Capítulo 19: Franjas

Era igualmente bom e ruim voltar a trabalhar na sexta-feira de manhã. Edward tinha telefonado do hospital na noite anterior e me perguntado se eu precisava que ele viesse me levar ao trabalho. Foi gentil, mas não importa o quanto eu detestasse dirigir com a bola de praia no lugar da minha barriga, de forma alguma eu teria uma pessoa que não dormiu a noite inteira me levando a lugar nenhum. Ainda assim, Edward estava planejando passar no meu apartamento para jantar quando ele terminasse as consultas. Eu não fazia ideia do que queria dizer "consultas". Quando perguntei, ele disse que iria atender pacientes no consultório. Eu não tinha a mínima ideia de que ele tinha um consultório.

Eu me pergunte o quão séria Alice tinha sido quando ela disse que os únicos momentos em que Edward sairia seriam quando ele tivesse que trabalhar ou quando eu o expulsasse.

"Bom dia Srta. Swan."

"Bom dia Monique" Eu respondi a recepcionista quando passei pela mesa dela. Angela estava em sua respectiva mesa falando no telefone. Eu larguei um pacote de arquivos das reuniões que tivemos durante a semana passada em sua mesa. Ela sorriu e sussurrou "Eu já vou."

Era esquisito estar de volta a minha sala. Eu já havia me ausentado antes. Tinha sido apenas algumas semanas antes, quando eu estive no hospital, mas agora eu me sentia verdadeiramente estranha mediante meu retorno. A sala estava fria e parecia quase estéril. Pela primeira vez desde que comecei a trabalhar, eu não queria estar ali. Eu queria estar em casa, mesmo que eu não soubesse mesmo o que fazer por lá também.

Eu senti essa compulsão estranha de ir pra casa e deixar as coisas prontas pro bebê. De ir ao quarto de hóspedes e olhar o que Alice tinha feito e passar o dia limpando o armário e organizando as coisas que eu tinha e me desfazer daquelas que eu não precisava mais. Me perguntei se essa era a tal compulsão por "cuidar do ninho" da qual eu tinha ouvido falar. O que quer que isso fosse, eu sentia como se fosse uma coceira que tivesse que ser coçada de repente e que não havia quantidade de trabalho no escritório que satisfizesse isso.

Apenas alguns minutos se passaram enquanto eu situava minhas coisas e ligava o computador antes que Angela entrasse.

"Isso vai ajudar." Ela disse andando até minha mesa e colocando o copo da Starbucks acima.

"Obrigada." Eu disse tomando um gole do meu chá. "Então, o que eu perdi?"

Angela se sentou a minha frente e puxou sua planilha. "Bem, você está informada de quase tudo." E então ela começou a listar os planos para o dia e direções que ela tinha para que eu seguisse pelo decorrer da próxima semana.

"E você ouviu alguma coisa sobre o Bill McIntyre?" Eu perguntei, quase com medo de ouvir a resposta.

"Não. Ele ainda não retornou minhas ligações." Ela disse com o rosto sério.

"Irritando a clientela?" Veio uma voz da porta.

Eu fechei o rosto. "Não te diz respeito."

Eu observei Laurent quando ele entrou na minha sala, seu queixo firme, sua cabeça erguida e ele tinha esse gingado prepotente que me fazia querer vomitar. Confiança parecia emanar dele em ondas. Era intimidante demais. "Eu acho que me diz respeito. Eu falei com Jack na terça..." Ele deixou sua voz ir sumindo e as palavras ficarem no ar entre nós.

Os olhos de Angela dispararam entre Laurent e eu como se ela tivesse assistindo a um intenso jogo de vôlei, enquanto Laurent continuava a me encarar na expectativa. Eu me recusei a ceder. Se ele tinha algo a me dizer, então que dissesse de uma vez; eu não estava no clima para joguinhos.

"Ou você diz o que tem pra dizer, ou saia."

Ele semicerrou os olhos e me encarou.

"Você devia estar ciente de que mudanças estão para acontecer por aqui. Você apenas precisa estar preparada." Depois do seu comentário que não dizia absolutamente nada surpreendente, ele se virou e saiu da minha sala. Lá se tinha ido a postura prepotente apenas para ser substituído pelo que poderia ser descrito como uma tempestade.

"Você sabe onde ele quer chegar?" Perguntei a minha secretária.

"Não".

Eu suspirei e comecei a massagear minhas têmporas. Eu estava no escritório a exatamente quinze minutos e já tinha uma dor de cabeça vindo.

"Telefone para o Jack e passe pra mim por favor."

"Agora mesmo" ela respondeu enquanto saia depressa da sala.

Meu telefonema com o Sr. Newton acabou sendo tão inútil quanto a maioria das minhas conversas com ele tinham sido ultimamente. Ele dificilmente dizia alguma coisa, enquanto eu soava mais como uma criança manhosa do que uma relações públicas.

E a coisa que estava me aborrecendo principalmente era que minha incapacidade de ir as reuniões que eu marcava ou assinar novos contratos estava provando exatamente as teorias arcaicas de Jack sobre mulheres grávidas.

Idiotice.

O resto do meu dia continuou a passar com a velocidade de uma tartaruga bêbada e minha dor de cabeça tinha conseguido apenas aumentar de intensidade na hora em que eu estava pronta pra guardar minhas coisas e sair no fim do dia. Eu estava contente e irritada ao mesmo tempo pela minha decisão de voltar a trabalhar numa sexta-feira. Por um lado, meu dia tinha valido por cinco, e por outro lado tinham tantas coisas que eu ainda precisava fazer que eu definitivamente me beneficiaria com tempo a mais. E, infelizmente, tinham algumas coisas que somente poderiam ser resolvidas de 9 as 17, de segunda a sexta, em dias úteis.

Angela colocou a cabeça pela fresta da porta da minha sala um pouco depois das 18. "Todo mundo já saiu. Você já está indo?"

"Sim. Você pode ir. Eu vou ficar mais uns minutos."

Ela entrou mais na sala. "De jeito nenhum. Estou sob ordens estritas de não deixar você sozinha aqui." Angela tinha um sorriso bem parecido com o que Alice geralmente mostrava quando ela estava prestes a conseguir alguma coisa.

Eu bati com os papeis que segurava na mesa, mais alto do que eu pretendia. "Me diga Angela, quando as pessoas vão parar de tomar conta de mim como um bebê pirracento de dois anos de idade e não como a adulta que eu sou?"

Os olhos dela se arregalaram conforme as palavras saíam da minha boca com um tom venenoso eu instantaneamente me arrependi.

"Me desculpe, eu…"

"Esquece isso Bella" Angela disse baixinho, mas seus olhos não saíram do ponto no chão onde estavam fixados.

"Eu estou cansada. Estressada. E minha cabeça parece que está presa por uma corda com um taco de madeira marretando minha têmpora direita. Eu..."

Angela bufou e olhou para cima. "Eu sei."

"Eu realmente sinto muito."

"Eu sei disso também. Eu só queria que você soubesse que todos nós nos importamos com você."

"Eu entendo isso. Eu só não quero ter babás e ser mimada. É desnecessário e irritante."

Com um suspiro, os olhos de Angela voltaram para o chão, olhando atentamente enquanto ela arrastava os pés. "É justo."

Eu sabia que ela estava escondendo alguma coisa, mas eu não tinha a energia para chamar atenção dela para o fato. Enquanto ela não dissesse que estava exagerando comigo... eu tentaria ao máximo segurar minha língua.

"Eu preciso de só mais um minuto."

Ela assentiu e saiu da sala, mas eu sabia que ela não tinha ido pra casa.

Eram quinze pras sete quando eu entrei no corredor para o meu apartamento. Como eu tinha previsto, Angela ficou até eu sair, mas nenhuma de nós disse uma palavra sobre isso. Uma pequena parcela de culpa tinha se instalado no meu estômago quando eu pensei sobre o que havia dito para ela mais cedo, mas eu tentei ao máximo deixar isso de lado. Pelo menos eu tinha o fim de semana pra focar em outras coisas.

Eu dobrei no final do corredor e parei mediante do que eu vi. Sentado no chão e encostado na parede, vestido em jeans, uma camiseta e sua jaqueta de couro estava Edward. Seus olhos estavam fechados e sua cabeça tombada estranhamente para um lado, seu cabelo mais bagunçado do que o normal. Ele parecia estar dormindo, e eu fiquei imediatamente irritada. Sim, ele disse que ia vir pra jantar, mas eu não tinha tido mais notícias dele. E porque diabos ele estaria sentado do lado de fora da minha porta, praticamente dormindo no corredor? Eu tinha tido um dia longo. Tudo que eu queria era entrar em casa, tomar alguma coisa pra dor de cabeça e ir pra cama.

Seus olhos se abriram quando eu coloquei a chave na porta.

"Oi" Ele disse grogue.

"O que você tá fazendo sentado aqui fora?"

"Eu estava esperando você chegar em casa."

"Você podia ter ligado." Eu disparei enquanto abria a porta.

Ele rapidamente se levantou e me seguiu para dentro de casa. "Eu liguei. Eu estava começando a ficar preocupado."

"Eu tenho certeza de que Angela tranqüilizou você. Falando nisso, eu agradeceria se você não dissesse as pessoas que trabalham comigo que elas tem que ficar a minha volta tomando conta de mim... especialmente fora do horário de trabalho." Eu fui até a mesa de jantar e coloquei minhas coisas ali antes de voltar para a cozinha. Edward continuou parado no corredor, com a minha porta escancarada atrás dele. Eu o fuzilei com o olhar e ele rapidamente fechou a porta e andou em minha direção.

"Eu não liguei pra Angela. E do que você está falando?" O tom dele tinha o mesmo nível de irritação que o meu.

Eu abri um armário, peguei um copo e enchi de água da pia. "Eu sou um adulto Edward. Eu não preciso de uma babá. Você não deveria estar dormindo ou coisa assim?" Tomando um gole de água, eu me recostei na bancada e fechei meus olhos por um instante, não realmente me importando se Edward responderia minha pergunta ou não.

"Eu saí do trabalho as duas, então eu dormi até as cinco e vim pra cá." Eu ouvi ele abrindo e fechando um armário e depois ouvi a geladeira abrindo. "E desde que você trouxe o assunto a tona, eu não preciso de gente fiscalizando minha rotina de sono." Ele adicionou amargamente.

Mantendo meus olhos fechados, eu respirei fundo e lentamente. Inspire pelo nariz, expire pela boca, eu recitei pra mim mesma. "Touché. Mas ainda assim você devia ter ligado," murmurei antes de abrir os olhos e me afastar da bancada somente para abrir outro armário e começar a remexer nos remédios.

"Eu estou dizendo, eu liguei. Seu celular ficava me mandando pra caixa postal."

Virando minha cabeça para olhar para ele, eu notei que Edward parecia tão miserável quanto eu estava me sentindo. A profunda palidez da sua pele e os círculos escuros embaixo dos olhos dele era um sinal claro de que ele não tinha dormido muito. Eu duvidava seriamente de que ele tivesse dormido as três horas que havia dito. "Me desculpe. Eu não ouvi tocar."

Edward segurou a ponte do nariz, fechou os olhos e suspirou alto antes de abrir os olhos e olhar pra mim. Sua expressão estava subitamente mais relaxada. "O que foi isso sobre babás?"

Eu me virei e comecei a olhar os frascos de novo. "Angela se recusou a sair do escritório até eu ir embora. Ela disse que tinha prometido não me deixar sozinha." Achando o que eu estava procurando eu peguei o frasco e o abri. "É idiota, sério."

"Eu não disse a ela pra ser sua babá. De verdade. Mas eu tenho que admitir que acho que você não devia ficar sozinha no escritório."

Eu disparei meu olhar pra ele e peguei dois comprimidos.

"Pense sobre a última vez em que você ficou no escritório até mais tarde. Você teve que ser levada para o hospital ele disse. Então pegou o frasco da minha mão. "O que você tá tomando?"

"Eu estou com dor de cabeça."

Edward pegou as pílulas da minha mão antes que eu pudesse tomá-las.

"Hei! Minha médica me receitou esses comprimidos!"

"Sim, ela receitou." Ele disparou enquanto jogava os dois comprimidos na pia e apontava para o rótulo. "Ela receitou isso em setembro. Você sabia que tem aspirina nisso?"

Eu apertei meus olhos confusa, mas eu ainda estava com raiva por ele ter tomado as coisas da minha mão e tentar me dizer o que eu podia ou não fazer. "O que isso tem a ver?"

"Aspirina dificulta a coagulação do sangue. O que não é algo que você quer no seu sistema sanguíneo, especialmente desde que você já teve problemas de sangramento e talvez tenha que fazer uma cesariana. Isso pode trazer uma complicação Bella!"

E exatamente assim, eu me senti como se tivesse sido estapeada. Eu fiz a única coisa que eu podia no momento – Eu me virei pra longe dele e comecei a chorar, com lágrimas profundas e grandes soluços. "Eu não sabia," Eu consegui engasgar.

Em segundos, eu senti braços quentes e reconfortantes a minha volta por detrás. "Shh," Edward consolou no meu ouvido enquanto ele me trazia para o seu peito. "Está tudo bem."

Nós ficamos nessa posição por um longo tempo enquanto eu chorava as lágrimas de frustração que eu tinha acumulado durante o dia. Em um determinado ponto, Edward me virou de forma que meu rosto estava enterrado em seu peito enquanto ele continua a sussurrar palavras tranqüilizantes. Não tinha sido só o remédio que havia me chateado.

Eu tinha me chateado provavelmente porque ele estava certo sobre o remédio. Assim como Angela estava certa sobre não me deixar sozinha. E isso me deixou com ainda mais raiva de mim mesma por não ser completamente competente ou capaz o suficiente para tomar conta de mim mesma. Era apenas um bebê. Como as coisas poderiam ficar assim estressantes e bagunçadas antes mesmo que ele nascesse? E quanto mais próxima ficava sua chegada, mais ferrada minha vida parecia ficar.

Eu comecei a sentir dedos se moverem habilmente pela minha nunca, aliviando um pouco da tensão e da dor na minha têmpora.

"Você quer comer alguma coisa, ou prefere se deitar?" Edward perguntou baixinho.

"Comer primeiro. Depois dormir." Eu murmurei no seu peito.

A ausência súbita dos dedos dele me fez me arrepender de ter respondido sua pergunta. Suas mãos caíram ao seu lado, e eu levantei minha cabeça para olhar para ele. Ele ainda parecia cansado e ainda mais rígido do que tinha estado antes, transparecendo um desconforto que eu não podia afirmar. Quando eu dei um passo para longe dele, Edward pareceu relaxar minimamente e respirou fundo. "Se você quiser ir se trocar, eu posso ver se encontro algo para comermos aqui."

Eu simplesmente assenti e saí da cozinha para me trocar das roupas do trabalho. Quando eu voltei menos de 15 minutos depois para ajudar Edward com o que quer que fosse que ele tivesse encontrado na minha geladeira, ele estava colocando pratos ao lado de tigelas que já estavam na mesa.

"Isso foi rápido, e eu não achei que você estaria com muita fome," ele disse com um tom de desculpas. Eu imediatamente notei o quão mais calmo ele parecia, mesmo que ele ainda aparentasse estar prestes a desabar no chão a qualquer momento.

"Está ótimo. Obrigada." Depositados próximos aos meus talheres estavam dois Tylenols. O jantar não foi extravagante, mas foi mais complicado do que eu teria feito. Sopa de tomate e sanduíches, mas Edward não era como Alice. Os sanduíches não estavam queimados... e eles não eram simplesmente de queijo grelhado. O pão tinha sido umedecido em ovo, e o sanduíche não tinha apenas queijo, mas também presunto e peru. Edward resmungou alguma coisa sobre proteína e parou por aí. Eu imaginei que em um dia normal eu teria pensado que estava delicioso, mas ao invés disso a dor de cabeça trazia um gosto ruim a tudo. Eu tentei me lembrar qual foi a última vez em que eu realmente tinha preparado uma refeição, e a única vez nas últimas semanas tinha sido no Natal. "Eu sinto falta de cozinhar." Assim como a maioria das coisas que eu havia dito desde que as marteladas na minha cabeça haviam começado, as palavras deslizaram da minha boca antes que eu tivesse tempo de pensar sobre elas. Dores de cabeça tendiam a fazer o filtro entre meu cérebro e a minha boca desvanecer.

"O que você gosta de cozinhar?" Edward perguntou.

Eu mexi a sopa com a colher, um pouco surpresa que ele estivesse tentando conversar. "Qualquer coisa na verdade. Ultimamente eu tenho estado ou muito ocupada ou muito cansada."

"Ora vamos," ele incentivou. "Deve ter uma especialidade de Bella Swan."

Eu dei de ombros. "Não que eu possa pensar imediatamente." E eu realmente não podia. Eu cozinhava várias coisas, mas atualmente meu cérebro não estava me permitindo pensar claramente de forma alguma. Depois de um tempo, eu peguei um pedaço de sanduíche e olhei para ele por um instante antes de dizer, "Pão. Eu gosto de assar massas."

Ele assentiu e sorriu caloroso.

"Então, um, quais são seus planos para o fim de semana?" Edward perguntou uns minutos depois.

"Eu tenho um almoço com meu pai amanhã."

"Você não parece muito animada." Ele abaixou sua colher e se inclinou para mim, me dando sua atenção integral. Seu interesse em qualquer forma de conversa que não fosse sobre o bebê, minha saúde ou a vida pessoal ferrada dele me surpreendia um pouco. Nós conversamos antes, claro, mas eu dificilmente me lembrava sobre o que qualquer uma dessas conversas havia sido.

Deixando minha colher cair no prato de sopa, coloquei meus cotovelos sobre a mesa, descansei minha cabeça nas mãos e suspirei.

"Se você não quiser falar sobre isso..."

"Não, tudo bem. É só que minha cabeça tá doendo, e meu estômago na verdade está protestando por eu tentar alimentá-lo" Com outro suspiro, eu arrastei minha cadeira para trás e levantei. "Me desculpe. Eu preciso apenas ir me deitar."

"É claro," Edward respondeu, se levantando afobado, mas ele não me seguiu quando eu passei na cozinha para pegar uma compressa de gelo para mim e fui para o meu quarto.

Entrando no meu quarto, eu me arrastei até a cama, deixando a luz apagada. Eu nem mesmo me incomodei em trocar de roupa novamente antes de entrar para debaixo das cobertas e deitar minha cabeça no travesseiro, posicionando a compressa de ervilhas congeladas envoltas numa toalhinha embaixo do meu pescoço. Eu senti um alívio imediato quando minha cabeça encontrou o gelo; meu corpo começou a relaxar, mas durou pouco. Sem nenhuma distração, a única coisa na qual eu podia focar era na dor pulsante na minha cabeça, e quando eu finalmente cheguei a essa conclusão, eu soltei um gemido baixo.

"Você vai ficar bem?"

Eu saltei com as palavras dele e meus olhos abriram de súbito, focando na figura escura no umbral. "Sim, eu só preciso dormir e a dor vai passar." Eu podia ver Edward trocando o peso de um pé para o outro, como se estivesse nervoso.

"Eu acho que vou pra casa e deixar você..."

"Por favor, não vai."

Edward parou de mexer os pés ao me ouvir. "Tem certeza?"

"Tenho. Fica… por favor."

"Okay. Eu vou pra cama no outro quarto. Boa noite Bella." Ele parou por um minuto e então se moveu de volta em direção ao corredor.

"Não."

Edward virou a cabeça. "O que?"

"Você…" Minha voz sumiu enquanto eu tentava achar as palavras. "Você poderia ficar e me distrair?"

"Sobre o que você gostaria de conversar?"

"Qualquer coisa. Eu só… Eu não vou conseguir dormir. E eu…"

"Você o quê?" Ele instigou.

"Eu não quero que você pense que eu estava fugindo de você lá fora. Eu só não conseguia ficar sentada mais e eu precisava do escuro, e..."

"Acredite em mim, eu entendo completamente. É claro que eu vou ficar." Ele se virou e deu um passo incerto de volta para o quarto. Edward pareceu pensar um momento. Então ele veio até a cama. Eu não tinha certeza do que ele pretendia fazer, até ele andar para o lado oposto e eu sentir a cama ceder com seu peso. Eu não conseguia me mover um centímetro enquanto eu sentia ele se deitar ao meu lado. "Se você mudar de ideia e quiser que eu vá embora, é só dizer. Mas eu não dormi o suficiente para ficar em pé na porta.

"Tudo bem."

Eu senti ele se mover um pouco mais atrás de mim antes de eu de repente sentir seus dedos de volta no meu pescoço abaixo da compressa de gelo. Então ele começou a falar, e eu me senti ser ninada pela sua voz, mas não o suficiente para me fazer dormir. Edward falou sobre trabalho e pacientes que ele tinha visto durante o dia. O levando a falar sobre alguns dos pacientes mais interessantes que ele já tinha tido. Ele me contou sobre quando ele era um interno e uma mulher veio até a emergência, gritando que ela tinha certeza de estava leprosa, somente para descobrir que ela tinha acabado de voltar de um acampamento onde ela havia tido um encontro no meio da noite num lago poluído. E então teve a história de uns homens que tinham ido pescar juntos, bebendo alguns engradados de cerveja, e que tinham feito apostas sobre quem engoliria a maior pesca. De alguma forma um deles havia conseguido engolir uma espinha de peixe sem estraçalhar seu esôfago. Não muito depois eu me vi relaxando ainda mais. Enquanto a dor de cabeça ia passando devagar, eu comecei a sorrir mais e curtir as histórias que ele ia contando.

Quando Edward terminou de recontar uma história sobre uma menina de seis anos que tinha enfiado uma moeda no nariz para ver se cabia... e quando coube ela enfiou outra, ele parou. A mudança no ar a nossa volta era palpável, e eu me senti enrijecer enquanto espera ele dizer o que ele tinha em mente. "Então," ele começou com cuidado, "se você não estava fugindo de mim lá fora, eu gostaria de ouvir mais sobre seu encontro com seu pai amanhã." Ele tirou meu cabelo do caminho com as mãos e o colocou no travesseiro, então seus dedos voltaram ao meu pescoço. Seu toque começou inseguro, mas depois de alguns momentos ele aplicou mais força na sua massagem.

"Eu não quero vê-lo. Eu preferia apenas jogar tudo pra debaixo do tapete e não ter que lidar com isso, mas é uma dessas coisas que eu preciso fazer. Mas..."

Depois de um minuto de silêncio, os dedos de Edward pararam de se mover. "Mas..." ele disse num esforço para me incentivar.

"Mas depois da minha conversa com Jacob, eu soube que algumas coisas que eu pensei serem verdadeiras eram de fato, somente minha interpretação enviesada e não estavam nem perto da realidade."

"Isso parece estranhamente familiar," Edward brincou enquanto recomeçava a massagear meu pescoço e ombros novamente.

"Irônico não?" Eu perguntei, e senti um pequeno sorriso se formar em minha boca quando pensei em como eu tinha reagido quando ele tinha feito comigo o mesmo que eu fiz com meu próprio pai. Eu já havia contado ao Edward sobre minha relação difícil com Charlie durante o Natal, quando nós finalmente deixamos os nossos problemas em pratos limpos.

"Então, você vai tentar resolver as coisas com ele?"

"Eu vou tentar. Não sei se eu posso."

A mão dele parou novamente, mas um momento depois ele a deslizou pela minha testa e passou seus dedos pelas mechas do meu cabelo em um movimento calmo e gentil. "Ele é seu pai. Eu tenho certeza que ele já perdoou você. Tenha em mente o quão contundentemente ele agiu pra proteger você de mim. Ele ama muito você, Bella. Isso estava evidente em cada ação, palavra que ele disse para mim quando eu o conheci."

O silêncio pairou pesado no quarto novamente e eu fechei meus olhos, aproveitando a calmante sensação das mãos de Edward e o súbito alívio no estresse ao ouvir seus incentivos. Justo quando eu comecei a cochilar, Edward perguntou, "Quais são seus planos para o trabalho?" Meus ombros enrijeceram imediatamente com o assunto e Edward obviamente notou enquanto explicava, "Você sabe, depois que o bebê nascer. Quanto tempo você pretende ficar de licença? Quais são seus planos pra depois?"

"Eu não sei. Bem, eu pensei sobre isso, mas eu ainda não tenho respostas." Seus dedos relaxaram novamente. Puxando a compressa mais derretida de gelo de debaixo de mim e a colocando na mesa de cabeceira, eu me virei para ele.

Com a luz fraca que vinha da cidade ruidosa através da fresta na persiana sobre a minha janela, eu mal podia enxergar a forma de Edward. Ele estava me encarando, completamente vestido com sua camiseta e jeans, deitado de lado na parte de cima do cobertor. Sua cabeça estava apoiada em seu braço direito, e eu podia sentir mais do que ver seus olhos me observando intensamente. "Eu fui ver minha médica na quinta-feira."

"Por que você não me disse?"

"Você estava ocupado, e eu sabia que você ia tirar a quarta-feira de folga por minha causa, então eu não queria que você se ausentasse por mais tempo."

Sua mão se ergueu e afastou o cabelo da lateral do meu rosto. "Eu realmente queria que você pelo menos tivesse me dado escolha." As palavras de Edward eram mais arrependidas do que irritadas, e uma pequena onda de culpa passou por mim. "O que Maggie disse?"

"Ela disse que quer fazer mais um ultrassom na semana que vem. Ela disse que a placenta está no limite para ficar baixa demais, ou algo assim. Você quer vir comigo?"

"Quando você vai?"

"Terça de manhã."

Nas sombras, eu podia ver suas bochechas subindo enquanto ele sorria. "Eu adoraria ir com você. Obrigado."

"De nada." Eu sorri de volta, mas eu não tinha certeza se ele podia ver. "De qualquer forma, quando eu for lá novamente, ela vai me dar uma resposta definitiva se eu preciso ou não fazer uma cesariana. Eu li que o tempo de recuperação é maior se eu tiver que fazer a cirurgia. Então, vai depender disso para eu tirar quatro ou seis semanas de licença."

Edward imediatamente se apoiou nos cotovelos e olhou para mim. "Quatro ou seis semanas? Você enlouqueceu?"

Eu me movi ficando na mesma posição que ele. De jeito nenhum eu iria permitir que ele tentasse me intimidar me olhando de cima para baixo. "Eu trabalho, Edward. Eu vou tirar seis semanas mas meu trabalho é importante, e seu eu puder voltar a trabalhar depois de quatro semanas, então eu vou fazer o que eu precisar fazer."

"A recuperação é mais do que física. Eu não acho que você entenda a quanto de efeito emocional que isso vai ter – em nós dois. E o que você está planejando fazer com ele quando estiver no trabalho?"

"Eu não sei. Eu marquei uns encontros essa semana em algumas creches para semana que vem. E minha recepcionista disse que tem uma vaga em aberto com a senhora que toma conta da filha dela."

Edward suspirou alto. "E você tem pensado em quanto tempo eu vou querer passar com ele?"

"Não," eu respondi baixinho. Era uma questão plausível, a qual eu não tinha realmente considerado. Desde o momento em que ele mencionou os três berçários, eu tentei evitar pensar sobre balançar meu filho pra lá e pra cá o tempo todo.

"Pense sobre isso Bella. Eu não estou saindo de cena, e nós precisamos acertar algumas dessas coisas juntos."

"Eu vou pensar."

"Você me faria um favor, por gentileza?"

"O que?" Eu perguntei apreensiva enquanto deitava novamente no travesseiro.

"Por favor, me deixe ver o que eu posso fazer também. Se meu filho vai ter de ficar em creches, eu gostaria de participar das entrevistas também."

"Tudo bem."

Edward se moveu sentando-se e colocando as pernas pra fora da cama.

"Espere. Onde você tá indo?"

"Eu preciso dormir um pouco, e eu acho que você também provavelmente," ele disse parecendo ainda mais cansado que antes. Eu me perguntei o quanto disso era cansaço físico e o quanto era mental.

"Edward..." minha voz sumiu, e eu não consegui dizer o que eu realmente queria.

"Sim?" Ele perguntou se virando para mim.

"Umm, nada. Tenha uma boa noite."

Ele andou em volta da cama, eu voltei para o meu outro lado. E enquanto ele andava em minha direção para ir até a porta ele parou e deslizou sua mão por minha testa e têmpora. "Boa noite." Então ele pegou a compressa de gelo e a toalhinha da mesa de cabeceira e saiu pela porta, silenciosamente a fechando atrás de si ao passar.

Meu quarto nunca pareceu tão vazio.

"Você tem certeza?" Eu perguntei pelo que deveria ser a vigésima vez em uma conversa telefônica de dez minutos.

"Sim, Bells, absoluta. Tudo vai dar certo." Sua voz era tão tranquilizante, tão calma, eu estava tendo dificuldades em não acreditar nele. "Relaxe."

Eu me recostei nas almofadas do meu sofá, me afundando. Eu estava tentando ficar calma antes que meu pai chegasse. Charlie tinha ligado mais cedo de manhã para me dizer que ele estava saindo de Forks e que ele telefonaria quando chegasse na cidade. Edward tinha me ajudado a arrumar as coisas pra que parecessem apresentáveis, e eu então ele me ajudou a fazer uma lasanha para o almoço antes de ir embora. Exatamente como tinha sido no Natal, Edward e eu parecíamos nos movimentar na cozinha em uma sincronia quase perfeita. Ele antecipava minhas necessidades, enquanto eu estava cozinhando exatamente como eu adivinhava as dele, tudo com o mínimo de palavras necessárias. Nenhum de nós achou que seria uma boa ideia que Edward estivesse no meu apartamento quando eu estava tentando me reconciliar com meu pai. Eu prometi a Edward um pouco de lasanha no jantar quando ele voltasse a noite.

"Ele é seu pai. Tem esperado por essa chance de você há anos."

"Você não está ajudando Jacob." Eu resmunguei no telefone.

Nossa conversa continuou assim, e na metade a outra linha apitou. Era Charlie, me dizendo que ele estaria na minha casa em meia hora. Então eu voltei para minha conversa com Jacob, e fiz isso enquanto colocava a comida no forno para assar e montei uma salada. Assim que eu desliguei o telefone com Jacob, eu ouvi uma batida na porta.

Charlie estava parado no corredor, ladeado por duas sacolas.

"Oi, Bells," ele disse com um sorriso nervoso. Eu lutei contra o ímpeto de corrigi-lo. Por que quando Jacob me chamava por esse apelido nem de longe me irritava tanto quanto quando Charlie fazia a mesma coisa?

"Entre."

Ele passou pela porta e eu a fechei atrás dele. "Wow... umm... você está parecendo... umm... grande."

"Obrigada, pai... eu acho."

Então ele simplesmente ficou ali, parecendo perdido e confuso enquanto eu fazia um pouco mais do que olhar para ele. Era desconfortável. Eu pareci sair do meu transe quando ele mexeu as sacolas um pouco, eu as notei novamente. "Oh! Posso pegar alguma coisa?" Eu perguntei, contente por ter algo pra fazer.

"Claro. Aqui." Charlie estendeu uma das sacolas na minha direção. "Isso é pra sobremesa."

"Obrigada." Eu tirei a sacola das mãos dele e fui até a cozinha, sorrindo quando eu puxei a caixa da Simply Desserts e a coloquei na bancada.

"Eu não sabia se você ia lembrar, mas essa costumava ser sua favorita," Charlie disse enquanto ele vinha até a cozinha um momento depois sem sacolas.

Eu sorri para ele, subitamente me sentindo muito mais relaxada. "Na verdade, eu me lembro."

Charlie soltou a respiração, e eu percebi que ele tinha ficado nervoso sobre a minha resposta.

"O almoço está quase pronto. Você gostaria de beber alguma coisa?"

"Claro."

Eu olhei para ele na expectativa e comecei a listar as opções. Seus olhos começaram a percorrer o pequeno ambiente, parecendo observar tudo. Eu não tinha certeza se esse era outro sinal de nervosismo do meu pai, ou se esse era apenas seu comportamento normal.

"O que quer que você vá beber está bom." Ele murmurou e então andou até a mesa de jantar onde eu o convidei a se sentar.

O almoço foi tenso. Me incomodou o quão rápido os muros entre nós pareciam cair e com a mesma velocidade se reerguerem. Sempre que um de nós começava algum assunto, terminava com conversas de uma ou duas palavras. A viagem de Charlie para Montana tinha ido bem. A neve estava alta. O inverno estava gelado. O natal foi ótimo. Sue estava bem. Billy tinha mandado um "oi", e no meio da conversa tensa, Charlie continuava dizendo coisas do tipo "Como estão as coisas entre você e Jacob?"

Realmente, ele só parecia capaz de dizer mais de três palavras de uma vez quando mencionava o Jacob. Ele não pareceu querer ouvir que Jacob e eu éramos apenas amigos e nada mais. Ou que a frequência dos meus telefonemas para o Jacob tinha caído drasticamente nas ultimas semanas. Até eu mencionar o termo "colega de quarto" Charlie não pareceu na verdade reconhecer que eu tinha dito algo com significado.

"Colega de quarto?" Ele perguntou, seus olhos endurecendo mais e mais a cada segundo.

"Sim, eu tenho..."

"Quem?" Ele perguntou me interrompendo. "É por isso que ele tem atendido seu telefone? Ele se impôs no seu apartamento? Eu não vou deixar esse cara te cansar e magoar." Ele estava apalpando o quadril procurando sua arma enquanto falava, e eu estava grata que nós não estivéssemos na casa dele onde seria fácil para ele pegá-la.

"Não, pai. Apenas pare e escute por um minuto." Essa era uma das coisas que eu sabia que teríamos de conversar a respeito, mas eu tinha planejado em na verdade me desculpar por como eu tinha o tratado nos últimos dez anos primeiro. Eu me recostei na minha cadeira e suspirei. "Edward não é meu colega de quarto. A irmã dele, Alice, se mudou pra cá há umas semanas atrás para me ajudar." Certo, o fato de que Edward tem dormido na minha casa periodicamente desde que Alice chegou não era algo que eu mencionaria de livre e espontânea vontade.

"Se você precisava de alguma coisa, você poderia ter me ligado. Eu estaria aqui assim que possível. Ou você podia ter chamado o Jacob. Eu não quero você tendo que contar com essas pessoas Bells. Deixe sua família te ajudar."

"Você não…" Eu deixei as palavras sumirem enquanto eu encarava o jogo americano embaixo do meu prato e começava a mexer com a borda de crochê. Eu mexi a cabeça num esforço para reforçar meus pensamentos. Falar sobre se eu deveria ou não passar meu tempo com os Cullen ou ouvir sobre o quanto Charlie pensava que eu precisava passar meu tempo com Jacob não era o porque de eu ter concordado em ver meu pai. Com outro longo suspiro, eu decidi ir em frente e começar com meu mais do que ensaiado discurso como eu originalmente tinha planejado fazer. "Eu sei agora que eu estava errada em tratar você como eu tratei. Mas eu odiava te visitar. Eu odiava ouvir você falar sobre a minha mãe – isso me fazia sentir como se você estivesse mais interessado em caçar informação sobre ela do que em passar tempo comigo. Eu odiava que você se recusasse a prometer ir me visitar na Califórnia e ainda me forçasse a ir para aquela minúscula, entediante e úmida cidadezinha que tinha sufocado minha mãe. Durante anos eu odiei ligar pra você e falar com você porque você nunca dizia nada pra mim. Eu nunca me mudei pra Forks porque eu não achava que você me quisesse lá... Eu nunca pensei que você me quisesse de forma alguma." Eu olhei para o seu rosto e disse a última frase. "Eu estava errada. Eu sei disso agora. Mas até algumas semanas atrás, eu ainda achava isso." O olhar triste, magoado e absolutamente devastado em seus olhos era muito doloroso para eu observar, e eu foquei meus olhos novamente no jogo americano. "Jacob me disse que eu estava errada, e ainda que eu acredite nele, você precisa saber que isso é difícil pra mim."

O ambiente ficou silencioso depois disso, e eu não consegui levantar os olhos para ver se eu poderia dizer o que ele estava pensando sobre a minha confissão. Ao invés disso, eu foquei no jogo americano, onde de alguma forma eu tinha conseguido desfazer o nó sem nem mesmo pensar que isso estava atualmente separando a tirinha individual do bordado. Se eu continuasse com isso, em breve não teria nada mais nada nem mesmo pra refazer.

Charlie se estendeu e cobriu minha mão com a sua – quente, gentil, calejada, com leves rugas começando a aparecer. Ele deslizou seu dedão sobre as costas dos meus dedos e então apertou minha mão. "Eu sinto muito, pai." Eu sussurrei enquanto uma lágrima corria pela minha bochecha.

"Eu sinto muito também, Bella" ele apertou minha mão novamente antes de levá-la de volta ao colo dele. Eu olhei novamente para ele, e dessa vez quando eu sorri, ele sorriu também, e eu senti o estresse e preocupação se dissiparem, se dissolvendo em nada.

"Parece que você talvez tenha destruído esse," ele disse apontando com a cabeça para a mesa.

Eu olhei para o cantinho desfeito do jogo americano e passei minha mão gentilmente sobre ele, alisando o pano sem o desfazer ainda mais. "Talvez, mas eu acho que dá pra consertar pai."

"Sim, eu também acho."

O resto da tarde passou de um jeito muito mais calmo. Charlie me ajudou a limpar a mesa e guardar o que tinha sobrado, então ele começou a me mostrar as outras coisas que ele tinha trazido. Ele tinha mantas e roupas de segunda mão de quando o filho mais novo de Sue era bebê. Ele tentou se desculpar, dizendo que não era muito, mas eu agradeci a prestatividade. Eu falei a ele mais sobre Alice, e depois peguei um pedaço de cheescake para nós dois, eu continuei falando sobre Edward. Durante a conversa, eu tentei não dar desculpas para o comportamento dele, mas também tentei deixar claro para o meu pai que Edward estava aqui para ficar, e se ele pudesse tentar ao máximo se dar bem com ele, isso iria finalmente tornar as coisas mais fáceis para todo mundo envolvido.

"Eu não confio nele," Charlie resmungou enquanto ele colocava seu prato de sobremesa vazio na pia.

"Mas, eu estou aprendendo a confiar nele, e realmente… isso é tudo que interessa."

"Eu não quero que você se machuque mais do que já se machucou."

Surpreendentemente, eu me vi sorrindo ao ouvir isso. Há menos de um mês atrás, eu teria achado esse comentário fingido e teria ficado com raiva da sua tentativa de agir paternalmente, mas eu estava lentamente começando a ver sua preocupação pelo que ela era. Talvez, dentro de mais um mês eu seria capaz de parar de me encolher sempre que ele me chamasse de Bells. "Eu acho que ele vai agir bem. De verdade. Ele tem estado bem próximo. Ele até mesmo me ajudou a faxinar hoje de manhã e a começar o almoço."

"Nós vamos ver quanto tempo isso dura" ele murmurou tão baixo que eu mal o ouvi. Eu lutei contra a vontade de rir... principalmente porque ele tinha mencionado os exatos pensamentos que eu vinha tendo há semanas.

Com promessas de que ele e Sue estariam de volta quando o bebê nascesse, eu abracei meu pai e o acompanhei até a porta.

"Eu amo você, Bells." Ele disse.

"Eu amo você também, pai. Obrigada... por tudo."

Ele apenas assentiu e saiu pela porta, mas eu sabia que nós estávamos bem. Não perfeitamente, mas desde minha conversa com Jacob, eu vinha percebendo meu pai por um outro ângulo.

Eu fui até a mesa da cozinha e peguei no pequeno dano do jogo americano. Um pouco de carinho e tempo, e ninguém seria capaz de perceber o dano.


Nota da Tradutora: ~Dany_Cullen é a nossa beta! Eu não poderia agradecer pelos pepinos gigaaaantes que a gente joga nas mãos dela, e mesmo assim ela sempre está disposta a nos ajudar. Brigada baby!

Essa fic é da ~GinnyW31 e se vocês sabem inglês corram para ler o que ela escreve! O perfil dela está no meu e também nos autores favoritos!

Esse capítulo foi traduzido pela Mayra.

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