Já que houve pedido até por twitter, capitulo novo ainda no domingo!

Realmente, já estava na hora do Jane perceber o quanto a Lisbon se esforça por ele. Entretanto, acho que ele está percebendo coisas demais.

Este capítulo é mais focado no caso do homem do teatro, mas vão ver que no fim dele há uma importante constatação por parte de Jane com relação a Lisbon.

Cap. VIII – Assassino

Uma semana depois, muito interrogatório havia sido feito. Toda a companhia de teatro havia sido convocada para prestar depoimento na CBI.

Basicamente, não haviam chegado a conclusão alguma. Exceto que Jane estava certo mais uma vez. O ator substituto do morto dissera que estava com muito medo de ser o próximo, que não queria o papel, e que, inclusive, só havia aceitado o emprego porque era o sonho de seu pai.

Com isso, Lisbon se lembrou do que Jane dissera. " Se quer minha opinião, devíamos investigar a família dele. O rapaz é péssimo, mas talvez um pai precisando de dinheiro, ou alguém que se beneficiaria se ele ganhasse o dinheiro que ganhará."

Então esse era o único caminho que podiam tomar.

Entretanto, houve uma pista de extrema importância, relatada pela mãe de Morris. No depoimento, afirmou que o filho ia, na verdade, deixar a companhia de teatro, pois uma emissora de televisão estava interessada em contratá-lo. Mas que tal informação era secreta e nenhum dos outros atores estava sabendo.

Mas o pai de Fernand Morris, durante seu interrogatório, revelara que tinha absoluta certeza sobre quem matara seu filho: o pai do substituto.

O pai do substituto morava em Los Angeles, muito próximo à Malibu. O que trouxe um sorriso à face de Jane ao encontrar os olhos de Lisbon.

- Olha só. Vai pra Malibu sem precisar gastar o dinheiro que economizou.

- É. A trabalho.

- Malibu é Malibu.

- O que você pode saber sobre o assunto?

- Morei lá um tempo. – achou graça na surpresa dela – Tenho uma casa dos tempos de vidente.

A casa era, por acaso, onde sua família havia sido assassinada. Ele costumava visitar quando sentia muita falta.

- Seu rico bastardo. – ela riu, e saiu da sala do interrogatório.

- Não, sério. Pode guardar o dinheiro do hotel. Podemos ficar na minha casa. – ele sugeriu, seguindo-a.

- Com você? – uma risada sarcástica – Aprisione-me com você, e posso ir direto pro hospício de lá.

- Ora, vamos, Lisbon. Passamos o dia todo juntos sem problemas. Prometo te colocar no quarto mais afastado do meu.

Ela ainda caminhava, enquanto ele ia atrás. Nesse ponto, parou, e apontou o dedo indicador para ele.

- Certo, mas que ninguém, absolutamente ninguém saiba disso.

- Wow! Estamos ficando rebeldes! – riu Jane.

- Muito engraçado. Eu só não quero ser transferida por Hightower achar que eu tenho qualquer tipo de envolvimento com você.

- Por mim, ótimo.

Lisbon deu as costas e continuou andando.

"No que eu fui me meter, meu Deus?"

Pararam em frente a casa da família de John Tyler, o substituto de Morris. Segundo Hightower, não foram a Oakland na época do assassinato, mesmo que o filho fosse o principal suspeito, porque a mãe de Tyler estava gravemente doente, no hospital. O que era verdade. Ela estava internada com Leucemia. Doença cujos procedimentos de tratamento tinham altíssimo custo. Principalmente numa clínica particular de Malibu.

A residência dos Tyler não ficava dentro de Malibu, apenas nas proximidades. Não era muito grande. Chegava a ser um tanto simples.

Tudo isso era motivo para um assassinato.

Foram recebidos por um jovem alto, apresentado como irmão de John. A casa tinha um ar de tristeza muito claro. Jane olhava ao redor, percebendo que havia uma camada de poeira sobre os móveis, graças ao descuido dos que ainda moravam lá. Tendo a mulher com câncer, o senhor Tyler não parecia se importar muito com a estética de sua residência.

Foram convidados a sentar, porém Jane não aceitou. Ficou andando pela sala enquanto o irmão de John ia chamar seu pai.

Em determinado momento, Jane abriu algumas gavetas. Lisbon pareceu extremamente irritada e mandou que sentasse. Coisa que ele só foi fazer quando o senhor Tyler chegou.

- Procurando algo, senhor? – perguntou Tyler.

- Ah, não. – disse Jane – Algum problema de eu olhar aqui?

O homem deu de ombros.

- É que é minha casa.

- Ah, sim, certo. – Jane sentou-se no sofá ao lado de Lisbon.

- Perdoe os modos de Jane. Ele é só um consultor.

Patrick a olhou de soslaio, um tanto quanto ofendido.

O senhor Tyler cumprimentou os dois e sentou-se em sua poltrona.

- Muito bem, estamos aqui para investigar a morte de Fernand Morris, ator da mesma companhia de teatro que seu filho.

- Eu já sei. Meu filho é acusado por ser substituto dele na peça.

- Na verdade, - disse Lisbon – nós já o inocentamos.

- E o que fazem aqui então? Minha mulher está morrendo. Não podem nos deixar em paz?

- Acontece que seu filho aparentou não querer o papel que tinha. Ele disse que só estava lá por sua causa. Porque era o seu sonho. E o fato da sua mulher estar internada numa clínica em Malibu torna do senhor um suspeito.

O senhor Tyler arregalou os olhos e pareceu chocado por alguns instantes. Então bateu o punho fechado com muita força no braço da cadeira.

- Foi aquele maldito do Joe, não foi! – bradou o homem – Foi aquele bastardo quem disse que fui eu quem matou aquele merda!

Lisbon se assustou com o repentino acesso de raiva do homem.

- O senhor o matou?

- Não! – ele negou, ainda gritando.

- E quem é esse Joe? – perguntou Jane.

- O pai do morto! – respondeu o senhor Tyler. – Joe Morris, um grande pedaço de lixo. Veio aqui antes de ontem me acusar de ter matado seu filho. Como se eu fosse fazer uma coisa dessas. Maldito! O que eu ganharia matando o filho dele, ahn?

- Bem, com a morte de Fernand, seu filho tomaria o lugar dele. E a companhia já estava contratada para se apresentar em várias cidades, faria muito dinheiro e pagaria o tratamento da sua mulher.

- Ele ia sair! Joe me ligou semana passada pra dizer que o filho dele estava sendo chamado por uma emissora de TV. Eu não precisava matar ninguém pro meu filho ter o papel.

- Então Joe Morris lhe contou sobre a contratação do filho.

- Sim. Nós éramos amigos. Mas eis que ele vem aqui me acusar de um crime desses. Disse que o filho estava desistindo da contratação por algum motivo, mas não me falou qual era. Ainda disse que eu sabia disso e que matei o filho dele por querer o dinheiro que ele ia ganhar.

Lisbon olhou para Jane, como se pedisse se tinha alguma pergunta a fazer. Ele deu de ombros.

- Bom, então é só isso, senhor Tyler. Entraremos em contato.

Os dois saíram da casa e foram direto para Malibu, na casa de Jane. Só lá é que foram discutir o caso.

Aliás, Lisbon ficou claramente embasbacada com a casa. Praia particular, móveis e pelo menos cinco quartos. Fora a piscina. Ela não fazia idéia que havia um grande smile no quarto de Jane.

Os dois se sentaram na sala para falar sobre o caso. Lisbon precisou disfarçar seu espanto com a casa.

- E então, o que acha? – perguntou ela.

- A primeira vista, eu deduziria que ele é culpado. Mas pela forma com que ele entrou, acho que é inocente.

- Do que está falando, Jane?

- Disso. – e entregou um pequeno cartão, só com um número de telefone e os dizeres "Well done job (serviço bem feito)"

- O que é isso?

- Não sei. Ligue.

Lisbon discou o número. Tocou algumas vezes até que um homem atendeu. Usava claramente um modificador de voz.

- Quem é? – perguntou Lisbon.

- Sou eu quem faz essa pergunta.

Jane pediu, escrevendo num pedaço de papel, que Lisbon dissesse que estava interessada em contratar seus serviços.

- Eu… estou interessada nos seus serviços.

- Ok. Descreva.

No mesmo papel, Jane escreveu "Marque encontro".

Lisbon pareceu inconformada, mas então compreendeu que aquele era possivelmente um matador de aluguel. O que iria incriminar o senhor Tyler.

- Estou falando de um celular. Pode ser perigoso. Quero marcar um encontro para explicar tudo.

- Eu não costumo me arriscar assim. Tem que me dar uma garantia.

Garantia era, obviamente, dinheiro.

E Jane acenou que não havia problema.

- Quanto você quer?

- Três mil é o suficiente.

- Onde pode me encontrar?

- Em Los Angeles. Depois que o dinheiro estiver na conta, me ligue, e eu passarei o local.

O homem informou uma conta para depositarem o dinheiro e desligou.

Lisbon olhou para Jane.

- Como foi que soube que esse número era de um assassino de aluguel?

- Achei bem peculiar a escrita e mais ainda a frase. Demorei pra pegar pra que o senhor Tyler me visse ali. Achei que ele teria uma reação muito mais efusiva, mas me surpreendeu a calma com que me pediu pra parar de mexer em suas coisas. Quer dizer, eu estava mexendo na prova de seu crime.

- Talvez ele não se lembrasse que estava lá.

- Uma coisa dessas não é algo que você esquece onde está, Lisbon. Muito menos algo que você guarda. Ele devia ter rasgado e queimado isso há muito tempo.

- Onde quer chegar?

- O pai de John Morris esteve lá semana passada. Acredito fortemente que foi ele quem colocou o papel lá. Entretanto, podemos pegar esse assassino de aluguel e perguntar quem foi que o contratou. Teremos a prova.

Lisbon sorriu, satisfeita com o sucesso iminente. Ligou para Sacramento e informou das notícias. A CBI cuidaria de colocar o dinheiro na conta e Cho, Rigsby e Van Pelt estavam dispostos a ajudar na captura do assassino, assim como fizeram pouco tempo atrás, quando Van Pelt atuou como contratante.

Ela estava tão feliz, que até agradeceu Jane pela ajuda.

- Bom, agora que o serviço está completo, vou te mostrar seu quarto.

Eles subiram algumas escadas e andaram até chegar num quarto com uma cama de casal, muito bem mobiliado.

- Era o quarto de hóspedes. Mas nunca tivemos um hóspede.

- Tivemos?

Jane baixou a cabeça, ligeiramente abatido.

- Era aqui que eu morava com minha família.

- Ah. Sim, claro.

- Gostou? – ele perguntou, tentando quebrar o clima tenso que havia se formado.

- Sim, é lindo. Tudo aqui é lindo.

- Obrigado. Mas agora precisamos jantar. E infelizmente não tem absolutamente nada na dispensa.

- Jantar em Malibu. Que desagradável. – disse ela, saindo do quarto.

Jane riu. E estava feliz em poder dar a ela uma pausa no trabalho. E mesmo as tais férias que ela estava querendo ter. Pois se quando ela estava infeliz, ele ficava menos feliz, quando ela estava radiante como estava naquele momento, ele estava igualmente satisfeito. Kristina Frey não passava nem perto de seus pensamentos.

Novamente ele sentiu aquela sensação no peito de estar fazendo algo errado. Uma pequena pontada de angustia. Como se estivesse reprimindo algo desde sempre, e agora este algo queria se rebelar.

Talvez estivesse se importando demais. Talvez se sentisse mal demais quando ela estava triste. Talvez quisesse estar ao lado dela tempo demais.

Talvez gostasse demais de Lisbon.

No próximo capítulo, Jane apronta das suas. Mas dessa vez Lisbon participa. A proximidade aumenta aos poucos.

Sábado que vem, atualização.