É um capítulo MUITO curto mesmo. Digamos que é um bônus. O próximo é maiorzinho, prometo.
Ah, pra quem quer saber quanto falta pra terminar, tirando esse, tem mais três capítulos. As coisas tendem a ficar mais Jisbon depois desse.
Acho que vocês vão gostar de saber como a Kristina acaba.
Cap. 16 – Seis eixos.
Jane largou a arma e, calmamente, foi até o corpo que caíra, completamente inerte. Arrancou a máscara.
E seu coração foi perfurado por um milhão de agulhas de gelo.
Era Lisbon. Uma armadilha de Red John, para que a matasse.
Ela não se mexia, não reagia a nada. Em seu abdômen, muito sangue, como se tivesse sido esfaqueada.
Jane se pôs a chorar. Abraçou-a desesperadamente, como se pudesse prender sua vida em seu corpo se a segurasse forte.
Olhou em seus olhos. E percebeu que se mexiam. Ela chorava. Estava viva, mas não tinha reação nenhuma em seu corpo. Pensou na possibilidade dela estar tetraplégica. Buscou o celular dela no bolso de sua calça e ligou para a ambulância.
O tiro havia acertado seu ombro. Ele deu graças por não ter a habilidade que ela tinha com uma arma na mão, caso contrário teria explodido seus miolos.
Após aproximadamente dez minutos, paramédicos chegaram. Eles também não entenderam por que ela não reagia, apesar de ter pulsação, mesmo que extremamente fraca.
Imobilizaram-na e a prenderam numa maca. Jane os acompanhou até lá em baixo, com as pernas bambas, o coração batendo sem ritmo, os olhos inundados de lágrimas de forma que mal conseguia enxergar. Mas a olhava nos olhos. A única forma de saber o que estava sentindo. E podia ver dor. Podia ver tristeza. No olhar de Lisbon cabia o brilho da mais profunda rendição. E lá no fundo, quase inexistente e se apagando a cada passo que os paramédicos davam, havia o alívio e a felicidade por Jane estar vivo e bem.
Em determinado momento, passando pelo hall de entrada do hotel, ela soltou uma última lágrima, antes de fechar os olhos lentamente. Rendeu-se à escuridão que queria tanto abraçá-la, pouco antes de entrar na ambulância. Os paramédicos começaram a tentar reanimá-la com desfibriladores e a única coisa que impedia seu corpo de arquear dolorosamente com os choques era a placa de imobilização. Se não existissem, sua cabeça agora penderia para os lados, sem controle próprio, mole e inerte.
Fecharam a porta do veículo. Jane ficou para fora, com as mãos na cabeça e coração na boca. Suas mãos tremiam violentamente. Sentia a circulação dos membros interromperem com o choque de pânico. Era sua culpa, sua tão grande culpa. Disparara uma arma contra Lisbon. Permitiu que tudo isso acontecesse. Se ela morrer, talvez já não haja incentivo algum para que ele mesmo continue vivendo. Soube resistir e continuar em frente quando sua mulher e filha foram mortas. Mas dessa vez não sabia se conseguiria.
Olhou ao redor, tentando se localizar, para buscar seu carro e ir até o hospital, seguindo a ambulância.
Viu que havia alguém além de Kristina lá dentro.
Alguém que pareceu mexer em alguma coisa nos pedais.
O que essa pessoa havia feito foi colocar uma trava no acelerador.
O Citroën de Jane, com isso, começou a se movimentar. A pessoa saiu do carro em movimento e correu, sumindo na multidão que havia se formado ao redor do prédio, graças às viaturas e ambulâncias.
O carro, em altíssima velocidade, passou por Jane, e só foi parar no segundo cruzamento, em que o farol estava vermelho. Ele pôde ver Kristina batendo no vidro traseiro, gritando por ajuda. Mas era tarde demais. Um caminhão de seis eixos cruzou a pista, por cima do carro.
Não sobrara nada. Nem Kristina, nem Citroën, nem o filho que ela esperava.
Como eu disse, micro capítulo.
Mas pelo menos eu esmigalhei a Kristina.
Sem nenhum remorço, dik.
Mas pensei na cena da Lisbon entrando numa ambulância sendo reanimada e chorei –q
