Capítulo 15: Bolha de Sabão
Eu acordei levemente em alguma péssima hora da manhã com Edward dando tapinhas delicados em meu ombro.
"Eu só queria te avisar que estava saindo. Alice não voltou ontem a noite."
Eu assenti. "Eu vi você no sofá," Eu resmunguei grogue de sono. "Onde você está indo?"
"Eu tenho que trabalhar hoje."
Eu senti mais do que ouvi ele começando a se afastar para ir embora, procurei e segurei seu braço. O contato surpreendeu a nós dois. "Espere. Você não vai trabalhar amanhã vai?"
Na luz fraca do quarto, eu mal pude distinguir um sorriso fraco nos lábios dele. "Não, Bella. Eu não vou trabalhar amanhã."
"mm… udo bem" Eu respondi, largando sua mão e relaxando, começando a dormir imediatamente. "Vejo você amanhã."
"Bons sonhos, Bella."
Eu acordei novamente muito depois. Era o começo das minhas férias, e a única coisa que eu tinha que fazer era aparecer no escritório no final da tarde durante a pequena festa de Natal que Ângela tinha organizado. Enquanto isso, eu tinha algum tempo sozinha. Alice já havia me avisado de que trabalharia o dia inteiro.
Infelizmente, eu tinha algumas compras para fazer em algum momento do dia. Eu não havia planejado passar o natal com os Cullens, e não tinha nem considerado comprar presentes. Estava muito em cima para compras online como eu havia feito para minha própria família.
Eu tomei um banho e tomei café da manhã. Enquanto eu estava limpando a cozinha, meu celular tocou. Eu atendi para ouvir uma Alice animada do outro lado da linha.
"Bella! Você está em casa? Eu realmente espero que sim. Eu não esperava que eles ligassem tão rápido, mas quando Jasper deixou escapar o que ele vai me dar de Natal, eu sabia que teria que ter isso entregue agora, melhor do que semana que vem. As coisas vão estar muito agitadas semana que vem. Sabe? E certamente não seria bom esperar até muito mais. Tem muitas coisas que precisam ser feitas."
"Umm... Alice," Eu tentei interromper.
"Eu preciso ter tempo para arranjar as coisas então eu posso dizer as pessoas o que a gente precisa para o chá de panela. As coisas tem que encaixar, e eu preciso ter certeza de que a cama combina com os móveis. Você nunca pode afirmar realmente só pelas fotos."
"Alice"
"Você sabe como é isso, algumas vezes. O verniz no acabamento da madeira pode ser mais claro ou escuro do que você pretendia. E eu estou realmente preocupada com a cor da colcha, porque eu preciso ter certeza de que a pintura para o quarto combina. No entanto eu não estou tão preocupada com a cor exata tanto quando eu estou com o conjunto. E então tem as cores complementares. Essas são realmente onde está o potencial para problemas."
"Alice," Eu disse mais alto.
"Eu tenho essa sensação engraçada de que vai ser mais escuro do que o que eu pretendia, e nenhum bebê precisa de um berçário assustador. No entanto, eu suponho que hajam algumas outras coisas que eu possa fazer para iluminar o ambiente. É só que eu já contratei o pintor, e eu realmente queria que o mural ficas..."
"Alice!" Eu gritei, finalmente parando a sua tagarelice.
"O que foi?"
"Respira." Eu esperei um segundo. "Agora, o que é que você quer? Porque, até agora, você não me disse uma coisa sequer que fizesse sentido pra mim."
Eu ouvi Alice inspirar exageradamente fundo no telefone, e tive que engolir uma risada.
"Okay, os móveis pro berçário estão sendo entregues hoje. Eu precisava me certificar de que você vai estar aí para assinar a entrega."
"Você já comprou os móveis? Quando você ia me dizer isso?" Eu perguntei ficando irritada. Eu sabia que Alice estava planejando, ela estava constantemente desenhando e me mostrando nuances de cor. Ainda assim, pelas perguntas e coisas que ela vinha dizendo, eu imaginava que ela ainda estava na parte dos planos. Nós não tínhamos nem discutido o orçamento ainda.
"É claro que eu já comprei os móveis! O bebê nasce em... tipo o quê? Seis semanas?"
"Sete."
"Ótimo. Sete semanas. Isso não é muito tempo, Bella."
Eu suspirei.
"De qualquer forma, eles deviam entregar os móveis semana que vem. Me ligaram na segunda-feira porque já havia chegado, mas eles queria esperar até depois do Natal. Mas ontem a noite eu descobri o que Jasper vai me dar de Natal, então eu preciso dos móveis aí logo."
"Quando eles devem chegar aqui?" Eu perguntei, resignada.
"Em algum momento das onze às treze horas."
Eu olhei para o relógio. Eram quase dez e meia, e pela minha experiência com pessoal de entrega seria mais para treze horas do que para onze. Alice não estava me deixando muito tempo para ir fazer compras.
"Tudo bem." Eu disse com outro suspiro. "Tem mais alguma coisa que eu precise fazer?"
"Você só precisa estar aí para assinar. Só isso."
O pedido dela era relativamente indolor. "Okay, Alice. Eu vou estar aqui."
Ela terminou a chamada e eu fui me sentar no sofá com um livro para esperar a entrega.
Eu tinha acertado na minha suposição; o entregador da loja de móveis bateu a minha porta exatamente às 12:55. Eu estava esperando que eles trouxessem algumas caixas que eu poderia colocar no quarto de hóspedes.
Caixas caberiam empilhadas na parede. Elas ficariam fora do caminho. Elas teriam sido não descritas, e eu poderia facilmente ignorá-las.
O entregador parado a minha porta não tinha caixas.
Mas eu queria que tivesse.
Três homens entraram no que iria ser o berçário, empurraram a cama da Alice contra a parede, e começaram a montar os móveis. Tudo que eu pude fazer foi ficar ali em choque que gradativamente estava se transformando em terror. Quando eles finalmente terminaram de colocar o berço e a mesa, dois homens saíram e eu achei que eles tinham terminado.
"Aqui está a confirmação de entrega." Disse o terceiro homem, me entregando uma prancheta e uma caneta. "Eles estão trazendo o armário agora e a cadeira de balanço. Eu só preciso que você assine que recebeu tudo em boas condições."
Meus olhos percorreram a nota fiscal até chegar ao total, e então eu tive que me esforçar para o suspiro que saiu da minha garganta não virar um grito.
"Está tudo bem senhora?"
"Eu… eu não posso assinar isso," Eu disse, entregando a prancheta de volta para ele. "Você precisa levar tudo de volta. Não está certo."
"O que? Não, a moça que fez o pedido, Senhorita Cullen, foi bastante específica de que isto era o que ela queria. Móveis de berçário de mogno, feitos a mão." Ele leu das notas fiscais.
"Aí diz que isso custa mais de 21 mil dólares!" Eu gritei, não me importando em ser grossa.
Ele olhou às páginas novamente, obviamente confuso. "Esse valor realmente parece um tanto elevado," ele resmungou baixo. Depois de mais um momento, ele apontou para algo na página. "Aqui. Esse é o total para todos os 3 conjuntos de móveis. Nós não vamos entregar os outros até segunda-feira. A senhorita Cullen disse que esses podiam esperar. Você só precisa assinar por este conjunto." O homem circulou um outro valor, somente um terço do valor total.
Isso só me fez sentir um pouco melhor. Com certeza, eu tinha dinheiro guardado para algumas coisas, eu podia pagar o básico, mas eu nem tinha considerado gastar tanto dinheiro em apenas alguns móveis. E Alice ainda disse alguma coisa sobre contratar um pintor? Durante todo esse tempo, eu tinha imaginado que ela na verdade tinha usado o berçário como uma desculpa para se mudar pra cá. Eu pensei que ela estava fazendo projetos e talvez planejando dar uma mão de tinta na parede, colocar algumas cortinas e um berço. Berços eram realmente assim tão caros?
"Senhora, você está bem? Senhora?"
Foi quando eu ouvi a voz dele que percebi que estava hiperventilando. Eu tentei acalmar minha respiração antes que eu desmaiasse.
"Aqui, sente-se." Ele me ajudou a dar alguns passos para trás e sentar em algo duro. Quando eu me ajeitei levemente eu senti a cadeira se mover, eu engasguei novamente mas logo percebi que estava sentada na cadeira de balanço.
Eu nem havia notado que os outros dois homens tinham voltado e trazido a cadeira.
Depois de um telefonema para Alice, ela me disse para "aceitar a droga da entrega" e disse estar "afogada em trabalho" antes de desligar bruscamente, eu terminei assinando pelos móveis. Como sempre, com a prova bem debaixo do meu nariz de quão caro e do quanto Alice havia gasto, eu fiquei determinada a assinar um cheque para ela. Quando eu decidi isso, eu lembrei que mais alguém havia gasto uma quantia inominável de dinheiro em coisas para bebê há apenas alguns dias atrás.
Com a energia e determinação renovadas, fui procurar os recibos das compras do Edward para que pudesse reembolsá-lo também. Esse era o meu bebê. Eu era a única que decidiu mantê-lo, e tinha dito ao Edward, o tempo inteiro, que não queria e nem precisava do seu dinheiro.
~*~
"Você só pode estar de brincadeira comigo!" Alice gritou naquela tarde depois que chegou do trabalho.
"Olha pra mim, Alice. Você realmente acha que estou brincando?" continuei parada ali, segurando meu cheque para ela.
"Fique com o seu dinheiro. Tudo aquilo foi presente."
Estávamos tendo a mesma discussão pelos últimos vinte minutos. Eu tentava dar-lhe um cheque para pagar pelas exageradas mobílias que ela comprou sem me consultar – a mobília feita sob medida pelas especificações da Alice.
Não era como se eu pudesse devolvê-las.
Então ela começaria a insistir que eu nunca disse que ela precisaria da minha autorização para os assuntos relacionados ao quarto, e achou que tinha total controle. Ela tentou me convencer que nunca pretendeu me fazer pagar por nada, de qualquer forma. E então eu disse que nunca quis o dinheiro da sua família. Era a única coisa que não queria que acontecesse.
Foi um grande esclarecimento quando encontrei as notas fiscais do Edward. Tinha um cheque para ele no canto.
Tudo o que pude fazer foi balançar minha cabeça para Alice. "Não posso aceitar um presente destes para mim."
Ela bufou irritada. "Não é para você!"
Rolei meus olhos. "Semântica."
"Bella, eu não posso devolver isso, e não vou aceitar seu dinheiro."
"Por que você encomendaria algo assim, só pra início de conversa?"
"Porque meu sobrinho precisa do melhor que existir!"
"Você comprou três conjuntos! Isso é absurdamente ridículo!"
"Quero que ele fique confortável, não importa onde estiver dormindo!" ela gritou, acentuando seu ponto ao bater seu pé.
Neste preciso momento, ouvimos um barulho alto vindo do chão, e meus olhos arregalaram-se. Uma reclamação dos vizinhos dizendo que eu estava sendo escandalosa demais era, realmente, a última coisa que precisava. Respirando fundo num esforço de me acalmar, sentei à mesa da cozinha. Alice me seguiu.
"Olha, você gastou mais dinheiro neste bebê do que eu gastei no meu carro."
"Bem, tecnicamente, eu não comprei nada. Mamãe comprou."
"O quê?"
"Mamãe pagou por isso."
É claro que pagou. Suspirei. Então agora eu precisava encontrar uma maneira de dar o cheque à Esme.
"E nem pense em dar esse dinheiro à mamãe," Alice ralhou. Aparentemente ela era uma leitora de mentes, assim como adivinhadora de futuros. "Você a destruirá, Bella." Ela pausou por um minuto, estreitando seus olhos em contemplação e então inclinou-se na mesa na minha direção. "Além do mais, é só um empréstimo."
"Um empréstimo?" perguntei, relaxando levemente.
Seus olhos brilharam na luz e ela sorriu. "Sim. Um empréstimo. Quando meu sobrinho crescer, então o berço vai pra mim e Jasper ou Emmett e Rose."
Trazendo minhas mãos para a minha cabeça, fechei os olhos e comecei a massagear minhas têmporas. "Está legal. Você venceu," disse derrotada, enquanto abria meus olhos a observava o seu rosto alegre demais. "Sob três condições."
Foi a vez da Alice rolar seus olhos.
"Prometa que assim que meu filho crescer, você pegará a mobília de volta. Você concorda que pagarei por qualquer outra coisa que decida comprar para o quarto. Isso inclui o pintor. Finalmente, concordará que ficará fora quando eu for tratar disso com seu irmão, porque posso te garantir, eu vou reembolsá-lo."
Enquanto falava, Alice lentamente concordava com a cabeça. Ela abriu e fechou sua boca algumas vezes, mas majoritariamente conseguiu segurar a sua língua. Talvez ela finalmente estivesse reconhecendo o quão orgulhosa eu poderia ser e que esse era o melhor acordo que ela conseguiria. Finalmente ela estendeu sua mão na minha direção. "Combinado."
~*~
Eu estava nervosa, estressada e apreensiva.
Se fosse para eu ter problemas com a minha gravidez relacionados ao estresse, o dia do Natal seria o momento certo. As coisas seriam suficientemente estressantes ao passar um dia inteiro com a família da Alice e do Edward sem que eu precise ser admitida no hospital.
Sem pensar, bati na minha mesa de carvalho na esperança de preservar um pouquinho de sorte, ou ganhar alguma – qualquer um dos dois, tanto faz.
"Está pronta?" Alice perguntou, aparecendo no corredor.
Lentamente me levantei e olhei para as minhas roupas, puxei a simples camisa branca que estava debaixo do meu casaco para que não subisse e amassasse. "Talvez eu deva trocar de roupa."
Alice rolou seus olhos sem me lançar nada além de uma olhada acusatória. "Você está legal." Então ela pausou e voltou a me olhar. Inclinando sua cabeça para o lado, ela encarou por um momento. "Na verdade, você está mais do que legal. Você está verdadeiramente atraente. Eu gosto de vermelho em você."
Fiz uma careta. Na verdade, não achava que eu estava legal de modo algum. Mas eu possuía dois tipos de roupa que me serviam: as roupas de negócios, que eu usava todos os dias para trabalhar, ou as camisetas e calças de yoga que conseguia esticar pela minha estendida barriga, enquanto ficava sem fazer nada em casa. Eu preferia a segunda opção. Alice tinha me comprado o casaco de mangas três-quartos na noite anterior para mim, e eu tinha planejado ignorar ou me negar a usar. Entretanto, quando eu tive que me vestir para hoje, fiquei sem opções. Com o suéter, podia usar a camisa branca que normalmente usava para o trabalho com uma calça preta elástica que normalmente usava em casa. Acabou que o figurino tornou-se um ótimo cruzamento entre o casual e o fino.
O barulho da batida dos pés da Alice chamou minha atenção de volta ao presente. "Você está pronta?"
Respirando fundo, concordei com a cabeça, peguei duas sacolas com presentes e segui Alice para fora da porta.
Alice nos dirigiu até a casa. O carro do seu pai estivera num empréstimo infinito desde que ela passou a morar comigo. Ele era muito mais espaçoso do que o carro normal da Alice. Conversas, presentes e então jantar era o que nos esperava durante o dia. No entanto, Alice e Jasper sairiam antes do jantar ser servido para ir à casa dos pais dele, então Edward me traria de volta para casa. Os Cullens viviam do outro lado da cidade, e demoramos cerca de trinta minutos para chegar lá. Não tinha pensado nisso antes. A última vez que estive na casa deles foi no Dia das Bruxas quando levei Ashley até a casa deles e de Tanya.
Tanya, que estaria lá hoje.
Droga.
Tanya e sua perfeita recém-nascida.
Merda!
Já sabia que ela estaria lá, só tinha tentado evitar pensar sobre isso. Lutando contra a vontade de bufar, tentei aquietar meu estômago, que estava dando cambalhotas. Nem sabia como a olharia depois do nosso último encontro.
Alice me contou um pouco sobre a família dela na noite anterior, incluindo mais sobre Tanya. Ela e Mitch não eram casados, mas estavam juntos há mais ou menos quatro anos. Emmett e Rosalie só estavam juntos há dezoito meses. Alice disse que eles tinham um daqueles relacionamentos que caía a ficha no momento em que se conheciam. Ela comparou isso ao que sentiu pelo Jasper, apesar de ter demorado muito mais para ele apreciar o que aquilo era do que para ela – uma profunda conexão que tinha sido praticamente instantânea.
Então Alice começou a falar sobre as faíscas e sobre a verdadeira sensação de completude. Pessoalmente, eu achava que ela tinha lido livros de romance demais.
"Relaxa, Bella," Alice disse. "Todo mundo vai te amar. Você já conhece a maioria deles, de qualquer forma."
Com as suas palavras, respirei fundo e percebi que estávamos estacionando na garagem circular da casa. Meu coração parecia estar pronto para pular do meu peito. Ela está certa, me relembrei. Realmente conhecia a maioria deles. Talvez o que mais me preocupava era como Edward iria agir. Esperava que ele continuasse a ser gentil hoje.
Fechei forte meus olhos e tentei relaxar.
"Se você não entrar, todos esses médicos que estão dentro de casa vão pensar que existe um problema, e realmente não acho que você queira passar o resto do dia na ala de observação de obstetrícia ou unidade de parto. Posso quase certamente garantir que Edward vai atacar Maggie e insistir que mantenha você lá até o dia seguinte," Alice disse num tom provocativo seguido por uma gargalhada feminina.
"Está bem." Justo quando retirei meu cinto de segurança, minha porta foi aberta. Olhei para cima, surpresa por ver Edward parado ali, estendendo sua mão na minha direção. Ele tinha aquele mesmo sorriso torto que me deixou completamente incoerente há meses atrás, quando nos conhecemos.
"Feliz Natal, Bella," ele cumprimentou.
"Feliz Natal," depositei a minha mão na dele e o permiti me ajudar a sair do carro. Antes que pudesse me inclinar e pegar as sacolas de presentes, ele já as tinha em suas mãos.
"Vem, estamos todos esperando por você e pela Alice," ele disse, enquanto eu o seguia para a casa.
Olhando para trás, vi que Alice tinha ficado perto do carro. Ela estava positivamente radiante. "Vai ser um ótimo dia," ela disse, enquanto se afastava do carro.
Da varanda, notei que a sala de estar dos Cullen estava cheia de gente. Me lembrou daqueles feriados quando minha mãe e eu vivíamos com minha avó na Califórnia há alguns anos atrás. Aqueles feriados eram passados com a família da minha avó e as tias, tios e primos da minha mãe. Uma grande família. Onde tudo convergia para o caos e nada mais.
Eu odiava aqueles feriados.
Momentos depois de chegarmos na varanda, os braços da Esme estavam ao meu redor. "Oh, estou tão contente que esteja aqui!"
"Valeu, mãe. Amo você também," ouvi Alice dizer com uma bufada atrás de mim.
"Quieta, Alice. Eu só gosto mais da Bella."
Esme me soltou do abraço e moveu-se para a sua filha, dizendo que ela era a sua filha favorita e que ninguém poderia substituí-la. Ouvi Edward bufar ao meu lado e sorri para ele.
"Feliz Natal," disse uma voz alta atrás de mim e eu pulei suavemente em resposta.
Virei minha cabeça e observei todas as pessoas que acabaram de se aproximar de nós. Ainda que não tivéssemos sido formalmente apresentados, eu sabia quem o casal era, e estava quase certa que eles sabiam quem eu era, também. Eram os recém-casados.
"Bella," Edward disse, "Esse é meu irmão Emmett." Ele indicou o homem musculoso familiar de cabelos castanhos e cacheados. "E essa é sua esposa, Rosalie. Emmett, Rose, essa é a Bella."
Ofereci minha mão ao Emmett, que estava mais próximo de mim, mas ele não aceitou. Gritei surpresa quando ele andou os dois passos até mim e me envolveu nos seus braços, levantando-me do chão no processo.
"Emmett, ponha-a no chão. Ela está grávida," Esme ralhou.
"Oh. Me desculpe," ele disse sorrindo para mim, enquanto me colocava gentilmente no chão e suavizava seu aperto. "Só estou empolgado por finalmente te conhecer, Bella."
Não consegui evitar o meu sorriso para ele. Meus olhos então vagaram para encontrar o olhar de sua esposa, e os cantos da minha boca despencaram. Era evidente que Rosalie não estava tão contente em me conhecer quanto seu marido. Tentando ser amigável, estendi uma mão à ela. Ela me olhou de cima a baixo com uma clara expressão de desdém. Acho que foi somente a audiência assistindo nossa interação que a fez apertar a minha mão brevemente, apesar de mal ter me tocado - e seu rosto portava uma carranca como se ela tivesse acabado de beber sangue à força. Quando soltou a minha mão, ela se virou sem uma palavra e andou para sentar no sofá ao lado de uma mulher loira que eu reconheci imediatamente.
Meus olhos encontraram os de Edward, mas ele apenas balançou a cabeça e me guiou para a sala de estar. Respirei profundamente para me consolidar, e Edward riu. "Não vai ser tão ruim assim," ele sussurrou na minha orelha ao colocar um braço em volta de mim. Eu nem tive tempo de me sentir desconfortável com o gesto antes que Kate me colocasse em seu abraço.
"Estou tão feliz em te ver," ela falou. "Estava com saudades."
"Também estava com saudades de você, Kate," eu disse honestamente.
Ela me levou até o outro sofá. "As últimas semanas têm sido uma loucura pra você, eu sei. Alice tem feito um bom trabalho em nos manter informados sobre tudo."
Dartei um olhar ameaçador para Alice.
"Me desculpe por não ter ligado."
"Não se desculpe," eu lhe assegurei. "Eu estou bem. Apenas, como você disse, muito ocupada."
Ela se inclinou e apertou a minha mão. "Está tudo bem com o bebê?" Ela perguntou suavemente.
Eu assenti. "Contanto que eu não faça muito de qualquer coisa. Mas pelo menos eu voltei a trabalhar."
"Que bom. Fico contente por isso."
"Srta. Bella! Srta. Bella!" gritou Ashley ao entrar na sala correndo, deslizando sobre o piso de madeira em seus pés vestidos de meias. Eu tinha certeza que ela escorregaria e abriria a cabeça.
"Ashley, desacelere e ande," seu pai repreendeu. Aparentemente, eu não era a única preocupada.
"Desculpe, papai," ela falou em voz baixa. Ashley pareceu envergonhada e com remorso ao andar o resto do caminho até chegar a mim no sofá.
A garotinha me abraçou, o que me fez sorrir. Em seguida, ela olhou para baixo e colocou as mãos na minha barriga. Estava obviamente muito maior do que da última vez que ela me vira no Dia das Bruxas. "Srta. Bella, você vai ter um bebê que nem a minha tia Tanya?"
Eu ouvi os protestos que começaram a vir de Kate, Esme, e Garrett, mas rolei meus olhos para eles. Ela era pequena, e eu apreciava o fato de eles estarem com receio que ela dissesse algo rude ou que isso fosse me ofender, mas eu sinceramente não me importava. Entretanto, antes que eu pudesse responder à ela, Edward apareceu do meu lado. Ele me entregou uma grande caneca e sentou-se perto de mim.
"Sim, Ashley. A Srta. Bella e eu vamos ter um bebê."
Eu não sabia muito bem como reagir à isso. Lancei um olhar questionador para Edward. E quando meus olhos dartearam pela sala, eu reparei Esme e Alice estavam praticamente quicando juntas em seus assentos. Carlisle, a quem eu não havia notado ali antes, estava sorrindo cheio de orgulho para seu filho, e Rosalie parecia tão enojada quanto quando tinha sido forçada a me cumprimentar. Ambos Emmett e Jasper pareciam discretamente entretidos. Garrett e um outro homem de cabelo castanho claro, quem eu apenas podia deduzir que era Mitch, estavam parados em um canto à parte. Mitch piscou o olho para Edward. Tanya pareceu indiferente; nem contente nem aborrecida pelas palavras de Edward, seus olhos estavam focados na sua filha recém-nascida, a qual ela tinha acabado de pegar do moisés¹ a seus pés.
Enquanto isso, Ashley ainda estava na minha frente, soltando gritinhos e pulando para cima e para baixo. Edward se inclinou e a pegou para colocá-la em seu colo. Eu trouxe a caneca em minhas mãos até o meu nariz. Era cidra quente de maçã. O cheiro me lembrava casa e conforto. Inalei o familiar aroma e tomei um gole, focando todos os meus pensamentos e energia no sorver da bebida picante e deixando seu calor me relaxar. Bem ali, no meio da sala de estar de Esme e Carlisle, com outras trezes pessoas, eu me senti segura, aquecida e contente.
As pessoas conversaram entre si depois disso, e eu felizmente deixei de ser o centro das atenções. Tanya agraciou a todos com histórias sobre seu bebê. Aparentemente, Kirsten já tinha uma rotina e dormia pelo menos seis horas fixas por noite. A criança mamava a cada três horas durante o tempo em que ficava acordada e ficava deitada quieta em seu carrinho enquanto Tanya fazia coisas pela casa.
Ela tinha apenas duas semanas de idade.
Me deu ânsia de vômito. Eu não tinha muito conhecimento sobre bebês, mas conhecia o suficiente para saber que não era normal que eles dormissem a noite toda ou que ficassem quietos ao serem colocados para deitar em seus carrinhos antes que fossem um pouco mais velhos. Quando minha irmã nasceu, minha mãe me ligava aos prantos, chorando sobre o que ela chamava de "As Seis Semanas de Inferno".
Obviamente, Tanya não estava passando por nada assim. Eu alegaria que ela só podia estar mentindo, mas seu namorado estava sentado do seu lado e confirmava tudo que Tanya dizia. Ambos os pais pareciam felizes, bem-dispostos, asseados, saudáveis, e descansados. Tudo o que eu sempre ouvia dizer que eram coisas raras para pais de primeira viagem. Senti um misto de esperança e pessimismo com isso. Esperança de que havia uma possibilidade que as coisas ficassem bem para mim depois que o meu bebê nascesse. Pessimismo porque isso me fez sentir como se as expectativas em cima de mim tivessem aumentado. Esses eram os passos de alguém a serem seguidos, e eu tinha certeza de que todos estariam esperando que eu alcançasse o patamar dela... e eu sentia que iria cair antes mesmo de chegar lá.
Rosalie, sentada perto de Tanya, assentia a cabeça para quase tudo que Tanya dizia, e vez ou outra intervia com pequenos comentários sobre coisas que ela tinha lido e perguntas ocasionais. Ficou óbvio para mim que ela estava fazendo anotações mentais sobre a experiência materna de Tanya.
Edward se inclinou na minha direção e sussurrou em meu ouvido, dizendo que ter um filho era algo que Rose queria fazer imediatamente, e que a família inteira estava esperando que ela e Emmett retornassem da lua de mel com um pronunciamento. Já tinham se passado três meses desde o casamento, e nenhuma novidade de gravidez tinha vindo da parte deles.
Depois de quase uma hora, Alice anunciou que era hora dos presentes, e Ashley saltou do colo de Edward. Eu fiquei mesmo surpresa que ela tenha ficado quieta e sentada por tanto tempo, mas era evidente que ela o adorava. Ele era meigo com ela, e me lembrava de quando ela o alimentou de bolinho no Halloween. Edward com lascas de cobertura cor de rosa no rosto era uma recordação muito mais doce do que tinha sido toda aquela noite.
Mesmo depois da minha discussão com Alice na noite anterior sobre o preço da mobília do quarto do bebê ser mais do que caro, eu não estava preparada para a tendência à gastar demais dos Cullen. Eu falsamente tinha presumido que Alice era a única que fazia aquisições excessivas.
Eu estava imensamente enganada.
Todos os Cullen tinham essa mesma inclinação, o que não seria tão grave, exceto que agora eles tinham transferido esse hábito de gastar dinheiro comigo.
Eu tinha esperado por presentes de Esme e Alice, e possivelmente até mesmo da família de Kate. No entanto, eu não esperava uma coisa vinda de cada um. E nem havia pensado que os presentes que eu receberia seriam qualquer coisa além de uma roupinha para o bebê ou uma blusa nova. Algo simples. A generosidade deles me fez parecer sovina e mal agradecida - pelo menos eu tinha certeza que era assim que eles me viam.
Roupas, livros, e cartões de presente. A única coisa que eu ganhei para o bebê tinha vindo de Tanya e do namorado; eles me deram uma pequena manta azul. Ironicamente, era a exata manta que eu tinha comprado para eles, só que na cor rosa. Alice me deu um vale-presente do spa para o qual ela tem tentado me arrastar há meses, e me informou que nós tínhamos um atendimento lá marcado para a quarta-feira pela manhã. Edward foi quem mais me surpreendeu. Ele e Alice tinham combinado, e ele tinha agendado uma sessão com um fotógrafo na quarta na parte da tarde.
Aparentemente, fotos de barrigas grávidas eram uma coisa "imprescindível" a fazer. Pareceu bobo para mim, mas eu não deixei de notar que essa era mais uma maneira de Edward me dizer que ele tinha aceitado a nossa situação.
Eu dei presentes "seguros" para as pessoas. Nada pessoal; eu não conhecia todo mundo muito bem a esse ponto, e por isso eu me baseei totalmente nas recomendações de Alice. E de modo geral, tudo saiu bem. No entanto, Rosalie fez uma careta para as velas que eu dei para ela e Emmett, apesar de ser uma coisa que Alice me confiara ser o presente favorito de Rosalie. Tanya foi surpreendentemente gentil e chegou a rir ao abrir o embrulho da manta de bebê, o que me deixou confusa até que eu abrisse o meu.
Para Edward, bem, eu tinha um cartão para ele na minha bolsa, e concluí que lhe entregaria quando ele me levasse para casa.
Assim que Alice e Kate começaram a andar pela sala, catando do chão os papéis de embrulho, fitas, e caixas vazias, Mitch se levantou e limpou a garganta.
"Eu tenho mais uma coisa aqui," ele falou. Ele parecia estar tentando esconder um enorme sorriso. Em seguida ele se virou para Tanya, e se ajoelhou em uma perna, bem do jeito como eu já tinha visto antes centenas de vezes nos filmes de romance. Tanya já estava com lágrimas se formando em seus olhos.
Ele pegou as mãos dela. "Tanya, você é a luz da minha vida, os raios de sol do meu dia, as estrelas da minha noite. E agora, você é também a mãe da minha filha. Como eu poderia não querer passar o resto da minha vida com você ao meu lado? Por favor, me dê a honra de ser minha esposa."
Alice estava rolando os olhos, e eu sabia que ela estava lutando contra o impulso de rir quando Mitch retirou a pequena caixa preta do anel de detrás da almofada do sofá.
É claro que ela disse sim. E naturalmente, todos comemoraram e ofereceram suas congratulações.
Pouco tempo depois, eu pedi licença para usar o toalete. O banheiro de visitas ficava no final de um corredor longe da sala. Esme me guiou até lá, mas eu não prestei muita atenção e quando estava voltando, os pensamentos sobre os récem-noivos estavam vagando pela minha cabeça. A relação de Tanya e Mitch não tinha absolutamente nada que me dissesse respeito. A questão era que eu apenas não conseguia evitar olhar para eles e me sentir um tanto quanto carente. Perdida em meus devaneios, acabei passando além das portas que levariam à sala.
"Eu entendo que a palavra 'gentil' não exista em seu vocabulário, mas você vai ter que introduzi-la nele bem rápido," eu ouvi a voz de Edward disparar para alguém.
Não houve nenhuma resposta de quem quer que fosse a pessoa que estava conversando com ele, e eu fiquei dividida entre dar meia volta e procurar pela saída para a sala de estar ou ficar para ver se eu conseguia ouvir mais. Eu sabia que era errado escutar a conversa dos outros às escondidas. De verdade, eu sabia. Porém eu tinha bastante certeza de que o quer que isso fosse, tinha a algo a ver comigo. Além do mais, eu tinha que admitir que a ideia de Edward realmente me defendendo... bem, isso sim era uma grande coisa.
Ainda assim, era melhor que eu saísse. Eu me virei para voltar ao corredor e mal ouvi a voz dele de novo. "Só porque você teve dificuldade em se ajustar à essa família, não significa que você tenha que tornar isso difícil pra ela."
Sim, definitivamente era sobre mim. Eu me perguntei quem seria a pessoa que estaria conversando com ele e concluí que deveria ser ou Tanya ou Rosalie. Em todo caso, isso não importava. A única coisa que importava era a reação de Edward, e eu tinha que admitir que estava agradavelmente surpresa.
Apertei o passo e achei a porta para a sala. Andando o mais rápido que a minha barriga de grávida permitia, eu fiz o caminho de volta para o sofá, ainda me indagando com quem Edward estivera falando. Esme e Alice estavam sentadas ali conversando, mas assim que eu me sentei, Esme pediu licença para ir ajudar Kate com o jantar na cozinha.
"Onde está todo mundo?" Perguntei à Alice.
Alice se recostou no sofá e começou a tamborilar os dedos ao responder, "Kate, mamãe, e papai estão preparando o jantar. Tanya foi para o quarto de hóspedes amamentar a filha. Jasper, Emmett, Garrett, e Mitch desceram para a sala de jogos para jogar Rock Band, e Ashley foi junto para assistir. Ahn... Edward teve que ligar para o hospital pra checar um paciente, e... eu não sei onde Rose está. Ela provavelmente desceu também com os rapazes."
Eu assenti e me levantei. Eu não podia simplesmente ficar sentada na sala de estar enquanto as pessoas estavam fazendo outras coisas, então fui até a cozinha. Pelo menos eu sabia onde ficava esse cômodo desde a minha primeira visita à casa.
Sentia-me como se a minha vida estivesse agradavelmente residindo dentro de uma bolha de sabão. Uma linda bolha, para ser exata, e muito mais preferível do que o inferno virtual que tinha sido as duas últimas semanas anteriores. No entanto, o problema das bolhas de sabão é que elas são frágeis demais e sempre se quebram, não importa o que você faça para tentar preservá-las. Tudo se resumia ao fato de eu não saber como administrar esse "novo" Edward. Ele era a minha bolha de sabão, e eu me indagava o quão grande seria a explosão quando a bolha estourasse.
Não demorou muito para que eu entendesse que eu era um estorvo muito maior do que uma ajuda na cozinha. Esme e Kate foram gentis, mas ficaram constantemente tentando me fazer sentar em um dos bancos da bancada central, para que eu pudesse descansar. Enquanto eu estive lá, elas passaram um tempo muito maior tentando me forçar a comer alguma coisa e enchendo a minha caneca de cidra do que fazendo suas tarefas. Elas insistiram que Carlisle já estava no caminho delas pois ele era bastante específico com a maneira certa de se cozinhar um tender.
Após a quinta vez que Esme me mandou voltar para a sala, eu cedi. Passei pela sala de jantar para ver se talvez eu pudesse pôr a mesa, mas ela já tinha sido posta. Com um suspiro, voltei para a sala de estar. Edward tinha retornado e estava sentado no sofá ao lado de Tanya. Ele estava sorrindo, e ela tinha acabado de colocar o bebê nos braços dele.
"Bella," Tanya chamou quando eu olhei para ela.
Retribuí sua saudação com um pequeno sorriso.
"Sente-se," Edward falou sorrindo, e meneando a cabeça em direção ao local ao lado dele no sofá.
Depois de dois segundos de debate interno sobre se seria melhor eu sentar ao seu lado ou do outro lado do sofá, escolhi pelo local que ele havia indicado.
"Essa é a minha sobrinha, Kirsten," ele falou orgulhoso, a virando em minha direção para que eu pudesse ver o rostinho sonolento dela.
"Ela é uma graça. Tem duas semanas de idade, certo?"
Ele assentiu.
"Aposto que você está ficando animada," Tanya falou.
"Ahn... É, acho que sim."
Ela comprimiu os olhos levemente, e linhas formaram-se em sua testa.
"Eu só não tive muito tempo de pensar sobre isso, na verdade. Está tudo acontecendo muito mais rápido do que eu esperava," expliquei.
Suas feições relaxaram. "Sim, eu compreendo completamente isso. Até mesmo agora, é como se eu estivesse vivendo em um nevoeiro."
"Eu pensei que você tivesse dito que ela dormia bem durante a noite." Eu não estava tentando ser grossa ou chamá-la de mentirosa, mas assim que eu falei as palavras, tive certeza de que foi assim que ela as recebeu.
Ao invés disso, Tanya me surpreendeu, mais uma vez. "Sim, ela dorme. Ela é incrivelmente fácil de cuidar, mas isso não significa que nós não tivemos que fazer ajustes enormes nas nossas vidas." Ela se recostou no sofá um pouco. "Sinceramente, se não fosse por Mitch, eu não saberia como sobreviver." Ela então olhou intensamente para mim. "Bella, até mesmo um bebê fácil de se cuidar é uma grande responsabilidade."
As palavras dela caíram pesadamente sobre mim. "É, tem muitas coisas que eu estou aprendendo rápido." Eu olhei para a bebê nos braços de Edward e senti um nó começando a se formar em meu peito. Ele parecia tão confortável segurando ela e eu estava hipnotizada por aquilo. "Eu não tenho a mínima noção de nada," adicionei em um quase sussurro.
Notei Edward me dando um rápido olhar de contemplação enquanto Tanya se inclinou para frente e ergueu uma sobrancelha. "Do quê, por exemplo?" Ela inquiriu.
Eu odiava admitir isso. Isso era uma fraqueza, e essas eram as últimas pessoas que eu queria que soubessem sobre a minha incompetência quando o assunto era cuidar de um bebê. No entanto, ambos tinham me escutado. Inspirando profundamente, eu respondi, "De nada, como eu disse. Eu não sei como alimentar um bebê ou como trocar uma fralda. Eu não faço ideia de como dar banho neles ou de como instalar uma cadeirinha de carro adequadamente." Olhei para Edward ao falar a última parte, e ele sorriu para mim.
"Mas você não costumava ser babá quando era mais nova, ou algo assim?"
Lentamente, eu balancei a cabeça. "Não de uma criança menor do que quatro anos." Então eu suspirei. "Eu nunca nem segurei um bebê antes."
Era um fato horrível de ter que admitir.
"Nunca?" Ela perguntou, incrédula.
"Minha irmã tinha quase um ano de idade quando eu a segurei pela primeira vez, e foi só porque ela andou até a mim e subiu no meu colo."
Os dois riram.
"Bem, não existe hora melhor do que o agora," Edward falou. Eu percebi um pouco tarde demais que ele já estava passando sua sobrinha para mim.
Meu coração estava martelando em meu peito quando ele pôs a pequenina bebê cor de rosa em meus braços. Kirsten começou a se retorcer por conta da movimentação e fez pequenos ruídos. Eu olhei para Edward, ligeiramente apavorada de que ela fosse começar a chorar. Seu sorriso cresceu enquanto ele movia meus braços ao redor da criança para que eu a segurasse com mais firmeza na junção do meu antebraço. Kristen imediatamente virou a cabeça na direção do meu peito e se ajeitou no local, deitando a cabeça ali.
"Viu?" Edward falou. "Você nasceu pra isso."
Me inclinando no braço do sofá, eu ajustei um pouco o bebê nos meus braços e continuei a observá-la, me sentindo gradualmente mais relaxada à medida que os segundos passavam. Olhei de novo para Edward e lhe ofereci um pequeno sorriso; seus olhos verdes brilharam em retorno. Em seguida ele deu um discreto sobressalto.
"Desculpe," murmurou ele ao retirar o celular do bolso. Edward olhou para a tela, e seus olhos instantaneamente ficaram sombrios. "Volto já." Ele levantou rapidamente e se apressou para chegar à porta que levava ao corredor da parte de trás da casa, atendendo seu telefone assim que a porta fechou.
Olhei para Tanya, e ela balançou a cabeça para mim. "Deve ter sido só aquele paciente com o qual ele estava preocupado mais cedo."
"Ah." Nós duas ficamos em silêncio por alguns minutos, e eu estava ficando mais e mais desconfortável de estar sentada lá na companhia dela.
Tanya claramente sentiu a minha tensão também. "Olha, Bella, eu quero me desculpar pela maneira como nos conhecemos."
"Eu... bem, eu não exatamente culpo você. As coisas estavam uma tremenda bagunça naquela época."
Ela riu com um bufar. Era quase hilário ver uma mulher que se portava tão bem rindo daquele jeito. "E as coisas estão melhores agora?" Ela perguntou cautelosamente.
"Acho que sim. Não sei," respondi honestamente.
"Eu entendo o que quer dizer. Eu nunca passei pelo que você passou, mas Edward e eu somos próximos um do outro. Sempre fomos, e eu sei como ele tem se comportado. Eu conheço o bom, o ruim, e o muito, muito feio dele. Ele está muito mais tranquilo agora do que esteve em meses. Fico contente que você dois pareçam ter chegado a um tipo de entendimento."
"Eu não sei exatamente como isso aconteceu. Estou só esperando alguma coisa dar errado."
Tanya sorriu. "Isso é racional. Mas você não devia gastar todo o seu tempo se preocupando com isso. Você devia aproveitar o resto da sua gravidez e se preparar para as mudanças que estão por se instaurar na sua vida."
Eu não sabia como reagir àquilo. Essa mulher, quem me fez ficar inquieta nos últimos dois dias por ter que reencontrá-la, estava sendo gentil e me oferecendo um conselho. Por um momento, isso me fez questionar se de fato Tanya tinha sido a pessoa que conversava com Edward mais cedo, e se talvez ela estivesse apenas tentando acatar ao pedido dele. Mas não importava o quanto eu tentasse, eu não consegui ouvir nem o mínimo traço de insinceridade em suas palavras. "Me desculpe, também," eu finalmente falei após vários silenciosos minutos onde os únicos sons audíveis eram os pequenos suspiros da recém-nascida. "Meu comportamento na sua casa não foi exatamente o meu melhor."
Ela deu de ombros. "Você estava lidando com as coisas da melhor forma que podia. São tudo águas passadas."
"Ok, estamos saindo!" Ouvi Alice gritar animada do saguão.
"Agora, essa garota," ela falou, balançando a cabeça. "Eu não sei como você aguenta esse tanto de energia saltitando pela sua casa."
Nós duas rimos enquanto eu entregava Kirsten de volta para a mãe dela. Em seguida, eu me levantei do sofá para dar tchau à Alice.
Alice me deu um abraço e um beijo na bochecha antes de me dizer que ela chegaria tarde em casa e que eu não me preocupasse em ficar acordada esperando. Revirei os olhos. Se a noite terminasse do mesmo jeito como as diversas últimas, Alice não retornaria até depois de meia noite, e não havia nenhuma preocupação sobre eu ficar acordada ou sozinha esperando já que seu irmão certamente não sairia de lá até que ela chegasse.
Logo depois que Alice e Jasper partiram, Esme e Kate chamaram todos à mesa para o jantar. Andei na direção da sala de jantar, ouvindo Emmett perguntar, "Onde está Edward?"
"Ele está falando no celular. Eu preciso lavar as mãos. Vou procurá-lo," ofereci.
Quando saí do banheiro, segui para onde eu tinha ouvido a voz de Edward mais cedo hoje. Cheguei ao final do corredor, onde a porta estava fechada. Eu pude ouvir suaves murmúrios vindos do outro lado. Sem saber se eu deveria bater ou apenas entrar, esperei um momento e então virei a maçaneta silenciosamente antes de abrir somente uma fresta da porta.
Ter aberto a porta provou ser altamente desnecessário quando as próximas palavras que saíram da boca de Edward vieram aos berros. "Eu não ligo para o que isso implica! Eu quero que ela suma! Não vou permitir alguém como ela vir aqui e destruir a minha família!"
Meus olhos encheram de lágrimas no mesmo instante enquanto eu me esforçava para respirar. Meu coração martelava acelerado em meu peito, e eu me virei para a direita e corri o mais rápido que meu corpo terrivelmente fora de seu eixo conseguia. Ao alcançar a porta para a sala, escancarei-a e mal tinha entrado lá quando ouvi uma outra porta batendo.
"Bella, qual o problema?" quase não ouvi a voz preocupada de Esme, enquanto ela andava até mim e colocava um braço sobre meus ombros, começando a me guiar de volta para a porcaria dos sofás.
Comecei a empurrá-la para longe de mim antes que ela pudesse me fazer sentar de novo, mas ela despencou o braço sozinho na mesma hora em que eu senti o cabelo na minha nuca eriçar. Virando minha cabeça, vi Edward passando enfurecido por nós duas, indo na direção do rol de entrada.
"Edward, espera! O que está acontecendo?" Esme perguntou, andando até ele. Ela dartou o olhar para mim e depois para o filho, preocupada e confusa, mas ele jamais retribuiu seu olhar. Era como se ele estivesse completamente desligado de todo o resto ao redor dele.
A bolha definitivamente tinha estourado, e tinha sido um estrondo tão alto quanto eu já esperava.
Tendo ouvido Esme, Carlisle saiu da sala de jantar, e interceptou Edward assim que ele abriu a porta da frente. Diversas palavras murmuradas e ditas depressa foram proferidas entre os dois antes que Edward soltasse seu braço da mão de Carlisle, saindo porta afora.
Custou toda a força que restava dentro de mim para que eu conseguisse não desmoronar. A dor e a rejeição latejavam mais fortes do que nunca. Eu já tinha começado a me sentir confortável com a nossa situação e realmente comecei a pensar que as coisas estariam se resolvendo.
E agora acontece isso.
Carlisle entrou na sala e olhou de Esme para mim. Quando ele falou, sua voz estava calma e serena. "Bella, Edward teve que resolver umas coisas. Ele volta já."
Balancei a cabeça veementemente. "Não. Não vou ficar aqui nem mais um minuto. Preciso sair daqui."
Carlisle assentiu lentamente. "Apenas deixe-me pegar minhas chaves. Eu te levo para casa." Esme o seguiu.
Ainda tremendo, eu andei até o cabideiro e peguei minha bolsa e meu casaco. Antes que eu pudesse esquecer, peguei o envelope com o nome de Edward e o coloquei sobre a pequena mesa de quina. Respirei lentamente várias vezes, tentando abaixar o meu nível de ansiedade e sequei as duas trilhas úmidas em minhas bochechas.
"Você está pronta?" Carlisle perguntou calmamente um momento depois.
Assenti.
Esme veio até mim e me deu um abraço. "Shh. Tudo vai ficar bem," ela falou suavemente na minha orelha, e eu queria apenas gritar na cara dela e dizer que ela estava completamente insana se achava que uma coisa dessas sequer fosse possível agora. Mas da mesma forma como fiz antes, eu mantive minha boca calada e permiti que ela tentasse me acalmar. Quando me soltou, ela colocou suas mãos uma de cada lado das minhas bochechas e secou minhas lágrimas com seus dedões. Eu vi suas próprias bochechas molhadas e entendi que ela também estava chateada pela repentina mudança de rumo dos acontecimentos. E eu senti a súbita necessidade de aliviar suas preocupações.
"Obrigada. Não é culpa sua se seu filho é um imbecil," eu falei, em voz baixa.
Ela olhou para mim, seus olhos cheios de confusão. Seu olhar moveu-se então para trás de mim, onde Carlisle estava parado, e lhe deu um rápido aceno de cabeça. "Dirija com cuidado," ela falou para ele. Em seguida, ela olhou de volta para mim. "E eu falo com você amanhã, querida."
"Por favor, não. Eu não... eu não posso..."
Esme acariciou minha bochecha de leve. "Carlisle irá falar com você." Em um gesto bastante maternal, ela beijou minha testa antes de se afastar.
"Ahn... ali," comecei, apontando para o envelope na mesa, "aquilo é pro seu filho." Eu era tão patética; nem conseguia pronunciar o nome dele em voz alta.
"Eu o entregarei quando ele voltar. Agora vá."
Ainda com meu estômago revirado, me forcei a ignorar todos os outros olhos curiosos que agora observavam da sala de jantar e da entrada da cozinha. Me virei e segui Carlisle para fora da porta e para longe da casa da família Cullen, na qual eu tinha certeza que seria pela última vez.
¹http://lh3(ponto)ggpht(ponto)com/_0jIAWTbDsLQ/S2NK5G6XWqI/AAAAAAAAADM/2hvkocfof80/s400/moises(ponto)jpg
(substituam o '(ponto)' por um ponto final. lol)
Twilight não nos pertence e essa fic é da GinnyW31; só estamos traduzindo-a.
~Dany_Cury é a nossa beta linda e SUPER eficiente! :) A tradução desse capítulo foi MUITO bizarra. Começou com a ~MayraDih, o meio foi meu e o final foi traduzido pela ~Oh_Carol (que também traduz uma fanfic em inglês. Estando com tempo vão ler. Lógico, depois que lerem La mia Bella donna - minha fic nova! lol)
Entãaao... Problemas mais uma vez né? As vezes eu me pergunto como a Bella ainda não teve um aborto por causa do stress... A situação é tão 'vermelha' que sempre que ela começa a se sentir mal eu fico agoniada. O que vocês acharam deste capítulo? Com quem vocês imaginam que Edward tenha explodido? Novamente com a Bella? Vamos lá, lindas! Eu quero ouvir as teorias!!
Eu copiei o trecho do Edward segurando a mão da Bella pra ajudá-la a sair do carro, e colei no twitter. A GinnyW31 (autora da fic) quase morreu quando viu! Ficou toda boba e nós passamos um tempão conversando sobre a fanfic. Tenho uma notícia MUITO boa: ela está fazendo um outtake super fofinho! ^^
Como anunciei - e com o consentimento das meninas que traduzem comigo - vou fazer uma propagandinha pequena. A La mia Bella donna (nova fanfic - está postada aqui no meu perfil do mesmo) está participando num projeto de fanfics, onde ela concorre com outras diversas. Queria que vocês dessem uma bizoiada...
Vou colocar um resuminho aqui pequeno, ok?;)
"Como uma pessoa que não aceita bem críticas vai se portar quando, diante dele, a primeira mulher que o fez se auto-avaliar volta a cruzar seu caminho?
Edward é um Chef renomado na culinária italiana e possui um passado que o persegue.
Bella é uma professora universitária de literatura que foi recém-contratada para trabalhar como crítica de culinária.
Duas pessoas nada parecidas, mas ao mesmo tempo completamente conectadas vão, subitamente, se reencontrar."
Beijos e me desculpem pela nota de autor gigantesca! Simplesmente não consigo fechar a boca! hehehehehe
Não esqueçam de dizer o que acharam. ;)
Lou.
