Mudanças

"Eu posso dirigir sozinha, Alice." Disse cruzando um braço em frente ao meu peito e estendendo o outro à mulher irritante em frente a mim numa vã esperança que ela me desse minha chave, a qual tinha surrupiado da minha bancada antes mesmo de eu ter a chance de pegá-la essa manhã.

"Mas eu quero ir com você de qualquer jeito. Porque gastar gasolina com dois carros?"

"Não." Me sentia muito mais como uma criança de três anos de idade mimada do que como um adulto.

"Fala sério, Bella. Por favor?" Quando ela me olhava desse jeito – com seu lábio inferior num beicinho, seus olhos pra baixo e uma aparência de dar dó – eu tinha dificuldade de negá-la alguma coisa. Era obviamente uma expressão bastante praticada e cultivada. Alice trabalhava nisso a muito tempo.

"Sou uma mulher crescida, não uma criança que precisa ser escoltada pra todos os lugares."

"Mas eu quero ir com você pra sua consulta."

"É só uma consulta. Ela vai me dizer para voltar ao trabalho ou para ficar em casa e levantar meus pés por mais uma semana ou algo assim." Esperava que fosse realmente isso. Eu realmente não tinha desejo algum de passar o resto da minha gravidez deitada e brincando com meus dedos. Eu precisava estar ativa e ocupada.

"Só estou preocupada com você, Bella. Assim como todos os outros. E eu já prometi aos meus pais e Edward que iria com você."

"Oh, Alice," reclamei. Ainda que meu tom tenha aparentado que eu estava sendo uma criança chatinha, Alice sabia que tinha ganhado a discussão.

Enquanto estávamos indo pro carro, Alice disse, "Sinceramente, Bella, seria tão mais fácil se você acatasse minhas solicitações quando eu as fizesse."

"Você não solicita. Você demanda."

"Dá no mesmo," disse, acenando sua mão no ar antes de engatar a marcha e tirar o carro da vaga. "O ponto é que eu não te pressionaria nas coisas maiores, mas algo pequeno como isso..." Então pausou por um momento antes de acrescentar, "Mas se fosse algo sério..."

Apenas balancei minha cabeça enquanto sua voz diminuía, mas não podia evitar o sorriso pequeno que se formou em meus lábios pela maneira que Alice era persistente, cuidadosa, e inteiramente devota. Apesar de achar que se eu realmente batesse o pé pra alguma coisa, ela iria respeitar.

Depois de muito implorar e prometer que eu faria o mínimo possível, minha médica – deus a abençoe – me liberou pra trabalhar. Eu só tive que prometer que iria direto pro hospital se tivesse alguma cólica ou sangramento. E, como suspeitei, ela não me queria viajando pra lugar nenhum no Natal... Incluindo Flórida ou Forks. Esse foi o momento que desejei que Alice não estivesse na sala de exames comigo. A última coisa que queria era que ela começasse a ter idéias malucas pra eu passar o Natal consigo e sua família.

Depois das assegurações da Dra. Swanson, Alice me levou pro trabalho, onde me deixou e prometeu estar de volta pra me buscas as cinco da tarde. Eu ainda me sentia mal por ela ter que me buscar. Isso era uma viagem extra desnecessária, mas Alice tinha "esquecido" de empacotar seus pertences do meu apartamento, então clamava precisar voltar pra pega-los.

Sorri largamente para Monique, a recepcionista, quando entrei no escritório e fui diretamente pra mesa da Angela pra reafirmar pra ela que estava de volta.

"Srta. Swan," me cumprimentou com um sorriso apertado.

"Angela?" perguntei tentando estudar seu rosto.

"Sr. Newton está no seu escritório." Sua voz era quase um sussurro, e eu me percebi automaticamente me inclinando em sua direção.

"Mike?" estava confusa; sempre nos referíamos ao Mike como "Mike," nunca como Sr. Newton. Então eu comecei a andar e passar por ela.

Angela segurou meu braço e levantou para sussurrar no meu ouvido. "Jack veio de Phoenix nesse final de semana. Ele está com alguém no seu escritório, e ambos tem olhado alguns arquivos de contas."

"O que?" perguntei por entre os dentes.

"Perdemos a conta dos Dawson semana passada, Bella. Mike não queria que eu te contasse. Ele estava realmente preocupado e não queria aumentar o seu nível de estresse."

"Perdemos? Como?"

"Não sei. Ligaram na terça-feira e falaram com Mike, aí na quarta voltaram a ligar e disseram que iriam a outro lugar."

"O que o Jack está fazendo aqui?"

"Bella, gentileza sua finalmente aparecer," ouvi da direção do meu escritório. "Afinal de contas, isso é só uma empresa que vale muitos milhões de dólares. Por que em vida eu precisaria de um dos meus vice-presidentes para aparecer para trabalhar de vez em quando?"

Meu rosto endureceu antes que de eu forçar um sorriso pra encontrar o olhar severo do meu chefe. "Sr. Newton, que surpresa prazerosa," cumprimentei.

Imediatamente depois de chegar ao trabalho, me encontrei acompanhando o dono da empresa, Mike e meu "novo empregado" para almoçar.

Jack insistiu que Laurent trabalharia no meu escritório pelos próximos seis meses, afirmando que tem estado preocupado comigo uma vez que descobriu minha hospitalização, e ele decidiu que era hora dele contratar alguém pra tomar as rédeas quando eu não estivesse presente. Eu tentei explicar que não era necessário; Mike era mais do que qualificado pra fazer meu trabalho pelas poucas semanas que estaria fora. Entretanto, Jack discordava.

"Quanto tempo de licença maternidade você acha que vou poder pegar?" perguntei.

"Vou te pagar por quatro semanas, mas vou permitir que você se abstenha por mais tempo se precisar," Jack me informou.

Meus olhos se estreitaram enquanto eu tentava entender onde ele estava indo. Esse era o homem que tinha deixado bastante claro para mim da última vez que tinha visto-o que ele não acreditava que eu fosse capaz de fazer meu trabalho propriamente, enquanto estivesse grávida ou fosse uma mãe solteira. "Quatro semanas?" e o que diabos ele quis dizer com a palavra permitir?

"Já que vai ser depois do primeiro dia do ano, você vai ter duas semanas de férias. Adicione às cinco pessoais e dias de doença que tem acumulado, e então estarei te dando outra semana. Considere um presente." Ele soava como se estivesse me garantindo uma grande vantagem.

Eu balancei minha cabeça, mais do que um pouco confusa enquanto reconhecia que ele, de fato, estava me presenteando com aquilo. "Isso é muito gentil da sua parte."

Jack fez pouco caso disso, mas depois me olhou seriamente. "Com alguém com sua dedicação profissional e compromisso, eu não achei que você requereria uma folga maior do que essa. Afinal de contas, seria uma pena ter que colocar Laurent permanentemente em Seattle." Eu reconheci o aviso, e recebi a mensagem em alto e bom som.

Sabia que pela FMLA* poderia receber até doze semanas de folga. Não que eu já tivesse preenchido a papelada, mas somente porque isso não estava no topo da minha lista de prioridades. Era obvio que isso era algo que eu precisaria resolver logo.

Entretanto, eu conhecia Jack Newton a vários anos, e eu estava bastante ciente da maneira que trabalhava. Ele estava me pagando para eu tirar minha licença contanto que eu não pedisse muito tempo de folga, e eu não estava certa da minha opinião sobre isso. Também me fez pensar em quais outras coisas ele estava arquitetando ou fazendo contingências sobre, apesar do meu emprego.

Verdadeiramente eu não sabia quanto tempo eu queria de licença depois que o bebê tiver nascido. Já era suficientemente difícil pra mim, sequer compreender que um bebê é o resultado final de tudo o que tenho passado nos últimos meses.

"Por que Laurent está aqui então? Sem ofensas," adicionei rapidamente ao outro homem antes de continuar, "mas eu não vou ter o bebê até fevereiro."

"Isabella, você está ciente que perdeu uma conta de quatro milhões de dólares na semana passada?"

Mantendo minha cabeça em pé, respondi, "Estou." Me tomou todo meu autocontrole para segurar uma careta.

"Então eu acho que você sabe o motivo. Não podemos ter esse tipo de coisa acontecendo, especialmente com a economia da maneira que está agora."

"Não perdemos aquela conta porque eu estava no hospital." Ainda que eu estivesse tentando entender como aquela escorreu por nossos dedos. Não tínhamos combinado assinar contratos até essa semana. Eu ainda precisava falar com Angela para ver se a companhia tinha, talvez, ligado na semana passada e requerido algumas informações ou se só decidiram procurar outra rota.

"Deixe-me te perguntar então. Quando foi a última vez que você viajou para fora de Seattle para encontrar algum cliente ou um em potencial?"

Eu me encolhi minimamente. Isso era definitivamente parte da descrição do meu trabalho. Viagens. E não tinha feito muito isso desde que me mudei pra Seattle. Ao invés disso, tinha feitos vídeos e chamadas em conferência e e-mails. E, aparentemente, os clientes estavam satisfeitos. Entretanto, existe uma possibilidade deste ter sido o exato problema com a conta Dawson. A companhia estava localizada em Portland, e eu não estive lá pessoalmente desde outubro. Mesmo nesta época, só tinha encontrado-os como clientes em potencial.

Ficou aparente que Jack ainda esperava por uma resposta. "Estive em Olympia em novembro. Mas realmente não acho que isso seja importante."

"Como sabe? Já falou com eles?" Jack perguntou.

Encarei Mike quando respondi seu pai, por nenhuma razão exceto que se ele, pelo menos, tivesse me contado que algo estava acontecendo, eu estaria bem mais preparada pra inquisição e estaria capacitada pra fazer algum controle de danos. "Ainda não. É a primeira coisa na minha agenda para esta tarde."

"Não, não é. É a primeira coisa na agenda do Laurent. Ele já tem um vôo marcado para Portland nessa tarde. Vai encontrar os Dawson amanhã de manhã. Ele é um vendedor e negociante com habilidades, e que coloca essa firma e suas necessidades na frente de tudo."

Jack fez soar como se Laurent fosse mais qualificado do que eu e que estaria empurrando-o para fazer meus trabalhos, como se eu fosse preguiçosa. Eu. Trabalho pros Newton desde meu último ano de faculdade. Me disseram varias vezes que eu era uma das empregadas mais confiáveis e fiéis da firma. Diabos fui mandada para Seattle porque era a única mulher no escritório que não tinha ido pra cama com o filho do dono. E não só isso, eu era a única pessoa que conseguia mantê-lo na linha. E a única pessoa ciente que existia mais do Mike do que alguém com falas feitas idiotas, caixas de camisinhas, e doses de penicilina por precaução. Mas estava rapidamente ficando claro pra mim que minha importância pra companhia não era nem de perto o que achava que era. Eu era substituível, e meu substituto estava agora almoçando comigo.

Observei meu patrão de perto, e quem agora eu considerava seu empregado, por um momento até furar a salada – que nem lembrava de ter pedido - com meu garfo.

"Você não tem razões pra se sentir ameaçada por mim, Isabella," Laurent reassegurou num sotaque que pareceu francês. Obviamente, meus pensamentos estavam escritos no meu rosto.

Já sabia que Laurent tinha um diploma em Negócios e tinha acabado de receber um de Ciência da Computação, quando Jack o entrevistou há alguns meses atrás. Esse era o homem que Jack tinha, imediatamente, contratado logo depois que Mike e eu nos mudamos pra Seattle. Eu estava certa que esse era o homem o qual estávamos ouvindo rumores sobre. Nos poucos meses que ele estivera trabalhando pra Newton, tinha quebrado todos os meus records de venda.

"Por que eu me sentiria ameaçada? Isso é apenas um movimento para proteger a companhia," disse calmamente. Sim, por isso que a primeira coisa que Jack me disse quando cheguei no escritório hoje foi um comentário maldoso sobre eu não estar por perto quando foi preciso.

Enquanto o almoço continuava, eu sentia a dinâmica da mesa mudar. Era inquieta. Sentia umas vibrações vindas dos três homens que me fazia sentir como se eu não pertencesse aqui. Quando pensei anteriormente que existia uma possibilidade do meu trabalho estar em riscos, eu agora sabia que esse era o exato caso. A única pergunta era decidir o que fazer quanto a isso.

Por um momento, me perguntei se estava exagerando... fazendo mais do que o necessário... imaginando coisas. Mas por Deus, Mike estava me lançando olhares cheios de pena e preocupação! Se ele podia perceber a tensão no ar, então eu definitivamente não estava errada. Isso sem mencionar que a voz do Laurent era suave demais, ele era muito seguro de si, e já tinha seus lábios firmemente grudados na bunda do Jack para que eu pudesse confiar nele.

Quando nós quatro saímos, para retornar ao escritório, eu estava cansada. Nem sequer trabalhei direito, mas não queria nada além de voltar pro meu apartamento e dormir. E me preocupar com amanhã... bem, amanhã. Mas tinha trabalho a fazer. Precisava contactar os Dawson e ver se podia, ao menos, descobrir o motivo da escolha deles por não terem assinado conosco, antes que Laurent pisasse nos meus calos. De verdade, eu suspeitava que era por razões econômicas, mas tinha que ter certeza.

E tinha reuniões marcadas. Tinha planejado do Mike simplesmente assumir minhas atividades quando entrasse na licença maternidade – como os clientes já o conheciam, isso faria muito sentido -, mas agora eu teria que apresentar Laurent a eles e vice-versa. Eu precisava me certificar que meus clientes sentir-se-iam confortáveis com ele. Pelo menos teríamos algum tempo. Antes da reunião com Jack, considerei rapidamente antecipar meu pedido de férias para perto dos feriados, mas depois do almoço, decidi que verdadeiramente precisava disso. Sério, a folga me daria, provavelmente, meu último feriado sozinha. Além disso, se eu não usasse até o fim do ano, minha única opção seria comprar pela metade do seu valor.

Isso era assustador e triste pra contemplar. E antes que pudesse pensar muito nisso, resolvi ligar pro Charlie pra ver se ele viria me visitar ou me deixar ficar com ele nos feriados.

Enquanto passava pela sua mesa, pedi para Angela vir para meu escritório, para que pudéssemos trabalhar numa agenda boa para fazermos tudo o que precisava ser feito até o fim da semana.

Silenciosamente, percebi-me perguntando o motivo de eu ter, só há algumas horas atrás, ter estão feliz quando minha médica voltou a me liberar pra trabalhar.

~*~

Cumprindo suas palavras, Alice me buscou no trabalho naquela noite, mesmo tendo que, praticamente, me carregar de trás da minha mesa. Eu não queria sair; teve trabalho demais que eu negligenciei e isso precisava ser feito. Isso sem mencionar que ainda não queria o Sr. Newton ou Laurent achassem nenhuma outra razão pra me substituir. Então não me atrevi a sair do escritório sem uma pilha de arquivos e papéis pra trabalhar em casa.

Quando voltamos ao meu apartamento, Alice pediu comida chinesa pelo telefone, para o jantar. Esperava que ela entrasse e começasse a empacotar suas coisa pra que pudesse voltar pra casa, mas me lançou um olhar confuso.

"Bella, não vou a lugar algum. E se alguma coisa acontecesse no meio da noite e ninguém estivesse aqui pra você? Eu não posso simplesmente te deixar," insistiu.

"Vou ficar bem," disse tentando reassegurá-la. "Sou sozinha desde que deixei minha casa pra entrar na faculdade. Se algo acontecesse, eu te ligaria. Você me deu todos aqueles números. Tenho certeza que conseguiria achar alguém."

"Mas e se fosse uma emergência séria? E se você entrasse em trabalho de parto? Ou e se você voltasse a sangrar? Ou-"

Levantei minha mão pra pará-la. Realmente não precisava ouvir todos esses cenários horripilantes. "Vou ligar pra você. Prometo."

O rosto da Alice ficou carrancudo e ela bateu o pé no chão. "Mas como você espera que eu termine de decorar o quarto do meu sobrinho, se não estiver aqui?"

E agora sim estávamos no centro da sua racionalização, e eu não consegui evitar a risada abafada com a sua demonstração de teimosia. E decidi que isso era definitivamente um traço de família. Suspirei em resignação e Alice soube que eu estava prestes a ceder às suas demandas... novamente. Seu rosto iluminou como se fosse uma criança na manhã de Natal. Não pude negar aquela voz baixinha na minha cabeça que dizia que ela tinha uma certa razão. E também não pude ignorar a mais alta que dizia não querer mais ficar sozinha.

Me perguntei o que mudou em mim. Sempre fui sozinha, uma figura solitária num mar de pessoas. Eu gostava da minha independência, e praticamente me sentia convencida, por saber que não precisava de outras pessoas ao meu redor pra ser feliz. Agora, estava ficando mais dependente à interações humanas. Me pergunto se minha solidão imposta por mim mesma durante todos aqueles anos foi porque, na verdade, me sentia insegura comigo mesma ou porque estava com medo de me machucar.

Mesmo com meus relacionamentos passados… bem, obviamente, nenhum deles foi pra frente. E mesmo depois do meu término mais recente – a quase dois anos atrás – comecei a questionar minha habilidade de conseguir estar num relacionamento. Chris me chamou de frígida e distante, falou que eu era preocupada demais com meu próprio mundo pra ver, de verdade, as pessoas ao meu redor e conseguir me comprometer com outra pessoa. Na época, eu simplesmente acreditei que ele queria alguém pra tomar conta. A obediente e eficiente mulher de casa, que cozinharia e faria faxina enquanto ele estivesse trabalhando pra trazer o dinheiro pra casa e mimá-la com presentes caros o tempo inteiro. Uma mulher submissa.

Olhando pra trás conseguia enxergar que... talvez... eu estivesse errada. Possivelmente ele só queria que eu doasse um pouco de mim, exatamente como ele estava tentando me dar um pouco dele. Talvez eu fosse mesmo frígida e distante – auto-excluída das outras pessoas – pra realmente entender o que é necessário pra ter um relacionamento de sucesso.

Mas esse não era o problema com a Alice? Ela queria ser minha amiga e estava me carregando para sua família. Tudo o que eu tinha que fazer era aceitar o que estavam oferecendo. Em retorno, ela – e igualmente o resto deles – queria que eu os aceitasse na minha vida, permiti-los que façam parte da vida do meu filho. Quando me perguntei se realmente queria fazer aquilo, fui respondida internamente com um ressoante "sim."

Como resultado, parecia que eu tinha uma nova e temporariamente companheira de apartamento. Alice não disse por quanto tempo ficaria, e eu não iria perguntar – majoritariamente por medo da resposta que iria, provavelmente, receber. Mas não me surpreenderia se ela ficasse até, pelo menos, o bebê nascer e talvez até um pouquinho depois. E se eu pudesse impedi-la de redecorar o resto da casa, então duvido que vá me incomodar com sua estadia. Sua presença ajudaria a expulsar um pouco da solidão... porque percebi que era isso que ficava me importunando agora.

"Não pense que estou sendo controladora aqui," Alice começou cuidadosamente depois que terminamos o jantar.

Lutei contra a necessidade de rolar meus olhos, mas ainda estava impressionada que, do nada, ela ficou preocupada em aparentar ser controladora. "O que foi?"
"Bem, só queria ter certeza que você não vai ficar sozinha no Natal. Eu sei que a médica disse pra você não viajar, e não sei se sua família vai conseguir vir pra te visitar. Então, só gostaria que você soubesse que é bem-vinda a passar o feriado conosco. Não quero te pressionar, mas..."

"Obrigada, Alice, mas vou ligar pro meu pai e pedi-lo pra vir pra cá."

Ela concordou. "Bem, o convite está em aberto se algum imprevisto acontecer," ela disse enquanto levantava e começava a limpar a mesa. Depois se retirou e foi ligar pro Jasper.

Em resposta, liguei pro Charlie. Fui cuidadosa em como articulei minha resposta quando perguntou como estava passando. Não queria necessariamente mentir pra ele, mas também não sabia o quanto – ou nada – Jacob falou pra ele. Ficou rapidamente aparente que Jacob não tinha dado dicas a Charlie sobre minha estadia no hospital, e por isso estava agradecida. Entretanto, quando perguntei a Charlie seus planos pro Natal, ele disse: "Não se preocupe com seu velho agora, Bella. Sei que te dei chateações ao viajar pra ver a sua mãe nas suas condições, mas Sue me relembrou que você estava certa; se sua médica disse que você pode viajar, então tudo vai ficar bem. Já fiz planos com Sue. Vamos viajar pra Montana pra passar o feriado com a família da sua filha."

Não tive a coragem de dizer a ele que minha viagem pra Flórida foi cancelada por causa da minha condição médica. Todavia, estava um pouquinho mais ácida pelo fato que ele estava disposto a sair da sua preciosa Forks pela sua namorada, quando nem eu tive sucesso em faze-lo sair da sua cidade por mim. Mas eu segurei minha língua. Tínhamos feito alguns progressos e eu não queria voltar a maneira que éramos a um mês atrás. Além do mais, eu sabia que se tentasse culpar Charlie, ele mudaria seus planos pra passar o Natal comigo. Então eu me sentiria culpada e a tensão apenas cresceria entre nós dois.

Essa não era a maneira que queria passar o meu Natal.

Mais tarde, fiz planos de não mencionar à Alice que não teria planos pros feriados, com meu pai. Ainda não estava certa sobre o que pensava sobre passar o Natal com sua família e de verdade, depender do Edward. Ainda não sabia o que esperar do seu comportamento da próxima vez que o ver.

~*~

Morar com Alice não era, nem de perto, tão horrível quanto achei que seria. Admitidamente tinha decidido que, no geral, as coisas ficariam bem com ela por perto. Entretanto, aquilo não significava que eu não visualizava noites com filmes de mulherzinha, sorvete e sobras de refeições anteriores.

Felizmente nada disso aconteceu.

Alice ainda agia como minha motorista, mas percebendo que estava realmente ficando desconfortável sentar entre o assento do motorista e o volante do meu carro, permiti. Na verdade acho que ela insistiu nisso, porque depois do meu showzinho na segunda de noite quando tentou me tirar do escritório, ela estava, provavelmente, com medo que eu começasse a acampar lá.

Ela era uma ótima companhia, mas Alice também era boa em me dar espaço e privacidade, e eu era agradecida a ela por isso. Ela sabia que eu não era acostumada a ter alguém constantemente por perto, e não pressionava. Uma noite típica continha jantar – normalmente pedíamos comida pronta -, um pouco de conversa boba e então ela ligaria pro Jasper enquanto eu fazia algum trabalho em casa. Não foi até quinta-feira que ela desviou do que, repentinamente, tinha virado uma rotina nossa.

"O que você quer jantar hoje a noite?" perguntei a ela quando chegamos ao apartamento e começamos a procurar pela pilha de menus de restaurantes que ficavam na vizinhança.

"Na verdade, Bella, vou sair hoje a noite com o Jasper," ela disse, olhando pro chão e mexendo seus pés.

"Bem, isso é legal."

"Eu posso ficar, se quiser que eu fique." Ela se apressou a dizer.

"Não, não. Está tudo bem, Alice. Sério."

"Tem certeza?"

Eu bufei. "Você não se lembra da conversa que tivemos há alguns dias atrás? Estou sozinha desde muito tempo. Tenho certeza que vou conseguir sobreviver durante a noite só comigo mesma."

Alice sorriu e relaxou sua postura. "Ok, então vou me arrumar."

Eu concordei minha cabeça. Ela andou pro seu quarto e eu comecei a procurar pela cozinha algo pra comer no jantar.

Trinta minutos depois tinha comido uma pequena salada, sem clima nenhum pra comer algo diferente – ainda que eu me conhecesse suficientemente bem pra saber que ficaria faminta em algumas horas – e estava sentada no sofá, cercada por arquivos, papéis e meu computador.

Uma batida na porta retirou minha atenção dos papéis, e Alice saiu do seu quarto com um enorme sorriso em seu rosto.

"Tem certeza que você vai ficar bem, Bella?"

Dessa vez eu rolei meus olhos pra ela. "Estou bem, Alice. Vai se divertir."

Enquanto ela abria a porta, virei minha cabeça e vi Jasper. Ele rapidamente se inclinou e beijou suavemente Alice no rosto.

Quando Jasper olhou pra cima e inclinou sua cabeça na minha direção, ofereci a ele um aceno curto em resposta.

"Não me espere acordada!" Alice falou.

"Não vou. Te vejo amanhã," repliquei enquanto Alice fechava a porta atrás de si.

Balancei minha cabeça e virei minha atenção de volta pro trabalho. Estava tentando entender tudo. Ambos Laurent e Jack tinham ligado mais cedo naquele dia. Laurent vai voltar de Portland na próxima manhã. Ele tinha passado os últimos dois dias em reuniões com todos os clientes de Oregon que já tinha assinado conosco e aqueles que eram clientes em potencial. Na terça-feira ele tinha se encontrado com os Dawson. Então na quarta tinha viajado pra Salem e Eugene pra encontrar outros clientes que eu tinha lá. Quinta-feira passou em reuniões com clientes em Portland e então, finalmente fez os Dawson assinarem o contrato com as Corporações Newton.

Estava aliviada, é claro. A conta não estava perdida, afinal de contas. Entretanto ainda não sabia porque tinham desistido de nós na semana anterior. O que quer que tenha acontecido, parece que Laurent foi capaz de suavizar, e por isso estava agradecida. Apenas me preocupava com o que Jack falaria pra mim quando Laurent voltasse de Seattle. Essa era a razão por eu estar olhando, nesse momento, os arquivos, pra ter certeza que todos os pingos dos 'i' e traços dos 't' foram feitos.

Estava com essa sensação esquisita que nas próximas semanas, Laurent faria muito mais do que só fuxicar meus arquivos pra ver se algo requere sua atenção, como clamou na segunda-feira pela manhã. Na verdade, quanto mais pensava sobre isso, mais acreditava que ele e Jack examinariam tudo que fiz desde que mudei para Seattle.

Lá pelas 20:30, minha cabeça estava começando a latejar e as palavras nas páginas ficavam nadando juntas. Fechei o arquivo que estava lendo e joguei a caneta que usei pra fazer notas, na mesa. Descansando minha bochecha contra as costas do sofá, fechei meus olhos por um momento.

Vários minutos depois, estava praticamente dormindo quando alguém bateu na minha porta, fazendo-me pular de susto. Por um curto período imaginei que Alice tinha esquecido sua chave ou que talvez Angela ou Jacob tivessem decidido passar aqui. Entretanto, o fato de ser Edward parado em frente à minha porta, me deixou completamente confusa.

"Oi." Ele disse.

"Oi. O que está fazendo aqui?" perguntei friamente. Minha porta estava aberta, mas não fiz movimentação nenhuma pra convidá-lo a entrar. Essa era a primeira vez que estávamos totalmente coerentes e no mesmo quarto desde o Dia das Bruxas, e mesmo lá, as emoções nos envolvendo eram grandes demais pra serem julgadas. Sexta e sábado, ele estava praticamente dormindo quando falou comigo, e nas duas outras vezes antes disso, estive drogada com remédios pra dormir.

"Vim te levar pra jantar." E foi só aí que notei como estava vestido. Calça social marrom e uma jaqueta de couro da mesma cor que estava aberta, revelando uma blusa de botões azul e uma gravata. Levantei uma sobrancelha pra ele e olhei pras minhas próprias roupas... calça de yoga colada no corpo e uma camiseta extremamente larga. Ele gargalhou baixinho. "Você pode se trocar."

"Não. Eu não vou."

Aquilo fez ele parar, e seu sorriso sumiu. "Por que?"

"Primeiro de tudo, você não ligou. Segundo, nem me perguntou. E terceiro, estou cansada – não tenho intenção alguma de sair de casa hoje. Por deus, são praticamente nove da noite!"

Ele piscou seus olhos de mim pra porta várias vezes. "Posso, pelo menos, entrar por um minuto?"

Eu suspirei e fechei meus olhos por mim momento, debatendo minhas opções. "Tudo bem," finalmente disse enquanto abria a porta permitindo sua entrada. Depois de fechá-la e trancá-la, o guiei até a sala de estar e movimentei-me convidando-o a se sentar, não dando desculpa alguma pelas pilhas de papéis e laptop na mesinha de café. Sentei no sofá e olhei pra ele. "Então..." sugeri, irritada.

"Estive pensando um pouco, Bella," começou depois de respirar fundo. "Tenho sido bastante injusto com você, e gostaria de poder recomeçar."

Meus olhos se arregalaram em choque com suas palavras, e eu devo ter encarado ele por cinco minutos inteiros com minha boca abrindo e fechando, numa tentativa de formar palavras. Estava mesmo tentada a perguntar pra ele de qual planeta era e quando, exatamente, pegou o corpo do Edward. Isso certamente explicaria sua repentina mudança de humor e me permitiria reconciliar as diferenças. Ou, talvez, todo o seu excesso de trabalho e privação de sono tinham, finalmente, causado a ruína do resquício de sanidade; e esse era um Edward que estava indo pra ala psiquiátrica.

"Bella?" finalmente perguntou, tirando-me dos meus pensamentos; e eu fechei minha boca. Foi só aí que realmente olhei pra ele. Edward estava sentado na outra ponta do sofá, percorrendo seus dedos, nervosamente, por seu cabelo, mais uma vez. Por um curto momento, um pensamento esquisito passou por mim onde eu imaginei se ele se tornaria prematuramente careca por causa do hábito, mas eu engoli a retórica quando percebi que era simplesmente minha mente tentando evitar o assunto em mãos. Então, eu o encarei, pensando na sua sinceridade. Diabos, eu me pergunto se ele sequer entende o quão babaca tem sido. E o que foi, exatamente, que o fez pensar que aparecer na minha casa – sem ser anunciado, devo acrescentar – era a melhor maneira de pedir pra eu esquecer e aceitar recomeçar?

"E você está certa. Deveria ter ligado antes de vir."

"Sim. Você deveria," concordei, pelo menos achando a minha voz.

"Eu disse que falaria com você hoje," apontou.

Cerrei meus olhos a ele. Não existia possibilidade que ele pudesse jogar a culpa em cima de mim... especialmente por algo tão trivial. "Edward, como eu deveria saber que você manteria a sua palavra nisso? Você era praticamente um zumbi quando saiu daqui no sábado. Além do mais, não sei nada sobre você. Como poderia supor que você faria algo que disse que iria?"

Ele se encolheu e fez menção de levantar. Ele iria embora, eu podia dizer. A inclinação dos seus ombros, o ar de derrota. Quase me senti mal por ele e pela sua postura... quase.

"Você está certa."

"Claro que estou," disse com uma risada. Queria deixá-lo ir. Aquilo era o que a minha cabeça me dizia. A parte racional de mim estava gritando que ele já tinha me machucado – muito – e que se fosse-lhe dado a chance, faria de novo.

Mas... chances pelo que exatamente? O que esse cara queria de mim? Ele não estava sob a obrigação de fazer nada. Tinha feito de tudo pra deixar isso perfeitamente claro. E essa não foi a primeira vez que tinha feito uma tentativa de ser civilizado na última semana. Eu gemi e segurei minha cabeça por um momento; estava tão confusa que não era nem mais capaz de pensar claramente.

"Estou disposta a tentar te conhecer," disse antes que ele pudesse ter uma chance de sair. Olhei pra ele e notei que Edward ainda parecia estar incerto, como se estivesse passando por algum tipo de debate interno. "Então, quando foi que você notou que estava se comportando igual a um babaca?"

Edward soltou uma risada abafada, percorreu seus dedos pelo seu cabelo, e voltou a sentar. "Acho que sabia disso o tempo inteiro, mas..." ele suspirou.

"Mas?" disse depois que um minuto inteiro.

"Mas é... complicado."

"Claro que é," murmurei. Era a mesma barreira que tinha encontrada nele antes, então mudei a direção pra uma ainda mais tensa. "Não estou disposta a perdoar nem esquecer."

"Não espero que você o faça."

Ele me encarou por um momento, seus olhos verdes brilhando pelas luzes que vinham da televisão muda, e eu podia praticamente enxergar as perguntas correndo pela sua mente. Isso fez ele parecer muito como um garotinho pequeno e assustado, e meu coração estremeceu com um pouquinho de pena por ele. "Só quero conseguir confiar em você, Bella. E quero que você seja capaz de confiar em mim," adicionou.

Eu concordei. "Também quero isso," repliquei pesadamente. Escorando minha cabeça contra as costas do sofá e com uma das mãos repousada na minha barriga e a outra do meu lado, fechei meus olhos por um momento numa tentativa de lutar contra as emoções que estavam girando ao meu redor.

Confiança. Já tinha mencionado isso antes. Era uma palavra tão simples, mas ainda assim tão difícil de ser dada, tão fácil de ser desperdiçada. Ele foi um idiota, e eu ainda não sabia o motivo. Mas não era completamente inocente nisso também; olhando pra trás, tinham coisas que eu poderia ter feito diferente também. Se nada, aprendi que se voltasse a ser estúpida pra ter uma transa casual, então deveria manter o número de telefone do cara... mesmo que me irritasse com seus recadinhos insensíveis.

Sem mencionar que por várias vezes tentei me colocar no seu lugar. Se fosse ele, também teria pensado que eu era uma perseguidora. Merda, eu estava em todos os lugares. Uma série de eventos infelizes, emoções confusas, e um campo minado de falta de comunicação. Claro que tudo ocorreu horrivelmente errado. Tudo isso simplesmente provou que eu, literalmente, tenho tropeçado menos enquanto grávida, mas que isso não quer dizer que tenho mais sorte do que tinha antes.

Olhei pra ele por um momento antes de fechar meus olhos novamente. Com tudo que tinha acontecido entre nós dois, tinha que admitir que isso era um pouquinho melhor. Nenhum de nós estava gritando e a tensão era mínima.

Mas o que isso queria dizer? Quando essa coisa toda começou eu só queria fazer o certo, mas eu nem sabia mais o que isso era. Queria o que era melhor pro meu filho e pra mim. Antes, aquilo significava deixar Edward escolher o seu papel, mas ele tinha fugido de mim e me rejeitado tantas vezes. Tinha sido cruel e ofensivo. Queria proteger meu filho dessa dor. Não quero que meu filho tenha que sentir-se do jeito que me senti com seu próprio pai.

Era praticamente pior agora; sendo forçada a admitir que a dor que senti pelo meu pai poderia ter sido facilmente evitada.

Entretanto, me relembrei, decidi, meses atrás, que isso seria uma escolha do Edward.

Só precisava confiar que, independentemente da sua decisão, ele ficaria por perto. Não queria que ele escolhesse ir embora pra aparecer cinco anos depois tentando fazer o papel de 'papai'. E se ele escolhesse bancar o pai desde o início, queria que estivesse muito certo disso – que não decidiria que era demais ou muito difícil em cinco anos, deixando meu filho destruído.

"Você tem passado bem, Bella?" perguntou me retirando do devaneio.

"Um, é. Estou bem," respondi um pouco confusa que ele se preocuparia em perguntar.

Ele pareceu estar me olhando atentamente. "Estive preocupado."

O gelo que cobria meu coração quebrou ligeiramente. "Sério?"

Edward concordou. "Fiquei realmente feliz quando Alice ligou dizendo que você deixou ela mudar pra cá."

Eu bufei. "Alice praticamente me intimidou pra vir pra cá."

Seus olhos iluminaram-se com alegria enquanto se mexia pra ficar numa posição mais relaxada no sofá. "Bem, essa é Alice."

E com isso senti meu próprio sorriso. "Estou aprendendo isso."

"Ela nunca teve muitos amigos. Sua vida foi centrada basicamente no Jasper, e quando estava na faculdade em Milão, acho que basicamente se fechou pra todos."

"É, acho que é por aí mesmo." Ainda não estava certa sobre o motivo de ele ter escolhido essa linha de conversa. Como Jack, estava supondo que Edward sempre teve uma agenda pra seguir comigo.
"Bom, acho que é muito bom ela ter achado uma amiga de verdade. Ela fala muito bem de você."

Huh. Eu realmente não sei o que pensar sobre isso. Edward parecia... genuíno. Ele soou exatamente como um irmão mais velho que estava cuidando da sua irmã mais nova. Todas as coisas gentis que Esme, Alice, Kate e até mesmo Angela disseram sobre Edward nos últimos meses surgiram em minha mente, e pela primeira vez, eu achei que realmente pudesse ter verdade por trás dessas suas palavras.

Minha imagem mental do Edward foi construída e depois despedaçada, deixando-me vagas impressões de quem seria o verdadeiro homem. Mas as duas versões que criei em minha mente não pareciam poder coexistirem num só homem. E como eu poderia ter certeza que estava vendo o verdadeiro Edward?

Fé.

Me percebi voltando a isso. Fé e confiança eram equivalentes e um não poderia existir sem o outro.

Abrindo meus olhos e virando minha cabeça pro lado, o encarei. Seus olhos estavam focados solenemente na minha barriga. Eu notei uma ruga entre suas sobrancelhas enquanto ele encarava, mas o ódio e raiva que vi tantas vezes não estavam lá.

Ele me presenteou com sua oferta de paz ao tomar a atitude de vir me visitar... E não só isso, mas ao se manter educado e cordial. E eu precisava oferecer algo a ele em resposta. De uma maneira simples, precisava me abrir pra ele.

Me tomou um momento enquanto o olhava pra perceber o que ele estava realmente encarando... era o movimento. O bebê movia-se tão frequentemente que não era sempre que eu notava. Agora, entretanto, ele estava se movimentando tanto que minha barriga estava realmente mexendo.

"Ele é sempre ativo nesse período da noite," disse.

Edward me olhou e eu vi um pequeno sorriso agraciar sua fisionomia. Era o rosto de um homem que eu não conhecia, mas eu aceitaria esse, eu teria que aceitar. Me forcei a permanecer parada enquanto ele se movimentava no sofá até que estivesse sentado perto de mim.

Então, lenta e tentativamente... Edward esticou uma mão na minha direção. Seus olhos encontraram os meus, silenciosamente pedindo permissão pelo o contato, e eu baixei minha cabeça num suave aceno.

Meu coração disparou com a combinação de harmonia e dor quando senti sua mão quente roçando lentamente contra o tecido fino da minha blusa e depois, mais segura, pressionando contra minha barriga. O bebê sentiu a pressão e quase instantaneamente chutou de volta, e eu olhei pra ver um Edward completamente extasiado. Cuidadosamente, envolvi minha mão nas costas da sua e entrelacei seus dedos aos meus. Depois me percebi encarando diretamente os olhos do Edward, e ele sorriu.

Isso era um começo.

Seguramos o olhar do outro. Uma mistura de admiração e confusão no seu rosto que espelhava o meu, enquanto o bebê continuava a dar pequenas pancadinhas contra sua mão, saudando seu pai pela primeira vez.



*FMLA (Family and Medical Leave Act) - É a legislação trabalhista para casos de gravidez ou adoção. Com esta, a pessoa envolvida tem direito de 12 semanas de folga em qualquer período de 12 meses a partir do nascimento da criança ou do dia que a adoção for efetuada.

N.t.: Twilight não nos pertence e essa fic é da GinnyW31, que também não criou Twilight. Só estamos traduzindo-a.

Eu traduzi este, amados! ;)

Pra saber quando vai ter update dessa fic é só clicar em 'Add Story to Alert Story', que fica no canto esquerdo e embaixo na página! ;)

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Respirem... esse finalzinho foi tão 'own', né? Muito fofo! Estávamos precisando de um momento desse entre a Bella coração-de-pedra Swan e o Edward Babaca Cullen... Bem, eu estava! ;)

O que acharam?

em off: muita gente que lê essa fic, também lê as que eu escrevo (Entre o Amor e a Obrigação e O Poder da Submissão), portanto, nada mais justo do que usar um pouquinho do espaço deste update pra esclarecer o porquê do atraso.

Estou completamente focada no epílogo de EAO. Já tenho 8 páginas de PdS escritas, mas optei por terminar logo ela para assim, me focar de vez na PdS. EAO já tem quase 30 páginas de word e ainda está em andamento... Pra quem não viu, postei três spoilers do epílogo no meu twitter por esses dias e pretendo postar mais alguns até o dia da postagem. Assim que recomeçar PdS pretendo fazer a mesma coisa. Pra quem não viu os spoilers pode me add no twitter e pedir pra eu reenviar ou me envia uma pm com o mesmo pedido que vou mandar também. Ok?

Não vou pedir desculpas porque não me sinto nada culpada, mas vou apenas suplicar pra vocês não desistirem de mim. ;)

Beijocas, Lou.