Capítulo 12: Enxovais
Eu levantei minha cabeça e olhei para Edward por um momento. Ele estava parado no lado oposto a mim na sala, trocando o peso de um pé para o outro e constantemente correndo uma das mãos pelo seu cabelo. Seus olhos estavam fechados. Foi quando eu notei esse pequeno fato que eu verdadeiramente comecei a observar suas feições. Essa era realmente a primeira vez que eu fazia isso desde o casamento de seu irmão... e mesmo lá eu não tinha prestado tanta atenção. Não, isso seria estar de volta a quando toda essa confusão começou, pensei comigo mesma.
Eu talvez não saiba muito sobre o "interior e exterior de Edward Cullen," mas uma coisa que eu poderia dizer com absoluta certeza era que ele estava exausto. Sua face estava mais pálida do que o normal, e ele tinha círculos negros embaixo dos olhos. Eu me perguntei como ele podia sequer pensar claramente.
Edward abriu seus olhos e respirou fundo. Mesmo a essa distância, eu podia dizer que seus olhos estavam vermelhos. Eu queria dizer a ele para simplesmente ir embora que nós teríamos essa discussão (o que quer que fosse que essa discussão implicasse) depois, mas justo quando estava prestes a dizer isso ele falou.
"Me desculpe."
Eu esperei que ele elaborasse essa frase, mas ele não disse mais nada, simplesmente voltou a correr os dedos pelo cabelo nervosamente.
"Desculpe pelo que?" Eu disparei, mais do que um pouquinho irritada.
Ele olhou para mim, cerrando os dentes e tencionando seu maxilar. Seu corpo inteiro estava rígido agora. "Pelo que eu disse sobre você e seu amigo," Ele disse duramente. "Foi uma resposta reflexa. Eu não quis dizer aquilo."
Eu cerrei meus olhos. "Você tem certeza disso? Porque me parece que você tenta me chamar de vagabunda todas as vezes. Essa foi só uma delas."
"Eu nunca…" Ele começou raivoso, mas eu o cortei rapidamente.
"Você nunca falou a palavra. Mas isso era certamente o que você queria dizer."
Os olhos de Edward se arregalaram, e eu observei enquanto muitas emoções diferentes cruzavam seu rosto em rápida sucessão – muito rápida para eu sequer tentar identificá-las. Depois de outro momento ele abaixou a cabeça antes de erguer uma de suas mãos para esfregar o rosto. Então Edward lentamente levantou a cabeça e me olhou nos olhos.
"Eu sinto tanto, Bella." Sua voz era apenas um pouco mais que um sussurro, mas eu ouvi claramente. Não somente eu ouvi as palavras como também vi a dor e a sinceridade em que seu tom estava imerso.
Ele estava falando sério. Esse não era um superficial pedido de desculpas de uma criança que foi pega surrupiando um biscoito do pote bem antes do jantar – o que foi exatamente como seu primeiro pedido tinha parecido. E isso me deixou sentindo-me ainda mais conflitada do que antes. Eu não podia evitar pensar sobre minha pergunta na última vez em que nós tínhamos nos "falado", quando eu o perguntei em que tipo de mundo doentio e torcido ele vivia. Sua resposta daquela vez estava marcada, fundo, na minha memória, e meu estômago revolveu levemente ante ao leque de possibilidades que fariam com que alguém fosse tão terrivelmente amargo.
Eu senti uma onda de compaixão por ele. De qualquer forma, eu não podia simplesmente sentar e aceitar suas desculpas. "Você precisa descobrir um jeito de controlar esse reflexo, Edward."
Eu fiquei ligeiramente surpresa quando ele simplesmente assentiu em resposta.
Eu olhei para o relógio. "Seus cinco minutos já passaram." Eu não sabia quanto mais eu poderia aguentar ele estando aqui. Ele não estava agindo da mesma forma que eu estava acostumada a ver. "O que você queria me dizer? Porque eu espero que pelo amor de Deus você não tenha vindo aqui para se desculpar por algo que você ainda nem fez." E eu estava absolutamente certa de que, julgando pela aparência do seu rosto há uns minutos atrás, que ele não estava nem considerando se desculpar pelos comentários similares que ele havia feito no passado.
Edward começou a se agitar novamente, isso era quase desconcertante. Ele sempre vinha com uma máscara calma e comedida. Esse comportamento na verdade me lembrava um pouco de como Charlie havia se comportado nessa mesma sala no dia de Ação de Graças.
"Você pode se sentar." Eu resmunguei. Era óbvio que isso ia levar mais do que cinco minutos, e honestamente, do jeito que ele estava se deslocando e balançando, eu estava preocupada que ele fosse desmaiar se permanecesse em pé por muito mais tempo.
"Eu vou dormir." Edward respondeu, confirmando minhas suspeitas.
Meus pensamentos instantaneamente se perguntaram. Eu acho que isso era um mecanismo de defesa, no entanto eu estava verdadeiramente curiosa. "Você tem mesmo estado trabalhando tanto essa semana?"
"Existe algum problema nisso?"
"Eu não sabia. Apenas parecia que você estava fazendo horas extras em excesso." Eu disse dando de ombros. "Não existem regras ou leis ou alguma coisa sobre isso?" Eu realmente não sabia nada sobre as horas que médicos internos ou residentes – ou que diabos ele fosse – trabalhavam, mas trabalhar a semana inteira? Isso parecia extremo.
Ele deu de ombros. "Eu tenho pegado uns plantões extras."
"Por que?"
"São os feriados, as equipes tendem a precisar de mais folga por vários compromissos. E é sempre bom ter alguns favores para serem retribuídos quando eu preciso deles."
"Então, você está criando um banco de horas de folga?"
Edward assentiu. "Isso não funciona exatamente assim, mas é quase isso."
Eu tentei encaixar essas peças por um instante, mas eu não tinha nem certeza de como interpretar isso ou como algo assim funcionaria, então eu nem me incomodei em tentar.
"Eu só tive alguns dias de folga desde a Ação de Graças. É por isso que eu não consegui te ligar antes."
Meus olhos cerraram. "Você espera que eu acredite que você ia na verdade, tentar entrar em contato comigo mesmo se eu não tivesse sido hospitalizada?"
"Sim."
"Boa tentativa." Eu zombei. "O que poderia ter possivelmente mudado nas duas últimas semanas que faria você escolher falar comigo agora?" Eu disse entre dentes, com raiva por ele sequer tentar mentir para mim desse jeito. Isso parecia uma forma cretina de tentar me aplacar.
"Você disse que a decisão era minha não disse? Ou você retira o que disse?"
"Eu não retiro coisa alguma." Eu disparei. "Você apenas deixou suas opiniões bem claras."
"Eu me desculpei por isso não me desculpei?" Ele respondeu antes de fechar a boca de súbito e respirar fundo. "Brigar não está nos levando a lugar nenhum."
"Você descobriu isso só agora?"
"Não. Mas eu não vim aqui para brigar." Edward disse, infundindo um tom de finalidade a sua voz.
Eu suspirei. Ele estava certo. Edward talvez tivesse sido um idiota, mas eu parecia ter uma tendência a incentivar o ciclo em que nós constantemente parecíamos nos encontrar. "Você está certo." Eu consenti em voz alta.
Olhando para cima, ele tinha erguido sua mão para pressionar a ponte do seu nariz e fechado os olhos, somente para abri-los rapidamente segundos depois de tê-los fechado.
"Você precisa deitar antes que caia duro no chão." Eu disse novamente.
Edward pareceu contemplar minhas palavras por um momento antes de andar até o sofá e sentar no assento oposto ao meu.
"Seu pai veio me ver." Ele disse de repente.
"De novo?"
"Não. Mas você sabia que ele tinha vindo no dia de Ação de Graças?" Edward pareceu surpreso.
Lentamente, eu assenti com a cabeça. "Eu descobri sobre isso hoje." Minhas palavras era baixas enquanto eu pensava sobre o que Jacob havia me dito sobre seus dois encontros com Edward nas duas últimas semanas.
"Ah. Sim, eu esbarrei com seu amigo Jacob umas duas vezes." O tom de Edward era azedo quando ele resmungava isso, e ele até mesmo fez uma careta.
"Eu não pedi a eles para fazerem isso."
"Eu nunca quis dizer que você pediu." Ele disse calmamente, me surpreendendo. Depois de todas as outras coisas que eu tinha ouvido ele dizer, eu esperava que ele me culpasse pelas pessoas que estavam assediando ele pelas minhas costas.
"O que foi que meu pai disse?" Eu perguntei depois que alguns minutos haviam passado.
Edward deitou contra o encosto enquanto seus dedos deslizavam por seus fios bronze pela nonagésima vez na noite. "Ele apenas me disse que eu não tinha idéia das coisas contra as quais eu estava me fechando." Ele disse falando para o teto, então ele virou a cabeça e olhou para mim com tamanha intensidade que me fez pensar que ele estava se referindo a algo muito maior do que o bebê.
Suas palavras me envolveram, e eu senti um estranho impulso…como se eu estivesse um passo mais próxima dele, mesmo que, fisicamente, nós estivéssemos ainda alguns passos de distância. Desde de setembro, Edward sempre parecia distante, não importava o quão fisicamente próximos nós estivéssemos. A única vez que eu senti como se ele tivesse baixado a guarda foi quando ele havia estado no meu quarto de hospital no meio da noite.
Eu nunca havia estado tão confusa em toda minha vida. Eu queria me derramar em lágrimas enquanto esse homem arrogante me confortava quase tanto quanto eu queria ir para detrás dele e chutá-lo o mais forte que eu pudesse enquanto gritava a plenos pulmões.
"Olhe, Bella," ele disse, sentando reto e virando-se levemente para mim, "Eu não confio em você."
E com essas palavras, eu senti como se alguém houvesse me chutado... de novo. Eu tinha apenas começado a me sentir confortável perto dele e agora isso.
Ele deve ter visto algo na minha expressão porque ele se apressou em acrescentar, "Não é exatamente isso que eu quero dizer. Eu quero confiar em você, Bella. Eu apenas não sei como!"
"Eu quero confiar em você, também, mas..." E enquanto eu dizia essas palavras, pensando sobre elas enquanto eu deixava que morressem, percebi que era o que ele queria dizer. Nós não estávamos em posição de confiar... não agora. Ainda que, se algo nisso fosse funcionar, nós provavelmente teríamos que aprender como. Mas, Edward tinha feito muitas coisas para me magoar ao longo dos últimos meses. Ele tinha sido abominável e cruel nas suas palavras, e eu tinha alimentado isso. Nós na verdade tínhamos dito muito pouco um para o outro desde o casamento do seu irmão. Quanto do que ele tinha dito havia sido uma resposta reflexa? No entanto, algumas vezes era mais difícil se recuperar de tapas verbais do que de socos físicos. Mesmo se eu estivesse finalmente começando a ver que isso possa nem sempre ter sido intencional. Isso me fazia até mesmo considerar que possivelmente as coisas não haviam sido tão ruins quando eu as havia interpretado. Elas haviam sido? Não que isso importasse muito agora...ele sabia como eu havia percebido que ele fosse, ele poderia ter feito mais esforço antes.
Eu suspirei. "Eu sei como você se sente," Eu disse, terminando a minha frase.
Edward relaxou um pouco então, e deitou sua cabeça nas costas do sofá e fechou os olhos. Eu não podia evitar pensar que ele realmente ia cair no sono.
"Você decidiu que vai ser parte disso então?" Eu finalmente perguntei alguns minutos depois.
"Sim," Ele respondeu simplesmente, sem nem mesmo levantar a cabeça.
Ele não elaborou, e eu não sabia como eu me sentia exatamente em relação a isso.
"Você disse que seu comentário essa tarde foi um reação reflexa. Por que? O que foi que fez você reagir daquele jeito?" Eu perguntei, incapaz de me refrear.
Edward não me respondeu imediatamente. Ao invés disso, ele levantou sua mão e correu por cima da cabeça, segurando o cabelo para trás. Franzindo o cenho, ele respirou fundo algumas vezes. Eu tinha a distinta impressão que isso era mais porque ele não queria responder minha pergunta do que pelo fato de que ele estava pensando sobre sua resposta. Quando ele finalmente falou, não me surpreendeu que ele não respondesse minha pergunta de forma alguma. "Bella, no dia das Bruxas, quando você me viu com a Tanya, como você se sentiu?"
"Senti ciúme, raiva, culpa," Respondi depois que me forcei a pensar naquela noite.
"Porque você sentiu ciúmes?" Ele perguntou, levantando a cabeça e me observando.
Agora eu tinha sensação de que estava sendo levada a algum lugar intencionalmente, mas eu estava muito curiosa para deter sua linha de questionamento.
"Porque quando eu cheguei na casa e estava em pé do lado de fora, eu vi você e Tanya rindo enquanto ela segurava sua mão sobre a barriga dela." Eles tinham parecido como a pequena família perfeita. Só pensar sobre a imagem ainda fazia meu estômago se agitar.
Uma expressão de dor cruzou suas feições enquanto ele lentamente assentia com a cabeça. "Mas você não estava com ciúmes porque havia sentido como se tivesse flagrado seu namorado tendo um caso." Ele afirmou.
Eu bufei e rolei meus olhos. "É claro que não."
"Então porque?" Ele perguntou.
"Eu…" Eu fechei meus olhos, mas não queria pensar sobre essa pergunta, porém minha mente foi até lá de qualquer maneira. Eu me senti indigna enquanto os observava, indigna desse tipo de relacionamento. Tinha sentido como a última forma de rejeição – apenas mais um lugar onde eu havia sido afastada e relegada a ficar no canto vendo enquanto os outros interagiam em relacionamentos normais. Racionalmente, eu dizia a mim mesma que eu não precisava de ninguém, que eu podia fazer isso sozinha. Emocionalmente, era outra história e eu sentia como se estivesse constantemente lutando contra o desejo de ter pessoas na minha vida que verdadeiramente se importavam comigo.
Mas isso era uma dor muito pessoal para dividir com ele. Como ele já tinha esclarecido, nós não confiávamos um no outro o bastante por enquanto, e nunca no mundo eu seria a primeira pessoa a dar qualquer passo para mudar isso.
Edward pareceu reconhecer o fato, também. "Você não tem que responder," Ele disse baixo, antes de respirar. "Hoje, quando eu entrei e vi você, eu vi algum outro homem preenchendo o meu lugar. Ele estava tão confortável, e você parecia feliz. Foi como se alguém tivesse simplesmente me jogado um balde de água fria, e eu não gostei disso."
Depois de contemplar isso por um minuto, eu podia ver o que ele queria dizer. Jacob tinha sido terrivelmente doce durante sua visita, e meu espírito tinha se elevado levemente quando ele não somente me deu atenção mas também para minha barriga de grávida. Ele não somente tocou meu estômago, sentindo enquanto o bebê se movia, mas ele tinha passado um tempo contando histórias ao bebê. Eu até sorri um pouco com a memória. Eu quase podia entender a reação do Edward. Quando eu me deparei com uma situação similar, eu não havia me comportado excepcionalmente melhor também.
Olhando para ele novamente, eu notei que sua cabeça estava de volta no encosto do sofá e seus olhos estavam fechados. Eu olhei para o relógio e suspirei; eu realmente não devia estar sentada durante tanto tempo. Com outro suspiro, eu me movi então estava deitada de lado, com uma das almofadas do sofá embaixo da minha cabeça e meus pés cuidadosamente encolhidos na outra ponta, assim eles não estavam tocando o outro ocupante do sofá. Eu não podia vê-lo dessa forma, mas eu realmente não me importava. Isso não era o mesmo que entreter um convidado.
Olhei para a sala a minha frente, meus olhos enfocando no intrincado de velas que Alice tinha colocado sobre a mesa de centro os candelabros eram feitos de fios grossos de vidro trabalhado. Os filamentos de vidros tecidos uns nos outros e envolta, exatamente como uma teia de aranha é intrincada, porém parecendo tanto com gelo que se poderia ver uma poça d'água na base dos mesmos. Eles eram absolutamente lindos e pareciam tão frágeis. Uma pequena rachadura e todo o objeto se quebraria com o peso. Era exatamente como as fibras delicadas que prendiam nossas vidas juntas. Eu senti como se rachadura fosse se espalhando, fazendo com que meu mundo ruísse a minha volta, e eu não queria mais viver assim. Eu só não sabia como mudar meu atual caminho.
Eu escutei atentamente a respiração de Edward, me perguntando se ele tinha realmente caído no sono.
"Edward?" Eu perguntei, baixo para o caso dele estar mesmo dormindo.
"Hmm."
"Aquela primeira noite…quando nos conhecemos…"
"Sim?" Ele irrompeu.
"Por que você foi embora?"
Eu ouvi Edward suspirar e sair do sofá, mas eu fechei os olhos, não me incomodando em olhar para ele. Se ele quisesse ir embora e evitar a discussão, então essa era uma decisão dele, não minha. "Eu recebi um telefonema sobre um paciente."
"Mas você disse que…" Eu comecei, abrindo meus olhos de súbito. Seus dedos nos meus lábios impediram a pergunta de sair da minha boca, enquanto meus olhos se abriam para vê-lo agachado bem à minha frente.
"Eu tinha acabado de terminar um plantão de três dias, mas o paciente pelo qual eu fui chamado era alguém que tinha sido meu paciente antes, quanto eu comecei meu internato na faculdade de medicina." Edward moveu seu dedo dos meus lábios para remover uma mecha do meu cabelo da frente do meu rosto e colocá-la atrás da minha orelha antes de recolher sua mão completamente. Então, ele sentou no chão a minha frente. "Eu o conheci durante uma troca de plantões, e ele era um paciente de oncologia mas teve alta antes que eu terminasse meu internato. Eu mantive contato com ele. Disseram a ele que o câncer tinha retornado no último outono e não havia nada mais que se pudesse fazer. Ele tinha ficado doente por semanas, mas os últimos dias haviam sido os piores, porém ele havia convencido sua esposa a não telefonar. Ele cismou que queria morrer em casa, quieto, até mesmo recusou ajuda hospitalar, dizendo que não queria incomodar ninguém até que soube que só restavam apenas alguns dias. Sendo um mártir, ele não percebeu quando tinha chegado a esse ponto. Ele tinha falhado em perceber em quanta agonia estava pondo sua esposa. Naquela noite sua dor tinha ficado tão forte que Sarah, esposa de Jeremiah, não sabia mais como ajudá-lo. Ela o encaminhou depressa para a Emergência onde ele havia se tratado. Levou horas para Sarah convencer a enfermeira a me telefonar. Para não dizer que eu nunca fui listado como um dos médicos de Jeremiah nos seus históricos, porque eu não era seu oncologista. Naquele ponto, eu não era mais do que um amigo da família. Me disseram depois que foi um dos ajudantes do centro cirúrgico que estava passando pela ER quem convenceu a enfermeira que estava tudo bem em me telefonar."
Quando ele falou novamente, sua voz era suave, gentil, reverente... e cheia de dor. Isso fez meu coração começar a apertar, e eu tive que lembrar a mim mesma que eu ainda estava com raiva dele. Edward ergueu sua mão esquerda para minha bochecha. "Quando eu recebi a ligação, você não tinha dormido há muito tempo. Eu não queria acordar você, e eu estava com pressa, a única coisa que passava na minha cabeça era que eu precisava chegar ao hospital antes que Jeremiah morresse. Eu nunca deveria ter deixado para você um bilhete como aquele."
Os dedos de Edward traçaram levemente minha maçã do rosto, subindo pelo meu olho, descendo pela lateral do meu nariz, para o meu maxilar, subindo pelo meu ouvido, onde ele curvou sua mão e segurou a lateral do meu rosto por um momento antes de sentar novamente, levando sua mão com ele. Eu instantaneamente lamentei a ausência.
"Se eu pudesse voltar atrás…se eu pudesse escolher acordar você naquela noite...se eu pudesse tirar a maldita camisinha de cima da mesa...eu faria." Ele disse, sua voz pesada de fadiga.
Por um momento, eu me perguntei se ele realmente queria dizer o que estava falando, ou se isso tudo era um sinal da sua exaustão. Se eu escolhesse acreditar nele, isso tudo foi um mal entendido da minha parte...Alguém havia simplesmente nos confundido e ferrado com as nossas vidas.
Suas palavras não consertavam tudo. Eu estava certa de que ainda havia uma grande animosidade escondida sob a superfície – de ambas as partes. Eu estava apenas muito sobrecarregada para processar todas as minhas emoções em conflito. E Edward tipicamente tinha todas as suas defesas a postos com força total sempre que eu estava ao redor dele, mas a parede estava lentamente desmoronando. Ainda que eu não soubesse se isso era simplesmente porque ele estava mais do que cansado, ou porque ele estava começando a confiar em mim. Eu esperava que fosse o último.
Sem pensar, eu estendi minha mão para ele, parando logo acima do seu braço, antes de reconsiderar e recolher meu braço rapidamente.
"Você precisa dormir um pouco." Eu disse.
Ele assentiu e se levantou, se agitando novamente uma vez que ele estava em pé sobre mim.
"O quarto de hóspedes é no final do corredor."
"Não, eu já vou pra casa." Ele disse.
Eu me sentei novamente. "Eu não vou ser responsável por você se acidentar no caminho para casa."
Ele bufou incrédulo.
"Privação de sono é tão mal, senão pior, do que estar bêbado." Eu o informei.
Eu me levantei e comecei a levá-lo para o quarto de hóspedes. Surpreendentemente, Edward seguiu sem mais protestos.
"Ai meu Deus," Eu disse no momento em que abri a porta do quarto e acendi a luz. Eu tinha ficado chocada com as decorações no resto do apartamento, mas nada poderia ter me preparado para o que tinha de ter sido o quarto de hóspedes.
Alice era bagunceira.
A cama estava amassada, haviam sapatos e roupas cobrindo a cama e a maior parte do chão, haviam uma série de anotações na cama e na mesa, e caixas abertas...bem...para todo lado. A maioria delas estavam vazias, remanescentes das novas aquisições. Eu não tinha percebido quantas das decorações que estavam no outro quarto eram novas.
Andando para a cama, eu peguei uma das anotações.
Era uma lista.
Uma lista bem longa, que consistia em várias páginas de itens.
Aparentemente, a despeito de ser uma relaxada, Alice era muito organizada. Na página de anotações haviam cada um de todos os itens que uma pessoa poderia sequer pensar para um bebê. De um berço à pagõezinhos a fraldas… estava tudo aqui. Eu não fazia ideia de o que no mundo uma fralda gênia era ou porque alguém iria precisar de um aquecedor de lenços para bebê.
Pegando outra nova, essa aparentemente com páginas e páginas de designs para o meu quarto de hóspedes. Eu estava petrificada. Parecia que Alice tinha tudo planejado desde cores de parede, a papéis de parede desenhados, e um grande mural.
Tudo que eu pude fazer foi ficar ali com minha boca aberta e mexer minha cabeça em choque. Eu não tinha pensado muito em nada disso.
A única coisa que me tirou do meu transe foi o som de uma rica, aveludada risada atrás de mim. Eu me virei e cerrei os olhos para ele.
"Você obviamente não tem estado aqui por alguns dias." Ele afirmou.
"Não."
Ele olhou para as notas que eu deixei cair na cama como se estivessem me queimando. "Você na verdade deu a Alice permissão para fazer o enxoval para você, ou esse é um projeto que ela assumiu por si mesma?"
"Eu disse que ela podia fazer," Eu disse, confusa. Por que isso deveria importar? "Mas eu não tinha idéia de que ela iria..."
Edward sorriu.
"O que?" Perguntei, ficando irritada rapidamente.
"É apenas que ela provavelmente teria feito isso de qualquer forma, mas se você não disse nada contra então seria bem mais fácil ela reinar. Desde que você permitiu, entretanto, não há nada que vá impedi-la."
Eu olhei para ele, meu olhos arregalando.
"Boa sorte." Ele adicionou, rindo novamente.
"Não é engraçado." Eu falei entre dentes, raivosa.
Ele chacoalhou rindo. "Você está certa, não é. Especialmente desde que eu tenho certeza de que Esme vai fazer algo ainda mais extravagante."
"Não. Eu não quero que sua mãe venha aqui e decore também. Isso é simplesmente ridículo." Alice não tinha ouvido quando eu lembrei a ela que isso era um apartamento? Um que eu estava alugando? Em outras palavras...temporário.
"Oh, não, ela não faria isso a menos que você dissesse que ela podia. Eu quero dizer na casa dela. Eu estaria disposto a apostar que ela já começou a trabalhar em um berçário lá."
"Que criança precisa de dois berçários?" Eu zombei.
Houve uma pausa antes que eu o ouvisse dizer baixinho. "Três."
"O quê?"
"Três." Ele disse mais firmemente. "Ele vai ter três berçários."
A confusão estava escrita claramente no meu rosto enquanto eu olhava para ele.
"Eu disse a você que vou ser uma parte disso."
De alguma forma eu me encontrei assentindo enquanto meu cérebro lentamente começava a processar aquilo. Em algum transe mudo, eu me abaixei para começar a recolher as roupas da Alice quando eu senti as mãos de Edward me pararem.
"Eu faço isso. Você precisa ir se deitar. Eu já mantive você de pé muito mais do que devia. Me desculpe, eu não estava pensando."
"Eu…"
"Eu não sou exatamente uma visita. Eu prometo não ir embora até que eu tenha tido algumas horas de sono, mas eu estou bem. Além disso, eu estou acostumado a arrumar a bagunça da minha irmã." Edward me dirigiu um sorriso estonteante.
Tudo que eu consegui fazer foi aceitar com a cabeça levemente, tentando tirar a confusão e os sentimentos que seus sorrisos deslumbrantes evocavam em mim.
"Okay. Eu vou só…Eu vou me deitar então. Me avise se você precisar de alguma coisa." Eu disse um distraidamente.
"Eu irei."
Eu me virei para sair e justo quando estava passando pela porta ouvi Edward dizer,
"E, Bella…obrigado."
"Amm…De nada."
Eu fui para o meu quarto onde eu me enfiei na cama e deitei, mas eu sabia que de modo algum eu seria capaz de acalmar minha mente em qualquer tempo próximo. Eu estava muito ocupada relembrando as palavras de Edward.
Meu filho iria ter três berçários.
Minha intenção todo o tempo havia sido envolver Edward na vida do bebê...se isso fosse o que ele queria. Agora, de repente, eu estava ouvindo que ele queria realmente isso, mas eu nunca tinha considerado realmente o que isso significaria.
Quando eu pensei sobre compartilhamento de custódia ou visitação, eu tinha sempre pensado em umas dessas duas semanas por ano que tinha passado com meu pai fracassado. Um berçário significava algo muito mais freqüente, muito mais permanente.
E esse pensamento me assustou muito mais do que eu tinha pensado que iria.
~*~
Depois de algumas horas me revirando na cama na noite anterior, eu finalmente consegui dormir um pouco. Bem, o sono veio depois de outra fatia de cheescake que eu comi por volta das 22 horas. Eu não ouvi Alice voltar, mas quando eu acordei no sábado de manhã, ela estava na cozinha com uma caixa de muffins, suco de laranja e chá.
Edward ainda estava dormindo no quarto de hóspedes. Aparentemente quando ele chega a um extremo estado de exaustão, uma manada de elefantes poderia passar por ele que ele não acordaria. Alice disse que isso geralmente não era tão ruim, mas ele vinha se colocando no limite físico e mentalmente pelas últimas semanas. Edward dificilmente se moveu até o fim da tarde de sábado. Eu não me importei, realmente. Ele estava fora do caminho e não me incomodou de forma alguma. Mas isso também significava que Alice não tinha lugar para se recolher e sendo assim ela estava constantemente tentando fazer coisas comigo, como jogar cartas e pintar minhas unhas dos pés. Entretanto, ela era boa em se certificar de que eu passasse a maior parte do meu tempo deitada como eu deveria.
Em algum momento da noite de sábado, bem mais de 24 horas depois que ele havia chegado, Edward saiu do quarto. Ele tentou se desculpar por dormir tão pesado e por tanto tempo mas eu o dispensei com as mãos. Antes de ir embora para casa – e provavelmente dormir outras 20 horas – ele disse que me ligaria em algum horário na 5ª feira.
Eu reconheci o olhar inquisitivo nos olhos de Alice depois que Edward bateu a porta, e eu rapidamente pedi licença para ir tomar um banho e me recolher para a noite.
No domingo, Alice decidiu que estava na hora de eu me envolver nos planos para o berçário. Depois do café da manhã e de se aprontar para o dia, ela veio do quarto com uma caneta e suas anotações. Então, ela se sentou e começou a especificar os detalhes de como ela pretendia transformar o quarto de hóspedes em um berçário.
"Alice, eu realmente não acho que tudo isso seja necessário." Eu disse num esforço para detê-la.
"Você já disse que eu podia." Ela me lembrou firmemente. Então eu decidi tentar um caminho diferente.
"Você não tem um berçário para planejar com a sua mãe na casa dela?"
"Quem te contou isso? Era para ser uma surpresa!" Então ela começou a resmungar sobre a incapacidade do seu irmão para manter segredos, assim como disparar comentários sobre a necessidade de 3 esquemas de cores completamente diferentes e que designs ficariam melhores aonde, enquanto ela abria seu laptop e começava a digitar coisas ferventemente. Eu não conseguia fazê-la parar por um momento longo o bastante para responder minhas perguntas para explicar do que ela estava falando. Tudo que eu soube foi que ela de repente estava fazendo compras, e francamente, essa idéia me assustava um pouco.
De repente, eu soube exatamente ao que Esme estava se referindo quando ela insistiu que meninos eram mais fáceis de criar do que meninas. Alice era de longe pior do que o mais endiabrado dos meninos. Ela era uma pilha de energia e determinação.
Eu estava aprendendo rapidamente que seria um erro cruzar o caminho dela. Quando Alice se concentrava numa tarefa, ela dedicava a isso sua inteira atenção. Sendo assim, eu decidi que eu tentaria distraí-la com outra coisa.
Eu tentei diversos assuntos para conversar enquanto ela continuava visitando vários sites de butiques infantis antes que eu conseguisse. Ela estava constantemente tentando me convencer, me mostrando lençóis e pagõezinhos e sutiãs de amamentação, enquanto eu tentava assuntos como computadores, música e até mesmo moda. O assunto moda fisgou sua atenção, até ela descobrir que eu não sabia absolutamente nada sobre isso, rolou os olhos e rapidamente deixou para lá, afirmando que se ela fosse me ensinar alguma coisa alguma vez, seria sobre enxovais de bebê.
Finalmente, eu perguntei a ela sobre o relacionamento dela com Jasper. Fiquei muito satisfeita quando a distração funcionou. Alice recostou-se, colocando seu computador na mesa de centro, e virou sua total atenção para mim.
"Okay, isso é uma conversa de meninas, eu preciso de algo doce. Ainda tem um pouco mais do seu cheescake sobrando Bella. Você quer um pedaço? Eu vou pegar um potinho de Hägen-Dazs que eu vi no seu freezer mais cedo."
"Você vasculhou meu freezer?"
"É claro! Eu tinha que saber o que tinha aqui antes de pedir a entrega das compras de mercado."
Eu mordi minha língua. Um pedido de super mercado não era nada comparado aos milhares que eu acabei de impedi-la de gastar com um bebê que não saberia a diferença entre um berço do Wal-Mart e um conjunto que eu podia ver no computador dela da Dimples & Dandelions. Tudo que eu sabia era que a diferença no preço era mais do que a maioria das pessoas gastava em um berço....ainda que eu suspeitasse que os berços que Alice estava olhando poderiam rivalizar com o preço do meu 1º carro.
Alice voltou da minha cozinha com um pedaço de cheesecake para mim e sorvete de Fluer de Sel Caramel que ela tinha falado para si. Ela me entregou uma garrafa d'água antes de se sentar na poltrona próxima ao meu sofá e se ajeitar com um lençol para se cobrir. Eu me sentei, pois assim poderia vê-la melhor, e também poderia comer sem fazer uma bagunça.
"Então, por onde eu devo começar?" Ela começou depois de uma colherada de sorvete. "Eu sabia que Jasper era o homem com quem eu ia me casar no momento em que bati meus olhos nele."
"E quando foi isso?" Perguntei, sorrindo ao seu tom super romântico.
"No primeiro dia da oitava série." Ela parou por um momento, uma aparência sonhadora em seu rosto, eu tive que reprimir uma risada. "Jasper era aluno novo. Seus pais tinham acabado de se mudar de Austin, Texas, para cá. Ele era tão fofo – Eu não conseguia parar de olhá-lo durante toda a palestra de boas vindas. Mas ele era um menino novo numa escola esnobe, então a despeito de sua aparência e o fato de que ele não era um dos bolsistas que foram admitidos, ele ainda era excluído.
Eu sorri discreta com esse lado romântico de Alice. "E você soube nesse exato momento?"
"Eu tive uma visão."
Eu esperei que ela dissesse mais alguma coisa, mas quando ela não o fez, a interpelei. "Você teve uma visão?"
Alice olhou séria para mim por um momento, franzindo os lábios e analisando meu rosto. "E tive uma visão do nosso futuro juntos. Nossas famílias unidas...nosso casamento...nossos filhos."
"Okay." Eu tombei minha cabeça para o lado e tentei entender o que ela achava de tão intenso nisso. Que garota não teve uma visão de flores, casamentos e bebês com sua paixão da adolescência?
"Bella, eu já te falei sobre isso." Ela disse com um suspiro exasperado. "As vezes eu prevejo o futuro."
Sim, ela já tinha me dito isso antes, mas ela disse como se fosse uma piada e eu tinha rido convenientemente do assunto. Mas não parecia ser o caso. Parecia que ela estava de repente confessando um segredo, não um sonho adolescente elaborado.
"Foi bem rápido, mas eu vi claro como o dia. Então, eu fiz a única coisa que eu poderia na época...eu me tornei sua amiga."
"Alice, eu acho que não estou te entendendo."
Ela olhou para baixo no seu potinho de sorvete que estava quase na metade e o colocou em cima de uma revista da mesinha de centro. " Eu tive essa visão, desse futuro com ele, e eu sabia que iria acontecer...eventualmente. Mas ele não estava interessado em mim da mesma forma. Jasper tinha uma queda pelo tipo garota alta, loira, líder de torcida. E desde que eu sabia que ele não iria olhar para mim da mesma forma que olharia para alguém que parecia com a Rosalie, eu fiz a coisa mais próxima do melhor. Me tornei amiga dele. Eu o ajudava com o trabalho de casa. Passeava com ele. Diabos, eu até mesmo o ajudei a conseguir um encontro com a líder de torcida nos jogos de inverno no nosso 1º ano do ensino médio."
"Como você sabia que ele não estava interessado em você da mesma forma, Alice?"
Alice deu de ombros. "Eu apenas sabia. Eram como as visões. Um 6º sentido... Eu apenas sabia."
"Huh."
"Ele era um cara seguro, confiável. Jasper não transava por aí. Ele tinha namoradas sérias e cada namorada que ele teve era minha amiga. Era quase um pré requisito. Se alguém queria namorar com ele, elas tinham que ter meu selo de aprovação."
"Isso é meio fofinho, Alice."
"É patético como o inferno, Bella." Respondeu de volta. Ela suspirou e pegou o potinho de sorvete novamente, obviamente decidindo que isso iria ajudar. "Desculpe-me. Eu apenas normalmente não penso sobre tudo isso. Era duro vê-lo assim. Amá-lo, mas saber que ele só amava como uma amiga."
"Então, o que aconteceu para as coisas mudarem?"
"Berkeley."
"Então, a faculdade?"
"Sim. Nós nos inscrevemos para um monte de faculdades juntos, e ambos fomos aceitos em Berkeley. Então, no outono nós fomos e começamos nosso primeiro ano como calouros juntos...como amigos."
Eu observava suas expressões faciais, e ela mirava a parede. A energia e excitação que tão abundantemente emanavam dela pareciam ter sumido, e senti culpa por trazer essa discussão a tona. Silenciosamente debati entre simplesmente distraí-la ou não com mais compras. Eu vetaria um site que ela esteve olhando mais cedo que tinha um enxoval de cashmere que ela queria comprar. Talvez isso fosse distração suficiente. Justo quando eu estava prestes a sugerir que ela guardasse seu cartão de crédito, ela falou novamente.
"Então, nós nos mudamos para a Califórnia, estávamos ficando nos dormitórios da universidade, e as coisas estavam exatamente como sempre foram entre nós. Aí, uma noite quando nós estávamos terminando um relatório para nossa aula de Inglês, ele me disse que estava cansado de namorar. Que as meninas de Berkeley eram tão idiotas quanto no ensino médio, e que ele não queria aturar isso. Eu disse a ele que ele só não estava namorando o tipo certo de garota. Eu deveria ter dito a ele como eu me sentia, isso teria me poupado uma conversa constrangedora depois, mas como você bem sabe, a gente só sabe como deveria ter agido quando passa."
Alice tomou um longo gole de sua água. "Bem, nós fomos para uma festa em uma noite, e ambos bebemos muito mais do que devíamos. Jasper achou outra belezoca perfeita para se ocupar, e ele estava grudado nela enquanto eu circulava, bebia e o assistia com essa garota que eu pensava que jamais poderia competir contra. Teve um cara que tinha passado a noite inteira me cantando, mas no fim da noite ele estava bem mais agressivo com suas demonstrações do que eu queria. Jasper viu o que estava acontecendo, veio para cima e socou o cara. O derrubando caído no chão. Então ele pegou meu braço e me rebocou de volta para o meu dormitório. Nós chegamos lá, e eu o implorei para que não fosse embora. A próxima coisa que eu soube foi que ele estava me beijando."
Eu sorri, o meu lado romântico adorando sua lealdade a ele. Então eu vi uma lágrima descer do olho dela e lentamente trilhar por sua bochecha. "Alice?"
"Eu lembro de pensar tão claramente que ele tinha finalmente percebido que me amava. Ele finalmente soube como eu me sentia. Estava claro como o dia. Mas eu estava errada. Jasper não estava procurando um relacionamento. Ele achava que nós já tínhamos uma amizade incrível, e ele queria que isso se mantivesse assim. Ele apenas queria adicionar uns benefícios ao pacote."
"O que você fez?"
"Eu disse a ele que eu estava apaixonada por ele. É desnecessário dizer, que isso não terminou bem. Ele saiu de perto de mim tão rápido, que era como se eu o tivesse queimado, não confessado minha eterna devoção."
Eu me encolhi por ela. Eu podia ver isso perfeitamente. Jasper a beijando, dizendo a ela que a desejava, então Alice admitindo seus sentimentos por ele, seguido por ele saindo correndo assustado.
"As coisas ficaram esquisitas depois disso. Jasper não sabia como me tratar, e eu apenas queria que as coisas voltassem a forma como estavam antes. Era uma confusão. Em fevereiro, ele achou uma nova namorada, completamente diferente de todas as anteriores. Maria foi a primeira morena que ela namorou. Ela era inteligente e sagaz, e muito manipuladora. Sem dizer que ela me odiava."
"É claro que ela odiava, Alice. Ela sabia que ela estava competindo com você."
Ela assentiu. "Sim. Bem, ela forçou as coisas com ele rapidamente, e quanto mais próxima ela se forçava para dentro da vida dele, mais longe ela me forçava para fora. Me deixava doente ver os dois no mesmo recinto. No fim do primeiro ano da faculdade. Eu já tinha visto o bastante. Eu fui para casa no final da primavera e me inscrevi para Columbia. No final do verão, eu me mudei para Nova York, fui para a faculdade, namorei, e fiz o possível e o impossível para tirar Jasper da minha cabeça. Quando eu terminei a faculdade, eu me inscrevi para um intercâmbio em Milão, e consegui. Como Edward gosta de me lembrar, eu estava me escondendo."
A voz de Alice já não estava mais triste como tinha estado, e eu me encontrei me perguntando quantas vezes ela tinha contado essa história. Sua família sabia de todos esses detalhes? Ela tinha amigos em quem ela confiasse? Porque nesse exato momento, parecia que as emoções que a atingiam como se essas coisas tivessem acabado de acontecer... como se ela nunca tivesse tirado um tempo para pensar sobre elas.
"Enquanto eu estava em Nova York, minha família me implorava para vir para casa. Eles estavam zangados por eu me isolar de todo mundo. Mas eu queria sair do buraco onde tinha caído. Eu precisava ficar longe de tudo e todos que me lembravam de Jasper. Era horrível. O que eu não sabia era que enquanto eu estava me formando em Columbia e sedimentando meus planos de ir para Europa, Jasper tinha terminado com Maria e se inscrito para a Universidade de Washington para o seu MBA. Ele queria ficar perto de mim, e esperava que eu voltasse para casa depois que terminasse a faculdade."
"Uau. Então, quanto tempo levou para você voltar?"
"Quase três anos. Jasper terminou sua pós graduação, e quando ele soube que eu não estava planejando voltar, ele pegou um avião e veio me buscar." Ela disse com um sorriso no rosto.
"Viu?" Eu disse. "Eu sabia que sua vida era um conto de fadas."
Ela gargalhou, o som quase como sininhos.
"E você vai viver feliz para sempre."
"É claro!" Ele exclamou. Então soluçou levemente. "Obrigada, Bella. Eu realmente nunca contei essa história para ninguém. Minha família sabe, mas só o que eles viram. Eu nunca gostei de falar sobre isso."
"E por quê isso?"
Alice deu de ombros. "Porque esse foi provavelmente o período mais difícil da minha vida. A rejeição do meu melhor amigo tinha sido a pior coisa pela qual eu jamais tinha passado. Foi mais do que doloroso, sem dizer que foi um pouco humilhante."
Eu assenti, de repente sabendo exatamente como Alice se sentiu. Tantas vezes eu me senti como eu estive do lado de fora olhando para dentro, não aceita, não parte de algo significante. E, se eu me permitisse admitir, eu estava extremamente enciumada daqueles que estavam do lado de dentro, aquecidos, confortáveis...e queridos. "Sinta-se a vontade."
"E não se preocupe, você vai ter seu final de contos de fadas também."
"Acho que não Alice." Eu disse bufando.
Ela deu um tapinha na cabeça. "Lembra do que eu te disse. Eu sei essas coisas."
Eu tive que rir. Não porque eu não acreditava nela, mas porque é isso que amigas fazem, e de subitamente eu me senti muito mais próxima de Alice do que antes. Eu estava certa que isso tinha a ver com ela dividindo muito mais de si mesma comigo. Isso tornava mais fácil para mim vê-la como uma pessoa e não apenas uma viciada em compras.
"Sua vez, Bella!"
"Minha vez de que?" Perguntei alarmada.
Alice tinha um o familiar brilho levado nos olhos. "Eu quero saber sobe 6ª feira. O que está acontecendo entre você e esse Jacob que veio aqui? E o que aconteceu entre você e meu irmão?"
E então eu senti – essa súbita sensação de pertencimento e aceitação, e eu amava Alice por isso. Eu dei a ela um pequeno sorriso, e então comecei a contar a ela sobre a visita de Jacob na 6ª feira a tarde, saboreando a sensação de ter alguém com quem eu poderia conversar. Para não ficar de fora depois de ouvir que Jacob havia presenteado o bebê com histórias do passado dele e do meu, Alice sentou no chão à frente do sofá e descansou a cabeça na minha barriga.
"Agora, quando eu era pequena, seu papai costumava ser o príncipe e me resgatar do seu tio Emmett , o grande ogro malvado." Ela começou.
Eu sorri enquanto fechei meus olhos e escutei quando ela contava sobre sonhos, contos de fadas, cantigas de roda e mágica. Isso fez com que meu coração se sentisse mais leve do que havia se sentido em meses, e quando eu lentamente caí no sono, finalmente senti uma pequena sensação de paz.
N.t.: Twilight não nos pertence e essa fic é da GinnyW31, que também não criou Twilight. Só estamos traduzindo-a.
Saya traduziu esse, queridos! ;)
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Entãaaao... Tivemos um avanço né?!
Reviews e nos façam feliz, queridos! ;)
