N.t.: Twilight não nos pertence! EU JURO!

Saya traduziu este capítulo.

Sem mais,


Capítulo 9: Em torpor e Confusa

O quarto estava escuro,com apenas a luz que vinha da máquina de monitoramento próxima a cama que emitia um suave brilho verde. O único som que podia ser ouvido era o whoosh-whoosh-whoosh do monitor de coração fetal que estava conectado a minha barriga. O som estava baixo então não passava de um ruído de fundo, quase como algo que poderia ser ouvido por uma dessas White noise machines (n.t.: White Noise Machines - são máquinas que emitem um ruído calmante, ajudam a relaxar e dormir), era estranhamente acalentador. As cintas que estavam amarradas envolta da minha cintura eram desconfortáveis. Eu sentia como se alguém tivesse passado por cima de mim com um daqueles caminhões no Arizona, no meio de uma onda de calor e então me deixado no meio do asfalto em brasa para morrer; essa era a melhor forma de descrever a sensação. Eu estava com calor, pesada, grogue, desorientada, meus músculos pareciam geléia, minha boca estava seca, e eu estava com uma dor de cabeça horrível... sem falar que eu vomitei três vezes nas últimas duas horas. Isso tudo se devia em parte ao medicamento que estava correndo no meu sistema circulatório para impedir as contrações. Contrações que minha médica disse que não eram muito fortes para começar.

"Isso é apenas uma precaução." Ela disse enquanto olhava Alice cautelosamente.

Eu concordei com sua proposta de tratamento mas me encontrei quase que imediatamente me arrependendo da decisão tão logo a enfermeira entrou no quarto com agulhas e ampolas.

Com o ultra-som, minha médica confirmou minhas suspeitas: a placenta ainda estava muito baixa – mal tocava a cervical. Aparentemente, adicionar um pouco de estresse e algumas contrações leves a mistura, e a combinação resulta em sangramento. Então, agora eu tinha um remédio correndo pelas minhas veias que fazia com que eu me sentisse pior do que a morte.

Eu me movi levemente, tentando ficar um pouco mais confortável, mas eu sabia pelos momentos anteriores da noite que eu não poderia me mexer muito. Se eu me mexesse muito o monitor talvez não ficasse mais corretamente posicionado, e então a enfermeira teria que vir recolocá-lo. Portanto, eu me contentei com mexer meus braços um pouco e mover a cabeça. Eu esperava que se pudesse ficar confortável o bastante, eu estaria apta a deslizar desse sonho desperto para algo profundo e restaurador.

Mais do que qualquer coisa, eu queria que essa noite acabasse. Minha médica disse que as primeiras doze horas eram as piores e que ela estaria de volta pela manhã, ela provavelmente reduziria a medicação que eu estava tomando, e eu iria me sentir um pouco mais normal. Quando ela veio me ver com o ultra-som, ela me repreendeu por cancelar minha consulta de ultra-som na sexta-feira depois da Ação de Graças. Ela confirmou minha outra, mais sombria suspeita também – Eu teria que definitivamente, ficar presa na cama por mais dias, com a possibilidade de que talvez eu tivesse que permanecer deitada pelo resto da minha gravidez. Eu tentei não chorar quando ela me deu o prognóstico. Eu estava dividida entre preocupação com meu bebê e frustração por algo que era tão normal e fácil para tantas mulheres nesse mundo fosse difícil para mim. Isso dificilmente parecia justo, embora provasse minha predição anterior de que eu ainda vivia minha vida pelas leis de Murphy.

Além disso, eu não podia parar de me preocupar com meu trabalho. FMLA (n.t.: FMLA - Family Medical Labor Act - permite aos trabalhadores 12 semanas remuneradas de folga no trabalho por motivos médicos ou familiares) que se dane, o sr. Newton não ficaria feliz quando soubesse da minhas férias improvisadas do trabalho. Mas meu cérebro estava tão turvo que somente conseguia seguir esse pensamento por trinta segundos antes que se desviasse para outra coisa.

Eu estava assustada. Essa vida que estava crescendo dentro de mim de repente parecia tão frágil, ainda que as enfermeiras gastassem uma boa parte do tempo me assegurando de que mesmo se eu tivesse de ter meu filho prematuramente, suas chances de sobrevivência eram muito boas. É claro, isso não significava que eu estava pronta para dar a luz agora. Ainda menos depois de minha médica ter me informado que eu provavelmente precisaria de uma cesariana para o meu filho nascer.

Eu estava consciente do que estava a minha volta mas estava tendo dificuldades pensando além do imediato. Por exemplo, eu estava agudamente ciente de Alice no quarto. Ela estava sentada em uma cadeira no outro lado do carrinho com o monitor. A cadeira era uma dessas pequenas e desconfortáveis que era feitas mais para sentar numa mesa de cozinha para uma refeição de 20 minutos do que para se dormir nela. Não havia forma alguma de que ela pudesse dormir enquanto estivesse sentada ali. Uma parte de mim sabia que esse seria um bom momento para falar com ela, mas eu não achava que seria capaz de articular meus pensamentos em algo coerente.

Na verdade, tudo que importava era que ela havia acreditado em mim quando eu tinha explicado o comentário idiota do Mike quando ela tinha chegado, e ela não iria me deixar aqui sozinha.

A porta se abriu e fechou silenciosamente, e alguém deu alguns passos para dentro do quarto. Eu imaginei que fosse a enfermeira vindo apenas chegar as coisas por alguns minutos quando eu ouvi o sussurro.

"Ela está dormindo, não se preocupe. Bella e seu filho estão bem." Essa era claramente a voz de Alice.

"Mas você não está. Vá pra casa." Disse a outra voz. Me levou um momento antes que eu percebesse que era Edward quem tinha entrado no quarto, mas eu não poderia nem mesmo começar a imaginar porque.

"Tudo isso era mesmo necessário?"

"Tudo isso o quê?" Edward perguntou.

"Essa coisa que colocaram nela. É horrível. Ela tem vomitado como você não acreditaria e ela diz que mal pode pensar claramente para juntar duas palavras."

"Ela está sob alguns medicamentos. Não se preocupe – ela vai estar um pouco mais coerente amanhã."

"Mas isso era necessário?" Ela perguntou mais firmemente.

"Não olhe pra mim desse jeito, Alice. Eu não sou o médico dela. Eu não ordenei nada."

Alice bufou alto. "Papai e Maggie tem sido amigos por 20 anos, ela se importa com você. É claro que ela iria seguir seus pedidos de cuidado exagerado se você pedisse a ela." Ouve uma pausa, então Alice mudou de tática e disse, "Eu creio que não passou despercebido a você que ela parecesse genuinamente surpresa que Bella estivesse de alguma forma envolvida com a nossa família."

"Se você quer dizer que Bella não contou a ela que o bebê era meu, então isso apenas vai exatamente para aquelas dois idiotas que estavam em cima da cama dela quando eu cheguei mais cedo."

"Eu sei que você não é realmente tão burro assim. Que mulher se subjugaria ao seu comportamento babaca mais de uma vez, se ela não estivesse dizendo a verdade?"

"Eu sei que ela está dizendo a verdade." As palavras eram tão baixas, eu mal as ouvi de tão baixas, eu não tinha como saber se elas foram minha imaginação preenchendo os espaços em branco ou se o que estava acontecendo a minha volta era real. Eu me movi novamente e tentei cair em um sono mais profundo, um onde meus sonhos não se arrastam no limite da realidade.

Eu senti meu subconsciente começar a deslizar mais uma vez até que que foi rangido outra vez por Alice. "Eu não vou deixá-la sozinha."

Eu senti meu subconsciente começar a deslizar mais uma vez até que que foi rangido outra vez por Alice. "Eu não vou deixá-la sozinha."

"Ela está dormindo…Não é como se ela fosse saber."

"E se ela acordar?"

Houve um suspiro audível. "Pelo menos, porque você não desce até a cantina e pega algo para comer, vai ao banheiro e talvez tome uma outra xícara de café."

"A cantina está aberta?"

"Sim. Eles abrem para a equipe do turno da noite."

O quarto ficou silencioso por um minuto.

"Se eu for, você vai ficar aqui com ela?"

"Sim." Ele respondeu.

"Se você acordá-la e chateá-la, Deus me ajude mas eu vou fazer você pagar."

"Eu não vou fazer nada, Alice. Eu prometo."

"Apenas…Edward…ela é uma boa pessoa."

"Sim, eu devo confiar em você porque você a conhece tão bem." Ela disse destilando sarcasmo.

"Eu a conheço melhor do que você."

"Provavelmente," ele concordou. "Eu só…"

"Sim, sim, você está confuso. Eu já entendi. Nós todos já entendemos. Mas você teve mais tempo do que o suficiente para resolver isso."

"Eu sei. Eu…eu ia ligar para ela depois essa semana."

Alice resfolegou em óbvia incredulidade. "Com certeza você ia." Então ela parou antes de adicionar. "Seja legal."

"Eu serei. Agora vai. Ela vai ficar bem."

Eu conscientemente sabia que essa era uma oportunidade de ouro, estava silêncio, Edward soava relativamente calmo...era o momento perfeito para eu para conversar com ele, se eu apenas pudesse despertar o bastante e clarear a neblina da minha mente. Eu simplesmente não tinha a energia para nenhum dos dois.

"…até eu ser bipado." Eu ouvi Edward dizer em resposta para algo que eu tinha perdido.

Eu ouvi Alice se levantar, seguido dos seus passos e a porta abrindo enquanto ela deslizava para fora. Edward não tinha se movido, e eu me senti começando a escorregar para o meu estado de consciência sem sonhos novamente, somente para ser tragada de novo para o meu torpor nublado pelo bebê chutando mais ativamente. Quando ele chutava particularmente forte, isso podia ser ouvido pelo monitor também e eu abri meus olhos por um momento. Eu mal podia distinguir Edward enquanto ele se inclinava sobre a maquina e pegava a prancheta com os relatórios das batidas do coração do bebê e acendia uma lanterna para estudar o prontuário antes de deixar cair as páginas no chão enquanto meus olhos se fechavam novamente. Exigia energia demais até mesmo tentar focar no que ele estava fazendo.

"Eu não sei se eu estou aliviado ou furioso que você esteja dormindo agora." Ele disse baixinho. "Eu estou tão cansado de tudo isso. Eu não quero odiar você. Porque as coisas ficaram tão terrivelmente bagunçadas? Que diabos você estava pensando em não dizer a ninguém que existia um possível problema com a sua gravidez? Você continua assustando mamãe e Alice até os ossos."

Minha mente confusa não deixou escapar o fato de que ele não tinha se colocado nessa equação em particular. Ele ficou mudo novamente por alguns minutos enquanto minha mente ia para a tangente de Alice e Esme. Alice tinha ouvido minha mensagem logo quando saia do seu escritório. Ela tinha perdido a ligação porque ela tinha estado no elevador do prédio que aparentemente tinha uma porcaria de sinal. Tão logo ela tinha ouvido minha mensagem ela bipou seu irmão que estava numa consulta e deixou uma mensagem para sua mãe. Esme e Carlisle tinham ido para o seu chalé próximo de Stevens Pass, a quase noventa minutos de Seattle por alguns dias, algo que eles faziam todo ano nessa época. Alice tinha me dito que eles estavam voltando pela manhã por causa da nevasca que se aproximava do local no momento.

"Deus, Bella, você absolutamente não tem idéia do quanto você tem me confundido." As palavras de Edward me tiraram das minhas memórias indistintas que estavam rapidamente se tornando sonhos. Eu estava quase certa de eu senti ele passar seus dedos pela lateral da minha face pelo mais curto dos momentos. "Eu nunca senti essa atração por outra pessoa na minha vida. Você tem alguma idéia do número de vezes que eu sonhei com você depois que nos conhecemos?" Ele estava sussurrando, quase reverentemente, e eu sabia que estava sonhando agora, somente algo das minhas fantasias românticas de alguns meses antes. Eu podia quase sentir sua respiração na minha face enquanto eu imaginava que ele estava reclinado perto de mim.

O bebê chutou novamente, forte o bastante para um ruído alto vir do monitor, o ruído soava como se alguém tivesse apenas soprado em um microfone. Eu senti uma repentina corrente de ar, seguida de palavras murmuradas de xingamento.

"Então você aparece no casamento, e eu pensei que você era meu sonho se tornando realidade, somente para ter você jogando isso em mim."

Um Edward raivoso era familiar, isso só fez sentido para mim que meu subconsciente teria o levado nessa direção. Ainda que eu não pudesse entender o que minha mente estava tentando me dizer quando eu mal o ouvi resmungar em repulsa, "...minha própria mãe."

"Racionalmente, eu sei que isso não é justo. Eu venho tentando deixar isso pra trás, fazer o que minha família disse e começar a olhar para você e ver quem você realmente é. Quando eu faço isso, eu finalmente sou capaz de não julgar você pelos erros de outra pessoa, mas isso é difícil. Então algo acontece como o incidente com esses caras que estavam com você mais cedo na triagem hoje a noite." Houve uma pausa nas suas palavras. "Você percebe que quando idiotas como aqueles seus amigos fazem comentários como os que eles fizeram mais cedo, isso não ajuda em nada no seu caso? É claro, você não deveria temer, ambos defenderam sua honra mais do que valentemente." Ele adicionou com uma risada sombria.

Meus sonhos entraram numa qualidade surreal a essa altura, enquanto eu pensava sobre Mike e Jacob mais cedo essa noite e como eles poderiam valentemente defender minha honra. Isso tudo parecia muito antiquado quando eu vislumbrei cavaleiros, cavalos, escudos e armaduras. Eu estava apenas de volta ao modo sonho do meu quarto de hospital quando eu imaginei um suave deslizar de dedos por meu abdômen. "Eu nem mesmo sabia que era um menino até Alice dizer que ele estava bem antes de sair. Ninguém me disse." Ele falou baixinho, uma pontada de aflição em seu tom.

E assim foi quando eu soube que isso era real. Eu tentei obrigar minha mente a focar, a ficar apta a alinhar um pensamento completo. "O que você está fazendo aqui?" Eu consegui perguntar.

"Você está acordada?" Ele perguntou, estático.

"Eu não sei." Resmunguei.

"Shh," ele disse. "Volte a dormir. Alice vai estar de volta logo."

"Por que você está aqui?"

Ele não respondeu por um momento. "A sala de espera estava cheia, e eu queria um lugar silencioso para me acalmar."

Eu não poderia nem mesmo focar no que aquilo queria dizer e pude somente soltar um baixo, "Oh."

"Volte a dormir, Bella"

Eu acho que assenti – pelo menos, eu tenho quase certeza que sim – enquanto meus olhos se fechavam novamente e eu deixava a inconsciência se apossar de mim.

~*~

Se alguém tivesse me perguntado, eu poderia ter jurado que Edward tinha estado no quarto em algum momento enquanto eu dormia, mas não havia nenhuma evidência dele quando acordei na manhã seguinte. Eu tinha uma idéia geral dos sonhos que eu tinha tido na noite anterior, mas era como tentar segurar água numa cuia feita com mãos – não importa o que você faça, a água continua vazando, deixando somente a vaga impressão de que existia algo ali.

Eu ainda sentia os efeitos colaterais da medicação que a médica havia me dado, mas não estava nem de perto tão ruim quando havia estado quando eles aplicaram a primeira vez noite passada. Pelo menos a náusea parecia ter diminuído um pouco, e eu sentia como se pudesse manter uma conversa agora.

Eu tive de subornar Alice para ir embora e ir ao trabalho. Não que eu me sentisse ótima com ela trabalhando o dia inteiro depois de mal dormir, mas ela tinha se recusado terminantemente a ir pra casa tirar um cochilo, fazer uma boa refeição e tomar um banho. De qualquer forma, para conseguir que ela fosse, eu tive que ceder a ida ao spa que ela queria ter feito em novembro.

Esme chegou no meio da manhã de sua viagem. Ela disse que Carlisle estava no telefone com a minha médica e eles estavam discutindo um "plano de cuidados". Aparentemente, ele estava usando o fato de que estava listado como um dos meus médicos para tirar total vantagem. Eu não pude evitar senão me perguntar como tudo isso figuraria com a ética, mas eu realmente não me importava. Isso me lembrou um pouco do meu sonho onde Edward era o responsável pelo remédio que estavam me dando agora.

Quando eu perguntei a Esme porque Carlisle estava discutindo coisas com a minha médica, ela me disse que eu simplesmente estava aprendendo como era ter uma família de médicos. Eu me encolhi mentalmente ante o pensamento de médicos superprotetores, especialmente desde que eu tendia a passar mais do que um pouco de tempo em salas de emergência e consultórios médicos. Entretanto, eu também estava completamente certa de que tudo que eu precisava fazer era reclamar para alguém, quisera fosse o Carlisle, Esme, uma das enfermeiras, ou minha própria médica, e então os Cullen voltariam para o canto onde eu os bani em novembro.

Mas, se eu me permitisse realmente pensar sobre isso, eu sabia que eu não queria que isso acontecesse.

Eu recebi um sermão de Esme por não dizer a ninguém que havia um problema em potencial com a minha gravidez. Ela aceitou minhas desculpas mas insistiu que eu aceitasse sua ajuda em troca. E julgando pelo número de vezes que Esme me disse o quão preocupada ela esteve, eu poderia dizer que Alice tinha adquirido seus poderes de persuasão – também conhecidos como sua habilidade de usar o sentimento de culpa – de sua mãe.

Minha médica veio me ver logo depois do almoço, e ela disse que eles estavam reduzindo a medicação em que tinham me colocado, e se tudo corresse bem amanhã, ela iria cortar o remédio. Ela disse que eles iriam começar a aplicar o remédio para a pressão arterial depois que a medicação corrente ajudasse a controlar quaisquer contrações prematuras. Eu não havia tido muitas depois desse tratamento, mas ela achava que até a menor irritabilidade poderia ter sido uma das razões para o sangramento. Na verdade, na explicação me pareceu que tudo isso era simplesmente para dar a todos a sensação de que nós estávamos tentando fazer algo mais do que me deixar deitada e sem fazer nada o dia todo.

Eu passei a tarde – menos dopada do que eu tinha estado – jogando cartas com Esme, enquanto nós conversávamos. Eu a adorei ainda mais do que antes. Ela tinha conseguido seu objetivo de tirar meu foco do relógio. Uma coisa nada fácil quando não havia nada literalmente que eu pudesse fazer. Bem, exceto joga cartas. Eu tinha rapidamente considerado pedir a ela para passar no meu apartamento e buscar meu laptop, mas eu não estava com a mente clara o bastante para atualmente fazer nenhum trabalho. Quando eu falei com Mike e Ângela mais cedo, ambos me garantiram que meus compromissos tinha sido adiados e que tudo estaria sendo resolvido pelos próximos dias. Então, eu não tinha nada que precisasse ser feito.

Talvez se eu ainda estivesse presa nesse buraco do inferno que algumas pessoas se referem como hospital por mais outro dia, eu consideraria fazer algum trabalho. Esme não me deixou pegar meu telefone – algo sobre o sinal do celular interferir com alguns dos equipamentos hospitalares.

Sendo assim, Esme havia decidido que era responsabilidade dela ser a pessoa que me faria companhia enquanto Carlisle ia para o trabalho para fazer algum serviço burocrático.

"Você realmente não precisa ficar," Eu disse pela quinta vez naquela tarde. Nós tínhamos acabado de começar a nossa décima segunda partida de Gin Rummy, e ainda que eu gostasse de jogar cartas, estava rapidamente se tornando monótono. Eu não poderia imaginar quão mortalmente entediante tudo isso devia ser para ela.

"Bella, você entende que não há nada que você possa dizer que vá me fazer partir, certo?"

Eu sorri. Na verdade, eu estava bem certa de que haviam uma série de coisas que eu poderia dizer, mas de forma alguma que iria me deixar fazer isso...de novo.Eu sabia que ter feito isso antes havia magoado a eles tanto quanto havia magoado a mim.

"É que apenas isso é terrivelmente massante," Eu lamentei. Meus olhos foram para a televisão no outro lado do quarto oposto ao meu. Ela tinha ficado ligada a maior parte do dia, mas nenhuma de nós estava assistindo.

"Isso seria ainda mais mortificante se você estivesse presa aqui sem ninguém para lhe fazer companhia. A menos que você esteja tentando me dizer que minha companhia é menos do que desejável."

"Não, de jeito nenhum." Me apressei em dizer a ela, somente para ver um sorriso de soslaio aparecer em sua face, o que me fez sorrir e relaxar novamente.

Nós jogamos mais algumas vezes antes que ela falasse novamente.

"Eu passei algumas semanas em casa, de cama quando eu estava grávida da Alice," Esme disse de repente.

"É mesmo?"

Ainda que Esme e eu tivéssemos conversado algumas vezes antes, ela nunca verdadeiramente revelou nada pessoal como isso. A maioria das suas histórias falavam dos seus filhos, era fácil perceber que o seu mundo girava em torno deles.

"Uhum." Ela pegou uma carta e então abaixou uma série de 3's. "Eu estava de quase seis meses. E não somente fiquei presa na cama o tempo inteiro, como eu tinha dois meninos pequenos correndo pela casa que pediam minha atenção. Além de tudo isso, Carlisle estava no primeiro ano de residência."

"Eu não posso nem imaginar isso." Eu disse, mexendo minha cabeça incrédula.

Ela sorriu. "Nós tivemos que contratar uma pessoa para vir tomar conta de Emmett e Edward, e outra pessoa para cuidar da casa."

"Quanto tempo isso durou?"

"Seis semanas."

Eu não podia imaginar ficar presa na cama por tanto tempo. Eu rapidamente fiz as contas na minha cabeça e percebi que eu facilmente terminaria fazendo exatamente a mesma coisa, e engoli em seco. "Eu acho que enlouqueceria se tivesse que fazer isso." Se eu tivesse alta do hospital, eu iria para o meu apartamento vazio e passaria o resto das sei lá quantas semanas sozinha.

Esme se inclinou e deu tapinhas na minha perna. "Não se preocupe querida, existem o bastante de nós para manter você ocupada. Você não vai se entediar."

Eu simplesmente balancei a cabeça, sabendo que de forma alguma eu poderia discutir com ela agora. Depois de tudo, nós estávamos apenas no 1º dia.

A conversa tinha tomado um rumo tal que eu tinha perdido minha concentração no jogo – ainda que perder minha linha de pensamento ainda fosse mais fácil de acontecer enquanto estivesse sob a medicação – e Esme logo abaixasse seu último grupo de cartas me deixando com muitos pontos para tirar do meu placar. Enquanto eu lembrava nossos placares, ela começou a embaralhar as cartas novamente. Antes que ela pudesse reparti-las, houve uma suava batida na porta e minha enfermeira entrou.

"Sra. Cullen, seu filho está aqui na recepção. Ele me pediu para levá-la para falar com ele."

Era bem fácil simplesmente deduzir que o filho em questão era Edward. Entretanto, ouvir que ele estava por perto me lembrou do meu despertar da noite anterior e eu me perguntei quantas vezes ele tinha estado por perto.

Esme fez uma cara de irritação e se levantou, deixando o baralho na mesa próxima a minha cama. "Eu volto já, Bella"

Uma vez que a porta estava fechada, a enfermeira se virou para mim. "Depois do marido dela, os filhos são os homens mais bonitos que eu acho que jamais conheci," ela disse com uma caretinha.

"Eles são." Respondi, esperando que ela esquecesse o assunto da família Cullen. A última coisa da qual eu precisava era que a equipe do hospital começasse a fofocar.

"Ele na verdade tem estado sentado lá fora por um tempo."

Agora isso atraiu meu interesse. "O quê? Por quanto tempo?"

"Por pelo menos uma hora. Ele tem assistido seus monitores no nosso computador e lido seu prontuário."

Eu fiquei surpresa com essa revelação. Não existiam leis que o impediam de ser autorizado a fazer isso a não ser que tivesse minha permissão? Quais eram os motivos dele por trás disso? O meu lado cínico gritou para mim que ele era um bastardo escorregadio por deslizar em volta da bancada das enfermeiras desse jeito, e eu me perguntei porque elas até mesmo permitiriam isso – ainda que o comentário da enfermeira sobre sua aparência me desse alguma idéia sobre o assunto.

Meus pensamentos voltaram para a noite anterior, e eu tentei forçar meu cérebro por pedaços e pedaços de uma conversa unilateral que estava me ocorrendo. Era só minha imaginação que ele estivesse estado aqui ou não? Eu queria acreditar nisso, ainda que novamente, eu estivesse confusa entre ficar feliz que ele estivesse finalmente tendo algum interesse pelas coisas, com raiva por ele ter de repente se intrometido sem minha permissão, e cética que ele estivesse fazendo tudo isso por algum motivo oculto.

A enfermeira me olhou curiosamente por um momento antes que ela fosse por uma lista, me fazendo perguntas, checando minha temperatura – coisas de rotina as quais eu estava subjugada por estar presa aqui. Quando ela terminou, ela deixou o quarto, me dizendo para chamá-la se eu precisasse de mais alguma coisa.

Esme apareceu um minuto depois, mas ela nunca mencionou nada sobre o que quer que fosse que Edward queria, e eu não perguntei. Ela simplesmente sentou novamente e começou a repartir as cartas, começando uma conversa banal como se nada tivesse acontecido.

Perto das 19:00, Esme saiu para jantar com Carlisle, prometendo voltar. Ela estava planejando passar a noite, assim como sua filha tinha feito na noite anterior. O quarto não era confortável para ninguém, e eu me senti mal. Contudo, ela não me ouviria quando eu insisti que isso não era necessário. Eu era bem grandinha e poderia dormir em um quarto estranho sozinha. Além disso, eu estava me sentindo um tanto zonza e eles estavam planejando me medicar ainda mais para que eu pudesse dormir a noite.

É claro, Esme não me ouviu. Pelo menos, uma das enfermeiras tinha trazido uma poltrona reclinável para o quarto, então esperançosamente isso seria um pouco mais confortável para Esme do que tinha sido para Alice.

Às 21:00, Esme ainda não tinha voltado e uma enfermeira que eu não conhecia veio para outro procedimento de rotina e para me dar algo para ajudar a dormir. Ainda que eu negasse isso – porque eu não queria que ninguém se sentisse obrigado – eu estava terrivelmente solitária pelas minhas duas horas sozinhas. Antes que eu pudesse me controlar, eu me encontrei perguntando, "O Dr. Cullen está sentado lá fora na recepção?"

"Oh, umm…" Ela parecia ter perdido as palavras, e isso me fez perguntar o que estava errado com a minha pergunta.

"Você sabe, o cara alto, cabelo ruivo-bronze, olhos verdes. Sério, você não deixaria de notar se o visse," Eu disse baixo, tentando disfarçar como se não fosse grande coisa.

Ela ainda não tinha dito nada, mas seus olhos vacilando para a porta eram resposta o suficiente.

"Quando você o vir, se você puder pedir a ele para vir aqui ao invés de ficar à espreita na mesa da enfermagem e essencialmente me espiando, eu agradeceria." Meu tom foi agressivo. Julgando por suas ações e jeito evasivo, eu sabia que Edward estava lá fora, mas por alguma razão, ela não queria que eu soubesse disso.

Apenas alguns minutos depois que ela saiu Edward entrou no quarto. Ele olhou para mim com a familiar, máscara sem emoção firmemente colocada. Eu levantei minha sobrancelha para ele, mas o efeito foi arruinado quando eu de repente bocejei alto. Contudo, depois de um momento, sua face relaxou levemente e a dureza pareceu evaporar de sua expressão. Isso não mudou o fato de que nós dois simplesmente olhamos um para o outro por mais alguns minutos.

Reconhecendo que nós não estávamos chegando a lugar nenhum, eu suspirei. "Você pode se sentar."

Ele pareceu pensar sobre isso por um momento antes de puxar uma cadeira próxima a minha cama, mas ele ainda não disse nada.

"Quando tempo você tem ficado sentado lá fora dessa vez?"

"Dessa vez?" O olhar em seu rosto me disse que ele não fazia idéia do que eu estava falando. Ou isso ou ele era um excelente ator.

Eu mordi meu lábio começando a questionar minha linha de pensamento, mas depois de um momento eu decidi que era bem melhor simplesmente dizer o que estava na minha cabeça. "Sim, quando você falou com a sua mãe mais cedo, a enfermeira disse que você tinha ficado lá fora por mais de uma hora."

Edward cerrou os olhos como se ele estivesse me desafiando a dizer algo sobre seu comportamento. "E?"

"Tudo que você tinha que fazer era pedir."

Ele não disse nada, parecendo já cansado da conversa.

Eu fiz um bico. "Nós nos daríamos muito melhor se você simplesmente parasse de ser um idiota antagonista."

Dessa vez seus lábios se partiram em um sorriso leve. "Talvez."

"Então…"

"Então, sim, eu estive lá for a desde que a mamãe saiu."

"Sua mãe saiu há duas horas atrás."

Ele deu de ombros.

"Por que você não veio aqui?" Perguntei depois que o silêncio havia crescido ao ponto de ser praticamente insuportável.

"Porque eu estive trabalhando pelos últimos dois dias, e eu não tinha o desejo de entrar aqui apenas pra discutir com você."

"Oh."

Ele se recostou na cadeira e olhou para o teto. Erguendo suas mãos, Edward começou a massagear suas têmporas com a palma de suas mãos. Quando ele finalmente abaixou as mãos e suspirou ele pareceu completa e totalmente derrotado.

"Eu não gosto de pessoas me espiando." Eu disse.

"Não diga. Eu não posso imaginar como seria constantemente olhar para trás para descobrir que alguém tem assistido cada passo seu." Edward disse com um sorriso falso.

Eu apertei meus olhos fechados e esfreguei meu rosto. O constante antagonismo não estava nos levando a lugar nenhum. Eu não tenho certeza se minha repentina exaustão provinha da medicação que tinha sido dada para mim ou se eu estava simplesmente consumida por todas as emoções que estavam girando dentro de mim, mas eu senti o líquido começando a se formar em meus olhos. "Não foi desse jeito." Eu consegui espremer.

"Se você diz." Edward virou seu rosto para mim então, e nossos olhos se encontraram. Ele observou enquanto eu fungava e secava meus olhos. Eu vi suas mãos se agitarem, quase como se ele estive pensando em me consolar, mas seus dedos se curvaram em um punho fechado e suas mãos permaneceram ao seu lado.

Depois de outro momento, ele suspirou. "O que você quer de mim, Bella?"

"Eu não quero nada."

"Isso não é verdade, e você sabe disso."

"Onde você estava noite passada?" Perguntei abruptamente.

Edward começou a correr seus dedos pelo cabelo no que eu somente poderia presumir que fosse nervoso ou agitação. "Você lembra disso?"

"Não realmente. Um pouco, talvez." Bem, pelo menos isso confirmava minhas suspeitas, ainda que não explicasse porque eu me sentia mais confortável perto dele do que eu tinha me sentido nos último meses. Okay, não necessariamente confortável, mas a esmagadora sensação de raiva parecia ter diminuído um pouco. Eu suspirei. "Por que você está aqui, Edward?"

"Você disse para enfermeira me trazer até aqui." Ele respondeu automaticamente.

"Nós estamos andando em círculos." Eu afirmei, deitando minha cabeça contra o travesseiro, lutando contra meus olhos pesados.

"E de quem é a culpa por isso?" Ele perguntou em retorno.

Eu suspirei. "Olha, eu não sei o que você quer que eu diga."

"É claro que não. Você não teve a chance de prever esse cenário."

"Você faz parecer como se isso tudo fosse algum tipo de jogo pra mim. Em que mundo doentio e torcido você vive?"

Edward se levantou e então andou até a cama, e eu reconheci sua posição como a que ele usava toda vez que pensava que estava sendo afrontado por mim. Isso fez eu me perguntar rapidamente se isso tudo era apenas um mecanismo de defesa. Esse pensamento quase fez as próximas palavras completamente perderem o veneno que ele tentou colocar nelas.

"Em um onde eu aprendi a não confiar em mulheres que se esgueiram como cobras e mentem."

Eu não tive a chance de responder antes que houvesse uma batida suave na porta, e uma enfermeira entrasse no quarto.

"Dr. Cullen" ela disse, com um largo sorriso e olhos que sugeriam que ela estava interessada em muito mais do que trabalho. "Tem um telefonema pra você lá fora na recepção."

Eu mexi minha cabeça discretamente e lutei contra o ímpeto de rolar os olhos para ela. Tudo nela, do jeito que timidamente dobrava a cabeça até o jeito que ela batia os cílios dizia que ela estava flertando descaradamente. Edward não pareceu perceber.

"Obrigada. Eu já vou até lá." Ele disse a dispensando. "Eu volto."

Eu fiquei surpresa com esse aviso, e tentei entender o que o faria querer voltar. Mas esse era o comentário mais estúpido que poderia sair da minha boca. "Você não está trabalhando?" Perguntei com a voz falhando.

"Não. Eu tenho a noite de folga."

Meu cérebro estava ficando nublado e eu mexi minha cabeça. " E se eu disser para você ficar longe então você vai simplesmente sentar na mesa lá fora até sua mãe voltar?"

Ele deu de ombros.

"Pelo menos, se você estiver aqui, eu sei que estou sendo vigiada," Resmunguei.

Edwar sorriu cínico. "Jogo limpo e etc."

"Que seja." Eu disse suspirando enquanto ele se virava e saia do quarto.

Enquanto eu relaxava novamente na cama e fechava meus olhos, eu permiti que os últimos minutos corressem pela minha mente, mas exatamente como eu tinha estado nas últimas 24 horas, meu cérebro estava muito zonzo para ser capaz de fazer muito sentido de qualquer coisa. Eu sabia que ainda estava com raiva dele. Não tinham havido desculpas ou explicações para o seu comportamento comigo, e ele obviamente não confiava em mim.

Entretanto, esse nunca tinha sido meu objetivo. Tudo que eu queria desde o começo dessa confusão tinha sido dar a ele a opção. Ele ainda tinha isso, eu não iria retirar o que disse. Talvez esse fosse um primeiro passo decente, ou talvez isso fosse simplesmente ferrar tudo ainda mais.

Eu não sabia, isso seria algo que eu precisaria pensar depois quando eu estivesse com a cabeça fria. Agora, eu precisava dormir.

Algumas horas depois, eu acordei rapidamente no meu quarto escuro com o agora familiar whoosh-woosh do monitor fetal, que tinha sido posto no mudo antes de eu ter ido dormir. Eu não precisei de muita luz para notar que a poltrona reclinável tinha sido movida para perto da minha cama....ou para eu saber que era Edward, não Esme, que estava roncando suavemente na cama dobrável.


N.t.: Pra saber quando vai ter update dessa fic é só colocá-la no alerta! ;)

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