o distintivo.

- O que houve?

- Bom dia. – disse o homem – Eu sou perito. Estou aqui pra remoção do sangue do palco. – e apontou para o chão ainda sujo do assassinato, onde os demais atores claramente evitavam pisar como podiam – Mas não dá pra fazer isso enquanto esse idiota está aqui.

- Perito é uma palavra meio forte pra você, não? – disse Jane – Eu chamaria de rapaz da limpeza federal.

O homem encarou Jane como se estivesse prestes a surrá-lo, mas Lisbon interveio.

- Poderia, por favor, fazer isso mais tarde?

- Não. Meu turno é só até meio dia e o rapaz da tarde está doente.

Lisbon olhou pro relógio. Era onze da manhã.

- Quanto tempo demora? – perguntou Lisbon.

- Meia hora, mais ou menos. Preciso me certificar que não vai deixar manchas visíveis com luz ultra violeta.

- Claro, porque afinal sempre usam luzes ultra violeta nas peças da Bela e a Fera. – ironizou Jane, enquanto dava alguns passos para longe do homem.

- E você, Jane? – perguntou Lisbon – Quanto tempo de interrogatório?

- Quarenta minutos, no mínimo. E os atores têm que almoçar pra ensaiarem uma hora.

Lisbon suspirou. Sabia que ia se arrepender. Sabia que Hightower ia saber disso.

- Senhor, por favor, volte amanhã. Não acho que os espectadores conseguirão ver as manchas de onde estarão.

- Por mim, ótimo. Não fiz nada e vou receber honorários. – disse ele, saindo.

Lisbon atravessou o palco, passou por Jane e murmurou:

- Não faça eu me arrepender.

E se sentou na primeira fileira.

Jane então olhou para cada um dos atores. Havia cerca de uma dúzia. Passou na frente deles em silêncio. Ia do primeiro até o último e vice-versa. Então parou no meio e disse:

- Algum de vocês matou o senhor Morris?

Todos balançaram a cabeça dizendo que não.

Jane se virou para Lisbon.

- São inocentes.

Ela bateu a mão na cara, se achando completamente idiota por ter confiado nele.

- Jane, eu não acredito que você…

- Calma. – ele interrompeu – Claro que podem estar mentindo. São atores, não é? Bom. Então me digam. – Apontou para a primeira da fila, uma mulher – Foi ela quem matou o senhor Morris?

Todos fizeram que não, novamente.

- Foi ele? – apontou para o segundo.

Mesma resposta.

- Jane! – bronqueou Lisbon.

- Tem razão, Lisbon, eles ainda podem estar mentindo. Mas tem uma forma muito eficiente de descobrir isso. É claro que se sabemos que um companheiro cometeu um ato tão brusco como o assassinato, perdemos em parte nossa confiança nele. O que nós faremos aqui é uma seqüência de trustfalls. Coisa que vocês fizeram muito na escola de artes cênicas.

Assim, um a um, todos se deixavam cair nos braços de todos os companheiros. Lá pelo quinto, Lisbon explodiu.

- Jane, quer parar com a palhaçada?

Ele olhou para ela, deu de ombros e voltou-se aos demais.

- Ok, pessoal, dispensados.

Todos os atores, meio confusos, desceram do palco e voltaram ao camarim.

Lisbon ainda estava completamente inconformada.

- Quer me explicar o que aconteceu aqui?

Ele desceu do palco e sentou-se na cadeira ao lado dela.

- Confie em mim, ok? Depois eu explico. Agora só confie em mim.

- Eu vou me arrepender?

- Não. Prometo. Eu não faria isso, sabendo que dependo da sua confiança em mim pra que conversemos sobre o caso da Kristina hoje.

Novamente, o estômago de Lisbon contraiu.

- É. Tem razão.

- Quer almoçar?

- Claro.

Durante o almoço, num restaurante particularmente bom do centro da cidade, uma conversa transcorreu. Uma conversa que Lisbon não esperava e não queria ter. É importante ressaltar que, durante a mesma, ela realmente achou que acabaria bem. Mas não acabou. E o motivo, é bom deixar claro antes de mostrar a tal conversa, era um completo mistério para Lisbon. Porque, na verdade, tudo pareceu bem. Tudo devia estar bem.

- Lisbon, fico feliz que tenhamos tido essa conversa.

- Que conversa? – ela estranhou, enquanto comia.

- Ontem. Fiquei contente que tenha entendido meu lado. Eu achei que você iria continuar surtada.

- Eu não sou assim! – ela disse, bem humorada – Por que ficaria brava?

- Não sei. Você parece ter contrações no estômago toda vez que o nome de Kristina é mencionado.

E uma nova contração surgiu. Seguida de uma engasgada.

Ela tossiu, e bebeu um pouco de água.

- Impressão sua.

- Que bom. – e lhe deu aquele sorriso que parecia ter sido feito pra reconfortar mulheres cujos maridos estupraram e mataram sua única filha.

- E… - ela continuou, após um tempo – Como se sente com tudo isso? Com Kristina.

Ele desviou o olhar. Mirou as pessoas que passavam do lado de fora. Então baixou a cabeça.

- Não sei. Estou um pouco confuso.

- Por quê?

- Kristina era uma pessoa fantástica. Mas quando saí com ela… eu não sei. Não me senti preparado pra… tirar minha aliança.

- Talvez não fosse a hora certa. – uma pausa - A pessoa certa.

- É. Talvez a pessoa certa no momento errado. Eu gostaria de tê-la conhecido depois de pegar Red John.

- Acha que teria dado certo?

- Não sei. Só sei que agora ela não estaria correndo risco de vida. Ou talvez já morta. E… - ele continuou, ao ver que Lisbon diria algo – eu sei que você não acha que ela seja vítima do Red John. Tudo bem.

- Certo.

Eles ficaram em silêncio durante algum tempo, simplesmente acabando o almoço. Lisbon estava claramente pensativa. Jane sabia disso. Parecia estar se preparando pra dizer algo que não sabia se devia ou não dizer. Então, para Jane não foi surpresa quando ela recomeçou a falar.

- Talvez esteja certo. Eu não gosto quando fala da Kristina.

- E por quê?

- Eu não sei. Acho que é algo meu. Pessoal. E eu juro que não quero que comece um discurso explicando isso como um distúrbio relacionado à minha infância.

Ele quase riu.

- Não devo então dizer que é provavelmente, devido ao seu colegial, quando você achava que todos os garotos te viam simplesmente como "a garota com quem pedirei pra fazer trabalho junto, pra não ter que fazer nada e tirar nota máxima". Enquanto as outras garotas eram com quem eles pediam pra sair.

- Eu pedi pra não dizer nada.

- Você só não percebia que muitos garotos tentavam sim se aproximar de você, pois era, tenho certeza, muito bonita.

Ela ficou um tanto quanto chocada com essas palavras. Constrangida, tomou mais um gole de água.

- Porém você nunca permitiu que eles se aproximassem, então eles simplesmente saíam com aquela loira popular, que certamente tinha muito menos conteúdo que você.

- O que isso tem a ver com Kristina? Ahn? Vamos nos focar, ok?

Ele riu e baixou a cabeça. Batucou na mesa algumas vezes, descontraído.

- Bom, então vou evitar falar dela durante o dia. Mas à noite nós vamos ver o caso dela, certo?

- Certo. Se é importante assim pra você.

- Obrigado, Lisbon. De novo. É realmente muito importante.

Hahahaha, é sempre a loira que pega o bonitão, né? Lisbon que o diga.

Ah, espero que se divirtam tentando descobrir quem é o assassino =)