Capítulo novo (y)
Desculpem por não responder os comentários dessa vez, estou com pouco tempo : (
Mas no próximo, sem falta!
São dois capítulos juntos em um só, de novo, pra não ficar curto : )
Cap. XIV – Recomeço
Com a correria, Jane acabou se esquecendo de entregar o recibo a Lisbon. O choque de ter entrado em contato com Kristina apagou muita coisa de sua cabeça.
Assim que recuperou o fôlego, o consultor se deu conta da grande oportunidade que tinha. A chance de reconstruir sua vida, de começar tudo do zero.
Enquanto ele pensava em todas essas coisas, deitado no sofá da sala de Lisbon, ela e os demais agentes discutiam a possibilidade de aceitar a ajuda de Kristina, na repartição ao lado.
- Ela vai dar um palpite baseado em quê? Nas alucinações que ela tem com fantasmas? – questionou Lisbon, visivelmente irritada.
- Bom, não podemos negar que ela sabia do caso. – disse Van Pelt, sempre mais crente que os demais.
- E nós não temos nada a perder, temos? Afinal, não temos mais suspeitos. – disse Rigsby.
- Ela é uma fugitiva, nós devíamos estar empenhados em achá-la e prendê-la. – lembrou Lisbon.
Os demais se entre olharam. Não entendiam a repulsa daquelas palavras. Parecia pessoal. Não sabiam, é claro, que era totalmente pessoal.
- Já perguntou pro Jane o que ele acha disso? – quis saber Cho.
- Ele acha que ela é inocente.
- Mas sobre a ajuda que ela ofereceu. – insistiu.
A verdade era que Lisbon queria manter Kristina longe de Jane. A verdade é que ela estava extremamente propensa a se arriscar com o consultor, após tanto pensar, sozinha em casa. A verdade era, antes de tudo, que ela estava morrendo de ciúmes de Jane.
- Eu vou falar com ele. – ela disse, antes de sair para ir até sua sala.
Ele parecia muito mais calmo do que ela. Aquilo, de certa forma, a surpreendeu. Queria saber o que se passava na cabeça dele, o que pensou quando Kristina fez contato. O dia anterior havia sido de grandes revelações, e ela ainda estava parcialmente abalada. Não sabia o que esperar de Jane.
- O que acha? – ela perguntou. – Sobre a ajuda de Kristina.
- Aceite. Temos que manter contato pra descobrirmos onde ela está.
Lisbon fez que sim com a cabeça. Sem jeito, continuou a conversa:
- E… no que está pensando agora?
Jane se levantou e ficou de frente para Lisbon. Ela se assustou, pensando que talvez ele fosse arriscar chegar próximo demais, e as paredes de seu escritório eram quase inteiras de vidro.
- Lisbon, eu descobri uma coisa. É muito importante. Pode significar um recomeço. – Ele a segurou pelos dois braços – Não posso arriscar ficar com você. Preciso que confie em mim. É a chance pela qual eu aguardava pra recomeçar. Tenho certeza de que vai entender.
Ela adquiriu expressão de dúvida.
- O que… o que quer dizer, Jane?
- Por favor, confie em mim, ok?
- Ok… - ela disse, sem muita convicção.
Assim, Jane saiu da sala.
Lisbon notou que sobre o sofá havia um papel. Acho que fosse só um pedaço de lixo e ia jogar fora, mas se certificou de lê-lo antes de jogar.
Para sua surpresa, era o registro de compras em nome de Kristina Frey.
Só tinha um item: um teste de gravidez de farmácia.
A chance que ele aguardava para recomeçar.
No dia seguinte, Kristina ligou mais ou menos no mesmo horário. Lisbon estava completamente abatida, e a julgar pelos olhos inchados, havia chorado durante a noite. Não chegou a encontrar-se com Jane até a hora da ligação, então não deu tempo dele esboçar qualquer reação de pena com relação ao seu estado.
- E então? Vão querer minha ajuda?
- O que espera receber em troca? – perguntou Cho.
- Gostaria de um pouco de paz. É muito ruim ter que viver se escondendo.
- Se você se entregar, podemos garantir que não vá pra cadeia. – disse Lisbon.
- Durante os primeiros quantos meses? – perguntou, irônica. - Vão querer minha ajuda ou não?
Eles se entre olharam.
- Sim.
Foi Jane quem respondeu. Lisbon ficou completamente furiosa.
- Jane, você está aí. Fico feliz.
- Anda, qual é a sua ajuda? – insistiu Cho.
- Quem matou John Morris foi Richard Dent.
Só Van Pelt soube dizer de onde já tinham ouvido aquele nome.
- É o ator principal da peça. Ele faz a Fera.
- Por que ele mataria alguém com personagem menor que o seu? – perguntou Risgby.
- John não entrou em detalhes. Mas posso dizer que obterão a resposta que precisam se falarem com o chefe de John sobre uma recusa. Palavras de Morris.
Kristina desligou o telefone. Jane ainda estava parado, com as mãos no queixo, pensando no que ouvira. Ele buscava qualquer tipo de relação entre uma coisa e outra. Até que se pronunciou.
- A renuncia de John à emissora. Temos que perguntar por que ele recusou o contrato.
- De repente acredita em fantasmas? – perguntou Lisbon.
Ele a encarou, como se perguntasse de onde saíra tanta maldade em sua voz.
- É um ótimo palpite, desculpe. Nós realmente esquecemos esse ponto.
Lisbon suspirou, aparentemente bastante irritada.
- Cho, ligue pro dono da companhia de teatro e pergunte sobre o porque de Morris recusar o contrato com a emissora. – pediu Lisbon, indo para sua sala. – Se Kristina está certa, e eu não estou dizendo que está, alguma relação com este caso ela tem.
Dali quinze minutos, Cho pediu licença e entrou em sua sala.
- Acho que conseguirmos achar o culpado. – disse Cho. – Kristina pode estar certa.
- Por quê?
- O dono da companhia disse que quando soube da proposta da emissora, ficou decidido a não deixar que Morris partisse, pois era seu melhor ator. De acordo com ele, decorava falas rápido, atuava bem, sabia improvisar. Grande parte do sucesso da peça era graças a John Morris. Então ele decidiu cobrir a proposta da emissora. Daria-lhe a personagem principal e, com isso, um salário duas vezes maior que o anterior.
- A personagem principal…
- Já mandamos trazerem Richard Dent para o interrogatório. Perder o emprego seria um ótimo motivo pra um louco matar o companheiro.
Lisbon não sabia o que pensar. Kristina tinha mesmo tido contato com o espírito de Morris? Por que ela arriscaria ser encontrada só para ajudar a CBI num caso? Se estiver realmente certa e Richard Dent for mesmo o assassino, Lisbon não sabia o que faria. Porque, de uma forma ou de outra, ainda não tinha a menor pista sobre onde Kristina poderia vir a estar naquele momento. Ela podia simplesmente ter ido à São Francisco, feito a compra e ido pro outro lado do país.
Com isso, Lisbon lembrou-se do teste de gravidez que fora comprado. Jane tinha ido pra cama com Kristina? Óbvio que sim, já que falou de recomeçar, se referindo àquele teste. Tinham confessado seus sentimentos um pro outro um dia antes de descobrir que Jane teria um filho com outra mulher. Não podia culpá-lo por ficar feliz com isso. Mas seu coração estava apertado com a possibilidade de perder Jane para sempre.
Enquanto isso, perto da máquina de café, o celular de Jane tocava. O número não aparecia no visor. "Chamada não identificada".
Ele sentiu um mal estar no estômago e atendeu.
- Jane… Senti tanto sua falta.
-Kristina? Será que agora pode me dizer onde está?
- Eu não devia ter voltado a ligar. Mas eu preciso te ver. Oh, Deus, como sou idiota. Mas eu não consigo mais ficar longe.
- Como podemos nos encontrar?
- Não conte a ninguém, Jane, por favor. Se você vier sozinho, estarei no Edifício Marvin, em São Francisco, em uma semana, às duas e meia da tarde.
Ai ai ai, Jane…
