N.t.:É... twilight não nos pertence!
Eu traduzi este capítulo.
Sem mais,
Cortando Amarras
"Se apresse, Senhorita Bella," Ashley gritou na frente da varanda, me tirando da repentina onda de angústia que ameaçava me tomar.
Retirei meus olhos da janela onde Edward estava agora levantando-se da cadeira da sala de jantar e limpando a mesa, enquanto a loira, Tanya, andava até a sala de estar.
"Você pode tocar a campainha, querida?" perguntei a Ashley enquanto limpava as lágrimas dos meus olhos e me abaixava pra pegar a mala que deixei cair.
"Não."
Eu suspirei. Ela tinha cinco anos e estava segurando um prato com bolinhos. É claro que ela não poderia tocar a campainha.
Leve as coisas da Ashley até a porta. Entre. Saia. Rápido e eficiente. Isso é tudo o que tenho que fazer.
Droga, droga, droga.
Respirei profundamente e andei pelo caminho até a varanda. Apertei a campainha com meu cotovelo, saí do caminho da Ashley enquanto meu coração batia fortemente em meu peito.
A porta da frente estava aberta.
"Ashley! Como está a minha princesinha? Você está linda!" a mulher loira gritou. É claro que Ashley adorou. Que menininha não gostaria de ouvir que estava linda? "E você trouxe bolinhos?"
"Vovó e tia Alice fizeram eles," ela disse com orgulho como se tivesse sido responsável por isso. Se eu não estivesse tão confusa e chateada, acho que estaria achando graça.
"Bem, acho que você precisa levá-los pra dentro e dar um desses ao tio Edward, ele não teve um dia bom."
Ashley suspirou dramaticamente. "Ele está depressivo de novo?"
Era ridículo, completa e totalmente absurdo que uma menininha de seis anos faria uma observação dessas. Obviamente ficar depressivo era algo recorrente com Edward, e era suficientemente comentado a ponto de uma criança conseguir reconhecer seu comportamento. E minhas emoções estavam tão esparsas que eu tive que gargalhar.
Tanya soltou uns risinhos também. "Ele está. Entre, está congelando aqui fora."
Ashley andou porta adentro e Tanya virou sua atenção a mim. "Você deve ser a babá. Quando falei com Kate pela última vez ela me disse que Carmen tinha cancelado com ela e estava agora ligando pra todos que conhecia."
"É, ela estava bastante desesperada." Disse nervosamente enquanto dava um passo em direção à porta e a entregava a mala e o travesseiro. Quanto antes eu pudesse sair daqui, melhor.
"Entre. Como já disse, está congelando aqui fora. Eu tenho um pouco de água fervendo pra um chá, se você quiser um pouco."
"Oh... uh... O-obrigada, mas eu realmente preciso ir embora." Afirmei.
Eu podia dizer que ela estava se preparando pra discutir quando ouvi Ashley choramingar, "Oh! Eu esqueci minha varinha no carro!"
Merda!
Eu queria gritar, xingar, qualquer coisa, mas ao invés disso voltei a respirar fundo e me forcei a agüentar. "Já volto," disse.
Tanya me lançou um olhar confuso enquanto eu voltava pro meu carro. Só demorou um momento até achar a varinha de Ashley no carro. Segurei em minha mão por um tempo, virando entre meus dedos e esperando que pudesse sumir com toda a dor que estava sentindo... eu só queria consertas as coisas.
Com um balançar da minha cabeça, voltei à casa. Tanya não mais estava na porta, mas a porta foi deixada entreaberta pra mim. Abri mais um pouco, procurando por uma mesa ou algo perto que eu pudesse deixar a varinha e fazer uma saída apressada.
É claro que pra alcançar a mesa eu tinha que realmente colocar um pé dentro da casa e me esticar. A idéia de jogar e correr permeou minha mente, mas eu não podia me permitir fazer aquilo.
Então eu fiz a única coisa que podia, entrei pela porta e depositei a varinha da Ashley na mesa. Quando me virei pra ir embora, arrisquei uma olhada para a sala de estar, e eu vi Edward ajoelhado, sorrindo enquanto estava sendo alimentado por bolinhos pela Ashley. Um pouquinho de cobertura rosa decorava seu nariz e o canto dos seus lábios, e mesmo dessa distância eu podia ver um brilho em seus olhos. Ele parecia feliz, pra variar um pouco.
Fechando minhas mãos em punhos ao meu lado, incapaz de apertar sua mão estendida, respondi. "Bella." Minha voz era baixa, e eu esperava que Edward não conseguisse ouvi-la.
Deus, eu preciso sair daqui. Orei silenciosamente.
Foi exatamente como Jasper. A expressão facial de Tanya virou pensativa e questionadora enquanto ela checava minha aparência. Obviamente ela ouviu falar de mim. Isso me fez sentir desconfortável, e eu me perguntei o que diabos Kate ou Alice ou qualquer um dos Cullens tinham pensado quando me mandaram pra cá pra encarar esse casal.
Tanya continuou observando-me, mas não disse nada; me fazendo sentir mais e mais desconfortável a cada segundo passado.
Olhei novamente pra sala. Enquanto eu permanecesse encostada na porta, estava certa que Edward não poderia me ver claramente parada aqui. "Preciso ir."
Ela mal maneou positivamente a cabeça e eu desejei conhecer ela suficientemente bem pra saber o que estava pensando.
Foi aí que ouvi Edward falar na sala, "Onde está a Senhora Carmen, Ash?"
"Sra. Carmen não pode vir hoje a noite, então eu trouxe Srta. Bella."
"Merda," sussurrei suave pra que Ashley não fosse capaz de me ouvir.
Os olhos de Tanya se estreitaram em desaprovação, e eu percebi uma mudança no humor dela, como se ela finalmente estivesse chegando a algum tipo de conclusão. Foi aí que percebi que ela fez uma decisão sobre mim, e não foi a mesma que todos na família de Edward fizeram.
"Sua mãe não te ensinou como se comportar na casa de outras pessoas?" ela praticamente rosnou.
E então, como eu suspeitei, ela havia escolhido um lado dessa estranha batalha. Eu tinha acabado de conhecer essa mulher – literalmente a momentos atrás – e ela já estava me julgando? "Me desculpe? Quem diabos você pensa que é?"
"Eu sou alguém que realmente se importa com essa família. Como diabos você conseguiu se rastejar seu caminho até a vida da minha irmã?
Ela nunca disse as palavras que estava esperando: esposa do Edward. Namorada do Edward. E novamente me perguntei quem eles eram um ao outro que ele iria gargalhar com ela e acariciar sua barriga.
"Você tem falado com Edward," afirmei acidamente.
"Sim, ela tem," Edward disse, agora se juntando a nós na entrada da casa.
"Srta. Bella! Srta. Bella! Esse é meu tio Edward!" Ashley disse excitadamente.
"Eu posso perceber."
Edward me olhou furiosamente.
"Vem aqui," Ashley disse segurando minha mão e me puxando pra dentro da sala, passando por Tanya e Edward que estavam agora usando belíssimas caretas que combinavam. Eu não pude evitar notar que pareciam perfeitos juntos.
Ashley me puxou pra mostrar o balde enorme de doces que Tanya tinha no meio da sua mesa de café. Eu tinha que lutar pra não rolar meus olhos. Me abaixei e sorri pra ela. "Você está adorável hoje, docinho. Eu me diverti muito. Obrigada por me levar pra brincar de 'doce ou travessura' com você," disse enquanto retirava um cacho loiro do seu rosto. "Mas eu preciso voltar pra casa agora, ok?"
Ashley se inclinou pra frente e me deu um beijo no rosto. Eu sorri. "Divirta-se hoje, querida."
"Okay. Tchau."
Me levantei devagar e andei de volta pra porta, mantendo minha cabeça baixa numa tentativa de evitar troca de olhares com os outros adultos que estavam na sala.
Eu odiava isso.
Eu odiava tudo sobre isso.
Aqui estava eu, fazendo um favor pra uma amiga, e então Edward aparece e eu fico sentindo como se tivesse feito algo horrivelmente errado.
Com minha mão na maçaneta, me preparei por uma briga e olhei pra ele, encontrando seu olhar duro. Ignorei Tanya por completo – francamente, não tinha desejo algum de sequer considerar seu lugar na equação -. As possibilidades eram dolorosas a ser contempladas e iam muito além do que eu estava disposta a lidar. "Preciso falar com você," disse firmemente.
Seu olhar saiu da mulher loira parada ao lado dele pra princesinha loira que estava assistindo minha partida com curiosos – quase preocupados – olhos. Ele deu um aceno duro e gesticulou pra que eu continuasse lá fora.
Lancei um sorriso firma à Tanya que provavelmente pareceu uma careta e fui pra varanda.
Edward me seguiu de perto e fechou a porta. "O que?" perguntou.
"Eu só quero que você diga o que sei que você estava se matando pra não dizer lá dentro."
Claro que ele não disse nada.
"Vamos, Edward. Eu sei que você sente que vai entrar em combustão se não disser. Só diga logo," incentivei.
Seus olhos se estreitaram. "Ótimo. Eu odeio ver você se forçando na minha família e na minha vida. Você está agindo como uma perseguidora maluca."
"Você realmente não entende, né? Eu não fiz nada! Não estou me forçando a ninguém! Você só está sendo um grande babaca!"
Ele só me encarou mais, como se seus olhos realmente pudessem me causar dano que deixaria sangue.
"Não estou perseguindo ninguém, mas eles estão me encontrando. Só foi um monte de coincidências, e então Esme e Alice começaram a aparecer. E..." eu encolhi meus ombros. "Kate e Angela foram as primeiras amigas que fiz aqui. Eu não planejei nada disso." Envolvi meus braços em torno de mim mesma num esforço pra me manter aquecida.
Edward apertou o meio do seu nariz com seu polegar e indicador e apertou seus olhos, fechando-os. "Estou apenas tentando entender tudo isso," ele sussurrou.
"Eu também," disse silenciosamente. Eu suspirei e então me forcei a falar, "Mas ambos precisamos entender isso logo."
Ele abriu seus olhos e me encarou, seu olhar não era mais odioso. Seus olhos verdes continham apenas preocupação, aflição e confusão enquanto ele percorria nervosamente seus dedos pelo cabelo. Depois de vários minutos ele olhou de volta pra varanda e acenou a cabeça. "Eu sei." As palavras foram tão silenciosas que quase não ouvi.
"Olhe, eu não sei o que está envolvido, mas vou ligar pra um advogado na segunda e perguntar o que precisa ser feito."
Edward instantaneamente tencionou. "Claro," ele falou por entre os dentes. "Você tem que ter tudo perfeitamente encaminhado antes de enfiar suas garras."
"O que diabos você está falando? Enfiar minhas garras? Você é de verdade tão idiota assim?" gritei.
"Então me explica!" ele desafiou.
"Eu só quero saber o que precisa ser feito pra garantir que você não seja obrigado a fazer nada. Eu não preciso nem quero o seu dinheiro. E a essa altura do campeonato, nem te quero por perto."
Ele apenas me encarou e percorreu seus dedos pra frente e pra trás em seu cabelo.
O frio parecia estar entrando pela minha pele e ossos. Eu tremi. "Preciso ir. E acho que você precisa voltar pra sua namorada grávida." As palavras se arrastaram acidamente pela minha garganta enquanto eu olhava pra cima e a notava espiando pelo vidro ao lado da porta.
Antes que ele pudesse sequer responder, me apressei pelos degraus e caminho que levava ao meu carro. Quando abri a porta do carro, olhei pra varanda – onde ele ainda estava parado me encarando. Seu cabelo em seus olhos, e ele parecia pisoteado. E por uma fração de segundo, meu coração doeu por ele.
Mas, me relembrei enquanto as lágrimas começavam a cair, ele tem outro alguém pra se apoiar. Uma mulher e bebê que pode reivindicar. Obviamente é aquilo que ele quer.
Edward não se virou pra entrar até que meu carro desaparecesse pela esquina.
Eu fui pra casa e fiz tudo o que pude pra tentar esquecer o fim da minha noite, mas mesmo quando finalmente dormi por pura exaustão, tudo o que enxergava em meus sonhos eram um par de olhos verdes que vacilavam entre ódio e desespero.
~*~
"Alice eu realmente não quero fazer compras hoje," disse. Estava parada na entrada do meu apartamento, segurando meu robe firmemente em meu corpo enquanto Alice tentava passar por mim pra entrar, mas eu me neguei a abrir a porta suficientemente pra isso.
"Ouvi sobre a noite passada. Você só precisa tomar um banho e se arrumar."
"Não vou a lugar algum. Estou cheia, Alice. Eu me recuso a continuar jogando esse jogo torpe e doentio."
Ela rolou os olhos. "Você está sendo ridícula, Bella. Agora vá já pro chuveiro antes que eu te jogue lá por mim mesma. Mudei nossos planos. Vamos pra um spa, assim você não precisa fazer muita coisa."
"Alice, eu não posso ir pra um spa," disse apontando pra minha barriga.
"Claro que pode. Eu perguntei pro meu pai. Ele disse que eu só precisaria procurar um spa que atendesse grávidas. Você pode fazer praticamente tudo, até massagem."
"Você ligou essa manhã? Como conseguiu marcar um horário?"
"Você se preocupa demais, Bella. Vamos apenas dizer que minha família tem boas conexões."
E isso me lembrou novamente porque eu não iria. Ela era da família com boas conexões e próspera que me via como uma prostituta interesseira. Bem, Alice não parecia me enxergar desse jeito, mas seu irmão certamente sim e era aquilo que importava.
"Além do mais, precisamos falar sobre a noite passada," ela cutucou.
Eu me inclinei contra a porta. "O que existe pra ser falado?"
Alice expirou sua respiração, exasperada. "Você é tão orgulhosa quanto meu irmão."
Eu bufei.
Quando ela não disse mais nada, eu suspirei. "Eu me sinto horrível com tudo isso, Alice."
"Tudo isso o que? Isso não é culpa sua, Bella. Ninguém está te culpando."
"Edward está."
Ela balançou sua cabeça, mas acho que até ela sabia que não poderia negar isso.
"Mas o ponto não é esse; isso é uma bagunça horrível que não acho que possa ser consertada... e eu só quero consertar, Alice. Eu daria praticamente tudo por isso." Acariciei minha barriga com a mão e olhei pra baixo. Eu conseguia senti-lo chutando e se virando dentro de mim. Como era possível que eu já amasse o ser que estava crescendo dentro de mim? "Menos abrir mão dele," emendei.
Alice me estudou por um momento e concordou. "O que você precisa entender é que..."
"Sim?" pressionei quando ela não falou.
Ela balançou sua cabeça. "Não devo discutir isso. Mas Edward tem seus motivos. Não são razoáveis nem lógicos, mas são o que são. Eu só acho que... acho que ele está realmente confuso agora, Bella. Por favor, tente ser paciente com meu irmão."
"Eu diria que ele está confuso." Gargalhei sem humor. Pensamentos sobre Tanya voltaram a povoar minha mente. Pressionei minha palma contra minha testa por um momento, tentando pensar. "Acho que o que realmente não consigo entender é por que você é tão legal comigo? Você, Esme e Carlisle. Por que vocês todos estão tão compreensivos com essa bagunça?"
"Por que não estaríamos? Sério Bella, essas coisas acontecem. Isso é apenas parte da vida. Não é como se fosse planejado."
"É, mas ele precisou trair a namorada dele. Quero dizer, sério, se ela não tivesse sido tão nojentinha eu teria sentido pena dela. Diabos, eu acho que tenho pena dela." Então meus olhos pularam pros dela antes que pudesse responder. "E estou brava com você, Alice. Por que você me mandou pra lá daquele jeito? Sério, a bagunça inteira já está parecendo uma péssima novela! E por que você acha que eu iria gostar da Tanya depois daquilo?" eu estava brava novamente, e percebi minha voz ficando mais alta com cada sílaba.
A boca da Alice abriu enquanto ela me encarava aturdida. "Espera um segundo. Volta. Namorada? Do que diabos você está falando?"
O meu olhar deve ter sido tão confuso quanto o dela. "Tanya, é claro. Você disse que tínhamos muito em comum, só estou chocada que você pudesse ser tão insensível sobre todo o fiasco."
E então ela gargalhou.
"O que é tão engraçado? Meu deus, Alice, ele não só está com ela, mas ela está muito avançada na gravidez! Ele só pode ter traído ela pra ficar comigo, e então ela o aceitou de volta!"
Ela riu mais forte.
"O que?" praticamente gritei.
"Desculpa, Bella," disse tentando se acalmar. "Deus, posso imaginar perfeitamente os pensamentos correndo por essa sua mente exagerada."
Eu uni meus dentes. "Comece a explicação, Alice. Ainda estou esperando e eu te aviso que minha paciência é bastante curta."
"Desculpa," disse, rindo novamente. Quando a encarei com raiva ela conseguiu compor suas feições. "Edward não está nem nunca esteve com Tanya."
"Mas ele estava lá com ela, com a mão na barriga dela, rindo junto com ela."
"O namorado da Tanya está em Dallas a negócios," explicou. "Edward e Tanya são apenas amigos. Você sabe que ela e suas irmãs são bastante próximas da família, certo?"
Eu confirmei.
"Ele a vê como uma irmã. Sério, quando ele me ligou ontem a noite pra contar o que houve, disse que tinha ido lá ontem a noite pra falar de você. Ele queria conversar com alguém que pudesse confiar, mas que não estivesse envolvido. Edward acha que mamãe e eu estamos emocionalmente envolvidas demais." Alice rolou os olhos.
"Oh," falei enquanto tentava absorver o que ela estava falando. "Espera. Edward te ligou ontem a noite depois que fui embora?"
"Sim. Ele estava chateado, e disse que Tanya não estava ajudando-o. Aparentemente você a irritou bastante."
Eu rolei meus olhos.
"Como disse antes, as coisas vão se ajeitar, Bella. Você só precisa ser paciente."
Eu maneei a cabeça, insegura sobre o que mais poderia dizer.
"Agora vamos. Depois de pensar tudo isso sobre Tanya é compreensível que você aparenta ter conseguido dormir por apenas uma hora noite passada. Acho que você precisa daquela massagem muito mais do que imaginei originalmente."
Eu balancei minha cabeça. "Não, Alice. Eu... isso... nós..." suspirei. "Só... vá pra casa. Respeite as vontades do seu irmão... e não volte."
Meu coração partiu quando falei aquelas palavras.
Eu gostava dela.
Alice era carinhosa, engraçada, agitada e genuína. Eu sentia como se pudesse confiar nela, mas isso não daria certo. Do fundo do meu coração, eu sabia que ser amiga dela e Esme só me causaria mais dor do que qualquer outra coisa.
Eu não poderia tomar uma decisão racional sobre permitir a permanência de qualquer um deles na vida do meu bebê se estavam constantemente na minha. E tudo isso só causava mais tensão quando envolvia Edward.
As coisas seriam melhores se ele e eu não tivéssemos nada envolvido um com o outro.
Edward teria que vir a mim se quisesse alguma coisa. Teria que ser escolha dele. Senão ele ficaria ressentido comigo, se arrependeria do bebê, se sentisse obrigado a fazer qualquer coisa por causa de sua família. Então, isso significava cortá-los.
Enquanto ela me olhava com uma expressão de dor quando eu fechava a porta no seu rosto, senti a dor pelo meu corpo ao remover os Cullens da minha vida. Trancando a fechadura, repousei minha testa contra a porta, lutando contra uma nova onda de lágrimas.
~*~
Joguei a massa na tábua coberta de farinha e comecei a amassá-la, desejando ter aceitado a oferta de massagem da Alice. Ficar na cozinha por várias horas faria as costas e ombros de qualquer um doer, portanto, era apenas lógico que as costas e ombros de uma mulher grávida doeriam em dobro.
"Mãe, você pode regar o peru pra mim?" perguntei.
Era dia de Ação de Graças, e meu apartamento pequeno estava realmente superlotado com a minha mãe, seu marido e minha meia-irmã comigo. Eles chegaram na terça feira a noite, e eu pedi folga na quarta feira pra que pudesse passar mais tempo com eles.
Alice tentou me ligar várias vezes nas últimas semanas, mas nunca retornei suas ligações, e ela começou a respeitar meus desejos por não aparecer no meu escritório ou apartamento. Eu falei com Esme uma vez e ela me disse que respeitaria minhas vontades, mas pediu pra que eu ligasse caso precisasse de alguma coisa. A última mensagem que recebi da Alice foi na segunda feira a tarde quando ligou pra dizer que estava preocupada comigo por ter que passar o jantar dia de Ação de Graças sozinha e queria me convidar pro jantar de família deles; até prometeu que Edward estaria trabalhando e que ela não estava tentando me enganar. Foi doloroso ouvir ela implorar na minha caixa postal por cinco inteiros minutos, e no final, eu decidi enviar uma simples mensagem de texto que dizia, Não.
Kate ligou, e eu a vi uma vez, mas ela nem perguntou ou mencionou sobre os eventos do Dia das Bruxas. E me percebi extremamente agradecida pelo seu respeito pela minha privacidade.
Contatei um advogado, que basicamente me disse que havia pouco que eu pudesse fazer até que o bebê nascesse, e que seria melhor se eu me mantivesse longe de todos os Cullens. Já que já havia cortado-os da minha vida, não havia mais nada que pudesse ser feito. Ela me disse que o teste de DNA poderia ser feito depois do nascimento, se fosse necessário. Então me disse pra apenas cuidar do bebê e de mim, e foi isso que tentei fazer.
"O que mais posso fazer pra te ajudar, Bella?" minha mãe perguntou, me tirando dos meus pensamentos.
"Nada, mãe. Por que você não se senta na sala de estar com Phil?"
Renée não disse nada enquanto abria o armário, retirava uma panela, enchia de água e colocava no fogão.
"Onde ficam suas batatas?" perguntou.
Eu apontei pra uma vasilha na despensa enquanto formava a massa que estive amassando em bolas. Minha mãe pegou mais batatas do que achava necessário e as levou pra pia onde começou a lavá-las, descascá-las e cortá-las em pedaços.
A tensão no ar crescia a cada segundo. Quando finalmente ficou demais pra minha mãe suportar, ela largou a faca na pia e virou-se pra me olhar. Eu nem me encolhi enquanto calmamente cobria a forma e a deixei de lado pra massa crescer.
"Bella, olhe pra mim."
Me virei e encontrei seu olhar. "O que?"
"Estou preocupada com você."
Eu lutei contra a vontade de rolar meus olhos. "Estou bem, mãe," disse enquanto ia até a dispensa e retirava as coisas pra fazer um guisado de vagem.
"Não, você não está. Você está sozinha numa cidade desconhecida e grávida. Quero que você volte pra casa com Phil e eu."
"Flórida nunca foi minha casa."
"Sua casa é com a sua família, Bella," ela afirmou antes de voltar sua atenção para das batatas.
"Não, minha casa é onde eu escolhi viver, e eu escolhi aqui."
"Você não escolheu viver aqui. Seu chefe te transferiu."
"Mas eu quero ficar. Além disso, não estou sozinha. Não é você que vive me lembrando quão perto Charlie vive daqui?"
"E quando foi a última fez que você viu seu pai?"
Uni meus lábios, mas não disse nada.
"Foi isso que pensei."
Quando minha mãe virou tão maternal? Eu perguntaria em voz alta, mas já sabia a resposta. E ela estava sentada no outro cômodo no colo do Phil, assistindo futebol com seu pai. Brett mudou minha mãe por completo. Enquanto ela tentava grudar à sua juventude quando eu nasci - com seu aperto ficando cada vez mais forte em cada ano da minha vida -, Brett alterou minha mãe, fazendo-a amadurecer e ver o que era importante na vida.
"Não estou sozinha aqui, mãe." Disse a ela.
"Alguns amigos do trabalho? Eu te conheço, Bella. Você não é do tipo que se socializa com as pessoas e certamente não é do tipo que permite pessoas na sua vida pessoal."
"É, bem eu não tenho muita escolha no assunto," resmunguei, lembrando como Angela tem ligado quase sem parar desde o Dia das Bruxas. Tenho certeza que ela descobriu sobre minha quebra de contato com os Cullen, e estava tentando se certificar que não estava sozinha. O único momento durante a semana que fiquei verdadeiramente livre dela foi quando Angela – fielmente – foi até seu grupo de solteiros na segunda feira à noite.
Renée pigarreou pra voltar a ter minha atenção. "Estou feliz que você tenha pessoas, então. Você precisa pessoas que se forcem em sua vida."
Eu bufei. "Você não faz idéia, mãe." Só que dessa vez estava pensando em quando encontrei com Alice e Esme pela primeira vez. Tive que lutar contra a pontada de dor pela perda.
Ficamos em silêncio por alguns minutos enquanto ela lavava as batatas e então as adicionava à água fervente enquanto eu terminava de mexer na caçarola.
"Então, quem são essas pessoas? Eu estava certa? São do trabalho?"
"Sim," respondi rápido demais. Minha mãe estava chegando perto – percebi instantaneamente – e eu me conhecia bem demais... Iria desistir. Daria a ela mais informações do que necessárias, e mesmo que não fossem mentiras – pelo menos não eram agora – eu nunca consegui mentir pra Renée quando ficávamos cara a cara.
"Só Angela, minha assistente."
Renée olhou-me e uniu seus lábios; ela sabia que tinha algo mais que eu não queria discutir.
Eu suspirei. "Há mais um menos um mês atrás, estava passando algum tempo com a família do Edward."
"Edward?"
Coloquei minha mão na minha barriga de vinte e nove semanas por um momento, antes de me virar, ocupando-me ao remover o peru do forno pra, então, colocar os pãezinhos e a caçarola pra assar.
"Bella," minha mãe disse movendo-se pra trás de mim. "Você disse ao Charlie que o pai do bebê era algum rapaz de Phoenix."
Eu engoli, mas me neguei a virar-me pra olhar em seus olhos.
"Bella," estimulou. "Eu quero saber o que está acontecendo."
Então eu disse a ela... tudo. Disse sobre minha transa casual e sobre como me senti por ele naquela primeira noite. Descrevi à ela como pareceu que nossas almas se tocaram. Então falei sobre a manhã seguinte e a mudança pra Seattle. Disse sobre ter ido ao Dr. Cullen e o casamento, a ultrassonografia e Alice e Esme, Dia das Bruxas e o advogado... Até falei sobre a mensagem da Alice me convidando pra passar Ação de Graças com eles.
Quando tinha terminado, ela tinha seus braços em volta de mim enquanto eu fungava sem esperanças em sua camisa.
"Bom, acho que gostaria de amarrar esse Edward Cullen pelas bolas."
Resfoleguei e limpei meu nariz com o lenço que minha mãe me dera. "Eles são uma boa família. Só estou confusa. Todos eles querem fazer parte disso, e eu também quero, mas é tão confuso e complicado e..." suspirei. "Estou aqui, mãe. Gosto de Seattle, mas tem sido tão difícil fechar as portas pra eles. Mas o que mais me incomoda é..." minha voz sumiu e eu fechei fortemente meus olhos por um momento.
"O que?"
Abrindo meus olhos úmidos, olhei pra minha mãe. "Não quero que Edward faça com essa criança a mesma coisa que Charlie fez comigo. Ele merece se sentir amado, querido e importante."
Renée pegou minha mão e segurou-a firmemente. "Querida, você vai fazer a decisão certa e entender tudo isso. Mas você não pode comparar a sua situação com a minha e do seu pai. Não foi culpa dele, você sabe."
Balancei minha cabeça. Ouvira suas razões dezenas de vezes antes e certamente não precisava ouvir ela dar desculpas pro meu pai agora. Droga, talvez fosse melhor se eu apenas fosse embora com minha mãe, pra me distanciar por completo dessa bagunça e proteger meu filho de dor de cabeça que eu sofri. Eu não desejei uma varinha mágica pra resolver tudo?
Como se pudesse ouvir meus pensamento, minha mãe disse, "Talvez você esteja certa. Seattle é o melhor lugar pra você. Mas se vai ficar, preciso que me faça um favor --"
O que quer que fosse que Renée me perguntaria, foi cortado por uma curta batida na porta. Me movi pra atender quando ela segurou meu braço. "Não fique brava comigo, Bella."
A lancei um olhar confuso enquanto me movia pra porta, só pra ver Charlie parado ali, olhando-me feliz e expectante.
E não estava sozinho.
N.t.: e aíiiiiiiiii??
Já bolaram os planos do assassinato do Edward?!
Concordam ou discordam com a maneira que Bella reagiu com Alice?
E Renee? O que acharam dela??
O que será que rola entre Bella e Charlie, hun?
Beijocas, babies!
E não esqueçam das reviews!^^
Lou.
