Polêmica quanto ao pai pedófilo da Lisbon! Hahaha
Então, como o episódio 3 foi MUUUITO bom, saiu legenda em pouco tempo, então assisti legendado. Quando isso acontece, nem presto atenção no que eles falam em inglês, não tinha percebido que o que foi traduzido como pedófilo era "abusive". De qualquer forma, a Lisbon não nega, nem toca no assunto. Mas quando é pra falar que o pai batia nos irmãos, ela não tem tanta dificuldade, o que me leva a crer que esse abusive, era algo um pouco pior do que simplesmente bater. Pode ser que não, claro, isso é algo que nem o Bruno Heller saberia (porque essa história dos irmãos e do pai alcoólatra quem inventou foi a própria Robin, se não me engano). De qualquer forma, não acho que tenha feito taaanta diferença assim, pra fic é claro.
Muuuuito obrigada por todos os comentários. Mesmo. É ótimo chegar em casa no fim de semana e ver que houve tanto feedback, é o que encoraja a continuar postando.
Continuem dando opiniões e participando, eu agradeço postando todo sábado sem falta : D
OBS: Esse capítulo é meio musical. Combina com a música Just Breath, do Pearl Jam.
Cap. VII – Just Breath
Lisbon passou em casa com Jane antes de ir para a CBI, já que havia escondido o caso lá. Ela pensou em sugerir que o vissem lá mesmo, mas tirou isso da cabeça antes mesmo de comentar.
Quando chegaram na CBI, era por volta de onze da noite. O guarda achou estranho, mas Lisbon deu uma desculpa qualquer e entrou. Ainda havia alguns carros no estacionamento. Dava pra sentir o quão tensa ela estava por fazer algo que não devia.
Os dois subiram em silêncio até o andar do escritório de Lisbon. E quando o elevador abriu suas portas, viram, bem ao fundo do lugar, Hightower ao telefone, encostada numa parede. Estava de lado e não via os dois.
- Jane, por favor, abaixe e se esconda numa repartição. – murmurou Lisbon.
Isso foi pouco antes da mulher desligar o celular e virar-se na direção da saída. Por alguns segundos não via o cabelo loiro do consultor sumir atrás de uma divisória.
Atravessou todo o corredor até parar ao lado de Lisbon, que havia segurado elevador para ela.
- O que faz aqui uma hora dessas? Até o Jane está em casa.
- Só vim dar uma olhada no que a Van Pelt pesquisou sobre o caso do senhor Morris. Tive que ficar fora o dia todo, só cheguei agora de Oakland.
Ela balançou a cabeça, aprovando. Em seguida entrou no elevador, ainda desconfiada. Deu uma última olhada em Lisbon, procurando descobrir qualquer mentira. Mas por fim a porta se fechou e a policial respirou aliviada.
- Venha Jane. Antes que eu me arrependa.
Ele se levantou de onde estava.
- Bela atuação.
Os dois foram até o escritório de Lisbon. Ela ligou o computador e entregou a pasta do caso de Kristina a ele.
- Muito bem. – disse Lisbon – Você havia comentado sobre pistas que nós deixamos passar. Sou toda ouvidos.
Ele abriu a pasta, tirou alguns papéis de lá, e olhando para eles, comentou:
- Está escrito aqui que também desapareceram seu passaporte e seu cartão de crédito, além de documentos.
- Sim. É uma das principais razões pelas quais acreditamos que ela não tenha sido seqüestrada.
- Talvez. Ela pode ter simplesmente fugido, e então Red John a pegou.
- Plausível. – concordou Lisbon – Mas já supomos essa situação. Entretanto não há a menor prova ou indício disso, então somos obrigados a nos ater à hipótese dela ter fugido com as próprias pernas.
- O ponto, de qualquer forma, não é esse. Mencionei as coisas que ela levou pra saber quantas vezes vocês verificaram se houve movimentação na conta.
- Na primeira semana, todos os dias. Depois no fim do primeiro mês.
- E recentemente? Nenhuma? Desculpe, é que não foi feito registro dessas atualizações.
- Não, os registros não estão aí. – informou Lisbon. – Estão no meu computador. – ela foi até sua mesa e se sentou à frente do micro.
- Interessante. – ele disse – Quando mexi no seu computador só consegui achar sites de compras de armas e uma estranha ligação com Malibu.
Ela corou.
- Eu pretendia viajar. Tenho guardado dinheiro, vou tirar férias e… você mexeu no meu computador?
- Desconfiei que as atualizações do caso estivessem aí.
- Mexeu no meu computador!
- Não se preocupe. Não achei nada comprometedor.
- Mexeu no meu computador!
- Não vamos perder a calma, sim? Eu prometo nunca mais mexer nas suas coisas. Sério.
- Espero que saiba que isso é motivo mais que suficiente pra que eu pare por aqui, leve o caso Kristina pra casa e nunca mais mencione ele com você.
Ele baixou os olhos, balançou a cabeça e fez que sim.
- É, eu sei que é. Mas estou apenas dizendo a verdade. Você não descobriria se eu não falasse.
- Mais alguma coisa que queira me dizer?
- Sua data de nascimento como senha não é uma boa idéia.
Lisbon torceu a face em desaprovação. Estava visivelmente furiosa, mas estava lá, não podia voltar atrás. Então respirou fundo e acessou a área de investigação.
O programa contava com dados de todos os casos que já haviam sido resolvidos e que estavam em abertos. O software também deletava automaticamente casos fechados há mais de cinco anos. O que significava que havia, pelo menos, uns dez mil documentos.
Jane se posicionou atrás de Lisbon, observando aquela infinidade de nomes seguidos de fotos de criminosos.
Havia, na parte superior, a opção de filtrar resultados.
Lisbon clicou na aba que dizia "Casos abertos". Em seguida, "Desaparecidos". Não contente com os 569 resultados, fez uma busca por "Kristina Frey".
Achou então, a página onde havia todas as atualizações do caso. Jane sorriu atrás dela.
No relatório oficial, estava descrito o dia do desaparecimento, as circunstancias, o envolvimento com Red John (seguido de um link para o caso Red John), o horário, a data e os presentes no local, além de todas as informações legais de Kristina.
Abaixo, as medidas que já haviam sido tomadas com relação ao caso, seguidas das datas.
* Verificação de movimentação na conta bancaria referente ao cartão da desaparecida.
- Não foi feito uso do cartão referente.
* Verificação de registros de uso do passaporte da desaparecida.
- Não foi registrado viagem em nome de Kristina Frey
* Verificação de uso ou registro de documentação
- Não foi feito uso ou registro dos documentos legais de Kristina Frey.
Em seguida, essas ações eram repetidas cerca de oito vezes, em dias posteriores. A última havia sido feita há cerca de um mês.
- Acho que está na hora de verificar mais uma vez, não? – perguntou Jane.
- Jane, se eu verificar isso, vai aparecer no computador da Hightower. Incluindo a data e o horário.
- É um crime continuar pesquisando um caso em aberto?
- É um crime se eu não sou da delegacia de desaparecidos. E eles não vão pesquisar fora de época. Só bimestralmente. Os casos acabam sendo mais lentos, Jane, não adianta perder tempo neles dessa forma. Kristina não faria a besteira de usar o cartão de crédito que levou. Nem mesmo viajar pra fora do país com esse passaporte.
- Não. – ele concordou – Então, se ela não está exercendo nenhuma atividade remunerada, e não está usando o cartão de crédito, não tendo saído do país, há alguém mantendo-a presa. Ou está morta.
- Ou alguém fazendo tudo isso pra ela e conseguindo documentos falsos.
- Plausível. Mas não acredito nisso. Kristina não é do tipo que deixa que a conduzam.
- E você deve saber disso muito bem. – alfinetou Lisbon.
Jane pareceu mais atingido por tais palavras do que ela esperaria. Ele deu a volta na mesa dela, caminhou até a outra ponta do escritório, ligou um rádio e se deitou no sofá.
- Então não dá pra verificar mais nada?
- Eu posso fazer isso e esperar que Hightower não descubra. – ironizou Lisbon.
- Seria ótimo. – afirmou Jane.
Ela olhou pra ele, inconformada, mas o consultor estava olhando para o teto.
- Obrigada por se preocupar comigo e com o meu emprego.
- Ora, Lisbon, Hightower não deve olhar esse caso há um mês.
- Ela vai abrir pra checar as atualizações no fim do mês que vem. E vai estar registrado essa pesquisa fora de época justamente no dia em que ela me viu aqui.
- E você acha que ela vai lembrar que foi no mesmo dia? Pode até ter dúvidas, mas não certeza.
Lisbon suspirou. Em seguida começou a fazer as verificações.
Nenhum registro no passaporte, nenhum registro nos documentos, nenhuma movimentação na conta ou uso do cartão.
- Ótimo… - murmurou Lisbon, pra si mesma – Coloquei meu pescoço em risco à toa.
- Nada?
- Nada.
- Já tentaram localizar o celular dela?
- Nós o encontramos a meio quilometro do lugar do desaparecimento.
Jane ficou em silêncio. Parecia pensativo. Lisbon simplesmente aguardava. Porém, após cerca de três minutos só com o som do rádio, ela pareceu desconfortável.
- Jane, tem mais alguma coisa que eu possa fazer?
- Eu menti.
- O quê? Sobre o que?
- Eu disse que Red John não havia dito nada naquele dia. Ele disse. Disse "Kristina gostaria que eu lhe mandasse seu amor". E também narrou alguns versos de um poema chamado "O tigre", de Willian Blake. Um poeta conhecido por ver, numa época em que todos se recusavam, a pobreza, a injustiça social, o egoísmo humano. Eu acho que Red John se vê como alguém que puni a quem merece.
Lisbon saiu do programa da CBI e entrou na internet. Fez uma breve pesquisa sobre o poeta e descobriu um pouco mais do que o que Jane havia dito.
Blake dizia ter visões. Um contato com os mortos. Assim como Kristina.
- Jane, ele mencionou Kristina assim que recitou o poema?
- Depois. Logo depois.
- Jane, já pensou na hipótese de…
- Lisbon, quer fazer o favor de parar de acusar Kristina? – pediu Jane, olhando para ela – Será que tem alguma forma de você dar pelo menos uma chance dela ser inocente? Ela não cometeu crime algum!
Lisbon se calou. Suspirou, resignada, e fechou a página da internet. Não tinha investigação no que estavam fazendo.
- Ok, Jane. Me avise se achar outra pista da inocência dela. – levantou-se e pegou sua bolsa.
O consultor levantou o tronco do sofá, e logo estava de pé, na frente da porta.
- Onde vai?
- Pra casa. Pra onde mais?
- Lisbon, será que dá pra me ajudar!
Ela parou na frente dele, encarando-o com raiva no olhar.
- Te ajudar? Eu acabei de colocar meu emprego em risco pra te ajudar! Estou fazendo tudo que me pede, acessando dados que não devia estar acessando. É meia noite e eu estou na CBI com você, tentando investigar o caso da mulher que você ama, de forma anti ética e por motivos pessoais seus. Eu não estou ganhando nada com isso. E você parece não se dar a mínima pra como eu estou me sentindo por ter que pesquisar sobre essa mulher ou por poder perder meu emprego. Tudo que você se importa é em achar Kristina e nada mais! O que estamos fazendo aqui não é investigar, é provar algo que você acredita estar certo. Eu sou uma policial, e o que eu sei fazer é seguir pistas. Se as pistas me dizem que alguém é culpado, não vou ignorar as pistas só porque minha intuição diz que ele é inocente. Sinto muito se meu método não te agrada. Agora saia da minha frente, Patrick Jane.
Ele ficou estático com o discurso. Talvez ele não estivesse mesmo percebendo o esforço de Lisbon. Isso porque ele já havia feito muito por ela, sempre tentando salvá-la. A questão é que quando ela precisava ser salva, normalmente era porque ele havia posto ela em perigo, em primeiro lugar. E agora que ela mencionara, realmente parecia estar sendo, de certa forma, doloroso pra ela ter que correr atrás de Kristina. Jane sabia que Lisbon tinha ciúmes dele, apesar dela disfarçar o quanto podia. Um ciúmes amigável, ele imaginava. Era com ele que ela mais conversava, com ele que passava mais tempo. Era inútil dizer que não eram bastante íntimos. Que apesar de tudo, confiavam e dariam a vida um pelo outro, sem pestanejar.
E Lisbon mencionara que ele ama Kristina.
Até onde isso era verdade?
A realidade era que ele não se viu pronto para tirar sua aliança quando saiu com a vidente. Mas ela representava a chance de uma vida nova para Jane. Era seu dever salvá-la, custe o que custar.
Custe o que custar?
Não. Jane não podia arriscar Lisbon. Não podia forçar Lisbon a pôr seu emprego em risco graças a um erro seu.
Porque precisava de Teresa Lisbon ao seu lado, lhe apoiando. Alguém em quem confiar cegamente. Precisava de Lisbon, na pior das hipóteses, para trabalhar na CBI e perseguir Red John. E queria que ela estivesse sempre por perto. Porque quando ela está infeliz, ele está menos feliz.
Não podia arriscar perdê-la desse jeito.
- Lisbon… desculpe. – ele disse, com a voz baixa, e visivelmente abatido. – Desculpe pelo que te fiz fazer. Não quero que fique brava. – colocou a mão nos ombros dela – Eu gosto muito de você e aprecio o que tem feito por mim. Agora eu quero que vá pra casa e descanse. Eu vou dormir aqui na CBI.
Ela ficou um tanto quanto atordoada pelas palavras. Ou talvez por sono. Estava exausta. Fez que sim com a cabeça e saiu do escritório.
As palavras de Jane não saíram de sua cabeça.
O que ela sabia, com toda certeza do mundo, era que também gostava muito dele.
Jane ficou sozinho no escritório. O computador ficou ligado. Ele teve a tentação de ir mexer neste, mas se limitou a desligá-lo.
Deitou-se no sofá. No rádio, Eddie Vedder cantava a seguinte letra:
Cometi todos os meus pecados, nunca vão me deixar vencer
Abaixo disso tudo, apenas outro ser humano
Eu não quero me magoar, há tanto nesse mundo para me fazer acreditar
Fique comigo
Você é tudo o que eu vejo
Eu disse que preciso de você?
Eu disse que quero você?
Se eu não disse, eu sou um bobo, viu
Ninguém sabe disso mais do que eu
Enquanto eu me confesso
Eu me surpreendo todo dia, enquanto olho pro seu rosto
Tudo o que você deu
E nada que você salvaria, oh, não.
Quem é que Jane precisava mais naquele momento? Kristina ou Lisbon?
Ele chacoalhou a cabeça quando essa pergunta lhe veio à mente. Porque afinal, Lisbon e Kristina não representavam a mesma coisa pra ele. Kristina era a mulher com quem saíra. Lisbon era a companheira de trabalho, a amiga.
O que era aquela sensação em seu peito? O que era aquele sentimento de que estava fazendo tudo errado?
Jane pegou no sono. O que quer que significasse, não era naquele dia que entenderia.
No próximo capítulo, constatações a respeito do assassinato. Aos olhos mais atentos, pistas sobre o envolvimento de Red John.
Sem deixar de lado o fato de Lisbon e Jane terem de ir a Malibu, onde ela queria tanto passar suas férias.
